Energética de eventos de ciclogêneses na costa sul do Brasil

Neste estudo é feita uma análise de 58 casos de ciclogênese ocorridos entre 2003-2011 sobre a costa do sul do Brasil, focando o ciclo de energia. Nesta análise foram utilizados dados do National Centers for Environmental Prediction (NCEP) para criar os campos compostos dos dias selecionados e das estações de transição (primavera e outono austral), quando foi verificado um elevado número de ciclones. Observou-se um aprofundamento de um cavado pré-existente em superfície sobre o Paraguai, dois dias antes (D-2) da pressão na superfície atingir o seu mínimo sobre a costa da região sul do Brasil. Tipicamente, o processo de ciclogênese começa sobre esta região e se propaga para sudeste, intensificando ao longo de sua trajetória. Em D-2 a corrente de jato está quase zonalmente orientada, mas adquire uma curvatura ciclônica, com um núcleo no setor SE e o outro à NW quando o ciclone está completamente formado (D0). Quando a anomalia de geopotencial para ondas curtas (Gh) entra em fase com a anomalia para ondas longas (Gl), em D-1, ocorre o aumento de PhKh, que se torna dominante. Durante todas as fases de evolução, os termos mais importantes foram o baroclínico (PlPh e PhKh), seguido pelo barotrópico (KlKh). O termo de atrito (RKh) teve um papel secundário, e o termo de fonte/sumidouro de energia e fluxo de energia potencial disponível (RPh) não contribuiu para o aprofundamento de baixa superfície, mostrando que este último não depende da atividade convectiva local. Durante os meses de transição, não foram observadas diferenças significativas nos mecanismos de desenvolvimento ciclogenético e manutenção, exceto por haver uma maior disponibilidade de energia cinética (Kh) e potencial (Ph), e também por haver uma maior troca de energia por conversão baroclínica e barotrópica durante o outono austral.

energética; ciclogênese; baroclínia


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