O artigo propõe um balanço historiográfico da literatura sobre ditadura militar, tendo como fio condutor os nexos entre memória e violência. Observando as inflexões na literatura acadêmica ocorridas nos marcos de 40 e 50 anos do golpe, busco delinear a consolidação de três linhagens historiográficas: a que trata a memória como mito, a que analisa as disputas de memória e a que busca incluir sujeitos e grupos sociais marginalizados. Apesar de suas importantes diferenças, argumento que todas são marcadas pela prevalência de uma noção estanque sobre a violência política, que limita o alcance analítico dos trabalhos. No marco dos 60 anos do golpe, defendo que um movimento historiográfico voltado para borrar as fronteiras entre as categorias de violência política e violência comum pode ampliar o alcance e a profundidade das pesquisas que buscam compreender a violência do Estado ditatorial.
Palavras-chave:
Historiografia; Violência; Memória