Fatores associados à sintomatologia psíquica em diabéticos durante a pandemia da COVID-19

Gustavo Fonseca de Albuquerque Souza Gabriella de Almeida Figueredo Praciano Otávio da Cunha Ferreira Neto Maria Carolina Paiva Renata Patrícia Freitas Soares de Jesus Ana Lorena Nascimento Cordeiro Gabriela Albuquerque Souza José Roberto Silva Junior Alex Sandro Rolland Souza Sobre os autores

Abstract

Objectives:

to determine the frequency and factors associated with severe / extreme signs and symptoms of stress, anxiety and depression in diabetic patients during the COVID-19 pandemic.

Methods:

cross-sectional study conducted in April /May 2020, which included 162 individuals with diabetes mellitus and over 18 years old. An online questionnaire was applied on social networks, composed of biological, sociodemographic, clinical characteristics and the Stress, Anxiety and Depression Scale (DASS-21). For statistical analysis, a multivariate logistic regression model was applied with a 5% significance level.

Results:

frequency of 37.7%, 43.3% and 45.1% were found for some symptom of stress, anxiety and depression, respectively. The factors associated with sign and symptoms of severe / extreme psychic disorders were: not having religion (stress, anxiety and depression); be at graduation (stress and anxiety); history of anxiety and depression (anxiety and depression); not practicing or decreasing physical exercises and starting, increased or continue taking sleeping medications (stress); history of contact with a suspected case of COVID-19, absence or decreased leisure (anxiety); female gender, absence of a partner, decreased family income and work or study (depression).

Conclusion:

the frequency of psychological disorders was higher than described in the literature on diabetic patients, being associated with biological, sociodemographic, clinical factors and aspects related to COVID-19 during the pandemic

Key words:
Anxiety; New coronavirus (2019-nCoV); Depression; Diabetes mellitus; Psychological stress

Resumo

Objetivos:

determinar a frequência e os fatores associados aos sinais e sintomas de estresse, ansiedade e depressão grave/extremos em pacientes diabéticos durante a pandemia pela COVID-19.

Métodos:

realizou-se estudo de corte transversal em abril/maio de 2020 que incluiu 162 indivíduos com diabetes mellitus e maiores de 18 anos. Aplicou-se um questionário online divulgado nas mídias sociais, sendo composto por características biológicas, sociodemográ-ficas, clínicas e a Escala de Estresse, Ansiedade e Depressão (DASS-21). Para análise estatística foi aplicado modelo de regressão logística multivariado com nível de significância de 5%.

Resultados:

encontrou-se frequência de 37,7%, 43,3% e 45,1% para qualquer sinal e sintoma de estresse, ansiedade e depressão, respectivamente. Os fatores associados a sinais e sintomas psíquicos graves/extremos foram: não ter religião (estresse, ansiedade e depressão); estar na graduação (estresse e ansiedade);antecedente de ansiedade e/ou depressão (ansiedade e depressão); não realizar ou ter diminuído exercícios físicos, iniciado, aumentado ou mantido medicações para dormir (estresse); história de contato com caso suspeito da COVID-19; ausência ou diminuição de lazer (ansiedade) e sexo feminino, ausência de companheiro, diminuição da renda familiar e do trabalho ou estudo (depressão).

Conclusão:

a frequência de transtornos psíquicos foi maior que a descrita na literatura em pacientes diabéticos, sendo associada a fatores biológicos, sociodemográficos, clínicos e aspectos relacionados à COVID-19 durante a pandemia.

Palavras-chave:
Ansiedade; Novo coronavírus (2019-nCoV); Sintomas depressivos; Diabetes mellitus; Estresse psicológico

Introdução

Diabetes Mellitus (DM) é uma enfermidade caracterizada por altos níveis de glicose sanguínea decorrentes de mecanismos patogênicos que variam desde interações genéticas complexas a fatores ambientais e hábitos de vida, possuindo como base fisiopa-tológica central alterações nas células beta pancreáticas e na funcionalidade do hormônio insulina.11 Tripathi BK, Srivastava AK. Diabetes mellitus: complications and therapeutics. Medical Sci Monit. 2006; 12 (7): 130-47. Segundo a International Diabetes Federation (IDF), essa doença acomete aproximadamente 463 milhões de pessoas em todo o mundo, sendoo Brasil o país da 4ª maior prevalência mundial.22 Federação internacional de Diabetes. Diabetes facts and figures. Pernambuco; 2020, [acesso 28 agosto 2020]. Disponível em: https://www.idf.org/aboutdiabetes/what-is-diabetes/facts-figures.html.
https://www.idf.org/aboutdiabetes/what-i...
Evidencia-se ainda que esses pacientes estão sujeitos a uma menor expectativa e qualidade de vida, dadas as repercussões de caráter sistêmico, como cardiovasculares, retinopatias, neuropatias, nefropatias, infertilidade e desordens psiquiátricas33 Khalighi Z, Badfar G, Mahmoudi L, Soleymani A, Azami M, Shohani M. The prevalence of depression and anxiety in Iranian patients with diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Diabetes Metab Syndr. 2019; 13 (4): 2785-94. que podem advir dessa doença.

A elevada morbimortalidade, o prejuízo econômico e a rotina estressante são situações frequentes em pacientes com doenças crônicas, tais como DM e hipertensão, que estão comumente associadas ao aparecimento de transtornos mentais.44 Keskin A, Bllge U. Mental disorders frequency alternative and complementary medicine usage among patients with hypertension and type 2 diabetes mellitus. Niger J Clin Pract. 2014; 17 (6):717-22. A relação entre diabetes e doenças psiquiátricas tem sido amplamente abordada,33 Khalighi Z, Badfar G, Mahmoudi L, Soleymani A, Azami M, Shohani M. The prevalence of depression and anxiety in Iranian patients with diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Diabetes Metab Syndr. 2019; 13 (4): 2785-94..55 Amiri S, Behnezhad S. Obesity and anxiety symptoms: a systematic review and meta-analysis. Neuropsychiatr. 2019; 33 (2):72-89. acreditando-se que os cuidados contínuos e agravos decorrentes da diabetes, como a monitorização rotineira dos níveis de glicemia, as injeções diárias de insulina, dietas e hospitalizações, contribuem para a instabilidade emocional e o aparecimento de psicopatologias.33 Khalighi Z, Badfar G, Mahmoudi L, Soleymani A, Azami M, Shohani M. The prevalence of depression and anxiety in Iranian patients with diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Diabetes Metab Syndr. 2019; 13 (4): 2785-94.

Estudos mostram que transtornos depressivos em diabéticos correspondem ao dobro da prevalência em não diabéticos, e que há um risco médio de 48% de pacientes diabéticos desenvolverem ansiedade, sugerindo a existência de uma relação bidirecional entre essas doenças.55 Amiri S, Behnezhad S. Obesity and anxiety symptoms: a systematic review and meta-analysis. Neuropsychiatr. 2019; 33 (2):72-89.,66 Whitworth SR, Bruce DG, Starkstein SE, Davis WA, Davis TME, Bucks RS. Lifetime depression and anxiety increase prevalent psychological symptoms and worsen glycemic control in type 2 diabetes: the Fremantle Diabetes Study Phase II. Diabetes Res Clin Pract. 2016; 122: 190-7. Apesar disso e da existência de testes de triagem apropriados, mais da metade dos diabéticos não são diagnosticados para sintomatologia psíquica e não recebem tratamento adequado, o que contribui para a piora do controle glicêmico.44 Keskin A, Bllge U. Mental disorders frequency alternative and complementary medicine usage among patients with hypertension and type 2 diabetes mellitus. Niger J Clin Pract. 2014; 17 (6):717-22.

Nestas circunstâncias a atual conjuntura de pandemia da síndrome respiratória aguda grave coronavírus-2 (SARS-CoV-2), a qual foi denominada de COVID-19, representa uma importante crise de saúde pública mundial, repercutindo em déficits econômicos e sociais.77 CDC (Centers for Disease Control and Prevention). People who are at higher risk for severe illness . Content source: National Center for Immunization and Respiratory Diseases (NCIRD), Division of Viral Diseases. 2020. [acesso 6 Set 2020] Disponível em: https://www.cdc.gov/coron-avirus/2019-ncov/need-extra-precautions/index.html?CDC_AA_refVal=https%3A%2F% 2Fwww.cdc.gov%2Fcoronavirus%2F2019-ncov%2Fneed-extra-precautions%2Fpeople-at-increased-risk.html.
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Além desses impactos, diretamente causados pela doença, estão sendo descritos alta prevalência de distúrbios psíquicos durante o distanciamento social, medida recomendada como forma de prevenção para toda a população, especialmente para os grupos de alto risco de mortalidade entre eles os diabéticos.77 CDC (Centers for Disease Control and Prevention). People who are at higher risk for severe illness . Content source: National Center for Immunization and Respiratory Diseases (NCIRD), Division of Viral Diseases. 2020. [acesso 6 Set 2020] Disponível em: https://www.cdc.gov/coron-avirus/2019-ncov/need-extra-precautions/index.html?CDC_AA_refVal=https%3A%2F% 2Fwww.cdc.gov%2Fcoronavirus%2F2019-ncov%2Fneed-extra-precautions%2Fpeople-at-increased-risk.html.
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A acentuada gravidade e mortalidade da COVID-19 em pacientes com comorbidades prévias, como DM, associadas às medidas restritivas, como o distanciamento social, e a ansiedade decorrentes do medo de ser infectado criam um cenário estressante, contribuindo para que a associação entre diabetes e transtornos mentais seja exacerbada.88 Alessi J, Oliveira GB, Franco DW, Amaral BB, Becker AS, Knijnik CP, Telo GH. Mental health in the era of COVID-19: prevalence of psychiatric disorders in a cohort of patients with type 1 and type 2 diabetes during the social distancing. Diabetol Metab Syndr. 2020; 12 (76): 1-10. Dessa forma, o presente estudo buscou identificar a frequência de sinais e sintomas psíquicos em diabéticos, bem como analisar os fatores associados, no período de distanciamento social.

Métodos

Trata-se de um estudo de corte transversal realizado entre os meses de abril e maio de 2020 por pesquisadores da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), localizada em Recife, Pernambuco. A amostra foi composta por brasileiros naturais ou naturalizados, residentes no Brasil e portadores de DM, sendo excluídos os menores de 18 anos e os que não preencheram o formulário completo e corretamente.

O tamanho amostral foi calculado utilizando o programa Staltcalc do Epiinfo 7.2.4.0 (Centers for Disease Control and Prevention - CDC, Estados Unidos da América - EUA, Atlanta, DC). Para um nível de confiança de 99%, uma margem de erro aceitável de 10% e uma frequência de 48% de ansiedade em pacientes diabético,55 Amiri S, Behnezhad S. Obesity and anxiety symptoms: a systematic review and meta-analysis. Neuropsychiatr. 2019; 33 (2):72-89.,66 Whitworth SR, Bruce DG, Starkstein SE, Davis WA, Davis TME, Bucks RS. Lifetime depression and anxiety increase prevalent psychological symptoms and worsen glycemic control in type 2 diabetes: the Fremantle Diabetes Study Phase II. Diabetes Res Clin Pract. 2016; 122: 190-7. seriam necessárias 160 pacientes, a qual foi aumentada para 180 prevendo-se eventuais perdas.

Para a coleta de dados foi elaborado um formulário eletrônico on line utilizando-se a plataforma do Google Forms, por meio do qual se viabilizou um questionário individual composto de perguntas relacionadas ao objetivo da pesquisa. Tal instrumento foi previamente testado e codificado através da realização de um estudo piloto. O formulário foi disponibilizado livremente nos perfis de redes sociais, como Whatsapp, Instagram, Facebook, bem como encaminhado por e-mail. A população foi estimulada a participar como co-divul-gadorada pesquisa na medida em que poderiam encaminhar o formulário para os seus pares, utilizando a técnica metodológica deamostra em “bola de neve”.99 Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 13. Ed., São Paulo: Hucitec; 2013. O formulário de pesquisa ficou disponível entre os dias 24 de abril e 3 de maio de 2020.

As variáveis independentes foram agrupadas emcaracterísticas biológicas, sociodemográficas, hábitos de vida e clínicas, as quais foram dico-tomizadas investigando-se informações sobre sexo (masculino e feminino); idade (<44 anos e >44 anos); raça/cor (branca e não branca); escolaridade (graduação, pós-graduação); religião (sim e não); ser da área da saúde (sim e não); renda mensal durante a pandemia (permaneceu a mesma/aumentou e diminuiu); se possuía companheiro(a)(sim e não); possuir filhos (sim e não); antecedentes de ansiedade e/ou depressão (sim e não); portador de doenças cardiovasculares (sim e não); prática de exercícios físicos, atividades de lazer, uso de bebidaalcoólica, trabalho/estudo remoto e uso de medicações para dormir durante o período de pandemia (iniciou/aumentou/permaneceu e diminuiu/não realiza); realizou distanciamento social (sim e não); se apresentou sintomatologia da COVID-19 (sim e não); e se teve contato com casos suspeitos e/ou confirmados pela COVID-19 (sim e não).

As variáveis dependentes foram compostas pela presença de sinais e sintomas para estresse, ansiedade e depressão, avaliadas por meio da aplicação da Escala de Estresse, Ansiedade e Depressão (DASS-21).1010 Vignola RCB, Tucci AM. Adaptation and validation of the depression, anxiety and stress scale (DASS) to Brazilian Portuguese. J Affect Disord. 2014; 155: 104-9. Na DASS-21, os participantes indicavam o grau em que experimentaram cada um dos sintomas descritos nos itens durante a última semana (semana anterior), em uma escala do tipo Likert de quatro pontos entre zero (não se aplica a mim) e três (aplica-se muito a mim ou a maior parte do tempo). As pontuações para estresse, ansiedade e depressão foram determinadas pela soma dos escores dos 21 itens da escala. Para cada subdimensão avaliada, a escala fornece três notas, as quais são determinadas pela soma dos resultados dos sete itens, sendo, o mínimo zero e o máximo 21 pontos. As notas mais elevadas correspondem aos estados afetivos mais negativos. Assim, a subescala de estresse possui ausência de sinais e/ou sintomas (0-14), leves (1518), moderados (19-25), graves (26-33) e extremos (> 33). A subescala de ansiedade possui ausência de sinais e/ou sintomas (0-7), leves (8-9), moderados (10-14), graves (15-19) e extremos (>19). A subescala de depressão possui ausência de sinais e/ou sintomas (0-9), leves (10-13), moderados (1420), graves (21-27) e extremos (> 27).1010 Vignola RCB, Tucci AM. Adaptation and validation of the depression, anxiety and stress scale (DASS) to Brazilian Portuguese. J Affect Disord. 2014; 155: 104-9.

A análise estatística foi realizada pelo software Epi-info 7.2.4.0 (CDC, EUA, Atlanta, DC). As variáveis numéricas foram expressas em média e desvio padrão e as categóricas em distribuição de frequências e percentuais absolutos. Foi realizada análise para testar a associação das variáveis dependentes e independentes na população estudada, pelo teste de qui-quadrado, sendo calculada a força dessa associação pela razão de prevalência e seu intervalo de confiança a 95% (IC95%).

Em seguida foi feita uma análise de regressão logística multivariada, com o modelo inicial sendo composto pelas variáveis explanatórias que apresentaram significância p<0,20 na análise univariada, calculando-se o odds ratio (OR) inicial e seu IC95%. Para o modelo final, permaneceram as variáveis com nível de significância menor que 0,05, sendo calculado o OR ajustado e seu IC95%.

A coleta de dados foi realizada respeitando os princípios da resolução 466/12 e foi iniciada após aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), sob CAAE -30623020.1.0000.5206 e parecer 3.988.875 de 24 de abril/2020, sendo os participantes incluídos após concordarem e assinarem de forma virtual o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

Foram obtidas 180 respostas de pacientes portadores de diabetes mellitus, dentre as quais 10 foram excluídas por serem duplicadas e oito pelos participantes possuírem <18 anos, restando, portanto, 162 das respostaspara análise.

Para caracterização da amostra identificou-se uma média de idade de 42,5 ± 15,4 anos. Prevaleceram os indivíduos do sexo feminino (69,8%), de raça/cor branca (58,0%), que tinham religião (79,6%) e companheiro(a) (54,3%); 50,0% eram profissionais da área da saúde. Quanto aos antecedentes, 53,7% eram portadores de doença cardiovasculare 41,4% tinham antecedentes de ansiedade e depressão. Em relação à consequência da pandemia na vida desses indivíduos, 43,2% tiveram sua renda familiar mensal diminuída, 40,1% e 38,3% iniciaram/aumentaram/mantiveram consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos para dormir, respectivamente.

Quanto a interpretação da escala DASS-21, a frequência de sinais e/ou sintomas para estresse foi de 37,7%, dos quais10,5% eram graves e 6,2% extremos. Para a subescala de ansiedade, 43,2% apresentavam sinais e/ou sintomas, sendo 19,1% moderada e 11,7% extrema. Enquanto, em relação a depressão, 45,1% relataram sinais e/ou sintomas, sendo 6,2% com característica grave e 14,2% extrema (Tabela 1).

Tabela 1
Frequência de sinais e sintomas de estresse, ansiedade e depressão, segundo a gravidade em pacientes diabéticos. Brasil, 2020.

Após a análise multivariada permaneceram asso-ciadasaos sinais e sintomas de estresse grave/extremo, no modelo final, não possuir religião (OR= 5,7; IC95%= 2,06-15,78; p<0,001), ser da graduação (OR= 4,5; IC95%= 1,36-14,60; p=0,01), a ausência ou diminuição dos exercícios físicos (OR= 3,3; IC95%= 1,14-9,83; p=0,03) e se manteve/iniciou ou aumentou o uso de medicações para dormir (OR= 3,5; IC95%= 1,34-9,17; p=0,01) (Tabela 2).

Tabela 2
Análise multivariada dos fatores associados aos sinais e sintomas de estresse grave/extremo em pacientes portadores de diabetes durante o período de distanciamento social. Brasil, 2020.

Continuaram associadas ao risco de sinais e sintomaspara ansiedade grave/extrema: antecedentes de ansiedade e/ou depressão (OR= 8,6; IC95%= 2,54-29,32; p<0,001), ser da graduação (OR= 5,6; IC95%= 1,44-22,00; p=0,01), não possuir religião (OR= 8,1; IC95%= 2,53-25,72; p<0,001), ter tido história de contato com alguém suspeita para a COVID-19 (OR= 3,7; IC95%= 1,13-12,21; p=0,03) e a ausência ou diminuição das práticas de lazer durante a pandemia (OR= 16,9; IC95%= 3,36-85,15; p<0,001) (Tabela 3).

Tabela 3
Análise multivariada dos fatores associados aos sinais e sintomas de ansiedade grave/extremo em pacientes portadores de diabetes durante o período de distanciamento social. Brasil, 2020.

Por fim, permaneceram associadas ao risco do desenvolvimento de sinais e sintomaspara depressão grave/extrema: sexo feminino (OR= 2,5; IC95%= 1,33-4,72; p=0,004), ausência de companheiro (OR= 4,1; IC95%= 2,34-7,13; p<0,001), não possuir religião (OR= 2,2; IC95%= 1,34-3,54; p=0,002), antecedentes de ansiedade e/ou depressão (OR= 2,6; IC95%= 1,64-4,14; p<0,001), redução da renda mensal durante o período de pandemia (OR= 1,9; IC95%= 1,18-3,11; p=0,008) e ter tido redução do trabalho ou estudo remoto (OR= 1,9; IC95%= 1,183,11; p=0,008) (Tabela 4).

Tabela 4
Análise multivariada dos fatores associados aos sinais e sintomas de depressão grave/extremo em pacientes portadores de diabetes durante o período de distanciamento social. Brasil, 2020.

Discussão

A frequência de sinais e sintomas de estresse, ansiedade e depressão em pacientes diabéticos durante o período de distanciamento social foi elevada, verificando-se diversos fatores associados àqueles transtornos.

Dentro desse contexto, estudos relacionando as doenças crônicas e o desenvolvimento de transtornos mentais, revelam que a diabetes eleva significativamente o risco de desordens emocionais e comporta-mentais, principalmente em épocas de crises sociais como a vivenciada com a pandemia da COVID-19.88 Alessi J, Oliveira GB, Franco DW, Amaral BB, Becker AS, Knijnik CP, Telo GH. Mental health in the era of COVID-19: prevalence of psychiatric disorders in a cohort of patients with type 1 and type 2 diabetes during the social distancing. Diabetol Metab Syndr. 2020; 12 (76): 1-10. O presente estudo corrobora esses achados, demonstrando essa relação em variados níveis de intensidade, tendo a frequência de sinais e sintomas para ansiedade e depressão como os transtornos mentais mais prevalentes na amostra estudada.

Quanto aos desfechos negativos da pandemia envolvendo a saúde mental, estudos têm demonstrado que as mulheres são mais vulneráveis ao estresse, ansiedade, depressão, sintomas físicos e prejuízos no funcionamento social.1111 Solomou I, Constantinidou F. Prevalence and predictors of anxiety and depression symptoms during the COVID-19 pandemic and compliance with precautionary measures: age and sex matter. Int J Environ Res Public Health. 2020; 17 (14): 4924..1212 Qiu J, Shen B, Zhao M, Wang Z, Xie B, Xu Y. A nationwide survey of psychological distress among Chinese people in the COVID-19 epidemic: implications and policy recommendations. Gen Psychiatr. 2020; 33 (2): 1-3. Os resultados do presente estudo também demonstram uma maior frequência de depressão nas mulheres diabéticas. Tal fenômeno pode ser decorrente de múltiplos determinantes, desde níveis hormonais de estrogênio, os quais possuem influência na labili-dade emocional, até o contexto sociocultural. Além disso, o aumento de situações adversas vivenciadas pela mulher diabética pode causar um controle glicêmico insatisfatório.1313 Hantsoo L, Epperson CN. Anxiety disorders among women: a female lifespan approach. Focus. 2017; 15(2), 162-72.,1414 Wang C, Pan R, Wan X, Tan Y, Xu L, Ho CS, Ho RC. Immediate psychological responses and associated factors during the initial stage of the 2019 coronavirus disease (COVID-19) epidemic among the general population in China. Int J Environ Res Public Health. 2020; 17: 17-29.

A diabetes, por ser uma doença multissistêmica, necessita de uma abordagem ampla e plural, tanto em relação aos tratamentos medicamentosos, quanto à saúde mental.1515 Permana I, Ormandy P, Ahmed A. Maintaining harmony: how religion and culture are interwoven in managing daily diabetes self-care. J Relig Health. 2019; 58: 1415-28. A busca por esse bem estar psicológico tornou-se motivo de estudos pela comunidade científica, de modo que a presença da religiosidade, além de fatores culturais na vida dos indivíduos diabéticos temsido considerada fator de proteção para progressão da doença, auxiliando noenfrentamento de problemas e aumentando o sentimento de pertença social,1515 Permana I, Ormandy P, Ahmed A. Maintaining harmony: how religion and culture are interwoven in managing daily diabetes self-care. J Relig Health. 2019; 58: 1415-28. o que foi observado em nosso estudo.

Em comparação aos períodos de normalidade, a solidão e a necessidade de companhia intensificaram-se durante o distanciamento social,1616 Joensen LE, Madsen KP, Holm L, Nielsen KA, Rod MH, Petersen AA, Willaing I. Diabetes and COVID-19: psychosocial consequences of the COVID-19 pandemic in people with diabetes in Denmark - what characterizes people with high levels of COVID-19-related worries? Diabet Med. 2020; 37 (7): 1146-54. principalmente em indivíduos com história de contato com alguém suspeito para a COVID-19. Esses sentimentos são tidos como preocupações comuns nos diabéticos, assim como a ansiedade excessiva em ser infectado, o rótulo de grupo de risco e a consideração de serem incapazes de controlar a diabetes se infectados pela COVID-19.1616 Joensen LE, Madsen KP, Holm L, Nielsen KA, Rod MH, Petersen AA, Willaing I. Diabetes and COVID-19: psychosocial consequences of the COVID-19 pandemic in people with diabetes in Denmark - what characterizes people with high levels of COVID-19-related worries? Diabet Med. 2020; 37 (7): 1146-54. Esses fatores estreitam a relação com os desfechos psicossociais, como visto pela sintomatologia depressiva naqueles que não possuíam um companheiro e sintomatologia ansiosa naqueles com contato prévio com a COVID-19.

A estase econômica é considerada uma das principais consequências da pandemia da COVID-19, assim como uma importante precursora de desordens psicológicas e, a longo prazo, de abuso de álcool e outras drogas.1717 Crayne MP. The traumatic impact of job loss and job search in the aftermath of COVID-19. Psychol Trauma. 2020; 12 (1): 180-2. A associação da redução da renda mensal e o aparecimento de sintomas depressivos observada, demonstra que esses pacientes são significativamente afetados pela desestruturação financeira, uma vez que possuem esquemas terapêuticos onerosos envolvendo múltiplos profissionais.33 Khalighi Z, Badfar G, Mahmoudi L, Soleymani A, Azami M, Shohani M. The prevalence of depression and anxiety in Iranian patients with diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Diabetes Metab Syndr. 2019; 13 (4): 2785-94.

A necessidade de adesão às medidas de restrição social, como o afastamento de familiares e amigos, as modificações laborais e limitações das atividades de lazer e das práticas de exercícios físicos, implicou em mudanças na rotina diária e estilo de vida dos indivíduos, o que, de certa forma, pode causar impactos na saúde mental dos envolvidos, principalmente nos diabéticos.1818 Ruiz-Roso MB, Knott-Torcal C, Matilla-Escalante DC, Garcimartín A, Sampedro-Nuñez MA, Dávalos A, Marazuela M . Covid-19 lockdown and changes of the dietary pattern and physical activity habits in a cohort of patients with type 2 diabetes mellitus. Nutrients. 2020; 12 (8): 23-7. Nesse grupo em especial, a restrição da prática de atividades físicas toma uma dimensão de destaque, visto que o sedentarismo constitui um importante fator agravante no prognóstico, principalmente dos diabéticos mellitus tipo 2, uma vez que esses pacientes possuem, frequentemente, comorbidades metabólicas e endócrinas asso-ciadas.1919 Jiménez-Pavón D, Carbonell-Baeza A, Lavie CJ. Physical exercise as therapy to fight against the mental and physical consequences of Covid-19 quarantine: special focus in older people. Prog Cardiovasc Dis. 2020; 63 (3): 386-8.,2020 Gupta S, Tang C, Higgs P. Social isolation during Covid-19: Boon or bane to diabetes management. Diabet Metab Syndr. 2020; 14 (4): 567-8.

Por ser uma doença prevalente, pesquisas atuais estão buscando identificar fatores que possam estar associados com a diabetes.2121 Hung MY, Mao CT, Hung MJ, Wang JK, Lee HC, Yeh CT, Hu P, Chen TH, Chang NC. Coronary artery spasm as related to anxiety and depression: a nationwide populationbased study. Psychosom Med. 2019; 81 (3): 237-45. Dentre esses fatores, destaca-se a presença de antecedentes de ansiedade e/ou depressão, o que além de serem precursores para diabetes, também estão envolvidos no surgimento de doenças coronarianas e na recidiva de psicopatologias.2121 Hung MY, Mao CT, Hung MJ, Wang JK, Lee HC, Yeh CT, Hu P, Chen TH, Chang NC. Coronary artery spasm as related to anxiety and depression: a nationwide populationbased study. Psychosom Med. 2019; 81 (3): 237-45. Esses dados foram ratificados pelo prsente estudo.

A permanência, o início ou o aumento do uso de medicações para dormir durante a pandemia foi tida como associação de risco para sinais e sintomasde estresse grave/extremo. Esse resultado advém da associação existente entre a presença de distúrbios do sono e a diminuição da qualidade de vida dos indivíduos, o que gera aumento dos eventos estres-sores, principalmente nos pacientes diabéticos.2222 Votaw VR, Geyer R, Rieselbach MM, McHugh RK. The epidemiology of benzodiazepine misuse: A systematic review. Drug Alcohol Depend. 2019; 200: 95-114. Ressalta-se, ainda, que além dos efeitos benéficos serem limitados, o aumento da auto prescrição desses medicamentos pode culminar em psicopatolo-gias com sintomas mais graves.2222 Votaw VR, Geyer R, Rieselbach MM, McHugh RK. The epidemiology of benzodiazepine misuse: A systematic review. Drug Alcohol Depend. 2019; 200: 95-114.

As limitações das atividades diárias tiveram como alternativa a aplicação de metodologias remotas e, apesar de suprirem as necessidades e tornarem-se uma forma paralela de socialização, essa conduta é vista como muito estressante, além de contribuir para a sensação de tédio e ociosidade,2323 Droit-Volet S, Gil S, Martinelli N, Andant N, Clinchamps M, Parreira L, Rouffiac K, Dambrun M, Huguet P, Dubuis B, Pereira B. Time and Covid-19 stress in the lockdown situation: Time free,"Dying" of boredom and sadness. PloSone. 2020; 15 (8): 0236465. exacerbando a tristeza e sintomas depressivos.2323 Droit-Volet S, Gil S, Martinelli N, Andant N, Clinchamps M, Parreira L, Rouffiac K, Dambrun M, Huguet P, Dubuis B, Pereira B. Time and Covid-19 stress in the lockdown situation: Time free,"Dying" of boredom and sadness. PloSone. 2020; 15 (8): 0236465. Essa associação é mais frequente nos indivíduos que não possuem trabalho ou estudo remoto, como constatado pelo presente estudo. O estresse que advém da dinâmica virtual afetou principalmente estudantes universitários, os quais possuem rotina estressante devido à intensa carga horária, atividades extracurriculares e pressão social diante do futuro profissional.2424 Lima RC. Distanciamento e isolamento sociais pela Covid-19 no Brasil: impactos na saúde mental. Physis (Rio J.). 2020; 30 (2): 1-10. Nosso estudo ressalta atenção para os estudantes da graduação com diabetes, uma vez que o estresse pode alterar os níveis de insulina, contribuindo para sintomatologia ansiosa e piora do prognóstico.2525 Mesquita AA, Lobato JL, de Almada Lima VFS, Brito KP. Estresse, enfrentamento e sua influência sobre a glicemia e a pressão arterial. Rev Psicol Saúde. 2014; 6 (1): 48-55.

O presente estudo não abordou questões específicas para o paciente diabético como o tipo e gravidade da doença, presença de comorbidades, o tratamento em uso e sobre o tempo e as formas de diagnóstico. Outro ponto importante foi devido ao desenho de estudo ter sido um corte transversal, não sendo possível determinar a relação de causalidade entre a diabetes mellitus e a sintomatologia psíquica. Assim sugere-se a realização de novas pesquisas analisando esses aspectos e com diferentes desenhos de estudo.

Estudos realizados por meios digitais apresentam limitações de amostragem. A divulgação por meio de um formulário online, possibilita a inclusão de uma população diversa, entretanto, por ter partido dos contatos dos pesquisadores, a amostra foi limitada, mesmo solicitando a divulgação por todos, na tentativa de ocorrer o máximo de abrangência. Destaca-se que o tamanho amostral calculado foi atingido. Ainda, é provável que a população menos favorecida não tenha sido comtemplada devido a restrições no acesso às plataformas digitais, além da dificuldade do entendimento de algumas questões do formulário online, levando a dúvidas, porém esse aspecto foi minimizado com a divulgação dos contatos telefônicos dos pesquisadores.

Assim, é sugerido que novas pesquisas com maior número amostral, abrangendo uma população mais diversa, como as menos favorecidas e usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) sejam realizadas. Concluindo-se, então, que afrequência de sinais e sintomaspara estresse, ansiedade e depressão em portadores de diabetes mellitus sofreram um leve aumento quando comparado a estudos realizados em períodos anteriores ao distanciamento social na mesma população de diabéticos. Além disso, foi observado que essas psicopatologias foram associadas à diversos fatores relacionados ao período de restrição social vivenciados atualmente, destacando-se a diminuição da renda, da prática de atividades de lazer e de exercícios físicos e da história de contato com suspeita para a COVID-19 como principais. Dessa forma, recomenda-se a criação de estratégias de cuidado voltada à saúde mental desses indivíduos, como a disponibilização de conteúdos digitais que incentivem a prática de lazer e exercícios físicos bem como cursos de capacitações para incentivar o empreendedorismo.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Fev 2021
  • Data do Fascículo
    Fev 2021

Histórico

  • Recebido
    25 Set 2020
  • Aceito
    13 Out 2020
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