Mapeando os grupos de pesquisa em Educação Física escolar na região sul do Brasil

Mapping research groups in school Physical Education in southern Brazil

Mapeo de grupos de investigación en Educación Física escolar en el sur de Brasil

Jessica Serafim Frasson Angelica Madela Natacha da Silva Tavares Elisandro Schultz Wittizorecki Sobre os autores

RESUMO

Este estudo tem como objetivo mapear os perfis dos grupos de pesquisa da região sul do Brasil que pesquisam a Educação Física escolar. Para fins metodológicos, realizamos a análise de documentos dos Currículos Lattes dos líderes, do site do Diretório de Grupos de pesquisa e do manual do usuário do diretório. Identificamos que os grupos e seus respectivos líderes estão, majoritariamente, concentrados nas instituições públicas de ensino, na Grande Área Ciências da Saúde e na Área de Conhecimento Educação Física. Os artigos são os produtos mais publicados pelos líderes, sobretudo por aqueles que se encontram credenciados aos Programas de Pós-Graduação. Por fim, identificamos que o financiamento científico tem sido pouco expressivo para as pesquisas em Educação Física escolar.

Palavras-chave:
Educação Física escolar; Subcampo acadêmico-científico; Grupo de pesquisa; Produção científica

ABSTRACT

With this study we aim to ma mapping the profiles of research groups in the southern region of Brazil that research and study school physical education. For methodological purposes, we analyzed documents from the leaders' Curricula Lattes, from the Research Groups Directory website and from the directory's user manual. We identified that the groups and their respective leaders are mostly concentrated in public educational institutions, in the Greater Health Sciences Area and in the Physical Education Knowledge Area. Articles are the products most published by leaders, especially by those who are accredited to Graduate Programs. Finally, we identified that scientific funding has been of little significance for research in Physical Education at school.

Keywords:
Physical Education; Academic-scientific subfield; Search group; Scientific production

RESUMEN

Este estudio tiene como objetivo mapear los perfiles de los grupos de investigación en el sur de Brasil que investigan la Educación Física en las escuelas. Analizamos documentos de los Curricula Lattes de los líderes, del sitio web del Directorio de Grupos de Investigación y del manual de usuario del directorio. Los grupos y sus respectivos líderes se concentran mayoritariamente en las instituciones educativas públicas, en el Área de Ciencias de la Salud Mayor y en el Área de Conocimiento de Educación Física. Los artículos son los productos más publicados por los líderes, especialmente por aquellos que están acreditados en Programas de Posgrado. Identificamos que la financiación científica ha tenido poca importancia para la investigación en Educación Física en la escuela.

Palabras-clave:
Educación Física escolar; Subcampo académico-científico; Grupo de búsqueda; Producción científica

INTRODUÇÃO

O presente texto decorre de uma pesquisa de doutorado que buscou compreender como os grupos de pesquisa (GP) engendram o subcampo acadêmico-científico da Educação Física escolar (EFE) e que relações são construídas nesse espaço social (Frasson, 2020Frasson JS. Epistemologias da Educação Física escolar: do alto da torre de marfim ao chão da realidade concreta [tese]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2020 [citado 2021 Abr 1]. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/223001/001126020.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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). No referido estudo, a Educação Física (EF) é compreendida como um campo acadêmico-científico “multidisciplinar e polifônico” (Molina et al., 2006Molina V No, Günther MCC, Bossle F, Wittizorecki ES, Molina RMK. Reflexões sobre a produção do conhecimento em Educação Física e ciências do Esporte. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2006;28(1):145-65.), isto é, é engendrado por diferentes áreas de conhecimento e estudo que formam seus subcampos.

Na polifonia da EF, dedicamo-nos a estudar o subcampo da EFE e compreendemos como tal, à medida que ele trata de uma das especificidades do campo da EF, concentrando “[...] os agentes e as instituições que produzem, reproduzem ou difundem [...] a ciência” (Bourdieu, 2004Bourdieu P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: Editora UNESP; 2004., p. 20) acerca da cultura corporal de crianças, jovens, adultos e idosos nas diversas escolas públicas e privadas do Brasil. Entendemos, portanto, que não se trata de uma questão de nomenclatura, mas, ao contrário, trata-se de um esforço que demarca e determina o lugar das pesquisas em EFE no campo da EF, sobretudo quando se considera o histórico de constituição desse subcampo e as especificidades de fazer pesquisa nesse espaço social (Frasson, 2020Frasson JS. Epistemologias da Educação Física escolar: do alto da torre de marfim ao chão da realidade concreta [tese]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2020 [citado 2021 Abr 1]. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/223001/001126020.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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); além disso, corresponde e se articula à própria teoria bourdieusiana que sustenta este estudo.

Quando se fala em produção científica no subcampo da EFE, entendemos que os agentes responsáveis pela produção do conhecimento podem ser identificados em diferentes frentes: (a) nos programas de pós-graduação (PPG) stricto sensu em EF e áreas afins; (b) em PPG de outras Áreas ou Grande Área de conhecimento; (c) na pós-graduação (PG) lato sensu; e (d) nos professores e professoras que trabalham cotidianamente com a Educação Física escolar, tanto na educação básica como no ensino superior em disciplinas de estágios e fundamentos, por exemplo. Assim, um dos desafios deste estudo foi lançar mão de uma análise do subcampo acadêmico-científico que contemplasse uma amplitude significativa dessas frentes sem perder a profundidade analítica.

Para tal, encontramos nos GP o espaço para realização da pesquisa, pois neles estão presentes agentes sociais que se vinculam às diferentes frentes apresentadas anteriormente; além disso, no que se refere ao âmbito da PG stricto sensu, as pesquisas têm sido realizadas pelos professores e professoras que lideram e/ou integram os diferentes GP, orientando estudantes dentro das linhas de pesquisa dos seus respectivos programas, construindo e consolidando a ciência no referido espaço social.

Considerando, então, que os grupos de pesquisa possuem uma diversidade de agentes sociais, de temáticas de estudo, de localizações acadêmicas-científica, de orientações e concepções teóricas, metodológicas e epistemológicas; e considerando que eles têm se constituído enquanto espaço de formação humana, que contribui com a produção e consolidação do conhecimento no campo e subcampo acadêmico-científico, objetivamos com esta pesquisa mapear os perfis dos grupos de pesquisa da região sul do Brasil que pesquisam e estudam a EFE.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa de caráter descritivo interpretativo, em que lançamos mão da análise de documentos como ferramenta para obtenção das informações. Os GP foram identificados no site do Diretório de Grupos de Pesquisa (DGP), uma vez que ele se constitui em um inventário e concentra informações de toda ordem, a respeito dos líderes e das pesquisas científicas e tecnológicas em atividade no país.

Identificamos os GP no site com o termo 'Educação Física escolar' e estabelecemos os seguintes critérios de busca: a identificação do termo no nome do grupo; no título das linhas de pesquisas; nas palavras-chave; nos objetivos das linhas de pesquisas e na repercussão científica do grupo; também delimitamos a região Sul do Brasil como espaço geográfico. Identificamos 36 GP, sendo 13 localizados no Rio Grande do Sul (RS), 12 no Paraná (PR) e 11 em Santa Catarina (SC).

Após a identificação dos GP, apropriamo-nos de três documento para a realização do estudo: a) o Currículo Lattes dos líderes, identificando informações sobre as produções científicas e as temáticas de estudos; b) a página dos GP, no site do DGP (http://lattes.cnpq.br/web/dgp) que dá acesso às informações de cada grupo cadastrado na plataforma do DGP (identificação, endereço, contato, repercussões, linhas de pesquisa, recursos humanos, instituições parceiras, indicadores de recursos humanos de cada grupo, e também os e equipamentos e software, quando utilizados por eles, além dos indicadores de produção de cada um dos líderes, bem como os periódicos e número de publicações dos agentes, nos últimos cinco anos – 2015/2019); c) o manual do usuário, documento disponível no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (http://lattes.cnpq.br/web/dgp/manual-do-usuario/), que apresenta as funcionalidades básicas do sistema DGP e orienta os usuários quanto à sua utilização.

Todas as informações obtidas a partir do corpus documental foram agrupadas e organizadas em tabelas, quadros e sínteses que permitiram a construção de categorias analíticas sobre o mapeamento dos grupos, líderes e produções no subcampo acadêmico-científico da EFE. Para fins de rigor metodológico, a pesquisa também assumiu a responsabilidade ética de preservar a identidade dos grupos e líderes, utilizando números para identificar e nos referirmos aos GP; além disso, a pesquisa foi submetida à apreciação da Plataforma Brasil, sob certificado de apresentação para apreciação ética nº 16610519.9.0000.5347 e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Rio grande do Sul (UFRGS), com o parecer consubstanciado de nº 3.627.614.

Os grupos de pesquisa

O CNPq define um GP como um conjunto de indivíduos organizados hierarquicamente, contanto com uma ou duas lideranças; o conceito de grupo também admite que ele seja composto de apenas um pesquisador, e em grande parte dos casos é composto pelo pesquisador e seus estudantes. O pesquisador líder do grupo é o agente que, normalmente, tem a responsabilidade de coordenação e planejamento dos trabalhos de pesquisa do grupo. Sua função aglutina os esforços dos demais pesquisadores e aponta horizontes e novas áreas de atuação dos trabalhos.

Para conhecer os GP, buscamos, inicialmente, identificar o ano em que foram cadastrados pelos líderes no site do DGP. Constatamos que eles foram criados e cadastrados em momentos diversificados, podendo ser agrupados em três décadas, sendo que a primeira corresponde aos anos de 1991 a 2000, e conta com 5,6% (2) dos GP cadastrados; a segunda década corresponde aos anos de 2001 e 2010, e concentra 38,8% (14) dos GP; a terceira década corresponde aos anos de 2011 a 2019 (ano em que realizamos a pesquisa), contando com 55,6% (20) dos grupos cadastrados no site do DGP.

Sobre as décadas correspondentes aos anos de criação e cadastros dos grupos no site do DGP, apresentamos duas reflexões. A primeira diz respeito à diferença entre o número de GP cadastrados da primeira para a segunda década; interpretamos que o aumento do número de grupos no site deva-se ao fato de que no ano de 2002 tornou-se obrigatório o cadastramento dos currículos de todos os pesquisadores, bem como dos GP, na Plataforma Lattes. A segunda reflexão que realizamos sobre o aumento no número de grupos cadastrados ajuda a compreender o movimento de expansão da segunda para a terceira década que, em nossa interpretação, possa ser fruto do Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). O referido plano foi implementado no ano de 2008 e possuía como meta aumentar o número de vagas, de cursos e de professores, além do crescimento da população universitária (Brasil, 2007Brasil. Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007. Institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI [Internet]. Diário Oficial da União; Brasília; 25 abr. 2007 [citado 2019 Maio 5]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6096.htm
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, 2012Brasil. Relatório da Comissão Constituída pela Portaria nº 126/2012 [Internet]. Brasília; 2012 [citado 2019 Nov 5]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=1238%206-analise-expansao-universidade-federais-2003-2012-pdf&Itemid=30192
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). Entendemos que tal plano potencializou e influenciou no número de pesquisadores nas universidades, possibilitando novos acessos e condições de fazer pesquisa no Brasil, logo a criação de mais grupos, conforme evidenciado ao longo dos anos.

A reflexão apresentada se sustenta quando lançamos nossos olhares para as instituições de ensino às quais os líderes e os GP estão vinculados, cuja maior concentração encontra-se nas redes públicas de ensino, conforme o Quadro 1 a seguir.

Quadro 1
Distribuição dos grupos de pesquisa e seus respectivos líderes nas instituições de ensino.

O número de GP localizados nas instituições de ensino de categoria administrativa pública é de 77,9% (28); já as universidades comunitárias, que não possuem fins lucrativos, concentram 8,2% (3) dos grupos, enquanto o ensino privado, reúne 13,9% (5) dos grupos de pesquisa. Esses números nos permitem afirmar que todos os líderes das instituições de ensino privadas e comunitárias são professores de cursos de ensino superior, pois as instituições são universidades, faculdades ou centros universitários, diferentemente das instituições públicas, onde também temos líderes que são professores de institutos federais e de colégios de aplicação.

Silva et al. (2014)Silva JVP, Mendonça TCF, Sampaio TMV. Grupos de pesquisas e enfoque dado ao lazer das pessoas com deficiência na produção científica no Brasil. Licere. 2014;17(3):66-98. http://dx.doi.org/10.35699/1981-3171.2014.973.
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destacam que a predominância dos grupos de pesquisa nas instituições públicas de ensino pode ser pensada e explicada a partir da legislação do Ensino Superior. De acordo com as autoras e com o decreto nº 3.860/2001, a obrigatoriedade da indissociabilidade entre pesquisa-ensino-extensão passou a ser responsabilidade apenas das universidades (Brasil, 2001Brasil. Decreto nº 3.860, de 9 de julho de 2001. Dispõe sobre a organização do ensino superior, a avaliação de cursos e instituições, e dá outras providências [Internet]. Diário Oficial da União; Brasília; 10 jul. 2001 [citado 2019 Nov 5]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2001/d3860.htm
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) e, posteriormente, instituído pelo decreto nº 1892/2008 (Brasil, 2008Brasil. Decreto nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências [Internet]. Diário Oficial da União; Brasília; 30 dez. 2008 [citado 2019 Nov 5]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11892.htm
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), passou a ser também um dos objetivos dos institutos federais.

Outro aspecto a ser considerado, quando se analisa a discrepância entre os grupos e consequentemente as pesquisas nas instituições de ensino (IES) públicas e privadas de acordo com Silva et al. (2014)Silva JVP, Mendonça TCF, Sampaio TMV. Grupos de pesquisas e enfoque dado ao lazer das pessoas com deficiência na produção científica no Brasil. Licere. 2014;17(3):66-98. http://dx.doi.org/10.35699/1981-3171.2014.973.
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, são os regimes de trabalhos dos professores líderes dos grupos de pesquisa. Nas instituições privadas, impera o regime de trabalho por horas, que, segundo a legislação vigente, garante a obrigatoriedade de que apenas um terço do corpo docente atue em regime de tempo integral (Brasil, 1996Brasil. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional [Internet]. Diário Oficial da União; Brasília; 23 dez. 1996 [citado 2019 Nov 5]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
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). Contrastando com essa realidade, nas instituições públicas de ensino, os docentes dispõem de estatuto jurídico especial e, em sua maioria, usufruem do regime de trabalho de dedicação exclusiva, no qual os professores podem ter a possibilidade e tempo hábil para se dedicar às demandas acadêmicas-científicas (Silva et al., 2014Silva JVP, Mendonça TCF, Sampaio TMV. Grupos de pesquisas e enfoque dado ao lazer das pessoas com deficiência na produção científica no Brasil. Licere. 2014;17(3):66-98. http://dx.doi.org/10.35699/1981-3171.2014.973.
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; Brasil, 1996Brasil. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional [Internet]. Diário Oficial da União; Brasília; 23 dez. 1996 [citado 2019 Nov 5]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
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). Sendo assim, apenas 33,33% dos líderes têm a possibilidade de dedicar 20 horas semanais aos estudos, pesquisas e demais demandas docentes.

Também entendemos, a partir das informações obtidas, que a predominância de GP nas instituições com categoria administrativa pública deve-se, além da condição de trabalho no caráter de dedicação exclusiva, aos próprios projetos e objetivos propostos dessas instituições, que encontram sustentação na distribuição de bolsas de estudo e de financiamentos às instituições públicas. Segundo os dados apresentados pelo sistema de informações georreferenciadas da CAPES, 86,4% das bolsas de estudo no Brasil são concedidas às IES com status jurídico público, enquanto 13,4% às de status jurídico privado; ao analisarmos a região Sul, a predominância se mantém: no RS, 66,5% das bolsas são concedidas ao ensino público e 33,5% ao ensino privado; em SC, 85,7% são direcionadas às IES com status jurídico público, enquanto 14,3%, às instituições privadas; e, no PR, 89,3% das bolsas são concedidas ao ensino público e 10,7%, ao ensino privado (Brasil, 2019aBrasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Geocapes: Sistema de Informações Georreferenciadas [Internet]. Brasília: CAPES; 2019a [citado 2020 Maio 5]. Disponível em: https://geocapes.capes.gov.br/geocapes/
https://geocapes.capes.gov.br/geocapes/...
).

Interpretamos que os GP se encontram localizados nessas instituições de ensino por conta da própria vinculação dos seus respectivos líderes; por isso, entendemos que o mesmo acontece com as Grandes Áreas e as Áreas de Conhecimento nas quais os grupos estão cadastrados. Nesse sentido, identificamos que os grupos estão concentrados em duas Grandes Áreas de Conhecimento: a Ciências da Saúde, com 91,6% (33) dos GP, e a Ciências Humanas, com 8,4% (03) dos grupos.

Na Grande Área Ciências da Saúde mapeamos ainda que os GP se encontram em duas Áreas de Conhecimento: a EF – que, majoritariamente, concentra 97% (32) dos GP – e a Saúde Coletiva – representando 3% (01) dos GP. Na Grande Área Ciências Humanas, a Área de Conhecimento Educação concentrou todos os 03 GP identificados.

Os líderes dos grupos de pesquisa e suas produções

Seguindo o mapeamento proposto sobre os GP, passamos a apresentar quem são os respectivos líderes e as pesquisas que desenvolvem no subcampo acadêmico-científico da EFE. No site do DGP e no Currículo Lattes dos líderes, identificamos que 55,55% dos líderes são homens, enquanto 44,45% são mulheres; 78,4% possuem a titulação de doutores(as), enquanto 21,6% são mestres; e também constatamos que 52,7% estão credenciados em PPG stricto sensu, enquanto 47,3% não possuem esse tipo de vínculo.

Sobre os líderes credenciados em PPGs stricto sensu, buscamos identificar as Áreas de Conhecimento em que estes se encontram vinculados; observamos que 72,22% (14) estão credenciados em PGGs pertencentes à Grande Área Ciências da Saúde, enquanto 27,78% (5) a PPGs pertencentes à Grande Área Ciências Humanas. Na Grande Área Ciências da Saúde, mapeamos quatro PPGs, a saber: EF, com seis líderes credenciados; Ciências do Movimento Humano, com cinco líderes; Gerontologia, com dois líderes; e Atenção Integral à Saúde, com um líder credenciado. Na Grande Área Ciências Humanas, apenas os PPGs em Educação foram identificados e concentram cinco dos professores.

Contrastando as Áreas em que os GP estão cadastrados e a localização dos líderes em PPGs stricto sensu, podemos perceber que as informações se assemelham, uma vez que a Grande Área Ciências da Saúde e a Área de Conhecimento EF se mantêm como Áreas majoritárias, tanto no que diz respeito ao cadastro dos GP, como na concentração de professores credenciados nos PPGs stricto sensu. Quando direcionamos o olhar para a Grande Área Ciências Humanas, o mesmo acontece, além de se igualarem ao serem a minoria, também identificamos apenas a Educação como Área de Conhecimento, tanto no que diz respeito à concentração de professores credenciados em PPGs, como na localização cadastral dos GP.

Analisando ainda a trajetória e os caminhos percorridos pelos GP e seus respectivos líderes, buscamos identificar as linhas de pesquisas e as palavras-chave de cada linha cadastradas no site do DGP. Segundo manual de usuários do DGP, as linhas de pesquisa subordinam-se aos grupos e representam temas aglutinadores de estudos científicos que se fundamentam em tradição investigativa, de onde se originam projetos cujos resultados guardam afinidades entre si. Já as palavras-chave indicam os temas geradores ou projetos de pesquisas de que as linhas podem tratar. Identificamos 146 linhas de pesquisa e 522 palavras-chave cadastradas pelos líderes dos GP. Na sequência apresentamos as dez palavras-chave que foram cadastradas com mais frequência pelos líderes.

Com o Quadro 2 é possível observar os enfoques dados às investigações realizadas pelos grupos dentro das linhas de pesquisa, uma vez que elas ajudam a indicar, de certo modo, aquilo que os grupos de pesquisa têm se dedicado a pesquisar no subcampo acadêmico-científico; elas expressam parte daquilo que os GP buscam ao construir conhecimento em determinada linha. Para Borges (2003)Borges JE. Em busca do conceito de linha de pesquisa. Rev Adm Contemp. 2003;7(2):157-70. http://dx.doi.org/10.1590/S1415-65552003000200009.
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, e de acordo com o manual do DGP, as palavras-chaves das linhas de pesquisa informam o que os agentes dos grupos fazem.

Quadro 2
Palavras-chave e a frequência com que foram cadastradas nas linhas de pesquisa.

Nesse sentido, interpretamos que o Quadro 2 também indica a diversidade de temas e possibilidades de produção relacionadas à EF em seus diversos contextos. Contudo, parece necessário destacar que nem todas as palavras-chave possuem relação com a EFE, por isso interpretamos que em alguns momentos a EFE pode não ser o objeto ou o foco principal de algumas das linhas de pesquisa cadastradas pelos líderes, bem como das próprias produções vinculadas a essas respectivas linhas.

Conferindo profundidade às análises, mapeamos as linhas de pesquisas em que o termo Educações Física escolar estava presente ao menos nos títulos, nos objetivos e/ou nas próprias palavras-chave das linhas de pesquisa. Das 146 linhas de pesquisas inicialmente identificadas, 29 contavam com o termo EFE, e no Quadro 3 apresentado a seguir identificamos as dez palavras-chave que foram cadastradas com mais frequência nessas linhas pelos líderes.

Quadro 3
Palavras-chave e a frequência com que foram cadastradas nas linhas de pesquisa que possuem o descritor EFE.

Considerando que as linhas de pesquisas aglutinam os debates e investigações sobre determinado tema, e que as palavras-chave informam, de forma objetiva e direta, aquilo que os grupos buscam tratar em suas pesquisas, é possível destacar que o Quadro 3 expressa os temas e as relações construídas pelos grupos ao pesquisarem/estudarem a EFE.

Contrastando os Quadros 2 e 3, interpretamos que alguns GP têm a EFE como locus e ponto de partida para compreensão de outras temáticas – expressa pelas palavras-chave do Quadro 2. Vejamos um exemplo: os grupos que se dedicam a pesquisar a qualidade de vida dos escolares ou a promoção da saúde acabam se apropriando da EFE como espaço para desenvolvimento das pesquisas. Assim, nessas pesquisas, a ênfase se debruça sobre a EFE como um instrumento que pode fomentar a promoção da saúde e a qualidade de vida dos escolares. Por isso, entendemos que as palavras-chaves também indicam as compreensões dos líderes e seus respectivos grupos sobre a própria EFE, uma vez que o conhecimento produzido pelos líderes no GP aponta aquilo que eles têm se dedicado a estudar, pesquisar e publicizar no subcampo acadêmico-científico.

Outro elemento que buscamos observar foram os projetos de pesquisas cadastrados nos Currículos Lattes dos líderes entre os anos de 2015 e 2020, identificando o número de projetos que possuem relações com a EFE e se eles foram contemplados financeiramente por alguma das agências de fomento de pesquisa. Identificamos 141 projetos de pesquisa, e dos 36 líderes, 33 possuem projetos de pesquisa cadastrados em seus currículos. Dos projetos cadastrados, 92 estavam – no momento em que a pesquisa foi realizada – em andamento, e 49 já haviam sido concluídos.

No que tange ao financiamento dos projetos, observamos que o número é pouco expressivo, uma vez que apenas 17% (24 dos 141) foram contemplados em alguma modalidade de fomento à pesquisa; e, ao direcionarmos o olhar para o subcampo acadêmico-científico da EFE, constatamos que a tendência de redução – em relação ao número de projetos cadastrados/financiados – é ainda menor, pois, dos 141 projetos, 12% (17) possuem relação com o subcampo da EFE; e, destes, apenas 04 (16,6%) foram contemplados com fomento à pesquisa. Os demais projetos financiados estão relacionados aos debates de esporte e lazer, formação de professores, saúde coletiva, atividade física e coordenação motora de jovens, crianças e idosos.

Também mapeamos as agências e orgãos de fomento, bem como as modalidades que mais financiam as pesquisas e os agentes no subcampo acadêmico-científico da EFE. Constatamos que 28% dos projetos foram financiados pelas fundações de amparo à pesquisa (FAPs); 25% foram contemplados pelos editais de financiamento interno das universidades comunitárias ou privadas; 19% foram contemplados pelos editais da CAPES; 16% pelo então Ministério do Esporte; 8% foram contemplados pelo CNPq; e 4% dos projetos de pesquisa foram financiados pelo então Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Sobre as modalidades de financiamento, identificamos que 50% equivalem a bolsas de pesquisa, 41% são de auxílio financeiro e 9% foram cadastradas como a modalidade outros. No que tange aos projetos relacionados à EFE, identificamos que eles foram financiados pela CAPES (2), CNPq (1) e FAP (1), sendo todos na modalidade de bolsa de pesquisa.

Dado o exposto, interpretamos, a partir da literatura existente, que a lógica de financiamento científico em que o subcampo acadêmico-científico da EFE está submetido, pouco privilegia as subáreas sociocultural e pedagógica, espaços nos quais, majoritariamente, as produções relacionadas à temática e os respectivos agentes sociais que compõem esse subcampo têm circulado (Molina et al., 2006Molina V No, Günther MCC, Bossle F, Wittizorecki ES, Molina RMK. Reflexões sobre a produção do conhecimento em Educação Física e ciências do Esporte. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2006;28(1):145-65.; Manoel e Carvalho, 2011Manoel EJ, Carvalho YM. Pós-graduação na educação física brasileira: a atração (fatal) para a biodinâmica. Rev Educ Pesq. 2011;37(2):389-406. http://dx.doi.org/10.1590/S1517-97022011000200012.
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; Silveira, 2016Silveira R. Vivendo ciências: as (co)existências de diferentes ontologias científicas da Educação Física [tese]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2016 [citado 2019 Nov 1]. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/148296/001002150.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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).

Seguindo o objetivo proposto inicialmente, dedicamo-nos a mapear a produção do conhecimento construída pelos líderes dos GP em EFE. Par tal, utilizamos a ferramenta 'indicadores de produção' disponível no site do DGP. Em uma primeira busca, observamos a existência da produção de artigos, livros e capítulos de livros, além das teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso e dos projetos de iniciação científica e extensão. Neste artigo nos dedicamos a mapear as produções referentes aos artigos, aos livros e aos capítulos de livros dos 36 líderes, entre os anos de 2015 e 2019.

Constatamos a publicação de 707 produções, sendo que 74,4% correspondem aos artigos publicados em periódicos científicos; 22,9%; aos capítulos de livros; e 2,7% à produção de livros. Identificamos também que 55,5% dos líderes focaram suas produções em artigos e capítulos de livros; 25% dos líderes publicaram artigos, livros e capítulos de livros; 13,9% somente artigos científicos; 2,8% somente livros e capítulos de livros; e 2,8% não apresentaram nenhuma publicação entre os anos de 2015 e 2019.

Explorando os dados a partir do número de líderes credenciados em PPG stricto sensu, observamos que aqueles que possuem vinculação com a Grande Área Ciências da Saúde concentram 59% da produção (417 produtos); os líderes credenciados em programas vinculados à Grande Área Ciências Humanas concentram 17,8% da produção (126 produtos); e os líderes que não são credenciados em nenhum PPG concentram 23,2% da produção (164 produtos). Também constatamos que os dezessete líderes que não estão credenciados a nenhum PPG concentram um maior número de publicações entre os anos de 2015 e 2019 que os cinco líderes credenciados em PPG vinculados à Grande Área Ciências Humanas.

As informações apresentadas sobre a produção dos líderes dos GP nos fazem refletir sobre os critérios de avaliação do Sistema Nacional de Pós-graduação (SNPG), que, orientados pela CAPES (Brasil, 2019bBrasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Documento de Área. Área 21 - Educação Física [Internet]. Brasília: CAPES; 2019b [citado 2019 Set 5]. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/educacao-fisica-pdf
https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-...
), têm como objetivo manter a qualidade e certificar os cursos de Mestrado e Doutorado nos PPGs do país, bem como gerar dados que subsidiem a distribuição de recursos para o fomento à pesquisa e orientem políticas públicas. De acordo com as informações obtidas sobre as avaliações no site da CAPES, os PPG são classificados com conceitos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7; e um dos, se não o mais importante, critérios para a classificação desses conceitos é a produção intelectual dos professores credenciados e daqueles que pretendem se credenciar.

Constamos, ao analisar o conceito dos programas onde os líderes estão credenciados, que os PPGs vinculados à Área de Conhecimento Educação possuem conceitos 4, 5 e 6, enquanto os programas vinculados às Áreas de Conhecimentos EF, Ciências do Movimento Humano, Gerontologia e Atenção Integral à Saúde possuem conceitos 2, 3, 4, e 6.

Segundo os critérios estabelecidos pela CAPES (Brasil, 2019bBrasil. Ministério da Educação. Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Documento de Área. Área 21 - Educação Física [Internet]. Brasília: CAPES; 2019b [citado 2019 Set 5]. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/educacao-fisica-pdf
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), a avaliação individual e conjunta do corpo docente dos PPG leva em consideração a produtividade em atividades de ensino e pesquisa, sobretudo publicações de artigos em periódicos, livros, capítulos de livro e trabalhos completos em anais (todos listados no Qualis/CAPES de cada área). Contudo, não é novidade que o artigo é considerado o 'produto de maior valor', seguido dos livros, capítulos de livros e de trabalhos completos em anais (CAPES, 2020CAPES: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Sobre as áreas de avaliação [Internet]. 2020. [citado 2020 Maio 5]. Disponível em: https://www.gov.br/capesavaliacao/sobre-as-areas-de-avaliacao
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). Assim, interpretamos que, quanto maior o conceito do programa, maior o número da pontuação exigida nos editais para credenciamento e recredenciamento dos professores; portanto, os índices de produção passam a ser incorporados cada vez mais ao modus operandi e às práticas científicas daqueles que buscam se manter no subcampo acadêmico-científico da EFE (Frasson, 2020Frasson JS. Epistemologias da Educação Física escolar: do alto da torre de marfim ao chão da realidade concreta [tese]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2020 [citado 2021 Abr 1]. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/223001/001126020.pdf?sequence=1&isAllowed=y
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).

CONCLUSÕES

Em via de finalização, consideramos que os GP estão concentrados, em sua maioria, nas instituições de categorias administrativas públicas, pois seus respectivos líderes estão vinculados profissionalmente a essas instituições. Isso também nos faz entender a importância da educação pública no desenvolvimento acadêmico-científico, uma vez que essas instituições são responsáveis por grande parte da produção científica brasileira, conforme destacou Dudziak (2018)Dudziak EA. Quem financia a pesquisa brasileira? Um estudo InCites sobre o Brasil e a USP [Internet]. São Paulo: SIBiUSP; 2018 [citado 2020 Set 1]. Disponível em: https://jornal.usp.br/?p=182855
https://jornal.usp.br/?p=182855...
em matéria para o Jornal da USP.

No que se refere às Grande Áreas e Áreas de Conhecimentos em que os grupos estão cadastrados e os líderes localizados, sobretudo aqueles que estão credenciados em PPG stricto sensu, identificamos a Ciências da Saúde e a EF como Grande Área e Área de Conhecimento majoritárias, ou seja, concentram o maior número de grupos de pesquisa e professores credenciados. Contudo, não podemos deixar de registrar a presença de grupos e líderes nas Ciências Humanas, na Área da Educação, por exemplo; um movimento migratório que tem sido recorrente no campo da EF (Hallal e Melo, 2017Hallal PRC, Melo VA. Crescendo e enfraquecendo: um olhar sobre os rumos da Educação Física no Brasil. Rev Bras Ciênc Esporte. 2017;39(3):322-7. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbce.2016.07.002.
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).

No que se refere aos líderes, identificamos um número expressivo deles que não possuem vinculação com os PPG, o que nos leva a considerar que a ciência construída no subcampo acadêmico-científico da EFE acontece para além dos PPG, estando presente nas escolas de ensino básico, nos institutos federais e nos cursos de formação inicial. Contudo, é preciso destacar que, em alguns casos, não se trata apenas de não querer estar credenciado nos PPG, mas sim de dificuldades de acesso e permanência dos líderes que não estão alinhados a determinadas formas de fazer ciência no campo da EF; um exemplo dessa consideração são os projetos de pesquisa cadastrados/financiados, conforme apresentamos.

Sobre a produção acadêmico-científica dos líderes, o artigo é o produto de maior destaque entre as publicações identificadas. Entendemos esse movimento como reflexo da organização e estruturação do campo científico, que historicamente agrega maior valor a esse tipo de publicação. Esse movimento tem contribuído drasticamente para a crise da cultura do livro e em particular na EF, conforme destacou recentemente Manoel (2020)Manoel EJ. A cultura do Livro e a pós-graduação em Educação Física. Movimento. 2020;26:e26026. http://dx.doi.org/10.22456/1982-8918.99638.
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, uma vez que as práticas de avaliação do campo têm banalizado e conferindo menor valor a esse produto. Contudo, ainda assim, identificamos que os livros e capítulos de livros concentram uma importante parcela da produção dos líderes dos GP; sobre isso, consideramos que a relação entre a temática de pesquisa e o tipo de produção pode indicar o modus operandi dos líderes que seguem buscando credenciamento e/ou permanência no âmbito da PG.

Por fim, destacamos como fundamental o incentivo e fomento às pesquisas, e que ele contemple as diversidades e as singularidades científicas existente no subcampo, para que ambos os agentes, temáticas e pesquisas, tenham as condições mínimas de ingresso e permanência no campo e subcampo acadêmico-científico. Do mesmo modo, consideramos necessária e de extrema importância a criação e desenvolvimento de políticas públicas que estimulem e invistam na educação pública e na ciência brasileira.

FINANCIAMENTO

  • Bolsa de estudo de doutorado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, processo nº 88882.181882/2018-01.

REFERÊNCIAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    03 Dez 2021
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    26 Out 2021
  • Aceito
    27 Out 2021
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