O Prazer Estético: um laboratório somaestético na sala de aula de dança

Aesthetic Pleasure: a somaesthetic laboratory in a dance classroom -

Le Plaisir Esthétique: un laboratoire somaesthétique dans la clase de danse

Mônica Medeiros Ribeiro Sobre o autor

RESUMO

Este texto apresenta uma reflexão sobre a possibilidade de incorporação de dispositivos com potencial de provocação de experiências sensoriais em práticas de dança-educação. Baseando-se nos estudos etnocenológicos, na revisão da literatura e observação atenta da obra Verdades Inventadas, de Thembi Rosa, pode-se considerar a somaestética e a propriocepção afetiva como noções importantes para se pensar a dança. A prática somaestética parece promover a construção da autoralidade na dança, devido à capacidade de gerar prazer no movimento, conectando sujeito e ação.

Palavras-chave:
Percepção; Somaestética; Dança; Prazer.

ABSRACT

This text presents a reflection on the possibility of incorporating devices potentially able to evoke sensory experiences in dance education. Based on ethnoscenological studies, on literature review and on a careful observation of Thembi Rosa's work, Verdades Inventadas, one could regard somaesthetics and affective proprioception as important notions to think about dance. Somaesthetics seem to promote the construction of identity in dance, due to its ability to evoke pleasure in movement, connecting the individual with action.

Keywords:
Perception; Somaesthetics; Dance; Pleasure.

RÉSUMÉ

Ce texte propose une réflexion sur la possibilité d'une incorporation de dispositifs capables de produire des expériences sensorielles dans les pratiques pédagogiques de la danse. En s'appuyant sur des études ethnoscénologiques, sur une révision de la littérature et sur l'observation attentive de l'œuvre Verdades Inventadas de Thembi Rosa, il est possible de considérer la somaesthétique et la proprioception affective comme des notions très importantes pour réfléchir sur la danse. La pratique somaesthétique semble promouvoir la notion d'auteur dans le travail du danseur, par sa capacité d'engendrer le plaisir du mouvement, connectant le sujet à l'action.

Mots-clés:
Perception; Somaesthétique; Danse; Plaisir.

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  • 1
    Agradeço ao apoio do CNPq no doutorado sanduíche realizado na PUC/SP e à profª Drª.Christine Greiner. Também agradeço a meus orientadores de doutorado profª. Drª. Lúcia Gouvea Pimentel e prof. Dr. Antônio Lúcio Teixeira.
  • 2
    A referida comunicação se deu em razão da leitura e comentários acerca do artigo Formação Superior em Dança: argumentos possíveis do curso de Graduação Licenciatura em Dança da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, de autoria de Arnaldo Alvarenga, 2012 (prelo).
  • 3
    Verdades Inventadas, estreado em 2008, foi apresentado no Galpão 3 da FUNARTE/MG nos dias 14 e 15 de outubro de 2011 como vencedora do Edital de ocupação do Galpão 3. Projeto e dançarina: Thembi Rosa. Instalação: Alarm Floor de Rivane Neuenschwander em colaboração com O Grivo. Sonorização e trilha sonora: O Grivo. Colaboração: Margô Assis. Figurino: Ronaldo Fraga. Vídeo: Roberto Bellini. Fotografia: Renato Paschoaleto. Este trabalho foi viabilizado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna/2007.
  • 4
    Thembi Rosa é dançarina, coreógrafa e pesquisadora. Mestre em dança pelo PPG - Dança da UFBA e graduada em Letras pela UFMG. Desde 2000, realiza projetos solos de dança em parceria com o duo musical O Grivo e com coreógrafos e criadores convidados. O Grivo é formado por Marcos Moreira Marcos e Nelson Soares, cujo trabalho abrange concertos, instalações e performances, utilizando equipamentos eletrônicos de áudio e vídeo, captação de sons e construção de máquinas sonoras. Rivane Neuenschwander é formada pela escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG e mestre pelo Royal College of Arts em Londres. Expõe em importantes museus e galerias nacionais e internacionais. Para ver-ouvir-sentir a dança de Rosa: <http://www.youtube.com/watch?v=cbK4dqBnSvI>.
  • 5
    Os neurônios espelho são uma classe de neurônios visuo-motores que são ativados tanto quando um indivíduo observa uma ação executada por outro indivíduo, sempre e quando for uma ação proposital, quanto ao fazer a ação. A multimodalidade desses neurônios permite que o indivíduo execute internamente a ação, no modo de uma simulação neural, sem que o movimento seja externamente executado. Esse fato aproxima o observador e observado, sem perder a distinção entre o eu e o outro. Diversos pesquisadores têm considerado essas células como a base neural da empatia (Gallese, 2001; Jeannerod, 2008, entre outros).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jun 2012

Histórico

  • Recebido
    Jan 2012
  • Aceito
    Maio 2012
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