Disfonia: definição de caso e prevalência em professores

Várias pesquisas têm mostrado elevada prevalência de disfonia em professores, porém não há uma definição padronizada de alteração vocal nos estudos realizados, o que dificulta a comparação dos resultados obtidos e o desenvolvimento da pesquisa na área. O objetivo deste estudo foi discutir a necessidade de padronizar a definição de disfonia funcional e discutir possíveis implicações da falta da padronização na estimação da prevalência da disfonia funcional em professores. Foi realizada uma revisão bibliográfica sistemática sobre disfonia em professores, por meio de consulta a diversas bases de dados, sendo considerados os artigos publicados a partir de 1990. De 3.186 citações, 15 artigos preencheram os critérios de inclusão para a discussão da prevalência da disfonia em professores. Nove artigos definiram disfonia baseados somente na presença de sintomas vocais, com variações em relação ao tipo, número, freqüência e período de referência. Rouquidão e cansaço vocal foram mencionados em todos os estudos que avaliaram sintomas vocais. Somente três estudos analisaram a prevalência da disfonia baseada na avaliação profissional. As prevalências variaram conforme o período de referência e a freqüência dos sintomas pesquisados. Os resultados ratificaram a importância de padronizar a definição de disfonia para melhor estudar e compreender a sua ocorrência e comparar a prevalência obtida em diferentes populações e através do tempo, em uma mesma população. A definição padronizada da disfonia deveria incluir alterações laríngeas observadas em fases mais avançadas da disfonia, assim como sinais e sintomas presentes em fases que precedem as alterações orgânicas, potencialmente reversíveis.

Disfonia; Professores; Prevalência; Sintomas vocais e trabalho


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