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Implicações para a saúde pública da relação religiosidade-longevidade

Marcelo Saad Roberta de Medeiros Sobre os autores

Resumo

Um corpo crescente de estudos científicos tem demonstrado uma associação positiva consistente entre envolvimento religioso-espiritual (R/E) e efeitos benéficos sobre a saúde física, culminando com aumento da longevidade. Esse efeito protetor sobre o risco de mortalidade é não apenas estatisticamente significante, mas também clinicamente relevante. Os mecanismos envolvidos nessa associação incluem vias psico-neuro-imuno-endocrinológicas, maior adesão a comportamentos saudáveis e diversos fatores sociais. Estratégias de saúde pública poderiam explorar melhor essa associação. Isso pode ser feito em uma escala individual (profissionais de saúde adotando medidas simples) ou institucional (instituições de saúde se associando a organizações religiosas). Algumas evidências sugerem que os benefícios da R/E para a saúde e a longevidade seriam mais presentes em populações de regiões mais religiosas. Nesse sentido, as Américas (Latina e do Norte) são lugares privilegiados para a exploração dessa associação, em comparação com regiões onde predomine certa indiferença sobre práticas R/E. Explorar essa interface pode melhorar a oferta e a utilização de cuidados de saúde, especialmente para as populações marginalizadas. Para isso, é preciso que profissionais de saúde, líderes religiosos e decisores políticos trabalhem em conjunto.

Palavras-chave:
saúde pública; longevidade; psiconeuroimunologia; adaptação psicológica; religião e medicina; espiritualidade

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