Autopercepção da capacidade mastigatória em indivíduos idosos

Self-perception of chewing ability in elderly

Safira Lince de Medeiros Marília Pinheiro de Brito Pontes Hipólito Virgílio Magalhães Jr.Sobre os autores

Resumos

INTRODUÇÃO:

A mastigação desempenha importante papel na preparação do alimento e manutenção da atividade muscular necessária para outras funções do sistema estomatognático. No idoso, esta função pode sofrer mudanças decorrentes de alterações estruturais, morfológicas e bioquímicas.

OBJETIVO:

Estudar a capacidade mastigatória referida pelos idosos, elencando as dificuldades durante a mastigação.

MÉTODOS:

Trata-se de estudo observacional do tipo transversal com idosos de 60 anos de idade ou mais, em atendimento ambulatorial em hospital universitário. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionário, contendo questões referentes ao processo de alimentação do idoso e sua capacidade mastigatória. Para fins de comparação entre alguns itens do protocolo e a capacidade mastigatória, esta última variável foi dicotomizada em "satisfatória" e "insatisfatória". Para essas análises, foi utilizado o teste Exato de Fisher, considerando o nível de significância de 5%.

RESULTADOS:

A amostra foi composta por 30 participantes, com idade média de 74,4 anos (+9,1). Verificou-se elevada perda dentária, o que se refletiu na alta frequência de idosos usuários de próteses. Quanto às dificuldades referidas sobre a mastigação, 46,7% estavam impossibilitados de comer algum alimento, 50% sentiam necessidade de ingerir líquidos durante a refeição, e os alimentos que representaram maiores dificuldades para mastigar foram: carne (53,3%), frutas e verduras cruas (46,7%) e cereais (40%). Quanto à autopercepção da capacidade mastigatória, 53,3% referiram como satisfatória e 46,6% como insatisfatória. Observou-se relação estatisticamente significante entre "autopercepção da capacidade mastigatória" e os alimentos referidos pela dificuldade ao mastigar (p≤0,001).

CONCLUSÃO:

A capacidade mastigatória autorreferida foi satisfatória em sua maioria e os alimentos sólidos mais duros apresentaram maiores dificuldades na mastigação.

Idoso; Mastigação; Dentição; Alimentação do Idoso


INTRODUCTION:

Chewing plays an important role in food preparation and maintenance of muscle activity required for other functions of the stomatognathic system. In the elderly, this function may change due to structural, morphological and biochemical alterations.

OBJECTIVE:

To study the chewing ability in elderly listing the difficulties during mastication.

METHODS:

Observational cross-sectional study of elderly aged 60 years or older, receiving outpatient care at a university hospital. Data collection was conducted through a questionnaire containing questions regarding the power of the elderly and their chewing ability process. For purposes of comparison between some items of the protocol and chewing ability, the latter variable was dichotomized as "satisfactory" and "unsatisfactory". For these analyzes, Fisher's exact test was used, considering the significance level of 5%.

RESULTS:

The sample consisted of 30 participants with a mean age of 74.4 years (+9.1). There was high tooth loss, reflected in the high rate of elderly users of prostheses. Concerning the difficulties mentioned about chewing, 46.7% were unable to eat any food, 50% felt the need to drink fluids during meals; and foods that represented major difficulties in chewing were: meat (53.3%), fruits and raw vegetables (46.7%) and cereals (40%). Regarding self-perceived chewing ability, 53.3% said satisfactory and 46.6% unsatisfactory. There was a statistically significant relationship between "self-perceived chewing ability" and food associated with difficult chewing (p≤0.001).

CONCLUSION:

The self-reported chewing ability was mostly satisfactory and the hardest solid foods had greater difficulty in chewing.

Elderly; Mastication; Dentition; Elderly Nutrition


INTRODUÇÃO

Na cultura brasileira, o ato de comer aparece como algo muito prazeroso.1. Silva LG, Goldenberg M. A mastigação no processo de envelhecimento. Rev CEFAC 2001;3:27-35.

. Marcolino J, Czechowski AE, Venson C, Bougo GC, Antunes KC, Tassinari N. Achados fonoaudiológicos na deglutição de idosos do município de Irati, Paraná. Rev Bras Geriatr Gerontol 2009;12(2):193-200.
- 3. Estrela F, Motta L, Elias VS. Deglutição e processo de envelhecimento. In: Jotz GP, Carrara-de Angelis E, Barros APB. Tratado de Deglutição e Disfagia: no adulto e na criança. Rio de Janeiro: Revinter;2009. p. 54-8. A mastigação é o processo natural de preparação do alimento, no qual este é quebrado em unidades menores para poder ser deglutido e digerido pelo sistema digestivo.4. Van Der Bilt A. Assessment of mastication with implications for oral rehabilitation: a review. J oral rehabil 2011;38(10):754-80. É composta por ciclos mastigatórios, uma série de movimentos não aleatórios que são responsáveis pela degradação do alimento, iniciada a partir da incisão deste, seguida das fases de trituração e pulverização.5. Montenegro FLB, Marchini L, Brunetti RF, Manetta CE. A importância do bom funcionamento do sistema mastigatório para o processo digestivo dos idosos. Rev Kairós 2007;10(2):245-57. , 6. Douglas CR. Fisiologia da mastigação. In: Douglas CR, organizador. Fisiologia aplicada à Nutrição. 2ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan; 2006. p. 518-39.

Em virtude das alterações que ocorrem no envelhecimento, há aumento progressivo no número de ciclos mastigatórios.7. Woda A, Mishellany A, Peyron MA. The regulation of masticatory function and food bolus formation. J oral rehabil 2006;33(11):840-49

. Peyron MA, Blanc O, Lund JP, Woda A. Influence of age on adaptability of human mastication. J neurophysiol 2004;92(2):773-79.
- 9. Cavalcanti RVA, Bianchini EMG. Verificação e análise morfofuncional das características da mastigação em usuários de prótese dentária removível. Rev CEFAC 2008;10(4):490-502. Os idosos podem ter deficiências na função mastigatória, em consequência de alterações estruturais, morfológicas e bioquímicas. São exemplos destas alterações: a diminuição da habilidade motora, a força muscular deteriorada, a perda de dentes,4. Van Der Bilt A. Assessment of mastication with implications for oral rehabilitation: a review. J oral rehabil 2011;38(10):754-80. a redução na percepção gustativa e da secreção natural de sucos gástricos,1. Silva LG, Goldenberg M. A mastigação no processo de envelhecimento. Rev CEFAC 2001;3:27-35. a diminuição da ingesta de água pela redução da sensação de sede,1010 . Moure Fernández L, Puialto Durán MJ, Antolín Rodríguez R. Cambios nutricionales em El processo de envejecimiento. Enferm Glob 2003;2(1):1-16. além do aparecimento de doenças periodontais e a retração gengival.1111 . Criado MVE. Consideraciones periodontales del paciente adulto mayor: parte 2. Acta Odontol Venez 2013;51(3):1-8.

A capacidade de mastigação está relacionada com a condição de saúde oral dos idosos, que inclui o estado dentário, conforme indicado pelo número de dentes naturais, dentição natural funcional ou próteses.1212 . Okada K, Enoki H, Izawa S, Iguchi A, Kuzuya M. Association between masticatory performance and anthropometric measurements and nutritional status in the elderly. Geriatr Gerontol Int 2010;10(1):56-63. Permanece no imaginário coletivo a ideia de que o envelhecimento leva a perdas dentárias e de que o idoso não consegue envelhecer preservando sua dentição funcional. Assim, os idosos acreditam que não necessitam de assistência odontológica adequada para a manutenção dos dentes e/ou próteses na cavidade bucal.1313 . Bulagarelli AF, Mestriner SF, Pinto IC. Percepções de um grupo de idosos frente ao fato de não consultarem regularmente o cirurgião-dentista. Rev Bras Geriatr Gerontol 2012;15(1):97-107. O desconforto causado, principalmente com próteses antigas e inadequadas, pode contribuir para que esses indivíduos substituam o consumo das verduras e frutas por outros de consistências que exijam menos da mastigação.1414 . Coutinho RF. Uma boa saúde geral do idoso passa pela boca. Rev Portal Divulg 2011;(13):12-3. Os alimentos influenciam no número de ciclos mastigatórios e na atividade muscular, devido às variações na dureza (ponto de rendimento), secura e percentual de gordura.4. Van Der Bilt A. Assessment of mastication with implications for oral rehabilitation: a review. J oral rehabil 2011;38(10):754-80. , 1515 . Van Der Bilt, Engelen L, Abbink J, Pereira LJ. Effects of adding fluids to solid foods on muscle activity and number of chewing cycles. Eur J Oral Sci 2007;115(3):198-205.

Em estudo1616 . Moriya S, Tei K, Yamazaki Y, Hata H, Muramatsu M, Kitagawa Y. Relationships between self-assessed masticatory ability and higher level functional capacity among community-dwelling young-old persons. Int J Gerontol 2012;6(1):33-7. realizado com idosos com idades entre 67 e 74 anos, a autopercepção da capacidade mastigatória foi relacionada com a capacidade funcional desses indivíduos. O estudo apontou que a autopercepção se relacionou significativamente com a capacidade funcional, mostrando que os idosos que levavam uma vida mais independente tinham melhor percepção sobre sua mastigação.

Desta forma, as alterações na mastigação podem causar déficits nutricionais, como também prejudicar a socialização do indivíduo. A presença de uma via oral pobre gera impactos na saúde, comprometendo a alimentação, a nutrição e gerando interferência nas atividades sociais.1717 . Dye BA, Tan S, Smith V, Lewis BG, Barker LK, Thornton-Evans G, et al. Trends in oral health status: United States, 1988-1994 and 1999-2004. Vital Health Stat 11 2007;(248):1-92.

Para a avaliação das dificuldades encontradas na mastigação com o envelhecimento, torna-se relevante a autopercepção do idoso sobre sua capacidade mastigatória durante a alimentação, por meio de administração de questionário, com o intuito de verificar os fatores que possam interferir no desempenho desta função.

Assim, o objetivo do presente estudo foi estudar a capacidade mastigatória referida pelos idosos, elencando as dificuldades durante a mastigação.

MÉTODO

Trata-se de estudo observacional do tipo transversal descritivo e analítico, realizado em pacientes a partir dos 60 anos de idade, em atendimento no ambulatório de geriatria de um hospital universitário de uma universidade federal, em interdisciplinaridade com a clínica-escola de Fonoaudiologia da mesma universidade, no período de março a agosto de 2012.

A amostra não probabilística foi escolhida por conveniência entre idosos, de ambos os sexos, que buscaram atendimento nesses locais. Participaram da pesquisa sujeitos que não tinham registro, em seu prontuário, de histórico de distúrbios neurológicos, alterações cognitivas, câncer de cabeça e pescoço, radioterapia e intervenção fonoaudiológica prévia, em que esta última informação era colhida no momento da aplicação do questionário.

Para a coleta, foram realizadas entrevistas com perguntas diretas estruturadas por meio da administração do questionário de avaliação da capacidade mastigatória referida, modificado pelos autores deste estudo com base na literatura,1818 . Genaro KF, Berretin-Felix G, Rehder MIBC, Marchesan IQ. Avaliação miofuncional orofacial: Protocolo MBGR. Rev CEFAC 2009;11(2):237-25.

19 . Matiello MN, Sartori IAM, Lopes JFS. Análise comparativa das habilidades mastigatórias de pacientes dentados e desdentados reabilitados com próteses total. Salusvita 2005;24(3):359-75.
- 2020 . Braga SRS, Braga SRS, Telarolli R Junior, Braga AS, Catirse ABCEB. Efeito do uso de próteses na alimentação de idosos. Rev Odontol UNESP 2002;31(1):71-81. contendo 12 questões relacionadas ao estado dentário, hábitos alimentares e condições de mastigação (apêndice 1).

A variável dependente deste estudo foi a autopercepção da capacidade mastigatória, que foi coletada por meio da seguinte pergunta: "Como está sua capacidade de mastigar os alimentos?" As respostas foram consideradas, a princípio, com base nas seguintes alternativas de múltipla escolha: péssima, ruim, regular, boa, ótima, em que somente uma das opções deveria ser considerada.

A análise estatística dos dados foi realizada por meio do software PSPP, com a descrição de frequências absolutas e relativas das variáveis estudadas contidas no questionário, das medidas de tendência central e de dispersão para a idade.

A variável dependente "capacidade mastigatória autopercebida" também foi dicotomizada para facilitar a análise e o cruzamento dos dados com variáveis independentes. Para isso, a capacidade mastigatória autopercebida foi dicotomizada como: satisfatória e insatisfatória. Os dados coletados nos questionários que se referiram à capacidade "ótima" ou "boa" foram categorizados como capacidade mastigatória satisfatória e as opções marcadas como "regular" ou "ruim" ou "péssima" foram consideradas como capacidade mastigatória insatisfatória.

Para verificar a associação da variável dependente com as variáveis independentes, foi realizado o teste Exato de Fisher, uma vez que, apesar de o número de participantes ter sido maior que 20, alguns valores encontrados nas frequências esperadas foram menores que cinco, considerando o nível de significância em 5%.

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em seres humanos do Hospital Universitário Onofre Lopes, sob CAAE nº 00785212.2.0000.5292/2012. Cabe observar que a liberdade dos idosos foi imperativa para a realização do estudo e não houve recusas de participação. O consentimento em participar livremente foi estabelecido e esclarecido por meio da leitura, na íntegra, do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido junto com o idoso voluntário e, em seguida, foram colhidas suas assinaturas ou impressão digital.

RESULTADOS

A população do estudo foi composta por 30 idosos, com predomínio do sexo feminino (22; 73,3%) sobre o masculino (oito; 26,7%). A idade mínima foi de 61 e a máxima de 87 anos, com média de 74,4 (± 9,1).

Quanto às condições dentárias, 14 (46,7%) eram edêntulos, 14 (46,7%) possuíam menos de 20 dentes, e apenas dois (6,6%) possuíam dentição funcional, ou seja, 20 dentes ou mais. O uso de próteses dentárias ocorreu em 24 (80%) participantes e a maioria destes referiu que suas próteses encontravam-se bem ajustadas e confortáveis (15; 62,5%).

Quanto à opinião sobre o processo de alimentação e mastigação, 24 (80%) dos idosos referiram não sentir dor ou desconforto ao mastigar e todos afirmaram não sentir cansaço. A mudança na alimentação durante os últimos anos foi citada por 11 participantes. A maioria dos idosos estudados tem preferência por alimentos de consistência sólida (28; 93,3%), porém 14 (46,7%) se sentem impossibilitados de mastigar algum tipo de alimento. A ingestão de líquidos durante a refeição foi relatada por 15 (50%) participantes e a maioria afirmou que consegue triturar o alimento em pedaços suficientemente pequenos antes de engolir (20; 66,7%).

Quando questionados sobre os alimentos que representavam alguma dificuldade para mastigar, 19 (63,3%) referiram um ou mais dos alimentos citados. Os alimentos que representaram maior dificuldade de mastigação foram carnes (16, 53,3%), seguidos das frutas e verduras cruas (14, 46,7%) e cereais (12, 40,0%) (tabela 1).

Tabela 1.
Distribuição dos idosos segundo os tipos de alimentos que representam dificuldades mastigatórias. Natal-RN, 2012.

Em relação à autopercepção da capacidade mastigatória (figura 1), o resultado aponta que 16 (53,3%) consideraram sua capacidade mastigatória satisfatória e 46,7% (n=14) como insatisfatória.

Figura 1.
Distribuição dos idosos segundo a capacidade mastigatória referida. Natal-RN, 2012.

Quando comparadas as condições dentárias com a capacidade mastigatória referida pelos idosos, pôde-se observar que não houve evidências de relação entre as variáveis (tabela 2).

Tabela 2.
Comparação entre as condições dentárias e a autopercepção da capacidade mastigatória. Natal-RN, 2012.

Na comparação entre a autopercepção da capacidade mastigatória e as variáveis independentes que referiram o processo de alimentação (tabela 3), verificou-se relação significativa com as variáveis referentes à impossibilidade de mastigar algum alimento (p=0,003) e capacidade de trituração do alimento (p=0,01).

Tabela 3.
Comparação das características do processo de alimentação com a autopercepção da capacidade mastigatória. Natal-RN, 2012.

Na tabela 4, está demonstrada a relação dos alimentos que representaram alguma dificuldade para serem mastigados, quando comparados à capacidade mastigatória referida. Observou-se relação estatisticamente significativa entre os idosos que referiram capacidade mastigatória satisfatória com as variáveis referentes a nenhum dos alimentos listados (p=0,002), com os idosos que não se queixaram de dificuldades para comer carnes (p=0,001), frutas e verduras cruas (p=0,000), massas (p=0,03) e cereais (p=0,02). Estes dados sugerem que os alimentos podem influenciar no processo de mastigação.

Tabela 4.
Comparação entre a autopercepção da capacidade mastigatória com os alimentos referidos pela dificuldade ao mastigar. Natal-RN, 2012.

DISCUSSÃO

Neste estudo, observou-se maior frequência de participantes do sexo feminino. O predomínio de idosas em pesquisas voltadas para a terceira idade pode ser observado em outros estudos.2121 . Nascimento CM, Ribeiro AQ, Cotta RMM, Acurcio FA, Peixoto SV, Priore SE, et al. Estado nutricional e fatores associados em idosos do Município de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública 2011;12(7):2409-18.

22 . Dias-da-Costa JS, Galli R, De Oliveira EA, Backes V, Vial EA, Canuto R, et al. Prevalência de capacidade mastigatória insatisfatória e fatores associados em idosos brasileiros. Cad Saúde Pública 2010;26(1):79-89.

23 . Cardoso MBR, Lago EC. Alterações bucais em idosos de um centro de convivência. Rev Para Med 2010;24(2)35-41.

24 . Lima RMF, Soares MSM, Passos IA, Da Rocha APV, Feitosa SC, De Lima MG. Autopercepção oral e seleção de alimentos por idosos usuários de próteses totais. Rev Odontol UNESP 2007;36(2):131-6.
- 2525 . Cupertino AFPB, Rosa FHM, Ribeiro PCC. Definição de envelhecimento saudável na perspectiva de indivíduos idosos. Psicol Reflex Crit 2007;20(1):81-6. Os artigos citados não discutem os motivos da maior demanda de idosas nas pesquisas; algumas coletas foram realizadas em domicílios,2121 . Nascimento CM, Ribeiro AQ, Cotta RMM, Acurcio FA, Peixoto SV, Priore SE, et al. Estado nutricional e fatores associados em idosos do Município de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública 2011;12(7):2409-18. , 2222 . Dias-da-Costa JS, Galli R, De Oliveira EA, Backes V, Vial EA, Canuto R, et al. Prevalência de capacidade mastigatória insatisfatória e fatores associados em idosos brasileiros. Cad Saúde Pública 2010;26(1):79-89. enquanto outras duas em um centro de convivência2323 . Cardoso MBR, Lago EC. Alterações bucais em idosos de um centro de convivência. Rev Para Med 2010;24(2)35-41. e em um centro de assistência odontológica.2424 . Lima RMF, Soares MSM, Passos IA, Da Rocha APV, Feitosa SC, De Lima MG. Autopercepção oral e seleção de alimentos por idosos usuários de próteses totais. Rev Odontol UNESP 2007;36(2):131-6. Neste estudo, os dados sugerem que idosas buscaram mais por serviços de atenção à saúde que os idosos, considerando que a demanda foi encaminhada em um setor ambulatorial de geriatria.

A caracterização da amostra revelou elevada perda dentária e reduzido número de idosos com dentição funcional, o que se refletiu na alta frequência de idosos usuários de próteses. Dados semelhantes foram observados em estudo anterior,2323 . Cardoso MBR, Lago EC. Alterações bucais em idosos de um centro de convivência. Rev Para Med 2010;24(2)35-41. no qual 43 (54%) idosos eram dentados, porém 74 (92%) utilizavam algum tipo de prótese. Segundo os autores, a não utilização de prótese dentária está relacionada às questões financeiras e até mesmo à falta de adaptação.

Dentre os usuários de próteses, a maior frequência de opiniões considerava que as mesmas se encontravam confortáveis e bem ajustadas, o que corrobora outro estudo2626 . Fazito LT, Perim JV, Di Ninno CQMS. Comparação das queixas alimentares de idosos com e sem prótese dentária. Rev CEFAC 2004;6(2):143-50. em que 58 (84%) idosos afirmaram que as próteses eram bem fixadas e não caíam com frequência. Os questionamentos relacionados com a satisfação e o ajuste das próteses são importantes, pois a ingestão de bons nutrientes geralmente exige a presença de dentes sadios ou próteses bem adaptadas.5. Montenegro FLB, Marchini L, Brunetti RF, Manetta CE. A importância do bom funcionamento do sistema mastigatório para o processo digestivo dos idosos. Rev Kairós 2007;10(2):245-57.

Neste estudo, os resultados referidos em relação às condições dentárias não se relacionaram estatisticamente com a autopercepção da mastigação. Observou-se, no entanto, que entre os 16 participantes que referiram capacidade mastigatória satisfatória, 13 (81,25%) eram usuários de algum tipo de prótese.

Em outra pesquisa,2525 . Cupertino AFPB, Rosa FHM, Ribeiro PCC. Definição de envelhecimento saudável na perspectiva de indivíduos idosos. Psicol Reflex Crit 2007;20(1):81-6. concluiu-se que o uso da prótese dentária melhora a capacidade mastigatória. Dos 37 (53,6%) usuários, 25 (67,5%) disseram não apresentar dificuldades para mastigar. Esses dados demonstram que o número de dentes tem influência significativa na capacidade de mastigação dos indivíduos e que as próteses dentárias, quando bem adaptadas, podem melhorar o padrão mastigatório de seus usuários.

Em outro estudo,2727 . Andrade BMS, Seixas ZA. Condição mastigatória de usuários de próteses totais. Int J Dent 2006;1(2):48-51. foram encontrados resultados divergentes, em que 43 (86%) idosos usuários de próteses declararam dificuldade para mastigar alguns alimentos. Segundo os autores, as próteses totais tecnicamente corretas podem melhorar o desempenho mastigatório, mas não suprem a necessidade de orientação e monitoramento nutricional que os usuários devem receber após a instalação das próteses.

Quanto às características do processo de mastigação, os resultados demonstraram baixa frequência de idosos que referiram dor ou desconforto ao mastigar, o que pode se relacionar às modificações alimentares e aos usuários que possuem próteses bem adaptadas, dados que corroboram outros estudos realizados.2828 . Bueno JM, Martino HSD, Fernandes MFS, Costa LS, Silva RR. Avaliação nutricional e prevalência de doenças crônicas não transmissíveis em idosos pertencentes a um programa assistencial. Ciênc Saúde Coletiva 2008; 13(4):1237-46 , 2929 . Lima RMF, Do Amaral AKFJ, Aroucha EBL, De Vasconcelos TMJ, Da Silva HJ, Da Cunha DA. Adaptações na mastigação, deglutição e fonoarticulação em idosos de instituição de longa permanência. Rev CEFAC 2009;11 Supl 3:405-22.

A ingestão de líquidos durante a refeição foi referida por metade da população deste estudo. Esses dados foram observados na literatura,1. Silva LG, Goldenberg M. A mastigação no processo de envelhecimento. Rev CEFAC 2001;3:27-35. em que os autores relataram a constante ingestão de líquidos pelos idosos durante a mastigação. Após a ingestão de líquidos, ocorre redução da atividade muscular e do número de ciclos mastigatórios, além de o efeito ser maior nos alimentos secos, facilitando ainda mais o processo de mastigação.1515 . Van Der Bilt, Engelen L, Abbink J, Pereira LJ. Effects of adding fluids to solid foods on muscle activity and number of chewing cycles. Eur J Oral Sci 2007;115(3):198-205. Isso implica que os idosos ingerem líquidos para amortizar suas dificuldades durante a alimentação.

Outro dado predominante foi a preferência por alimentos consistentes entre os idosos deste estudo. Observou-se, porém, que 14 (46,7%) estavam impossibilitados de mastigar algum alimento que gostariam. Resultado semelhante foi encontrado em outro estudo,2424 . Lima RMF, Soares MSM, Passos IA, Da Rocha APV, Feitosa SC, De Lima MG. Autopercepção oral e seleção de alimentos por idosos usuários de próteses totais. Rev Odontol UNESP 2007;36(2):131-6. em que a maioria dos idosos estudados (69%) tinha preferência por alimentos consistentes, porém 32 (55,2%) se sentiram impossibilitados de consumir determinados tipos de alimentos, sofrendo restrições alimentares.

Segundo outra pesquisa,5. Montenegro FLB, Marchini L, Brunetti RF, Manetta CE. A importância do bom funcionamento do sistema mastigatório para o processo digestivo dos idosos. Rev Kairós 2007;10(2):245-57. a maior queixa do indivíduo idoso é a perda da eficiência mastigatória, o que pode levar a substituições na dieta composta de alimentos saudáveis e consistentes por alimentos mais macios e pobres em nutrientes.

Quanto aos alimentos que representaram maiores dificuldades na mastigação, os mais citados foram: as carnes, as frutas e verduras cruas, e os cereais. Na literatura, foram encontrados resultados semelhantes.2020 . Braga SRS, Braga SRS, Telarolli R Junior, Braga AS, Catirse ABCEB. Efeito do uso de próteses na alimentação de idosos. Rev Odontol UNESP 2002;31(1):71-81. , 2424 . Lima RMF, Soares MSM, Passos IA, Da Rocha APV, Feitosa SC, De Lima MG. Autopercepção oral e seleção de alimentos por idosos usuários de próteses totais. Rev Odontol UNESP 2007;36(2):131-6. , 2727 . Andrade BMS, Seixas ZA. Condição mastigatória de usuários de próteses totais. Int J Dent 2006;1(2):48-51. Os alimentos influenciam no número de ciclos mastigatórios e na atividade muscular, devido às variações na dureza (ponto de rendimento), secura e percentual de gordura.4. Van Der Bilt A. Assessment of mastication with implications for oral rehabilitation: a review. J oral rehabil 2011;38(10):754-80. , 1515 . Van Der Bilt, Engelen L, Abbink J, Pereira LJ. Effects of adding fluids to solid foods on muscle activity and number of chewing cycles. Eur J Oral Sci 2007;115(3):198-205.

No presente estudo, foi encontrada relação entre estes alimentos referidos com a autopercepção da capacidade mastigatória. Os resultados são relevantes, pois os problemas mastigatórios das pessoas com alterações no estado dentário podem repercutir de forma negativa na qualidade nutricional.2020 . Braga SRS, Braga SRS, Telarolli R Junior, Braga AS, Catirse ABCEB. Efeito do uso de próteses na alimentação de idosos. Rev Odontol UNESP 2002;31(1):71-81.

Também foi encontrada relação entre os idosos que não referiram dificuldade com os alimentos citados. Assim, observou-se que, entre estes, dez (90,9%) classificaram a capacidade mastigatória como satisfatória. Os resultados indicam que os alimentos têm influência no processo de mastigação dos idosos.

É importante destacar que a autopercepção da capacidade mastigatória tem relação com as variáveis referentes a impossibilidade de mastigar algum alimento e capacidade de trituração do alimento, demonstrando que esta autopercepção pode fornecer dados importantes sobre as dificuldades encontradas pelos idosos no seu processo de alimentação.

A satisfação com a capacidade mastigatória é uma medida complexa e ampla que envolve o físico, os componentes sociais e psicológicos.3030 . Meng X, Gilbert GH. Predictors of change in satisfaction with chewing ability: a 24 month study of dentate adults. J Oral Rehabil 2007;34(10):745-58. A capacidade mastigatória referida revelou que os idosos têm autopercepção positiva em relação ao seu processo de mastigação. Os resultados encontrados são semelhantes ao estudo3131 . Martins AMEBL, Barreto SM, Pordeus IA. Auto-avaliação de saúde bucal em idosos: análise com base em modelo multidimensional. Cad Saúde Pública 2009;25(2):421-35. em que os idosos participantes avaliaram a mastigação como ótima/boa (2.519; 50,6%), regular (1.230; 24,7%), péssima/ruim (1.229; 24,7%). Em estudo internacional,1616 . Moriya S, Tei K, Yamazaki Y, Hata H, Muramatsu M, Kitagawa Y. Relationships between self-assessed masticatory ability and higher level functional capacity among community-dwelling young-old persons. Int J Gerontol 2012;6(1):33-7. a autopercepção satisfatória em relação à capacidade de mastigar foi mais frequente: 66,9 % dos idosos referiram como boa. Ainda nessa pesquisa,1616 . Moriya S, Tei K, Yamazaki Y, Hata H, Muramatsu M, Kitagawa Y. Relationships between self-assessed masticatory ability and higher level functional capacity among community-dwelling young-old persons. Int J Gerontol 2012;6(1):33-7. os autores afirmaram que a capacidade mastigatória não pode ser explicada apenas pelas condições orais, e que vários fatores gerais, como a vida social dos idosos, também precisam ser considerados.

Nesta perspectiva, os estudos futuros devem considerar o levantamento de dados que avaliem a autopercepção do indivíduo e o impacto destes na qualidade de vida dos indivíduos idosos. Tais dados podem indicar a necessidade de tratamento e fornecer informações relevantes para atender à demanda de diferentes comprometimentos na função mastigatória, observadas em situações cotidianas.

O tamanho da população participante foi um fator limitante para algumas análises estatísticas e o tempo de coleta também influenciou no número de participantes. Vale ressaltar que não existe um protocolo validado no país para a análise da autorreferência da capacidade mastigatória. Desta forma, pretende-se ampliar para estudos posteriores, com o objetivo de elaborar um protocolo que permita a avaliação clínica, mas que contemple informações e questionamentos referentes à autopercepção do idoso.

CONCLUSÃO

Os idosos tiveram autopercepção positiva da mastigação, apesar de relatarem compensações durante o processo alimentar, como: ingestão de líquidos durante a refeição, mudanças de alimentos na dieta, consistências e quantidades menores de comida, além de dificuldades para mastigar determinados alimentos.

Constatou-se que as pessoas idosas passam por mudanças e adaptações no processo alimentar e que estas merecem atenção por parte dos profissionais que atuam com o idoso, tanto na elaboração de estratégias de saúde na atenção básica quanto na atuação clínica ou hospitalar.

REFERÊNCIAS

  • 1
    Silva LG, Goldenberg M. A mastigação no processo de envelhecimento. Rev CEFAC 2001;3:27-35.
  • 2
    Marcolino J, Czechowski AE, Venson C, Bougo GC, Antunes KC, Tassinari N. Achados fonoaudiológicos na deglutição de idosos do município de Irati, Paraná. Rev Bras Geriatr Gerontol 2009;12(2):193-200.
  • 3
    Estrela F, Motta L, Elias VS. Deglutição e processo de envelhecimento. In: Jotz GP, Carrara-de Angelis E, Barros APB. Tratado de Deglutição e Disfagia: no adulto e na criança. Rio de Janeiro: Revinter;2009. p. 54-8.
  • 4
    Van Der Bilt A. Assessment of mastication with implications for oral rehabilitation: a review. J oral rehabil 2011;38(10):754-80.
  • 5
    Montenegro FLB, Marchini L, Brunetti RF, Manetta CE. A importância do bom funcionamento do sistema mastigatório para o processo digestivo dos idosos. Rev Kairós 2007;10(2):245-57.
  • 6
    Douglas CR. Fisiologia da mastigação. In: Douglas CR, organizador. Fisiologia aplicada à Nutrição. 2ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan; 2006. p. 518-39.
  • 7
    Woda A, Mishellany A, Peyron MA. The regulation of masticatory function and food bolus formation. J oral rehabil 2006;33(11):840-49
  • 8
    Peyron MA, Blanc O, Lund JP, Woda A. Influence of age on adaptability of human mastication. J neurophysiol 2004;92(2):773-79.
  • 9
    Cavalcanti RVA, Bianchini EMG. Verificação e análise morfofuncional das características da mastigação em usuários de prótese dentária removível. Rev CEFAC 2008;10(4):490-502.
  • 10
    Moure Fernández L, Puialto Durán MJ, Antolín Rodríguez R. Cambios nutricionales em El processo de envejecimiento. Enferm Glob 2003;2(1):1-16.
  • 11
    Criado MVE. Consideraciones periodontales del paciente adulto mayor: parte 2. Acta Odontol Venez 2013;51(3):1-8.
  • 12
    Okada K, Enoki H, Izawa S, Iguchi A, Kuzuya M. Association between masticatory performance and anthropometric measurements and nutritional status in the elderly. Geriatr Gerontol Int 2010;10(1):56-63.
  • 13
    Bulagarelli AF, Mestriner SF, Pinto IC. Percepções de um grupo de idosos frente ao fato de não consultarem regularmente o cirurgião-dentista. Rev Bras Geriatr Gerontol 2012;15(1):97-107.
  • 14
    Coutinho RF. Uma boa saúde geral do idoso passa pela boca. Rev Portal Divulg 2011;(13):12-3.
  • 15
    Van Der Bilt, Engelen L, Abbink J, Pereira LJ. Effects of adding fluids to solid foods on muscle activity and number of chewing cycles. Eur J Oral Sci 2007;115(3):198-205.
  • 16
    Moriya S, Tei K, Yamazaki Y, Hata H, Muramatsu M, Kitagawa Y. Relationships between self-assessed masticatory ability and higher level functional capacity among community-dwelling young-old persons. Int J Gerontol 2012;6(1):33-7.
  • 17
    Dye BA, Tan S, Smith V, Lewis BG, Barker LK, Thornton-Evans G, et al. Trends in oral health status: United States, 1988-1994 and 1999-2004. Vital Health Stat 11 2007;(248):1-92.
  • 18
    Genaro KF, Berretin-Felix G, Rehder MIBC, Marchesan IQ. Avaliação miofuncional orofacial: Protocolo MBGR. Rev CEFAC 2009;11(2):237-25.
  • 19
    Matiello MN, Sartori IAM, Lopes JFS. Análise comparativa das habilidades mastigatórias de pacientes dentados e desdentados reabilitados com próteses total. Salusvita 2005;24(3):359-75.
  • 20
    Braga SRS, Braga SRS, Telarolli R Junior, Braga AS, Catirse ABCEB. Efeito do uso de próteses na alimentação de idosos. Rev Odontol UNESP 2002;31(1):71-81.
  • 21
    Nascimento CM, Ribeiro AQ, Cotta RMM, Acurcio FA, Peixoto SV, Priore SE, et al. Estado nutricional e fatores associados em idosos do Município de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Cad Saúde Pública 2011;12(7):2409-18.
  • 22
    Dias-da-Costa JS, Galli R, De Oliveira EA, Backes V, Vial EA, Canuto R, et al. Prevalência de capacidade mastigatória insatisfatória e fatores associados em idosos brasileiros. Cad Saúde Pública 2010;26(1):79-89.
  • 23
    Cardoso MBR, Lago EC. Alterações bucais em idosos de um centro de convivência. Rev Para Med 2010;24(2)35-41.
  • 24
    Lima RMF, Soares MSM, Passos IA, Da Rocha APV, Feitosa SC, De Lima MG. Autopercepção oral e seleção de alimentos por idosos usuários de próteses totais. Rev Odontol UNESP 2007;36(2):131-6.
  • 25
    Cupertino AFPB, Rosa FHM, Ribeiro PCC. Definição de envelhecimento saudável na perspectiva de indivíduos idosos. Psicol Reflex Crit 2007;20(1):81-6.
  • 26
    Fazito LT, Perim JV, Di Ninno CQMS. Comparação das queixas alimentares de idosos com e sem prótese dentária. Rev CEFAC 2004;6(2):143-50.
  • 27
    Andrade BMS, Seixas ZA. Condição mastigatória de usuários de próteses totais. Int J Dent 2006;1(2):48-51.
  • 28
    Bueno JM, Martino HSD, Fernandes MFS, Costa LS, Silva RR. Avaliação nutricional e prevalência de doenças crônicas não transmissíveis em idosos pertencentes a um programa assistencial. Ciênc Saúde Coletiva 2008; 13(4):1237-46
  • 29
    Lima RMF, Do Amaral AKFJ, Aroucha EBL, De Vasconcelos TMJ, Da Silva HJ, Da Cunha DA. Adaptações na mastigação, deglutição e fonoarticulação em idosos de instituição de longa permanência. Rev CEFAC 2009;11 Supl 3:405-22.
  • 30
    Meng X, Gilbert GH. Predictors of change in satisfaction with chewing ability: a 24 month study of dentate adults. J Oral Rehabil 2007;34(10):745-58.
  • 31
    Martins AMEBL, Barreto SM, Pordeus IA. Auto-avaliação de saúde bucal em idosos: análise com base em modelo multidimensional. Cad Saúde Pública 2009;25(2):421-35.

Apêndice 1   Questionário capacidade mastigatória. Adaptado de Genaro et al.,18 Matiello, Sartori & Lopes19 e Braga et al.20

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Oct-Dec 2014

Histórico

  • Recebido
    19 Ago 2013
  • Revisado
    24 Maio 2014
  • Aceito
    30 Jul 2014
Universidade do Estado do Rio Janeiro Rua São Francisco Xavier, 524 - Bloco F, 20559-900 Rio de Janeiro - RJ Brasil, Tel.: (55 21) 2334-0168 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revistabgg@gmail.com