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ANPOCS 20 anos

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) está completando 20 anos de existência. Ao longo desses anos, uma multiplicidade de iniciativas contribuiu não apenas para a expansão da comunidade brasileira de cientistas sociais como, igualmente, para o gradativo alargamento e diversificação de seus campos de investigação e de atuação. Dentre essas iniciativas, a publicação da Revista Brasileira de Ciências Sociais, cujo primeiro número data de junho de 1986, já constitui referência bibliográfica nacional neste domínio do conhecimento científico. Certamente, a atualidade de suas contribuições, a heterogeneidade e amplitude dos campos temáticos que aborda, o permanente intercâmbio com os mais prestigiados pesquisadores brasileiros e do exterior, o rigor acadêmico impresso a seu estilo editorial compreendem algumas das razões que concorreram para firmá-la entre as publicações congêneres. Não seria mesmo demasiado dizer que hoje a RBCS vem desempenhando duplo papel: por um lado, como instrumento de divulgação do conhecimento científico e de atualização do saber acumulado; por outro, atuando ativamente na formação intelectual de novas gerações de cientistas sociais, algo que se revela sobretudo na adoção de várias de suas contribuições como bibliografia de referência em cursos de graduação e de pós-graduação em ciências sociais em todo o país.

Por tudo isso, a RBCS não podia ficar alheia às comemorações dos 20 anos da Anpocs. Decidiu participar diretamente do evento, fazendo-o de modo instigante. Por iniciativa de sua Editora Responsável, logo acolhida pela Comissão Editorial, foram realizadas, e posteriormente editadas, entrevistas com dois ex-presidentes e a atual presidente da Associação, escolhidos em face de sua importante inserção em um dos três campos disciplinares que recobrem as ciências sociais. Teresa Sales encarregou-se de entrevistar Elisa Reis; Argelina Cheibub Figueiredo e Maria Tereza Sadek ouviram Fábio Wanderley Reis; Lilia Schwarcz registrou atentamente a fala de Gilberto Velho. Recolhidas entre os meses de julho e agosto de 1997, separadamente, com base em roteiros previamente elaborados, as entrevistas revelaram-se uma miríade rica de pontos de vistas e sugestões interpretativas sobre os rumos da Antropologia, da Ciência Política e da Sociologia no Brasil, possibilitando identificar confrontos e convergências. Acertadamente, optaram os editores por trabalhá-las segundo seis recortes temáticos.

Cada um dos entrevistados, atendo-se a seu campo disciplinar, debruçou-se sobre questões de interesse da comunidade de cientistas sociais. Em primeiro lugar, refletiram sobre os avanços, limites, dilemas e impasses que marcaram e persistem marcando a história dessas ciências nesta sociedade. Ora explicitamente, ora veladamente, é possível surpreender os diferentes campos disciplinares degladiarem-se entre si em seu afã de formalizar seus objetos, seus campos de ação, seus estilos próprios de pensar e analisar a realidade social. Os entrevistados foram ainda estimulados a falar sobre o desenvolvimento da pós-graduação e da pesquisa. Nessa direção, não puderam deixar de abordar as relações entre a comunidade brasileira e a comunidade internacional de cientistas sociais. Inclinaram-se também a desenhar as principais áreas temáticas que ganharam destaque ao longo destes 20 anos, bem como as abordagens metodológicas que vieram caracterizando nosso estilo (ou estilos) de ciências sociais. Não se furtaram, igualmente, de se manifestar criticamente diante dos principais problemas enfrentados e das soluções que lhes foram conferidas, bem como diante das perspectivas futuras de desenvolvimento deste campo científico. E ainda reservaram palavras para examinar o impacto das ciências sociais na sociedade brasileira, em particular, a intervenção de cientistas sociais no debate público acerca dos principais problemas enfrentados pelos cidadãos e cidadãs em seu propósito de consolidação da democracia social e política.

É justamente esta agenda de questões que o leitor encontrará nas páginas que seguem. Certamente, espera-se, com essa iniciativa, ter contribuído para sedimentar a memória dos acontecimentos marcantes que fizeram esta comunidade de cientistas sociais respeitável nos mais importantes fóruns, nacionais e internacionais, de divulgação do conhecimento científico e/ou de formulação de políticas de Ciência e Tecnologia.

SÉRGIO ADORNO

Secretário Executivo

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    04 Fev 1999
  • Data do Fascículo
    Out 1997
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