O artigo tem como objetivo problematizar as múltiplas formas de repressão e resistência nas páginas do Lampião da Esquina, primeiro impresso de circulação nacional a tratar abertamente da questão das homossexualidades durante o período da ditadura militar. Publicado entre os anos de 1978 e 1981, o jornal procurou falar das homossexualidades de uma forma positiva, contestando os estigmas frequentemente relacionados ao tema, que reforçavam o caráter patológico e “anormal” dos homossexuais, e condenando todo e qualquer tipo de manifestação que não se enquadrasse no modelo patriarcal e heteronormativo de sociedade. Nesse sentido, defende-se a ideia de que o jornal se constituiu em um canal de construção de sociabilidades e resistência, que procurou amplificar a voz de pessoas homossexuais, um dos grupos sociais que mais sofreram com a repressão e o silenciamento durante o regime militar.
Palavras-chave:
Ditadura; Homossexualidades; Repressão; Resistência; Lampião da Esquina