Efeito da ingestão de cafeína sobre os parâmetros da potência crítica

Effect of caffeine intake on critical power model parameters determined on a cycle ergometer

Resumos

O objetivo do presente estudo foi verificar o efeito da ingestão de cafeína sobre os parâmetros do modelo de potência crítica determinado em cicloergômetro. Participaram do estudo oito sujeitos do sexo masculino. A ingestão de cafeína pura (6 mg.kg-1) ou placebo (maltodextrina) foi realizada através de protocolo duplo-cego, 60 minutos antes dos testes. Para determinação da potência crítica, os sujeitos foram submetidos a quatro testes de cargas constantes em cicloergômetro, realizados aleatoriamente, nos momentos cafeína e placebo, nas intensidades de 80, 90, 100 e 110% da potência máxima, a uma cadência de 70 rpm até a exaustão. A potência crítica e a capacidade de trabalho anaeróbio foram obtidas através de regressão não linear e ajuste de curva para o modelo hiperbólico potência-tempo. Para o tratamento estatístico, utilizaram-se-se o teste de Shapiro Wilk e o teste t de Student pareado. Não foram encontradas diferenças significativas na potência crítica nas condições cafeína e placebo (192,9 ± 31,3 vs 197,7 ± 29,4 W, respectivamente). A capacidade de trabalho anaeróbio foi significativamente maior na condição cafeína (20,1 ± 5,2 vs 16,3 ± 4,2 W, p< 0,01). Foi, ainda, obtido um alto valor de associação (r²) entre as condições cafeína e placebo (0,98± 0,02 e 0,99± 0,0). Através dos resultados obtidos, concluiu-se que a ingestão de cafeína não proporcionou melhorias no desempenho da potência crítica, entretanto, elevou os valores da capacidade de trabalho anaeróbio por influenciar o desempenho nas cargas de maior intensidade e menor duração.

Potência Crítica; Cafeína; Ergogênico


The aim of this study was to evaluate the effect of caffeine intake on critical power model parameters determined on a cycle ergometer. Eight male subjects participated in this study. A double-blind protocol consisting of the intake of pure caffeine (6 mg/kg) or placebo (maltodextrin) 60 min before testing was used. Subjects were submitted to four constant-load tests on a cycle ergometer. These tests were conducted randomly in the caffeine and placebo groups [checar] at intensities of 80, 90, 100 and 110% maximum power at a rate of 70 rpm until exhaustion to determine the critical power. As a criterion for stopping the test was adopted any rate fall without recovery by more than five seconds. The critical power and anaerobic work capacity were obtained by nonlinear regression and fitting of the curve to a hyperbolic power-time model. The Shapiro-Wilk test and paired Student t-test were used for statistical analysis. No significant differences in critical power were observed between the caffeine and placebo groups (192.9 ± 31.3 vs 197.7 ± 29.4 W, respectively). The anaerobic work capacity was significantly higher in the caffeine group (20.1 ± 5.2 vs 16.3 ± 4.2 W, p<0.01). A high association (r²) was observed between the caffeine and placebo conditions (0.98 ± 0.02 and 0.99 ± 0.0, respectively). We conclude that caffeine intake did not improve critical power performance but increased anaerobic work capacity by influencing performance at loads of higher intensity and shorter duration.

Critical power; Caffeine; Ergogenic; Ergogenic supplement


ARTIGO ORIGINAL

Efeito da ingestão de cafeína sobre os parâmetros da potência crítica

Effect of caffeine intake on critical power model parameters determined on a cycle ergometer

Marcus Vinícius MachadoI;II;III; Alexandre Rosas BatistaI;III; Leandro Ricardo AltimariI;III;IV; Eduardo Bodnariuc FontesI;III;IV; Ricardo Okada TrianaI;III; Alexandre Hideki OkanoIII;IV;V; Alessandro Custódio MarquesI;II; Orival Andries JúniorI;II; Antonio Carlos de MoraesI;III

IUniversidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação Física. Programa de Pós-Graduação em Educação Física. Campinas, SP. Brasil.

IIUniversidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação Física. Laboratório de Atividades Aquáticas. Campinas, SP. Brasil.

IIIUniversidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação Física. Grupo de Estudo e Pesquisa em Sistema Neuromuscular. Campinas, SP. Brasil.

IVUniversidade Estadual de Londrina. Centro de Educação Física e Desporto. Grupo de Estudo e Pesquisa em Metabolismo, Nutrição e Exercício. Londrina, PR. Brasil.

VUniversidade Federal do Rio Grande do Norte. Departamento de Educação Física. Grupo de Estudo e Pesquisa em Biologia Integrativa do Exercício. Natal, RN. Brasil.

Correspondencia para

RESUMO

O objetivo do presente estudo foi verificar o efeito da ingestão de cafeína sobre os parâmetros do modelo de potência crítica determinado em cicloergômetro. Participaram do estudo oito sujeitos do sexo masculino. A ingestão de cafeína pura (6 mg.kg-1) ou placebo (maltodextrina) foi realizada através de protocolo duplo-cego, 60 minutos antes dos testes. Para determinação da potência crítica, os sujeitos foram submetidos a quatro testes de cargas constantes em cicloergômetro, realizados aleatoriamente, nos momentos cafeína e placebo, nas intensidades de 80, 90, 100 e 110% da potência máxima, a uma cadência de 70 rpm até a exaustão. A potência crítica e a capacidade de trabalho anaeróbio foram obtidas através de regressão não linear e ajuste de curva para o modelo hiperbólico potência-tempo. Para o tratamento estatístico, utilizaram-se-se o teste de Shapiro Wilk e o teste t de Student pareado. Não foram encontradas diferenças significativas na potência crítica nas condições cafeína e placebo (192,9 ± 31,3 vs 197,7 ± 29,4 W, respectivamente). A capacidade de trabalho anaeróbio foi significativamente maior na condição cafeína (20,1 ± 5,2 vs 16,3 ± 4,2 W, p< 0,01). Foi, ainda, obtido um alto valor de associação (r2) entre as condições cafeína e placebo (0,98± 0,02 e 0,99± 0,0). Através dos resultados obtidos, concluiu-se que a ingestão de cafeína não proporcionou melhorias no desempenho da potência crítica, entretanto, elevou os valores da capacidade de trabalho anaeróbio por influenciar o desempenho nas cargas de maior intensidade e menor duração.

Palavras-chave: Potência Crítica; Cafeína; Ergogênico

ABSTRACT

The aim of this study was to evaluate the effect of caffeine intake on critical power model parameters determined on a cycle ergometer. Eight male subjects participated in this study. A double-blind protocol consisting of the intake of pure caffeine (6 mg/kg) or placebo (maltodextrin) 60 min before testing was used. Subjects were submitted to four constant-load tests on a cycle ergometer. These tests were conducted randomly in the caffeine and placebo groups [checar] at intensities of 80, 90, 100 and 110% maximum power at a rate of 70 rpm until exhaustion to determine the critical power. As a criterion for stopping the test was adopted any rate fall without recovery by more than five seconds. The critical power and anaerobic work capacity were obtained by nonlinear regression and fitting of the curve to a hyperbolic power-time model. The Shapiro-Wilk test and paired Student t-test were used for statistical analysis. No significant differences in critical power were observed between the caffeine and placebo groups (192.9 ± 31.3 vs 197.7 ± 29.4 W, respectively). The anaerobic work capacity was significantly higher in the caffeine group (20.1 ± 5.2 vs 16.3 ± 4.2 W, p<0.01). A high association (r2) was observed between the caffeine and placebo conditions (0.98 ± 0.02 and 0.99 ± 0.0, respectively). We conclude that caffeine intake did not improve critical power performance but increased anaerobic work capacity by influencing performance at loads of higher intensity and shorter duration.

Keywords: Critical power; Caffeine; Ergogenic; Ergogenic supplement

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Endereço para correspondência:

Recebido em 04/06/08

Revisado em 26/01/09

Aprovado em 18/05/09

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  • Marcus Vinicius Machado
    Instituto Oswaldo Cruz
    Laboratório de Investigação Cardiovascular
    Av. Brasil, 4365, Manguinhos.
    CEP 21045-900 – Rio de Janeiro, RJ. Brasil.
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    06 Fev 2013
  • Data do Fascículo
    Fev 2010

Histórico

  • Revisado
    26 Jan 2009
  • Recebido
    04 Jun 2008
  • Aceito
    18 Maio 2009
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