Prevalência de exposição à violência entre adultos – Brasil, 2019

Márcio Dênis Medeiros Mascarenhas Ariel de Sousa Melo Malvina Thais Pacheco Rodrigues Camila Alves Bahia Cheila Marina Lima Rafael Bello Corassa Fabiana Martins Dias de Andrade Deborah Carvalho Malta Sobre os autores

RESUMO:

Objetivo:

Estimar a prevalência de exposição à violência, caracterizando sua magnitude, tipos e ocorrência na população adulta do Brasil.

Métodos:

Estudo transversal com dados da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2019. Estimou-se a prevalência de violência nos últimos 12 meses e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) segundo variáveis sociodemográficas. Razões de prevalência bruta foram estimadas por regressão de Poisson.

Resultados:

A prevalência de exposição à violência entre adultos no Brasil foi de 18,3% (IC95% 17,8–18,8), com frequência significativamente maior entre as mulheres (19,4%; IC95% 18,7–20,0), no grupo de 18–29 anos (27,0%; IC95% 25,7–28,4), nas pessoas autodeclaradas pretas (20,6%; IC95% 19,3–21,9) e pardas (19,3%; IC95% 18,6–20,1) e entre habitantes da região Nordeste (18,7%; IC95% 18,0–19,5). Entre as vítimas de violência, 15,6% (IC95% 14,2–17,0) procuraram atendimento de saúde, das quais 91,2% (IC95% 88,1–93,6) o receberam. Os tipos de violência mais relatados foram: psicológica (17,4%; IC95% 16,9–17,9), física (4,1%; IC95% 3,9–4,4) e sexual (0,8%; IC95% 0,7–0,9). Os homens foram mais expostos à violência com uso de arma de fogo ou objetivos cortantes, enquanto as mulheres foram as vítimas predominantes para todos os demais tipos e mecanismos de violência. O agressor mais citado foi o/a parceiro/a íntimo/a, e os locais mais frequentes de ocorrência da violência foram residência, vias e locais públicos.

Conclusão:

No Brasil, a violência afetou um a cada cinco adultos. Mulheres, jovens e pessoas de pele negra foram os segmentos populacionais mais expostos à violência e devem ser prioritários nas ações de prevenção.

Palavras-chave:
Violência; Violência doméstica; Violência por parceiro íntimo; Inquéritos epidemiológicos; Estudos transversais

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