Imunologia do leite materno

Patricia Palmeira Magda Carneiro-Sampaio Sobre os autores

Resumo

Na fase crítica de imaturidade imunológica do recém-nascido, em especial do sistema imune de mucosas, o lactente recebe grandes quantidades de componentes bioativos através do colostro e do leite materno. O colostro é o reforço imunológico natural mais potente conhecido pela ciência. O aleitamento materno protege o lactente de infecções principalmente por meio dos anticorpos IgA secretores (IgAS), mas também por meio de vários outros fatores bioativos. É surpreendente que os fatores de defesa do leite humano ajam sem causar inflamação e alguns componentes são, de fato, anti-inflamatórios. A proteção contra infecções tem sido bem evidenciada durante a lactação, combatendo, por exemplo, diarreia aguda e prolongada, infecções do trato respiratório, incluindo otite média, infecção do trato urinário, sepse neonatal e enterocolite necrosante. O conteúdo imunológico do leite evolui ao longo do tempo: nas fases iniciais de lactação, IgAS, fatores anti-inflamatórios e, mais provavelmente, as células imunologicamente ativas provêm ajuda adicional para o sistema imune imaturo do neonato. Depois desse período, o leite materno continua a adaptar-se extraordinariamente à ontogenia infantil, às suas necessidades de proteção imune e nutricionais. Entende-se, portanto, a necessidade de se estimular o aleitamento materno pelo menos durante o primeiro semestre de vida, período em que a produção própria de IgA secretória é ainda pouco significativa.

Palavras-chave
leite humano; anticorpos IgA secretores; infecções; recém-nascido a termo; recém-nascido pré-termo

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