Resumo
Objetivo Determinar a presença de sintomas depressivos e seus fatores associados no idoso que vive na cidade de São Paulo durante o isolamento da pandemia da covid-19.
Método Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal realizado com 411 idosos, que vivem na cidade de São Paulo. Foram utilizados os instrumentos de perfil demográfico, Escala de Depressão Geriátrica e listagem de sintomas físicos, psicológicos e uso de substâncias.
Resultados Identificou-se predomínio do sexo feminino, entre 60 e 69 anos, com companheiro, estudo superior, e sem alteração da renda. Ademais, não ter companheiro (p=0,02), sintomas psicológicos como falta de esperança (p=0,001), medo (p=0,008) e vontade de morrer (p=0,003), e sintomas físicos como tremor (p=0,003) e cansaço (p<0,001) foram associados com sintomas depressivos. Por outro lado, não usar substâncias ilegais (p=0,03) foi considerado um fator protetor à presença desses sintomas.
Conclusão É necessário estar alerta a quaisquer sinais ou sintomas que possam indicar algum sofrimento mental, sugerindo-se a adoção de medidas de socialização.
Palavras-Chave:
Depressão; Idoso; Pandemias; Covid-19; Enfermagem Geriátrica
Abstract
Objective To determine the presence of depressive symptoms and their associated factors in the elderly living in the city of São Paulo during the isolation of the covid-19 pandemic.
Method This is a quantitative, descriptive and cross-sectional study carried out with 411 elderly people living in the city of São Paulo. Demographic profile instruments, the Geriatric Depression Scale and a list of physical and psychological symptoms and substance use were used.
Results There was a predominance of females, between 60 and 69 years old, with a partner, higher education, and with no change in income. In addition, not having a partner (p=0,02), psychological symptoms such as lack of hope (p=0,001), fear (p=0,008) and desire to die (p=0,003), and physical symptoms such as tremor (p=0,03) and tiredness (p<0,0001) were associated with depressive symptoms. On the other hand, not using illegal substances (p=0,03) was considered a protective factor against the presence of these symptoms.
Conclusion It is necessary to be alert to any signs or symptoms that may indicate some mental suffering, suggesting the adoption of socialization measures.
Keywords
Depression; Elderly; Pandemics; Covid-19; Geriatric Nursing
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial de Saúde, em 11 de março de 2020, caracterizou a situação epidemiológica da covid-19 como pandemia1, a qual trouxe consigo um cenário novo, onde a sociedade passou a perceber mais intensamente a falta de segurança atinente às decisões políticas, principalmente, no que se refere ao controle efetivo da doença no mundo e no Brasil2.
Sob esse viés, no cenário nacional, várias medidas foram adotadas, a exemplo do Governo de São Paulo que decretou quarentena em todo o Estado, de modo a restringir atividades e limitar o contato social com a finalidade de evitar a propagação do vírus3. Nesse contexto, o distanciamento social total ou intenso foi mais acentuado na população idosa sendo mais evidenciado no sexo feminino e em aposentados4.
A saúde mental da população em geral, sobretudo na pessoa idosa, tem causado preocupações, uma vez que os mesmos são mais vulneráveis ao adoecimento psíquico. Essa vulnerabilidade advém não somente em virtude das repercussões decorrentes das condições fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento5, mas também devido às questões que envolvem a socialização, a qual tornou-se notadamente comprometida por conta do distanciamento físico adotado como principal medida de segurança para evitar a transmissão da covid-196.
Ademais, a saúde mental da população idosa dentro do contexto pandêmico tem sido foco de estudos. Esse cenário pode ser observado nos estudos realizados com idosos que residiam na comunidade, o qual evidenciou que a prevalência de sintomas depressivos (25%7 - 39%8) e ansiedade aumentaram significativamente durante a pandemia7,8 devido ao risco de transmissão do vírus para si e para seus familiares e a falta de um tratamento para tratar o vírus9.
Durante a pandemia da covid-19, emoções como medo e raiva aumentaram a taxa de manifestação de sintomas depressivos e altos níveis de ansiedade e estresse na pessoa idosa10. Além disso, epidemias anteriores mostraram que tais condições requerem mais atenção porque podem causar depressão, ansiedade, doenças mentais e pode levar ao suicídio em casos graves8.
Diante disso, torna-se imprescindível a atuação dos profissionais da área saúde, principalmente o enfermeiro, na prevenção, identificação, tratamento e recuperação da pessoa idosa que apresenta sintomas depressivos, especialmente após o isolamento e perdas de familiares e amigos pela covid-19. Além disso, a implementação de ações de prevenção à sintomática depressiva e promoção da saúde mental são de grande valia para evitar que a população idosa venha a possuir tais sintomas, bem como proporcionar uma melhoria na qualidade de vida da mesma.
Para tanto, o objetivo do estudo foi determinar a presença de sintomas depressivos e seus fatores associados no idoso que vive na cidade de São Paulo durante o isolamento da pandemia da covid-19.
MÉTODO
Estudo quantitativo, descritivo e de corte transversal que faz parte de um estudo maior titulado “Infodemia de covid-19 e suas repercussões sobre a saúde mental de idosos: estudo multicêntrico Brasil/Portugal/Espanha/Itália/Chile/Peru” realizado com idosos que vivem na cidade de São Paulo, entre os meses de julho de 2020 e janeiro de 2021.
O tamanho amostral foi estimado considerando a população de idosos na cidade de São Paulo, de modo que utilizou-se a fórmula:
onde “n” é a amostra calculada, “N” é a população, “Z” a variável normal padronizada associada ao nível de confiança, “p” a verdadeira probabilidade do evento (P=(1-P)=0.5, suposição de variação máxima), e “e” o erro amostral. Foram, ainda, utilizados o erro amostral de 5% e um nível de confiança de 95%, tendo como base as projeções do IBGE para a população idosa na cidade de São Paulo, sendo estimado, assim, o número de 411 idosos.
Para participar do estudo, os participantes tinham que cumprir os seguintes critérios de inclusão: idade igual ou superior de 60 anos, acessibilidade a internet, uso de aparelhos móveis ou computador e ter respondido todas as questões do instrumento. O critério de exclusão foi morar em Instituição de Longa Permanência para Idosos.
A coleta de dados ocorreu por meio de web-based survey, que foi enviado aos participantes através de diferentes meios, tais como as redes sociais Facebook, WhatsApp, entre outras. Ademais, solicitou-se à pró-reitoria de Cultura e Extensão da USP a divulgação do estudo por meio do Programa USP 60+.
Para atingir a amostra foi utilizada a técnica bola de neve virtual, em que o pesquisador pede aos participantes referência de novos informantes com as características semelhantes12 (Flick, 2009). Ressalta-se que no contexto da pandemia os idosos estavam em isolamento e, portanto, de difícil acesso presencialmente. Assim, foi solicitado aos idosos identificados pelos pesquisadores que indicassem outros idosos ou que encaminhassem o convite para os seus respectivos contatos.
Para a coleta das informações foram utilizados os seguintes instrumentos:
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Perfil demográfico: com a finalidade de identificar dados, tais como sexo (masculino e feminino), idade (em anos), estado civil (com e sem companheiro), escolaridade (sem estudos, ensino fundamental, ensino médio e superior), pessoas que moram com o idoso (em número) e modificação da renda durante a pandemia (não, diminuiu e aumentou).
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Escala de Depressão Geriátrica (EDG): instrumento de rastreamento de sintomas depressivos na pessoa idosa13, validado para língua portuguesa14 conformada por 15 itens. É um instrumento que visa avaliar a presencia de sintomas depressivos na população idosa. A escala utilizada apresenta respostas dicotômicas (sim e não), em que “sim” e “não” variam de 0 a 1 ponto, dependendo da questão. A escala apresenta um ponto de corte 5/6 pontos para categorizar a pessoa idosa com e sem presença de sintomas depressivos
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Sintomas autorrelatados: listagem de sintomas relacionados com as mudanças psicológicas e físicas que apresentou o idoso durante a pandemia da covid-19. Dessa forma, cada sintoma teve uma resposta tipo Likert (não, poucas vezes, algumas vezes e muitas vezes). Os sintomas foram baseados no impacto que pode sofrer a pessoa ao medo segundo a literatura15. Ademais, questionou-se o consumo de substâncias ilegais, álcool e psicofármacos durante a pandemia.
Realizou-se análise descritiva, apresentada por meio de frequências absolutas e relativas para as variáveis categóricas, e medidas de tendência central (media e desvio padrão) para as continuas.
Para analisar a variável desfecho sintomas depressivos (sim e não) foi utilizada a regressão logística múltipla, tendo como variáveis independentes as demográficas (sexo, idade, estado civil, escolaridade pessoas que moram com o idoso e mudança no salário). Por outro lado, os sintomas psicológicos, físicos e uso de substâncias autorrelatados pelo idoso, que tinham quatro níveis de resposta foram agrupadas da seguinte forma: sim (poucas vezes, algumas vezes e muitas vezes) e não (nunca). Todas as análises estatísticas tem uma significância de p<0,05.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, com parecer nº 4.134.050. Os participantes ao acessarem o link foram direcionados primeiramente para o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido digital, onde puderam ler e aceitar ou não participar do estudo. A aceitação ou não em participar do estudo foi registrada automaticamente no banco de dados gerado pela web-based survey.
RESULTADOS
Identificou-se que a prevalência de sintomas depressivos na população idosa foi de 39,7%. Houve predomínio do sexo feminino, daqueles com idade entre 60 e 69 com média de 67,38 (DP ±6,8) anos, com companheiro, estudo superior e sem alteração da renda. Em relação com o número de pessoas que moram com o idoso a média foi de 1,58 (DP = 1,37) pessoas (Tabela 1).
Caraterísticas sociodemográficas do idoso que vive em São Paulo (N=411). São Paulo, SP, 2021.
Os sintomas psicológicos que os idosos mais apresentaram durante a pandemia identificados na categoria muitas vezes foram: medo dos familiares morrerem (27%), preocupação (25,9%), medo de adoecer (18,1%) e ansiedade (17,4%) (Tabela 2).
Sintomas psicológicos autorrelatados durante a pandemia pelo idoso que vive em São Paulo (N=411). São Paulo, SP, 2021.
Quanto aos sintomas físicos que os idosos apresentaram durante a pandemia com maior frequência segundo a categoria muitas vezes foram: problemas do sono (13,2%), diminuição da libido (11,9%), cansaço e falta de energia (10,1% cada uma) e dores musculares (9,9%) (Tabela 3).
Sintomas físicos autorrelatados durante a pandemia pelo idoso que vive em São Paulo (N=411). São Paulo, SP, 2021.
Quanto ao uso de substâncias autorrelatados com a categoria muitas vezes, identificou-se o uso de psicofármacos (7,7%) e substâncias ilegais e tabaco (4,9% respetivamente) (Tabela 4).
Uso de substancias autorrelatados durante a pandemia pelo idoso que vive em São Paulo (N=411). São Paulo, SP, 2021.
Na análise de regressão, identificou-se que os fatores de risco como não ter companheiro (p=0,02), apresentar sintomas psicológicos como falta de esperança (p=0,001), medo (p=0,008) e vontade de morrer (p=0,003) apresentaram associação com a presença de sintomas depressivos. Ademais, sintomas físicos como tremor (p=0,003) e cansaço (p<0,001) também foram associados com sintomas depressivos. Por outro lado, o não uso de substâncias ilegais (p=0,03) foi considerado um fator protetor à presença desses sintomas na pessoa idosa durante a pandemia (Tabela 5).
Associação entre sintomas depressivos e fatores demográficos, sintomas físicos, psicológicos e uso de substâncias no idoso que vive em São Paulo durante a pandemia (N=411). São Paulo, SP, 2021.
DISCUSSÃO
No estudo, foi identificado que a presença de sintomas depressivos na pessoa idosa durante a pandemia pode estar associada a fatores demográficos como o estado civil, presença de sintomas psicológicos, físicos e ao uso de substâncias.
Os dados demostraram maior número de mulheres, com companheiro e estudo superior. Resultados similares foram identificados em pesquisas nacionais16 e internacionais17,18. Ademais, se identificou que 39,7% dos participantes apresentavam sintomas depressivos, similares resultados foram encontrados em estudo chinês (30,8%)16 e em Bangladesh (40,1%)17.
A alta prevalência de sintomas depressivos na pessoa idosa é um alerta para os profissionais de saúde, entre eles o enfermeiro, já que sua identificação durante a avaliação tem como objetivo, além de identificá-los precocemente, reconhecer os fatores de risco associados, promover a saúde mental nessa população e, consequentemente, diminuir os agravos18.
Em relação ao estado civil, os idosos com companheiros apresentaram menor escore de sintomas depressivos. Resultados similares foram identificados no estudo de base populacional realizado no Sul do Brasil, em que os fatores associados à ocorrência de depressão entre os idosos foram ser do sexo feminino, ser separados e viúvos durante a pandemia16. Contudo, essa associação, antes da pandemia, já era uma preocupação, como identificado no estudo realizado com 388 idosos em Mato Grosso19.
O idoso que não tem companheiro/a experimenta, no processo de envelhecimento, perdas continuadas que podem levar a ter sentimentos negativos, tais como desânimo e tristeza. Além disso, não ter um apoio social consolidado influencia no surgimento de sintomas depressivos20, o que pode ser agravado com o isolamento social durante a pandemia.
No estudo foi identificado que o idoso apresentou alguns sintomas psicológicos como falta de esperança, medo de morrer e vontade de morrer, os quais aumentam significativamente o risco da pessoa idosa vir a desenvolver sintomas depressivos. Com o início da pandemia de covid-19, houve medidas, como o isolamento social, visando prevenir a infecção e propagação do vírus, que trouxe muita preocupação em relação ao estado emocional dos idosos devido à interrupção brusca de suas atividades21.
Em um estudo realizado em Nepal com 847 idosos, os autores identificaram que os fatores associados ao medo de adoecer de covid-19 foram: ser considerado mais velho, apresentar comorbidades, receber fake news da mídia e redes sociais, apresentar muita preocupação, sentir-se sobrecarregado e falta de esperança pelo avanço da doença22.
Estudos realizados no Brasil, que investigaram sintomas depressivos em idosos no município de São Paulo23 e no Rio Grande do Sul24, relataram que esses sintomas na pessoa idosa associam-se a fatores como prejuízo da qualidade de vida, piores condições sociodemográficas e aumento do risco de mortalidade.
Os meios de comunicação desempenharam um papel central na disseminação de informações sobre a infecção, taxas de mortalidade pela covid-19 e vacinação, tornando as pessoas mais preocupadas e resultando em efeitos psicológicos adversos25. Medidas como o distanciamento social e quarentena diminuíram o acesso aos serviços de saúde mental à população, em especial aos idosos, causando um aumento do medo, incerteza, ansiedade e angústia durante a pandemia26. Ademais, a desinformação em torno à covid-19 - variando de uma narrativa falsa e enganosa do vírus chinês ao uso de desinfetantes para curar a covid-19 - afetou a saúde mental, física e o bem-estar das pessoas25.
Encontrou-se associação entre sintomas depressivos e apresentar sintomatologia física, tais como tremor e cansaço. Um estudo realizado com 145 idosos com o verificou-se que 65,5% apresentavam sintomas depressivos e influenciado pelo cansaço, medo a acontecer coisas ruins e problemas de memória27. A presença de sintomas depressivos pode causar um transtorno mental que pode estar acompanhado de tristeza, perda de interesse ou prazer, sentimento de culpa ou baixa autoestima, sono ou apetite perturbados, sensação de cansaço e falta de concentração28.
O cansaço é o sintoma mais prevalente na presença de depressão e cerca de 78% dos pacientes relatam níveis diários deste sintoma. Em indivíduos saudáveis, o cansaço subjetivo tem uma tendência de tempo diurna distinta: um padrão em forma de V, onde os níveis diminuem da manhã ao meio-dia e aumentam continuamente até atingir um pico no final da noite29.
Outro sintoma físico associado foi a presença de tremor na pessoa idosa durante pandemia de covid-19. O tremor funcional é um distúrbio de movimento mais comum, sendo diagnosticado pela confirmação de arrastamento ou supressibilidade total da atividade oscilatória, distração, sinal de coativação ou co-contração, pausa de tremor durante movimentos balísticos contralaterais e variabilidade na frequência de tremor, eixo e/ou distribuição topográfica30.
Um estudo identificou que a presença do tremor funcional apresentou associação com a presença de sintomas depressivos com ativação no cerebelo direito em comparação durante a tarefa motora, aumento da ativação no giro paracingulado e giro de Heschl esquerdo durante a tarefa de emoção básica que identifica faces tristes31.
Em relação ao uso de substâncias psicoativas atinente à manifestação de sintomas depressivos, no estudo, não usar substâncias ilegais mostrou ser um fator protetor no idoso. Uma pesquisa realizada no Brasil sobre o uso de substâncias psicoativas durante a pandemia encontrou que dos 1.145 participantes, 32% disseram ter iniciado o uso de substâncias psicoativas durante a pandemia de covid-19. É consenso que o consumo de substâncias ilegais estimula o aparecimento de doenças mentais no usuário, pois leva à pessoa a perder o controle sobre a vontade, passando a usar a substância psicoativa de modo compulsivo32.
O isolamento social pela pandemia, a aposentadoria forçada, a perda de entes queridos pela doença, assim como a alteração da renda são considerados fatores que aumentam o risco da pessoa idosa fazer uso de substâncias psicoativas, segundo reportou o National Institute on drug abuse sendo que o consumo aumentou de 3,4% para 7% entre 2012 a 201833, nesse sentido, deve-se identificar esses fatores nessa população e promover cuidados pela equipe de saúde para identificação dos riscos de alterações da saúde mental, por meio de avaliações constantes das equipes inter e multiprofissionais.
Além disso, com o início da pandemia, aumentaram os casos de estresse, causando um impacto físico e mental na saúde da população. Contudo, os idosos que faziam uso dessas substâncias tinham mais chance de apresentar recaídas ou aumentar o seu uso34.
O estudo apresenta limitações, tais como não ser representativa na cidade de São Paulo devido ao uso da técnica bola de neve, o que não permite inferir os resultados para a população idosa que mora na cidade. Além disso, o uso de meios eletrônicos para o preenchimento das informações direcionou a uma amostra diferenciada ao ser comparada a outros estudos realizados na população idosa. Porém, os achados apresentados irão direcionar o profissional da geriatria e gerontologia a refletir sobre a importância de promover e manter a saúde mental no idoso na pós-pandemia contribuindo com o envelhecimento saudável e ativo.
CONCLUSÃO
Os resultados apresentados neste estudo demonstram que, durante a pandemia de covid-19, os idosos apresentaram sintomas depressivos associados a diferentes fatores, o que suscitou nas pessoas o medo de morrer, de perder um amigo ou um ente querido e que provocou sentimentos de desesperança em algumas pessoas fazendo com que essas sentissem vontade de não mais viver.
Esses fatores psicológicos expressaram-se, também, por meio de sintomas físicos associados aos sintomas depressivos, pois as alterações mentais têm repercussões sintomáticas de natureza física, como a presença de tremores e cansaço. Além disso, os resultados obtidos são reforçados pelos estudos que asseveram a associação entre uso de substâncias, como os psicofármacos, e a manifestação de sintomas depressivos na pessoa idosa para a manutenção da saúde mental.
Sendo assim, o estudo contribui para a melhor compreensão dos efeitos de uma pandemia como da covid-19 referente aos aspectos psicológicos e físicos expressados pela população idosa no processo de enfrentamento desse contexto. No entanto, é necessário que o profissional de saúde atente a qualquer sinal ou sintoma precoce que possa indicar algum indício de alteração mental no idoso, sendo importante para a promoção da saúde mental nessa população.
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Editado por: Yan Nogueira Leite de Freitas
