A prática corporal na disciplina natação nos cursos de formação: saber ou não saber nadar?1 1 Este trabalho é um recorte de algumas fontes e categorias de análises da pesquisa de mestrado intitulada “Análise da prática corporal na disciplina Natação, nos cursos de Educação Física das universidades públicas da cidade do Recife-PE” que o pesquisador principal realizou através do Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física UPE/UFPB.

Body practice in the swimming subject in undergraduate courses: knowing or not knowing how to swim?

Práctica corporal en la disciplina de natación en cursos de pregrado: ¿saber o no nadar?

Marcelo Sant’Ana de Farias Pedro Henrique Bezerra da Silva Rodrigo Falcão Cabral de Oliveira Marcelo Soares Tavares de Melo Sobre os autores

RESUMO

Alguns estudantes passam pela disciplina Natação nos cursos de formação em Educação Física e não desenvolvem a habilidade do nadar. Este fato nos motivou a desenvolver este estudo que teve por objetivo analisar a prática corporal durante o saber fazer e o saber ensinar na disciplina Natação em três universidades públicas da cidade de Recife-PE. Os dados advindos da pesquisa de campo surgiram por meio de uma entrevista semiestruturada com três professores(as). A análise dos dados foi feita através do método da hermenêutica-dialética com a contribuição da análise de conteúdo do tipo categorial por temática. Como resultado, é visto que o saber nadar é uma condição essencial para os futuros profissionais de educação física e para o ensino da natação.

Palavras-chave:
Prática corporal; Natação; Formação superior; Ensino

ABSTRACT

Some students go through the Swimming subject in Physical Education courses and do not develop the ability to swim.This fact motivated us to develop this study, which aimed to analyze a body practice during the know-how and teach how to teach in the swimming discipline at three public universities in the city of Recife-PE. The data from the field emerged through a semi-structured interview with three professors. Data analysis was done with a view of Hermeneutics-Dialectics as a paradigm and with the contribution of categorical content analysis by theme. As a result, it is seen that knowing how to swim is an essential condition for future physical education professionals and for swimming teaching.

Keywords:
Body practice; Swimming; Higher education; Teaching

RESUMEN

Algunos estudiantes pasan por la disciplina de Natación en cursos de formación de Educación Física y no desarrollan la habilidad de nadar. Este hecho nos motivó a desarrollar este estudio que tuvo como objetivo analizar la práctica corporal durante o saber hacer y saber enseñar en la disciplina de natación en tres universidades públicas de la ciudad de Recife-PE. Los datos de la investigación de campo surgieron a través de una entrevista semiestructurada con tres profesores y un cuestionario electrónico para estudiantes de las universidades mencionadas. El análisis de datos se realizó mediante el método hermenéutico dialéctico con el aporte del análisis de contenido categórico por tema. Como resultado, se ve que saber nadar es una condición fundamental para los futuros profesionales de la educación física y para la enseñanza de la natación

Palabras-clave:
Práctica corporal; Nadando; Formación superior; Enseñando

INTRODUÇÃO

Após alguns anos de experiência no ensino superior, tivemos a oportunidade de discutir questões concernentes à prática corporal na disciplina Natação. Observamos que havia alguns alunos realizando estágio como professor de natação e que eram aprovados na referida disciplina sem o domínio básico do meio líquido. Tal constatação nos levou a indagar se seria suficiente para o graduando do curso de Educação Física possuir um repertório teórico na maneira de ensinar a natação sem, contudo, dominar essa prática corporal ou, ainda, se o fato de o aluno vivenciar as atividades na disciplina sem o domínio básico do meio líquido não afetaria, em algum sentido, a sua formação.

Essas questões foram levantadas não na intenção de voltar à avaliação de outrora, pois parece não haver sentido uma avaliação nos antigos moldes tecnicistas, que consistia em executar um dos quatro nados com rigorosidade técnica, em uma piscina de 50 metros e em um determinado tempo (Accioly, 1991Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p.).

Baptista e Baptista (2017)Baptista GG, Baptista JG. Os testes de aptidão física na educação física: da justiça como equidade ao direito à educação. Pensar Prát. 2017;20(1). http://dx.doi.org/10.5216/rpp.v20i1.41955.
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nos relatam que os avanços político-pedagógicos nas escolas de formação de professores de educação física possibilitaram a extinção dos testes de aptidão física, os quais cerceavam o direito do cidadão a uma educação superior. Com a evolução do curso nos campos das ciências humanas e sociais, houve uma mudança no perfil do curso e, consequentemente, no perfil dos profissionais, ficando para trás o tecnicismo exacerbado oriundo da visão tecnicista da área (Castellani, 1988Castellani FL. Educação Física no Brasil: a história que não se conta. Campinas: Papirus Editora; 1988.; Ghiraldelli, 2001Ghiraldelli RPJ. História da Educação. 2. ed. São Paulo: Editora Cortez; 2001. (Coleção magistério. 2º grau. Série formação do professor).).

Por outro lado, além das questões pedagógicas, como ensinar a ensinar, se não tivermos o cuidado em tratar a prática corporal da disciplina Natação voltada para as habilidades aquáticas mínimas, como respiração, flutuação e propulsão, entendemos que estaríamos comprometendo a qualidade do profissional em educação física, pois o saber nadar, segundo Salles (2010)Salles PG. As habilidades aquáticas básicas de alunos de um curso superior de Educação Física. Rev UNIABEU. 2010;1(5):230-45. e Farias (2020)Farias MS. A prática corporal na disciplina natação, nos cursos de educação física das universidades públicas da cidade do Recife-PE [dissertação]. Recife (PE): Universidade de Pernambuco; 2020. 161 p., é uma condição fundamental para o futuro profissional de educação física.

Acreditamos que essa ideia pode ser visualizada em outras disciplinas do curso, como Judô, Ginástica, Dança, Lutas, entre outras. Entretanto, parece haver uma diferença entre aquilo que é básico na natação e aquilo que é elementar em outras disciplinas, visto que o meio líquido tem sua especificidade. Por isso, o saber fazer da prática corporal da natação se diferencia das demais disciplinas.

De acordo com Lazzarotti et al. (2010)Lazzarotti A. Fo, Silva AM, Antunes PC, Silva APS, Leite JO. O termo práticas corporais na literatura científica brasileira e sua repercussão no campo da Educação Física. Movimento. 2010;16(1):11-29., a prática corporal não tem uma definição estanque, sendo tratada em várias áreas do saber, dentre elas, a Educação Física, a qual utiliza o termo com maior frequência. Também partem de uma hipótese do contraste com o conceito de atividade física, contudo ainda se carece de elementos mais sólidos para sua conceituação.

Corroborando essa ideia, Silva (2014)Silva AM. Entre o corpo e as práticas corporais. Arq Mov. [Internet]. 2014 [citado 2019 Maio 3];10(1):5-20. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=ENTRE+O+CORPO+E+AS+PR%C3%81TICAS+CORPORAIS&btnG=
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preconiza um distanciamento do biologicismo, relaciona-a a outras formulações e revela aproximações com aquilo que é cultural, em nosso caso, as práticas esportivas, dentre as quais podemos considerar a natação.

Diante disso, o problema de tal pesquisa situa-se na seguinte questão: como a prática corporal contribui para a formação dos graduandos durante a realização da disciplina Natação nos cursos de Educação Física?

Assim sendo, o presente estudo objetivou analisar a prática corporal durante o saber fazer e o saber ensinar na disciplina Natação dos cursos de Educação Física nas universidades públicas na cidade de Recife - PE.

MATERIAL E MÉTODOS

Do ponto de vista metodológico, esta pesquisa está ancorada em uma abordagem qualitativa caracterizada como bibliográfica, documental e com inserção no campo. Tomando por base a hermenêutica dialética, a qual, de acordo com Minayo (1998)Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 5. ed. São Paulo: Hucitec-Abrasco; 1998., nos permite entender a fala, o texto, a comunicação originada como um fenômeno social sem desconsiderar seu contexto.

Ainda segundo Minayo (1998)Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 5. ed. São Paulo: Hucitec-Abrasco; 1998., a hermenêutica dialética contribui teórica e metodologicamente para qualquer trabalho científico que envolva a interpretação da comunicação das pessoas. Sendo um paradigma filosófico no campo da comunicação e da linguística, possui na fenomenologia a sua gênese, na qual o referido método coloca a fala em seu contexto, partindo do seu interior no campo de sua especificidade histórica de forma completa em que é produzida.

Incialmente construímos pressupostos teóricos para referendar nosso estudo, por meio de informações recolhidas de fontes bibliográficas (Gil, 2008Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas; 2008.). Após o levantamento básico das referências, esse projeto foi submetido à Plataforma Brasil (PB) e aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) das universidades envolvidas.

Após a aprovação, ocorreu a análise dos planos de ensino dos(as) professores(as) para melhor compreendermos a metodologia utilizada, com o intento de investigar o saber fazer e o saber ensinar através da prática corporal.

Em seguida, iniciamos a pesquisa de campo com três professores(as) das-universidades por meio de uma entrevista semiestruturada com um conjunto de questões abertas e com liberdade para inserir outras, cujo interesse viesse surgir no decorrer da entrevista bem como para reestruturar a pergunta durante a fala do entrevistado (Triviños, 1987Triviños ANS. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas; 1987. ).

Algumas perguntas são um recorte do trabalho da dissertação que se aproximam das categorias do campo: a) Um aluno poderia ser aprovado na disciplina mesmo sem saber nadar? b) O professor precisa ter o mesmo nível de conhecimento na natação infantil como na natação em geral? c) Um professor de natação deve saber salvar uma vítima de afogamento?

Os professores revelaram experiência com a natação, sendo que dois com contratos temporários e um efetivo. Este último com 39 anos de experiência, outro com 6 anos e o último com 6 meses.

Salientamos que a pesquisa também investigou os estudantes que estavam cursando a disciplina Natação, entretanto os dados serão encaminhados para outro artigo.

Após a gravação da entrevista, as falas foram transcritas manualmente para o formato de texto escrito.

Em seguida houve o tratamento e análise dos dados coletados nos documentos e nas entrevistas. Utilizamos a técnica de análise de conteúdo do tipo categorial por temática, que funciona por meio de uma fragmentação do texto em unidades e categorias para reagrupamentos e posterior análise (Bardin, 1977Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70; 1977.), (Minayo, 1998Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 5. ed. São Paulo: Hucitec-Abrasco; 1998.) e (Souza et al., 2010Souza MBM Jr, De Melo MST, Santiago ME. A análise de conteúdo como forma de tratamento dos dados numa pesquisa qualitativa em Educação Física escolar. Movimento. 2010;16(3):31-49. http://dx.doi.org/10.22456/1982-8918.11546.
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).

Após as transcrições das entrevistas, detectamos as seguintes categorias empíricas: ensino, técnica, natação e experiências na água. Para este artigo, contemplamos a primeira e a segunda e suas respectivas unidades de registro e de contexto, como mostra o Quadro 1.

Quadro 1
Quadro das categorias e unidades da análise dos dados.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Considerando as categorias empíricas e suas respectivas unidades reveladas anteriormente, iniciaremos com a discussão sobre a categoria ensino e, em seguida, com a categoria técnica.

Os professores entrevistados mencionaram algumas formas de avaliação do componente curricular Natação, entretanto, nesse ponto, abordaremos a avaliação da disciplina que envolve a prática corporal.

Andries e Bolonhini (2009)Andries O Jr, Bolonhini L. Z. Adaptação ao meio líquido: uma proposta de avaliação para a natação. Mov Percepc. 2009 Jul/Dez;10(15):1-15. informam que parece existir poucas produções conhecidas que tenham como objetivo avaliar alunos na natação. Além disso, Oliveira (2011)Oliveira FS. A avaliação da aprendizagem nas aulas de natação. Efdeportes. [Internet]. 2011;16(162). [citado 2021 Mar 4]. Disponível em: https://www.efdeportes.com/efd162/a-avaliacao-da-aprendizagem-de-natacao.htm
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preconiza que a avaliação no processo de ensino-aprendizagem da natação é ainda uma prática pouco comum, com pouca ou nenhuma literatura que aborde o tema de forma específica.

Um dos professores utilizou uma avaliação na piscina, estabelecendo 30% como peso através de uma atividade didático-prática. Essa atividade é realizada entre dois alunos:

Bem, com relação à avaliação prática, quando eu faço avaliação prática, eu faço uma nadando e outra observando. Para ele identificar como vai corrigir aquele problema, que eu acho que o mais importante é ele saber identificar isso. Saber identificar como é que ele vai corrigir aquela deficiência. [...]. Eu uso para essa atividade 30%. (PROFESSOR 02).

Considerando avaliação do professor muito pertinente para a disciplina, fica implícito que a turma já possuía o domínio da prática corporal da natação, salientando que, ao realizarem essa atividade, os alunos cultivam seus saberes pedagógicos para sua formação, saberes que, muitas vezes, antecedem a vida acadêmica (Pimenta, 1999Pimenta SG. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: Pimenta SG, organizador. Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo: Cortez Editora; 1999.) e (Tardif, 2014Tardif M. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes; 2014.).

Ainda com relação à fala do docente 02, encontramos uma aproximação com os estudos de Accioly (1991)Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p., em que apresenta uma proposta somativa e formativa durante o processo de ensino-aprendizagem, envolvendo as habilidades aquáticas essenciais.

Embora o professor 02 não cite nenhum estilo ou nado utilizado na atividade, parece estar subentendido que foi aplicado algum dos nados, pois há uma alusão sobre correções, podendo não se tratar de um nado utilitário, por ser um nado sem uma técnica preestabelecida, mas provavelmente um ou alguns dos nados oficiais da natação, tendo uma forma e limites estabelecidos em determinadas regras (FINA, 2021FINA: Federação Internacional de Natação. Regras oficias de natação [Internet]. CBDA; 2021 [citado 2021 Mar 6]. Disponível em: https://cbda.org.br/cbda/natacao/boletins/9923/regras-oficiais-da-fina-traduzidas-para-portugues
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).

Neste contexto, perguntamos aos professores se um aluno poderia ser aprovado na disciplina mesmo sem saber nadar:

Talvez na minha disciplina eu possa repensar sobre isso no próximo semestre. Qual é o motivo? Essa disciplina é obrigatória, nem todos os alunos que estão aqui vão seguir esse caminho [...]. Mas eles são aprovados em relação à aprovação ou não, eles são aprovados. Mas eu também considero o quanto eles tentaram se envolver na parte prática. (PROFESSOR 01).

O professor argumenta que, se os alunos não vão trabalhar com natação, mesmo não dominando a prática corporal, eles podem passar pela disciplina. Este considera, de alguma forma, o progresso do aluno na disciplina, mesmo não dominando a prática corporal. Já o professor 02 afirma o seguinte:

Olha... O aluno pode ser aprovado. Se ele souber como se faz e se ele tiver os fundamentos, mesmo sem saber nadar, mas quando eles aprendem a experiência que eu tenho é que a gente tem projeto de extensão exatamente por conta disso, porque a maioria dos nossos alunos são alunos da escola pública. Eles chegam sem saber nadar. (PROFESSOR 02).

Com uma ideia equivalente, esse professor informa que o aluno pode ser aprovado mesmo sem saber nadar. A experiência que os alunos da escola pública têm com um projeto de extensão por si só parece suficiente para o domínio do meio líquido. Nesta perspectiva, é possível encontrarmos alunos de escola pública com aulas de natação, mesmo sendo através de um projeto que oportuniza a prática do esporte aquático mais executado atualmente (Clarimundo e Saladini, 2016Clarimundo VVF, Saladini AC. Processo de ensino e aprendizagem da natação. In: Paraná. Secretaria de Estado da Educação. Os desafios da escola pública paranaense na perspectiva do professor PDE. Curitiba: SEED; 2016. (Cadernos PDE; 1). ).

Ao deparar-se com outra realidade de alunos, o professor 03 tem outra resposta frente ao quesito avaliação:

Não! Inclusive teve um aluno reprovado esse semestre. Teve aqueles que entraram na água, mas sentiram o meio líquido. Então não é o saber nadar, a técnica. Eles souberam que com macarrão eles puderam entrar na água e não se afogaram, entendeu? Agora o aluno que foi reprovado, nem na água entrava. Foi reprovado por falta e com notas ruins. (PROFESSOR 03).

Denota-se que, a priori, o aluno é reprovado na disciplina por não saber nadar, todavia aqueles que participam das atividades práticas, mesmo sem o domínio da prática corporal, são auxiliados com flutuador “macarrão”. Inicialmente, esta compreensão é contestável se considerarmos o que aponta Lima (2007)Lima WU. Ensinando natação. 3. ed. São Paulo: Phorte Editora; 2007. e Andries e Bolonhini (2009)Andries O Jr, Bolonhini L. Z. Adaptação ao meio líquido: uma proposta de avaliação para a natação. Mov Percepc. 2009 Jul/Dez;10(15):1-15. no que concerne ao ato de nadar. Isso aponta para o trinômio respiração, flutuação e propulsão, que, neste contexto, Corrêa e Massaud (2004)Corrêa CRF, Massaud MG. Natação na pré-escola. Rio de Janeiro: Sprint; 2004. declaram que nadar é o ato de movimentar-se e manter-se sob a água por impulso próprio através da movimentação de braços e pernas. Em todo caso, passa a impressão de que os flutuadores estariam substituindo a flutuação no meio líquido e resolvido o problema da não aprendizagem encobrindo o aspecto referente ao domínio dos alunos neste meio. Quando falamos deste domínio, nos referimos a uma autonomia da prática corporal na água.

Quando Accioly (1991Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p., p. 6) propõe o teste de habilidades aquáticas básicas, é no contexto de avaliar os graduandos do curso de Educação Física abordando a formação, a segurança no meio líquido e os aspectos pedagógicos:

[…] acredito que seja necessário destacar as habilidades essenciais para a formação e prática pedagógica do futuro professor de natação, a partir de uma sequência pedagógica que garanta a sua segurança dentro da piscina, sem com isso esquecer a pertinência dos domínios afetivo e cognitivo na formação deste profissional […]

Paralelamente, a pesquisa de Andries e Bolonhini (2009)Andries O Jr, Bolonhini L. Z. Adaptação ao meio líquido: uma proposta de avaliação para a natação. Mov Percepc. 2009 Jul/Dez;10(15):1-15. realizada com alunos do programa de extensão universitária e com uma equipe de treinamento, ambos da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), teve como objetivo validar um teste para avaliação na etapa de adaptação ao meio líquido, visto que é nesta fase que o aluno desenvolve um comportamento específico que oferece inicialmente, a sobrevivência, e, consequentemente a estrutura para o desenvolvimento dos nados.

Colaborando com essa discussão da avaliação no meio líquido, Corazza et al. (2005)Corazza ST, Pereira ÉF, Villis JMC. Propiocepção e a familiarização ao meio líquido. Efdeportes. [Internet]. 2005 [citado 2021 Mar 3];10(82). Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd82/propio.htm
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buscou avaliar os elementos de familiarização ao meio líquido após uma sequência de doze aulas. Os sujeitos da pesquisa apresentaram melhoras significativas para as seguintes etapas do teste: introdução do rosto na água e o deslocamento submerso. A flutuação em decúbito ventral e dorsal obtiveram menores escores após as aulas. Essa proposta de avaliação também pertence ao momento da adaptação ao meio líquido que antecede o ensino dos nados formais.

A avaliação na natação, segundo Kerbej (2002)Kerbej FC. Natação: algo mais que 4 nados. Barueri: Manole; 2002. e Lima (2007)Lima WU. Ensinando natação. 3. ed. São Paulo: Phorte Editora; 2007., serve como medida de progresso dos alunos que pode ser utilizada com troca de cores de toucas à medida que eles passam de nível ou de turma.

Na unidade de registro “natação infantil”, dentre as perguntas feitas aos professores, a que mais trouxe elementos para essa unidade foi a questão quanto à averiguação no que concerne à necessidade de o professor ter o mesmo nível de conhecimento entre natação infantil e natação geral. Sobre isso, o professor 03 preconiza:

Quantos segundos ele tem que saber para fazer aquele movimento? Se ele não fizer o movimento correto ele pode perder a competição. [...] Mas se for um professor que ... se eu for dar aula de natação infantil... Entendeu? Tem uma diferença entre natação e natação infantil. Então ele tem que ter o domínio das técnicas para a natação mais rebuscada.

Parece ser evidente a necessidade de um conhecimento específico para cada subárea da natação. No âmbito competitivo, haverá detalhes técnicos que o professor precisará dominar para trabalhar com seu aluno/atleta a fim de evitar um resultado desfavorável em termos de tempo de prova e/ou classificação.

Por sua vez, o professor 01, quando menciona a natação infantil, diz que:

[...] com relação à natação infantil não, eu acho que você tem que primeiro focar na natação para além dos quatro nados. É você propor também não só o desenvolvimento motor, mas o desenvolvimento socioafetivo.

A fala deste professor entra em harmonia com os autores Freudenheim et al. (2003)Freudenheim AM, Gama RIR, Carraced VA. Fundamentos para a elaboração de programas de ensino do nadar para crianças. Rev Mackenzie Educ Fís Esporte. 2003;2(2):61-9., Lima (2007)Lima WU. Ensinando natação. 3. ed. São Paulo: Phorte Editora; 2007. e Damasceno (2012)Damasceno LG. Oficina de docência de práticas aquáticas: natação [Internet]. Vitória: Núcleo de Educação Aberta e a Distância /UFES; 2012 [citado 2020 Maio 18]. Disponível em: http://www.inati.com.br/files/2015/03/livro-oficina-de-docencia-de-praticas-aquaticas-natacao.pdf
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, propondo aos alunos da graduação conteúdos da natação infantil que não estão essencialmente vinculados aos quatro nados. Isso endossa a visão de que as crianças devem vivenciar conteúdos lúdicos, fazendo da piscina um local de contentamento e não de “rigorosidade”, termo que Pereira (2001)Pereira MD. O mundo fantasia e o meio liquido: o processo de ensino aprendizagem da natação e sua relação com o faz-de-conta, através de aulas temáticas [dissertação]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 2001. 78 p. [citado 2020 Maio 25]. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/275459/1/Pereira_MauricioDuran_M.pdf
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descreve como uma realidade oposta à ludicidade. Neste contexto, outro professor declara:

Sim. O professor vai ter que trabalhar fundamentos com ele e com ele você vai progredindo. Claro que antigamente se pensava em um garoto com aqueles autores antigos. Eles falavam dos nados do método global, do método analítico que a gente... mas com a criança a gente tem que envolver com lúdico para chegar mais perto da criança, para ela poder entender, né?. (PROFESSOR 02).

Além da resposta afirmativa do professor, há um destaque, em sua fala, acerca da natação infantil com suas especificidades (a importância da ludicidade), em contraste com o ensino dos quatro nados de forma indireta, por citar os métodos global e analítico de ensino. Também são mencionados os fundamentos da natação e um progresso natural para atividades mais complexas.

Nesta unidade de registro, os dados apontam, como resposta, que para o saber ensinar natação, especialmente a natação infantil, é necessário que a dinâmica ocorra em um cenário onde não haja padronizações técnicas, mas a ludicidade e as problematizações possam estar envolvidas, criando um ambiente prazeroso tanto para quem aprende como para quem ensina.

Ao que parece, os três entrevistados concordam que um professor de natação infantil não precisará ser alguém que tenha o domínio da técnica dos quatro nados. Sendo assim, nesta unidade de contexto inferimos que um professor de natação deve ter o domínio da prática corporal do nadar e não necessariamente dos quatro nados tradicionais, como era exigido nos anos da educação física tecnicista, pois, segundo Accioly (1991)Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p. e Lima (2007)Lima WU. Ensinando natação. 3. ed. São Paulo: Phorte Editora; 2007., a natação era ensinada, a priori, por técnicos e não por professores.

No que concerne à segunda categoria empírica — técnica —, temos a unidade de contexto “execução de movimentos característicos na água” e a unidade de registro “salvamento aquático”.

Foi possível identificar a aplicação do conteúdo de salvamento nas aulas da disciplina Natação. Contudo, no diálogo com o professor 01, apesar deste citar o conteúdo “higiene e socorros no meio aquático” em seu plano de ensino, não foi possível observar mais detalhes. Este professor diz:

[…] na água em que são avaliadas atividades, por exemplo, atividades que a gente vai realizar naquele ambiente, na água, então a gente fez seminários, a parte de segurança, adaptação ao meio líquido ... Então a primeira avaliação deles foi assim.

O professor menciona “a parte de segurança” e, nessa direção, percebemos o sentido que em uma piscina ou “na água” está implícita a necessidade de cuidado devido ao perigo que tal ambiente oferece. (Szpilman, 2000Szpilman D. Afogamento. Rev Bras Med Esporte. [Internet]. 2000 Jul/Ago [citado 2020 Jun 5];6(4):131-44. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbme/v6n4/a05v6n4.pdf
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).

Parece não haver dúvidas de que o conteúdo não foi construído com informações teóricas, sem demonstrações práticas, pois a expressão “[...] que a gente vai realizar naquele ambiente, na água […]” nos revela que foi realizado no meio líquido. É evidente que este conhecimento construído pode reverberar para fora das piscinas com suas devidas especificidades. Neste contexto, uma das perguntas desta unidade se referia ao professor de natação e sua competência em salvar uma vítima de afogamento. Ao que o professor 01 afirma:

Com certeza absoluta! Com certeza absoluta! Irredutível em relação a essa questão [...]. Ele precisa pelo menos dominar um pouco ou saber como se portar no meio líquido. Porque é responsabilidade! Mas não somente saber nadar, como também saber realizar o reboque. Você saber diagnosticar o ambiente e trabalhar isso com os alunos. Isso é fundamental. Você precisa saber fazer o resgate. (PROFESSOR 01)

O professor enfatizou com veemência que sim à questão levantada. Todavia, um ponto que podemos observar na fala desse professor é quando ele cita “dominar um pouco”. Aparentemente, soa mais elementar do que “como se portar no meio líquido” e é ainda mais elementar do que “saber realizar o reboque”. Quando este fez menção ao nado reboque, estava se referindo ao ato ou à ação de rebocar alguém que precise de socorro no meio líquido (Antonio et al., 2006Antonio SA, Araújo M, Farias M. Manual de salvamento aquático. São Paulo: Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo; 2006 [citado 2020 Jun 5]. (Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros; 9). Disponível em: https://www.bombeiros.com.br/imagens/manuais/manual-09.pdf
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).

Por esse motivo, Accioly (1991)Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p. preconiza que as habilidades aquáticas essenciais deveriam fazer parte da formação do professor de natação, que incluem a adaptação ao meio líquido, a segurança no meio líquido, como também o nado reboque. A possibilidade de uma avaliação da prática corporal parece ser significativa se estiver atrelada a uma metodologia de ensino que oportunize a aprendizagem da técnica do nado reboque sem a pernada tesoura, pois no trabalho desta autora não foi aplicada essa pernada, distanciando-se do nado reboque tradicional utilizado há muitos anos e sem eficácia em relação a outras pernadas (Palacios, 2019Palacios P. Pernada em tesoura - é o melhor ao guarda-vidas no resgate? [vídeo]. You Tube; 2019 [citado 2020 Maio 10]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?time_continue=105&v=3gSw-w1e9Vg&feature=emb_logo
https://www.youtube.com/watch?time_conti...
).

Accioly (1991)Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p. fez uma distinção entre a etapa de adaptação ao meio líquido e a etapa da segurança que outros autores tais como Catteau e Garoff (1990)Catteau R, Garoff G. O ensino da natação. 3. ed. Barueri: Manole; 1990., Freudenheim et al. (2003)Freudenheim AM, Gama RIR, Carraced VA. Fundamentos para a elaboração de programas de ensino do nadar para crianças. Rev Mackenzie Educ Fís Esporte. 2003;2(2):61-9., Corrêa e Massaud (2004)Corrêa CRF, Massaud MG. Natação na pré-escola. Rio de Janeiro: Sprint; 2004. e Bonacelli (2004)Bonacelli MCLM. A natação no deslizar aquático da corporeidade [tese]. Campinas (SP): Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas; 2004. 166 p. sugerem como uma única etapa. De uma forma ou de outra, a segurança é adquirida por meio da propulsão (que normalmente inclui o nado utilitário).

Um dos professores não menciona o nado reboque, mas sua fala gira em torno de uma possível emergência que possa acontecer entre os alunos, fazendo referência também ao perigo da parte funda da piscina:

Eu acho que faz parte até para a segurança do professor, do próprio professor [...] então você tem habilidade das emergências, você tem que ter o controle dos meninos. Muito importante para a própria segurança da aula principalmente quando você trabalha na piscina funda. (PROFESSOR 02).

Este professor enfatizou a segurança pessoal bem como mencionou a segurança da própria aula, pois se o docente não sabe nadar, como transmitirá segurança para seus alunos e, ainda, como poderá trabalhar com segurança, especialmente na parte funda da piscina? Quando ele cita a expressão “até” está dando uma resposta afirmativa à pergunta: um professor de natação deve saber salvar uma vítima de afogamento?

O professor da disciplina Natação poderá convidar um profissional da área de socorros aquáticos, como fez o professor 03. Ele relatou que o conteúdo foi ministrado por um bombeiro e considerou o trabalho muito importante, mesmo sendo realizado em uma aula ou em um encontro:

Eu dei justamente isso na minha disciplina. Todas as vezes eu chamo um bombeiro que trabalha com socorro aquático. Ele veio e deu uma aula completa de salvamento aquático. É importantíssimo todo mundo que trabalha não só em piscina, mas que trabalha na área de Educação Física tem que ter conhecimento de primeiros socorros e na piscina principalmente. Então ele foi fazer esse trabalho lá. Mas é muito importante!

“Justamente” é uma expressão que nos leva a crer que o professor também está respondendo afirmativamente a mesma pergunta. Além disso, a ida de um bombeiro para a disciplina proporciona uma ampliação da importância do cuidado com a segurança aquática (Zimmermann, 2009Zimmermann AD. Manual de Primeiros Socorros para a Comunidade [Internet]. Salvador: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública; 2009 [citado 2020 Maio 31]. Disponível em: http://www.bahiana.edu.br/cms/Uploads/ManualPrimeirosSocorrosBAHIANA.pdf</bok></bok>[REMOVED IF FIELD]
http://www.bahiana.edu.br/cms/Uploads/Ma...
), (Antonio et al., 2006Antonio SA, Araújo M, Farias M. Manual de salvamento aquático. São Paulo: Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo; 2006 [citado 2020 Jun 5]. (Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros; 9). Disponível em: https://www.bombeiros.com.br/imagens/manuais/manual-09.pdf
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) e (Szpilman, 2000Szpilman D. Afogamento. Rev Bras Med Esporte. [Internet]. 2000 Jul/Ago [citado 2020 Jun 5];6(4):131-44. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbme/v6n4/a05v6n4.pdf
https://www.scielo.br/pdf/rbme/v6n4/a05v...
).

Nesta unidade de contexto, através das entrevistas, percebemos que o nado reboque parece que necessita ser compreendido e desenvolvido na disciplina Natação de modo efetivo, pois para uma pessoa [saber nadar para] resgatar outrem, em um ambiente aquático, é necessário mais do que uma experienciação da prática corporal.

Neste sentido, Lazzarotti et al. (2013Lazzarotti A Fo, Silva AM, Pires GL. Saberes e práticas corporais na formação de professores de Educação Física na modalidade a distância. Rev Bras Ciênc Esporte. 2013;35(3):701-15. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32892013000300013.
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32892013...
, p. 713) trazem uma discussão acerca da importância da prática corporal para o curso de Educação Física e, ao mesmo tempo, discutem a necessidade de um retorno às boas práticas. A partir de um estudo sobre as práticas corporais no curso de formação de professores de Educação Física à distância, os autores recomendam “[...] um maior investimento no desenvolvimento das disciplinas das práticas corporais em tais cursos [...]”.

Inferimos, desse modo, que os dados encontrados nesta unidade de registro se aproximam do trabalho de Salles (2010Salles PG. As habilidades aquáticas básicas de alunos de um curso superior de Educação Física. Rev UNIABEU. 2010;1(5):230-45., p. 244), o qual aponta de forma conclusiva que “[...] o professor de educação física tem a obrigação de saber nadar pelo menos um pouco, ou seja, o suficiente para dar segurança a seus alunos”.

Os pressupostos apresentados revelam que o ato de nadar para salvar uma vítima de afogamento tem aproximações com o trabalho de Accioly (1991)Accioly MMS. Habilidades aquáticas essenciais ao futuro professor de natação: proposta de avaliação [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Escola de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1991. 61 p., a qual preconiza que professores de educação física devem ter o domínio das habilidades aquáticas essenciais até a práxis aquática, superando a ideia de que o graduando precisa ter algumas “experiências” na água.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir das respostas obtidas nas entrevistas, percebemos que a maioria dos professores não considerou a prática corporal, no sentido do domínio da natação, como fator de avaliação ou, ainda, que apresentasse alguma evidência das habilidades aquáticas básicas, tornando um critério sem importância na disciplina. Apenas um professor considerou, em 30%, o peso de uma avaliação didático-prática, em uma das unidades, oportunizando os alunos a participarem do projeto de extensão e já iniciando a disciplina com as habilidades aquáticas básicas.

Tal constatação talvez se dê por ressoar como algo retrógrado avaliar o desempenho humano no ensino superior, ainda que com conteúdos elementares, mas paralelamente fundamental para a segurança dessa prática corporal.

Com essas inferências, entendemos que a prática corporal da natação, em seu sentido tecnicista, não foi a centralidade ou a preocupação dos professores, tendo em vista a formação humanista e o momento histórico em que vivemos na educação física brasileira. Todavia, o ato de nadar para salvar uma vítima de afogamento aponta e supera o domínio das habilidades aquáticas essenciais, não revelado explicitamente nas respostas concernentes às unidades de registro “avaliação da disciplina” e “natação infantil”, mas na unidade “salvamento aquático”.

Com base nisto, acreditamos que o professor, com o domínio do conhecimento da prática corporal do nadar, não terá apenas uma ferramenta a mais para seu ensino, mas possuirá uma ferramenta indispensável para suas aulas.

Portanto, parece ser evidente que o professor de educação física deve dominar os aspectos pedagógicos referentes à metodologia de ensino da natação e outros aspectos relacionados à prática do ofício, mas também este deve ter o domínio da prática corporal no meio líquido.

  • 1
    Este trabalho é um recorte de algumas fontes e categorias de análises da pesquisa de mestrado intitulada “Análise da prática corporal na disciplina Natação, nos cursos de Educação Física das universidades públicas da cidade do Recife-PE” que o pesquisador principal realizou através do Programa Associado de Pós-Graduação em Educação Física UPE/UFPB.
  • FINANCIAMENTO

    O presente trabalho não contou com apoio financeiro de nenhuma natureza para sua realização.

REFERÊNCIAS

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    02 Ago 2021
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    01 Dez 2020
  • Aceito
    19 Maio 2021
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