O cenário do mercado de trabalho para idosos e a violência sofrida

Rafaela Lopes Batista Karla Maria Damiano Teixeira Sobre os autores

Resumo

Objetivo

analisar sistematicamente as publicações referentes ao cenário do mercado de trabalho para idosos e às situações de violência enfrentadas pelos idosos ativos.

Método

foi realizada uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados Web of Science, Scielo (Scientific Electronic Library Online) PubMed e Science Direct.

Resultados

foram encontrados 19 trabalhos, 89,4% dos casos de origem internacional, sendo 52,6% com abordagem quantitativa; 31,5%, qualitativa; e, 15,7%, mista. As áreas do conhecimento que concentraram a maioria dos estudos foram saúde, psicologia e gerontologia com 15,7%, sendo a maior parte dos estudos publicados nos anos de 2019, com 31,5% e 26,3% de recorrências respectivamente.

Conclusão

os estudos evidenciaram que os idosos encontram dificuldades de se manterem no mercado de trabalho pelas inadequações do local de trabalho e pela condição de saúde do idoso. Por outro lado, existem iniciativas governamentais que visam melhorar as condições de trabalho dos longevos, sendo a presença do idoso benéfica para sua saúde e também para o mercado. Em relação à violência sofrida no trabalho, os estudos são escassos, e os existentes destacam as dificuldades de entrada e permanência dos longevos no mercado em detrimento do ageismo e dos estereótipos ligados ao envelhecimento. Finalmente, com o envelhecimento da população considera-se importante pensar políticas públicas que proporcionem ao idoso condições adequadas de se manter ativo com a proteção de sua saúde e qualidade de vida.

Palavras-Chave:
Envelhecimento; Trabalho; Dinâmica Populacional; Maus-Tratos ao Idoso

Abstract

Objective

to systematically analyze publications referring to the labor market for older people and the violence situations faced by active older people.

Method

an integrative literature review in the databases Web of Science, Scielo (Scientific Electronic Library Online) PubMed and Science Direct.

Results

19 papers were found, 89.4% of the cases of international origin, 52.6% with a quantitative approach; 31.5% with a qualitative approach; and 15.7% with both. The areas of knowledge comprising most of the studies were health, psychology, and gerontology with 15.7% of them, and most studies were published in 2019, with 31.5% and 26.3% of recurrences, respectively.

Conclusion

the studies showed that older people have difficulties to remain in the labor market due to the inadequacies of the workplace and their health condition. On the other hand, there are government initiatives aimed at improving the working conditions for older people, and their presence is beneficial both for their health and for the market. Regarding violence at work, studies are scarce, and the existing ones emphasize the difficulties of older people to enter and remain in the market to the detriment of ageism and stereotypes related to aging. Finally, as the population is aging, it is important to think about public policies to provide older people with adequate conditions to remain active and protect their health and quality of life.

Keywords
Aging; Work; Population Dynamics; Elder Abuse

INTRODUÇÃO

O aumento do número de pessoas idosas em todo o mundo reflete em demandas de cunho político, social e econômico e causa reflexos no mercado de trabalho, pois aumenta a presença de idosos na População Economicamente Ativa (PEA)11 Souza AC, Melo CVB. O mercado de trabalho brasileiro diante das perspectivas de envelhecimento da população. Brasília, DF: Edições Câmara; 2017. Primeira parte, Brasil 2050 desafios de uma nação que envelhece; p. 19-40.. Nesse contexto, surge a necessidade de mudanças estruturais nas organizações, como, por exemplo, o oferecimento de jornadas de trabalho flexíveis, condições ergonômicas adequadas, gestão de grupos intergeracionais, e, a criação de estratégias para lidar com o ageismo nas empresas22 Silva ACC, Helal DH. Compreendendo a aposentadoria: um estudo de caso em uma instituição pública do Estado de Pernambuco. Rege. 2017;24:316-24.,33 Zigerr R, Filippim ES, Beltrame V. Perspectivas de carreira para pessoas idosas nas organizações. Recape. 2017;7(3):64-87..

Como o envelhecimento populacional ocorre de forma distinta entre países desenvolvidos e em desenvolvimento44 Giacomelli GS, Chiapinoto FV, Marion Filho PJ, Vieira KM. Transição demográfica e gasto público: uma análise comparativa de diferentes contextos. Rev Est Soc. 2016;18(37):1-12., alguns estão mais preparados do que outros para absorver seus trabalhadores idosos. Segundo Cepellos Filho55 Cepellos V, Pereira JL. Envelhecimento nas empresas. Soc Gestão. 2018;17(2):50-9., o mercado de trabalho brasileiro não tem se preparado para abarcar a população de idosos na PEA. Em contrapartida, países desenvolvidos, como a Dinamarca e o Canadá, possuem maiores iniciativas para conter essa parcela populacional ativa, tal como o aumento da idade para aposentadoria e políticas públicas de incentivo à permanência da pessoa idosa no trabalho66 Fasbender U, Deller J. Career Management Over the Life-Span. In: Parry E, McCarthy J. The Palgrave Handbook of Age Diversity and Work. London: Palgrave Macmillan; 2016. p. 767..

Além disso, o aumento do número de pessoas idosas em relação à população total contribuiu para a elevação do número de casos de violência contra idosos. Segundo Morilla e Manso77 Morilla JL, Manso MEG. Violência contra pessoa idosa: contribuições para o estudo do tema. Rev Longeviver. 2020;2(6):93-9., a violência contra a pessoa idosa tem se tornado uma tendência mundial, sendo uma realidade preocupante à medida que atinge uma em cada seis indivíduos de 60 anos ou mais88 Yongjie Y, Christopher RM, Zachary DG, Kathleen HW. Elder abuse prevalence in community settings: a systematic review and meta-analysis. Lancet Glob Health. 2017;5(2):147-56..

A violência que atinge os longevos ocorre no ambiente doméstico, na rua e também em instituições, como o mercado de trabalho99 Santos MAB, Moreira R, Faccio PF, Gomes GC, Silva VL. Fatores associados à violência contra o idoso: uma revisão sistemática da literatura. Ciênc Saúde Colet. 2020;25(6):2153-75., podendo causar transtornos físicos, emocionais, psicológicos e provocar efeitos negativos no bem-estar e na qualidade de vida1010 World Health Organization. Elder Abuse: the health sector role in prevention and response. Geneva: WHO; 2016.. Segundo Bialowolska et al.1111 Bialowolska B, Bialowolska D, McNeely E. The impact of workplace harassment and domestic violence on work outcomes in the developing world. W Devel. 2020;126:1-11. a violência no mercado de trabalho com idosos tem crescido cada vez mais devido às políticas de gestão que visam ao lucro e a redução de custos, deixando questões como as relações entre gerações, que são propulsoras de violência, em segundo plano.

Nesse sentido, levando em consideração a presença cada vez maior de idosos no mercado de trabalho, bem como a crescente onda de violência cometida contra essa parcela da população é que se justifica a necessidade de conhecer o cenário do mercado de trabalho para trabalhadores idosos e as situações de violência por eles enfrentada nesse ambiente.

Dessa forma, este estudo objetivou analisar as publicações referentes ao cenário do mercado de trabalho para idosos e às situações de violência vivenciadas pelos idosos ativos.

MÉTODO

O presente estudo é uma revisão sistemática de literatura do tipo integrativa. Segundo Botelho et al.1212 Botelho LLR, Cunha CCA, Macedo M. O método da revisão integrativa nos estudos organizacionais. Gestão Soc. 2011;5(11):121-36. a revisão integrativa possibilita a sistematização do conhecimento científico de um determinado tema, viabiliza a construção do estado da arte sobre o mesmo, além de apontar lacunas da literatura que podem se tornar temas de estudos futuros. Nesse caso, as temáticas de interesse são as violências a que estão sujeitos os idosos economicamente ativos; e, o cenário do mercado de trabalho para trabalhadores idosos.

A revisão integrativa seguiu as seguintes etapas: escolha da temática de interesse; estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão dos estudos; definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados; avaliação dos estudos que se encaixaram nos critérios de inclusão e exclusão; e, análise, interpretação e apresentação da síntese dos resultados1313 Mendes KDS, Silveira RCCP, Galvão CM. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2008;17(4):758-64..

Os descritores utilizados para pesquisa foram “Demographic Aging” AND “Violence” AND “Labor” OR “Workers age”. A busca foi realizada nas bases de dados Web of Science, Scielo, Pubmed, Science Direct, Scopus, PsychInfo, Jstor, Springer, e Nature.

Os critérios de inclusão utilizados para seleção dos artigos foram aqueles que tratavam da temática em questão, abrangendo as diferentes áreas do conhecimento, com texto completo disponível online, sem filtro de idioma e de ano de publicação. Os critérios de exclusão foram artigos de revisão de literatura, de acesso incompleto e artigos duplicados. As informações extraídas dos textos foram: autores dos artigos, nomes dos periódicos, tipos de estudo, base utilizada para pesquisa, área do conhecimento, país de publicação, ano de publicação, e, os aspectos relacionados ao panorama do mercado de trabalho e às situações de violência vivenciadas pelos longevos ativos. E por fim, os dados foram organizados por meio de tabelas.

A consulta à literatura foi realizada de agosto de 2020 a janeiro de 2021, mediante o acesso às plataformas PubMed, Science Direct, Web of Science e Scielo, sendo as duas últimas, por meio do login institucional da Universidade Federal de Viçosa no Portal de Periódicos da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), utilizando o acesso CAFE (Comunidade Acadêmica Federada), o que permite acesso a artigos de forma completa. Para as demais bases que não possuíam acesso aberto, a busca pelos artigos teve que ser realizada na internet a fim de evitar a perda de conteúdo. Assim sendo, embora tenha se buscado identificar o maior número possível de estudos relacionados à questão proposta, alguns artigos podem ter sido excluídos não intencionalmente, sendo o principal viés deste estudo, o viés de seleção.

RESULTADOS

Ao realizar a busca nas bases de dados supracitadas, verificou-se que, na Scopus, PsychInfo, Jstor, Springer, e Nature não obteve-se nenhum resultado. E nas demais bases, ao iniciar a busca dos artigos pelo uso dos descritores previamente citados, foram encontrados 780 estudos, dos quais somente 355 deles possuíam acesso aberto. Após selecionar os artigos de acesso livre foi realizada a leitura dos resumos para verificar quais realmente se enquadravam na temática de interesse, sendo descartados 332 estudos que não se adequavam, além de três estudos de revisão de literatura e um artigo duplicado. Finalmente, a amostra foi composta por 19 artigos da literatura nacional e também internacional. Verificou-se, portanto, que a literatura sobre o idoso inserido no mercado de trabalho e as situações de violência a que estão sujeitos é escassa (Quadro 1).

Quadro 1
. Percurso metodológico percorrido para busca dos artigos na Web of Science, Scielo, PubMed e Science Direct, Scopus, PsychInfo, Jstor, Springer, e Nature.

A maioria dos estudos da amostra, 19, foi publicada em periódicos internacionais e, em se tratando das perspectivas dos trabalhos, a maior parte apresentou abordagem quantitativa nove; seis qualitativa; e, três mista.

Em relação à área de conhecimento, as pesquisas que retratam a presença de idosos no mercado de trabalho e as situações de violência por eles enfrentadas perpassam diversas áreas. As mais recorrentes foram saúde, psicologia e gerontologia que apareceram em três estudos, seguido de economia e engenharia, que recorreram em dois estudos. As demais, trabalho social, sociologia, gestão, estudos ambientais, relações industriais e do trabalho e ergonomia estavam presentes em um trabalho cada.

A maior parte das publicações compreenderam os anos de 2019 com seis recorrências e 2020, com cinco, seguido dos anos de 2015, 2016 e 2018 todos com 2 artigos cada, e em 2001 e 1997 obteve-se 1 estudo cada. Em relação às bases de dados, 12 publicações descenderam da Web of Science, uma do Scielo, cinco do Science Direct e 1 da PubMed (Quadro 2).

Quadro 2
Perfil dos estudos realizados sobre a presença de idosos no mercado de trabalho e a violência enfrentada pelos longevos ativos nos anos de 1997 a 2021.

Em relação à nacionalidade das pesquisas, os Estados Unidos apresentaram seis estudos. A Holanda, Brasil, Noruega, Austrália, Dinamarca e Reino Unido apresentaram dois estudos cada. E Bélgica, Estocolmo, Polônia e Holanda recorreram em uma pesquisa cada (Quadro 3).

Quadro 3
Países e Principais resultados que subsidiam a resposta dos objetivos, dos estudos realizados sobre a presença de idosos no mercado de trabalho e a violência enfrentada pelos longevos ativos nos anos de 1997 a 2021.

DISCUSSÃO

A partir dos estudos encontrados, verificaram-se as abordagens dadas às pesquisas sobre a temática de interesse. Foram detectados estudos que tratavam de aspectos que influenciam sobre a permanência da pessoa idosa no trabalho, benefícios do trabalho para o trabalhador e para o mercado de trabalho, violências enfrentadas pelo idoso no mercado de trabalho, e, fatores que influenciam na saída precoce dos idosos do mercado do trabalho.

Em relação aos aspectos que influenciam sobre a permanência da pessoa idosa no trabalho em diferentes países, foram identificados sete estudos (Damman e Henkens1414 Damman M, Henkens K. Gender differences in perceived workplace flexibility among older workers in the Netherlands: a brief report. J Appl Gerontol. 2020;39(8):915-21., Case et al.1515 Case K, Hussain A, Marshall R, Summerskill S. Digital human modelling and the ageing workforce. Procedia Manuf. 2015;3(1):3694-3701. , Coombe et al.1616 Coombe AH, Epps F, Lee J, Chen ML, Imes CC, Chasens ER. Sleep and self-rated health in an aging workforce. Workplace Health Saf. 2019;67(6):302-10., Merkus et al.1717 Merkus SL, Lunde LK, Koch M, Waersted M, Knardahl S, Veiersted KB. Physical capacity, occupational physical demands, and relative physical strain of older employees in construction and healthcare. Int Arch Occup Environ Health. 2019;92(3):295-307., Kerr et al.1818 Kerr J, Takemoto M, Bolling K, Atkin A, Carlson J, Rosenberg D, et al. Two-arm randomized pilot intervention trial to decrease sitting time and increase sit-to-stand transitions in working and non-working older adults. Plos ONE. 2016;11(1):1-12, Dimovski et al.1919 Dimovski V, Grah B, Colnar S, Bogotaj D. Age management of industrial workers based on multiple decrease modeling. Procedia Manuf. 2019;39(1):1455-63., Sundstrup et al.2020 Sundstrup E, Hansen A, Mortensen EL, Poulsen OM, Claussen T, Rugulies R, et al. Cognitive ability in midlife and labor market participation among older workers: prospective cohort study with register follow-up. Saf Health Work. 2020;11(3):291-300., Vigtel2121 Vigtel TC. The retirement age and the hiring of senior workers. Labour Econ. 2018;51(1):247-70.). Damman e Henkens1414 Damman M, Henkens K. Gender differences in perceived workplace flexibility among older workers in the Netherlands: a brief report. J Appl Gerontol. 2020;39(8):915-21. em um estudo realizado na Holanda, ressaltaram que a permanência da pessoa idosa no trabalho está associada às condições de trabalho. Nesse sentido, a fim de oferecer melhores condições e prevenir a saída dos idosos, o governo holandês criou a política de flexibilização do trabalho, oferecendo ao idoso a oportunidade de trabalhar com horários flexíveis ou em sua própria residência.

As condições de trabalho como forma de manutenção do idoso no trabalho também foram mencionadas em estudo realizado no Reino Unido. Este por sua vez assinalou a modelagem digital humana como forma de melhorar as circunstâncias de trabalho dos idosos1515 Case K, Hussain A, Marshall R, Summerskill S. Digital human modelling and the ageing workforce. Procedia Manuf. 2015;3(1):3694-3701..

Outro aspecto também mencionado para manutenção do idoso no trabalho é seu estado de saúde. De acordo com Coombe et al.1616 Coombe AH, Epps F, Lee J, Chen ML, Imes CC, Chasens ER. Sleep and self-rated health in an aging workforce. Workplace Health Saf. 2019;67(6):302-10. a condição de saúde, principalmente em relação à saúde do sono do longevo, está atrelada ao seu desempenho e permanência no trabalho. Dessa forma, manter um bom nível de sono dos trabalhadores é uma forma de mantê-los saudáveis e por maior tempo no mercado de trabalho1616 Coombe AH, Epps F, Lee J, Chen ML, Imes CC, Chasens ER. Sleep and self-rated health in an aging workforce. Workplace Health Saf. 2019;67(6):302-10..

A situação de saúde da pessoa idosa também foi mencionada em um trabalho Norueguês realizado por Merkus et al.1717 Merkus SL, Lunde LK, Koch M, Waersted M, Knardahl S, Veiersted KB. Physical capacity, occupational physical demands, and relative physical strain of older employees in construction and healthcare. Int Arch Occup Environ Health. 2019;92(3):295-307. que demonstraram que manter a capacidade física do trabalhador durante toda a vida é a chave para a manutenção de uma boa saúde e atividade até o momento da aposentadoria. Sendo assim, para prolongamento da vida laborativa do idoso é necessário que sejam feitas adaptações em seu trabalho, exigindo menor esforço físico e, consequentemente, provocando menor desgaste em sua saúde1717 Merkus SL, Lunde LK, Koch M, Waersted M, Knardahl S, Veiersted KB. Physical capacity, occupational physical demands, and relative physical strain of older employees in construction and healthcare. Int Arch Occup Environ Health. 2019;92(3):295-307..

A saúde mais uma vez foi mencionada como fator importante para manutenção do idoso no trabalho em pesquisa americana realizada por Kerr et al.1818 Kerr J, Takemoto M, Bolling K, Atkin A, Carlson J, Rosenberg D, et al. Two-arm randomized pilot intervention trial to decrease sitting time and increase sit-to-stand transitions in working and non-working older adults. Plos ONE. 2016;11(1):1-12, na qual demonstrou que o sedentarismo de idosos é um dos maiores causadores de doenças. Sendo assim, buscou-se diminuí-lo por meio da redução de horas diárias sentadas e aumento de transições, como ficar em pé/sentado, a fim de melhorar sua qualidade de vida e consequentemente, prolongar sua vida ativa.

Também preocupado com a vida ativa dos idosos trabalhadores, diante de sua maior presença no mercado e pela escassez de mão de obra, Dimovski1919 Dimovski V, Grah B, Colnar S, Bogotaj D. Age management of industrial workers based on multiple decrease modeling. Procedia Manuf. 2019;39(1):1455-63. estimou a idade produtiva limítrofe da pessoa idosa, visando o retorno produtivo do idoso para com o trabalho.

Ainda referente à saúde, mas dessa vez, da capacidade cognitiva do idoso, Sundstrup et al.2020 Sundstrup E, Hansen A, Mortensen EL, Poulsen OM, Claussen T, Rugulies R, et al. Cognitive ability in midlife and labor market participation among older workers: prospective cohort study with register follow-up. Saf Health Work. 2020;11(3):291-300. realizaram um estudo a fim de estimar a relação entre a capacidade cognitiva individual com saídas temporárias ou permanente do mercado. Verificou-se que a capacidade cognitiva nesse caso não interferiu no afastamento do trabalho.

Finalmente, um artigo Norueguês verificou que outro fator que influencia sobre a permanência e contratação de pessoas idosas é a gestão governamental do país, que por meio da legislação vigente pode incentivar as empresas a contratar e manter trabalhadores idosos em suas empresas. A exemplo, a Noruega, ao optar pela flexibilização da idade mínima de aposentadoria, incentivou a maior contratação de idosos no mercado de trabalho2121 Vigtel TC. The retirement age and the hiring of senior workers. Labour Econ. 2018;51(1):247-70..

Outra abordagem encontrada nos estudos trata sobre os benefícios do trabalho para o mercado e para o idoso trabalhador. Com o envelhecimento populacional, ocorrem maiores interações sociais entre pessoas de diferentes idades no mercado de trabalho. Estudo americano desenvolvido por Burmeister et al.2222 Burmeister A, Wang M, Hirschi A. Understanding the motivational benefits of knowledge transfer for older and younger workers in age-diverse coworker dyads: an actor-partner interdependence model. Appl Psychol. 2020;105(7):748-59. verificou que a presença de pessoas idosas na empresa torna-se vantajosa, pois proporciona troca de conhecimento entre as gerações, motiva os funcionários e proporciona maior anseio do idoso em permanecer ativo.

Pesquisa americana desenvolvida por Straussner e Senreich2323 Straussner SLA, Senreich E. Productive aging in the social work profession: a comparison of licensed workers 60 years and older with their younger counterparts. Clin Soc Work J. 2020;48(2):196-210., demonstrou que o trabalho é benéfico para a pessoa idosa, pois, apesar de apresentarem complicações de saúde, que neste caso são provenientes do processo natural do envelhecimento, os idosos se expressam mais satisfeitos com sua profissão, com sua vida e apresentam percepção positiva em relação ao ambiente de trabalho.

A presença de idosos no trabalho ainda se apresenta como benéfica para o mercado, pois segundo Bartkowiak et al.2424 Bartkowiak G, Krugiełka A, Kostrzewa-Demczuk P, DachowskI R, Galek K. Attitudes of polish entrepreneurs towards 65+ knowledge workers in the context of their pro-social attitude and organizational citizenship behavior.sustain. 2020;12(13):1-24., os gestores de empresas reconhecem que esses trabalhadores podem oferecer para a empresa um bom espírito colaborativo, competências, capital intelectual e social, características que não são encontradas na maioria dos jovens trabalhadores.

Outra categoria encontrada descreve as situações de violência enfrentadas pelos trabalhadores idosos no mercado de trabalho. A violência com o idoso no mercado de trabalho se apresenta por meio do despreparo de empresas para lidar com o novo perfil de trabalhador. Um estudo holandês assinalou que, apesar da conformação etária estar se transformando, tendo cada vez mais idosos em relação a jovens no mercado, a gestão de recursos humanos de empresas não está preparada para lidar com as demandas advindas da convivência intergeracional. Além disso, vê-se que as ações dos gestores são inclinadas à estereotipagem negativa baseada na idade, que considera o idoso um ser improdutivo e incapacitado. Essa estereotipagem prejudica os idosos em termos de oportunidades de emprego e também de se manterem no trabalho2525 Peters P, Van der heijden BIJM, Spurk D, de vos A, Klaassen R. Please don’t look at me that way. An empirical study into the effects o age-based (meta-) stereotyping on employability enhancement among older supermarket workers. Front Psychol. 2019;10(249):1-14..

A violência ancorada nos estereótipos do envelhecimento também foi mencionada em estudo americano. De acordo com Findsen2626 Findsen B. Older workers’ learning within organizations: issues and challenges. Educ Gerontol. 2015;41(8):582-9., os preconceitos que circundam o envelhecimento, principalmente os relacionados à capacidade de aprendizagem, têm prejudicado a permanência dos idosos no trabalho. Nesse sentido, considera-se importante que as organizações combatam atitudes de discriminação por idade e incentivem as iniciativas de aprendizagem mútua por meio de atividades intergeracionais2626 Findsen B. Older workers’ learning within organizations: issues and challenges. Educ Gerontol. 2015;41(8):582-9..

A violência com os idosos trabalhadores pode ser observada também nas práticas gerenciais. De acordo com Amorim et al.2727 Amorim W, Fischer A, Fevorini FB. Workers age 50 and over in the Brazilian labor market: is there ageism? Rege. 2019;26(2):161-79., em um estudo brasileiro, identificaram que empresas que fazem parte do Grupo das Melhores Empresas para se Trabalhar não possuem práticas gerenciais de incentivo à contratação e retenção de trabalhadores idosos. Além disso, não se atentam à adaptação do ambiente e da jornada de trabalho e não possuem planos de saúde com atenção especial às necessidades dos idosos. Ademais, observou-se que os profissionais do Gerenciamento de Recursos Humanos não manifestam interesse na temática, o que se configura mais uma vez como uma violência estrutural2727 Amorim W, Fischer A, Fevorini FB. Workers age 50 and over in the Brazilian labor market: is there ageism? Rege. 2019;26(2):161-79..

Outra categoria que emergiu dos estudos, se refere aos fatores que influenciam na saída precoce dos idosos do mercado de trabalho. Jonsson et al.2828 Jonsson H, Kielhofner G, Borell L. Anticipating retirement: the formation of narratives about an occupational transition. Am J Occup Ther. 1997;51(1):49-56., em estudo realizado em Estocolmo com idosos trabalhadores, revelou que são muitos os fatores internos e ambientais que influenciam sobre a decisão de aposentadoria precoce da pessoa idosa, mas que geralmente os mais influentes são diminuição de energia e doenças crônicas.

Investigação realizada na Bélgica, que examinou os elementos envolvidos nas intenções precoces de aposentadoria, verificou que um dos principais responsáveis pelo anseio de aposentar é o prazer em trabalhar. Neste sentido, verifica-se que manter um funcionário idoso motivado é tão importante quanto mantê-lo com saúde para que ele continue trabalhando2929 Schreurs B, Cuyper ND, Emmerik IJH, Notelaers G, Witte HD. Job demands and resources and their associations with early retirement intentions through recovery need and work enjoyment. SA J Industr Psychol. 2001;37(2):63-73..

Outro fator apontado por um estudo dinamarquês como preditor da saída antecipada do idoso do mercado de trabalho é a circunstância do ambiente de trabalho. Segundo Sundstrup et al.3030 Sundstrup E, Hansen AM, Mortensen EL, Poulsen OM, Clausen T, Rugulies R, et al. Retrospectively assessed physical work environment during working life and risk of sickness absence and labour market exit among older workers. Occup Environ Med. 2018;75(2):114-23., a saída adiantada do mercado de trabalho por trabalhadores idosos está relacionada a fatores ambientais, como as exigências do trabalho físico, levantamento de peso, a exposição a ruídos, poeira e vibração3030 Sundstrup E, Hansen AM, Mortensen EL, Poulsen OM, Clausen T, Rugulies R, et al. Retrospectively assessed physical work environment during working life and risk of sickness absence and labour market exit among older workers. Occup Environ Med. 2018;75(2):114-23..

As mudanças advindas com a globalização, também apresentam influência sobre a saída precoce do idoso do mercado. Como por exemplo: as atualizações tecnológicas, empregos temporários e contratos a tempo certo, que não proporcionam condições favoráveis de permanência no trabalho. A continuidade do idoso também é influenciada pela conjuntura econômica das empresas e de crises macro sistêmicas que as afetam, deixando, portanto, de ser a idade o único demarcador de interrupção da vida ativa do longevo3131 Oddone MJ. Employment, the (de) chronologization of life cycle, and the career path of older workers. Contemporanea. 2019;9(3):803-22..

No Reino Unido, um estudo verificou a relação entre as intenções precoces de aposentadoria e o transporte até o local de trabalho. Os elementos que mais intervieram sobre a possibilidade de aposentadoria em relação ao transporte foram os altos custos, o estresse, a condição de saúde, o cansaço e o tempo que passam no transporte. Para fazer com que o transporte não influencie sobre a saída do mercado, as empresas têm aplicado estratégias de carona coletiva, vagas de estacionamento reservadas, ajustes do turno de trabalho e trabalho remoto3232 Talbot R, Rackliff L, Nicolle C, Maguire M, Mallaband R. Journey to work: Exploring difficulties, solutions, and the impact of aging. Int J Sustain Transp. 2016;10(6):541-51..

De forma semelhante, Nomiyama et al.3333 Nomiyama T, Omae K, Tanaka S, Miyauchi H, Koizumi A, Tsukada M, et al. A cross-sectional observation of the effects of hydrazine hydrate on workers’ health. J Occup Health Psychol. 1998;40(3):177-85. verificaram em sua pesquisa realizada no Japão que a forma com que o idoso idealiza o processo de transição para a aposentadoria varia conforme o significado que o trabalho possui em sua vida. Dessa forma, os idosos que veem o trabalho como fardo terão prazer em se aposentar e poder ocupar seu tempo de outras formas. Por outro lado, os idosos que têm o trabalho como parte de sua identidade terão maiores dificuldades de se aposentar. Sendo assim, o significado do trabalho apresenta-se como fator considerável para a decisão de aposentadoria do idoso.

Por fim, cabe ressaltar como limitação do estudo a obtenção incompleta de pesquisas que dizem respeito ao cenário do mercado de trabalho para idosos, bem como de situações de violências ocorridas, devido a indisponibilidade do texto completo online, o que impediu o uso dos mesmos para compor o trabalho.

CONCLUSÕES

A maior parte dos estudos referentes à presença de idosos no mercado de trabalho e à violência sofrida por eles têm sido realizados em países desenvolvidos, o que pode ser: o processo de envelhecimento gradual ocorrido nesses países tenha proporcionado uma maior amplitude temporal para se pensar e lidar com as questões advindas da longevidade. Acredita-se também que isso pode estar relacionado ao fato de os países desenvolvidos serem os maiores responsáveis pelas publicações científicas em geral. No Brasil, os estudos indicam que os longevos enfrentam dificuldades para a permanência no mercado de trabalho pelas inadequações desse ambiente pela condição de saúde do trabalhador, embora existam exemplos de iniciativas governamentais em outros países para melhorar suas condições de trabalho, como a política de flexibilização do trabalho e a modelagem digital humana. A presença do idoso no trabalho é benéfica tanto para o mercado quanto para o próprio idoso. Quanto à violência sofrida no mercado de trabalho, os estudos são escassos, e os que existem destacam as dificuldades de entrada e permanência dos longevos no mercado devido ao ageismo e aos estereótipos ligados ao envelhecimento. Diante do exposto, considera-se importante pensar em políticas públicas que proporcionem ao idoso condições adequadas de se manter ativo com a proteção de sua saúde e qualidade de vida.

  • Financiamento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Nº do processo: 88882.436947/2019-01 Bolsa de: Mestrado

REFERENCES

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Jun 2021
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    10 Fev 2021
  • Aceito
    24 Maio 2021
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