Ter 20 Anos em 2015: uma experiência exemplar de mediação teatral

Chantale Lepage Sobre o autor

Résumé:

Cet article présente une première analyse des retombées éducatives issues d'une expérience de médiation théâtrale qui s'est échelonnée sur cinq ans au Québec. Les données recueillies auprès des dix jeunes montréalais qui participent au projet Avoir 20 Ans en 2015 font voir la richesse et la complexité du dispositif qui a été conçu et mis en œuvre pour leur donner un accès privilégié à l'art. Des entretiens, un questionnaire et l'analyse de diverses traces témoignent de ce parcours singulier alors qu'ils se préparent à entrer de plain-pied dans la vie adulte. Les premiers résultats, même s'ils sont préliminaires, soulignent l'importance de ce type d'expérience pour des jeunes en quête d'une identité et de son affirmation.

Mots-clés:
Art; Médiation Théâtrale; Culture; Adolescence; Construction Identitaire

Abstract:

This article presents an initial analysis of the educational impacts of a theatrical mediation experiment that was held during five years in the province of Quebec. The data collected from ten young Montrealers who participate in the project Being 20 years Old in 2015 reveals all the richness and complexity of the system that was put in place to offer them a privileged access to art. Interviews, a survey, and the analysis of different elements testify their unique journey while they are getting ready to step into adulthood. Even though the first results are only preliminary, they highlight the importance of that type of experiment for young adolescent in a quest of their identity and their affirmation.

Keywords:
Art; Theatrical Mediation; Culture; Adolescence; Identity Construction

Resumo:

Este artigo apresenta uma primeira análise dos impactos pedagógicos resultantes de uma experiência de mediação teatral realizada ao longo de cinco anos no Quebec. Os dados produzidos junto a dez jovens de Montreal, participantes do projeto Ter 20 Anos em 2015, dão uma visão da riqueza e da complexidade do dispositivo criado para permitir-lhes um acesso privilegiado à arte. Entrevistas, um questionário e a análise de diversos elementos formam um testemunho dessa trajetória única justamente no momento em que esses jovens se preparam para entrar na vida adulta. Os primeiros resultados, mesmo preliminares, apontam para a importância desse tipo de experiência para jovens em busca de identidade e afirmação.

Palavras-chave:
Arte; Mediação Teatral; Cultura; Adolescência; Construção Identitária

Certas experiências estéticas constituem marcos importantes no desenvolvimento de algumas pessoas. Essas experiências geram, às vezes, descobertas que facilitam a passagem pela adolescência, muitas vezes considerada como uma zona turbulenta. Ter contato com a experiência do sensível faz com que os jovens fiquem abertos a outras realidades, tomem consciência de sua herança cultural, apropriem-se dessa herança e insiram-se nela, podendo, por sua vez, deixar ali as marcas de sua própria geração. Esses percursos oferecem um espaço de liberdade essencial à contrução de uma identidade forte.

Em sua definição mais ampla, [a mediação cultural] designa as ações de acompanhamento desenvolvidas nos espaços de produção de bens culturais e de linguagem produtora de sentido e relações. Ela se manifesta na construção de dispositivos de interpretação das obras para um público, mesmo não iniciado, e na participação ativa da vida sociocultural para as comunidades, mesmo marginalizadas (Lafortune, 2012LAFORTUNE, Jean-Marie (Dir.). La Médiation Culturelle: le sens des mots et l'essence des pratiques. Préface: Jean Caune. Montréal: Presses de l'Université du Québec, 2012., p. 211).

Na origem do porjeto Ter 20 Anos em 2015, encontram-se um artista e um teatro que se associaram para propor encontros singulares para jovens sobre diferentes formas de arte. Eles são convidados a assistir certas práticas artísticas de forma privilegiada, realizando uma experiência que ultrapassa a formação e a ampliação de público. Além desse acesso à cultura, os jovens são inspirados pela aventura humana que se desenvolve e também pelas questões que ela gera.

Ter 20 Anos em 2015 é uma experiência de mediação cultural que, mesmo fora dos muros da escola, se situa no cruzamento entre teatro e educação. Nós encontramos os jovens participantes, questionamo-los sobre suas trajetórias, seus comprometimentos e suas motivações, para avaliar uma experiência que começa seu quinto e último ano.

Assumir seu Lugar no Mundo

Ter 20 Anos em 2015 ilustra, de forma clara, como alguns jovens podem ter acesso a experiências artísticas. Esse acesso passa pelo contato direto com as obras, já que os jovens que participam do projeto assistiram a vários espetáculos e eventos. Eles puderam aprofundar algumas questões através da discussão sobre essas obras, para construir coletivamente o seu sentido e, consequentemente, compreender melhor o papel e a função da arte. Eles também puderam observar a influência de certos artistas ou obras na evolução das sociedades nas quais eles surgiram. Esse acesso às obras é constituído também por encontros bastante significativos com os criadores ou os artesãos. No contexto do projeto, os criadores e artesãos tiveram um papel determinante na transmissão de suas práticas e processos artísticos.

Desde 2011, cinquenta jovens francófonos fazem parte do projeto Ter 20 Anos em 2015. Eles vêm de cinco cidades: Montreal (Canadá), Nantes (França), Mons e Namur (Bélgica) e Reunião (Departamento e Região Francesa Ultramar). Foram selecionados dez de Montreal, cinco garotas e cinco garotos, dentre cerca de cem jovens que se inscreveram após um convite feito aos alunos do ensino médio. Para candidatar-se, eles deveriam apresentar-se através de uma obra: um texto, uma canção, um vídeo ou uma colagem etc. Essa obra permitiu uma primeira seleção dos candidatos que foram, em seguida, entrevistados. Na entrevista, eles deveriam falar sobre suas preocupações, seus sonhos, suas motivações para participar do projeto durante cinco anos.

Ao criar o projeto, Wajdi Mouawad, autor e diretor, queria tanto "[...] recolocar Sófocles no centro do político11 1 Paralelamente ao projeto Ter 20 Anos em 2015, Wajdi Mouawad trabalha no projeto Sófocles, uma criação entre a França e o Quebec que é realizada em três tempos: a primeira obra, Mulheres [Des Femmes] (As Traquíneas, Antígona e Electra) foi apresentada em 2011 e será seguida de Heróis [Des Héros] (Ajax e Édipo Rei) e Moribundos [Des Mourants] (Édipo em Colono e Filoctetes). " quanto "[...] fazer com que esses jovens cidadãos sonhassem, para que eles pudéssem medir a imensidão do mundo e abrir o campo dos possíveis" (Bélair, 2011BÉLAIR, Michel. Côté Jardin puis Côté Cour (d'Honneur). Le Devoir, Québec, juin 2011. Culture, p. B7., p. B7). Inspirado pela perspectiva de transmitir o que ele havia recebido, ele imaginou um projeto tal qual ele desejaria que lhe tivesse sido proposto quando ele se sentia desorientado aos quinze anos. Ele queria dar a esses jovens a possibilidade de sonhar e viver uma grande aventura: "Viajar com os amigos por lugares extraordinários através do teatro, através da arte" (Bilodeau, 2013aBILODEAU, Claudia. Avoir 20 Ans en 2015: le projet en bref. Montréal: [s.n.], 2013a., 2013bBILODEAU, Claudia. Avoir 20 Ans en 2015: le projet - les détails. Montréal: [s.n.], 2013b., n.p.).

Atravessar a Adolescência

Estar aberto ao teatro, à cultura para atravessar a adolescência e começar a vida adulta é um rito de passagem no mínimo singular para os jovens de quinze anos que, por iniciativa própria, responderam à proposição. Suas motivações são diferentes, mas podem ser resumidas pelo desejo de libertar-se da adolescência ou, ao menos, de atenuar seus efeitos e ocupar seu lugar no mundo para facilitar a entrada na vida adulta.

Ter 20 Anos em 2015 favorece "[...] o questionamento cidadão" (Bilodeau, 2012BILODEAU, Claudia. Avoir 20 Ans en 2015: le bilan annuel des activités du projet, 2011-2012. Montréal: [s.n.], 2012. , p. 3), levando esses jovens a tomar uma posição, expressar suas opiniões, confrontar suas ideias, dar precisão a seus pensamentos, pensar de maneira aberta ao outro. Este artigo mostra a trajetória feita nos útimos quatro anos. Ele marca uma pausa antes da última etapa do projeto, na qual esses jovens atingem seus vinte anos.

Metodologia

No contexto de uma primeira análise dos impactos educacionais, tentaremos identificar alguns elementos dessa experiência que se realizou durante os útimos cinco anos. Esta análise preliminar se baseia em dados produzidos durante três entrevistas: duas coletivas com o grupo de jovens de Montreal e uma terceira, individual, com a coordenadora do projeto. Outros dados vêm de um questionário preenchido pelos jovens após uma das entrevistas coletivas. Também foram estudados e analisados diferentes elementos que compõem a experiência de mediação cultural e teatral. Dentre esses elementos, encontram-se: a gravação de uma conferência feita pelos jovens do grupo durante um fórum sobre criatividade; o dossiê de apresentação do projeto; os relatórios anuais das atividades realizadas; o conteúdo de um blog em que os jovens descrevem seus percursos; os artigos jornalísticos e algumas entrevistas individuais (vídeos) que haviam sido feitas pelo próprio projeto. A diversidade dessas fontes reflete não só a trajetória e os desejos desses jovens de Montreal, mas também a riqueza e a complexidade do dispositivo concebido e executado, visando dar aos jovens um acesso privilegiado à arte através da vivência de uma experiência marcante. Esses dados foram tratados globalmente a partir de categorias recorrentes que surgiram durante as conversas, a leitura e a análise dos elementos vindos de diferentes fontes. A pedido dos jovens, algumas respostas das entrevistas ou dos questionários não têm seus autores identificados. Essas declarações foram selecionadas porque seus conteúdos e seu sentido se repetiam frequentemente e tinham aprovação do grupo. Entretanto, a autoria das citações do blog é claramente identificada, já que esses textos estão publicados na internet. Esses primeiros resultados ressaltam a importância desse tipo de experiência para jovens em busca de identidade e de afirmação.

Sófocles

Sófocles serviu de trampolim para facilitar a discussão, a participação e o "[...] questionamento cidadão nos jovens", pois ele possibilita colocar-se a questão "[...] do mundo de hoje e a criação de um espaço [que os jovens] poderão utilizar para compartilhar suas reflexões e as criações inspiradas pelo contato com essas obras" (Vigneault, 2001VIGNEAULT, Alexandre. Avoir 20 Ans en 2015, Mouawad comme Guide. La Presse, Québec, juin 2011. Arts et Spectacles, p. 10., p. 10).

Sófocles esteve constantemente implícito; esteve presente desde os primeiros passos do projeto. "Com viagens, encontros e discussões filosóficas, o diretor tem a intenção de proporcionar um amadurecimento desses jovens até a idade adulta através do contato com o pensamento de Sófocles" (Beauregard, 2011BEAUREGARD, Martin. La Chance de Grandir avec l'Œuvre de Sophocle. Journal de Montréal, Montréal, p. 53, juin 2011., p. 53). A criação da primeira obra foi durante a primeira viagem. Vale lembrar que Wajdi Mouawad trabalha, durante todo o projeto, com encenações das tragédias de Sófocles. A experiência terminará em 2015 com a apresentação na íntegra dos trabalhos em Mons (Bélgica). Nessa ocasião, será feita também uma exposição retrospectiva do projeto Ter 20 Anos em 2015.

O Contexto de um Dispositivo Complexo de Mediação Teatral e Cultural

Nos meios institucionais da arte em que ela surgiu, a mediação cultural engloba os dispositivos de criação das obras, da sua divulgação e da sua recepção pelo público por meio da educação ou da animação cultural. [...] Baseadas em discursos oficiais, suas intervenções se concentram na explicitação das condições materiais e técnicas de produção, no sentido do processo e da intenção dos artistas (Lafortune, 2012LAFORTUNE, Jean-Marie (Dir.). La Médiation Culturelle: le sens des mots et l'essence des pratiques. Préface: Jean Caune. Montréal: Presses de l'Université du Québec, 2012., p. 10).

Ter 20 Anos en 2015 necessita do comprometimento dos jovens não só na criação e recepção das obras, mas também no âmbito do comprometimento cidadão. O projeto se compõe de quatro grandes blocos de atividades: o percurso cultural; as questões colocadas à comunidade; os encontros com Wajdi Mouawad; e as viagens. Abaixo, seguem apresentações breves de cada uma dessas grandes atividades antes de passar-se à análise e aos impactos do projeto, ligados à experiência e ao ato de aprender, bem como à frequentação das obras.

Um Percurso Cultural

Esse percurso se compõe de diferentes saídas (teatro, dança, música, artes visuais ou eventos12 2 Entre esses eventos, eles trabalharam em uma atividade de mediação cultural com uma artista e pessoas sem-teto, a qual executava uma obra coletiva para o evento Fin Novembre, Dormir Dehors [Final do Mês de Novembro, Dormir na Rua], organizado pela Association Terroriste Socialement Acceptable [Associação Terrorista Socialmente Aceitável - ATSA]. ), das quais algumas são obrigatórias e outras apenas sugeridas, sendo os jovens livres para participar ou não. Além de possibilitar o conhecimento da oferta cultural de Montreal, essas saídas favorecem encontros com os artistas locais ou estrangeiros. A programação pode ser influenciada pelos temas das viagens13 3 Esses temas são apresentados mais tarde no texto. . Dentre as atividades do percurso, encontra-se também o Encontro das Famílias, em que os jovens e suas famílias são convidados aos ensaios gerais do Théâtre du Nouveau Monde (TNM).

Se a arte é um meio de constituir um diálogo entre as artes, o público, a comunidade [...]. A estratégia da mediação cultural deve ser buscada na criação de um percurso, em uma trajetória da pessoa que está aberta ao encontro [...], nos estágios pelos quais passa o indivíduo para ganhar este valor específico que é a sua cultura. Trata-se, assim, de pontes e portas que possibilitam colocar uma pessoa em relação com a outra, com os outros e com as suas culturas (Caune apud Lafortune, 2012LAFORTUNE, Jean-Marie (Dir.). La Médiation Culturelle: le sens des mots et l'essence des pratiques. Préface: Jean Caune. Montréal: Presses de l'Université du Québec, 2012., p. XIII).

O percurso tem uma preparação informal na qual a responsável das atividades e coordenadora do projeto, Claudia Bilodeau14 4 Além de coordenar as atividades do grupo e de acompanhá-los durante as viagens, Claudia Bilodeau faz, atualmente, um mestrado sobre o acompanhamento do processo de criação de não atores. , coloca-se como mediadora cultural. Sem dar chaves de leitura explícitas ou indicações que poderiam dirigir o olhar dos jovens espectadores, ela transmite algumas informações que facilitam a compreensão e a recepção da obra e, às vezes, informa seu contexto social, cultural e histórico.

Após um espetáculo, os jovens fazem um rápido relatório, mas a discussão aprofundada se dá no próximo encontro, durante o qual eles poderão relembrar essa primeira análise, expressar o que sentiram e construir, juntos, o sentido da obra etc. Entre esses dois momentos, os jovens também podem dar suas impressões da obra no blog15 5 O blog pode ser consultado no site: <http://www.tnm.qc.ca/tout-sur-le-tnm/avoir_20ans.html>. do projeto.

Desde o início dessa aventura, os adultos acompanhadores notaram que os jovens se abriram a diferentes propostas, aprimoraram seu olhar de espectadores e que seus discursos se enriqueceram com os espetáculos assistidos16 6 Eles assistem a uma dezena de espetáculos obrigatórios por ano. . Eles se tornaram espectadores experientes e desenvolveram seu julgamento estético e crítico. Eles desenvolveram sua capacidade de apreciação de uma obra, sendo capazes de discutir sobre ela com outras pessoas, de confrontar sua visão com a visão dos outros e de fundamentar suas opiniões com um vocabulário específico.

Ir ao Encontro do Outro

Essa atividade foi a mais difícil de realizar: algumas das cidades que participam do projeto pararam de fazê-la. Mesmo os jovens de Montreal, que se esforçam em continuar, pois acreditam na importância desse exercício, têm dificuldades. Inicialmente, eles deveriam fazer uma pergunta a um desconhecido. Em um ano, eles deveriam ter feito sete questões diferentes a pessoas de sua comunidade e repetir a sequência de questões nos anos seguintes. Essas questões dizem respeito à capacidade de deixar-se surpreender pelo sentido da vida, pelo que nos dá medo, pela herança transmitida pelos pais, pelo significado de ter sucesso na sua vida etc.

É verdade que essas questões não são fáceis de abordar com desconhecidos. A dificuldade seria menor se eles pudessem fazer as perguntas a pessoas do seu convívio, ou a outros jovens, ou se eles houvessem colaborado na formulação das questões. O que eles fizeram de forma bastante natural quando tinham quinze anos tornou-se cada vez mais difícil de fazer com o passar dos anos. Vários jovens manifestaram seu desconforto pelo fato de questionar um adulto sobre o sentido de sua vida, mesmo que as questões fossem formuladas de maneira indireta.

Encontro Individual com um Criador

Além de estar presente e de acompanhar os jovens durante as viagens ao exterior, Wajdi Mouawad encontra-os individualmente uma vez por ano. Durante esses encontros, eles falam de seus desejos e seus sonhos, da criação teatral, do que eles aprendem através do projeto. No início, muitos deles se diziam intimidados com essas conversas com um artista do porte de Mouawad, mas o desconforto rapidamente deu lugar ao prazer de discutir com o homem e o artista.

Em uma perspectiva de mediação cultural, de acesso à arte e à cultura, esse tipo de relação ilustra bem a responsabilidade e o papel que o artista pode ter na valorização e na transmissão de práticas artísticas e culturais. Para esses jovens, ele representa um interlocutor com credibilidade.

As Viagens

Uma vez por ano, os cinquenta jovens se reúnem para uma viagem de uma semana em outro país. Cada viagem é organizada a partir de um tema que serve de guia para a escolha das atividades programadas, dos acompanhadores e das pessoas visitadas. Essas temáticas são inspiradas por uma fala de uma peça de Mouawad na qual uma avó diz à sua neta que, para sobreviver e ter êxito na vida, ela deve aprender a ler, escrever, contar, falar e pensar.

As viagens estão entre os momentos memoráveis do projeto. Elas funcionam como um revelador que faz com que os jovens apreciem e considerem sua cultura de outra forma ao confrontarem-se com a cultura dos outros: tanto a do país visitado quanto a dos outros participantes, originários de países diferentes. A primeira viagem foi especialmente desestabilizadora, pois foi a que lançou essa grande aventura na qual eles deveriam, com quinze anos de idade, administrar uma liberdade nova. Para a maioria, essa foi a primeira viagem feita com pessoas que não faziam parte das suas famílias.

Aprender a Ler em Atenas (Grécia, 2011)

Durante a primeira viagem, os jovens assistiram à apresentação de Des Femmes [Mulheres], a primeira obra do Projeto Sófocles, no teatro Hérode Atticus. Eles guardam uma lembrança duradoura dessa trilogia, do debate com a equipe de produção após a apresentação, dos gritos dos cães de rua, da crise econômica, das manifestações, dos momentos de convívio com os outros jovens do projeto que eles encontravam pela primeira vez. Eles foram acompanhados por Constantin Bobas, helenista; por Robert Davreu, o tradutor da Trilogia das Mulheres; por François Ismert, o dramaturgo; e por Wajdi Mouawad, o diretor. Eles visitaram o bairro da Acrópole, o porto de Pireu, Maratona, o templo de Apolo e o teatro de Epidauro.

Aprender a Escrever em Lyon (França, 2012)

Dedicada à escrita, essa segunda viagem convida à "[...] descoberta da história da imprensa de Lyon e das profissões relacionadas aos livros" (Bilodeau, 2013bBILODEAU, Claudia. Avoir 20 Ans en 2015: le projet - les détails. Montréal: [s.n.], 2013b., p. 4). As manhãs foram ocupadas com oficinas de escrita com Mouawad no espaço Subsistances17 7 Trata-se de um laboratório internacional de criação artística. , seguidas de conferências, visitas e encontros.

Wajdi abriu um caminho que nos faz compreender um percurso pessoal de escrita, o dele, e que, ao mesmo tempo, é um convite à descoberta de nosso próprio caminho. Assim, as diferentes narrativas eram entrecortadas por exercícios concretos [...] (Théâtre de Nouveau Monde, 2014THÉÂTRE DE NOUVEAU MONDE. Le Blogue d'Avoir 20 Ans en 2015. Québec, 2014. Disponible sur: <Disponible sur: http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blogue-Avoir-20-ans-en-2015/ >. Consulté le: 05 juil. 2014.
http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blo...
, n.p.).

Para os jovens, essa viagem foi a mais exigente em nível cognitivo, mas eles afirmam que foi nesse momento que eles se tornaram realmente amigos.

Acompanhadas por Nathalie Zémon-Davis, historiadora e especialista da história cultural e social da França, as atividades foram escolhidas em função da importância da imprensa e do papel da escrita para os movimentos de resistência. Durante a viagem, os jovens também visitaram "[...] diferentes lugares de culto e questionaram-se sobre as bases de grandes religiões monoteístas" (Bilodeau, 2013bBILODEAU, Claudia. Avoir 20 Ans en 2015: le projet - les détails. Montréal: [s.n.], 2013b., p. 4). Os lugares visitados foram o Velho Lyon, o Museu da Imprensa, o Grande Templo, a sinagoga do cais Tilsitt e a Biblioteca Municipal da Part-Dieu.

Aprender a Contar em Auschwitz (Polônia, 2013)

Essa terceira viagem se insere em um dever de memória: "[a]través da história da Shoah, na qual os números se desdobram em proporções bem particulares, é possível compreender que, por trás dos números, encontram-se pessoas" (Théâtre de Nouveau Monde, 2014THÉÂTRE DE NOUVEAU MONDE. Le Blogue d'Avoir 20 Ans en 2015. Québec, 2014. Disponible sur: <Disponible sur: http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blogue-Avoir-20-ans-en-2015/ >. Consulté le: 05 juil. 2014.
http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blo...
, n.p.). Essa viagem se caracteriza pela sua intensidade: uma preparação intensa da visita ao campo e a impressão de encontrar-se em um cenário de uma outra época, em uma realidade distante da dos estudantes. Eles ficaram surpresos ao ver que tudo havia sido reconstruído e limpo. Eles não esperavam por isso. A visita teria sido incompleta sem que eles encontrassem alguns dos sobreviventes que deram seus testemunhos sobre o que acontecia lá. Os jovens foram invadidos por um turbilhão de emoções frente a esse dever de memória com o qual tinham dificuldade de identificar-se. Frende ao inexplicável, eles manifestaram sua dificuldade de aproveitar a viagem, de autorizar-se a viver. Eles foram acompanhados por Arthur Nauzyciel, diretor de teatro e neto de um deportado; por Sophie Ernst, professora de filosofia e especialista no ensinamento da Shoah; e por Éric Ghozan, psicólogo-psicanalista. Os lugares visitados foram o Museu da História do Judaísmo, o Memorial da Shoah, o gueto de Varsóvia e Auschwitz.

Aprender a Falar em Toubab Dialaw (Senegal, 2014)

Com uma rica tradição oral de transmissão de valores e da cultura, o Senegal foi o lugar ideal para essa quarta viagem. Os jovens foram acompanhados por Lilian Thuram, ex-jogador de futebol internacional. Eles se hospedaram em um centro de artistas à beira-mar. O programa é composto de oficinas de escrita e interpretação com Wajdi Mouawad, de partidas de futebol, de trocas com artistas senegaleses e de um debate sobre a África contemporânea. Eles visitaram Dakar, o Instituto de Gorée, a Casa dos Escravos da Ilha de Gorée.

Aprender a Pensar (2015)

O itinerário da quinta viagem ainda não foi definido, mas, como ela marca o final do projeto, os jovens serão estimulados a viver uma experiência que valorizará a responsabilidade e a autonomia dos participantes, de forma que cada um tenha as bases necessárias para continuar sua vida com uma conchinha no fundo do seu bolso18 8 Frente ao aborrecimento, aos momentos de vazio ou à dificuldade de retomar as atividades cotidianas após uma viagem, Wajdi Mouawad disse aos jovens que ele colocava sua mão no fundo do seu bolso e dizia essa frase para manter intacta a lembrança da experiência vivida e enfrentar as adversidades. .

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Os dez jovens de Montreal que participam do projeto Ter 20 Anos em 2015, fotografados em Montreal. Da esquerda para a direita, de baixo ao alto: Nadjib Bouazouni, Anne-Marie Saint-Louis, Vladimir Belova, Natasha Beaudin-Pearson, Benjamin Charette, Juliane Choquette Lelarge, Quentin Gagnon, Justine Le Minh Hien, Éléonore Brieuc, Alexis Curodeau-Codere

Impactos da Experiência de Mediação Teatral e Cultural

Esse projeto é uma oportunidade de abrir-se a si mesmo, de ir ao encontro do outro, de compreender diferentes realidades, de respeitar a diversidade, de estar aberto a valores diferentes dos seus e de desenvolver um sentimento de pertença a uma comunidade. A escolha das atividades e a composição do grupo confrontam e preparam os jovens para as exigências do viver junto e para o exercício da cidadania.

O debate que é gerado sobre a diversidade situa a cultura, como meio de comunicação entre os membros de grupos socioeconômicos e de comunidades etnoculturais, no centro das estratégias para reforçar o sentimento de pertença e para incentivar a adesão a uma identidade comum (Lafortune, 2012LAFORTUNE, Jean-Marie (Dir.). La Médiation Culturelle: le sens des mots et l'essence des pratiques. Préface: Jean Caune. Montréal: Presses de l'Université du Québec, 2012., p. 11).

Mesmo que tivessem muita motivação para participar, a partir do momento em que se comprometeram, os jovens compreenderam o impacto que tem esse projeto. Eles ainda não sabem o que resultará em cinco ou dez anos, mas afirmam que essa empreitada contribuiu muito para o desenvolvimento de suas personalidades. Já identificam algumas mudanças nas suas formas de ser, pensar, questionar-se etc. Eles constatam uma melhor compreensão de si mesmos, do que são e do que querem tornar-se.

Para alguns deles, a perspectiva de participar do projeto permite evitar o cinismo, cultivar a esperança. O projeto também mudou suas percepções. Eles desenvolveram um sentimento de poder fazer a diferença na vida dos outros, de ter mais domínio sobre os acontecimentos. Os jovens vivenciaram a solidariedade humana e tranquilizaram-se por saber que jamais estarão sozinhos para enfrentar as adversidades.

Essa aventura os estimula a pensar sobre o sentido e a capacidade de dar e receber. O projeto faz com que eles relativizem seus valores, ou seja, que o altruísmo pode ser um gesto gratuito. Hoje em dia, eles se mostram menos desconfiados frente à generosidade e aprenderam a não considerá-la como algo suspeito ou com segundas intenções.

Quando são questionados sobre o futuro próximo, os jovens mostram bastante confiança. Da adolescência eles querem guardar certas atitudes como a abertura, a autenticidade, a criatividade, a paixão, a independência, a capacidade de maravilhar-se, mas também o poder de indignar-se com algumas situações. Para Claudia, coordenadora do projeto, essa experiência permitiu que os jovens se revelem e confirmem o que eles já eram como indivíduos.

Sobre a Aprendizagem, a Educação

Durante as conversas, os jovens falam com frequência da ideia de aprender de outras formas ou de aprender sozinho pela experiência: "Podemos tentar explicar, tentar fazer entender, dividir uma parte de nossos conhecimentos e experiências, mas há certas coisas que devem ser vividas". O projeto e, sobretudo, as viagens, colocam os jovens em uma situação de vivência de experiências concretas; eles se confrontam com situações reais em que devem mostrar-se cada vez mais autônomos.

Sobre aprender de outras formas, Lorraine Pintal, diretora artística do Théâtre du Nouveau Monde, um dos parceiros do projeto, prefere falar de aprendizagem ao invés de pedagogia:

[...] aprendizagem que me parece englobar mais o lúdico, a liberdade e o prazer. Não se trata da hierarquia do saber. Para nós, é uma forma de atingir os jovens, de mostrar que a arte não é inacessível. A escola nem sempre faz o seu papel nesse sentido (Lalonde, 2011LALONDE, Catherine. Avoir 20 Ans en 2015: l'apprentissage. Le Devoir, Montréal, juin 2011. Culture, p. B7. Disponible sur: <Disponible sur: http://www.ledevoir.com/culture/theatre/326501/avoir-20-ans-en-2015-l-apprentissage >. Consulté le: 24 mai 2014.
http://www.ledevoir.com/culture/theatre/...
, p. B7).

Para alguns jovens, a escola é um lugar que eles atravessam como um deserto sem fim. Um lugar de transmissão no qual se acumulam conhecimentos de forma passiva. Eles reclamam que o currículo escolar valoriza demasiadamente a acumulação de conhecimentos e de saber-fazer, sem investir muito na construção do saber-ser. A exemplo de Montaigne, eles prefeririam ter uma cabeça bem feita a uma cabeça bem cheia. Eles se perguntan: a arte e a cultura podem ensinar algo que a escola não pode oferecer? A escola não deveria ser o melhor lugar para a integração dos valores culturais de uma sociedade?

Dizem, ainda, que a escola não os prepara à resistência; ela não valoriza os que vão na contramão. Eles reivindicam o direito à diferença e desejam que suas vozes sejam ouvidas, mesmo quando se afastam do caminho ordinário. Eles lamentam que a arte seja considerada como algo subversivo pela escola, que é frequentemente um espaço de conformidade social onde se aprende a entrar nos trilhos.

Ao abrirem-se às experiências dos outros, eles aprendem a confiar em si mesmos, a confiar uns nos outros, a desenvolver a escuta; eles se tornam mais acolhedores, mais tolerantes, mais conscientes dos outros e do seu meio. Esse projeto "[...] me ensinou a estar aberto a opiniões contrárias à minha e a aceitar essas opiniões; ele me faz entender melhor pessoas que eu nunca teria encontrado de outra forma".

Em alguns dias, o projeto criou um 'nós' com indivíduos que nunca se teriam encontrado, nunca se teriam explorado de outra forma e que, de repente, formam uma unidade muito forte. De fato, creio que o que vivemos é tão forte porque, além de aprender a ler, escrever, contar, falar e pensar, nós aprendemos a estar juntos, a encontrar o outro. E não há nada mais bonito do que se dizer que, apesar de tudo, dos quilômetros, dos meses, das obrigações, nós seremos sempre 'nós'. Em uma praia de Atenas, ou em uma cozinha de Lyon, ou em um campo de concentração [...]. Três anos mais tarde [...] eu me dou conta de que vocês não são apenas uma experiência da juventude ou um rito de passagem. Vocês não são meus 15-20 anos. Vocês não são a palavra 'projeto'. Vocês são uma promessa que se faz para uma vida inteira e que não será quebrada em 2015 (Théâtre de Nouveau Monde, 2014THÉÂTRE DE NOUVEAU MONDE. Le Blogue d'Avoir 20 Ans en 2015. Québec, 2014. Disponible sur: <Disponible sur: http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blogue-Avoir-20-ans-en-2015/ >. Consulté le: 05 juil. 2014.
http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blo...
, n.p.).

Impactos Relacionados à Frequentação das Obras

Para a maioria desses jovens, a arte e a cultura são indissociáveis e interdependentes: elas se enriquecem mutalmente. Para um dos jovens, a "[...] cultura define a sociedade e a arte é a sua expressão mais direta [...] conhecer arte é conhecer a sociedade".

As obras teatrais nunca são banais ou gratuitas; todas elas falam do enigma da vida, da busca pela verdade, do nosso trabalho impossível de humanidade. Elas falam a língua deste 'saber sem conhecimento' que nós carregamos todos: às vezes, elas nos ajudam a carregá-lo (Soussan apud Planson, 2008PLANSON, Cyrille, Accompagner l'Enfant dans sa Découverte du Spectacle. Condé-sur-Noireau: La Scène, 2008., p. 16).

Eles se dão conta de que a arte não é apenas um produto de consumo ou um passatempo, mas que ela também pode ser necessária à realização das pessoas que a frequentam.

Sobre um espetáculo de Fred Pellerin19 9 Fred Pellerin, contador de histórias do Quebec, apresentou seu espetáculo De Peigne et de Misère no Théâtre Maisonneuve no dia 11 de abril de 2014. , Éléonore diz: "[...] eu me surpreendo ao adorar a ideia de que as pessoas amam ouvir histórias. A gente esquece facilmente a necessidade da poesia, o bem que ela nos traz" (Théâtre de Nouveau Monde, 2014THÉÂTRE DE NOUVEAU MONDE. Le Blogue d'Avoir 20 Ans en 2015. Québec, 2014. Disponible sur: <Disponible sur: http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blogue-Avoir-20-ans-en-2015/ >. Consulté le: 05 juil. 2014.
http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blo...
, n.p.).

Os jovens ressaltam a importância de promover a arte, de torná-la acessível. Para eles, a arte não deveria ser reservada a uma elite. Eles consideram que é possível aprender com a arte, pois ela mostra "[...] um espelho do mundo, ela reforça ou deforma sua imagem. A arte joga na cara da sociedade tudo o que não funciona, mascara, decora e estetiza a realidade para que ela apareça com mais precisão". A arte pode ser irreverente, ela nos mostra nossos problemas, nos ajuda a viver com nossos paradoxos. Ela fala do que nós somos, do que nos inspira, nos ajuda a evoluir. Ao comentar uma peça de Dennis Kelly20 10 O espetáculo Comment s'Occuper de Bébé foi apresentado no Théâtre La Licorne no dia 21 de março de 2014. , Juliane fala da força que algumas peças podem ter sobre os espectadores:

Um tapa na cara. Surpresa, sem fôlego, dificuldade de respirar, ansiedade, identificação dolorosa, vertigem do sem-volta, cartarse, ficção-próxima-demais, ficção-que-grita-a-verdade, explosão, direto no estômago. Primeira vez que eu saio de um espetáculo com o peito despedaçado (Théâtre de Nouveau Monde, 2014THÉÂTRE DE NOUVEAU MONDE. Le Blogue d'Avoir 20 Ans en 2015. Québec, 2014. Disponible sur: <Disponible sur: http://www.tnm.qc.ca/a-surveiller/Le-blogue-Avoir-20-ans-en-2015/ >. Consulté le: 05 juil. 2014.
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, n.p.).

A arte é não só necessária para expressão dos indivíduos, de uma cultura, mas ela também um patrimônio que precisa ser protegido. Frente às produções de qualidade a que eles assistiram, um dos jovens lamenta a pouca importância dada às manifestações artísticas na nossa sociedade. Os outros acrescentam que raramente eles são estimulados a seguir uma carreira artística.

Eles também enfatizam a importância de estar aberto a outras culturas, a outras visões do mundo. Se a arte e a cultura são o reflexo de uma sociedade, é essencial estar aberto à experiência dos outros para melhorar a vida em comunidade. A composição do grupo também representa uma forma de integração, já que vários jovens do projeto de Montreal vêm de grupos culturais diferentes. Esse efeito de abertura aumenta, por exemplo, quando eles encontram culturas diferentes durante as viagens ao exterior.

Se ainda não é o momento de fazer um balanço de toda a experiência, os jovens já se dão conta do valor do tesouro que lhes foi transmitido através desse projeto. Eles se sentem gratos e avaliam o caminho percorrido durante os últimos anos. Surpreenderam-se de não ter que pagar nada, e isso fez com que se questionassem sobre a capacidade de receber. Desejam poder transmitir a outras pessoas uma parte do que receberam com essa experiência.

Ter 20 Anos em 2015 é um projeto exemplar pela complexidade do dispositivo realizado, visando permitir a esses jovens a vivência de experiências relacionadas à frequentação de obras de arte de forma contínua durante vários anos. Além de sua longa duração, o projeto se diferencia não só pela sua diversidade, pela riqueza das atividades propostas aos jovens, mas também pela escolha das pessoas que acompanharam os jovens durante essa aventura. Durante cinco anos, dez jovens foram convidados a assistir a obras em um período das suas vidas no qual eles se vêem frente a muitas mudanças. "Baseada em um processo de transmissão e de apropriação da cultura [...]" (Lafortune, 2012LAFORTUNE, Jean-Marie (Dir.). La Médiation Culturelle: le sens des mots et l'essence des pratiques. Préface: Jean Caune. Montréal: Presses de l'Université du Québec, 2012., p. 211), essa experiência reuniu jovens de meios sociais muito diferentes.

No início, os jovens não se conheciam. Como foi descrito anteriormente, eles foram selecionados dentre cerca de cem candidatos, a partir de uma obra e de uma entrevista, mas o que fica do grupo, mesmo se os indivíduos são muito diferentes entre si, é a coesão, a solidariedade e o sentimento de pertença que desenvolveram durante todo o caminho. Trata-se de pessoas que têm curiosidade, abertura aos outros e às experiências que são propostas. No começo do projeto, estavam no segundo ano do ensino médio; agora fazem seus estudos superiores (diploma de estudos universitários). Atualmente, mais da metade dos dez jovens está inscrita em formações relacionadas a uma disciplina artística - criação literária, teatro, música - ou faz uma dupla formação em artes e ciências. O projeto teve influência nessa escolha ou eles já tinham interesse pela arte e pela cultura? Não se pode saber o que teria acontecido sem o projeto, mas se pode supor que eles tenham sido selecionados pela sua sensibilidade artística. Essa experiência agiu certamente como um revelador, permitindo que esses jovens entrassem em contato com modelos poderosos, um pretexto maravilhoso para estimular os sonhos de cidadãos jovens.

Referências bibliográficas

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  • Este texto inédito, traduzido por André Mubarack e revisado por Gilberto Icle, também se encontra publicado em francês neste número do periódico.
  • 1
    Paralelamente ao projeto Ter 20 Anos em 2015, Wajdi Mouawad trabalha no projeto Sófocles, uma criação entre a França e o Quebec que é realizada em três tempos: a primeira obra, Mulheres [Des Femmes] (As Traquíneas, Antígona e Electra) foi apresentada em 2011 e será seguida de Heróis [Des Héros] (Ajax e Édipo Rei) e Moribundos [Des Mourants] (Édipo em Colono e Filoctetes).
  • 2
    Entre esses eventos, eles trabalharam em uma atividade de mediação cultural com uma artista e pessoas sem-teto, a qual executava uma obra coletiva para o evento Fin Novembre, Dormir Dehors [Final do Mês de Novembro, Dormir na Rua], organizado pela Association Terroriste Socialement Acceptable [Associação Terrorista Socialmente Aceitável - ATSA].
  • 3
    Esses temas são apresentados mais tarde no texto.
  • 4
    Além de coordenar as atividades do grupo e de acompanhá-los durante as viagens, Claudia Bilodeau faz, atualmente, um mestrado sobre o acompanhamento do processo de criação de não atores.
  • 5
    O blog pode ser consultado no site: <http://www.tnm.qc.ca/tout-sur-le-tnm/avoir_20ans.html>.
  • 6
    Eles assistem a uma dezena de espetáculos obrigatórios por ano.
  • 7
    Trata-se de um laboratório internacional de criação artística.
  • 8
    Frente ao aborrecimento, aos momentos de vazio ou à dificuldade de retomar as atividades cotidianas após uma viagem, Wajdi Mouawad disse aos jovens que ele colocava sua mão no fundo do seu bolso e dizia essa frase para manter intacta a lembrança da experiência vivida e enfrentar as adversidades.
  • 9
    Fred Pellerin, contador de histórias do Quebec, apresentou seu espetáculo De Peigne et de Misère no Théâtre Maisonneuve no dia 11 de abril de 2014.
  • 10
    O espetáculo Comment s'Occuper de Bébé foi apresentado no Théâtre La Licorne no dia 21 de março de 2014.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Ago 2015

Histórico

  • Recebido
    04 Set 2014
  • Aceito
    08 Dez 2014
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