Accessibility / Report Error

Notificação da violência infanto-juvenil em Serviços de Emergência do Sistema Único de Saúde em Feira de Santana, Bahia, Brasil

OBJETIVO:

Analisar a atuação dos profissionais das unidades de emergência em saúde para notificação dos casos de violência infanto-juvenil, considerando características sociodemográficas, categoria profissional e dificuldades.

MÉTODOS:

Estudo transversal, com amostra casual simples (n=200), do universo de 523 profissionais de Feira de Santana, Bahia, distribuídos entre um hospital geral regional e seis policlínicas. Foram realizadas análises bivariadas e medidas de associação para determinar significância estatística.

RESULTADOS:

A maioria dos profissionais era do sexo feminino (82,5%), com idade entre 20 e 40 anos (75,5%), técnicos de enfermagem (52,5%) e enfermeiros (22,5%), sendo que 69,0% tinha contrato temporário de trabalho. A notificação foi registrada por 69,5% e 60,0% solicitaram parecer de outro profissional, 54,0% conversaram com familiares e 42,9% notificaram no Sistema de Vigilância a Acidentes e Violência (VIVA). Na categoria técnico de enfermagem foi verificada significância estatística para notificação aos setores de referência, com intervalo de confiança de 95% (IC95%) 1,28 - 2,09 e para o Sistema VIVA (IC95% 1,06 - 7,40). Na atuação dos médicos, o resultado significante foi não solicitar parecer a outro profissional (IC95% 1,02 - 3,51); não ter receio de envolvimento judicial (IC95% 1,19 - 4,06) e ter formação nessa área (IC95% 1,21 - 5,00). As principais dificuldades citadas foram omissão familiar (91,5%), receio de envolvimento com sistema judicial (63,5%) e falta de capacitação (47,0%).

CONCLUSÃO:

A maioria dos casos de violência atendidos nas unidades de emergência foi notificada, entretanto, menos de 50% dos profissionais não notificaram no Sistema VIVA, apontando necessidade de investimento institucional em apoio técnico e qualificação permanente. Ações direcionadas à notificação fortalecem instituições e responsabilizam o setor para atendimento e proteção às vítimas.

Violência; Sistemas de saúde; Emergências; Notificação de abuso; Criança; Adolescente


Associação Brasileira de Saúde Coletiva Av. Dr. Arnaldo, 715 - 2º andar - sl. 3 - Cerqueira César, 01246-904 São Paulo SP Brasil , Tel./FAX: +55 11 3085-5411 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revbrepi@usp.br