Diferenças de gênero nas associações de trauma na infância e apego no transtorno do pânico

OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi avaliar a associação entre trauma na infância e qualidade do vínculo parental em pacientes com transtorno de pânico comparados com controles. MÉTODO: 123 pacientes e 123 controles pareados foram avaliados através do Mini International Neuropsychiatric Interview, do Childhood Trauma Questionnaire e do Parental Bonding Instrument. RESULTADOS: As escalas Parental Bonding Instrument e Childhood Trauma Questionnaire mostraram-se altamente correlacionadas. Pacientes com transtorno de pânico apresentaram elevadas taxas de abuso emocional (OR = 2,54; p = 0,001), superproteção materna (OR = 1,98; p = 0,024) e superproteção paterna (OR = 1,84; p = 0,041) quando comparados ao grupo controle. De acordo com o gênero, nos homens, apenas a superproteção materna permanece independentemente associada ao transtorno de pânico (OR = 3,28; p = 0,032). Já as mulheres com transtorno de pânico descreveram mais frequentemente o pai como sendo superprotetor (OR = 2,2; p = 0,017) e pouco amoroso (OR = 0,48; p = 0,039) e referiram mais negligência emocional em comparação aos controles. CONCLUSÃO: Altas taxas de diferentes tipos de trauma, especialmente abuso emocional, foram encontradas em pacientes com transtorno de pânico quando comparados com o grupo controle. As diferenças com relação ao gênero e ao vínculo parental podem ser explicadas à luz da teoria psicodinâmica.

Apego ao objeto; Ansiedade; Meio ambiente; Transtorno do pânico; Gênero e saúde


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