Open-access Incapacidade laborativa entre trabalhadores da agroindústria canavieira no Brasil: um estudo ecológico (2012–2021)

Objetivo  Analisar os benefícios por incapacidade temporária concedidos a trabalhadores da agroindústria canavieira brasileira, comparando os grupos que realizam atividades manuais e mecanizadas.

Métodos  Estudo ecológico com dados secundários sobre vínculos formais de trabalho e benefícios previdenciários, no período 2012-2021. Calcularam-se taxas de incidência acumuladas e anuais para o período, estratificadas segundo os grupos de atividades manuais e mecanizadas, e riscos relativos (RR) entre os grupos.

Resultados  Foram concedidos 102.974 benefícios, sendo 76,4% no grupo de atividades manuais e 23,6% de mecanizadas, com taxas de incidência acumuladas de 32,5 e 26,9 por 1.000 trabalhadores, respectivamente. O RR foi de 1,21, indicando maior risco no grupo das atividades manuais. Para benefícios acidentários, o RR foi de 1,69. Distúrbios musculoesqueléticos (DME) foram mais frequentes no grupo das atividades manuais (26,3%) do que no das mecanizadas (20,7%). A principal causa de benefícios acidentários no primeiro grupo foi dorsalgia (16,7%) e, no segundo, fraturas de punho/mão (12,3%).

Conclusão  Houve redução dos afastamentos no período. A frequência de DME foi maior no grupo das atividades manuais e a ocorrência de traumas acidentais foi maior no das mecanizadas. São necessários investimentos em capacitação, segurança, fiscalização e melhorias nas condições de trabalho no setor sucroalcooleiro.

Palavras-chave
Mecanização; Trabalhadores Rurais; Cana-de-Açúcar; Previdência Social; Saúde do Trabalhador

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