Open-access Valor adicional do estudo dinâmico pós-contraste para detecção de pequeno tumor neuroendócrino do reto na ressonância magnética

Sr. Editor,

Homem de 70 anos, assintomático, submetido a colonoscopia de rastreio, na qual foi identificada lesão retal, subepitelial, confirmada pela ecoendoscopia (Figura 1A). Foi realizada ressonância magnética (RM), que não detectou a lesão com o protocolo habitual. O exame de RM foi complementado com estudo dinâmico, que permitiu a identificação de uma lesão medindo 5 mm, com realce precoce pelo meio de contraste, não identificada em fases mais tardias do estudo dinâmico (Figuras 1B e 1C). Posteriormente, foi realizada ressecção endoscópica diagnóstica e terapêutica (Figura 1D), com diagnóstico histopatológico de neoplasia neuroendócrina bem diferenciada.

Figura 1
A: Ecoendoscopia mostrando lesão localizada e restrita à submucosa (setas). RM 3,0 tesla pós-contraste com estudo dinâmico (B) mostrando pequena lesão parietal hipervascular em fase precoce (seta) e em fase mais tardia (C) mostrando que a lesão não é mais individualizada (seta). D: Escara resultante da ressecção.

Tumores neuroendócrinos podem ocorrer em diferentes órgãos e correspondem a 1,5% de todas as neoplasias gastrintestinais e pancreáticas(1). No trato gastrintestinal, o reto é a segunda porção mais acometida, correspondendo a 21-27% dos casos(2). A maioria é esporádico, mas até 25% pode vir associado a síndromes genéticas, como a neoplasia endócrina múltipla tipo 1, a neurofibromatose tipo 1, a doença de Von Hippel-Lindau e a esclerose tuberosa(3-5). Podem produzir hormônios e aminas metabolicamente ativas, causando sintomas(5). Os não funcionantes, que são os mais comuns, frequentemente se manifestam como doença localmente avançada ou como metástase (principalmente para fígado)(5). O sistema de classificação de 2010 da Organização Mundial da Saúde utiliza aspectos histopatológicos para classificar as neoplasias neuroendócrinas em três categorias: neoplasia neuroendócrina, grau 1; neoplasia neuroendócrina, grau 2; e carcinoma neuroendócrino, grau 3. O primeiro demonstra comportamento benigno ou maligno incerto, o segundo mostra baixo grau de malignidade e o terceiro geralmente tem comportamento agressivo(6). A malignidade depende não apenas da classificação histológica, mas também do local de origem. A neoplasia localizada no reto possui bom prognóstico, sendo a maioria dos pacientes assintomática, representa lesão descoberta incidentalmente, tipicamente pequena (< 1 cm) e localizada em 82% dos casos no momento do diagnóstico, com metástase em apenas 2% dos menores que 2 cm e taxa de sobrevida em cinco anos de 88%(2). Ecoendoscopia é o método ideal para avaliar a invasão da parede retal e os linfonodos regionais(7). A RM vem sendo cada vez mais usada para avaliar a extensão tumoral e nodal(2). Ressecção local é o tratamento ideal para lesões não invasivas menores que 2 cm, e cirurgia radical com ressecção dos linfonodos de drenagem, para as lesões invasivas ou maiores que 2,5 cm(8). Em caso de tumores metastáticos, terapias sistêmicas ou mesmo cirúrgicas são consideradas(2).

O tumor neuroendócrino bem diferenciado do reto tem origem na muscular da mucosa ou submucosa, portanto, tem localização superficial ou padrão de crescimento intraluminal. Apresenta hipossinal em T1, hipersinal em T2 e realce homogêneo pelo meio de contraste. Por outro lado, o tumor neuroendócrino indiferenciado tem achados similares ao adenocarcinoma retal(9).

Em conclusão, a inclusão do estudo dinâmico aumenta a sensibilidade da RM para detecção de tumores neuroendócrinos pequenos, podendo ser um método adicional para pesquisa de neuroendócrinos ocultos.

Referências bibliográficas

  • 1 Chang S, Choi D, Lee SJ, et al. Neuroendocrine neoplasms of the gastrointestinal tract: classification, pathologic basis, and imaging features. Radiographics. 2007;27:1667-79.
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  • 3 Lawrence B, Gustafsson BI, Chan A, et al. The epidemiology of gastroenteropancreatic neuroendocrine tumors. Endocrinol Metab Clin North Am. 2011;40:1-18.
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  • 9 Kim H, Kim JH, Lim JS, et al. MRI findings of rectal submucosal tumors. Korean J Radiol. 2011;12:487-98.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    18 Abr 2019
  • Data do Fascículo
    Mar-Apr 2019

Histórico

  • Recebido
    30 Ago 2017
  • Aceito
    03 Nov 2017
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