A Vanguarda Conservadora

The Conservative Avant-Garde

L'Avant-garde Conservatrice

Richard Schechner Sobre o autor

RESUMO

Este artigo trata da suposta condição vanguardista das artes no século XXI, em especial no que concerne às artes cênicas e performativas; dito de outro modo, o texto pergunta pela situação atual dessas formas de expressão. Discute, assim, os conceitos de vanguarda, de nichoguarda e de conservadorismo, a fim de discorrer sobre o estatuto conservador das vanguardas no conjunto de expressões artísticas anteriormente mencionadas, as quais antes repetem feitos passados do que propriamente propõem novas formas de transgressão e interrupção da ordem vigente, incluindo-se aí aquela que rege o próprio sistema das artes. Parte-se do pressuposto que a vanguarda existe simultaneamente em três domínios - como tradição viva, como marca e como o eco ou fantasma da provocação que ela foi um dia.

Palavras-chave:
Arte; Vanguarda; Performance; Estudos da Performance; Produção Cultural

ABSTRACT

This article discusses the so-called artistic avant-garde in the twenty-first century, particularly in regard to theatre and performance art; in other words, this text brings into question the current state of those forms of expression. It discusses the concepts of avant-garde, nicheguard and conservatism in order to deal with the conservative status of the avant-garde in the group of artistic expressions mentioned above, that actually merely repeats previous achievements rather than proposing new forms of transgression and disruption of the established order, including the one that running the art system. The article is based on the idea that the avant-garde exists in three realms simultaneously - as a living tradition, as a brand, and as the echo or ghost of the provocation it once was.

Keywords:
Art; Avant-Garde; Performance; Performance Studies; Cultural Production

RÉSUMÉ

Cet article aborde la question de la supposée condition avant-gardiste des arts au XXIème siècle, notamment en ce qui concerne les arts du spectacle et les arts performatifs; autrement dit, il s'interroge sur la situation actuelle de ces formes d'expression. Le texte propose donc une réflexion autour des concepts d'avant-garde, de niche-garde et de conservatisme, afin de montrer le statut conservateur des avant-gardes dans l'ensemble des expressions artistiques mentionnées auparavant, lesquelles répètent davantage de faits passés qu'elles ne proposent effectivement des formes de transgression et d'interruption de l'ordre courant, y compris celui qui régit le système même des arts. Cette réflexion s'appuie sur le présupposé que l'avant-garde existe simultanément sous trois formes - en tant que tradition vive, comme une marque et, enfin, comme l'écho ou le fantasme de la provocation qu'elle a été un jour.

Mots-clés:
Art; Avant-garde; Performance; Etudes de la Performance; Production Culturelle

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  • WICKSTROM, Maurya. The Labor of Architecting TDR, Cambridge, MA, MIT Press , v. 54, n. 4, p. 118-135, inverno 2010.

  • 1
    Nome tirado do episódio final de Amerika, de Franz Kafka. Hoje em dia o Nature Theatre é muito Nova York e nada Oklahoma.
  • 2
    Ironicamente, um ponto de vista originado pela retórica de muitos grupos novos de hoje.
  • 3
    Para uma visão aprofundada desse novo trabalho, ver a edição especial de TDR 54, n. 4, 2010, editada por T. Nikki Cesare e Mariellen R. Sandford.
  • 4
    Ver meu texto "9-11 As Avant-garde Art?" PMLA 124, n. 5, p. 1820-1829, 2009. Publicado em lingua portuguesa com o título "11 de Setembro, arte de vanguarda?", Revista Brasileira de Estudos da Presença, Porto Alegre, v. 1, n. 2, p. 404-425, jul./dez. 2011. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br/presenca/article/view/20986/14326>.
  • 5
    Uma sigla em inglês para "science, technology, engineering, and mathematics". É claro que o "caule" (stem) é a continuação da raiz acima do solo: aquilo o que é essencial e formador. Significativamente, as artes não fazem parte do STEM.
  • 6
    Um grupo de hackers que, durante a retaliação contra o WikiLeaks (a publicação na internet de memorandos classificados do Departamento de Estado dos EUA), teve sucesso em um ataque que tirou do ar temporariamente as páginas de internet das companhias Mastercard, Visa e Paypal, pois estas se recusaram a processar doações ao WikiLeaks. Uma verdadeira guerra cibernética.
  • 7
    O comício de Beck, "Restoring Honor", foi parodiado por Colbert e Stewart no "Rally to Restore Sanity and/or Fear" [Comício para Restaurar a Sanidade e/ou o Medo]. O entretenimento está no coração de ambos - o banner com o título da página de Beck proclama "The Glenn Beck Program -the Fusion of Entertainment and Elightenment" [O Programa de Glenn Beck - a Fusão de Entretenimento e Iluminismo]. Disponível em: <http://www.glennbeck.com/content/articles/article/198/44980/>.
  • 8
    Há muitos relatos sobre a apresentação de Abramovic no MoMA. Eu recomendo o texto de Judith Thurman, "Walking Through Walls" The New Yorker, p. 24-30, March 8, 2010.
  • 9
    Disponível em: <http://www.elevator.org/shows/show.php?show=gatz>.
  • 10
    Disponível em: <http://www.livingtheatre.org/history.html>. As datas de fundação dos outros são: Wooster Group, 1967 (como o The Performance Group, o nome de Wooster Group apareceu pela primeira vez em 1980); Richard Foreman/Ontological-Hysteric Theatre, 1968; Robert Wilson/Byrd Hoffman School of Byrds, 1969; Lee Breuer/Mabou Mines, 1970.
  • 11
    O Poor Theatre do Wooster consiste de simulações de uma demonstração em uma palestra do coreógrafo William Forsythe e das seções finais de Akropolis, do The Polish Laboratory Theatre, dirigido por Grotowski, com algumas breves seções originais sobre Max Ernst. Hamlet do Wooster projeta em uma grande tela seções do Hamlet de Burton, enquanto Scott Shepherd refaz Burton o mais precisamente o possível. Para boas análises dessas produções, ver David Savran, "The Death of the Avantgarde" TDR 49, n. 3, p. 10-42, 2005, e Kermit Dunkelberg, "Confrontation Simulation, Admiration: The Wooster Group's Poor Theatre" TDR 29, n. 3, p. 43-57, 2005.
  • 12
    Esse trabalho começou quando o que seria o Wooster Group, em 1980, ainda fazia parte do The Performance Group, o qual eu fundei e do qual eu fui o diretor artístico até 1980.
  • 13
    Architecting (2008) do TEAM é relacionado, mas não idêntico em seu texto-como-texto em primeiro plano. Em Architecting, Margaret Mitchell - o seu Gone With the Wind à mão - é introduzida como consultora de uma versão filmada de seu romance, desta vez dirigida por um Afro-americano. Mitchell afirma que o novo filme - repleto de retórica politicamente correta sobre relações esclarecidas entre as raças - é tão falso em relação ao seu romance, e à história, quanto o filme de 1939 de David Selznick e Victor Fleming. Tudo isso no contexto de Nova Orleans pós-Katrina e à sombra de um homem silenciosamente construindo uma grande maquete da Catedral de Chartres: uma maquete de uma maquete da criatividade coletiva. Para discussões pormenorizadas do TEAM em geral e Architecting em particular, ver Carol Martin, "What Did They Do to my Country!: An Interview with Rachel Chavkin" TDR 54, n. 4, p. 108-117, 2010; Maurya Wickstrom, "The Labor of Architecting" TDR 54, n. 4, p. 118-135, 2010; Rachel Daniel, "Art in the Age of Political Correctness: Race in the TEAM's Architecting" TDR 54, n. 4, p. 136-154, 2010.
  • 14
    Ver Allan Kaprow 1983, "The Real Experiment" in Essays on the Blurring of Life and Art, organizado por Jeff Kelley (Berkeley e Los Angeles: Univ. of California Press, 1983), p. 201-218.
  • 15
    Em 2009, pelo Austin's Rude Mechanicals. Em sua produção, os Rudes tentaram duplicar o filme de 1969 de Brian DePalma sobre a produção do The Performance Group, em 1968. Ironicamente, uma performance que mudava a cada noite foi primeiro editada e congelada por DePalma e então recriada naquela forma pelos Rudes cuja produção ganhou o prêmio do Austin Critics Circle de teatro de 2009-2010.
  • 16
    Ver meu texto Between Theater and Anthropology (Philadephia: Univ. of Pennsylvania Press, 1985), Performance Theory (New York: Routledge, 2003), e Joseph Roach, Cities of the Dead (New York: Columbia Univ. Press, 1996).
  • 17
    Mencionando apenas alguns textos chave dos autores da época que eu estou discutindo: Sue-Ellen Case, Feminism and Theatre (New York: Routledge, 1988); Jill Dolan, The Feminist Spectator as Critic (Ann Arbor: Univ. of Michigan Press, 1991), Jill Dolan Presence and Desire (Ann Arbor: Univ. of Michigan Press, 1993); Judith Butler, Gender Trouble (New York: Routledge, 1990), Judith Butler, Bodies That Matter (New York: Routledge, 1993), Judith Butler, Excitable Speech (New York: Routledge, 1997); Peggy Phelan, Unmarked (New York: Routledge, 1993), Peggy Phelan, Mourning Sex (New York: Routledge, 1997).
  • 18
    Ver Shannon Rose Riley e Lynette Hunter (Org.), Mapping Landscapes for Performance As Research (New York: Palgrave Macmillan, 2009).
  • 19
    Conhecido por suas interpretações radicais, o diretor holandês van Hove montou A Streetcar Named Desire em 1999 e Little Foxes (2010) de Hellman no New York Theater Workshop de maneiras atípicas e geniais - colocando Blanche em uma banheira vaporosa no palco e retirando todos os móveis da casa dos Hubbard.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Dez 2012

Histórico

  • Recebido
    24 Jun 2011
  • Aceito
    31 Jan 2012
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