Perfil do trauma ocular infantil em unidade de emergência oftalmológica

Alexis Galeno Matos Renata Girão Cavalcante Ticiana de Francesco Figueiredo Marília de Freitas Chaves Fernanda Araújo de Souza Sobre os autores

Resumo

Objetivo:

Descrever o perfil do trauma ocular infantil em unidade de emergência oftalmológica.

Métodos:

Estudo descritivo transversal, revisando prontuários de pacientes até 15 anos em hospital de referência em urgência oftalmológica no período de Abril de 2016 a Março de 2017. Foram coletadas informações do paciente e da história do trauma, agente causador e detalhes envolvidos. No exame oftalmológico, foi verificada a acuidade visual, descrição das lesões e o tipo de conduta realizada.

Resultados:

Um total de 78 pacientes, 80 olhos foram inclusos. O olho direito foi o menos acometido. Dois pacientes apresentaram afecção bilateral. Cinquenta pacientes (64%) deram entrada pelo sistema único de saúde (SUS). A faixa etária com maior número de casos estava entre 1 a 5 anos. Em relação ao local do acidente, em 42 pacientes ocorreram em ambiente domiciliar. Quanto à lesão ocular envolvida, a maioria dos pacientes apresentaram abrasão corneana como principal tipo de lesão. Sobre a natureza do fator causal do trauma mostrou maior prevalência de traumas com lápis e caneta (14%), bola (13%) e agressão física (19%). Em relação à acuidade visual, 39 pacientes (50%), referiram baixa acuidade visual no olho acometido. Sessenta e nove pacientes (89%) tiveram seguimento exclusivamente ambulatorial. Dois pacientes evoluíram para evisceração ocular.

Conclusões:

Os acidentes aconteceram mais frequentemente em ambiente domiciliar sendo o trauma fechado a lesão predominante. Sexo masculino representou a maioria dos pacientes inclusos no estudo. A análise epidemiológica do trauma ocular infantil permite elaboração de medidas preventivas baseado no conhecimento dos fatores causais envolvidos.

Descritores:
Traumatismos oculares; Ambliopia; Criança

Abstract

Objective:

To describe the profile of childhood eye trauma in an ophthalmologic emergency unit.

Methods:

A descriptive cross-sectional study reviewing medical records of patients under 15 years of age at a referral hospital in the ophthalmologic emergency sector from April 2016 to March 2017. Information was collected from the patient and the history of the trauma, the type of trauma and details involved. Ophthalmologic exam was performed, visual acuity, lesions description and type of conduct were verified.

Results:

A total of 78 patients, 80 eyes were included. The right eye was the least affected. Two patients presented bilateral affection. Fifty patients (64%) were admitted through the single health system (SUS). The age group with the highest number of cases was between 1 and 5 years. Regarding the location of the accident, in 42 patients occurred in a home environment. Regarding the ocular lesion involved, most of the patients presented corneal abrasion as the main type of lesion. On the nature of the causal factor of the trauma showed a greater prevalence of traumas with external agents like pencil and pen (14%), ball (13%) and physical aggression (19%). Regarding visual acuity, 39 patients (50%) reported low visual acuity in the affected eye. Sixty-nine patients (89%) had exclusively clinical follow-up. Two patients were referred for ocular evisceration.

Conclusions:

Accidents occurred more frequently in the home environment and closed globe injuries where predominated. Ocular trauma was more frequent among boys. Programs of education and prevention for ocular trauma in childhood are necessary.

Keywords:
Eye injuries; Amblyopia; Child

Introdução

O trauma ocular é uma importante causa de internamentos em hospitais pediátricos. Constitui grave problema de saúde pública pela morbidade na população pediátrica, sendo uma relevante causa de cegueira unilateral adquirida. (11 Cariello AJ, Bueno Moraes NS, Mitne S, Oita CS, Fontes BM, Soares Melo LA. Epidemiological findings of ocular trauma in childhood. Arq Bras Oftalmol. 2007;70(2):271-5.,22 Négrel A-D, Thylefors B. The global impact of eye injuries. Ophthalmic Epidemiol. 1998;5(3):143-69.)

Segue uma variação bimodal de acordo com a faixa etária. Os acidentes domésticos e atividades de lazer predominam entre crianças, enquanto que acidentes automobilísticos, traumatismos ocupacionais e violência predominam na juventude. (33 Silber PC, Souza LB de, Tiyomi M, Tongu S. Perfil epidemiológico do trauma ocular penetrante antes e após o novo código de trânsito. Arq Bras Oftalmol. 2002;(5):441-4.)

A Sociedade Americana de Prevenção da Cegueira estimou que um terço dos indivíduos que perdem a visão por trauma ocular está na primeira década de vida. (33 Silber PC, Souza LB de, Tiyomi M, Tongu S. Perfil epidemiológico do trauma ocular penetrante antes e após o novo código de trânsito. Arq Bras Oftalmol. 2002;(5):441-4.)

O prognóstico visual dos traumas oculares é pior na infância, devido grande tendência a atrofia dos olhos que sofreram traumas perfurantes, resultando no fracasso do desenvolvimento e consolidação da acuidade visual, que ocorre até o oitavo ano de vida. (44 Rohr JTD, Santos PM dos, Santos RCR dos, Vieira CV, Fé LM, Solano RL, et al. Profile of pediatric eye trauma at Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Brasília, Brazil. Rev Assoc Médica Bras. 2016;62(4):324-9.)

Diversos estudos em centros oftalmológicos são realizados com a finalidade de investigar as principais causas e características epidemiológicas do trauma ocular, buscando alternativas preventivas e melhores opções de tratamento. (55 Barbi JS, Figueiredo AR, Turrer CL, Bevilaqua ER. Análise da frequência de trauma ocular em pacientes de 0-10 anos no setor de plástica ocular do Hospital São Geraldo. Rev Méd Minas Gerais. 2009;19(2):127-31.) Os principais estudos são originados de países desenvolvidos, (22 Négrel A-D, Thylefors B. The global impact of eye injuries. Ophthalmic Epidemiol. 1998;5(3):143-69.) sendo importante conhecer as características peculiares de cada região.

Este trabalho visa analisar as características epidemiológicas dos acidentes oculares infantis de pacientes atendidos em serviço de referência em oftalmologia do nosso estado.

Métodos

Foi realizado um estudo descritivo transversal através da revisão de prontuários dos pacientes com idade até 15 anos de idade atendidos em hospital de referência em urgência oftalmológica no período de Abril de 2016 a Março de 2017.

Os seguintes dados foram levantados: identificação do paciente e história do trauma, agente causador, além de detalhes envolvidos. No exame oftalmológico, foi verificada a acuidade visual e detalhamento das lesões por biomicroscopia e o tipo de conduta realizada.

Prontuários que apresentaram ausência de algum dado foram desconsiderados na avaliação.

Resultados

Foram incluídos na pesquisa 80 olhos de 78 pacientes. Os resultados mostraram que, quanto ao sexo, 58 pacientes (74%) eram do sexo masculino e 20 pacientes (26%) eram do sexo feminino. Sobre a faixa etária, 21 pacientes (26%) estavam entre a idade de 1 a 5 anos, 39 pacientes (50%) entre 6 e 10 anos e 18 pacientes (24%) entre 11 a 15 anos. O olho direito foi menos acometido, 46% (36 pacientes), que o olho esquerdo, 51% (40 pacientes). Dois pacientes apresentaram afecções em ambos os olhos. O material traumatizante está demonstrado na figura 1.

Figura 1
Natureza dos agentes traumatizantes.

Em relação ao local do acidente, 42 pacientes (54%) estavam em casa enquanto 36 pacientes (46%) estavam fora do ambiente domiciliar.

Dos pacientes avaliados, 50 (64%) deram entrada pelo sistema único de saúde (SUS) e 28 pacientes (36%) possuíam algum tipo de convênio de saúde. No presente estudo, 53 pacientes (68%) eram provenientes de Fortaleza e região metropolitana e 25 pacientes (32%) eram provenientes de cidades do interior do estado.

Em relação ao mês de incidência do trauma, 46% ocorreram nos meses de janeiro, julho e dezembro. (Figura 2)

Figura 2
Numero de casos distribuídos nos meses de Abril de 2016 a Março de 2017.

O tempo de atendimento mostrou que 43 pacientes (55%) levaram de 0 a 5 horas para buscar atendimento, 21 pacientes (27%) demoraram de 6 a 10 horas, 10 pacientes (13%) entre 11 e 24 horas e 4 pacientes (5%) demoraram mais que 24 horas para buscar atendimento especializado.

As lesões oculares apresentadas foram demonstradas no figura 3.

Figura 3
Lesões oculares encontradas nos traumas.

A acuidade visual na entrada e no momento da alta foram medidas e estão na tabela 1.

Tabela 1
Acuidade visual na entrada e no momento da alta

Nove pacientes (11%) necessitaram de tratamento cirúrgico em contrapartida dos 69 pacientes (89%) que tiveram seguimento exclusivamente ambulatorial. Dois pacientes evoluíram para evisceração ocular.

Discussão

A frequência dos traumas oculares na infância variam nos diferentes países. Os resultados mostram a maior casuística em crianças do sexo masculino, (11 Cariello AJ, Bueno Moraes NS, Mitne S, Oita CS, Fontes BM, Soares Melo LA. Epidemiological findings of ocular trauma in childhood. Arq Bras Oftalmol. 2007;70(2):271-5.,75 Barbi JS, Figueiredo AR, Turrer CL, Bevilaqua ER. Análise da frequência de trauma ocular em pacientes de 0-10 anos no setor de plástica ocular do Hospital São Geraldo. Rev Méd Minas Gerais. 2009;19(2):127-31.

6 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.

7 Chevarria FDC. Trauma ocular na infância. Estudo de 77 casos atendidos em consultório privado de Florianópolis (SC), entre 1996 e 2004 [monografia]. Universidade Federal de Santa Catarina, Dapartamento de Clínica Cirúrgica; 2008.

8 Guillén EM, Yunaka SE, Martín JC. Hospital General Provincial Docente de Morón . Ciego de Ávila. Traumatismo ocular en el niño. Repercusión visual. Rev Cub Oftamol 1999;12(2):141-45.
-99 Dasgupta S, Mukherjee R, Ladi DS, Gandhi VH. Pediatric ocular trauma-a clinical presentation. J Postgrad Med. 1990;36(1):20-2.) como encontrado em nosso estudo. Acredita-se que deva à maior liberdade dada aos meninos nas sociedades, além da natureza agressiva e maior contato físico nas brincadeiras. (11 Cariello AJ, Bueno Moraes NS, Mitne S, Oita CS, Fontes BM, Soares Melo LA. Epidemiological findings of ocular trauma in childhood. Arq Bras Oftalmol. 2007;70(2):271-5.,55 Barbi JS, Figueiredo AR, Turrer CL, Bevilaqua ER. Análise da frequência de trauma ocular em pacientes de 0-10 anos no setor de plástica ocular do Hospital São Geraldo. Rev Méd Minas Gerais. 2009;19(2):127-31.,66 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.,99 Dasgupta S, Mukherjee R, Ladi DS, Gandhi VH. Pediatric ocular trauma-a clinical presentation. J Postgrad Med. 1990;36(1):20-2.)

A maior prevalência de trauma encontra-se na faixa de 2 a 6 anos, diferente da faixa etária encontrada em nossa avaliação entre 6-10 anos, sendo justificada pela imaturidade do sistema motor, senso de risco limitado e curiosidade infantil natural mais aparente nessa faixa etária, (11 Cariello AJ, Bueno Moraes NS, Mitne S, Oita CS, Fontes BM, Soares Melo LA. Epidemiological findings of ocular trauma in childhood. Arq Bras Oftalmol. 2007;70(2):271-5.,55 Barbi JS, Figueiredo AR, Turrer CL, Bevilaqua ER. Análise da frequência de trauma ocular em pacientes de 0-10 anos no setor de plástica ocular do Hospital São Geraldo. Rev Méd Minas Gerais. 2009;19(2):127-31.) porém, as injúrias com maior perda visual é relatada em crianças maiores de 6 anos. (44 Rohr JTD, Santos PM dos, Santos RCR dos, Vieira CV, Fé LM, Solano RL, et al. Profile of pediatric eye trauma at Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Brasília, Brazil. Rev Assoc Médica Bras. 2016;62(4):324-9.)

Sobre a lateralidade, aproximadamente 98% dos pacientes apresentaram lesão monocular, concordando com a literatura. (11 Cariello AJ, Bueno Moraes NS, Mitne S, Oita CS, Fontes BM, Soares Melo LA. Epidemiological findings of ocular trauma in childhood. Arq Bras Oftalmol. 2007;70(2):271-5.,66 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.,77 Chevarria FDC. Trauma ocular na infância. Estudo de 77 casos atendidos em consultório privado de Florianópolis (SC), entre 1996 e 2004 [monografia]. Universidade Federal de Santa Catarina, Dapartamento de Clínica Cirúrgica; 2008.,1010 Aragaki GN, Inada ET, Teixeira MF, Almeida Júnior GC de, Kashiwabuchi LK. Estudo epidemiológico dos traumas oculares graves em um Hospital Universitário de São José do Rio Preto - SP. Arq Bras Oftalmol. 2003;66(4):473-6.)

A maioria dos acidentes aconteceu dentro de casa. Essa análise também foi verificada por outros autores. (55 Barbi JS, Figueiredo AR, Turrer CL, Bevilaqua ER. Análise da frequência de trauma ocular em pacientes de 0-10 anos no setor de plástica ocular do Hospital São Geraldo. Rev Méd Minas Gerais. 2009;19(2):127-31.,1111 Jose NK, Alves MR, Oliveira PR de. Como educar a populaçäo para a prevençäo do trauma ocular. Arq Bras Oftalmol. 1992;55(4):160-2.,1212 Serrano JC, Chalela P, Arias JD. Epidemiology of childhood ocular trauma in a northeastern Colombian region. Arch Ophthalmol. 2003;121(10):1439-45.) É complexa a prevenção do trauma doméstico, mas aumentando-se a conscientização dos pais, melhorando a supervisão e a exposição de crianças mais novas aos objetos e às situações potenciais de perigo pode-se conseguir reduzir a sua ocorrência. (66 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.)

A maior parte dos traumas ocorreu em crianças oriundas da região metropolitana de Fortaleza, provavelmente devido maior facilidade de acesso ao serviço especializado, concordando com outros estudos. (77 Chevarria FDC. Trauma ocular na infância. Estudo de 77 casos atendidos em consultório privado de Florianópolis (SC), entre 1996 e 2004 [monografia]. Universidade Federal de Santa Catarina, Dapartamento de Clínica Cirúrgica; 2008.,1313 Menezes Diniz C, De Moraes Tzelikis PF, Da Silva Alvim H, Martins Gonçalves R, Rodrigues A, Can??ado Trindade F. Trauma ocular em crianças abaixo de 15 anos: Prevenção baseada em estatisticas. Rev Bras Oftalmol. 2003;62(2):96-101.) O tempo de atendimento após o trauma é um fator importante para melhor resultado do tratamento. Os dados do presente estudo coincidem com a literatura, onde 95% dos acidentes foram atendidos nas primeiras 24 horas do trauma. (66 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.,99 Dasgupta S, Mukherjee R, Ladi DS, Gandhi VH. Pediatric ocular trauma-a clinical presentation. J Postgrad Med. 1990;36(1):20-2.)

Em nosso estudo foi evidenciado maior prevalência de acidentes oculares em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) comparado com pacientes com algum convênio médico. Lesões oculares que mais causaram baixa de visão foram mais prevalentes nos pacientes do SUS, entre esses, dois casos evoluíram com evisceração. As condições sócio- econômicas, geográficas e culturais influenciam o acesso à serviços especializados, definindo o prognóstico visual dos pacientes. (55 Barbi JS, Figueiredo AR, Turrer CL, Bevilaqua ER. Análise da frequência de trauma ocular em pacientes de 0-10 anos no setor de plástica ocular do Hospital São Geraldo. Rev Méd Minas Gerais. 2009;19(2):127-31.,1111 Jose NK, Alves MR, Oliveira PR de. Como educar a populaçäo para a prevençäo do trauma ocular. Arq Bras Oftalmol. 1992;55(4):160-2.,1212 Serrano JC, Chalela P, Arias JD. Epidemiology of childhood ocular trauma in a northeastern Colombian region. Arch Ophthalmol. 2003;121(10):1439-45.)

O período de maior ocorrência dos traumas foi verificado nos meses de férias infantis (Julho, Janeiro e Dezembro). Esses são meses em que as crianças estão mais envolvidas em brincadeiras e longe do acompanhamento de algum adulto e dentro do período de férias escolares. Outros autores não estabeleceram correlação entre traumas com determinada época do ano (mês, período escolar ou estação). (66 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.,1111 Jose NK, Alves MR, Oliveira PR de. Como educar a populaçäo para a prevençäo do trauma ocular. Arq Bras Oftalmol. 1992;55(4):160-2.) A supervisão do adulto foi considerada um fator importante na prevenção de acidentes e a presença de um adulto alerta é de grande valor na prevenção de lesões oculares em crianças. (1212 Serrano JC, Chalela P, Arias JD. Epidemiology of childhood ocular trauma in a northeastern Colombian region. Arch Ophthalmol. 2003;121(10):1439-45.)

Traumas com lápis e caneta ocorreram em 14% dos casos, acidentes com bola em 13% e agressão física em 19%. Em outros estudos os objetos pontiagudos foram mais prevalentes. (77 Chevarria FDC. Trauma ocular na infância. Estudo de 77 casos atendidos em consultório privado de Florianópolis (SC), entre 1996 e 2004 [monografia]. Universidade Federal de Santa Catarina, Dapartamento de Clínica Cirúrgica; 2008.,99 Dasgupta S, Mukherjee R, Ladi DS, Gandhi VH. Pediatric ocular trauma-a clinical presentation. J Postgrad Med. 1990;36(1):20-2.,1414 Moreira CA, Debert-Ribeiro M, Belfort R. Epidemiological study of eye injuries in Brazilian children. Arch Ophthalmol. 1988;106(6):781-4.) Estas situações demonstram que pais, professores ou responsáveis devem estar atentos ao ambiente onde a criança vive, brinca e estuda.

As injúrias oftalmológicas foram variadas, sendo abrasões corneanas mais prevalentes, concordando com a literatura pesquisada. (44 Rohr JTD, Santos PM dos, Santos RCR dos, Vieira CV, Fé LM, Solano RL, et al. Profile of pediatric eye trauma at Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), Brasília, Brazil. Rev Assoc Médica Bras. 2016;62(4):324-9.,66 Arcieiri ES, Rocha FJ, Resende AL, Arcieri RS, Machado RP. Trauma ocular em crianças : um estudo epidemiológico na universidade. Rev Med Minas Gerais. 2004;14(1):13-7.,77 Chevarria FDC. Trauma ocular na infância. Estudo de 77 casos atendidos em consultório privado de Florianópolis (SC), entre 1996 e 2004 [monografia]. Universidade Federal de Santa Catarina, Dapartamento de Clínica Cirúrgica; 2008.,1111 Jose NK, Alves MR, Oliveira PR de. Como educar a populaçäo para a prevençäo do trauma ocular. Arq Bras Oftalmol. 1992;55(4):160-2.,1414 Moreira CA, Debert-Ribeiro M, Belfort R. Epidemiological study of eye injuries in Brazilian children. Arch Ophthalmol. 1988;106(6):781-4.) A grande maioria resolvida com tratamento clinico, como visto em outros estudos. (11 Cariello AJ, Bueno Moraes NS, Mitne S, Oita CS, Fontes BM, Soares Melo LA. Epidemiological findings of ocular trauma in childhood. Arq Bras Oftalmol. 2007;70(2):271-5.,77 Chevarria FDC. Trauma ocular na infância. Estudo de 77 casos atendidos em consultório privado de Florianópolis (SC), entre 1996 e 2004 [monografia]. Universidade Federal de Santa Catarina, Dapartamento de Clínica Cirúrgica; 2008.,88 Guillén EM, Yunaka SE, Martín JC. Hospital General Provincial Docente de Morón . Ciego de Ávila. Traumatismo ocular en el niño. Repercusión visual. Rev Cub Oftamol 1999;12(2):141-45.) Em estudo realizado em Cuba, o hifema traumático foi a alteração ocular mais prevalentes pós trauma. (1515 Lourdes D, Hernández R, Raúl CJ, Silva H, González CP, Daniel P, et al. Caracterización de los traumatismos oculares severos en la infancia Characterization of severe ocular traumas in childhood. Rev Cubana Oftalmol. 2013;26(2):245-58.)

Outras pesquisas apresentam alta prevalência de baixa acuidade visual (entre percepção luminosa e 20/100) relacionada com traumas perfurantes. (88 Guillén EM, Yunaka SE, Martín JC. Hospital General Provincial Docente de Morón . Ciego de Ávila. Traumatismo ocular en el niño. Repercusión visual. Rev Cub Oftamol 1999;12(2):141-45.,1010 Aragaki GN, Inada ET, Teixeira MF, Almeida Júnior GC de, Kashiwabuchi LK. Estudo epidemiológico dos traumas oculares graves em um Hospital Universitário de São José do Rio Preto - SP. Arq Bras Oftalmol. 2003;66(4):473-6.,1212 Serrano JC, Chalela P, Arias JD. Epidemiology of childhood ocular trauma in a northeastern Colombian region. Arch Ophthalmol. 2003;121(10):1439-45.) Em estudo realizado no Irã, a acuidade visual inicial dos olhos acometidos no momento do atendimento foi menor que 20/200 e a acuidade visual final foi maior que 20/40. (1616 Aghadoost D, Fazel MR, Aghadoost HR. Pattern of Pediatric Ocular Trauma in Kashan. Arch Tauma Res. 2012;1(1):35-7.) É válido lembrar que algumas alterações oculares como catarata, glaucoma ou descolamento de retina podem aparecer meses ou anos após o acidente. (1515 Lourdes D, Hernández R, Raúl CJ, Silva H, González CP, Daniel P, et al. Caracterización de los traumatismos oculares severos en la infancia Characterization of severe ocular traumas in childhood. Rev Cubana Oftalmol. 2013;26(2):245-58.) Nos traumas oculares graves, cerca de 30% dos pacientes ficam sem sua visão útil, e isto corresponde, aproximadamente, a 10% de todo ferimento ocular, em crianças. (1717 Trauma ocular infantil: é possível prevenir os acidentes que envolvem os olhos das crianças? [Internet]. O Rebate. 2007. [citado 2017 Dez 12] Disponível em: http://www.jornalorebate.com.br/canais/ciencia-e-saude/159-trauma-ocular-infantil-e-possivel-prevenir-os-acidentes-que-envolvem-os-olhos-das-criancas
http://www.jornalorebate.com.br/canais/c...
)

Os oftalmologistas, pediatras, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais envolvidos no atendimento de saúde das crianças desempenham um papel importante no aumento da conscientização sobre problemas de segurança ocular entre familiares e comunidade. (1212 Serrano JC, Chalela P, Arias JD. Epidemiology of childhood ocular trauma in a northeastern Colombian region. Arch Ophthalmol. 2003;121(10):1439-45.)

Conclusão

A análise epidemiológica do trauma ocular infantil permite elaboração de medidas preventivas baseadas no conhecimento dos fatores causais envolvidos.

No ambiente domiciliar, a estruturação de móveis que mantenham utensílios e substâncias químicas longe do acesso das crianças, além de depósitos com sistemas de segurança na abertura podem evitar acidentes oculares infantis.

Baseado nos resultados, uma maior vigilância nos períodos das férias escolares sob a supervisão de um adulto pode ser medida profilática para evitar acidentes nesse período do ano onde foi verificado maior incidência, principalmente crianças do sexo masculino.

Outra medida seria a criação de centros de referência em oftalmologia longe da região metropolitana, buscando um atendimento mais precoce às crianças traumatizadas evitando danos irreversíveis à visão.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    May-Jun 2018

Histórico

  • Recebido
    09 Nov 2017
  • Aceito
    16 Jan 2018
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