Open-access Sucesso e fracasso no desempenho acadêmico no internato em clínica cirúrgica: causalidades atribuídas pelo estudante

RESUMO

Introdução:  O internato em Medicina é uma etapa de intensa prática assistencial, em que o estudante se depara com sucessos e fracassos. A forma como o aluno atribui a causalidade a esses resultados influencia seu enfrentamento e desempenho futuros. Compreender as causalidades atribuídas pelos estudantes pode auxiliar preceptores e coordenadores de curso no planejamento de ações de melhoria.

Objetivo:  Este estudo teve como objetivos identificar as atribuições de causalidade para os sucessos e fracassos durante o estágio em clínica cirúrgica e delinear as estratégias adotadas pelos internos para potencializar o sucesso e minimizar os fatores que levam ao fracasso.

Método:  Trata-se de um estudo misto, quantiqualitativo, realizado em uma instituição privada de ensino superior de São Paulo. Participaram estudantes que vivenciaram o internato em cirurgia em um hospital público de alta complexidade. Na primeira fase, 62 estudantes do internato em cirurgia responderam à Escala de Avaliação das Atribuições de Causalidade. Na segunda fase, realizaram-se grupos focais com 15 estudantes selecionados a partir dos maiores escores nas subescalas de fracasso. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva e inferencial, e os qualitativos, por análise temática.

Resultado:  Os estudantes atribuíram o sucesso a fatores internos (esforço, empenho) e externos (organização do programa, apoio docente). O fracasso foi associado tanto a vulnerabilidades internas (instabilidade e fragilidade emocional) quanto a barreiras externas (ambiente hostil, relações interpessoais difíceis, menor oportunidade prática). As estratégias de melhoria propostas focaram iniciativas pessoais (proatividade, gestão emocional) e institucionais (apoio docente, preparo para resiliência).

Conclusão:  Observou-se que os desafios enfrentados pelos internos de Medicina no estágio de cirurgia geral são multifatoriais, e atribuíram-se ao fracasso tanto causas internas como externas. Os estudantes perceberam a necessidade de desenvolver um planejamento de prevenção e apontar estratégias de melhorias, em que se destacaram iniciativas pessoais e intervenções educacionais para o fortalecimento da resiliência emocional.

Palavras-chave:
Internato e Residência; Desempenho Acadêmico; Causalidade; Fracasso Escolar; Educação Médica

ABSTRACT

Introduction:   The medical internship is a phase of intensive clinical practice, during which students experience both successes and failures. The way students attribute causality to these outcomes influences their future coping strategies and performance. Understanding the causal attributions made by students can assist preceptors and program coordinators in planning improvement initiatives.

Objective:   This study aimed to identify the causal attributions for successes and failures during the surgical clinical rotation and to outline the strategies adopted by residents to maximize success and minimize factors leading to failure.

Methods:   This was a mixed-methods, quantitative-qualitative study conducted at a private higher education institution in São Paulo. Participants were students who completed their surgical internship at a high-complexity public hospital. In the first phase, 62 surgical internship students completed the Causal Attribution Assessment Scale. In the second phase, focus groups were conducted with 15 students selected based on the highest scores on the failure subscales. Quantitative data were analyzed using descriptive and inferential statistics, and qualitative data were analyzed using thematic analysis.

Results:   The students attributed success to internal factors (effort, commitment) and external factors (program organization, faculty support). Failure was associated with both internal vulnerabilities (emotional instability and fragility) and external barriers (hostile environment, difficult interpersonal relationships, fewer practical opportunities). The proposed improvement strategies focused on personal initiatives (proactivity, emotional management) and institutional initiatives (faculty support, resilience training).

Conclusion:  It was observed that the challenges faced by medical residents during their general surgery rotation are multifactorial, and both internal and external causes were attributed to failure. The students recognized the need to develop a prevention plan and identify strategies for improvement, with a particular emphasis on personal initiatives and educational interventions to strengthen emotional resilience.

Keywords:
Internship and Residency; Academic Performance; Causality; School Failure; Medical education

INTRODUÇÃO

O internato em Medicina, período curricular obrigatório, consiste na fase prática, ou seja, quando o estudante tem oportunidade de aplicar seus conhecimentos teóricos no ambiente assistencial e desenvolver habilidades psicomotoras e relacionais1. Ao se deparar com o rodízio cirúrgico, o ambiente intenso com longas jornadas de trabalho e uma curva de aprendizado íngreme, o interno é exposto a uma gama de situações que testam não apenas seu conhecimento teórico, mas também suas habilidades práticas, a resiliência emocional e a capacidade de integração em equipes multidisciplinares2),(3.

O ambiente educacional em cirurgia, tanto para internos quanto para residentes, é geralmente considerado exigente e com maiores taxas de burnout. São evidenciados índices elevados de burnout em programas de educação em cirurgia geral, gerando a necessidade de ações para identificar fatores de risco e implementar medidas protetoras4. Falhas percebidas no profissionalismo, sentimento de não pertencimento, cultura hierárquica, falta de flexibilidade nos horários, condições interferentes no bem-estar, como descanso ou alimentação inadequada, carga horária exaustiva e conflitos com expectativas prévias dos estudantes são alguns dos fatores que geram estresse e burnout5),(6.

Além dos fatores estressantes, como em qualquer ambiente acadêmico, os estudantes no internato em cirurgia também podem apresentar desempenho insuficiente e, ao se autoavaliarem, atribuir diferentes causas ao próprio insucesso. O sucesso ou fracasso no desempenho acadêmico não depende somente de um único fator, mas sim de uma combinação de vários elementos, que podem incluir aspectos pessoais (como hábitos de estudo, motivação, saúde mental), sociais (apoio de colegas e familiares), institucionais (qualidade do ensino, currículo, ambiente da faculdade), entre outros.

À luz da teoria de atribuições causais sobre o sucesso e fracasso acadêmico, Weiner classifica as causas em três lócus: causalidade (interna e externa), estabilidade (estável e instável) e controlabilidade (controlável e incontrolável). Contudo, é relevante pontuar que a atribuição da causa não está totalmente próxima da realidade objetiva. Os indivíduos atribuem causas a determinados eventos de forma subjetiva, a depender de sua interpretação sobre suas experiências e interações, ou seja, a determinação da causa pode ser feita a partir da percepção do indivíduo sobre ele mesmo, os outros e o ambiente7)-(10.

Embora haja literatura nacional sobre o internato médico, os estudos concentram-se predominantemente em aspectos estruturais e avaliativos gerais dos programas11),(12 com limitada exploração da experiência do discente em contextos específicos, como o internato em cirurgia. Com base nisso, algumas questões emergiram:

  • Quais são os fatores atribuídos pelos estudantes como causa de fracasso no desempenho acadêmico durante o internato em cirurgia?

  • Esses fatores estão relacionados a aspectos internos ou externos (alheios) ao estudante?

  • Ele poderá traçar um plano de estratégias de melhorias a partir da determinação das causalidades do fracasso no desempenho?

A identificação de fatores atribuídos ao fracasso acadêmico, especificamente no internato em cirurgia, pode contribuir para que os preceptores e coordenadores de curso possam tornar as experiências de aprendizagem durante essa fase mais exitosa com consequente melhora do desempenho e do bem-estar dos estudantes. Há implicações diretas para preceptores e coordenadores de internato quanto ao benefício de intervenções de suporte ao estudante para mensurar e modificar fatores internos interferentes no desempenho, sobretudo com o foco em mitigar danos decorrentes desse ambiente13.

Este estudo tem como objetivos compreender as atribuições de causalidade aos sucessos e fracassos durante o estágio em clínica cirúrgica e identificar as estratégias adotadas pelos internos para potencializar o sucesso e minimizar os fatores que levam ao fracasso.

MÉTODO

Delineou-se uma pesquisa exploratória de abordagem mista em duas fases: quantitativa e qualitativa14),(15. A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2025, em uma faculdade privada na cidade de São Paulo, no curso de Medicina que consta como nota máxima pelo Ministério da Educação (MEC), no ano de 2023. A instituição mantém parceria com serviços municipais de atenção primária à saúde (APS) e atenção especializada em média a alta complexidade, em que os estudantes vivenciam a prática em diferentes etapas da graduação. O internato em cirurgia é realizado na décima etapa, no quinto ano do curso. No internato em cirurgia geral, há semestralmente uma média de 64 alunos.

A amostra de conveniência16, seguindo os critérios de seleção, foi composta de 62 alunos de Medicina dessa instituição que passaram pelo internato em cirurgia geral. Desenvolveu-se o estudo em duas etapas: quantitativa e qualitativa. Na primeira etapa, os alunos foram convidados a participar do estudo por meio de convite individual feito por WhatsApp®, em que se apresentaram os objetivos, os benefícios e os instrumentos da pesquisa. Ademais, mencionou-se a possibilidade de participação na segunda fase, a depender da análise dos dados quantitativos. O envio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) eletrônico ocorreu exclusivamente por e-mail, após manifestação de interesse dos discentes em participar do estudo.

Na primeira fase, de pesquisa quantitativa, coletaram-se as informações demográficas e o histórico dos participantes, e, a seguir, aplicou-se a Escala de Avaliação das Atribuições de Causalidade para o Sucesso e Fracasso Acadêmico de Universitários (EAAC-U) de Boruchovitch e Santos, utilizada para selecionar os participantes para a fase qualitativa da pesquisa. A escala foi construída com base na teoria da atribuição de causalidade de Weiner4),(9) contemplando as dimensões de lócus de causalidade, estabilidade e controlabilidade. Estudos com o uso da mesma escala já foram aplicados em cursos de Pedagogia, Enfermagem, Medicina, Engenharia e Psicologia, adaptando-a conforme o contexto17)-(21.

A escala é constituída de 44 itens relativos às atribuições causais em situações de sucesso e fracasso acadêmico, em formato Likert, com quatro opções, variando de 1 (“Não tem nada a ver comigo”) a 4 (“Descreve-me realmente bem”). O escore total das respostas pode variar de 44 a 176 pontos. A escala é composta de quatro subescalas: 1. sucesso/internalidade, 2. fracasso/internalidade, 3. sucesso/controlabilidade, 4. fracasso/controlabilidade.

A EAAC-U de Boruchovitch e Santos tem sido utilizada como instrumento padronizado por vários estudos e pesquisas. No presente estudo, a consistência interna foi mensurada pelo alfa de Cronbach, que apresentou valor 0,70 para a escala total e os seguintes valores para as subescalas: 0,86 para fracasso/controlabilidade, 0,78 para fracasso/internalidade, 0,73 para sucesso/controlabilidade e 0,64 para sucesso/internalidade.

Os dados quantitativos foram descritos por meio de frequências absolutas e porcentagens quando variáveis qualitativas e por meio de medianas, quartis, mínimo e máximo para as variáveis quantitativas. Tal escolha se deu pela distribuição assimétrica das variáveis quantitativas. A associação entre pontuações total e de subescalas e variáveis qualitativas foi investigada por testes t de Student ou testes de Mann-Whitney para dois grupos e por ANOVA com um fator ou testes de Kruskal-Wallis22 para três ou mais grupos. Realizaram-se as análises com o auxílio dos programas R23 e SPSS24, considerando o nível de significância de 5%.

Para a segunda fase, de pesquisa qualitativa, adotou-se o grupo focal, em modalidade remota e síncrona, como técnica de coleta de dados. Essa opção fundamentou-se na facilidade operacional proporcionada pelo uso de uma plataforma de comunicação a distância e no seu potencial para favorecer a coleta e o registro de dados. A seleção dos estudantes para a segunda fase do estudo considerou as maiores pontuações nas subescalas fracasso/internalidade e fracasso/controlabilidade da EAAC-U. Consideramos os indivíduos que estavam concomitantemente entre os 75% com notas mais altas para as duas escalas, o que resultou em 31 indivíduos que foram convidados para a fase qualitativa. Desses, 15 reafirmaram voluntariamente o desejo de continuar na pesquisa assinando o TCLE da fase 2 e foram divididos em dois grupos conforme a disponibilidade de dia e horário para o encontro virtual.

Para a condução dos grupos focais, recorreu-se a um roteiro de perguntas com as seguintes questões norteadoras:

  • Como você percebeu o seu desempenho no internato em cirurgia?

  • Quais fatores influenciaram o seu desempenho no internato em cirurgia?

  • Na sua opinião, quais as estratégias - pessoais, educacionais ou institucionais - poderiam ajudar na melhoria do desempenho dos estudantes no internato em cirurgia?

  • Algum outro aspecto que não foi abordado que você gostaria de falar?

Realizaram-se dois grupos focais, com seis e nove alunos, respectivamente, com duração média de uma hora. As gravações dos encontros foram transcritas e anonimizadas, lidas e relidas. A análise temática procurou seguir os princípios de Braun et al.25 adotando as seis fases da metodologia proposta.

A coleta e a análise dos dados ocorreram simultaneamente. À medida que os padrões de respostas se repetiam e não emergiam novos elementos, as pesquisadoras interromperam intencionalmente a coleta. Nesse contexto, devido à densidade dos dados, as autoras compreenderam que o fenômeno indicava que a saturação havia sido alcançada26.

O projeto da pesquisa foi submetido aos comitês de ética do Einstein Hospital Israelita (Parecer N. 6.937.359) e do Centro Universitário das Américas - FAM (Parecer N. 7.642.796) e devidamente aprovado: CAEE nº 7973652400000071. Os TCLE foram devidamente assinados por todos os sujeitos da pesquisa.

RESULTADOS

Os resultados deste estudo são apresentados conforme o delineamento de métodos mistos do tipo exploratório sequencial, com integração de dados quantitativos e qualitativos. Inicialmente, descrevem-se as características sociodemográficas dos participantes, com o objetivo de contextualizar a amostra. Na sequência, apresentam-se os resultados da etapa quantitativa, integrados à análise qualitativa, desenvolvida a partir desses achados, visando ao aprofundamento da compreensão do fenômeno investigado.

Durante as sessões dos grupos focais, foram identificadas as percepções dos alunos sobre suas experiências no internato de modo geral, relacionando-as aos fatores que impactaram seu desempenho no estágio. Cabe ressaltar que, apesar de o recorte em relação ao fracasso ter sido convenientemente realizado, ainda assim esses alunos, no geral, tiveram bom desempenho em suas atividades.

Participaram do estudo 62 estudantes, na maioria mulheres (58,1%). A idade observada foi de 22 a 46 anos, com mediana de 30 anos. A maioria era solteira (64,5%) e não tinha filhos. Em relação ao custeio do curso, a maioria (77,4%) recebia ajuda de familiares (Tabela 1).

Tabela 1
Características dos participantes (N = 62). São Paulo, 2025.

Quanto à formação prévia dos alunos, 46,8% possuíam outra graduação completa. Os cursos mais citados como outra graduação foram Administração e Direito (14,6% cada), Enfermagem (12,2%), Biomedicina e Psicologia (7,3% cada), Engenharia de Produção, Medicina Veterinária e Odontologia (4,9% cada). Quanto à pós-graduação, quatro dos internos tinham mestrado, e um, doutorado.

Alguns alunos exerciam alguma atividade profissional: 24,5% atuavam como informais, e 9,7%, como formais. Observou-se uma diversidade de profissões exercidas pelos participantes, como enfermeiro, dentista e psicólogo, agrupadas na área da saúde. As profissões relacionadas à administração e gerência foram agrupadas em “área administrativa”, e as demais, em “outras” (Tabela 2).

Tabela 2
Profissões exercidas, interesse e área da residência (N = 62). São Paulo, 2025.

Do total de alunos, 53 (85,5%) pretendiam prestar a prova de residência, e as especialidades mais citadas foram as seguintes: cirurgia geral (18,9%), especialidades clínicas e pediatria (11,3% cada), e anestesiologia, ginecologia e obstetrícia e psiquiatria (9,4%). Fazem parte de “especialidades clínicas” neurologia, dermatologia, infectologia e medicina intensiva, enquanto “outras” incluem oftalmologia, otorrinolaringologia e radiologia. Os estudantes em dúvida entre duas ou mais especialidades foram agrupados como “indecisos”.

A pontuação geral da EAAC-U apresentou mediana de 122, resultado considerado alto em uma variação possível de 44 a 176 pontos. A subescala sucesso/internalidade, que pode variar de 14 a 56, apresentou mediana de 40, e a subescala de sucesso/controlabilidade, que pode variar de 11 a 44, apresentou mediana de 38, de forma que a concentração nas subescalas de sucesso é em valores maiores.

Quanto às escalas de fracasso, a subescala fracasso/internalidade, que pode variar de 11 a 44, apresentou mediana de 13, e a subescala fracasso/controlabilidade, que pode variar de 8 a 32, apresentou mediana de 32. Preservando as diferentes variabilidades, fracasso/internalidade apresentou valores menores, enquanto fracasso/controlabilidade, valores maiores (Tabela 3).

Tabela 3
Escore de atribuições causais de acordo com a internalidade e controlabilidade (N = 62). São Paulo, 2025.

A comparação das pontuações total e das subescalas nas diferentes categorias investigadas não mostra associações significativas para a escala total e subescalas de sucesso/controlabilidade e fracasso/controlabilidade. Encontraram-se diferenças significativas na variável “exercício de atividade profissional”, nas subescalas sucesso/internalidade (valor-p 0,016) e fracasso/internalidade (valor-p 0,020), que indicaram que os estudantes sem atividade profissional apresentaram escores mais elevados em relação àqueles com atividade profissional na subescala sucesso/internalidade, e os estudantes que exerciam atividade informal apresentaram escores mais elevados do que aqueles sem atividade profissional na subescala fracasso/internalidade. Esses resultados apontam que os estudantes que não exerciam atividade profissional atribuíram o sucesso mais a fatores internos do que externos, em relação aos que exerciam atividade profissional, ao passo que os alunos que exerciam atividade profissional atribuíram o fracasso mais aos fatores internos do que aos externos, em relação aos que não exerciam atividade profissional. Tais análises indicam que a percepção de controlabilidade é semelhante em todos os grupos, mas a percepção da causalidade interna no fracasso esteve mais presente entre os estudantes que exerciam atividade profissional (Tabela 4).

Tabela 4
Escores de atribuições causais de acordo com as características dos participantes (N = 62). São Paulo, 2025.

Os maiores valores nas subescalas de sucesso/internalidade e sucesso/controlabilidade podem ser explicados pela categoria “fatores internos e externos que influenciam o sucesso no internato em cirurgia”, composta de duas subcategorias. Nela, o sucesso é percebido pelos estudantes como resultante de fatores internos expressos por um senso de confiança em atitudes que dependem deles mesmos, como empenho e estudo, além da necessidade de estabilidade emocional. Outros aspectos relacionados à instituição ou aos colegas também ajudaram nos resultados positivos alcançados por eles.

Para a seleção dos alunos para a segunda fase do estudo, avaliamos os participantes com maiores pontuações nas subescalas de fracasso. Para tal, consideramos o valor que seleciona os indivíduos com as 75% notas mais altas (primeiro quartil). Os valores foram 11 para a escala de “fracasso/internalidade” e 30 para a subescala de “fracasso/controlabilidade”, ou seja, 75% dos participantes apresentavam nota igual ou superior a 11 para a subescala de “fracasso/internalidade” e 75% dos participantes apresentavam nota igual ou superior a 30 para a subescala de “fracasso/controlabilidade”. Avaliando as escalas conjuntamente, identificamos 31 indivíduos que apresentavam as duas características concomitantemente, e eles foram convidados a participar da segunda fase.

O protagonismo discente: empenho pessoal e engajamento na formação prática

A percepção dos alunos em relação ao desempenho deles no internato apresentou predominância positiva. Os fatores internos atribuídos ao sucesso estão relacionados ao empenho pessoal, como esforço e organização dos mecanismos de estudo. Além disso, fatores como engajamento e regulação emocional também foram elencados como causas de sucesso.

Atribuo o sucesso e o insucesso principalmente à minha pessoa [...]. O aprendizado depende 50% do aluno, 50% do preceptor, depende do aluno ir atrás (G1P5).

Foi um estágio em que eu consegui superar minhas notas, superar as minhas horas de estudo, eu me dediquei bastante e atribuo tudo isso ao meu esforço (G1P1).

O papel do contexto formativo: instituição, preceptores e pares como mediadores do sucesso

Os fatores externos atribuídos ao bom desempenho foram relacionados à organização do programa de ensino do estágio, como adoção de metodologia adequada e objetivos claros: “A organização [do programa do estágio] de mandar toda a escala com antecedência [...] se está tudo organizado, facilita meu aprendizado. [...] eu sou uma pessoa que precisa de organização; eu gosto de uma rotina” (G1P3).

Outro aspecto relevante foi o apoio docente. Nessa fase tão desafiadora como é o internato em cirurgia, os estudantes destacaram a importância do papel dos preceptores como mediadores no processo de enfrentamento dessa etapa do ciclo formativo: “Quando o nosso preceptor tá ali, é como se alguém pegasse na nossa mão e falasse: ‘Ó, aqui’ [na execução de um procedimento], você sente uma segurança maior pra arriscar fazer um procedimento, porque a gente tá ali aprendendo, né?” (G1P1).

Os pares, nessa fase da vida do estudante, são percebidos como fontes de apoio e ajuda na superação dos obstáculos.

“Era bem mais tranquilo entrar na sala onde ele estava realizando o procedimento e pedir para ele: ‘Ó, doutor, podemos acompanhar?’. Ou através de uma ‘ponte’ [ajuda da amiga], por exemplo, eu ficava com a [nome de uma estudante], porque ela já vai falar mais” (G1P4).

A escolha da amostra baseada nas causalidades internas e controláveis para o fracasso se deu pelo entendimento na literatura de que o aluno, ao reconhecer a origem do problema em si mesmo, possa assumir o controle e gerenciar a causa, adotando uma postura adaptativa diante da dificuldade identificada. Ainda assim, cabe ressaltar que os alunos selecionados tiveram, durante o internato em cirurgia, a média de nota formativa de 8,6 (8,3; 9,4), com média da nota somativa = 7,65 (5,0; 9,5).

A percepção dos estudantes revelou que o insucesso no internato em cirurgia esteve fortemente associado a uma combinação de fatores internos e externos, como pode ser explicada pela categoria “determinantes do insucesso no internato em cirurgia: vulnerabilidades emocionais e barreiras contextuais” e pelas subcategorias componentes.

No âmbito interno, os aspectos emocionais e comportamentais foram destacados como os principais potencializadores do fracasso, especialmente a instabilidade na regulação emocional. Também foram relatadas causas relacionadas a escolhas pessoais, além de dificuldades iniciais de adaptação ao contexto do internato e lacunas teóricas. Quanto aos fatores externos, os estudantes atribuíram o insucesso à presença de ambientes institucionais hostis e a relações interpessoais desfavoráveis.

Fragilidades internas: instabilidade na regulação emocional e limitações no autocontrole

Dos fatores internos atribuídos ao fracasso, os aspectos emocionais e/ou comportamentais codificados como instabilidade na regulação emocional (ansiedade, timidez, insegurança e medo) representaram os maiores potencializadores na percepção dos estudantes. As outras causas foram atribuídas às escolhas pessoais, como a competição entre focos ou áreas de interesses, além de reflexões sobre a dificuldade inicial de adaptação ao contexto ou a lacuna teórica.

A minha experiência quando eu digo que eu sou mais travada é realmente isso, um pouco mais tímida. Eu sei, tenho receio de ir ali pedir para fazer um procedimento e errar aquele procedimento (G1P1).

Durante as cirurgias senti nervosismo, medo de errar e ser chamada a atenção (G1P3).

Barreiras externas: ambiente hostil e complexidade das relações interpessoais no cenário cirúrgico

Dos fatores externos que contribuíram para o fracasso, houve o predomínio dos aspectos ambientais e de relacionamentos menos favoráveis nos locais de internato (ambiente institucional hostil) ou ainda relacionamento interpessoal difícil com residentes e colaboradores do hospital, como outros médicos ou enfermeiros etc.: “Ambiente tenso e algumas equipes não acolhedoras podem inibir o interno” (G2P4).

A falta de apoio familiar foi revelada como um aspecto que dificultou o desempenho dos estudantes: “Eu não consigo aprofundar tanto no estudo por questões familiares, porque eu tenho uma filha pequena, então demanda muito tempo de mim, eu não consigo estudar o tempo que eu gostaria de estudar” (G1P6).

A limitação estrutural (institucional) e o desnível no desempenho ou comportamento entre pares geraram a percepção de fatores que contribuíram negativamente para o desempenho de estudantes: “Postura passiva de colegas e déficit teórico foi o que prejudicou a experiência [coletiva] de alguns” (G2P4).

Dos fatores externos, alguns não foram interpretados como a causa do fracasso, mas sim dependentes da interpretação pessoal e da resposta emocional (ambiente hostil, relacionamento interpessoal). Esses fatores não levaram à inibição, mas sim à proatividade: “Como eu sou uma pessoa muito ‘cara de pau’, esse lado para mim foi muito mais fácil. Lógico que eu tomei alguns ‘nãos’, mas o centro cirúrgico tinha espaço suficiente para bastante gente [...] fiz amizade lá com os residentes [...] eu fiz muito procedimento lá” (G1P2).

Mediante a percepção dos fatores que influenciam o sucesso e dos deflagradores do fracasso, os alunos descreveram na categoria 3 as “estratégias para potencializar o sucesso e minimizar os fatores de fracasso no internato em cirurgia”.

Os alunos apontaram com maior frequência os aspectos pessoais (atribuições internas e controláveis) como promotores de melhorias do desempenho. As estratégias pessoais desenvolvidas para superar as dificuldades foram: empenho (por eles denominado proatividade ou engajamento), regulação emocional, gerenciamento de fatores controláveis (por exemplo, tempo de estudo) e apoio dos amigos.

De coração aberto, viver esta etapa, enfrentar e absorver tudo [aprendizado] que o estágio pode me proporcionar, mesmo que não seja a especialidade que quero seguir, porque preciso disso para ser médica. Eu vou dar o meu melhor (G2P6).

Revisar a parte teórica antes da prática e ser proativo, sem medo do desafio (G2P2).

Alguns fatores externos e incontroláveis foram elencados como medidas de intervenção para a superação dos fatores que levaram ao insucesso. Do ponto de vista institucional, apontaram-se algumas estratégias; por exemplo, que o preceptor pertença ao staff assistencial, o que facilitaria o acesso aos procedimentos e aumentaria a segurança emocional dos estudantes. Ademais, os estudantes consideraram necessárias ações por parte da instituição sobre educação para resiliência emocional e medidas para o ajuste comportamental/a orientação de conduta de pares: “Quando o preceptor trabalha lá [no hospital], ele está dentro do sistema, ele está trabalhando ali, ele conhece; isso facilita também o ambiente estar preparado para ‘puxar’ mais o interno [para a prática]” (G1P6).

A percepção dos alunos em relação ao desempenho deles no internato apresentou predominância positiva. Os fatores internos atribuídos ao sucesso estão relacionados ao empenho pessoal, como esforço e organização dos mecanismos de estudo. Além disso, fatores como engajamento e regulação emocional também foram elencados como causas de sucesso.

DISCUSSÃO

O estudo mostrou que os estudantes perceberam o próprio desempenho no internato em cirurgia como resultado principalmente de fatores internos, como esforço, habilidades, estado emocional e estratégias pessoais27),(28. Em discordância com outros estudos, os participantes desta pesquisa relataram os aspectos emocionais relacionados à baixa resiliência como principais causas internas do fracasso, e não à desmotivação29.

A regulação emocional foi frequentemente percebida como causa instável (variável a depender da interpretação e da situação), mas com potencial controlável (passível de modificação pelo próprio estudante). Consoante outro estudo, a análise apresentou uma relação importante entre a baixa resiliência emocional e as atribuições causais internas e as estratégias de enfrentamento30.

A análise dos códigos associados a causas internas controláveis, como esforço pessoal, proatividade e regulação emocional, ilustra a complexidade com que os estudantes internalizam a responsabilidade pelo próprio desempenho, moldando suas estratégias de enfrentamento e suas reações afetivas31),(32.

Os estudantes com maiores níveis de perseverança relataram menor exaustão emocional e maior senso de realização pessoal, sugerindo que traços de personalidade são aspectos decisivos na modulação da experiência do estágio. Nesse contexto, a cultura e a identidade profissional na medicina, com foco e pressão por competência e resiliência, acabam por impulsionar recursos adaptativos próprios de superação33.

Fatores como as limitações estruturais (carga horária, docente não faz parte do corpo assistencial) e um ambiente hostil foram frequentemente percebidos como causas estáveis (persistentes e difíceis de mudar em curto prazo) e incontroláveis pelos estudantes, gerando sentimento de frustração e desamparo. Por sua vez, a qualidade do apoio docente e a organização do programa (metodologia), embora externas, foram por vezes vistas como causas controláveis por parte da instituição, o que motivou os estudantes a sugerir mudanças e melhorias.

As estratégias de melhorias foram categorizadas conforme seu lócus de ação. As estratégias internas referem-se a iniciativas que partem do próprio estudante, percebidas como controláveis pelo indivíduo (esforço, empenho, dedicação e regulação emocional) e podem ser vistas como tentativas de transformar causas instáveis em resultados positivos8. Já as estratégias externas englobam sugestões que dependem de mudanças no ambiente ou na instituição. Tais propostas visam intervir em causas com lócus externo, entendidas como estáveis e incontroláveis pelo estudante, mas potencialmente controláveis por agentes externos (docentes, instituição de ensino).

A distinção entre essas estratégias reforça a percepção dos estudantes sobre onde está o poder de mudança e como eles buscam as melhorias em relação aos desafios acadêmicos.

Para agentes externos de mudanças, houve prevalência de códigos institucionais que promovam uma capacitação emocional no sentido de fortalecer a resiliência e o enfrentamento de dificuldades. A seguir, foi sugerido alterar o status do docente para ser atuante no sistema assistencial e assim o aluno contar com mais apoio no cenário de relação hierárquica/ambiente hostil.

Os estudantes podem empregar mecanismos de enfrentamento buscando apoio formal de serviços de aconselhamento ou tutoria da faculdade e apoio informal de familiares e amigos. No entanto, barreiras como estigma e falta de conhecimento de recursos disponíveis podem dificultar o acesso à ajuda34.

Identificar esses fatores e entender como afetam o desempenho e o aprendizado é essencial, uma vez que a compreensão da causalidade pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de melhorias para os alunos. Além disso, podem influenciar os docentes em conjunto com as instituições de ensino a elaborar intervenções de apoio educacional35.

Assim, os preceptores do internato e as instituições de ensino, cientes dos fatores atribuídos pelos alunos, podem ser desafiados a identificar as melhores práticas educacionais para desenvolver o processo de aprendizagem ajustado à trajetória da graduação36, reconhecendo e considerando os aspectos desafiadores do curso e da carreira, tais como sobrecarga cognitiva, exposição a ambientes intimidadores e confronto com o sofrimento alheio.

Dada a complexidade da percepção do fracasso e de suas influências, das pressões internas e externas, é importante que haja por parte das instituições e docentes a disponibilidade de recursos e transparência para avaliação e o desenvolvimento de estratégias de remediação eficazes. Mais do que o apoio acadêmico, o estudante se beneficiará por meio de habilidades para identificar e controlar os fatores que promovem o fracasso por meio de estratégias personalizadas

Os resultados apontaram implicações práticas educacionais a serem organizadas no programa do estágio. Houve um predomínio de atribuições internas ao fracasso, da ordem de ansiedade e insegurança, o que indica a necessidade de intervenções e estratégias para desenvolver o preparo na regulação emocional e na metodologia de estudo, antes do início do estágio. Estratégias como identificar padrões atribucionais mal-adaptativos, aplicar guias de enfrentamento e avaliar sistematicamente os resultados das medidas de melhorias foram implementadas a partir dos achados do estudo.

Quanto às atribuições externas ao fracasso, os alunos apresentaram como principais causas o ambiente hostil de relacionamento com o staff de especialistas e residentes do hospital e o fato de o preceptor não fazer parte do staff, o que sugere medidas de acolhimento e comunicação clara sobre o papel do estudante no cenário de aprendizado no Sistema Único de Saúde (SUS), onde todos os graduandos de saúde precisam interagir e conhecer a prática.

Limitações, contribuições e sugestões para futuros estudos

Os dados foram coletados em único centro com alunos de uma mesma turma, o que limita a generalização dos dados. Houve um número reduzido de participantes na fase qualitativa, e isso pode restringir a diversidade de perspectivas.

Como a participação foi voluntária, os alunos mais engajados no internato podem ter sido os mais propensos a aceitar participar no estudo. Estes, possivelmente mais empenhados, poderiam representar um viés de seleção, ao passo que os alunos desmotivados ou com desempenho muito baixo podem ter evitado participar.

Reforça-se que o desempenho dos estudantes (avaliação somativa) não foi avaliado por não ter sido esse o objetivo, e, ainda que tenham apresentado bom aproveitamento, o escopo da pesquisa foi a reflexão sobre as atribuições das causas do fracasso segundo as percepções deles.

Por tratar-se de um estudo em que a interpretação do desempenho do aluno, na própria percepção, foi o instrumento de pesquisa e pelo fato de a reunião do grupo focal ter sido conduzida pela docente e entre os pares, é possível que tenha havido tendência a relatos mais aceitáveis no ambiente acadêmico. Nesse sentido, fragilidades, inseguranças ou falhas podem ter sido sub-relatadas. Relatos de atribuições de sucesso mais valorizadas no contexto acadêmico, como sucesso decorrente de esforço, habilidades, estado emocional e estratégias pessoais, evidenciam isso. Do mesmo modo, as causas do fracasso foram endereçadas a fatores externos e menos controláveis, como as limitações estruturais ou organizacionais (corpo docente, carga horária) e o ambiente hostil.

A autoavaliação de desempenho no internato em cirurgia apresenta limitações de vieses de desejabilidade social e de atribuições causais. A dinâmica do grupo focal pode, inclusive, reforçar as respostas socialmente desejáveis. A ausência de múltiplas fontes de dados, como avaliações formais de desempenho ou feedback de preceptores, limita a possibilidade de triangulação, tornando o estudo dependente exclusivamente das percepções dos participantes.

Estudos futuros com amostras maiores e de diferentes instituições são recomendados para ampliar a consistência dos resultados. Sugerem-se, ademais, pesquisas longitudinais de seguimento dos mesmos alunos em diferentes estágios ou diferentes etapas.

O estudo avançou ao oferecer resultados que esclarecem as atribuições causais feitas pelos internos de cirurgia geral sobre os fatores associados ao sucesso e ao insucesso no internato. As percepções e os discursos identificados podem subsidiar e aprimorar o planejamento das atividades dessa etapa do percurso formativo, tanto antes quanto durante esse ciclo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa buscou identificar as atribuições de causalidade ao sucesso e ao fracasso acadêmico entre estudantes de Medicina no internato em cirurgia geral. Observou-se que os desafios enfrentados pelos internos de Medicina no estágio de cirurgia geral são multifatoriais, abrangendo desde a capacidade de adaptação a um ambiente complexo até barreiras ambientais e estruturais, como dificuldade de relacionamento e de participação no cenário prático da instituição. A baixa resiliência às pressões e a incerteza sobre seu papel se manifestaram como atribuições de lócus interno para o fracasso, enquanto barreiras ambientais e estruturais limitaram oportunidades de participação ativa e se apresentaram como as principais atribuições causais de lócus externo.

Os estudantes relataram insegurança sobre suas responsabilidades em um ambiente hostil, o que os levou a um estado de passividade por medo de cometer erros ou atrapalhar a equipe, inferindo fator de lócus externo como atribuição causal de fracasso, percebido como incontrolável. Foi mencionado que a orientação e a informação do programa do estágio foram importantes como fatores externos relacionados ao sucesso, o que demonstra a importância da controlabilidade externa na visão do estudante.

A pesquisa apontou para caminhos que podem mitigar essas dificuldades. Os alunos sugeriram estratégias que se dirigiram tanto ao desenvolvimento pessoal quanto à melhoria institucional. Os alunos indicaram como fatores internos promotores de mudança para o sucesso as suas iniciativas controláveis, que são: esforço, dedicação e regulação emocional.

Intervenções educacionais como orientações focadas na mudança adaptativa e na criação de oportunidades para um envolvimento mais ativo no cenário assistencial são estratégias promissoras. Além disso, o reconhecimento dos fatores individuais internos, como a perseverança e o empenho, abre uma nova perspectiva para o desenvolvimento de programas de suporte ao estudante, dirigidos ao fortalecimento de habilidades de resiliência.

Em última análise, este estudo reforça a importância de considerar não apenas o desenvolvimento de competências técnicas, mas também o fortalecimento da resiliência emocional dos estudantes. Superar essas dificuldades é fundamental para prepará-los de uma forma integral para os desafios da profissão, a fim de que possam se tornar médicos competentes e resilientes.

REFERÊNCIAS

  • 1 Brasil. Resolução CNE/CES nº 3, de 20 de junho de 2014. Diário Oficial da União; 23 jun 2014 jun 23. Seção 1:811. Alterada pela Resolução CNE/CES nº 3, de 3 nov 2022.
  • 2 Wile RK, Barnes KE, Charondo LB, Breyer K, Lager J, Campbell A, et al. Student challenges during third-year perioperative clerkships through the lens of faculty and residents: A qualitative study. Clin Teach. 2024 Aug;21(4):e13742. doi: 10.1111/tct.13742. Epub 2024 Feb 7. PMID: 38323350.
    » https://doi.org/10.1111/tct.13742
  • 3 Krauss R, Bothara RK, Simcock J, Wilkinson TJ. Learning Barriers and Facilitators for Medical Students in General Surgical Rotations: Insights for Students and Teachers. J Surg Educ. 2025 Nov;82(11):103684. doi: 10.1016/j.jsurg.2025.103684. Epub 2025 Sep 6. PMID: 40915008.
    » https://doi.org/10.1016/j.jsurg.2025.103684
  • 4 Elmore LC, Jeffe DB, Jin L, Awad MM, Turnbull IR. National survey of burnout among US general surgery residents. J Am Coll Surg. 2016;223(3):440-51.
  • 5 Palenzuela D, Whaley Z, Rogers DA, Saillant N, Gosh A, Askari R, et al. Evolving medical student experiences in the surgery clerkship: a new generation. J Surg Res. 2024; 300:363-70. doi: https://doi.org/10.1016/j.jss.2024.05.013.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1016/j.jss.2024.05.013
  • 6 Bacon DR, Wang TN, Ackah R, Ejaz A, Traugott A, Chen X. Just “Culture”? A qualitative study on stressors impacting surgical clerkship student learning and well-being. Global Surg Educ 3, 66 (2024). https://doi.org/10.1007/s44186-024-00260-7
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1007/s44186-024-00260-7
  • 7 Ganda DR, Boruchovitch E. Atribuições de causalidade e estratégias prejudiciais na graduação de Pedagogia. Psico-USF. 2016;21(2):331-40.
  • 8 Ferreira MPM. Teoria(s) da atribuição: um quadro explicativo para o rendimento acadêmico. Rev Bras Educ. 2019;24:e240037. doi: https://doi.org/10.1590/S1413-24782019240037.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/S1413-24782019240037
  • 9 Dela Coleta JA, Godoy SA. Atribuição de causalidade ao sucesso e fracasso e reações emocionais: pesquisas brasileiras com os modelos de Bernard Weiner. Psicol Teor Pesq. 2012;28(2):145-56 [acesso em 27 fev 2024]. Disponível em: Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/16995
    » https://periodicos.unb.br/index.php/revistaptp/article/view/16995
  • 10 Minutti ALPS, Santos AAA, Ferraz AS. Atribuições de causalidade, estratégias autoprejudiciais e a autopercepção de desempenho de universitários. Av Psicol Latinoam. 2021;39(2):e202. doi: https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.8194.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.8194
  • 11 Pontes LMS, Freitas MR. Avaliação formativa no internato de Medicina. Rev Bras Educ Med. 2023;47(4):e137. doi: https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.4-2023-0013.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1590/1981-5271v47.4-2023-0013
  • 12 Cândido PTS, Batista NB. O internato médico após as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014: um estudo em escolas médicas do estado do Rio de Janeiro. Rev Bras Educ Med . Jul-Sep 2019;43(3):36-45.
  • 13 Cortez AR, Winer LK, Kassam AF, Kuethe JW, Athota KP, Quillin 3rd RC. The impact of medical student burnout on surgery clerkship performance. J Surg Educ . 2019;76(5):1241-7.
  • 14 Raupp FM, Beuren IM. Metodologia de pesquisa aplicável às ciências sociais. In: Beuren IM, organizador. Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade: teoria e prática. 3a ed. São Paulo: Atlas; 2006. p. 76-97.
  • 15 Johnson RB, Onwuegbuzie AJ, Turner LA. Toward a definition of mixed methods research. J Mixed Methods Res. 2007;1(2):112-33.
  • 16 Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6a ed. São Paulo: Atlas ; 2008.
  • 17 Pinheiro CE, Silva RM, Vasconcelos FP, Oliveira MC. Teste de progresso: ausência de alunos de Medicina é sugestiva de mau desempenho acadêmico. Rev Bras Educ Med . 2022;46(4):e142.
  • 18 Barbosa FCL, Silva JN, Castro MR, Souza RP. Atribuições de causalidade e reações emocionais: análise do desempenho acadêmico dos discentes de ciências contábeis. ConTexto. 2022;22(55):14-25.
  • 19 Kaulfuss MA, Boruchovitch E. Atribuições causais de professores para o sucesso e o fracasso em ensinar. Psicol Esc Educ. 2016;20(2):305-13.
  • 20 Ganda DR, Boruchovitch E. Atribuição de causalidade no ensino superior: análise da produção científica. Estud Interdisc Psicol. 2011;2(1):2-18.
  • 21 Santana CM. Teoria da atribuição: um estudo da atribuição da causalidade do desempenho acadêmico de alunos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade federal do Estado de Minas Gerais [trabalho de conclusão de curso]. Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia; 2017.
  • 22 Altman DG. Practical statistics for medical research. London: CRC Press; 1991.
  • 23 R Core Team. R: a language and environment for statistical computing. Vienna: R Foundation for Statistical Computing; 2024.
  • 24 IBM Corp. IBM SPSS Statistics for Windows, version 29.0. Armonk, NY: IBM Corp.; 2024.
  • 25 Braun V, Clarke V. Supporting best practice in reflexive thematic analysis reporting in palliative medicine: a review of published research and introduction to the Reflexive Thematic Analysis Reporting Guidelines (RTARG). Palliat Med. 2024;38(6):608-16. doi: https://doi.org/10.1177/02692163241234800.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1177/02692163241234800
  • 26 Kiger ME, Varpio L. (Thematic analysis of qualitative data: AMEE Guide No. 131. Med Teac. 2020;42(8):846-54. doi: https://doi.org/10.1080/0142159X.2020.1755030.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.1080/0142159X.2020.1755030
  • 27 Weinstein CE, Ridley DS, Dahl T, Weber ES. Helping students develop strategies for effective learning. Educ Leadersh. 1989;46:17-9.
  • 28 Zuidema PM, Hornstra L, Schuitema J, Poorthuis AMG. Attributional profiles: considering multiple causal attributions for success and failure at the beginning of secondary school. Contemp Educ Psychol. 2023;73:102164.
  • 29 Bzuneck JA. Como motivar os alunos: sugestões práticas. In: Boruchovitch E, Bzuneck JA, Guimarães SER. Motivação para aprender: aplicações no contexto educativo. Petrópolis: Vozes; 2010
  • 30 Malik LM, Khalid T, Ashar A. Causal attributions of failure among post graduate medical residents in exit fellowship examination in Pakistan: a qualitative study. Pakistan J Med Sci. 2023;39(4):1030-5 Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10364245/.
  • 31 Bober A, Gajewska E, Czaprowska A, Świątek AH, Szcześniak M. Impact of shyness on self-esteem: the mediating effect of self-presentation. Int J Environ Res Public Health. 2021;19(1):230.
  • 32 Aguiar CS, Formiga NS, Cantinilo A. Traços de personalidade e habilidades empáticas: um estudo preditivo em estudantes de medicina. Bol Acad Paul Psicol. 2017;37(92):129-38.
  • 33 Vibholm J. Exploring personal attribution styles and stress responses in medical students-an interpretative phenomenological analysis [doctoral thesis]. Manchester: Manchester Metropolitan University; 2015.
  • 34 Densen P. Challenges and opportunities facing medical education. Trans Am Clin Climatol Assoc. 2011;122:48-58.
  • 35 Schirichian, V S. Fatores de proteção relacionados ao desempenho e vivência acadêmica na graduação em Engenharia [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2020. doi: https://doi.org/10.11606/D.3.2020.tde-22012021-164337.
    » https://doi.org/https://doi.org/10.11606/D.3.2020.tde-22012021-164337
  • 36 Patel R. Medical students’ personal experience of high-stakes failure: case studies using interpretative phenomenological analysis. BMC Med Educ. 2015;15:86.

3

Avaliado pelo processo de double blind review.

FINANCIAMENTO

Declaramos não haver financiamento.

DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS

Os dados de pesquisa só estão disponíveis mediante solicitação.

Editora-chefe:

Rosiane Viana Zuza Diniz.

Editora associada:

Izabel Coelho.

CONFLITO DE INTERESSES

Declaramos não haver conflito de interesses.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    23 Out 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    29 Out 2025
  • Aceito
    10 Ago 2026
location_on
Associação Brasileira de Educação Médica SCN - QD 02 - BL D - Torre A - Salas 1021 e 1023 , Asa Norte | CEP: 70712-903, Brasília | DF | Brasil, Tel.: (55 61) 3024-9978 / 3024-8013 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: rbem.abem@gmail.com
rss_feed Stay informed of issues for this journal through your RSS reader
Go to top