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Validade diagnóstica de agravos bucais autorreferidos em inquéritos populacionais: revisão da literatura

Resumos

Inquéritos epidemiológicos têm incluído, cada vez mais, questões de saúde bucal autorreferidas. Entretanto, a validade de tais questões é frequentemente questionada. O objetivo deste estudo foi revisar a validade diagnóstica de questões sobre condições bucais autorreferidas - condições periodontais, número de dentes presentes e uso e necessidade de prótese dentária - e apresentar protótipos de questões autorreferidas para condições periodontais. Os artigos foram identificados na base PubMed, publicados no período entre 1991 e 2011. Foram descritos a composição, o tamanho da amostra e os métodos empregados em cada estudo, além da sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo das questões utilizadas. Foram contatados periodontistas, através de texto padronizado e enviado por correio eletrônico, solicitando propostas de itens sobre condições periodontais autorreferidas. O presente estudo revisou 19 trabalhos. Desses, 13 avaliaram condições periodontais; cinco avaliaram o número de dentes presentes; e quatro avaliaram o uso e a necessidade de prótese dentária - alguns estudos avaliaram duas ou mais condições simultaneamente. Cinco dos oito periodontistas contatados sugeriram perguntas para avaliar condições periodontais. A sensibilidade máxima e mínima encontrada para condições periodontais, número de dentes presentes e uso e necessidade de prótese dentária foi de 100 e 2%; 91 e 21%; 100 e 100%, respectivamente; a especificidade máxima e mínima foi de 100 e 18%; 97 e 96%; 93 e 93%, respectivamente. Concluímos que existem valores de sensibilidade e especificidade aceitáveis somente para a aferição do número de dentes presentes e da necessidade de prótese. Entretanto, são necessários estudos, no contexto nacional, que avaliem o impacto de perguntas sobre as condições de saúde bucal autorreferidas, verificando se, empiricamente, questões autorreferidas podem ser utilizadas em tais estudos.

Inquéritos demográficos; Autoavaliação diagnóstica; Validade dos testes; Perda de Dente; Prótese dentária; Periodontite


Population-based health surveys are increasingly including self-reported oral health measures. However, their validity is frequently questioned. This study aimed to review the diagnostic validity of self-reported oral health measures - regarding periodontal conditions, number of remaining teeth and use and need of prostheses - and to present prototypes of oral health items to assess periodontal conditions. Papers published between 1991 and 2011 were identified through PubMed database. The sample profile, the sample size and the methods used in each study were analyzed, as well as the sensitivity, specificity, positive and negative predictive values of the oral health items. Periodontists were contacted, using a standardized text, sent by e-mail, which asked them to provide self-reported items regarding periodontal conditions. We reviewed 19 studies; 13 assessed periodontal conditions; five, the number of remaining teeth and four, the use and need of prosthesis - some studies evaluated two or more conditions simultaneously. Five of the eight periodontists suggested questions to assess periodontal conditions. The maximum and the minimum sensitivity values to assess periodontal conditions, number of remaining teeth and use and need of prosthesis were 100 and 2%; 91 and 21%; 100 and 100%; respectively; the maximum and the minimum specificity values were 100 and 18%; 97 and 96%; 93 and 93%; respectively. In conclusion, there are acceptable sensitivity and specificity values for number of remaining teeth and use and need of prosthesis only. Finally, we consider there is the need for further studies in the national context, in order to assess the impact of the questions about self-reported oral health conditions in epidemiological analyses. Therefore, it will be possible to empirically verify if self-reported questions can be used in such studies.

Population surveys; Diagnostic self evaluation; Validity of tests; Tooth loss; Dental prosthesis; Periodontitis


Introdução

Inquéritos epidemiológicos de larga escala utilizam questões autorreferidas para obter informações sobre a saúde de grupos populacionais. Um exemplo é o National Health Interview Survey (NHIS), realizado desde julho de 1957 nos Estados Unidos da América (EUA). Essa pesquisa é a principal fonte de informações, obtidas através de entrevistas domiciliares, a respeito da saúde da população dos EUA11. National Center for Health Statistics. National Health Interview Survey. Hyattsville (MD); 2010. , 22. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent 2002; 62(3): 163-9.. Outro importante inquérito populacional é o Behavioral Risk Factor Surveillance System (BRFSS), o qual, desde 1984 monitora as condições de saúde e comportamentos de risco da população dos EUA por meio de entrevistas telefônicas33. Miller K, Eke PI, Schoua-Glusberg A. Cognitive evaluation of self-report questions for surveillance of periodontitis. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1455-62.

4. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90.
- 55. Centers for Disease Control and Prevention. Behavioral Risk Factor Surveillance System Overview. Atlanta (GA); 2010.. Pesquisas mais recentes, como a South Africa Demographic and Health Survey (SADHS), cuja segunda edição foi realizada entre outubro de 2003 e agosto de 2004, e o Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), um estudo anualmente realizado no Brasil desde 2006, também têm utilizado questões autorreferidas66. Department of Health. South Africa Demographic and Health Survey 2003. Pretoria; 2007. , 77. Brasil. Ministério da Saúde. Portal da Saúde Brasilia, DF. Diponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/ profissional/area.cfm?id_area=1521. (Acessado em 30 de maio de 2011).
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Essa técnica de observação também tem sido utilizada em estudos específicos de saúde bucal44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90. , 88. Palmqvist S, Söderfeldt B, Arnbjerg D. Self-assessment of dental conditions: validity of a questionnaire. Community Dent Oral Epidemiol 1991; 19(5): 249-51., como é o caso do National Survey of Adult Oral Health (NSAOH) e da Adult Dental Health Survey (ADHS), realizados na Austrália e no Reino Unido, respectivamente99. Ellershaw A, Spencer J. Dental attendance patterns and oral health status. Dental statistics and research series no. 57. Cat. no. DEN 208. Australian Institute of Health and Welfare. Canberra (ACT); 2011. , 1010. Sullivan IO, Lader D, Seymour CB, Chenery V, Fuller E, Sadler K. Foundation Report: Adult Dental Health Survey 2009. The Health and Social Care Information Centre. Leeds (WY); 2011.. Adicionalmente, os inquéritos epidemiológicos têm dado preferência ao uso de questões autorreferidas à realização de exames clínicos como meio de produção de informações, passando a incluir um número cada vez maior de questões de saúde bucal. Estudo que reflete essa tendência é a Pesquisa Nacional de Saúde, um amplo inquérito sobre condições de saúde a ser planejado para ser conduzido em 2013, que utilizará itens autorreferidos para a produção dos dados1111. Ministério da Saúde. PNS - Pesquisa Nacional de Saúde Brasilia, DF. Disponível em: http://www.pns.icict.fiocruz.br. (Acessado em 30 de maio de 2011).
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O método reconhecido como padrão-ouro para a realização do diagnóstico das condições bucais é o exame clínico. Apesar disso, este apresenta algumas desvantagens, como a demanda de maior tempo para que seja executado, custos mais elevados em virtude de materiais e pessoal especializado, maior fadiga do examinador, além da probabilidade aumentada de recusa ao exame, reduzindo as taxas de resposta dos estudos em que é empregado33. Miller K, Eke PI, Schoua-Glusberg A. Cognitive evaluation of self-report questions for surveillance of periodontitis. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1455-62. , 1212. Ho AW, Grossi SG, Dunford RG, Genco RJ. Reliability of a self-reported health questionnaire in a periodontal disease study. J Periodontal Res 1997; 32(8): 646-50.

13. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4.

14. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32.
- 1515. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Kaiser W, Bernimoulin JP, Joshipura K. Prediction of periodontal disease from multiple self-reported items in a German practice-based sample. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1421-8.. Uma alternativa aos exames é o questionário aplicado por entrevistadores8, que, em contraste com o exame clínico, exige menor tempo e recursos para a sua realização, não necessita de examinadores especializados e possibilita a produção expressiva de dados a respeito do sujeito em apenas uma aplicação33. Miller K, Eke PI, Schoua-Glusberg A. Cognitive evaluation of self-report questions for surveillance of periodontitis. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1455-62. , 1212. Ho AW, Grossi SG, Dunford RG, Genco RJ. Reliability of a self-reported health questionnaire in a periodontal disease study. J Periodontal Res 1997; 32(8): 646-50.

13. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4.
- 1414. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32. , 1616. Joshipura KJ, Pitiphat W, Douglass CW. Validation of self-reported periodontal measures among health professionals. J Public Health Dent 2002; 62(2): 115-21.. Tais características tornam o uso de tal técnica atrativo para a consecução de estudos epidemiológicos com ênfase na vigilância à saúde bucal de maior escala44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90. , 1313. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4. , 1616. Joshipura KJ, Pitiphat W, Douglass CW. Validation of self-reported periodontal measures among health professionals. J Public Health Dent 2002; 62(2): 115-21. , 1717. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Schamberger D, Bernimoulin JP, Joshipura K. The accuracy of individual self-reported items to determine periodontal disease history. Eur J Oral Sci 2005; 113(2): 135-40.. Entretanto, é necessário que a validade de itens de saúde bucal incluídos nos questionários aplicados por entrevistadores seja avaliada.

Na medicina, o autorrelato é um meio aceito para avaliar a ocorrência de diversas doenças, como artrite reumatoide juvenil, doenças cardiovasculares, câncer, bem como fatores de risco como hipertensão, atividade física, dieta e tabagismo44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90. , 55. Centers for Disease Control and Prevention. Behavioral Risk Factor Surveillance System Overview. Atlanta (GA); 2010.. Por outro lado, apesar de alguns estudos realizados em outros países terem demonstrado que as informações autorrelatadas sobre determinados agravos bucais, tais como número de dentes presentes22. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent 2002; 62(3): 163-9. , 1818. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6.

19. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7.
- 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8. e uso de próteses dentárias88. Palmqvist S, Söderfeldt B, Arnbjerg D. Self-assessment of dental conditions: validity of a questionnaire. Community Dent Oral Epidemiol 1991; 19(5): 249-51. , 1818. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6.

19. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7.
- 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8., são válidas1414. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32., esta é frequentemente questionada1212. Ho AW, Grossi SG, Dunford RG, Genco RJ. Reliability of a self-reported health questionnaire in a periodontal disease study. J Periodontal Res 1997; 32(8): 646-50. , 1313. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4., especialmente quando tais medidas são utilizadas para diagnosticar condições periodontais44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90.. Outro agravante consiste no escasso número de estudos sobre a validade de questões autorreferidas para os agravos bucais acima mencionados em diferentes países ou contextos socioculturais1515. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Kaiser W, Bernimoulin JP, Joshipura K. Prediction of periodontal disease from multiple self-reported items in a German practice-based sample. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1421-8., em especial para a população adulta brasileira.

Uma revisão da literatura a respeito da validade de questões autorreferidas já foi realizada e publicada em 200544. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90.. No entanto, esta analisou somente estudos sobre questões autorreferidas para condições periodontais; ademais, nenhum estudo brasileiro foi identificado neste trabalho.

O objetivo da presente revisão é descrever a validade diagnóstica de questões sobre condições bucais autorreferidas, especificamente relacionadas a condições periodontais, número de dentes presentes e uso e necessidade de prótese dentária em adultos, ou seja, deseja-se verificar o grau com que perguntas de um questionário refletem a "verdadeira" condição clínica de saúde bucal2121. Fletcher RH, Fletcher SW, Wagner EH. Epidemiologia clínica: elementos essenciais. 3a ed. Porto Alegre: Artes Médicas;1996.. Além disso, também constituiu objetivo do trabalho apresentar protótipos de questões sobre condições periodontais, que possam ser futuramente submetidas a avaliações de validade em inquéritos epidemiológicos.

Métodos

A revisão da literatura foi realizada através de consulta eletrônica à base bibliográfica Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), via PubMed. A estratégia de busca foi desenvolvida pela incorporação de termos MeSH (Medical Subject Headings), bem como termos livres, selecionados após diferentes tentativas de busca. A pesquisa nessa base de dados - limitada entre 1º de janeiro de 1991 e 30 de junho de 2011 - foi realizada utilizando-se um conjunto de termos divididos em quatro grandes grupos. Os diferentes termos de cada grupo foram combinados entre si utilizando o operador booleano "OR". O grupo 1 reuniu os termos relacionados a estudos de validação ("Validation Studies" [PublicationType] OR "Reproducibility of Results" [Mesh] OR "Sensitivity and Specificity" [Mesh] OR "Sensitivity" [tiab] OR "Specificity" [tiab]); o grupo 2, termos relacionados a estudos autorreferidos, de triagem ou identificação de doenças ("Self Report" [Mesh] OR "Self Assessment" [Mesh] OR "Self-assessed" [tiab] OR "Self Concept" [Mesh] OR " Self-perceived" [tiab] OR "Self-rated" [tiab] OR "Mass Screening"[ Mesh] OR "Prediction" [tiab]); o grupo 3, termos relativos aos agravos bucais de interesse ("Oral health" [tiab] OR "Dental" [tiab] OR "Mouth" [tiab] OR "Tooth Diseases" [Mesh] OR "Dental Prosthesis" [Mesh] OR " a das três condições bucais de interesse, pela comparação das respostas das questões autorreferidas com achados clínicos.

Para efetuar a extração de dados dos artigos selecionados, foi elaborada uma ficha com espaço para registro de informações sobre a amostra e o local onde foi realizada cada pesquisa, o tipo de estudo epidemiológico (transversal ou coorte), como se procedeu a aplicação do questionário, a diretriz seguida para a execução dos exames clínicos, como os resultados obtidos foram registrados e analisados, as conclusões dos autores, assim como as questões utilizadas e a análise da validade de cada uma por meio de medidas de sensibilidade (SN), especificidade (SP), valor preditivos positivo (VPP), valor preditivo negativo (VPN) e/ou percentual de concordância (grau de concordância entre os achados clínicos e o autorrelato) (PC). Tendo em vista que alguns artigos não apresentaram o questionário aplicado e/ou a análise da validade de cada pergunta de maneira isolada, optou-se por enviar mensagens eletrônicas aos autores destes estudos em busca de tais informações.

Após a sumarização de todos os artigos revisados, quatro tabelas foram confeccionadas: uma apresentando a distribuição dos artigos revisados, conforme suas características bibliográficas, local de estudo, agravos investigados e tamanho de amostra; outra para cada agravo investigado, apresentando as perguntas e os seus respectivos valores mínimo e máximo de validade - SN, SP, VPP, VPN e/ou PC. Tendo as informações de todas as questões identificadas para cada agravo organizadas desta forma, buscou-se por aquelas que apresentaram um valor de SN igual ou maior que 80%, para então verificar se o valor SN + SP era igual ou maior que 160%, valores tidos como aceitáveis2222. Kingman A. Statistical issues in risk models for caries. In: Baohr JD. Risk assessment in dentistry. Chapel Hill (NC): University of North Carolina Dental Ecology; 1990. p.193-200. , 2323. Wilson RF, Ashley FP. Identification of caries risk in schoolchildren: salivary buffering capacity and bacterial counts, sugar intake and caries experience as predictors of 2-year and 3-year caries increment. Br Dent J 1989; 167(3): 99-102.24..

Dado que as condições periodontais representam desafio considerável para serem mensuradas por questões autorreferidas, foram consultados oito especialistas brasileiros em periodontia acerca de possíveis questões para avaliar tais condições. Destes, sete atuam em instituições brasileiras - três na Universidade Federal de Santa Catarina, três na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, um na Universidade Federal do Rio de Janeiro - e outro em uma instituição dos EUA. Todos os especialistas foram contatados individualmente por mensagem eletrônica padronizada, a qual continha: uma breve apresentação dos autores; uma descrição da pesquisa; a dificuldade apresentada pela literatura em se avaliar tais condições por questões autorreferidas; e um questionamento a respeito de quais seriam as perguntas mais importantes para fazer a um entrevistado, de modo a detectar se este apresenta alguma condição periodontal adversa.

As respostas de cada profissional foram inicialmente dispostas em uma tabela, na qual constava o nome de cada um e as perguntas por ele sugeridas. Posteriormente, uma tabela com diferentes grupos de questões, cada um relacionado a uma característica específica (por exemplo, questões referentes a sangramento gengival, mobilidade dental, halitose, etc), foi criada. Por fim, foram comparadas as questões de cada um desses grupos com aquelas encontradas nos artigos da revisão.

Resultados

A estratégia de busca adotada identificou 219 artigos. Desses, 200 foram excluídos por não preencherem os critérios de inclusão. Após a leitura completa de cada um dos 19 estudos22. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent 2002; 62(3): 163-9. , 88. Palmqvist S, Söderfeldt B, Arnbjerg D. Self-assessment of dental conditions: validity of a questionnaire. Community Dent Oral Epidemiol 1991; 19(5): 249-51. , 1212. Ho AW, Grossi SG, Dunford RG, Genco RJ. Reliability of a self-reported health questionnaire in a periodontal disease study. J Periodontal Res 1997; 32(8): 646-50.

13. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4.

14. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32.

15. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Kaiser W, Bernimoulin JP, Joshipura K. Prediction of periodontal disease from multiple self-reported items in a German practice-based sample. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1421-8.

16. Joshipura KJ, Pitiphat W, Douglass CW. Validation of self-reported periodontal measures among health professionals. J Public Health Dent 2002; 62(2): 115-21.

17. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Schamberger D, Bernimoulin JP, Joshipura K. The accuracy of individual self-reported items to determine periodontal disease history. Eur J Oral Sci 2005; 113(2): 135-40.

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19. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7.
- 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8. , 2424. Cyrino RM, Miranda Cota LO, Pereira Lages EJ, Bastos Lages EM, Costa FO. Evaluation of self-reported measures for prediction of periodontitis in a sample of Brazilians. J Periodontol 2011; 82(12): 1693-704.

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26. Nagarajan S, Pushpanjali K. Self-assessed and clinically diagnosed periodontal health status among patients visiting the outpatient department of a dental school in Bangalore, India. Indian J Dent Res 2008; 19(3): 243-6.

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30. Klasser GD, de Leeuw R, Albuquerque RJ. Self-report health questionnaire: a necessary and reliable tool in dentistry. Gen Dent 2005; 53(5): 348-54.
- 3131. Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP, Heft MW, Henretta JC. Patterns of change in self-reported oral health among dentate adults. Med Care 1999; 37(12): 1237-48. selecionados, foi verificado que 3 desses1212. Ho AW, Grossi SG, Dunford RG, Genco RJ. Reliability of a self-reported health questionnaire in a periodontal disease study. J Periodontal Res 1997; 32(8): 646-50. , 3030. Klasser GD, de Leeuw R, Albuquerque RJ. Self-report health questionnaire: a necessary and reliable tool in dentistry. Gen Dent 2005; 53(5): 348-54. , 3131. Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP, Heft MW, Henretta JC. Patterns of change in self-reported oral health among dentate adults. Med Care 1999; 37(12): 1237-48. também não atendiam aos critérios de inclusão. No entanto, entre as listas de referências foram identificados outros três44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90. , 3232. Gilbert GH, Litaker MS. Validity of self-reported periodontal status in the Florida dental care study. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1429-38. , 3333. Axelsson G, Helgadóttir S. Comparison of oral health data from self-administered questionnaire and clinical examination. Community Dent Oral Epidemiol 1995; 23(6): 365-8. trabalhos elegíveis. As principais características dos estudos são exibidas na Tabela 1. A maior parte dos estudos foi publicada entre 2002 e 2011, sendo oito1414. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32. , 1515. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Kaiser W, Bernimoulin JP, Joshipura K. Prediction of periodontal disease from multiple self-reported items in a German practice-based sample. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1421-8. , 2424. Cyrino RM, Miranda Cota LO, Pereira Lages EJ, Bastos Lages EM, Costa FO. Evaluation of self-reported measures for prediction of periodontitis in a sample of Brazilians. J Periodontol 2011; 82(12): 1693-704.

25. Yamamoto T, Koyama R, Tamaki N, Maruyama T, Tomofuji T, Ekuni D, et al. Validity of a questionnaire for periodontitis screening of Japanese employees. J Occup Health 2009; 51(2): 137-43.

26. Nagarajan S, Pushpanjali K. Self-assessed and clinically diagnosed periodontal health status among patients visiting the outpatient department of a dental school in Bangalore, India. Indian J Dent Res 2008; 19(3): 243-6.

27. Pinelli C, Loffredo LCM. Reproducibility and validity of self-perceived oral health conditions. Clin Oral Investig 2007; 11(4): 431-7.
- 2828. Slade GD. Interim analysis of validity of periodontitis screening questions in the Australian population. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1463-70. , 32 32. Gilbert GH, Litaker MS. Validity of self-reported periodontal status in the Florida dental care study. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1429-38.(42,1%) publicados no período de 2007 a 2011. Ao todo, os estudos foram realizados em 11 diferentes países, sendo os EUA o país com o maior número de trabalhos; do Brasil, apenas dois artigos foram encontrados. O tamanho da amostra variou significativamente entre os estudos. Houve uma concentração significativa na investigação das condições periodontais (57,1%). Cabe ressaltar que a somatória dos agravos investigados é superior ao número de artigos revisados pelo fato de um mesmo artigo poder analisar mais de uma condição simultaneamente.

Tabela 1
- Distribuição dos artigos incluídos na revisão segundo as características bibliográficas, local de estudo, agravos investigados e tamanho de amostra.

As perguntas utilizadas nos estudos relacionados às condições periodontais, bem como os valores de SN e SP são apresentados na Tabela 2. Ao todo, 56 diferentes perguntas foram utilizadas nos estudos. Os resultados da validação destas questões apresentaram expressiva variabilidade. Os valores de SN e SP variaram, respectivamente, de 2 a 100% e de 18 a 100%. Cinco das 56 questões apresentaram valor(es) de sensibilidade aceitável(is) de acordo com Kingman2222. Kingman A. Statistical issues in risk models for caries. In: Baohr JD. Risk assessment in dentistry. Chapel Hill (NC): University of North Carolina Dental Ecology; 1990. p.193-200. e Wilson e Ashley2323. Wilson RF, Ashley FP. Identification of caries risk in schoolchildren: salivary buffering capacity and bacterial counts, sugar intake and caries experience as predictors of 2-year and 3-year caries increment. Br Dent J 1989; 167(3): 99-102.24. (valor igual ou maior que 80%): (1) "24. Gum have bled sometime" 1313. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4.; (2) "25. Do you believe your gums are healthy? (0) Yes, they don't bleed when tooth brushing or flossing; (1) No, I have bleeding gums when tooth brushing or flossing, (2) No, sometimes I fell taste of blood, even when not tooth brushing, (3) No, some teeth are moving and I feel pain as they move; (4) I don't know"27; (3) "31. How do you perceive your periodontal (gum) condition on a scale from 1 (worse) to 10 (best)?" 1414. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32.; (4) "43. Highest recorded tooth mobility score (self-assessed)"4; (5) "44. Do you think that you can see more roots of teeth than in the past?" 1313. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4. , 2525. Yamamoto T, Koyama R, Tamaki N, Maruyama T, Tomofuji T, Ekuni D, et al. Validity of a questionnaire for periodontitis screening of Japanese employees. J Occup Health 2009; 51(2): 137-43..

Tabela 2
- Sensibilidade e especificidade das questões utilizadas nos estudos de validade decondições periodontais e/ou gengivais autorreferidas.

A Tabela 3 apresenta cinco diferentes perguntas, com seus respectivos resultados, utilizadas para identificar o número de dentes presentes em diferentes populações investigadas. Os valores mínimos e máximos encontrados para estas questões foram os seguintes: SN 21 - 91%, SP 96 - 97% e PC 65 - 87%. Dos sete artigos22. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent 2002; 62(3): 163-9. , 88. Palmqvist S, Söderfeldt B, Arnbjerg D. Self-assessment of dental conditions: validity of a questionnaire. Community Dent Oral Epidemiol 1991; 19(5): 249-51. , 1818. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6.

19. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7.
- 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8. , 2424. Cyrino RM, Miranda Cota LO, Pereira Lages EJ, Bastos Lages EM, Costa FO. Evaluation of self-reported measures for prediction of periodontitis in a sample of Brazilians. J Periodontol 2011; 82(12): 1693-704. , 3131. Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP, Heft MW, Henretta JC. Patterns of change in self-reported oral health among dentate adults. Med Care 1999; 37(12): 1237-48. que analisaram o número de dentes presentes, dois1818. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6. , 1919. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7. não informaram o questionário utilizado. Os autores destes foram contatados por correio eletrônico. No entanto nenhuma informação adicional foi obtida.

Tabela 3
- Sensibilidade, especificidade e/ou percentual de concordância das questões autorreferidas utilizadas nos estudos de validade para onúmero de dentes presentes.

A Tabela 4 exibe as três perguntas utilizadas para identificar o uso e necessidade de prótese dentária. O resultado da validade encontrado para estas questões foi satisfatório, uma vez que foi encontrada uma SN de 100%, além de um PC variando entre 74 e 100%. Outro valor encontrado foi uma SP de 93,1%. De maneira similar ao que foi descrito anteriormente, dos cinco artigos88. Palmqvist S, Söderfeldt B, Arnbjerg D. Self-assessment of dental conditions: validity of a questionnaire. Community Dent Oral Epidemiol 1991; 19(5): 249-51. , 1818. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6.

19. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7.
- 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8. , 3333. Axelsson G, Helgadóttir S. Comparison of oral health data from self-administered questionnaire and clinical examination. Community Dent Oral Epidemiol 1995; 23(6): 365-8. que avaliaram esta condição, dois1818. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6. , 1919. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7. não apresentaram as questões utilizadas. Por se tratarem dos mesmos autores mencionados no parágrafo anterior, também não foi obtido retorno do contato com os mesmos.

Tabela 4
- Sensibilidade, especificidade e/ou percentual de concordância das questões autorreferidas utilizadas nos estudos de validade para ouso e necessidade de prótese dentária.

Não foram apresentados intervalos de confiança das medidas de validade diagnóstica para as três condições supracitadas, pois eles não são apresentados nos artigos originais. Ademais, todos os cinco artigos que apresentaram valores preditivos positivos (VPP) e valores preditivos negativos (VPN) para alguma de suas questões não exibiram a prevalência do agravo, por isso não foram descritos nesta revisão.

Dos oito especialistas em periodontia, cinco colaboraram sugerindo diferentes perguntas. Ao todo, 50 possíveis questões foram descritas; contemplaram 20 diferentes características, sinais ou sintomas do entrevistado, sendo sangramento gengival, inflamação gengival, halitose, dentes com mobilidade e sensibilidade dental as que apresentaram um maior número de sugestões. Desconsiderando-se as perguntas sugeridas iguais ou semelhantes às apresentadas nos 19 artigos22. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent 2002; 62(3): 163-9. , 44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90. , 88. Palmqvist S, Söderfeldt B, Arnbjerg D. Self-assessment of dental conditions: validity of a questionnaire. Community Dent Oral Epidemiol 1991; 19(5): 249-51. , 1313. Gilbert AD, Nuttall NM. Self-reporting of periodontal health status. Br Dent J 1999; 186(5): 241-4.

14. Levin L, Bechor R, Sandler V, Samorodnitzky-Naveh G. Association of self-perceived periodontal status with oral hygiene, probing depth and alveolar bone level among young adults. N Y State Dent J 2011; 77(1): 29-32.

15. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Kaiser W, Bernimoulin JP, Joshipura K. Prediction of periodontal disease from multiple self-reported items in a German practice-based sample. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1421-8.

16. Joshipura KJ, Pitiphat W, Douglass CW. Validation of self-reported periodontal measures among health professionals. J Public Health Dent 2002; 62(2): 115-21.

17. Dietrich T, Stosch U, Dietrich D, Schamberger D, Bernimoulin JP, Joshipura K. The accuracy of individual self-reported items to determine periodontal disease history. Eur J Oral Sci 2005; 113(2): 135-40.

18. Allen F, Burke F, Jepson N. Development and evaluation of a self-report measure for identifying type and use of removable partial dentures. Int Dent J 2005; 55(1): 13-6.

19. Buhlin K, Gustafsson A, Andersson K, Håkansson J, Klinge B. Validity and limitations of self-reported periodontal health. Community Dent Oral Epidemiol 2002; 30(6): 431-7.
- 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8. , 2929. Vered Y, Sgan-Cohen HD. Self-perceived and clinically diagnosed dental and periodontal health status among young adults and their implications for epidemiological surveys. BMC Oral Health 2003; 3(1): 3. , 3232. Gilbert GH, Litaker MS. Validity of self-reported periodontal status in the Florida dental care study. J Periodontol 2007; 78(7 Suppl): 1429-38. , 3333. Axelsson G, Helgadóttir S. Comparison of oral health data from self-administered questionnaire and clinical examination. Community Dent Oral Epidemiol 1995; 23(6): 365-8. revisados, foram obtidas 19 perguntas: (1) Você observa sangramento ou sente gosto de sangue na boca durante a escovação dentária ou uso do fio dental?; (2) Você observa sangramento ou sente gosto de sangue na boca durante a mastigação de alimentos?; (3) Sente suas gengivas sangrarem?; (4) Suas gengivas sangram espontaneamente?; (5) Existe algum crescimento de sua gengiva que dificulte o fechamento de sua boca?; (6) Observa alguma alteração de cor em sua gengiva?; (7) Você diria que sua gengiva apresenta uma vermelhidão mais acentuada do que o normal?; (8) Percebe sua gengiva com um tom de cor arroxeado?; (9) Percebe se os dentes anteriores estão se abrindo em forma de leque?; (10) Você diria que sua gengiva está subindo e por isso os dentes parecem estar maiores ou com as raízes aparecendo?; (11) Você diria que a altura da sua gengiva mudou de posição, ou seja, o contorno da gengiva ao redor dos dentes foi alterado?; (12) Sente coceira em sua gengiva?; (13) Tem vontade de introduzir objetos pontiagudos (palitos) em sua gengiva?; (14) Você acha ou foi informado por alguém que tem tártaro?; (15) Você percebe ou foi informado por alguém que tem mau hálito?; (16) Você perdeu dentes precocemente em sua vida?; (17) Existem casos na família de perda precoce dos dentes?; (18) Nos últimos 12 meses você teve: 1) mau hálito, mau cheiro ou gosto ruim na boca; 2) dentes frouxos; 3) dor enquanto escova os dentes; 4) feridas na gengiva; 5) sangramento gengival - Opções de resposta: a) frequentemente; b) algumas vezes; c) raramente; d) nunca; e) edêntulo; (19) Perfil: sexo, idade, escolaridade, renda, gestante, última consulta com o dentista, frequência que vai ao dentista, frequência da profilaxia (limpeza no dentista).

Discussão

Conforme o apresentado na Tabela 2, cinco questões a respeito das condições periodontais apresentaram valores de sensibilidade aceitáveis de acordo com Kingman2222. Kingman A. Statistical issues in risk models for caries. In: Baohr JD. Risk assessment in dentistry. Chapel Hill (NC): University of North Carolina Dental Ecology; 1990. p.193-200. e Wilson e Ashley2323. Wilson RF, Ashley FP. Identification of caries risk in schoolchildren: salivary buffering capacity and bacterial counts, sugar intake and caries experience as predictors of 2-year and 3-year caries increment. Br Dent J 1989; 167(3): 99-102.24. (valor igual ou maior que 80%). No entanto, para estas questões foram observados valores inadequados de especificidade, uma vez que consideramos como aceitável um valor igual ou maior que 80%2222. Kingman A. Statistical issues in risk models for caries. In: Baohr JD. Risk assessment in dentistry. Chapel Hill (NC): University of North Carolina Dental Ecology; 1990. p.193-200. , 2323. Wilson RF, Ashley FP. Identification of caries risk in schoolchildren: salivary buffering capacity and bacterial counts, sugar intake and caries experience as predictors of 2-year and 3-year caries increment. Br Dent J 1989; 167(3): 99-102.24.. Cabe também salientar que tais questões avaliaram quatro diferentes características da doença periodontal: (1) sangramento gengival (questões 24 e 25); (2) Condição periodontal/gengival (questão 31); (3) Mobilidade dental (questão 43); (4) Recessão gengival (questão 44), indicando assim quais são os sinais e sintomas da doença relatados com maior exatidão. Apesar de mobilidade dental e recessão gengival serem condições mais graves da doença periodontal/gengival, a questão 25 - sobre sangramento gengival - foi a que apresentou maior valor de sensibilidade (100%) e a questão 31 - sobre condição periodontal/gengival - o maior de especificidade (83%).

Em se tratando das cinco questões a respeito do número de dentes presentes, apenas "Have you lost any teeth or had any teeth removed?" 22. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent 2002; 62(3): 163-9. apresentou valores de SN aceitáveis. Além disso, ela também mostrou excelente valor de SP. Já em relação às questões sobre uso e necessidade de prótese dentária, somente uma ("If you have a bridge in your mouth now: How many teeth are involved with the bridge? How many missing teeth are replaced by the bridge? How many of you missing teeth: Are replaced by removable dentures? Are not replaced?" 2020. Pitiphat W, Garcia RI, Douglass CW, Joshipura KJ. Validation of self-reported oral health measures. J Public Health Dent 2002; 62(2): 122-8.) apresentou valores aceitáveis de SN e SP.

Considerando como válidas apenas as questões que apresentaram o valor da soma SN + SP igual ou maior que 1602222. Kingman A. Statistical issues in risk models for caries. In: Baohr JD. Risk assessment in dentistry. Chapel Hill (NC): University of North Carolina Dental Ecology; 1990. p.193-200. , 2323. Wilson RF, Ashley FP. Identification of caries risk in schoolchildren: salivary buffering capacity and bacterial counts, sugar intake and caries experience as predictors of 2-year and 3-year caries increment. Br Dent J 1989; 167(3): 99-102.24., observa-se validade apenas para as perguntas a respeito do número de dentes presentes e uso e necessidade de prótese. Isso significa que tais questões poderiam ser utilizadas para que o sujeito a ser investigado possa identificar corretamente o número de dentes presentes e se utiliza/tem necessidade de alguma prótese dentária. Para as perguntas sobre condições periodontais, o maior valor da soma SN + SP foi o de 145. Apesar disso, o valor de SN igual ou superior a 80% implica que tais questões poderiam ser utilizadas para triagem dos sujeitos investigados, ou seja, que a maior parte dos indivíduos com doença periodontal são identificados pela pergunta. Entretanto, se a questão apresentar um pequeno valor de especificidade, isto significa que um alto número dos sujeitos será erroneamente avaliado como doente.

Cabe ressaltar que os indicadores de validade das questões analisadas são, supostamente, contexto-dependentes. Desta forma, a manutenção dos indicadores de validade em contextos diversos do original depende de um cuidadoso processo de avaliação de equivalências conceitual e semântica na cultura-alvo, não podendo tais questões serem utilizadas em contextos diferentes do estudo sem uma devida análise prévia3434. Berry JW, Poortinga YH, Segall MH, Dasen PR. Cross-cultural psychology: research and applications. New York (NY): Cambridge University Press; 2007.. Essa talvez seja uma possível explicação para termos encontrado variações nos valores de sensibilidade e especificidade entre diferentes estudos que utilizaram a mesma pergunta, como foi o caso das questões de número 2, 5, 18, 22, 29, 32, 40, 44 e 52 descritas na Tabela 2. Isso também pode ter ocorrido devido aos diferentes protocolos seguidos pelos pesquisadores e/ou diferente população envolvida e/ou diferentes características socioeconômicas da amostra e/ou diferentes locais onde o estudo foi realizado. Não se pode afirmar que isso ocorre devido a um único fator; o que se sugere é que os resultados das questões autorreferidas são contexto-dependentes e que dependem do protocolo seguido pelos pesquisadores para se determinar doença periodontal.

Essa revisão da literatura apresentou algumas limitações: (a) utilizou somente uma base de dados para a identificação dos artigos; (b) limitou a pesquisa entre 1º de janeiro de 1991 a 30 de junho de 2011; (c) contou com a não-resposta de determinados autores dos artigos revisados, bem como de cirurgiões-dentistas, no contato por correio eletrônico; e (d) algumas perguntas encontradas na revisão que avaliaram o número de dentes presentes e uso e necessidade de prótese dentária indicaram seus resultados como percentual de concordância, ao invés de sensibilidade e especificidade, dificultando uma análise mais abrangente da validade das mesmas.

Diferentemente da única revisão da literatura encontrada sobre o tema44. Blicher B, Joshipura K, Eke P. Validation of self-reported periodontal disease: a systematic review. J Dent Res 2005; 84(10): 881-90., a qual analisou somente estudos sobre o uso de questões autorreferidas para condições periodontais realizados fora do Brasil, essa também incluiu questões para número de dentes presentes e uso e necessidade de prótese dentária, além de dois estudos brasileiros, permitindo uma análise de pesquisas no contexto nacional. Utilizando essa revisão, foi selecionado um conjunto de perguntas que serão avaliadas quanto à validade em um estudo de base populacional no sul do Brasil.

Os achados dessa revisão revelam que existem valores de sensibilidade e especificidade aceitáveis para a aferição do número de dentes presentes e da necessidade de prótese sob a forma de itens autorreferidos. Isto sugere que questões que podem ser utilizadas para esse propósito, e estudos que confiam no relato dos entrevistados também podem ser realizados. Há também uma faixa de sensibilidade aceitável para a aferição das condições periodontais; 5 das 56 questões analisadas poderiam ser utilizadas em estudos de triagem.

O desenvolvimento de instrumentos para mensurar doença periodontal de maneira autorreferida é particularmente importante no campo da vigilância à saúde bucal. Nos EUA, por exemplo, apesar de os inquéritos NHANES incluírem detalhados exames periodontais, estes são considerados onerosos, pois demandam um grande número de examinadores experientes e cuja padronização/calibração é muito difícil. Desta forma, o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) e a Academia Americana de Periodontia recomendaram, já em 2003, o uso de medidas autorreferidas que poderiam ser válidas para predição da prevalência de doença periodontal e utilização em inquéritos populacionais alternativamente aos exames. Entretanto, existe uma série de desafios para a implementação desta proposta, pois grande parte das perguntas sugeridas se baseia no relato do dentista sobre a existência de doença periodontal ou no conhecimento dos indivíduos sobre sua condição periodontal. Portanto, indivíduos que não realizam consultas odontológicas regulares não sabem se são portadores da doença, uma vez que em muitos casos ela é assintomática3535. Chattopadhyay A. Periodontal diseases. In: Chattopadhyay A. Oral Health Epidemiology. Principles and Practice. Sudbury, Massachusetts: Jones and Bartlett Publishers; 2011. p. 257-71. , 3636. Eke PI. Public health implications of periodontal infections in adults: conference proceedings. J Public Health Dent 2005; 65(1): 56-65., o que reforça a indicação de que os valores de sensibilidade e especificidade de medidas autorreferidas dependem do contexto socioeconômico e cultural no qual os indivíduos estão inseridos. Instrumentos válidos em determinados contextos não necessariamente o serão em outros.

Um estudo brasileiro de base populacional, linha de base de uma coorte de adultos, intitulado EpiFloripa II (www.epifloripa.ufsc.br) utilizará questões de saúde bucal aqui apresentadas, o que permitirá verificar a validade de tais questões no contexto brasileiro. Por fim, consideramos que existe a necessidade de trabalhos futuros, no contexto nacional, que avaliem o impacto de perguntas sobre condições de saúde bucal autorreferidas em análises epidemiológicas, verificando se, empiricamente, questões autorreferidas podem ser utilizadas em tais estudos.

Agradecimentos

Os autores agradecerem aos professores Dr. Cassiano Rösing (UFRGS), Dr. Mario Vettore (UFRJ), Dr. Cristiano Susin (Medical College of Georgia, EUA), Dr. Vinicus Zendron (UFSC) e Dr. Marco Aurélio Bianchini (UFSC) por suas colaborações, bem como a todos os integrantes do Grupo de Estudos de Odontologia em Saúde Coletiva (GEOSC) da Universidade Federal de Santa Catarina pelas sugestões.

Correspondência: Marco Aurélio Peres ARCPOH, The University of Adelaide, 122 Frome Street (Cnr Pirie Street), Room 1.12 Level 1, SA 5000, Adelaide, Australia E-mail: marco.peres@adelaide.edu.au
Fonte de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), bolsa de Iniciação científica (RQR), processo No 508903/2010-6; Marco Aurélio Peres é bolsista de produtividade de pesquisa do CNPq.
Conflito de interesses: nada a declarar.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Set 2013

Histórico

  • Recebido
    30 Maio 2012
  • Revisado
    04 Dez 2012
  • Aceito
    15 Jan 2013
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