STI571 (Glivec<FONT FACE=Symbol>Ò</FONT>), nova droga para o tratamento da leucemia mielóide crônica

Panorama Internacional

Clínica Médica

STI571 (GLIVECÒ), NOVA DROGA PARA O TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA

Druker et al. utilizam STI571 em pacientes com leucemia mielóide crônica (LMC) em fase crônica, cujo tratamento com interferon alfa tenha falhado. Os efeitos adversos foram mínimos. Houve resposta hematológica completa em 53 de 54 pacientes (98%), com dose de 300 mg ou mais, tipicamente nas primeiras quatro semanas. Deles, 29 apresentaram resposta citogenética, sendo 17 respostas major (até 35% de células positivas para o cromossomo Philadelphia) e sete respostas completas. Destes, dois apresentaram resultado negativo para o BCR-ABL por FISH, e um por PCR. A mediana do tratamento foi de 310 dias. Concluiu-se que o STI571 é bem tolerado e tem atividade antileucêmica significante em pacientes com LMC, cujo tratamento com interferon alfa tenha falhado. Os resultados evidenciam o papel essencial da atividade da tirosino kinase BCR-ABL na LMC e demonstram o potencial de desenvolvimento de drogas antineoplásicas que se baseiam em anormalidades moleculares específicas.

Comentário

A LMC é uma doença clonal de expansão maciça de células mielóides. O transplante alogenêico de medula óssea (TAMO) é considerado o único tratamento curativo, mas somente é viável em pacientes com doador compatível. É causada por uma alteração citogenética, o cromossomo Philadelphia. Esta gera a proteína BCR-ABL, uma tirosino-kinase que provocaria a LMC. O STI571 (Glivec â ) é um inibidor desta enzima. Outros tratamentos convencionais com hidroxiuréia e interferon alfa não são curativos e/ou apresentam sérios efeitos colaterais. Até agora, o interferon alfa vinha sendo o tratamento de escolha para os pacientes que não fossem candidatos ao TAMO. O STI571 tem a vantagem de ser utilizado via oral, apresentar respostas hematológicas mais rápidas e mais freqüentes, maior índice de resposta citogenética e menos efeitos adversos. Acaba de ser aprovado para comercialização no Brasil. Certamente, seu uso será crescente em pacientes com LMC em todas as suas fases. Entretanto, apenas um maior tempo de seguimento destes indivíduos poderá definir se este tratamento será um substituto ao TAMO.

JOSÉ MAURO KUTNER

Referência

Efficacy and safety of a specific inhibitor of the BCR-ABL tyrosine kinase in chronic myeloid leukemia. NEJM 2001; 344 :1031-7.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Jan 2002
  • Data do Fascículo
    Dez 2001
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