Candidíase invasiva em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal brasileira

Henrique Yuji Watanabe Silva Felipe Teixeira de Mello Freitas Sobre os autores

Resumo

Objetivos:

descrever a epidemiologia de candidíase invasiva em uma unidade de terapia intensiva neonatal.

Métodos:

estudo transversal que incluiu todos recém-nascidos com candidíase invasiva confirmada por hemocultura de abril de 2015 a junho de 2018. Foi analisado dados demográficos, clínicos e microbiológicos, comparando recém-nascidos de extremo baixo peso ao nascer (EBPN) com os recém-nascidos com peso ao nascer ≥1000g, considerando um valor de p<0,05 como estatisticamente significativo.

Resultados:

houve 38 casos de candidíase invasiva, resultando em uma incidência global de 2,5%. Doze (32%) eram neonatos de EBPN e 26 (68%) neonatos com peso ao nascer ≥1000g, resultando em uma incidência de 4,4% e 2,0%, respectivamente. A realização de cirurgia abdominal foi mais frequente nos neonatos com peso ao nascer ≥1000g em comparação com os neonatos de EBPN (85% vs. 17%; p<0,01), assim como a mediana dos dias de uso de antibióticos (18 vs. 10,5; p =0,04). Já o a mediana dos dias de ventilação mecânica foi mais frequente entre recém-nascido de EBPN (10 vs. 5,5; p = 0,04). A maioria das espécies de Candida eram não-albicans (64%). A letalidade foi de 32%.

Conclusões:

a incidência de candidíase invasiva entre os recém-nascidos ≥1000g ao nascer foi superior ao encontrado na literatura. Este grupo tem uma maior proporção de malformações gastrointestinais que requerem cirurgia. Assim, a profilaxia com fluconazol pode ser necessária para um grupo mais amplo de recém-nascidos.

Palavras-chave:
Sepse neonatal; Candida; Unidade de terapia intensiva neonatal; Brasil

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