Assistência em saúde e alimentação não saudável em crianças menores de dois anos: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013

Lucas de Oliveira Fernandes Matheus Oliveira Silvano Aline Baggio Oening Chaiana Esmeraldino Mendes Marcon Sobre os autores

Prezado editor,

O estudo de Jaime PC et al. (11 Jaime PC, Frias PG, Monteiro HOC, Almeida PVB, Malta DC. Assistência em saúde e alimentação não saudável em crianças menores de dois anos: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2016; 16 (2): 149-57. evidencia que há uma desigualdade na questão de acesso à assistência infantil no Brasil, com apenas 28,7% das crianças tendo a realização da primeira consulta médica até o sétimo dia de vida. Também tiveram pesquisas de comportamentos alimentares não saudáveis na infância, com um alto índice de consumo de refrigerantes, biscoitos, bolachas ou bolos. Sendo assim, é evidente que quando se fala de assistência à saúde infantil, tem-se um problema a nível nacional e esforços não devem ser medidos para gerar métodos e regulamentos, bem como normas de intervenção para que essa realidade tome outro rumo.

Sabe-se que no Brasil ainda há muitos desafios para serem superados para qualificar a saúde infantil.i Isso pode ser exemplificado pela baixa frequência da primeira consulta do recém nascido na primeira semana de vida, o que pode ser expressado pela insuficiente vinculação das maternidades com a atenção primária e que o acesso oportuno à rede de saúde não é efetivado.11 Jaime PC, Frias PG, Monteiro HOC, Almeida PVB, Malta DC. Assistência em saúde e alimentação não saudável em crianças menores de dois anos: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2016; 16 (2): 149-57. Já em um estudo22 Baranov A, Namazova-Baranova L, Albitskiy V, Ustinova N, Terletskaya R, Komarova O. The Russian Child Health Care System. J Pediatr. 2016; 177: S148 - S155. sobre a assistência à saúde infantil na Rússia, eles botam como pilar de uma policlínica o "princípio da vizinhança", que permite uma excelente comunicação entre os profissionais de saúde e a família da criança.22 Baranov A, Namazova-Baranova L, Albitskiy V, Ustinova N, Terletskaya R, Komarova O. The Russian Child Health Care System. J Pediatr. 2016; 177: S148 - S155.

Um estudo feito no México, em 2006, relata que as práticas de alimentação infantil, as quais incluem amamentação e introdução de alimentos complementares, são determinantes da saúde, do crescimento e do desenvolvimento das crianças.33 Gonzalez-Cossio T, Rivera-Dommarco J, Moreno-Macias H, Monterrubio E, Sepulveda J, Poor Compliance with Appropriate Feeding Practices in Children under 2 y in Mexico. J Nutr. 2006; 136 (11): 2928-33. Entretanto, no estudo em questão,11 Jaime PC, Frias PG, Monteiro HOC, Almeida PVB, Malta DC. Assistência em saúde e alimentação não saudável em crianças menores de dois anos: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2016; 16 (2): 149-57. verificou-se uma alta frequência no consumo de alimentos não saudáveis, como refrigerantes e biscoitos, em crianças menores de dois anos.11 Jaime PC, Frias PG, Monteiro HOC, Almeida PVB, Malta DC. Assistência em saúde e alimentação não saudável em crianças menores de dois anos: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2016; 16 (2): 149-57. Isso acaba comprometendo a proteção que a amamentação e alimentação saudável oferecem em relação a infecções gastrointestinais e respiratórias, funções imunoló-gicas e pode provocar até um retardo do desenvolvimento da criança.33 Gonzalez-Cossio T, Rivera-Dommarco J, Moreno-Macias H, Monterrubio E, Sepulveda J, Poor Compliance with Appropriate Feeding Practices in Children under 2 y in Mexico. J Nutr. 2006; 136 (11): 2928-33.

Baseado nos estudos citados anteriormente, conclui-se que o índice de introdução de alguns alimentos não saudáveis em crianças menores de 2 anos vêm aumentando com o passar dos anos, incrementando as chances de comorbidades crônicas, como por exemplo o diabetes, de aparecerem cada vez mais. Deve-se, então, elaborar melhores propostas de intervenção nas consultas com as mães destas crianças, visando uma alimentação mais saudável. Juntamente com isso, a atenção primária possui enorme responsabilidade pelos primeiros testes das crianças em suas primeiras consultas (além da questão das vacinas) no intuito de diagnosticar/descartar o quanto antes alguma doença que possa complicar a vida dos pequeninos caso nada seja feito.

Referências bibliográficas

  • 1
    Jaime PC, Frias PG, Monteiro HOC, Almeida PVB, Malta DC. Assistência em saúde e alimentação não saudável em crianças menores de dois anos: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2016; 16 (2): 149-57.
  • 2
    Baranov A, Namazova-Baranova L, Albitskiy V, Ustinova N, Terletskaya R, Komarova O. The Russian Child Health Care System. J Pediatr. 2016; 177: S148 - S155.
  • 3
    Gonzalez-Cossio T, Rivera-Dommarco J, Moreno-Macias H, Monterrubio E, Sepulveda J, Poor Compliance with Appropriate Feeding Practices in Children under 2 y in Mexico. J Nutr. 2006; 136 (11): 2928-33.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Out 2020
  • Data do Fascículo
    Jul-Sep 2020

Histórico

  • Recebido
    02 Jul 2020
  • Aceito
    10 Jul 2020
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