Estudo da hipotermia acidental em idosos institucionalizados

António Palma Seman Valdir Golim Milton Luiz Gorzoni Sobre os autores

OBJETIVO: Analisar a prevalência, causas e evolução da hipotermia acidental em idosos institucionalizados. MÉTODOS: Estudo prospectivo realizado entre janeiro e dezembro de 2004, no Hospital Geriátrico e de Convalescentes D. Pedro II, com 483 internos. Hipotermia foi confirmada por termômetro esofágico, utilizado em todos os pacientes com temperatura axilar menor ou igual a 35ºC (95ºF). Tanto o diagnóstico etiológico quanto as complicações da hipotermia foram observados em exames clínico e subsidiários de urgência como eletrocardiograma, radiografia de tórax, hemograma, gasometria arterial, glicemia, metabólitos, amilase, função hepática e renal, sorologias para HIV, sífilis e hepatite B e urina tipo I. Foram adotadas medidas de reaquecimento entre outras do protocolo de tratamento. RESULTADOS: A prevalência de hipotermia foi de 7,2% especialmente em mulheres (65,7%), e a média de idade do grupo foi 76,4 anos. A maioria dos pacientes (77,1%) apresentava elevado grau de dependência (Katz "F" e "G"). Hipotermia leve foi identificada na maioria dos idosos (71,4%). A taxa de mortalidade foi de 62,8%, sendo 31,4% em vigência de hipotermia e 31,4% após sua reversão. Em 100,0% dos casos, a etiologia foi infecciosa: pneumonia em 80%, infecção urinária em 60,0%, e úlceras por pressão em 17,1%. Em 60% dos casos havia mais de um foco infeccioso. CONCLUSÃO: A hipotermia em idosos institucionalizados é uma grave condição clínica, com altos índices de mortalidade. A prevenção, o diagnóstico precoce e medidas de reaquecimento central corroboram para um melhor prognóstico.

Hipotermia; Idoso; Institucionalização


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