Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Volume: 44, Issue: 1, Published: 2022
  • Testosterone Therapy for Women: Still Many Questions to be Answered Editorial

    Benetti-Pinto, Cristina Laguna
  • Peripartum Hysterectomy: Is There Any Difference Between Emergency and Planned Surgeries? Original Article

    Oge, Tufan; Tokgoz, Vehbi Yavuz; Cakmak, Yusuf; Velipasaoglu, Melih

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Comparar os resultados das histerectomias periparto de emergência e planejada. Métodos Este estudo transversal retrospectivo foi realizado em dois hospitais. Os resultados maternos e neonatais foram comparados de acordo com as histerectomias periparto de emergência e planejada. Resultados Um total de 34.020 partos foram avaliados retrospectivamente, e 66 casos de histerectomia periparto foram analisados. Destes, 31 eram casos de cirurgias planejadas, e 35, cirurgias de emergência. As pacientes que foram submetidas à histerectomia periparto planejada tiveram uma taxa menor de transfusão de sangue (83,9% versus 100%; p=0,014), e níveis mais elevados de hemoglobina pós-operatória (9,9±1,3 versus 8,3±1,3; p<0,001) em comparação com o grupo de histerectomia de emergência. O peso ao nascer foi menor, embora as pontuações na escala de aparência, frequência cardíaca, irritabilidade reflexa, tônus muscular, e respiração (appearance, pulse, grimace, activity, and respiration, Apgar, em inglês) fossem maiores no grupo da cirurgia planejada em comparação com os casos de emergência. Conclusão A histerectomia periparto planejada com uma equipe experiente resulta em menos necessidade de transfusão e melhora os resultados neonatais em relação à histerectomia periparto de emergência.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To compare the outcomes of emergency and planned peripartum hysterectomies. Methods The present retrospective cross-sectional study was conducted in two hospitals. Maternal and neonatal outcomes were compared according to emergency and planned peripartum hysterectomies. Results A total of 34,020 deliveries were evaluated retrospectively, and 66 cases of peripartum hysterectomy were analyzed. Of these, 31 were cases of planned surgery, and 35 were cases of emergency surgery. The patients who underwent planned peripartum hysterectomy had a lower rate of blood transfusion (83.9% versus 100%; p=0.014), and higher postoperative hemoglobin levels (9.9±1.3 versus 8.3±1.3; p<0.001) compared with the emergency hysterectomy group. The birth weight was lower, although the appearance, pulse, grimace, activity, and respiration (Apgar) scores were higher in the planned surgery group compared with the emergency cases. Conclusion Planned peripartum hysterectomy with an experienced team results in less need for transfusion and improved neonatal outcomes compared with emergency peripartum hysterectomy.
  • Short and Medium-term Outcomes of Omphalocele and Gastroschisis: A Survey from a Tertiary Center Original Article

    Marques, Alexandra Tavares; Estevão-Costa, José; Soares, Henrique; Fragoso, Ana Catarina

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Caracterizar e comparar os desfechos do onfalocelo e gastrosquisis desde o nascimento até aos 2 anos de seguimento numa coorte recente de um centro terciário. Métodos Este é um estudo retrospectivo em que foi feita uma revisão dos registos clínicos de todos os pacientes com gastrosquisis e onfalocelo que foram internados na unidade de cuidados intensivos neonatais, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2019. Resultados Identificamos 38 pacientes, 13 dos quais tinham onfalocelo e 25 dos quais tinham gastrosquisis. Anomalias associadas estavam presentes em 6 pacientes (46.2%) com onfalocelo e 10 (41.7%) com gastrosquisis. Comparativamente com os pacientes com onfalocelo, os pacientes com gastrosquisis tinham mães mais jovens (24.7 versus 29.6 anos; p=0.033), nasceram mais precocemente (36 versus 37 semanas, p=0.006), com menor peso ao nascimento (2,365±430.4 versus 2,944.2±571.9 g; p=0.001), e o internamento teve uma duração mais longa (24 versus 9 dias, p=0.001). A taxa de sobrevivência neonatal foi de 92.3% para o onfalocelo e 91.7% para a gastrosquisis. Trinta e quatro pacientes foram seguidos durante umtempo mediano de seguimento de 24meses: 13 com gastrosquisis (59.1%) e 8 com onfalocelo (66.7%) apresentaram pelo menos um evento adverso, sobretudo hérnia umbilical (27.3% vs 41.7%), obstrução intestinal (31.8% vs 8.3%) ou intervenções cirúrgicas adicionais (27.3% vs 33.3%). Conclusão Apesar da alta proporção de prematuridade, de baixo peso e de recuperação lenta, os gastrosquisis, assim como os onfalocelos (sem anomalias cromossómicas), podem ter uma taxa de sobrevivência muito alta; por outro lado, nos primeiros anos de vida, podem surgir complicações não desprezíveis. Assim, aos futuros pais pode ser transmitida uma perspectiva muito positiva em termos de sobrevivência, embora eles também devam ser informados de que pode ocorrermorbidade substancial no médio prazo.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To characterize and compare the outcomes of omphalocele and gastroschisis from birth to 2 years of follow-up in a recent cohort at a tertiary center. Methods This is a retrospective clinical record review of all patients with gastroschisis and omphalocele admitted to the Neonatal Intensive Care Unit between January 2009 and December 2019. Results There were 38 patients, 13 of whom had omphalocele, and 25 of whom had gastroschisis. Associated anomalies were present in 6 patients (46.2%) with omphalocele and in 10 (41.7%) patients with gastroschisis. Compared with patients with omphalocele, those with gastroschisis had younger mothers (24.7 versus 29.6 years; p=0.033), were born earlier (36 versus 37 weeks, p=0.006), had lower birth weight (2365±430.4 versus 2944.2±571.9 g; p=0.001), and had a longer hospital stay (24 versus 9 days, p=0.001). The neonatal survival rate was 92.3% for omphalocele and 91.7% for gastroschisis. Thirty-four patients were followed-up over a median of 24 months; 13 patients with gastroschisis (59.1%) and 8 patients with omphalocele (66.7%) had at least one adverse event, mainly umbilical hernia (27.3% vs 41.7%), intestinal obstruction (31.8% vs 8.3%), or additional surgical interventions (27.3% vs 33.3%). Conclusion Despite the high proportion of prematurity, low birth weight, and protracted recovery, gastroschisis and omphalocele (without chromosomal abnormalities) may achieve very high survival rates; on the other hand, complications may develop in the first years of life. Thus, a very positive perspective in terms of survival should be transmitted to future parents, but they should also be informed that substantial morbidity may occur in the medium term.
  • Is There Any Effect of the Physician Performing Embryo Transfer in IVF-ICSI Treatment: A Prospective Cohort Study Original Article

    Inal, Zeynep Ozturk; Inal, Hasan Ali; Aksoy, Emine; Mermer, Sultan

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Avaliar se há ou não efeito do médico que realiza a transferência de embriões nas taxas de gravidez no tratamento com fertilização in vitro-injeção intracitoplasmática de espermatozoide (FIV-ICSI, na sigla em inglês). Métodos Um total de 757 participantes foram analisados entre 2012 e 2017. Os participantes foram classificados de acordo com 3 médicos que transferiram os embriões: ([grupo 1=164 pacientes]; [grupo 2=233 pacientes]; [grupo 3=360 pacientes]). Parâmetros basais e resultados de FIV-ICSI foram comparados entre os grupos. Resultados Nenhuma diferença foi determinada entre os grupos nos parâmetros basais (idade, subgrupos de idade [20-29, 30-39 e ≥ 40 anos)], índice de massa corporal (IMC), tabagismo, período de infertilidade, causa da infertilidade, hormônio folículo estimulante basal , hormônio luteinizante, estradiol (E2), hormônio estimulador da tireoide, níveis de prolactina, contagem de folículos antrais, duração da estimulação, protocolo de estimulação, dose de gonadotrofina necessária, níveis máximos de E2, níveis de progesterona e espessura endometrial na administração de hCG e nos dias de transferência (p>0,05). O número de oócitos recuperados, MII e 2PN, embrião transferido, taxa de fertilização, dia da transferência do embrião, o efeito do cateter e a técnica de transferência de embrião e taxas clínicas de gravidez (RCPs) também foram comparáveis entre os grupos (p>0,05). Conclusão Nossos dados sugerem que o médico que transfere os embriões não tem impacto sobre as RCPs em pacientes que se submeteram a FIV-ICSI, mas mais estudos com mais participantes são necessários para elucidar esta situação.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To evaluate whether there is an effect of the physician who transfers the embryos on pregnancy rates in in vitro fertilization-intracytoplasmic sperm injection (IVF-ICSI) treatment. Methods A total of 757 participants were analyzed between 2012 and 2017. Participants were classified according to 3 physicians who transferred the embryos: ([group 1=164 patients]; [group 2=233 patients]; [group 3=360 patients]). Baseline parameters and IVF-ICSI outcomes were compared between the groups. Results No differences were determined between the groups regarding the baseline parameters (age, age subgroups [20-29, 30-39, and ≥ 40 years old)], body mass index (BMI), smoking status, infertility period, cause of infertility, baseline follicle stimulating hormone, luteinizing hormone, estradiol (E2), thyroid stimulating hormone, prolactin levels, antral follicle count, duration of stimulation, stimulation protocol, gonadotropin dose required, maximum E2 levels, progesterone levels, endometrial thickness on human chorionic gonadotropin (hCG) administration and transfer days (p>0.05). The numbers of oocytes retrieved,metaphase II (MII), 2 pronucleus (2PN), transferred embryo, fertilization rate, day ofembryo transfer, the catheter effect and embryo transfer technique, and clinical pregnancy rates (CPRs) were also comparable between the groups (p>0.05). Conclusion Our data suggests that the physician who transfers the embryos has no impact on CPRs in patients who have undergone IVF-ICSI, but further studies with more participants are required to elucidate this situation.
  • Epidemiological Survey on the Perception of Adverse Effects in Women Using Contraceptive Methods in Brazil Original Article

    Pannain, Gabriel Duque; Brum, Vivian de Oliveira Rodrigues; Abreu, Maria Mariana Andrade; Lima, Gabriela Barbosa

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Este estudo é destinado a entender a percepção de pacientes sobre os efeitos adversos dosmétodos contraceptivos para aprimorar o atendimentomédico e a aderência das mulheres ao tratamento. Métodos Um questionário online foi disponibilizado para que mulheres no Brasil respondessem a fim de avaliar a sua percepção em relação aos efeitos adversos e a associação desses aos métodos contraceptivos. Resultados Das 536 mulheres que responderam, 346 (64,5%) alegaram uso atual de método contraceptivo. Cento e vinte e duas (122-34,8%) mulheres disseram que já haviam parado o uso de métodos contraceptivos devido aos seus efeitos adversos. Quanto ao método contraceptivo em uso, o mais frequentemente utilizado foi o contraceptivo hormonal oral combinado (212-39,6%). Quando calculamos o risco relativo para cefaleia, foi encontrado um risco relativo de 2,1282 (1,3425-3,3739; 95% intervalo de confiança [IC]), sugerindo que o uso das pílulas aumenta o risco de ocorrência desse efeito adverso, bem como de edema, cujo risco relativo foi de 1,4435 (1,0177-2,0474; 95% IC). Em relação à redução da libido, o uso de contraceptivo hormonal oral combinado foi também considerado um fator de risco, pois seu risco relativo foi 1,8805 (1,3527-2,6142; 95% IC). No que se refere à acne, o uso de contraceptivos hormonais demonstrou ser um fator de proteção, com risco relativo de 0,3015 (0,1789-0,5082; 95% IC). Conclusão A escolha de um método contraceptivo deve sempre ser individualizada, e as pacientes devem participar igualmente nesse processo sabendo dos benefícios e malefícios esperados de cada método e hormônio, quando presente.

    Abstract in English:

    Abstract Objective The present study aimed to understand patient perception of the adverse effects of contraceptives to improve health care and adherence to treatment. Methods An online questionnaire was available for women in Brazil to respond to assess their perception of adverse effects and their relationship with contraceptive methods. Results Of all 536 women who responded, 346 (64.6%) reported current contraceptive use. One hundred and twenty-two (122-34.8%) women reported having already stopped using contraception because of the adverse effects. As for the contraceptive method used, the most frequent was the combined oral contraceptive (212-39.6%). When we calculated the relative risk for headache, there was a relative risk of 2.1282 (1.3425-3.3739; 95% CI), suggesting that the use of pills increases the risk of headache, as well as edema, in which a relative risk of 1.4435 (1.0177-2.0474; 95% CI) was observed. For low libido, the use of oral hormonal contraceptives was also shown to be a risk factor since its relative risk was 1.8805 (1.3527-2.6142; 95% CI). As for acne, the use of hormonal contraceptives proved to be a protective factor, with a relative risk of 0.3015 (0.1789-0.5082; 95% CI). Conclusion The choice of a contraceptive method must always be individualized, and the patients must be equal participants in the process knowing the expected benefits and harms of each method and hormone, when present.
  • Performance of the Fracture Risk Assessment Tool Associated with Muscle Mass Measurements and Handgrip to Screen for the Risk of Osteoporosis in Young Postmenopausal Women Original Article

    Sonnenfeld, Marina Martinelli; Pimentel, Fernanda Lellis; Nasser, Elizabeth Jeha; Pompei, Luciano de Melo; Fernandes, Cesar Eduardo; Steiner, Marcelo Luis

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Avaliar a melhora da precisão da Fracture Risk Assessment Tool (Ferramenta de Avaliação do Risco de Fraturas, FRAX, em inglês) no rastreio do risco de desenvolver osteoporose em mulheres jovens pós-menopáusicas com a associação de medidas clínicas de massa muscular e preensão manual. Métodos Uma amostra de mulheres pós-menopáusicas foi submetida a ultrassom quantitativo (USQ) de calcâneo, à aplicação do questionário FRAX, e rastreadas quanto ao risco de desenvolver sarcopenia em uma feira de saúde realizada em 2019 em São Bernardo do Campo. Alémdisso, a amostra tambémfoi submetida a antropometria, e a testes de massa muscular, velocidade de marcha, e preensão manual. Um risco de grandes fraturas osteoporóticas (GFOs) ≥ 8,5% no FRAX, classificação de médio risco nas diretrizes clínicas do National Osteoporosis Guideline Group (NOGG), e T-score no USQ ≤ -1,8 dp foram considerados riscos de ter baixa massa óssea, e T-score no QUS ≤ -2,5 sd, risco de ter fraturas. Resultados Ao todo, 198 mulheres foram avaliadas, com idade média de 64±7,7 anos, índice de massa corporal (IMC) médio de 27,3±5,3 kg/m2, e T-score médio no USQ de -1,3±1,3 sd. A precisão do FRAX comumrisco de GFO≥ 8,5% para identificar mulheres com T-score ≤ -1,8 dp foi precária, com uma área sob a curva (ASC) de 0,604 (intervalo de confiança de 95% [IC95%]: 0,509-0,694), para mulheres menores de 65 anos de idade, e de 0,642 (IC95%: 0,571-0,709) quando a idade não foi considerada. A inclusão de dados da massa muscular na análise estatística levou a uma melhora significativa no grupo menor de 65 anos de idade, com uma ASC de 0,705 (IC95%: 0,612-0,786). A habilidade da ferramenta NOGG de alto risco para identificar T-scores ≤ -1,8 dp foi limitada. Conclusão As medidas clínicas da massa muscular aumentaram a precisão do FRAX no rastreio de osteoporose em mulheres menores de 65 anos de idade.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To evaluate the improvement in screening accuracy of the Fracture Risk Assessment Tool (FRAX) for the risk of developing osteoporosis among young postmenopausal women by associating with it clinical muscle mass measures. Methods A sample of postmenopausal women was submitted to calcaneal quantitative ultrasound (QUS), application of the FRAX questionnaire, and screening for the risk of developing sarcopenia at a health fair held in the city of São Bernardo do Campo in 2019. The sample also underwent anthropometric measurements, muscle mass, walking speed and handgrip tests. A major osteoporotic fracture (MOF) risk ≥ 8.5% on the FRAX, a classification of medium risk on the clinical guideline of the National Osteoporosis Guideline Group (NOGG), and a QUS T-score ≤ -1.8 sd were considered risks of having low bone mass, and QUS T-score ≤ -2.5sd, risk of having fractures. Results In total, 198 women were evaluated, with a median age of 64±7.7 years, median body mass index (BMI) of 27.3±5.3 kg/m2 and median QUS T-score of -1.3±1.3 sd. The accuracy of the FRAX with a MOF risk ≥ 8.5% to identify women with T-scores ≤ -1.8 sd was poor, with an area under the curve (AUC) of 0.604 (95% confidence interval [95%CI]: 0.509-0.694) for women under 65 years of age, and of 0.642 (95%CI: 0.571-0.709) when age was not considered. Including data on muscle mass in the statistical analysis led to a significant improvement for the group of women under 65 years of age, with an AUC of 0,705 (95%CI: 0.612-0.786). The ability of the high-risk NOGG tool to identify T-scores ≤ -1.8 sd was limited. Conclusion Clinical muscle mass measurements increased the accuracy of the FRAX to screen for osteoporosis in women aged under 65 years.
  • Analysis of the Excess of Papanicolaou Tests in Brazil from 2006 to 2015 Original Article

    Fischer, Ana Carolina Pereira; Fischer, Eduardo Augusto Pereira; Vaz, Fernanda Brião; Hoffmann, Júlia

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Analisar a quantidade de exames cérvico-vaginais, também chamados de Teste de Papanicolau, entre os anos de 2006 e 2015 em todos os estados brasileiros, bem como verificar o número de exames realizados fora da faixa etária indicada, e o impacto econômico desse excesso. Métodos Os dados foram coletados a partir da base de dados do Ministério da Saúde chamada Sistema de Informação do Câncer do Colo de Útero (SISCOLO), que reúne os resultados de exames realizados em todo o Brasil pelo sistema único de saúde (SUS). A partir disso, foi analisado o número de exames e a faixa-etária de realização dos mesmos; além disso, esses números foram estratificados de acordo com o estado brasileiro de origem do exame. Foi verificada a quantidade de exames fora da idade recomendada, e, assim, foi observado o impacto econômico gerado. Resultado Entre 2006 e 2015, 87.425.549 exames de Papanicolau foram realizados no Brasil. Deste montante, 20.215.052 testes foram realizados fora da faixa-etária preconizada pelo Ministério da Saúde do Brasil, o que equivale a 23,12% do total. A partir desse número, considerando que cada exame cérvico -vaginal realizado pelo SUS gera um custo de R$ 7,30 para o governo, de acordo com informações na Tabela SUS datada de setembro de 2018, foram gastos R$ 147.569.880 em exames realizados sem indicação. Conclusão No Brasil, no protocolo do Ministério da Saúde sobre as práticas adequadas em coleta de exames cérvico-vaginais, sendo sua edição mais recente de 2016, a recomendação é realizar o teste de Papanicolau em mulheres dentro de uma faixaetária específica, na qual a chance de se diagnosticar uma lesão supera o ônus de um sobrediagnóstico ou uma lesão com grande potencial de regressão. Entretanto, essa recomendação não tem sido seguida corretamente, gerando mais de 20 milhões de exames excedentes e umcusto monetário exorbitante para o sistema público de saúde. É importante que medidas sejam tomadas para que o protocolo seja empregado corretamente a fim de reduzir riscos para a paciente, bem como a redução de gastos desnecessários para o SUS.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To analyze the quantity of cervical smears, also designated Papanicolaou tests, between 2006 and 2015 in all the Federal units of Brazil, as well as to verify the quantity of exams collected outside the recommended age range and the economic impact of such excess. Methods The data was collected from the Ministry of Health’s database called Sistema de Informação do Câncer do Colo de Útero (SISCOLO), which contains all the test results collected nationwide by the Unified Health System (SUS, in the Portuguese acronym). From that, the number of exams and the age range of thewomen who underwent them were analyzed; besides, these numbers were stratified according to the state of where the exam was performed. The quantity of exams collected outside the recommended age range was verified, and, so, the economic impact generated was noted. Results Between 2006and2015, 87,425,549Papanicolaoutestswere collected in Brazil. Of these, 20,215,052 testswere collected outside the age range recommended by the Brazilian Ministry of Health; this number corresponded to 23.12% of all exams. From such data, considering that each Pap smear collected by SUS generates a cost of BRL 7.30 to the government, according to the information in the Tabela SUS dated September 2018, there was a total charge of BRL 147,569,880 for tests collected outside the protocol. Conclusion In Brazil, according to the Ministry of Health’s protocol about the recommended practices on collecting Pap smears, whose newest edition dates of 2016, it is recommended that Pap smears are collected inwomen from a specific age range, inwhom the potential diagnosing advantages overcome the onus of overdiagnosis or of a lesion with great regression potential. However, such protocols have not been correctly followed, promoting more than 20 million tests in excess, and an exorbitant cost for the Brazilian public health system. It is relevant to take measures to correctly use the official protocol, reducing the patients risks, as well as the economic impact for SUS.
  • Assistance to Victims of Sexual Violence in a Referral Service: A 10-Year Experience Original Article

    Jesus, Gabriel Ramalho de; Rodrigues, Natália Pavoni; Braga, Giordana Campos; Abduch, Renata; Melli, Patricia Pereira dos Santos; Duarte, Geraldo; Quintana, Silvana Maria

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Avaliar a assistência prestada às mulheres vítimas de violência sexual e seu acompanhamento após o evento traumático, caracterizando o perfil sociodemográfico, antecedentes ginecológicos e circunstâncias do evento, além de relatar a aceitação e os efeitos colaterais da profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e a ocorrência de gravidez resultante da violência sexual. Métodos Estudo de coorte retrospectivo compreendendo o período entre 2007 e 2016. Foram incluídas todas as mulheres em acompanhamento médico e clínico após episódio de violência sexual. Foram excluídos registros de violência doméstica, vítimas do sexo masculino e crianças e adolescentes que relataram atividade sexual consensual. O estudo incluiu estatísticas descritivas, com frequências e percentuais. Resultados Foram revisados 867 prontuários e 444 casos de violência sexual foram incluídos. A faixa etária foi 10 a 77 anos; a maioria das vítimas se autodeclarou branca, com entre 4 e 8 anos de escolaridade, e negou ter um parceiro sexual fixo. A violência sexual ocorreu predominantemente à noite, em via pública, por um agressor desconhecido. A maioria foi atendida no serviço de referência em até 72 horas após a violência, possibilitando profilaxias preconizadas. Houve alta aceitação da terapia antirretroviral (TARV), embora metade das usuárias relatasse efeitos colaterais. A soroconversão para o vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês) ou para o vírus da hepatite B (HBV, na sigla em inglês) não foi detectada entre as vítimas. Conclusão Nesta coorte, o perfil das vítimas de violência sexual foi de mulheres brancas, de baixa escolaridade, e jovens. O evento traumático ocorreu predominantemente à noite, em via pública, por um agressor desconhecido. A assistência nas primeiras 72 horas após a violência sexual permite que o serviço de saúde realize intervenções profiláticas contra ISTs e gravidez indesejada.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To evaluate the assistance provided to women victims of sexual violence and their participation in the follow-up treatment after the traumatic event, presenting a sociodemographic profile, gynecological background, and circumstances of the event, and reporting the results, acceptance, and side effects of prophylaxis for sexually transmitted infections (STIs) and pregnancy. Methods A retrospective cohort study comprising the period between 2007 and 2016. All women receiving medical care and clinical follow-up after a severe episode of sexual violence were included. Records of domestic violence, male victims, children, and adolescents who reported consensual sexual activity were excluded. The present study included descriptive statistics as frequencies and percentages. Results A total of 867medical records were reviewed and 444 cases of sexual violence were included. The age of the victims ranged from10 to 77 years old, most of them selfdeclared white, with between 4 and 8 years of education, and denying having a sexual partner. Sexual violence occurred predominantly at night, on public thoroughfare, being committed by an unknown offender. Most victims were assisted at the referral service center within 72 hours after the violence, enabling the recommended prophylaxis. There was high acceptance of antiretroviral therapy (ART), although half of the users reported side effects. Seroconversion to human immunodeficiency virus (HIV) or to hepatitis B virus (HBV) was not detected in women undergoing prophylaxis. Conclusion In the present cohort, the profile of victims of sexual violence was loweducated, young, white women. The traumatic event occurred predominantly at night, on public thoroughfare, being committed by an unknown offender. Assistance within the first 72 hours after sexual violence enables the healthcare center to provide prophylactic interventions against STIs and unwanted pregnancies.
  • Efficacy of Transversus Abdominis Plane Block in the Reduction of Pain and Opioid Requirement in Laparoscopic and Robot-assisted Hysterectomy: A Systematic Review and Meta-analysis Review Article

    López-Ruiz, Claudia; Orjuela, Jerutsa Catalina; Rojas-Gualdrón, Diego Fernando; Jimenez-Arango, Marcela; Ríos, José Fernando de los; Vásquez-Trespalacios, Elsa Maria; Vargas, Claudia

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Resumir as evidências disponíveis sobre a eficácia do bloqueio TAP em histerectomia laparoscópica ou robótica. Fontes de Dados Pesquisamos bancos de dados e literatura cinza por ensaios clínicos randomizados nos quais o bloqueio do plano transverso do abdome (TAP na sigla em inglês) foi comparado com placebo ou com nenhum tratamento em pacientes que foram submetidos a histerectomia laparoscópica ou assistida por robô. Métodos de Seleção de Estudos Dois pesquisadores avaliaram independentemente a elegibilidade dos artigos selecionados. Tabulação, Integração e Resultados Sete estudos foram selecionados envolvendo 518 pacientes. A dor pós-operatória precoce apresentou diferença nasmédias (DM) de: -1 17 (intervalo de confiança [IC] de 95%: - 1 87-0 46) nos escores da escala de dor (I2=68%) o que foi estatisticamente significativo a favor do uso do bloqueio TAP mas sem relevância clínica; dor pós-operatória tardia: DM 0001 (IC95%: - 043-044; I2=69%); necessidade de opioides: DM0 36 (95%CI: - 0 94-168; I2=80%); e incidência de náuseas e vômitos com diferença de 95% CI=- 011 (- 0215-0006) a favor do TAP. Conclusão Com moderada força de evidência devido à alta heterogeneidade e ao desequilíbrio nas características basais entre os estudos os resultados indicam que o bloqueio do TAP não deve ser considerado como uma técnica analgésica clinicamente relevante para melhorar a dor pós-operatória em histerectomia laparoscópica ou robótica apesar da significância estatística nas pontuações da escala de dor pósoperatória inicial. Número e Registro do Ensaio Clínico: PROSPERO ID - CRD42018103573.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To summarize the available evidence of TAP Block in efficacy in laparoscopic or robotic hysterectomy. Data Sources We searched databases and gray literature for randomized controlled trials in which transversus abdominis plane (TAP) block was compared with placebo or with no treatment in patients who underwent laparoscopic or robot-assisted hysterectomy. Method of Study Selection Two researchers independently evaluated the eligibility of the selected articles. Tabulation, Integration, and Results Seven studies were selected, involving 518 patients. Early postoperative pain showed a difference in the mean mean difference (MD): - 1.17 (95% confidence interval [CI]: - 1.87-0.46) in pain scale scores (I2=68%), which was statistically significant in favor of using TAP block, but without clinical relevance; late postoperative pain: DM 0.001 (95%CI: - 0.43-0.44; I2=69%); opioid requirement: DM 0.36 (95%CI: - 0.94-1.68; I2=80%); and incidence of nausea and vomiting with a difference of 95%CI=- 0.11 (- 0.215-0.006) in favor of TAP. Conclusion With moderate strength of evidence, due to the high heterogeneity and imbalance in baseline characteristics among studies, the results indicate that TAP block should not be considered as a clinically relevant analgesic technique to improve postoperative pain in laparoscopic or robotic hysterectomy, despite statistical significance in early postoperative pain scale scores. Clinical Trial Number and Registry: PROSPERO ID - CRD42018103573.
  • Underestimation Rate in the Percutaneous Diagnosis of Radial Scar/Complex Sclerosing Lesion of the Breast: Systematic Review Review Article

    Zanon, Ana Beatrice Bonganha; Maesaka, Jonathan Yugo; Chequin, Bruna Bello; Santos, Ana Gabriela de Siqueira; Baracat, Edmund Chada; Filassi, José Roberto

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Avaliar o grau de discordância entre biópsia percutânea e cirúrgica da mama em pacientes com diagnóstico de cicatriz radiada/lesão esclerosante complexa (CR/LEC) por meio de uma revisão sistemática. Fontes dos dados Foi realizada uma revisão sistemática segundo as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA, na sigla em inglês). As bases de dados primárias consultadas foram PubMed, SciELO, Cochrane e Embase, combuscas conduzidas até novembro de 2020, utilizando palavras chaves específicas (cicatriz radiada OU lesão esclerosante complexa, câncer de mama, anatomopatológico de biópsia percutânea E/OU biópsia cirúrgica). Seleção dos estudos A busca dos artigos resultou em um total de 584 estudos, sendo 8 selecionados, os quais incluíam mulheres submetidas a biópsia com diagnóstico histológico de CR/LEC e posteriormente submetidas a exérese cirúrgica para avaliar como desfecho o grau de subestimação de lesões atípicas e malignas. Coleta de dados A seleção dos estudos foi conduzida por dois pesquisadores, com experiência na elaboração de revisão sistemática. Os oito artigos selecionados foram lidos na íntegra e submetidos a uma análise comparativa. Síntese dos dados Cicatrizes radiadas/lesões esclerosante complexas foram associadas com lesões atípicas e malignas após a exérese cirúrgica. O grau de subestimação geral foi calculado pela porcentagem de lesões atípicas e malignas no anatomopatológico após a exérese cirúrgica dentre o total de CR/LEC diagnosticadas, enquanto o grau de subestimação de lesões invasoras foi calculado considerando-se apenas os carcinomas invasivos. O grau de subestimação geral dos estudos selecionados variou de 1,3 a 40%, e o de lesões invasoras de 0 a 10,5%. Conclusão O diagnóstico histopatológico de CR/LEC na mama não é definitivo, podendo subestimar lesões atípicas e malignas, cujo tratamento é distinto, tornando a exérese cirúrgica etapa fundamental na investigação diagnóstica.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To evaluate the underestimation rate in breast surgical biopsy after the diagnosis of radial scar/complex sclerosing lesion through percutaneous biopsy. Data Sources A systematic review was performed following the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) recommendations. The PubMed, SciELO, Cochrane, and Embase databases were consulted, with searches conducted through November 2020, using specific keywords (radial scar OR complex sclerosing lesion, breast cancer, anatomopathological percutaneous biopsy AND/OR surgical biopsy). Data collection Study selection was conducted by two researchers experienced in preparing systematic reviews. The eight selected articles were fully read, and a comparative analysis was performed. Study selection A total of 584 studies was extracted, 8 of which were selected. One of them included women who had undergone a percutaneous biopsy with a histological diagnosis of radial scar/complex sclerosing lesion and subsequently underwent surgical excision; the results were used to assess the underestimation rate of atypical and malignant lesions. Data synthesis The overall underestimation rate in the 8 studies ranged from 1.3 to 40% and the invasive lesion underestimation rate varied from 0 to 10.5%. Conclusion The histopathological diagnosis of a radial scar/complex sclerosing lesion on the breast is not definitive, and it may underestimate atypical andmalignant lesions, which require a different treatment, making surgical excision an important step in diagnostic evaluation.
  • Perinatal Outcomes after Fetal Endoscopic Tracheal Occlusion for Isolated Congenital Diaphragmatic Hernia: Rapid Review Review Article

    da-Costa-Santos, Juliana; Bennini, João Renato

    Abstract in Portuguese:

    Resumo Objetivo Comparar os resultados perinatais de fetos com hérnia diafragmática congênita após oclusão traqueal endoscópica fetal (OTEF) e conduta expectante pré-natal. Fontes dos dados Nesta revisão rápida, pesquisas foram conduzidas nas bases de dados MEDLINE, PMC, EMBASE e CENTRAL entre 10 de agosto de 2020 e 4 de setembro de 2020. Ensaios clínicos randomizados (ECRs), quase-ECRs e ECRs em cluster publicados em inglês nos últimos dez anos foram incluídos. Seleção dos estudos Foram recuperadas 203 publicações; 180 destas foram triadas pelo resumo. Fez-se a leitura do texto completo de 8 estudos, e 1 ECR cumpriu os critérios de inclusão (41 mulheres aleatorizadas; 20 no grupo OTEF e 21 no grupo de controle). Coleta de dados A coleta de dados realizada independentemente pelos dois autores, em duas etapas (título e resumo, e leitura do texto completo). Síntese dos dados Não houve casos de mortematerna. A idade gestacionalmédia no parto foi de 35,6±2,4 semanas no grupo de intervenção, e de 37,4±1,9 semanas entre os controles (p<0,01). A sobrevida até 6 meses de idade foi relatada em 50% do grupo de intervenção, e em 5,8% dos controles (p<0,01; risco relativo: 10,5; intervalo de confiança de 95% [IC95%]: 1,5-74,7). Hipertensão pulmonar grave ocorreu em 50% dos lactentes do grupo de intervenção, e em 85,7% dos controles (p = 0.02; risco relativo: 0,6; IC95%: 0,4-0,9). Uma análise do estudo indicou algumas preocupações quanto ao risco de viés. A qualidade da evidência foi considerada de moderada a baixa. Conclusão As evidências atuais são limitadas,mas sugeremque a OTEF pode ser uma intervenção eficaz para melhorar resultados perinatais.

    Abstract in English:

    Abstract Objective To compare the perinatal outcomes of fetuses with isolated congenital diaphragmatic hernia after fetal endoscopic tracheal occlusion (FETO) and antenatal expectant management. Data sources In this rapid review, searches were conducted in the MEDLINE, PMC, EMBASE and CENTRAL databases between August 10th and September 4th, 2020. Randomized controlled trials (RCTs), quasi-RCTs or cluster-RCTs published in English in the past ten years were included. Study selection We retrieved 203 publications; 180 studies were screened by abstract. Full-text selection was performed for eight studies, and 1 single center RCTmet the inclusion criteria (41 randomized women; 20 in the FETO group, and 21 in the control group). Data collection Data collection was performed independently, by both authors, in two steps (title and abstract and full-text reading). Data synthesis There were no cases of maternal mortality. The mean gestational age at delivery was of 35.6±2.4 weeks in the intervention group, and of 37.4±1.9 weeks among the controls (p<0.01). Survival until 6 months of age was reported in 50% of the intervention group, and in 5.8% of the controls (p<0.01; relative risk: 10.5; 95% confidence interval [95%CI]: 1.5-74.7). Severe postnatal pulmonary hypertension was found in 50% of the infants in the intervention group, and in 85.7% of controls (p=0.02; relative risk: 0.6; 95%CI: 0.4-0.9). An analysis of the study indicated some concerns of risk of bias. The quality of evidence was considered moderate to low. Conclusion Current evidence is limited but suggests that FETO may be an effective intervention to improve perinatal outcomes.
  • Use of androgens at different stages of life: climacterium Febrasgo Position Statement

    Nácul, Andrea Prestes; Rezende, Gabriela Pravatta; Gomes, Daniela Angerame Yela; Maranhão, Técia; Costa, Laura Olinda Bregieiro Fernandes; Reis, Fernando Marcos dos; Maciel, Gustavo Arantes Rosa; Damásio, Lia Cruz Vaz da Costa; Silva, Ana Carolina Japur de Sá Rosa e; Lopes, Vinicius Medina; Baracat, Maria Cândida; Soares, Gustavo Mafaldo; Soares Junior, José Maria; Benetti-Pinto, Cristina Laguna
Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia Av. Brigadeiro Luís Antônio, 3421, sala 903 - Jardim Paulista, 01401-001 São Paulo SP - Brasil, Tel. (55 11) 5573-4919 - Rio de Janeiro - RJ - Brazil
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