Open-access Educação em saúde como estratégia para promoção da saúde dos idosos: Uma revisão integrativa

Resumo

Objetivo:   Identificar as principais temáticas e estratégias de educação em saúde para promoção da saúde de idosos.

Método:   Revisão integrativa da literatura realizada nos meses de março e abril de 2018, por meio da Biblioteca Virtual de Saúde, nas bases Medical Literature Analyses and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e na Scientific Electronic Library Online (SciELO). Após processo de busca e seleção das publicações, a amostra final se constituiu de 24 artigos.

Resultados:   Dezesseis artigos nacionais, a maioria realizados no sudeste e sul do Brasil, cujas temáticas de alimentação saudável e práticas de exercício físico se manifestaram com maior frequência nas práticas de educação em saúde com idosos.

Conclusão:   As ações de educação em saúde estiveram voltadas para alimentação saudável e atividade física, realizadas por meio de oficinas grupais, seminários e/ou palestras, desenvolvidas, em sua maioria, por enfermeiros e agentes comunitários de saúde componentes das equipes de saúde da família.

Palavras-chave:
Promoção da Saúde; Educação em Saúde; Saúde do Idoso

Abstract

Objective:   To identify the key issues and health education strategies for the health promotion for the elderly.

Method:   An integrative literature review was conducted during the months of March and April 2018, by means of the Virtual Health Library, in the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, Latin American Literature in Health Sciences and the Scientific Electronic Library Online databases. After the search process and the selection of publications, the final sample consisted of 24 articles.

Results:   A total of 16 Brazilian articles, the majority of which were carried out in the southeast and south of the country, were identified, in which the most frequently expressed themes for the health education of the elderly were healthy eating and physical exercise practices.

Conclusion:   The actions of education in health were focused on healthy eating and physical activity, carried out by means of group workshops, seminars and/or lectures, performed, in the majority, by nurses and community health agents who were part of family health teams.

Keywords:
Health Promotion; Health Education; Health of the Elderly.

INTRODUÇÃO

A educação em saúde é entendida como um processo educativo de construção de conhecimentos, que visa à apropriação da temática pela população1. Refere-se a um conjunto de práticas que contribuem para o aumento da autonomia individual e coletiva das pessoas e para o debate com os profissionais e os gestores, de modo a alcançar uma atenção à saúde de acordo com as necessidades dos indivíduos e das comunidades, melhorando a qualidade de vida e saúde da população2,3.

Enquanto processo pedagógico emancipatório, a educação em saúde favorece o desenvolvimento da autonomia intelectual, tornando-se uma ferramenta imperante para promoção da melhoria da qualidade de vida e saúde dos idosos4,5.

A Atenção Primária à Saúde (APS), tendo como principal cenário a Estratégia de Saúde da Família (ESF), aparece como lócus privilegiado de práticas educativas em saúde, pois o trabalho integrado da equipe de profissionais favorece e mobiliza esforços para contribuir na manutenção da saúde individual e coletiva6, o que pode favorecer a consciência crítica e transformadora, permitindo o exercício da cidadania e efetivando mudanças pessoais e sociais.

Logo, os profissionais de saúde da atenção primária possuem a importante função de promover programas e atividades de educação em saúde, visando à qualidade de vida dos indivíduos e famílias, devendo estas ações estarem integradas ao cuidado7. Para isso, tais ações devem ser planejadas e direcionadas ao público-alvo adequado, articuladas por uma equipe multiprofissional e executadas permanentemente, considerando o que os sujeitos precisam e desejam saber para que se promova sua saúde8.

A temática em questão aparece em destaque na agenda de prioridades de pesquisa segundo parecer do Ministério da Saúde, para o ano de 2018, uma vez que incentiva a avaliação da implantação de estratégias de educação em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS); o levantamento de metodologias inovadoras, participativas e resolutivas de educação em saúde com pessoas idosas; e a avaliação do impacto das práticas de educação em saúde com pessoas idosas na Atenção Primária9.

Evidencia-se, portanto, a importância da temática, tanto em termos de atuação da prática assistencial, como no cenário de pesquisa; ao passo que se acredita que promover ações de educação em saúde com idosos, com a participação dos mesmos, familiares e comunidade, é um método efetivo na promoção da saúde e qualidade de vida dessa população. Sendo assim, faz-se necessário aprofundar o conhecimento acerca dessa temática.

Nessa perspectiva, a presente pesquisa teve como objetivo identificar as principais temáticas e estratégias de educação em saúde para a promoção da saúde de idosos.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Para construção desse estudo, foram seguidas seis etapas fundamentais: identificação do tema e seleção da questão de pesquisa; estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão dos estudos; categorização dos estudos; avaliação dos estudos; interpretação dos resultados e síntese do conhecimento10.

Para condução da pesquisa, elaborou-se a seguinte questão norteadora: Quais as principais estratégias utilizadas e temáticas abordadas nas ações de educação em saúde, com vistas à promoção da saúde direcionada para a população idosa?

A partir da questão norteadora, com o intuito de facilitar a definição dos descritores, utilizou-se a estratégia PVO (População, Variável de interesse e Outcome/desfecho), onde foi definido como população do estudo “idosos”, a variável de interesse foi “educação em saúde” e o desfecho/Outcome “a promoção da saúde”.

As buscas foram realizadas entre os meses de março e abril de 2018, por dois avaliadores independentes, por meio da Biblioteca Virtual de Saúde, nas bases Medical Literature Analyses and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e na Scientific Electronic Library Online (SciELO). A escolha dessas bases justifica-se pela abrangência científica que têm acerca das pesquisas no campo da promoção da saúde.

Para as buscas foram selecionados os descritores controlados: “Saúde do Idoso”, “Educação em Saúde” e “Promoção da Saúde”, que foram cruzados com o auxílio do operador booleano AND, utilizando o método de busca avançada a partir da categorização por título, resumo e assunto.

Como critérios de inclusão foram eleitos: estudos cuja temática estivesse relacionada à educação em saúde com idosos em formato de artigo e disponível para download, nos idiomas inglês, português e espanhol, com ano de publicação entre 2013 e 2017. Justifica-se este recorte temporal por ter sido no ano de 2013 implementado o Decreto nº 8.114, que trata do Compromisso Nacional para o Envelhecimento Ativo11, no qual estão incluídas as ações de educação em saúde. Com relação aos critérios de exclusão elegeram-se: estudos no formato de dissertações, teses, artigos de reflexão e de revisão de literatura, documentários, ensaios e/ou resenhas.

A busca nas bases resultou 35.211 estudos, destes, 2.439 artigos na LILACS, 32.157 na MEDLINE e 615 na SciELO.

Após a aplicação dos filtros, a etapa seguinte consistiu em selecionar os trabalhos a partir da leitura de títulos e resumos, dos quais foram excluídos aqueles que explicitamente não se adequavam ao escopo dessa pesquisa, obtendo-se um total de 64 artigos potencialmente elegíveis, que prosseguiram para leitura na íntegra. Nesta etapa, foram excluídos três artigos repetidos; 12 não adequados à temática; três revisões de literatura; três artigos de reflexão e 19 que não estavam disponíveis para download, obtendo-se um total de 24 estudos que compuseram a amostra final.

A etapa de avaliação dos estudos permitiu identificar que de acordo com a pirâmide de evidências12 dois estudos estavam no segundo nível, sendo, portanto, ensaios clínicos; um no terceiro, estudo coorte; um no quarto, estudo do tipo caso-controle; cinco no nível cinco, caracterizados como estudos quase experimentais e 15 no nível seis de evidências científicas, estudos descritivos.

Para extração dos dados, elaborou-se um formulário próprio contendo dados bibliométricos acerca dos artigos estudados, sintetizados no Quadro 1, e as informações referentes as estratégias pedagógicas utilizadas, os profissionais envolvidos e resultados obtidos na educação em saúde, que estão apresentados de forma descritiva nas seções a seguir.

Quadro 1
Descrição dos artigos selecionados quanto aos autores, ano e local, tipo de estudo, amostra e objetivos do estudo.

RESULTADOS

Considerando as variáveis selecionadas para apresentação dos artigos, o Quadro 1 apresenta de forma sintética os aspectos estudados: autores, ano, local, tipo de estudo, amostra e objetivos dos estudos.

As temáticas trabalhadas nas ações de educação em saúde foram variadas, no entanto, houve predominância de discussões acerca da alimentação saudável17,20,22,25,26,28,29,33,35 e da prática de exercícios físicos20,22,26,28,31,32,34,35. Dentre outros temas, destacaram-se as doenças crônicas18,19,27,36 com ênfase para hipertensão arterial18,27,36; diabetes melitus18,27,36; doenças respiratórias15; sexualidade28,30; envelhecimento ativo30; hábitos saudáveis21,23,35; medicamentos13,36; questões legais e financeiras20,28; e participação social23,24.

Essas ações foram desenvolvidas pelos profissionais de saúde, em sua maioria, trabalhadores da atenção primária; contando com a participação de agentes comunitários de saúde14,21,34,35, enfermeiros34,35, técnicos de enfermagem21,32,34, médicos34 e cirurgião-dentista35. Apenas um artigo19 não especificou a categoria profissional.

Em muitos estudos, as ações foram executadas por discentes e docentes de vários cursos de graduação, principalmente do curso de Enfermagem13,27,28, seguido de outros cursos com menor incidência, como: Medicina27,30, Educação Física22,32, Nutrição22,29, Farmácia36, Terapia Ocupacional29 e Fisioterapia32.

No que diz respeito às estratégias adotadas para aplicação das atividades de educação em saúde, nove estudos utilizaram oficinas em grupo13,20-22,27-29,32,34; cinco utilizaram seminários e/ou palestras17,19,30,33,36; três fizeram uso de materiais expositivos, dinâmicas e conversas informais18,25,30; dois aplicaram a exposição dialogada16,24; campanhas de marketing 15,26 e educação por meio digital23. Em três estudos não houve menção das estratégias adotadas14,31,35.

Como referencial teórico para condução dos estudos, dois13,27 se basearam no referencial de Paulo Freire. Muitos artigos, embora não o mencionassem diretamente, falavam em uma educação em saúde com abordagem participativa e dialógica, visando o empoderamento do sujeito, o que condiz com o pensamento freiriano18,22,25,28,30,35. Dentre outros referenciais evidenciaram-se a Política Nacional de Promoção da Saúde19, um modelo de crença em saúde16, dinâmica de grupo de Kurt Lewin21, paradigma interpretativo hermenêutico24 e o modelo integrado de mudança26, no entanto, 10 estudos não referiram uso de referencial15,17,20,23,29,31,34,36.

As ações desenvolvidas foram avaliadas de forma positiva, tanto pelos idosos, como pelos executores das ações em todos os estudos analisados. Mesmo os que apresentaram estratégias com multimídia ou apenas campanhas de marketing, mostraram resultados avaliativos de impactos mais modestos, mas que referenciava algum benefício na promoção da saúde dos idosos.

DISCUSSÃO

Os dados demonstraram a versatilidade que as ações de educação em saúde apresentam aos profissionais de saúde enquanto estratégia para promover a saúde da população idosa, tanto em relação às temáticas abordadas quanto às estratégias utilizadas.

Os achados colocam em evidência o valor da educação em saúde para essa população específica, principalmente quando ocorre a troca de saberes científico e popular; com a valorização do saber mútuo, dando importância ao diálogo e elevando o poder de compreensão do idoso de si, do outro e do mundo, ampliando a compreensão de realidades diversas.

Constata-se, portanto, que a educação em saúde para idosos é um tema de interesse mundial, uma vez que as mudanças demográficas e epidemiológicas atuais destacam a necessidade de valorizar ações para este público, com foco no desenvolvimento da autonomia, da independência e da melhora na qualidade de vida, a partir de um envelhecimento ativo e saudável.

O interesse pelo desenvolvimento de estudos acerca do envelhecimento ativo ao longo dos últimos anos justifica-se pelo cenário de transição demográfica, com aumento da proporção de idosos na população mundial e brasileira.

No cenário nacional, o reconhecimento dessa temática como prioridade de pesquisa apontada pelo Ministério da Saúde4, impulsiona a produção científica na área, tendo em vista a necessidades de identificar e discutir as questões que se relacionam as novas demandas da sociedade, bem como buscar estratégias que estimulem autonomia e melhorem a qualidade de vida do público geriátrico.

Em relação às temáticas das ações educativas com o público idoso, houve predominância de temas como alimentação saudável e prática de atividade física, o que é corroborado por estudo que evidenciou que a promoção da saúde era essencial em todas as idades, e que para os idosos seu valor é inquestionável, sendo fundamental que se criem, nos idosos, hábitos de vida saudáveis, nomeadamente no que concerne a sua alimentação e exercício físico24.

Doenças crônicas como hipertensão e diabetes também foram temas frequentes, o que pode ser explicado pela maior prevalência de tais agravos com o avançar da idade36, merecendo especial atenção.

Em estudo nacional35 a escolha dos temas a serem trabalhados com os grupos de idosos era decidida principalmente pelas necessidades observadas pelo profissional, sendo os assuntos mais abordados atividade física (90%), alimentação (85%) e hábitos de vida (75%).

Destaca-se assim, a necessidade de transformação do modo tradicional de se conduzir grupos de educação em saúde35. É preciso ir além dos temas biomédicos recorrentes como: doença, medicações, complicações e tratamentos, de modo que se possam alcançar outros temas como lazer, troca de experiências populares e culinária saudável comunitária; dentre tantas outras possibilidades a serem trabalhadas em um grupo de educação em saúde com idosos.

Alguns dos estudos13,14,18,19,22,24,28-30,35 sinalizaram a importância de valorizar a participação dos idosos nas ações, de modo a buscar os temas de seu interesse, além de centrar-se em suas vivências e experiências prévias. Verifica-se que quando o idoso interage e a atividade educativa se baseia em suas necessidades, ela se torna mais produtiva e com respostas mais efetivas.

A promoção da saúde nos apresenta desafios para o processo de educação em saúde, como iniciativas mais dialógicas e reflexivas a partir de experiência prática dos atores37. A educação problematizadora defendida por Paulo Freire se insere como referencial para abordagens educativas por meio de estratégias participativas.

Alguns autores13,35,38 acreditam que as estratégias participativas e as abordagens lúdicas podem contribuir com o envelhecimento saudável e ativo, pois são espaços reais da expressão individual e do coletivo das vivências e troca de saberes; como defende Paulo Freire, tornam-se práticas de educação libertadora e emancipadora, na medida em que concentram-se nas experiências do sujeito, possibilitando a livre expressão e que abordem temas de interesse dos participantes, sem menosprezar o conhecimento prévio, levando a troca entre saber científico e popular, não transmissão vertical de informações, de forma não dialética.

Tentar romper com o aspecto tradicional nas oficinas educativas e deixar que a organização de uma delas fosse executada pelos idosos participantes foi relatado em estudo que teve como resultado, a criatividade, interesse e comprometimento dos membros, que em unanimidade, elegeram essa oficina como a melhor do grupo39.

As literaturas21,39 apontam a formação de grupos e oficinas com idosos como boas estratégias para o processo de convivência entre eles, assim como, o empoderamento de sua saúde, participação dos membros, execução prática do aprendizado adquirido, bem como a troca de experiências e conhecimentos entre os usuários do serviço e os profissionais de saúde.

No contexto dos trabalhadores do SUS é especialmente o enfermeiro da equipe de saúde da família que assume as ações educativas, reguladas pelas diretrizes da promoção da saúde40; mas, acredita-se que é responsabilidade de toda a equipe de saúde trabalhar de forma integral, focada na prevenção e promoção da saúde.

No tocante a prática médica nas ações de prevenção e promoção da saúde, é possível observar que este profissional não está familiarizado com essa prática; assim, não se dispõe a trabalhar com ações de educação em saúde40,41.

É devido a essa lacuna, que se compreende a importância da Educação Permanente em Saúde (EPS) dos profissionais que atuam na atenção primária, já evidenciada em 2017 no PRO EPS-SUS, por meio da Portaria GM/MS nº 3.194, que considerava a necessidade de retomar o financiamento e o processo de planejamento de ações de EPS nos âmbitos estadual e local42.

Essa portaria visando os repasses financeiros aos municípios de verba para ações de EPS no território objetivava estimular, acompanhar e fortalecer a qualificação profissional dos trabalhadores da área da saúde, a fim de transformar as práticas de saúde, em direção ao atendimento dos princípios fundamentais do SUS, a partir da realidade local e da análise coletiva dos processos de trabalho.

Sendo assim, o governo vem percebendo que valorizando a educação permanente dos profissionais de saúde, poderá ter retornos no âmbito de melhoria da situação de saúde da população. Isso pode ser facilitado pela inserção da universidade nas ações de educação em saúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), bem como em outros locais onde há a presença do público idoso, como nas instituições de longa permanência.

O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação e Cultura vêm estimulando a parceria entre as instituições formadoras de profissionais e os serviços de saúde, visando aproximá-los do SUS e das necessidades de saúde da população brasileira, por meio de programas que integram ensino-serviço-comunidade, bem como iniciação ao trabalho e à pesquisa, com participação de estudantes da graduação de vários cursos, docentes de instituições de ensino e profissionais dos serviços29.

Planejar atividades com idosos de forma interdisciplinar é desafiador para os estudantes, já que antes as ações eram desenvolvidas sem uma abordagem participativa e dinâmica dos usuários, mas ao adotar essas estratégias dialógicas, observaram-se mudanças de comportamento dos membros do grupo, com a satisfação relatada dos idosos, da equipe e de todos os envolvidos no processo. Pode-se verificar que os discentes/docentes funcionaram como facilitadores de novas possibilidades, com outro olhar acerca das necessidades do grupo e das práticas adotadas para o cuidado dos usuários geriátricos na UBS29.

Apesar desse expansivo processo de envelhecimento populacional, os artigos mostraram que estudar melhores formas de realizar ações de educação em saúde para o público idoso que possam contribuir e estimular o autocuidado, a autonomia e a melhora da qualidade de vida, ainda se fazem necessárias13,15,16,18,21,23,24,26,28.

O reconhecimento de que as intervenções educativas, voltadas aos cuidados preventivos e de bem-estar para idosos, são elementos-chave na prestação de cuidados de saúde e que, a partir da análise de especialistas em políticas de saúde e agências governamentais, essas ações são custo-efetivas e têm um grande potencial em promover o bem-estar físico e mental dessa população43.

Acredita-se que as estratégias de promoção de saúde e prevenção de enfermidades, associadas a melhores práticas assistenciais, poderão contribuir para a redução na proporção de idosos fragilizados, com melhoria das condições de saúde desse grupo e redução dos custos ao sistema; dessa forma, abordagens participativas são possibilidades de efetivação dessas medidas preventivas18.

No Brasil, a importância de ações promotoras de bem-estar e seu impacto nos custos na saúde foram mencionadas em um estudo32. A análise se fundamentou na ideia de que o aumento do número de doentes das diversas faixas etárias, especialmente idosos, levava a maior demanda dos serviços de saúde, consequentemente, com aumento dos gastos. Logo, a prevenção foi considerada o melhor investimento. Sendo assim, devem ser criadas estratégias capazes de retardar doenças e incapacitações, visando aumentar o nível de independência e autonomia das pessoas.

Mais estudos precisam ser realizados para avaliar o impacto de atividades voltadas à população idosa, assim como, elucidar a necessidade de novas estratégias de educação em saúde, que se orientem por temáticas de interesse dos idosos e que possam contribuir com a melhoria de sua qualidade de vida. Também devem ser incentivados aqueles que avaliem essas ações e seus impactos na população de idosos, bem como estudos com níveis de evidência um e dois.

Apontam-se como limitações desse estudo: a não realização de uma análise da eficácia das ações educativas desenvolvidas sob a percepção dos idosos, uma vez que as discussões apresentadas se baseiam, em sua maioria, a partir da percepção que os profissionais tiveram sobre as ações implementadas. Em outra direção, a escassez de estudos que discorram sobre a eficácia e a efetividade dessas ações para o setor de saúde também se apresenta como desafios para a investigação científica.

CONCLUSÃO

Conclui-se que as ações de educação em saúde voltadas à pessoa idosa se fundamentam, principalmente, na promoção da alimentação saudável e na prática de exercícios físicos, sendo desenvolvidas, sobretudo, pelos enfermeiros das equipes da estratégia de saúde da família e pelos agentes comunitários de saúde, por meio de oficinas grupais e seminários/palestras.

Evidenciou-se ainda, que as ações promotoras de bem-estar com foco na educação em saúde voltada à população idosa eram importantes estratégias utilizadas pelos profissionais da saúde e/ou estudantes universitários para promover um cuidado integral e que favoreça o envelhecimento saudável e ativo.

A inovação desse estudo fundamenta-se em convergir as áreas temáticas relevantes para a pesquisa e assistência ao público idoso, possibilitando aos leitores aprofundar o conhecimento acerca das principais temáticas e estratégias utilizadas, bem como as lacunas para desenvolvimento de novos estudos.

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  • Não houve financiamento na execução deste trabalho.

Editado por

  • Editado por: Ana Carolina Lima Cavaletti

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Out 2019
  • Data do Fascículo
    2019

Histórico

  • Recebido
    08 Fev 2019
  • Aceito
    09 Ago 2019
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