Avaliação do estado nutricional e da atividade física em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico

Resumos

INTRODUÇÃO: Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) podem apresentar alterações nutricionais desencadeadas pela doença ou pelo tratamento, e essas condições podem interferir no prognóstico. OBJETIVOS: Avaliar o estado nutricional, a atividade física e os aspectos associados em pacientes com LES. MÉTODOS: As características nutricionais, clínico-laboratoriais, sóciodemográficas e de tratamento de 170 mulheres com LES foram avaliadas, em estudo transversal. RESULTADOS: Pacientes com idade entre 18 e 60 anos foram incluídas, com média (DP) de idade e de duração da doença de 39,1 anos (10,0) e 9,9 anos (6,2), respectivamente. Duas (1,2%) pacientes foram classificadas como magreza grau I, 59 (34,7%) como eutróficas, 61 (35,9%) como sobrepeso, 37 (21,8%) como obesidade grau I, sete (4,1%) como obesidade grau II e quatro (2,4%) como obesidade grau III. Pacientes com sobrepeso e obesas apresentaram maior idade, menor escolaridade, maior índice de dano do LES, maior concentração sérica de complemento, maior frequência de hipertensão arterial e de diabetes mellitus, presença de insuficiência ovariana e menor frequência do uso de antimaláricos. Quanto à atividade física, 39 pacientes (22,9%) foram classificadas como inativas, 100 (58,8%) como insuficientemente ativas e 31 (18,2%) como ativas. Destas últimas, 13 (43,3%) se encontravam no grupo de eutróficos. CONCLUSÃO: A frequência de excesso de peso, nesta população, foi elevada e esteve associada a alguns fatores de risco tradicionais para doenças cardiovasculares e a alguns fatores de pior prognóstico do LES. Logo, incentivar o controle do peso deve fazer parte dos principais objetivos do tratamento de todo paciente com LES

lúpus eritematoso sistêmico; estado nutricional; exercício


INTRODUCTION: Patients with systemic lupus erythematosus (SLE) may present nutritional changes triggered by disease or treatment, and these conditions may interfere with prognosis. OBJECTIVE: Assess the nutritional status, physical activity and associated factors in patients with SLE under treatment at the Service of Rheumatology of Hospital das Clínicas/Universidade Federal de Minas Gerais. METHODS: A cross-sectional study evaluating the nutritional status, clinical laboratory findings, sociodemographic, and treatment characteristics of 170 SLE female patients. RESULTS: Patients aged between 18 and 60 years were included. The mean (SD) age of patients and duration of SLE was 39.1 (10.0) and 9.9 (6.2) years, respectively. Two (1.2%) patients were classified as grade I underweight, 59 (34.7%) eutrophic, 61 (35.9%) as overweight, 37 (21.8%) as grade I obesity, seven (4,1%) as grade II obesity, and four (2,4%) as grade III obesity. Overweight and obesity were significantly associated with older age, lower education, higher SLE damage index, higher serum concentration of complement, higher incidence of hypertension and diabetes mellitus, presence of ovarian failure, and less frequent use of antimalarials Regarding physical activity, 39 patients (22.9%) were classified as inactive, 100 (58.8%) insufficiently active, and 31 (18.2%) active. Of the latter, 13 (43.3%) were in the eutrophic group. CONCLUSION: Excess weight was high in this population and associated with some traditional risk factors for cardiovascular disease and SLE poor prognosis. Therefore, encouraging weight control must be part of the main goals in treating SLE patients

systemic lupus erythematosus; nutritional status; exercise


ARTIGO ORIGINAL

Avaliação do estado nutricional e da atividade física em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico

Fabiana de Miranda Moura dos SantosI; Mariane Curado BorgesII; Maria Isabel Toulson Davisson CorreiaIII; Rosa Weiss TellesIV; Cristina Costa Duarte LannaV

IReumatologista do HC da UFMG - Mestranda do Programa de Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto (FM da UFMG)

IIDoutoranda do Programa de Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto (Faculdade de Medicina da UFMG) - Mestre em Nutrição pela Faculdade de Farmácia da UFMG

IIIProfessora Adjunta - Departamento de Cirurgia da FM da UFMG - PhD na University of Pittsburgh Medical Center

IVReumatologista do HC da UFMG - Doutoranda do Programa de Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto (FM da UFMG)

VReumatologista, Professora Adjunta, Doutora, Departamento do Aparelho Locomotor, FM da UFMG - Doutorado em Ciências da Saúde do Adulto (Gastroenterologia) pela UFMG

Correspondência para

RESUMO

INTRODUÇÃO: Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) podem apresentar alterações nutricionais desencadeadas pela doença ou pelo tratamento, e essas condições podem interferir no prognóstico.

OBJETIVOS: Avaliar o estado nutricional, a atividade física e os aspectos associados em pacientes com LES.

MÉTODOS: As características nutricionais, clínico-laboratoriais, sóciodemográficas e de tratamento de 170 mulheres com LES foram avaliadas, em estudo transversal.

RESULTADOS: Pacientes com idade entre 18 e 60 anos foram incluídas, com média (DP) de idade e de duração da doença de 39,1 anos (10,0) e 9,9 anos (6,2), respectivamente. Duas (1,2%) pacientes foram classificadas como magreza grau I, 59 (34,7%) como eutróficas, 61 (35,9%) como sobrepeso, 37 (21,8%) como obesidade grau I, sete (4,1%) como obesidade grau II e quatro (2,4%) como obesidade grau III. Pacientes com sobrepeso e obesas apresentaram maior idade, menor escolaridade, maior índice de dano do LES, maior concentração sérica de complemento, maior frequência de hipertensão arterial e de diabetes mellitus, presença de insuficiência ovariana e menor frequência do uso de antimaláricos. Quanto à atividade física, 39 pacientes (22,9%) foram classificadas como inativas, 100 (58,8%) como insuficientemente ativas e 31 (18,2%) como ativas. Destas últimas, 13 (43,3%) se encontravam no grupo de eutróficos.

CONCLUSÃO: A frequência de excesso de peso, nesta população, foi elevada e esteve associada a alguns fatores de risco tradicionais para doenças cardiovasculares e a alguns fatores de pior prognóstico do LES. Logo, incentivar o controle do peso deve fazer parte dos principais objetivos do tratamento de todo paciente com LES.

Palavras-chave: lúpus eritematoso sistêmico, estado nutricional, exercício.

INTRODUÇÃO

A integração entre estado nutricional e imunidade, que sob condições fisiológicas é benéfica para a saúde, pode passar a ser prejudicial em certas situações. A desnutrição, causando imunossupressão, e a obesidade, que desencadeia inflamação sistêmica, são condições que podem modificar a resposta do indivíduo a determinada doença1,2

No Brasil, observa-se redução na ocorrência de desnutrição, ao mesmo tempo em que se registra aumento significativo da prevalência de obesidade.3 Em países desenvolvidos essa transição do perfil nutricional já ocorreu e, atualmente, são realizados programas para o controle do excesso de peso com o objetivo de estabilizar a taxa de prevalência de obesidade e, assim, reduzir custos, morbidade e mortalidade.4

O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença inflamatória do tecido conjuntivo, multissistêmica, caracterizada por desregulação do sistema imunológico com períodos de exacerbação e remissão.5 Atualmente, o distúrbio nutricional mais descrito em pacientes lúpicos é o excesso de peso. No entanto, as causas e as consequências não foram ainda estudadas.6

Este estudo tem como objetivos avaliar o estado nutricional e a atividade física de pacientes com diagnóstico de LES atendidos no Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG), bem como analisar as principais características associadas aos distúrbios nutricionais.

PACIENTES E MÉTODOS

Pacientes

Trata-se de estudo clínico transversal realizado no Serviço de Reumatologia do HC/UFMG, no período de fevereiro de 2008 a maio de 2009. Pacientes com diagnóstico de LES segundo os critérios de classificação de 1982 (revisados em 1997) do Colégio Americano de Reumatologia (ACR),7,8 do sexo feminino, com idade entre 18 e 60 anos e que concordaram em assinar o termo de consentimento livre e esclarecido após informação foram incluídas. Os critérios de exclusão foram gestação, disfunção hepática grave não associada ao LES, pacientes em hemodiálise, incapacidade de ficar em ortostatismo ou em decúbito dorsal para realização da avaliação nutricional e tempo de doença menor que um ano.

Foram incluídas, consecutivamente, 170 pacientes dentre os 400 atendidos no Serviço de Reumatologia no mesmo período do estudo. A amostra foi por conveniência, sendo os pacientes convidados a participar da pesquisa no dia da consulta de rotina, de acordo com a ordem de atendimento no serviço.

O cálculo da amostra foi realizado com estimativa de erro de 2%, grau de confiança de 95% e prevalência esperada de obesidade em pacientes com LES de 30%. O tamanho calculado da amostra foi de 165 pacientes.9

MÉTODOS

Dados sóciodemográficos e características clínicas

Questionário contendo dados socioeconômicos, manifestações clínico-laboratoriais, definidas segundo os critérios para classificação do LES/ACR,7,8 e tratamento foi aplicado. A presença de hipertensão arterial sistêmica (HAS) (PAS >140 mmHg ou PAD > 90 mmHg em pelo menos duas ocasiões ou uso de anti-hipertensivos),10 de diabetes mellitus (DM) (glicemia de jejum > 126 mg/dL em, pelo menos, duas ocasiões , ou uso de hipoglicemiantes orais ou insulina)11 e de insuficiência ovariana (última menstruação espontânea há mais de um ano ou uso de terapia de reposição hormonal [TRH] ou irregularidade menstrual ou amenorréia há menos de um ano e dosagem de FSH > 20 mUI/mL)12 foi considerada.

Atividade da Doença e Índice de Dano

A atividade da doença foi mensurada pelo escore Systemic Lupus Erythematosus Disease Index 2000 (SLEDAI-2K)13 e o dano acumulativo irreversível pelo Systemic Lupus International Collaborating Clinics/ ACR Damage Index (SLICC-ACR/DI).14

Atividade física

O questionário Internacional de Atividade Física (QIAF), versão oito curta, já traduzido para a língua portuguesa e validado para a população brasileira15,16 foi utilizado para determinar o nível de atividade física. A aplicação do questionário foi realizada individualmente, pelo pesquisador principal, e consistiu de questões que indagaram quanto à frequência (dias por semana) e ao tempo (minutos por dia) despendido na execução de caminhadas e de atividades envolvendo esforços físicos de intensidades moderada e vigorosa em quatro domínios: no trabalho, no deslocamento para o trabalho, nos deveres domésticos e no lazer. Recorreu-se ao consenso proposto pelo Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS)17 para categorização da prática habitual de atividade física,considerando três categorias:

• Ativo: > 20 minutos/sessão de atividades vigorosas > 3 dias/semana; e/ou > 30 minutos/sessão de atividades moderadas ou caminhadas > 5 dias/semana; e/ou > 150 minutos/semana de qualquer das atividades somadas (vigorosa + moderada + caminhada);

• Irregularmente ativo: < 150 e > 10 minutos/ semana de qualquer das atividades somadas (vigorosa + moderada + caminhada);

• Sedentário: < 10 minutos/semana de qualquer das atividades somadas (vigorosa + moderada + caminhada).

Estado nutricional

O estado nutricional foi determinado pela avaliação global subjetiva (AGS) e medidas antropométricas (índice de massa corporal).

A AGS foi realizada por meio de entrevista e exame físico do paciente de acordo com protocolo padrão. Este constou de questionamentos sobre mudanças de peso e hábitos alimentares, presença de sintomas gastrointestinais, alteração da capacidade funcional, demanda metabólica da doença e avaliação física do paciente (presença de edema e perda de gordura subcutânea). Perda de peso menor que 5% em seis meses foi considerada leve, entre 5% e 10% moderada e maior que 10% grave.18 O paciente foi então classificado como nutrido, suspeita de desnutrição ou moderadamente desnutrido, ou desnutrido grave.

Peso e altura foram aferidos com balança modelo plataforma mecânica da marca Welmy® e os resultados obtidos colocados na fórmula para cálculo do índice de massa corporal (IMC).

Análise estatística

O banco de dados foi montado no programa EpiData® versão 3.1 (EpiData Association, Odense, Denmark). O software Statistical Package for Social Sciences (SPSS®) versão 16.0 (SPSS Inc., Chicago, IL USA.) foi utilizado nas análises estatísticas.

O teste de Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para avaliar a normalidade. As variáveis categóricas foram descritas como proporção, e as variáveis contínuas por média e desvio-padrão (DP) quando a distribuição foi normal ou mediana e intervalo interquartil (IIq) quando distribuição não foi normal.

Os pacientes foram divididos em três grupos para a realização das análises: eutróficos, sobrepeso e obesos. Utilizou-se, para variáveis contínuas, o teste t-Student quando houve evidência de normalidade e o teste não paramétrico de Mann-Whitney quando a variável não apresentou evidência de distribuição normal. O teste do qui-quadrado ou o teste exato de Fisher foram usados, quando apropriados, para testar as variáveis categóricas.

Para aquelas variáveis em que foi observada diferença significante entre os grupos na análise univariada, foram realizadas análises para identificar entre quais grupos se encontrou a diferença estatística. Utilizou-se análise padrão de resíduos para as variáveis categóricas, análise Post Hoc com correção Least Significant Difference (LSD) para as variáveis contínuas normais, e Mann Whitney com correção de Bonferroni para as contínuas não normais.

Para todas as análises foi considerado nível de significância de 5% (P < 0,05).

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG e pela Diretoria de Ensino, Pesquisa e Extensão do HC/UFMG e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

RESULTADOS

As características sociodemográficas das 170 pacientes incluídas no estudo encontram-se descritas na Tabela 1. As anormalidades hematológicas, como grupo, foram as manifestações clínico-laboratoriais mais frequentes, observadas em 150 (88,2%) pacientes. Seguiram-se as manifestações mucocutâneas em 147 (86,5%), a artrite em 129 (75,9%), as alterações imunológicas em 127 (74,7%), serosite (pleurite e pericardite) em 46 (27,1%) e as desordens neuropsiquiátricas (convulsão e psicose) em 31 (18,2%). A mediana (IIq) do SLICC foi de 1,0 (0,0-2,0) e do SLEDAI-2k, avaliado em 167 pacientes, de 0,0 (0,0-2,0). A função ovariana foi avaliada em 161 pacientes e 59 (36,6%) apresentaram insuficiência ovariana.

A maioria das pacientes (73%) estava em uso de corticoide, 61,7% usava antimaláricos e 57,7% fazia uso de algum imunossupressor. A mediana (IIq) da dose atual de corticoide foi 5,0 mg (0,0-10,0) e a média (DP) da dose acumulada, mensurada em 164 pacientes, foi 35,8 g (26,1). A azatioprina foi o imunossupressor mais usado (27,1%), seguido pela ciclofosfamida (17,1%) e pelo metotrexato (12,3%). Apenas seis pacientes estavam em uso de talidomida.

De acordo com a avaliação global subjetiva (AGS), 91,8% das pacientes foram classificadas como nutridas, 6,5% apresentaram-se com suspeita de desnutrição ou moderadamente desnutridas e 1,8% desnutridas graves. Segundo os critérios de classificação do IMC da Organização Mundial de Saúde,19 duas pacientes (1,2%) foram classificadas como magreza grau I (IMC entre 17,00-18,49 kg/m2), 59(34,7%) como eutróficas (18,50-24,9 kg/m2), 61(35,9%) como sobrepeso (25,0-29,9 kg/m2), 37(21,8%) como obesidade grau I (30,0-34,9 kg/m2), sete (4,1%) como obesidade grau II (35,0-39,0 kg/m2) e quatro (2,4%) como obesidade grau III (> 40,0 kg/m2).

Pacientes classificadas como magreza grau I foram excluídas da análise univariada, pois constituíram grupo muito reduzido o que inviabilizaria as análises estatísticas.

A análise univariada das demais 168 pacientes estudadas contemplou três grupos divididos em: eutróficas (IMC entre 18,5-24,49 kg/m2), sobrepeso (25-29,9 kg/m2) e obesas (> 30,0 kg/m2). A comparação das características sociodemográficas, clínicas, laboratoriais e o uso de medicamentos entre os grupos está registrada na Tabela 2.

Pacientes obesas apresentaram maior idade do que aquelas com sobrepeso e eutróficas, sendo a média (DP) da idade de cada grupo 43,44 (7,76), 41,52 (9,33) e 33,69 (9,59) anos, respectivamente (P < 0,001). Pacientes eutróficas apresentaram maior número de anos de estudo com mediana de 11 anos. Aquelas com sobrepeso e as obesas apresentaram maior índice de dano do LES (SLICC) do que as eutróficas. A concentração sérica de C3 e C4 foi maior entre as pacientes com sobrepeso e a frequência de HAS, DM e insuficiência ovariana foi maior entre as obesas. Não houve diferença estatística entre os três grupos quanto à renda individual mensal, ao tempo de duração do LES, às características clínicas, à atividade da doença e ao número de pacientes com níveis elevados de colesterol e triglicérides (Tabela 2). No tocante ao uso de medicamentos, diferença estaticamente significante esteve presente no uso de antimalárico, o qual foi mais frequente em pacientes eutróficas.

A avaliação da atividade física mostrou que 100 (58,8%) foram classificadas como insuficientemente ativas, 39(22,9%) como sedentárias ou inativas, e 31(18,2%) como ativas. A distribuição de pacientes ativas entre aquelas classificadas como eutróficas, com sobrepeso e obesas não foi diferente do ponto de vista estatístico (P = NS).

Indivíduos com maior IMC apresentaram maior média de idade. Pela análise Post Hoc, verificou-se que a diferença encontrou-se entre as pacientes consideradas eutróficas e com sobrepeso e entre eutróficas e obesas (Tabela 3).

Não foi possível identificar entre quais grupos houve diferença estatística no que se referiu à HAS e ao uso de antimaláricos, conforme a análise de resíduos padronizada, considerando nível de significância de 0,05. Já em relação ao DM e à insuficiência ovariana, a diferença estatística foi observada entre pacientes obesas e eutróficas. A Tabela 4 apresenta os resultados das comparações múltiplas das variáveis contínuas, por classificação de IMC, utilizando a correção de Bonferroni no teste Mann-Whitney.

DISCUSSÃO

Neste estudo a frequência de desnutrição foi de apenas 1,2% o que é inferior ao apontado pela Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nessa pesquisa, encontrou-se 5% de desnutrição entre mulheres sadias com mais de 20 anos.20 A prevalência de desnutrição social em indivíduos com LES é pouco descrita na literatura. No estudo brasileiro de Caetano et al., englobando 22 crianças e adolescentes com LES, a desnutrição foi presente em 4,5%.21 No entanto, outros estudos mostraram que pacientes adultos com LES podem apresentar deficiências de micronutrientes, como retinol, betacaroteno e vitamina D que não foram objeto desta pesquisa.22,23

No presente estudo, 109 (64,2%) pacientes foram identificadas como tendo excesso de peso. Pesquisas têm mostrado a ocorrência desse distúrbio nutricional na população geral e em pacientes com LES.6,24,25,26 No entanto, a relação entre obesidade e as características sociodemográficas, clínicas e o uso de medicamentos, assim como a atividade física em indivíduos com LES não foram ainda extensamente estudadas.

A análise de 172 pacientes com LES (95,9% de mulheres), realizada no mesmo Serviço do Hospital das Clínicas/UFMG em 2005, identificou 20,9% de obesidade, segundo a classificação de IMC.24 Essa frequência foi inferior à encontrada na presente pesquisa (28,3%) sugerindo aumento no número de pacientes com IMC > 30 atendidas neste Serviço. A prevalência de obesidade em mulheres adultas brasileiras em 2006, 2007 e 2008 foi de 11,5%, 12,0% e 13,8%, respectivamente, mostrando aumento relativo de mulheres obesas.26 Já na população americana, entre 2007 e 2008, a obesidade foi encontrada em 35,5% das mulheres adultas. Apesar desse índice ser elevado, a taxa de aumento da prevalência de obesidade em mulheres americanas adultas nos últimos 10 anos parece não estar aumentando, como mostrado na análise comparativa realizada por Flegal et al.,27 diferente do que tem ocorrido no Brasil.26

Alguns estudos englobando indivíduos sadios e pacientes lúpicos têm evidenciado incremento do IMC com o aumento da idade.26,28,29 Na presente pesquisa, a média de idade foi mais elevada entre as pacientes com maior IMC, principalmente quando comparadas as eutróficas com aquelas com sobrepeso e obesas. Fatores hormonais e redução do gasto energético diário estão relacionados à idade e podem contribuir para o ganho de peso nestas pacientes.30

Loistein et al. avaliaram as características socioeconômicas e o IMC de 100 mulheres com LES, e encontraram associação positiva entre baixos níveis socioeconômicos e maiores valores de IMC.31 No estudo LUMINA, coorte multicêntrico realizado com 365 indivíduos com LES, encontrou-se relação inversa entre o número de anos estudados e o IMC, semelhante ao observado no presente estudo.6 Essa relação parece não ser encontrada apenas em indivíduos com LES. Estudo brasileiro mostrou que mulheres saudáveis com até quatro anos de estudo apresentam duas vezes mais probabilidade de serem obesas que aquelas com 12 ou mais anos de estudo.28

A persistência e a gravidade da atividade inflamatória do LES são importantes determinantes do índice de dano segundo o SLICC/ACR. Nessa pesquisa foi observado, na análise univariada, maiores valores de índice de dano em pacientes com sobrepeso e obesas do que em pacientes eutróficas. Oeser et al. não observaram a mesma associação em amostra de 100 pacientes. No entanto, demonstraram elevada concentração de marcadores inflamatórios em pacientes com maior média de IMC, sugerindo maior atividade inflamatória em pacientes com acúmulo de tecido adiposo.29 Estudos transversais que avaliaram a frequência de síndrome metabólica em pacientes com LES evidenciaram relação independente entre a presença de síndrome metabólica e pior escore de índice de dano.24,32 Esses indivíduos, por apresentarem maior atividade inflamatória, poderiam apresentar maior potencial de desenvolver dano em órgãos nobres, o que aumentaria a morbidade. Sendo assim, mais estudos precisam ser realizados para avaliar esta possível associação entre o dano acumulativo causado pelo LES e o excesso de peso.

Segundo Gabrielsson et al., indivíduos sadios com sobrepeso ou obesos, geralmente, apresentam concentrações elevadas de C3 e C4 por aumento da expressão gênica destes fatores no tecido adiposo visceral.33 Estudo com 93 pacientes com LES comparou a média da concentração do CH50 entre três grupos com IMC distintos e apontou que aqueles com IMC maior ou igual a 30 apresentaram concentrações superiores de CH50.29 Na presente pesquisa, as medianas das concentrações do complemento C3 e C4 foram maiores nos pacientes com sobrepeso. O complemento sérico diminuído é um dos elementos avaliados no índice de atividade do LES (SLEDAI-2K) e que contribui para definição de condutas durante o tratamento. Portanto, ao analisar a concentração das frações do complemento ou CH50 em pacientes com LES, deve-se considerar o IMC.

Receptores de estrogênio localizados no hipotálamo servem como interruptores que controlam a ingestão de alimentos, consumo de energia e distribuição da gordura corporal. Na insuficiência ovariana há diminuição da concentração estrogênica e, consequentemente, o peso corporal pode aumentar. Nessa pesquisa, as mulheres com insuficiência ovariana apresentaram maior IMC, o que coincide com dados já publicados.29,34,35

O antimalárico é um medicamento indicado para o tratamento do LES por melhorar a sobrevida e diminuir a recidiva da doença.36,37 No presente estudo, pela análise univariada, observou-se que os pacientes eutróficos foram aqueles com maior frequência de uso de antimalárico, quando comparados com os indivíduos com excesso de peso (sobrepeso e obesos). Contudo, não foi possível identificar entre quais grupos existiu a diferença estatística, provavelmente pelo reduzido número de pacientes em cada grupo. Como a análise multivariada não foi realizada, não foram excluídos outros fatores de confusão que poderiam interferir nesta associação. Não foram encontradas na literatura pesquisada, publicações que descrevessem a relação entre o estado nutricional do paciente lúpico e o uso deste medicamento, portanto são necessários novos estudos para melhor compreensão dessa observação.

Chaiamnuay et al. e Oeser et al., em estudos transversais envolvendo pacientes com LES,6,29 não observaram associação entre a dose atual e acumulada de corticóide versus o IMC, semelhante ao que foi identificado no presente estudo.Mok etal. avaliaram a composição corporal de 29 pacientes lúpicos em uso de altas doses de corticóide por período de seis meses, e observaram aumento do percentual de gordura, redução da massa magra no tronco e redução da densidade mineral óssea sem, no entanto, mudança do IMC.35 Portanto, é importante destacar que pacientes em uso de corticóide podem apresentar modificação da composição corporal sem alteração do IMC.

A composição corporal de pacientes lúpicos pode ser melhorada pela prática de atividade física, assim como a tolerância ao exercício, força muscular, capacidade aeróbica, qualidade de vida, depressão e fadiga, sem ocasionar piora da atividade inflamatória da doença.38,39 No presente estudo observou-se que apenas 31(18,2%) pacientes foram consideradas suficientemente ativas de acordo com IPAQ. Ademais, não houve associação entre atividade física e IMC, possivelmente pelo número muito pequeno de indivíduos ativos em relação à amostra total. Outro fator que pode ter contribuído para essa não associação é o fato de não ter sido realizada a avaliação da composição corporal, que poderia discriminar melhor o percentual de massa gorda e a massa magra destes indivíduos e, assim, possibilitar uma análise mais detalhada da associação entre o nível de atividade física e o estado nutricional dessa população. Estudos com maior número de pacientes e com análise da composição corporal deverão ser realizados.

Este estudo apresenta algumas limitações. Trata-se de avaliação transversal, na qual a relação de causalidade não pode ser estabelecida. Além disso, não foi realizada análise multivariada. Portanto, a associação das variáveis de forma independente não pode ser avaliada. Ainda assim, as observações destacadas devem ser consideradas, pois alertam para a presença de fatores relacionados à obesidade que podem piorar o prognóstico dos pacientes lúpicos. Isto porque, tanto a obesidade quanto o LES, individualmente, já estão associados à maior morbimortalidade e quando presentes conjuntamente podem desencadear condições clínicas ainda pouco estudadas.

Em conclusão, este estudo evidenciou que o excesso de peso foi o principal distúrbio nutricional observado em pacientes com LES, ocorreu em frequência elevada, e esta foi maior que a observada na população geral. O excesso de peso foi associado à maior idade da paciente, à menor escolaridade, ao maior dano acumulativo da doença, à maior concentração de complemento, à maior frequência de HAS e DM, à presença de insuficiência ovariana e à menor frequência do uso de antimaláricos. Portanto, avaliar o estado nutricional e a atividade física desses pacientes rotineiramente é primordial para a detecção precoce dessas alterações. O médico poderá e deverá, dessa forma, intervir com o objetivo de melhorar o tratamento e a qualidade de vida desses pacientes.

Submetido em 10/6/2010.

Aprovado, após revisão, em 26/8/2010.

Este projeto de pesquisa foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

Declaramos a inexistência de conflito de interesse.

Serviço de Reumatologia do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Departamento do Aparelho Locomotor e Departamento de Cirurgia, Faculdade de Medicina (FM) da UFMG - Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde do Adulto da Faculdade de Medicina da UFMG.

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  • Correspondência para:
    Fabiana de Miranda Moura dos Santos
    Av. Bernardo Monteiro, 1300/304
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    E-mail:

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    07 Jan 2011
  • Data do Fascículo
    Dez 2010

Histórico

  • Aceito
    26 Ago 2010
  • Recebido
    10 Jun 2010
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