Resumo
O artigo examina a trajetória da desigualdade econômica no Brasil no período democrático contemporâneo. Demonstra que esta foi substancialmente reduzida por um mecanismo de inclusão dos outsiders. A trajetória desse mecanismo é descrita como tendo compreendido duas fases: (i) mudanças paradigmáticas no desenho das políticas sociais brasileiras, que produziam grande divisão entre insiders e outsiders desde os anos 1930, foram introduzidas na transição para a democracia; (ii) sob o sufrágio universal, partidos de esquerda e conservadores convergiram em torno das preferências dos beneficiários dessas políticas, a saber, política do salário mínimo, de saúde e de educação. Esses resultados desafiam o poder explicativo da teoria do eleitor mediano e da força parlamentar da esquerda. Em vez, indicam que mudanças exógenas ao sistema de políticas sociais introduziram políticas redistributivas sob uma conjuntura crítica, as quais, por sua vez, deram origem a mudanças endógenas, nas quais a competição política jogou papel central.
Desigualdade; Outsiders; Partidos de esquerda; Teoria do eleitor mediano; Políticas sociais
Nota: As unidades de análise são os domicílios, não os indivíduos. Não parentes do responsável pelo domicílio foram excluídos do cálculo da renda domiciliar per capita.Fonte: IBGE, PNAD 1976-2015.
Notas: Para o cálculo, foram considerados o ano anterior e o último ano do período de interesse. Para o período democrático corrente (1984-2015); governo Sarney (1984-1989); governo Collor (1989-1992); governo FHC (1995-2002); governo Lula (2002-2011); governo Dilma (2011-2015). Em 1994, 2000 e 2010, não houve coleta de dados da PNAD, o que inviabilizou examinar o governo Itamar, bem como implicou comparar o último ano do governo FHC com seu primeiro ano governo, o primeiro ano dos governos Lula com o primeiro ano de Dilma e, finalmente, o último ano completo do governo Dilma com seu primeiro ano de governo.Fonte: IBGE, PNAD 1976-2015 (valores deflacionados para setembro de 2016).
Nota: Valor do salário mínimo, para setembro de cada ano, deflacionado para setembro de 2014.Fonte: Ipeadata.
Fonte: Censos Demográficos 1960-2010 (Tabulações Especiais do CEM).
Fonte: IBGE, PNAD 1998, 2003 e 2008; IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Fonte: IBGE, PNAD 1998, 2003 e 2008; IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Fonte: IBGE, PNAD 1998, 2003 e 2008; IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.
Fonte: IBGE, PNAD 1998, 2003 e 2008; IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2013.