O Ator Estrangeiro ou o Outro no Teatro

The Foreign Actor or the Other in Theatre

L'Acteur Étranger ou l'Ailleurs au Théâtre

Georges Banu Sobre o autor

RESUMO

Este artigo propõe uma reflexão sobre um fenômeno que, depois dos anos 1968, contamina progressivamente a cena europeia: o ator estrangeiro. Sintoma das mutações sociais - permeabilidade das fronteiras, maior liberdade linguística -, o ator vindo de longe acaba rompendo com o etnocentrismo que até então caracterizava o teatro. A partir dessa constatação, examina-se notadamente a formação dos grupos pluriétnicos, o plurilinguismo em cena e o uso que os encenadores fazem dele. Trata-se em seguida da questão do sotaque estrangeiro, dos efeitos produzidos na língua de acolhimento e da maneira como o público o percebe. Analisa-se isso levando em conta também a relação com o corpo estrangeiro, frequentemente utilizado como um elemento perturbador, ao trazer à cena uma nova corporeidade, uma presença e um engajamento diferentes. Por fim, aborda-se particularmente o percurso de dois atores vindos de longe: Sotigui Kouyate e Yoshi Oida.

Palavras-chave:
Ator Estrangeiro; Língua; Sotaque; Dicção; Atuação

ABSTRACT

This article proposes a reflection on a phenomenon that, after 1968,has gradually contaminatedtheEuropean scene: the foreign actor. A symptom of social mutations - porosity of borders, greater linguistic freedom -, the actor comingfrom far away disrupted the ethnocentrism which until thencharacterized the theatre. From thisobservation, we examine the formation of multi-ethnic groups,multilinguism on stage and how directors make use of it. Then we dealwith the issue of foreign accents, their effects on the host languageand how thepublic sees it. This is analysed also taking into considerationthe relation with the foreign body,frequently used as a disturbing element, by bringing to the scene anew corporality, a different presence and engagement. Finally, wediscuss the paths of two actors from afar: Sotigui Kouyate and Yoshi Oida.

Keywords:
Foreign Actor; Language; Accent; Diction; Acting

RÉSUMÉ

Cet article propose une réflexion sur un phénomène qui, depuis les années 1968, " contamine " progressivement la scène européenne: celui de l'acteur étranger. Symptôme des mutations sociales - perméabilité des frontières, plus grande liberté linguistique - l'acteur venu d'ailleurs finit par briser l'ethnocentrisme qui caractérisait jusqu'alors le théâtre. Partant de ce constat, l'auteur s'interroge notamment sur la formation des troupes pluriethniques, sur le plurilinguisme au théâtre et les usages qu'en font les metteurs en scène. Il se penche par ailleurs sur la question de l'accent étranger, de ses effets sur la langue d'accueil et sur la réception qu'en fait le public. Son analyse prend également en compte le rapport au corps étranger, souvent utilisé comme agent perturbateur afin d'apporter à la scène une nouvelle corporalité, une présence et un engagement différents. Enfin, l'auteur s'attarde plus particulièrement sur le parcours de deux acteurs venus d'ailleurs : Sotigui Kouyate et Yoshi Oida.

Mots-clés:
Acteur Étranger; Langue; Accent; Diction; Jeu

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  • 1
    De antemão, eu reconheço o caráter incompleto e não totalizante desse texto. Eu não posso abraçar nem a totalidade das hipóteses possíveis, nem me basear numa outra bibliografia que não a minha biografia de espectador ou a dos meus amigos, dos meus conhecidos.
  • 2
    N.R.: o autor se refere ao fato de ser estrangeiro, morando e trabalhando na França.
  • 3
    Antoine Vitez, Le Cuisinier hollandais, Journal de Chaillot, n. 12, jun. 1983. Vitez aceitava a contradição no seio da qual ele se colocava, contradição entre o teatro conservatório da língua e o teatro laboratório da língua.
  • 4
    Em romeno, Lucien Pinitilié degusta os sotaques, tanto locais quanto estrangeiros, pois ele pode percebê-los, inscrevê-los em um microcosmo cultural, ouvi-los como uma chance dada a sua língua e jamais depositada nele.
  • 5
    Como para os escritores, existem exceções também entre os encenadores. Assim, Jacques Lassalle mantém uma relação privilegiada com outro ator norueguês, ator que conjuga, segundo seus mais antigos desejos, a retenção constante e a explosão violenta. Vitez, por sua vez, quando montou no Picolo Teatro de Milano, Le triomphe de l'amour, sentiu um prazer extremo ao encontrar os atores italianos. O ator estrangeiro é visto então, mas é bem raro, como o corpo incansavelmente procurado: o corpo que oencenador leva com ele e no qual, bruscamente, ele se reconhece.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Dez 2011

Histórico

  • Recebido
    Jul 2011
  • Aceito
    Set 2011
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