Batuques negros, ouvidos brancos: colonialismo e homogeneização de práticas socioculturais do sul de Moçambique (1890-1940)

Matheus Serva Pereira Sobre o autor

RESUMO

No artigo analiso como as práticas designadas genericamente como batuques passaram por um processo de homogeneização e de escrutinização por parte de diferentes agentes da ação colonial portuguesa. Por um lado, insistiu-se em unificar danças e músicas na categoria genérica de batuque; por outro, a necessidade de compreender os povos dominados acabou por produzir respostas coloniais que transitaram entre um destrinchar desse termo em busca de uma apuração mais fidedigna daquilo que se presenciava e uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. Ao mesmo tempo, promoveu-se uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. Esse processo foi concebido pelos agentes coloniais portugueses como forma de apropriação dessas danças, canções e músicas feitas pelos nativos do sul de Moçambique para positivação de um discurso nacionalista português.

Palavras-chave:
colonialismo; homogeneização; “batuques”; sul de Moçambique

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