Open-access Prevenção e manejo clínico da constipação intestinal em pessoas idosas: revisão de escopo

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Resumo

Objetivo  mapear as abordagens terapêuticas para a prevenção e o manejo clínico da constipação intestinal em pessoas idosas.

Método  foi conduzida uma revisão de escopo, seguindo as recomendações do <italic>Manual do Joanna Briggs Institute </italic>(JBI), onde dois revisores, de forma independente, realizaram a seleção dos estudos, extração de dados e síntese descritiva. Foram utilizadas as bases de dados on-line (MEDLINE, LILACS, EMBASE, SCOPUS e Google Acadêmico) e literatura cinzenta para identificar publicações entre os anos de 2019 e 2024, das quais foram selecionados 19 artigos que abordavam a constipação intestinal funcional em pacientes idosos.

Resultados  houve predominância de estudos originais com abordagem quantitativa (79%). Quanto ao tipo de abordagem terapêutica para a constipação, 68% dos estudos abordavam terapias complementares, enquanto os demais mencionavam tratamentos farmacológicos, não farmacológicos e uso de probióticos. Não houve nenhuma referência a tratamentos cirúrgicos.

Conclusão  o estudo reforça os tipos de abordagens terapêuticas, consolidando na prática clínica as convencionais e evidenciando o potencial das terapias complementares, como a massagem abdominal, no manejo da constipação. Esses achados indicam que a integração entre práticas tradicionais e complementares pode favorecer uma abordagem mais abrangente, ampliando as possibilidades terapêuticas, propiciando maior adesão ao tratamento e contribuindo para a melhora da qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Palavras-chave
Idoso; Constipação intestinal; Terapêutica.

Abstract

Objective  to map the therapeutic approaches used for the prevention and clinical management of intestinal constipation in older adults.

Method  this scoping review was conducted in accordance with the Joanna Briggs Institute (JBI) Manual for Evidence Synthesis. Two reviewers independently performed study selection, data extraction, and descriptive synthesis. Online databases (MEDLINE, LILACS, EMBASE, SCOPUS, and Google Scholar) and gray literature were searched to identify publications from 2019 to 2024. A total of 19 studies addressing functional intestinal constipation in older adults were included.

Results  original studies with a quantitative design predominated (79%). Regarding therapeutic approaches to constipation, 68% of the studies focused on complementary therapies, while the remaining addressed pharmacological, non-pharmacological, and probiotic-based interventions. No studies referred to surgical treatments.

Conclusion  this review reinforces the diversity of therapeutic approaches, consolidating conventional clinical practices while emphasizing the potential role of complementary therapies, particularly abdominal massage, in constipation management. The findings suggest that integrating traditional and complementary practices may support a more comprehensive approach, expanding therapeutic possibilities, enhancing treatment adherence, and improving the quality of life among affected individuals.

Keywords
Older Adults; Intestinal Constipation; Therapeutics.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento da população mundial tem se intensificado nas últimas décadas, e esse processo leva a um declínio fisiológico das funções biológicas da maioria dos órgãos, incluindo o trato gastrointestinal. A constipação intestinal é considerada uma disfunção motora gastrointestinal relacionada à idade que, embora não seja fatal, afeta negativamente a qualidade de vida das pessoas1. A constipação pode reduzir a ingestão alimentar, contribuindo para a deterioração do estado nutricional e agravando a sarcopenia e a fragilidade em pessoas idosas2.

Além disso, a constipação intestinal apresenta um fator de risco para eventos cardiovasculares, acidente vascular cerebral e ruptura de aneurismas devido à pressão exigida para expulsar as fezes endurecidas durante o esforço evacuatório, o que provoca um aumento súbito da pressão arterial3. Trata-se de uma das condições crônicas mais comuns em pessoas idosas, com prevalência crescente com a idade, sendo mais comum no sexo feminino e particularmente presente entre os residentes de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs)4.

A fisiopatologia da constipação funcional é multifatorial e envolve fatores como dieta, motilidade intestinal, função motora e sensorial anorretal, diminuição da atividade física e questões psicológicas5. Apesar de várias opções de tratamento disponíveis, quase metade dos pacientes ainda se mostra insatisfeita com a melhora dos sintomas e preocupada com a segurança e os efeitos adversos6.

Vários métodos podem ser utilizados para o tratamento da constipação intestinal, incluindo abordagens não farmacológicas, farmacológicas e cirúrgicas. Ao considerar os custos e as possíveis complicações associadas aos tratamentos farmacológicos, a tendência no uso de métodos complementares para o manejo da constipação tem aumentado nos últimos anos7,8.

Os principais métodos não farmacológicos mais utilizados no tratamento da constipação incluem mudanças no estilo de vida, como aumento da atividade física, ingestão de líquidos e consumo de fibras. Outros métodos, como biofeedback (treinamento neuromuscular para restaurar um padrão normal da defecação), acupuntura, auriculoterapia, reflexologia, massagem abdominal e aromaterapia, também podem ser empregados9-11.

Foram realizadas buscas prévias na literatura com o objetivo de identificar a existência de protocolos semelhantes ao estudo. Essa etapa permitiu identificar lacunas no conhecimento e reforçar a relevância da pesquisa.

Este estudo se justifica pela frequência e impacto da constipação intestinal na população idosa. Ao reunir e identificar diferentes abordagens terapêuticas, contribui para ampliar o conhecimento dos profissionais de saúde e subsidiar práticas baseadas em evidências.

Dessa forma, este estudo tem como objetivo mapear as abordagens terapêuticas para a prevenção e o manejo clínico na constipação intestinal em pessoas idosas.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão de escopo, elaborada de acordo com o método orientado pelo Joanna Briggs Institute (JBI), que visa garantir um método rigososo e transparente, com a finalidade de fornecer uma visão descritiva dos estudos revisados, sem avaliar as evidências de diferentes investigações, como ocorre em uma revisão sistemática12,13. O protocolo foi registrado na Open Science Framework (https://doi.org/10.17605/OSF.IO/ZUNFG).

O relato desta revisão foi elaborado com base no checklist Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analysis extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR)14.

A estrutura desta revisão de escopo consiste em seis principais etapas: 1) identificação da questão da pesquisa e de seus objetivos; 2) identificação de estudos relevantes que viabilizassem a abrangência dos propósitos da revisão; 3) seleção de estudos, conforme os critérios predefinidos; 4) extração e mapeamento de dados; 5) sumarização dos resultados, por meio de uma análise temática qualitativa em relação ao objetivo e à pergunta; 6) apresentação dos resultados, identificando as implicações para a pesquisa15.

No período de outubro de 2024 a janeiro de 2025, foram utilizadas as bases e portais de dados da literatura publicada e cinzenta, US National Library of Medicine National Institutes of Health (PubMed/MEDLINE), LILACS, EMBASE, Scopus, Google Acadêmico, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), Open Access Theses and Dissertations (OATD) e Portal de Teses e Dissertações da Capes, que possui ampla cobertura das publicações na área da saúde.

Para orientar a formulação da questão norteadora, adotou-se a estratégia População, Conceito e Contexto (PCC). Para este estudo, foram considerados apenas os elementos - população: pessoas idosas; e conceito: abordagens terapêuticas na constipação intestinal, visto que o contexto não se aplicava ao objetivo proposto. Assim, definiu-se a seguinte pergunta: Quais as abordagens terapêuticas para a prevenção e o manejo clínico da constipação intestinal em pessoas idosas?

Os critérios de inclusão estabelecidos foram estudos relacionados às abordagens terapêuticas (não farmacológicas, farmacológicas, cirúrgicas e terapias complementares) para o manejo da constipação intestinal funcional em população idosa e que respondessem à pergunta de investigação. Foram excluídos textos publicados em outros idiomas que não o português, inglês e espanhol, publicados antes de 2019, protocolos de revisões, editoriais, opiniões de especialistas e artigos cujo texto completo não estava acessível. A estratégia de busca está descrita no Quadro 1.

Quadro 1
Base de dados e estratégias de busca. João Pessoa (PB), Brasil, 2025.

As buscas nas fontes de literatura foram realizadas por meio dos cruzamentos específicos entre os termos, e os estudos identificados foram inseridos no Rayyan software (AI-Powered Systematic Review Mangement Platform)16. A avaliação dos dados nas fases de análise de título e resumo, e posteriormente de texto completo, foi realizada por dois avaliadores independentes.

Os estudos selecionados, que responderam à questão norteadora desta revisão, foram lidos na íntegra e suas referências foram analisadas em busca de estudos adicionais por dois revisores independentes, que realizaram a extração de dados individualmente, de acordo com os critérios de elegibilidade e um formulário predefinido.

Caso surgissem conflitos entre os avaliadores, um terceiro avaliador seria consultado. As referências duplicadas foram identificadas e removidas pelo Rayyan software.

Os estudos identificados no Google Scholar por não permitir a exportação ao Rayyan software foram selecionados manualmente, e as referências duplicadas também foram identificadas e removidas manualmente.

A metodologia PRISMA-ScR14 foi utilizada para sistematizar o processo de inclusão e exclusão dos estudos. Os dados extraídos dos artigos foram: autor, ano de publicação, título, objetivo do estudo, metodologia, abordagens terapêuticas (não farmacológicas, farmacológicas, terapias complementares e tratamento cirúrgico) utilizadas no manejo da constipação intestinal funcional, classificada de acordo com os critérios de Roma III e IV, que definem constipação como a presença de duas ou mais das seguintes características: menos de três evacuações por semana, ou pelo menos 25% das evacuações com fezes duras, esforço ao evacuar, uso de manobras digitais, sensação de eliminação incompleta ou sensação de obstrução anorretal17,18, em pessoas idosas, consideradas àquelas com 60 anos ou mais de idade, além de resultado obtido e conclusões.

A construção dos resultados e da discussão baseou-se na análise de conceitos que respondem à problemática desta pesquisa, considerando o contexto e o conteúdo dos estudos lidos na íntegra, com enfoque nos objetivos, resultados e conclusões de cada artigo incluído. Para isso, utilizou-se a Análise de Conteúdo de Bardin19, para explorar as temáticas encontradas. Essa análise compreende três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados.

A pré-análise consiste em uma análise geral dos dados, realizada por meio de uma leitura dinâmica do material obtido. Em seguida, realizou-se a exploração do material, destacando-se os principais tópicos que respondem à pergunta de investigação. Por fim, o tratamento dos dados foi realizado de forma a permitir a extração de inferências, a interpretação dos dados, a captação das informações e comparação com outros estudos19.

DISPONIBILIDADE DE DADOS

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está disponível mediante solicitação ao autor correspondente.

RESULTADOS

Foram identificados, inicialmente, 30.256 estudos, os quais após todas as etapas de leitura de títulos, resumos e, posteriormente dos textos completos, resultaram na inclusão de 19 estudos na amostra final, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1
Fluxograma de seleção dos estudos. João Pessoa (PB), Brasil, 2025.

De acordo com os resultados obtidos, foi possível identificar que os estudos avaliaram o efeito das abordagens terapêuticas na constipação intestinal em pessoas idosas, por meio de estudos qualitativos e quantitativos.

A maioria dos estudos incluídos foi proveniente de países orientais como, Túrquia, China e Irã (8; 42,1%) e publicada no ano de 2022 (6; 31,6%). Quanto ao tipo de estudo, esta revisão observou predominância de ensaios clínicos (10; 52,6%), seguidos, em menor frequência, por estudos observacionais (2; 10,5%), estudos quase-experimentais (2; 10,5%), revisões sistemáticas (2; 10,5%) e estudos qualitativos (2; 10,5%).

No Quadro 2 estão descritas as características dos estudos incluídos conforme autores/ano, título e objetivo.

Quadro 2
Caracterização dos artigos selecionados, conforme o autor, ano, título e o objetivo. João Pessoa (PB), Brasil, 2025.

As abordagens terapêuticas adotadas pelos estudos, seus efeitos terapêuticos e efeitos colaterais, assim como as principais conclusões, são apresentadas no Quadro 3.

Quadro 3
Tipo de abordagem terapêutica abordada, efeitos terapêuticos, efeitos colaterais e conclusão. João Pessoa (PB), Brasil, 2025.

Ao considerar as abordagens terapêuticas, 13 estudos (E11 7, E1 20, E2 21, E3 22, E4 23, E6 25, E7 26, E9 28, E10 29, E12 30, E14 32, E16 34 e E19 37) avaliaram tratamentos não convencionais, classificados como terapias complementares. Já o tratamento farmacológico, incluindo laxantes e outros medicamentos, foi avaliado em seis estudos (E2 21, E9 28, E13 31, E14 32, E16 34 e E18 36) de forma direta ou indireta. Em relação às intervenções não farmacológicas - como dieta rica em fibras, ingesta hídrica, atividade física e probióticos, apenas cinco estudos (E5 24, E6 25, E15 33, E16 34, E17 35) as investigaram. Além disso, o estudo E8 27 abordou a estimulação elétrica transcutânea do nervo tibial (TTNS), e nenhum estudo fez referência aos tratamentos cirúrgicos.

Quatro trabalhos descreveram a ingestão de fibras alimentares como medida de educação alimentar e mudança de hábitos, visando prevenir a constipação e reduzir a necessidade de laxantes24,25,33,34.

A avaliação de laxantes foi realizada em cinco estudos, sendo que um deles destacou o uso de laxantes osmóticos à base de sal, contrastando com novos laxantes estimulantes que requerem mais pesquisas nessa população21,28,31,32,34.

Quanto à abordagem não convencional, ou seja, as terapias complementares, dez estudos avaliaram a massagem abdominal com ou sem aromaterapia, enquanto cinco estudos abordaram formas de acupuntura - incluindo auriculoterapia, acupressão e eletroacupuntura- como alternativas terapêuticas7,20-23,25,26,28-30,32,34,37.

Poucos estudos exploraram intervenções com probióticos, agentes secretores e medicamentos procinéticos, evidenciando uma lacuna importante na literatura que precisa ser abordada em pesquisas futuras, com o objetivo de compreender melhor essas abordagens na população idosa25,34-36.

DISCUSSÃO

Esta revisão de escopo identificou 19 estudos majoritariamente publicados em países orientais, no ano de 2022, compostos predominantemente por ensaios clínicos, cuja abordagem metodológica é descritiva e mapeadora. Esses estudos investigaram intervenções farmacológicas e não farmacológicas voltadas para o manejo da constipação em pessoas idosas.

Por se tratar de um problema de saúde que impacta significativamente a qualidade de vida das pessoas idosas, tem sido foco de pesquisas que visam consolidar as abordagens terapêuticas existentes e buscar alternativas eficazes, de baixo custo e com menor incidência de efeitos colaterais, promovendo maior satisfação dos pacientes com seus tratamentos7,20.

Ao diagnosticar a constipação intestinal, o tratamento inicial deve ser baseado em mudança no estilo de vida, a qual inclui o aumento da ingestão de água, de fibras e adesão à prática de exercícios físicos. Em seguida, segundo a Organização Mundial de Gastroenterologia, deve ocorrer a adição de laxantes osmóticos (polietilenoglicol ou lactulose) ou novos medicamentos (lubiprostone, linaclotide). Posteriormente, laxantes estimulantes, enemas e drogas procinéticas (prucaloprida) podem ser alternativas38.

Outras opções disponíveis incluem biofeedback e cirurgia para os casos refratários. Os tratamentos não farmacológicos e farmacológicos, apesar de eficazes a curto prazo, podem causar problemas a longo prazo, como interação medicamentosa, distúrbios hidroeletrolíticos, má absorção e até piora do quadro de constipação39.

A maioria dos estudos aborda estratégias terapêuticas complementares, sendo a massagem abdominal com ou sem aromaterapia a mais bem avaliada. A massagem abdominal, um método não invasivo, facilmente aplicável e sem efeitos colaterais, pode ser eficaz na constipação intestinal em pessoas idosas e pode ser incorporada aos processos de cuidado por meio do ensino da técnica às pessoas idosas ou aos seus cuidadores23.

Os estudos analisados valorizam as terapias complementares como formas alternativas de tratamento, que, embora pouco difundidas, são relatadas na literatura como eficazes no tratamento da constipação funcional. Quatro estudos abordaram as fibras alimentares, fortalecendo as evidências atuais de que o uso de suplementação diária de fibras é eficaz como tratamento primário da constipação e pode auxiliar no aumento da frequência das fezes e na redução da prescrição de laxantes em residentes de instituições de longa permanência, evidenciando que as mudanças de hábitos são fundamentais para prevenir e tratar os sintomas da constipação24,25,33,34.

De acordo com o Colégio Americano de Gastroenterologia e a Sociedade Europeia de Neurogastroenterologia e Motilidade (ESNM), a inclusão de fibras na dieta é fortemente recomendada como primeira linha de tratamento40,41. A hidratação é uma medida importante, principalmente para pacientes que utilizam suplementação de fibras, a fim de prevenir a piora da constipação e a impactação fecal, além de que o aumento da atividade física pode contribuir positivamente para essa condição clínica34,42 .

Em relação aos laxantes amplamente utilizados e vendidos livremente sem necessidade de prescrição médica, um estudo realizado31 relatou que os laxantes de sal, que são laxantes osmóticos, foram utilizados com maior frequência e associados às baixas taxas de constipação intestinal crônica, apoiando sua utilização e destacando a necessidade de mais pesquisas sobre o uso de novos laxantes. Existe uma forte recomendação para os laxantes polietilenoglicol e lactulose, com elevada qualidade de evidência para o primeiro e baixa para o último40.

Sabe-se que o uso indiscriminado de laxantes nas pessoas idosas pode causar efeitos colaterais importantes, como desconforto abdominal, distúrbios hidroeletrolíticos e hepatotoxicidade, devendo seu uso ser individualizado nessa população43.

O agente procinético prucaloprida é eficaz, sendo bem tolerado, porém, necessita de mais estudos para avaliar melhor o seu impacto no tratamento da constipação36. Esse fármaco é bem tolerado, apresentando cefaleia como evento adverso mais frequente, sem eventos cardiovasculares importantes e interação medicamentosa42.

A acupuntura, desde a forma de auriculoterapia à eletroacupuntura, foi outra abordagem terapêutica evidenciada em alguns estudos como capaz de reduzir a constipação e aumentar a satisfação dos pacientes com seu tratamento, além de ser segura e ter poucos efeitos colaterais20,37.

Verificou-se por meio de uma revisão bibliográfica35 a respeito dos prebióticos, probióticos e simbióticos que a maioria dos estudos sugere um efeito benéfico na constipação, porém, há uma falta de consenso entre as recomendações quanto à dosagem e à duração do tempo do tratamento. São necessárias mais evidências sobre a eficácia de cepas específicas e mais estudos clínicos randomizados bem delineados em pacientes com constipação intestinal44.

No estudo em tela, observa-se uma lacuna em relação às novas opções terapêuticas como os agentes secretores, pois as idades médias dos participantes de estudos clínicos com estes fármacos são de adultos até 50 anos de idade, devendo-se ter cautela na extrapolação dos dados para as pessoas idosas45.

Este estudo apresenta limitações inerentes às revisões de escopo, pois inclui estudos diversos, sem considerar a qualidade ou nível de evidência. Além disso, optou-se por restringir o idioma e o período de publicação, o que pode ter limitado a abrangência dos achados. Apesar de terem sido utilizadas estratégias amplas de busca em diversas bases de dados, é possível que estudos relevantes não tenham sido identificados. Outra limitação é que esta revisão identificou, em sua grande maioria, estudos realizados em países orientais onde a prática da Medicina alternativa é mais difundida e praticada, demonstrando a necessidade de que essa temática seja discutida e adotada também em países ocidentais.

CONCLUSÃO

Esta revisão forneceu uma síntese acerca das abordagens terapêuticas para a constipação intestinal funcional direcionadas às pessoas idosas, envolvendo desde medidas de mudança de estilo de vida, como o aumento da ingestão de fibras, líquidos e da prática de atividade física, até o uso de laxantes, agentes procinéticos e práticas integrativas complementares, como a acupuntura. Embora os resultados indiquem benefícios relevantes dessas estratégias, persistem lacunas importantes relacionadas à segurança e à aplicabilidade dos achados em populações idosas ocidentais.

Este estudo reafirma a importância de se continuar investigando opções terapêuticas que sejam eficazes, de baixo custo e que causem menos efeitos colaterais, promovendo a qualidade de vida dos pacientes durante o seu tratamento. Acredita-se que os resultados deste estudo possam apresentar e difundir modalidades de tratamento não convencionais, a exemplo das terapias integrativas complementares, como opções viáveis e eficazes.

Financiamento

Não houve financiamento para a execução deste trabalho.

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Correspondência

Correspondência Márcia Tatianna Fernandes Pereiramt_tatianna@yahoo.com.br

Conflito de interesse

Os autores declaram não haver conflito na concepção deste trabalho.

Editado por

Rayssa Horacio Lopes

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Dez 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    29 Ago 2025
  • Aceito
    20 Out 2025
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