Revista Brasileira de Terapia Intensiva, Volume: 34, Issue: 1, Published: 2022
  • Brazilian Guidelines for the pharmacological treatment of patients hospitalized with COVID-19: Joint guideline of Associação Brasileira de Medicina de Emergência, Associação de Medicina Intensiva Brasileira, Associação Médica Brasileira, Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Sociedade Brasileira de Infectologia, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Sociedade Brasileira de Reumatologia Special Article

    Falavigna, Maicon; Stein, Cinara; Amaral, José Luiz Gomes do; Azevedo, Luciano Cesar Pontes de; Belli, Karlyse Claudino; Colpani, Verônica; Cunha, Clóvis Arns da; Dal-Pizzol, Felipe; Dias, Maria Beatriz Souza; Ferreira, Juliana Carvalho; Freitas, Ana Paula da Rocha; Gräf, Débora Dalmas; Guimarães, Hélio Penna; Lobo, Suzana Margareth Ajeje; Monteiro, José Tadeu; Nunes, Michelle Silva; Oliveira, Maura Salaroli de; Prado, Clementina Corah Lucas; Santos, Vania Cristina Canuto; Silva, Rosemeri Maurici da; Sobreira, Marcone Lima; Veiga, Viviane Cordeiro; Vidal, Ávila Teixeira; Xavier, Ricardo Machado; Zavascki, Alexandre Prehn; Machado, Flávia Ribeiro; Carvalho, Carlos Roberto Ribeiro de

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivos: Há diversas terapias sendo utilizadas ou propostas para a COVID-19, muitas carecendo de apropriada avaliação de efetividade e segurança. O propósito deste documento é elaborar recomendações para subsidiar decisões sobre o tratamento farmacológico de pacientes hospitalizados com COVID-19 no Brasil. Métodos: Um grupo de 27 membros, formado por especialistas, representantes do Ministério da Saúde e metodologistas, integra essa diretriz. Foi utilizado o método de elaboração de diretrizes rápidas, tomando por base a adoção e/ou a adaptação de recomendações a partir de diretrizes internacionais existentes (GRADE ADOLOPMENT), apoiadas pela plataforma e-COVID-19 RecMap. A qualidade das evidências e a elaboração das recomendações seguiram o método GRADE. Resultados: Foram geradas 16 recomendações. Entre elas, estão recomendações fortes para o uso de corticosteroides em pacientes em uso de oxigênio suplementar, para o uso de anticoagulantes em doses de profilaxia para tromboembolismo e para não uso de antibacterianos nos pacientes sem suspeita de infecção bacteriana. Não foi possível fazer uma recomendação quanto à utilização do tocilizumabe em pacientes hospitalizados com COVID-19 em uso de oxigênio, pelas incertezas na disponibilidade e de acesso ao medicamento. Foi feita recomendação para não usar azitromicina, casirivimabe + imdevimabe, cloroquina, colchicina, hidroxicloroquina, ivermectina, lopinavir/ ritonavir, plasma convalescente e rendesivir. Conclusão: Até o momento, poucas terapias se provaram efetivas no tratamento do paciente hospitalizado com COVID-19, sendo recomendados apenas corticosteroides e profilaxia para tromboembolismo. Diversos medicamentos foram considerados ineficazes, devendo ser descartados, de forma a oferecer o melhor tratamento pelos princípios da medicina baseada em evidências e promover economia de recursos não eficazes.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: Several therapies are being used or proposed for COVID-19, and many lack appropriate evaluations of their effectiveness and safety. The purpose of this document is to develop recommendations to support decisions regarding the pharmacological treatment of patients hospitalized with COVID-19 in Brazil. Methods: A group of 27 experts, including representatives of the Ministry of Health and methodologists, created this guideline. The method used for the rapid development of guidelines was based on the adoption and/or adaptation of existing international guidelines (GRADE ADOLOPMENT) and supported by the e-COVID-19 RecMap platform. The quality of the evidence and the preparation of the recommendations followed the GRADE method. Results: Sixteen recommendations were generated. They include strong recommendations for the use of corticosteroids in patients using supplemental oxygen, the use of anticoagulants at prophylactic doses to prevent thromboembolism and the nonuse of antibiotics in patients without suspected bacterial infection. It was not possible to make a recommendation regarding the use of tocilizumab in patients hospitalized with COVID-19 using oxygen due to uncertainties regarding the availability of and access to the drug. Strong recommendations against the use of hydroxychloroquine, convalescent plasma, colchicine, lopinavir + ritonavir and antibiotics in patients without suspected bacterial infection and also conditional recommendations against the use of casirivimab + imdevimab, ivermectin and rendesivir were made. Conclusion: To date, few therapies have proven effective in the treatment of hospitalized patients with COVID-19, and only corticosteroids and prophylaxis for thromboembolism are recommended. Several drugs were considered ineffective and should not be used to provide the best treatment according to the principles of evidence-based medicine and promote economical resource use.
  • Antivirals for adult patients hospitalized with SARS-CoV-2 infection: A randomized, Phase II/III, multicenter, placebo-controlled, adaptive study, with multiple arms and stages. COALITION COVID-19 BRAZIL IX - REVOLUTIOn: protocol and statistical analysis plan Special Article

    Maia, Israel Silva; Marcadenti, Aline; Zampieri, Fernando Godinho; Damiani, Lucas Petri; Santos, Renato Hideo Nakagawa; Negrelli, Karina Leal; Gomes, Samara Pinheiro do Carmo; Gomes, Jaqueline Oliveira; Carollo, Mariana Barbosa dos Santos; Miranda, Tamiris Abait; Santucci, Eliana; Valeis, Nanci; Laranjeira, Ligia Nasi; Westphal, Glauco Adrieno; Horta, Jacques Gabriel Alvares; Flato, Uri Adrian Prync; Fernandes, Camilo; Barros, Waldemar Carlos; Bolan, Renata S; Gebara, Otávio Celso Eluf; Alencar Filho, Meton Soares de; Hamamoto, Victor Augusto; Hernandes, Mauro Esteves; Golin, Nicole Alberti; Olinda, Ronald Torres de; Machado, Flávia Ribeiro; Rosa, Régis Goulart; Veiga, Viviane Cordeiro; Azevedo, Luciano César Pontes de; Avezum, Alvaro; Lopes, Renato Delascio; Souza, Tiago Moreno L; Berwanger, Otávio; Cavalcanti, Alexandre Biasi

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Os medicamentos reaproveitados são importantes em contextos de recursos limitados porque as intervenções estão mais rapidamente disponíveis, já foram testadas com segurança em outras populações e são, em geral, mais baratas. Os medicamentos reaproveitados são uma solução eficaz, especialmente para doenças emergentes, como a COVID-19. O estudo REVOLUTIOn visa avaliar três medicamentos antivirais reaproveitados: atazanavir, daclatasvir e sofosbuvir, já utilizados em pacientes infectados pelo HIV ou pelo vírus da hepatite C, em um estudo randomizado, controlado por placebo, adaptativo, multibraço e em múltiplos estágios. Os medicamentos serão testados simultaneamente em um ensaio de Fase II para primeiro identificar se algum deles, isoladamente ou em combinação, reduz a carga viral. Se reduzirem, será iniciado um estudo de Fase III para investigar se tais medicamentos são capazes de aumentar o número de dias sem suporte respiratório. Os participantes devem ser adultos hospitalizados com idade ≥ 18 anos com início dos sintomas ≤ 9 dias e saturação de oxigênio ≤ 94% em ar ambiente ou necessidade de oxigênio suplementar para manter saturação de oxigênio > 94%. O tamanho total esperado da amostra varia entre 252 e 1.005 participantes, dependendo do número de estágios que serão concluídos no estudo. Assim, o protocolo é aqui descrito em detalhes, juntamente do plano de análise estatística. Em conclusão, o estudo REVOLUTIOn foi concebido para fornecer evidências se o atazanavir, o daclatasvir ou o sofosbuvir reduzem a carga viral de SARS-CoV-2 em pacientes com COVID-19 e aumentam o número de dias em que os pacientes ficam sem suporte respiratório. Neste artigo de protocolo, descrevem-se a fundamentação, o desenho e a situação do ensaio. Identificador do ClinicalTrials.gov: NCT04468087

    Abstract in English:

    ABSTRACT Repurposed drugs are important in resource-limited settings because the interventions are more rapidly available, have already been tested safely in other populations and are inexpensive. Repurposed drugs are an effective solution, especially for emerging diseases such as COVID-19. The REVOLUTIOn trial has the objective of evaluating three repurposed antiviral drugs, atazanavir, daclatasvir and sofosbuvir, already used for HIV- and hepatitis C virus-infected patients in a randomized, placebo-controlled, adaptive, multiarm, multistage study. The drugs will be tested simultaneously in a Phase II trial to first identify whether any of these drugs alone or in combination reduce the viral load. If they do, a Phase III trial will be initiated to investigate if these medications are capable of increasing the number of days free respiratory support. Participants must be hospitalized adults aged ≥ 18 years with initiation of symptoms ≤ 9 days and SpO2 ≤ 94% in room air or a need for supplemental oxygen to maintain an SpO2 > 94%. The expected total sample size ranges from 252 to 1,005 participants, depending on the number of stages that will be completed in the study. Hence, the protocol is described here in detail together with the statistical analysis plan. In conclusion, the REVOLUTIOn trial is designed to provide evidence on whether atazanavir, daclatasvir or sofosbuvir decrease the SARS-CoV-2 load in patients with COVID-19 and increase the number of days patients are free of respiratory support. In this protocol paper, we describe the rationale, design, and status of the trial. ClinicalTrials.gov identifier: NCT04468087
  • Statistical analysis of a cluster-randomized clinical trial on adult general intensive care units in Brazil: TELE-critical care verSus usual Care On ICU PErformance (TELESCOPE) trial Special Article

    Ranzani, Otavio; Pereira, Adriano José; Santos, Maura Cristina dos; Corrêa, Thiago Domingos; Ferraz, Leonardo Jose Rolim; Cordioli, Eduardo; Morbeck, Renata Albaladejo; Berwanger, Otávio; Morais, Lúbia Caus de; Schettino, Guilherme; Cavalcanti, Alexandre Biasi; Rosa, Regis Goulart; Biondi, Rodrigo Santos; Salluh, Jorge Ibrain Figueira; Azevedo, Luciano César Pontes de; Serpa Neto, Ary; Noritomi, Danilo Teixeira

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: O ensaio TELE-critical Care verSus usual Care On ICU PErformance (TELESCOPE) visa avaliar se uma intervenção complexa por telemedicina em unidades de terapia intensiva, que se concentra em rondas multidisciplinares diárias realizadas por intensivistas a distância, reduzirá o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva em comparação com os cuidados habituais. Métodos: O TELESCOPE é um ensaio nacional, multicêntrico, controlado, aberto, randomizado em cluster. O estudo testa a eficácia de rondas multidisciplinares diárias realizadas por um intensivista por meio de telemedicina em unidades de terapia intensiva brasileiras. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa local do centro coordenador do estudo e pelo Comitê de Ética em Pesquisa local de cada uma das 30 unidades de terapia intensiva, de acordo com a legislação brasileira. O ensaio está registado no ClinicalTrials.gov (NCT03920501). O desfecho primário é o tempo de internação na unidade de terapia intensiva, que será analisado considerando o período basal e a estrutura dos dados em cluster, sendo ajustado por covariáveis predefinidas. Os desfechos exploratórios secundários incluem a classificação de desempenho da unidade de terapia intensiva, a mortalidade hospitalar, a incidência de infecções nosocomiais, o número de dias sem ventilação mecânica aos 28 dias, a taxa de pacientes que recebem alimentação oral ou enteral, a taxa de pacientes sob sedação leve ou em alerta e calmos e a taxa de pacientes sob normoxemia. Conclusão: De acordo com as melhores práticas do ensaio, divulgamos nossa análise estatística antes de bloquear a base de dados e iniciar as análises. Esperamos que essa prática de notificação evite o viés das análises e aprimore a interpretação dos resultados apresentados. Registro no ClinicalTrials.gov: NCT03920501

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: The TELE-critical Care verSus usual Care On ICU PErformance (TELESCOPE) trial aims to assess whether a complex telemedicine intervention in intensive care units, which focuses on daily multidisciplinary rounds performed by remote intensivists, will reduce intensive care unit length of stay compared to usual care. Methods: The TELESCOPE trial is a national, multicenter, controlled, open label, cluster randomized trial. The study tests the effectiveness of daily multidisciplinary rounds conducted by an intensivist through telemedicine in Brazilian intensive care units. The protocol was approved by the local Research Ethics Committee of the coordinating study center and by the local Research Ethics Committee from each of the 30 intensive care units, following Brazilian legislation. The trial is registered with ClinicalTrials. gov (NCT03920501). The primary outcome is intensive care unit length of stay, which will be analyzed accounting for the baseline period and cluster structure of the data and adjusted by prespecified covariates. Secondary exploratory outcomes included intensive care unit performance classification, in-hospital mortality, incidence of nosocomial infections, ventilator-free days at 28 days, rate of patients receiving oral or enteral feeding, rate of patients under light sedation or alert and calm, and rate of patients under normoxemia. Conclusion: According to the trial’s best practice, we report our statistical analysis prior to locking the database and beginning analyses. We anticipate that this reporting practice will prevent analysis bias and improve the interpretation of the reported results. ClinicalTrials.gov registration: NCT03920501
  • Hemodynamic phenotype-based, capillary refill time-targeted resuscitation in early septic shock: The ANDROMEDA-SHOCK-2 Randomized Clinical Trial study protocol Special Article

    Kattan, Eduardo; Bakker, Jan; Estenssoro, Elisa; Ospina-Tascón, Gustavo Adolfo; Cavalcanti, Alexandre Biasi; Backer, Daniel De; Vieillard-Baron, Antoine; Teboul, Jean-Louis; Castro, Ricardo; Hernández, Glenn

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Introdução: A reversão precoce da hipoperfusão tecidual induzida é essencial para a sobrevida no choque séptico. No entanto, falta consenso sobre a melhor estratégia de ressuscitação inicial, uma vez que intervenções destinadas a toda a população com choque séptico podem produzir administração desnecessária de líquidos. Este artigo relata a justificativa, o delineamento e o plano de análise do estudo ANDROMEDA-2, que visa determinar se uma estratégia guiada por perfusão periférica, que consiste na ressuscitação guiada pelo tempo de enchimento capilar com base em fenótipos clínicos e hemodinâmicos, está associada a uma diminuição no desfecho composto de mortalidade, tempo até a interrupção ao suporte de órgãos e tempo de internação em comparação com o atendimento padrão em pacientes com choque séptico precoce (< 4 horas do diagnóstico). Metódos: O estudo ANDROMEDA-2 é um ensaio clínico randomizado controlado multinacional e multicêntrico. No grupo de intervenção, o tempo de enchimento capilar será medido a cada hora, durante 6 horas. Se estiver anormal, os pacientes serão alocados em um algoritmo, começando com a avaliação da pressão de pulso. Pacientes com pressão de pulso inferior a 40mmHg serão testados quanto à capacidade de resposta a líquidos e receberão líquidos de acordo. Em pacientes com pressão de pulso > 40mmHg, norepinefrina será titulada para manter a pressão arterial diastólica > 50mmHg. Os pacientes que não normalizarem o tempo de enchimento capilar após as etapas anteriores serão submetidos à ecocardiografia de cuidados intensivos para avaliação da disfunção cardíaca e posterior manejo. Por fim, serão realizados testes com vasopressores e inodilatadores para otimizar ainda mais a perfusão. Um tamanho de amostra de 1.500 pacientes fornecerá 88% de poder para demonstrar a superioridade da estratégia direcionada ao tempo de enchimento capilar. Conclusão: Se for demonstrado que o direcionamento ao tempo de enchimento capilar é uma estratégia melhor, os processos de atendimento na ressuscitação do choque séptico podem ser otimizados com ferramentas usadas à beira do leito.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Background: Early reversion of sepsis-induced tissue hypoperfusion is essential for survival in septic shock. However, consensus regarding the best initial resuscitation strategy is lacking given that interventions designed for the entire population with septic shock might produce unnecessary fluid administration. This article reports the rationale, study design and analysis plan of the ANDROMEDA-2 study, which aims to determine whether a peripheral perfusion-guided strategy consisting of capillary refill time-targeted resuscitation based on clinical and hemodynamic phenotypes is associated with a decrease in a composite outcome of mortality, time to organ support cessation, and hospital length of stay compared to standard care in patients with early (< 4 hours of diagnosis) septic shock. Methods: The ANDROMEDA-2 study is a multicenter, multinational randomized controlled trial. In the intervention group, capillary refill time will be measured hourly for 6 hours. If abnormal, patients will enter an algorithm starting with pulse pressure assessment. Patients with pulse pressure less than 40mmHg will be tested for fluid responsiveness and receive fluids accordingly. In patients with pulse pressure > 40mmHg, norepinephrine will be titrated to maintain diastolic arterial pressure > 50mmHg. Patients who fail to normalize capillary refill time after the previous steps will be subjected to critical care echocardiography for cardiac dysfunction evaluation and subsequent management. Finally, vasopressor and inodilator tests will be performed to further optimize perfusion. A sample size of 1,500 patients will provide 88% power to demonstrate superiority of the capillary refill time-targeted strategy. Conclusions: If hemodynamic phenotype-based, capillary refill time-targeted resuscitation demonstrates to be a superior strategy, care processes in septic shock resuscitation can be optimized with bedside tools.
  • A nationwide survey on health resources and clinical practices during the early COVID-19 pandemic in Brazil Original Article

    Campos, Pedro Paulo Zanella do Amaral; Souza, Guilherme Martins de; Midega, Thais; Guimarães, Hélio Penna; Corrêa, Thiago Domingos; Cordioli, Ricardo Luiz

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: Avaliar as práticas clínicas e a organização dos recursos hospitalares durante o início da pandemia da COVID-19 no Brasil. Metódos: Foi realizado um estudo transversal multicêntrico. Um questionário on-line foi disponibilizado a médicos dos serviços de emergência e das unidades de terapia intensiva que atendiam pacientes com COVID-19. O questionário contemplava quatro aspectos: perfil dos participantes, práticas clínicas, protocolos de tratamento da COVID-19 e organização dos recursos hospitalares. Resultados: Entre maio e junho de 2020, 284 participantes (56,3% homens), com idade mediana de 39 (intervalo interquartil de 33 - 47), responderam ao questionário; 33% eram intensivistas e 9% eram especialistas em medicina de emergência. Metade dos respondentes trabalhava em hospitais públicos. Verificou-se que a ventilação não invasiva (89% versus 73%; p = 0,001) e a cânula nasal de alto fluxo (49% versus 32%; p = 0,005) encontravam-se mais frequentemente disponíveis em hospitais privados do que nos públicos. A ventilação mecânica foi mais frequentemente utilizada em hospitais públicos do que em privados (70% versus 50%; p = 0,024). Nos serviços de emergência, a pressão positiva expiratória final foi mais frequentemente ajustada de acordo com a saturação de oxigênio, enquanto nas unidades de terapia intensiva, a pressão positiva expiratória final foi ajustada de acordo com a melhor complacência pulmonar. Nos serviços de emergência, 25% dos respondentes não sabiam como ajustar a pressão positiva expiratória final. Comparativamente aos hospitais privados, os hospitais públicos tiveram menor disponibilidade de protocolos para Equipamentos de Proteção Individual durante a intubação traqueal (82% versus 94%; p = 0,005), o manejo da ventilação mecânica (64% versus 75%; p = 0,006) e o desmame dos pacientes da ventilação mecânica (34% versus 54%; p = 0,002). Finalmente, os pacientes passaram menos tempo no serviço de emergência antes de serem transferidos à unidade de terapia intensiva em hospitais privados do que em hospitais públicos (idade mediana de 2 (1 - 3) versus idade mediana de 5 (2 - 24) horas; p < 0,001). Conclusão: Este estudo revelou heterogeneidade considerável entre os médicos em termos de organização dos recursos hospitalares, práticas clínicas e tratamentos durante o início da pandemia da COVID-19 no Brasil.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: To evaluate clinical practices and hospital resource organization during the early COVID-19 pandemic in Brazil. Methods: This was a multicenter, cross-sectional survey. An electronic questionnaire was provided to emergency department and intensive care unit physicians attending COVID-19 patients. The survey comprised four domains: characteristics of the participants, clinical practices, COVID-19 treatment protocols and hospital resource organization. Results: Between May and June 2020, 284 participants [median (interquartile ranges) age 39 (33 - 47) years, 56.3% men] responded to the survey; 33% were intensivists, and 9% were emergency medicine specialists. Half of the respondents worked in public hospitals. Noninvasive ventilation (89% versus 73%; p = 0.001) and highflow nasal cannula (49% versus 32%; p = 0.005) were reported to be more commonly available in private hospitals than in public hospitals. Mechanical ventilation was more commonly used in public hospitals than private hospitals (70% versus 50%; p = 0,024). In the Emergency Departments, positive endexpiratory pressure was most commonly adjusted according to SpO2, while in the intensive care units, positive end-expiratory pressure was adjusted according to the best lung compliance. In the Emergency Departments, 25% of the respondents did not know how to set positive end-expiratory pressure. Compared to private hospitals, public hospitals had a lower availability of protocols for personal protection equipment during tracheal intubation (82% versus 94%; p = 0.005), managing mechanical ventilation [64% versus 75%; p = 0.006] and weaning patients from mechanical ventilation [34% versus 54%; p = 0.002]. Finally, patients spent less time in the emergency department before being transferred to the intensive care unit in private hospitals than in public hospitals [2 (1 - 3) versus 5 (2 - 24) hours; p < 0.001]. Conclusion: This survey revealed significant heterogeneity in the organization of hospital resources, clinical practices and treatments among physicians during the early COVID-19 pandemic in Brazil.
  • High-sensitivity troponin in the prognosis of patients hospitalized in intensive care for COVID-19: a Latin American longitudinal cohort study Original Article

    Sprockel, John; Murcia, Anggie; Rincon, Juan; Berrio, Katherine; Bejarano, Marisol; Santofimio, Zulima; Cárdenas, Hellen; Hernández, Diego; Parra, Jhon

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: O presente estudo avaliou a prevalência da elevação da troponina e sua capacidade de prever a mortalidade em 60 dias em pacientes com COVID-19 internados em unidade de terapia intensiva. Metódos: Um estudo longitudinal prospectivo e unicêntrico foi realizado em uma coorte de pacientes em terapia intensiva devido a diagnóstico de COVID-19 confirmado, usando teste de reação em cadeia da polimerase em tempo real de maio a dezembro de 2020. Uma curva Característica de Operação do Receptor foi construída para predizer o óbito de acordo com o nível de troponina, calculando a área sob a curva e seus intervalos de confiança. Um modelo de risco proporcional de Cox foi gerado para relatar as razões de risco com intervalo de confiança de 95% e o valor de p para sua associação com mortalidade em 60 dias. Resultados: Foram incluídos 296 pacientes com taxa de mortalidade em 60 dias de 51%. A troponina foi positiva em 39,9% (29,6% versus 49,7% em sobreviventes e não sobreviventes, respectivamente). Foi encontrada área sob a curva de 0,65 (IC95% 0,59 - 0,71) para prever a mortalidade. O modelo univariado de Cox demonstrou razão de risco de 1,94 (IC95% 1,41 - 2,67) e p < 0,001, mas essa relação não se manteve no modelo de análise multivariado, no qual a razão de risco foi de 1,387 (IC95% 0,21 - 1,56) e o valor de p foi de 0,12. Conclusão: A elevação da troponina é frequentemente encontrada em pacientes em terapia intensiva para COVID-19. Embora seus níveis sejam maiores em pacientes que vão a óbito, nenhuma relação foi encontrada em um modelo de análise multivariado, o que indica que a troponina não deve ser utilizada como único marcador prognóstico de mortalidade nessa população.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: The current study assessed the prevalence of troponin elevation and its capacity to predict 60day mortality in COVID-19 patients in intensive care. Methods: A longitudinal prospective single-center study was performed on a cohort of patients in intensive care due to a COVID-19 diagnosis confirmed using real-time test polymerase chain reaction from May to December 2020. A Receiver Operating Characteristic curve was constructed to predict death according to troponin level by calculating the area under the curve and its confidence intervals. A Cox proportional hazards model was generated to report the hazard ratios with confidence intervals of 95% and the p value for its association with 60day mortality. Results: A total of 296 patients were included with a 51% 60-day mortality rate. Troponin was positive in 39.9% (29.6% versus 49.7% in survivors and non-survivors, respectively). An area under the curve of 0.65 was found (95%CI: 0.59 - 0.71) to predict mortality. The Cox univariate model demonstrated a hazard ratio of 1.94 (95%CI: 1.41 - 2.67) and p < 0.001, but this relationship did not remain in the multivariate model, in which the hazard ratio was 1.387 (95%CI: 0.21 - 1.56) and the p value was 0.12. Conclusion: Troponin elevation is frequently found in patients in intensive care for COVID-19. Although its levels are higher in patients who die, no relationship was found in a multivariate model, which indicates that troponin should not be used as an only prognostic marker for mortality in this population.
  • Incidence of and risk factors for postintubation hypotension in critically ill patients with COVID-19 Original Article

    Ergün, Bişar; Ergan, Begüm; Yakar, Mehmet Nuri; Küçük, Murat; Özçelik, Murat; Yaka, Erdem; Gökmen, Ali Necati

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: Avaliar a incidência de fatores de risco para hipotensão pósintubação em pacientes críticos com COVID-19. Metódos: Foi realizado um estudo retrospectivo com 141 pacientes com COVID-19 que foram intubados na unidade de terapia intensiva. Hipotensão pós-intubação foi definida como a necessidade de qualquer dose de vasopressor a qualquer momento em até 60 minutos após a intubação. Pacientes com parada cardiorrespiratória relacionada à intubação e hipotensão antes da intubação foram excluídos do estudo. Resultados: Dos 141 pacientes incluídos, 53 pacientes (37,5%) e 43,6% dos pacientes (n = 17) eram do sexo feminino. A idade mediana do grupo com hipotensão pós-intubação foi de 75 anos (amplitude interquartil: 67,0 - 84,0). Na análise multivariada, índice de choque ≥ 0,90 (RC = 7,76; IC95% 3,14 - 19,21; p < 0,001), níveis de albumina < 2,92g/dL (RC = 3,65; IC95% 1,49 - 8,96; p = 0,005) e níveis de procalcitonina (RC = 1,07, IC95% 1,01 - 1,15; p = 0,045) foram fatores de risco independentes para hipotensão pós-intubação. A mortalidade hospitalar foi semelhante em pacientes com hipotensão pós-intubação e pacientes sem hipotensão pós-intubação (92,5% versus 85,2%; p = 0,29). Conclusão: A incidência de hipotensão pós-intubação foi de 37,5% em pacientes críticos com COVID-19. Um índice de choque ≥ 0,90 e níveis de albumina < 2,92g/ dL foram independentemente associados à hipotensão pós-intubação. Além disso, índice de choque ≥ 0,90 pode ser uma ferramenta do leito antes da intubação endotraqueal. Neste estudo, a hipotensão pós-intubação não esteve associada ao aumento da mortalidade hospitalar em pacientes com COVID-19.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: To evaluate the incidence of risk factors for postintubation hypotension in critically ill patients with COVID-19. Methods: We conducted a retrospective study of 141 patients with COVID-19 who were intubated in the intensive care unit. Postintubation hypotension was defined as the need for any vasopressor dose at any time within the 60 minutes following intubation. Patients with intubation-related cardiac arrest and hypotension before intubation were excluded from the study. Results: Of the 141 included patients, 53 patients (37.5%) had postintubation hypotension, and 43.6% of the patients (n = 17) were female. The median age of the postintubation hypotension group was 75.0 (interquartile range: 67.0 - 84.0). In the multivariate analysis, shock index ≥ 0.90 (OR = 7.76; 95%CI 3.14 - 19.21; p < 0.001), albumin levels < 2.92g/dL (OR = 3.65; 95%CI 1.49 - 8.96; p = 0.005), and procalcitonin levels (OR = 1.07, 95%CI 1.01 - 1.15; p = 0.045) were independent risk factors for postintubation hypotension. Hospital mortality was similar in patients with postintubation hypotension and patients without postintubation hypotension (92.5% versus 85.2%; p = 0.29). Conclusion: The incidence of postintubation hypotension was 37.5% in critically ill COVID-19 patients. A shock index ≥ 0.90 and albumin levels < 2.92g/dL were independently associated with postintubation hypotension. Furthermore, a shock index ≥ 0.90 may be a practical tool to predict the increased risk of postintubation hypotension in bedside scenarios before endotracheal intubation. In this study, postintubation hypotension was not associated with increased hospital mortality in COVID-19 patients.
  • The impact of severe COVID-19 on health-related quality of life and disability: an early follow-up perspective Original Article

    Fontes, Liliana Cristina da Silva Ferreira; Costa, Paulo Jorge Ribeiro; Fernandes, Joana Carolina João; Vieira, Tatiana Santos; Reis, Nuno Cruz; Coimbra, Isabel Maria Metelo; Paiva, José Artur Osório Carvalho

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: Avaliar a qualidade de vida relacionada com a saúde e a incapacidade no primeiro mês após a alta para domicílio de todos os sobreviventes de COVID-19 grave internados por mais de 24 horas no Serviço de Medicina Intensiva. Metódos: Estudo realizado no Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar Universitário São João, entre 8 de outubro de 2020 e 16 de fevereiro de 2021. Aproximadamente 1 mês após a alta para domicílio, uma enfermeira com experiência em medicina intensiva realizou uma consulta telefônica a 99 sobreviventes, aplicando os questionários EuroQol Five-Dimensional Five-Level e World Health Disability Assessment Schedule 2.0 - 12 itens. Resultados: A média de idade da população estudada foi de 63 ± 12 anos, e 32,5% foram submetidos à ventilação mecânica invasiva. O Simplified Acute Physiology Score médio foi de 35 ± 14, e o Índice de Comorbilidades de Charlson foi de 3 ± 2. O tempo de internamento em medicina intensiva e no hospital foi de 13 ± 22 e 22 ± 25 dias, respectivamente. A média da Escala Visual Analógica da EuroQol foi de 65% (± 21), sendo que apenas 35,3% dos sobreviventes não apresentaram ou tiveram problemas ligeiros para realizar suas atividades habituais, a maioria com algum grau de dor/desconforto e ansiedade/depressão. O World Health Disability Assessment Schedule 2.0 - 12 itens, mostrou incapacidade marcada em retomar o trabalho habitual ou atividades comunitárias e na mobilidade. O uso de ambas as ferramentas sugeriu que o estado de saúde dos sobreviventes seria pior do que a sua percepção. Conclusão: A identificação precoce de sequelas pode ajudar a definir fluxos e prioridades para a reabilitação e reinserção após a COVID-19 grave.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: To assess early postdischarge health-related quality of life and disability of all survivors of critical COVID-19 admitted for more than 24 hours to na intensive care unit.. Methods: Study carried out at the Intensive Care Medicine Department of Centro Hospitalar Universitário São João from 8th October 2020 to 16th February 2021. Approximately 1 month after hospital discharge, an intensive care-trained nurse performed a telephone consultation with 99 survivors already at home applying the EuroQol Five-Dimensional Five-Level questionnaire and the 12-item World Health Organization Disability Assessment Schedule 2.0. Results: The mean age of the population studied was 63 ± 12 years, and 32.5% were submitted to invasive mechanical ventilation. Their mean Simplified Acute Physiologic Score was 35 ± 14, and the Charlson Comorbidity Index was 3 ± 2. Intensive care medicine and hospital lengths of stay were 13 ± 22 and 22 ± 25 days, respectively. The mean EuroQol Visual Analog Scale was 65% (± 21), and only 35.3% had no or slight problems performing their usual activities, most having some degree of pain/discomfort and anxiety/depression. The 12-item World Health Organization Disability Assessment Schedule 2.0 showed marked impairments in terms of reassuring usual work or community activities and mobility. The use of both tools suggested that their health status was worse than their perception of it. Conclusion: This early identification of sequelae may help define flows and priorities for rehabilitation and reinsertion after critical COVID-19.
  • Vancomycin area under the curve-guided monitoring in pediatric patients Original Article

    Morales Junior, Ronaldo; Juodinis, Vanessa D’Amaro; Santos, Isabela Cristina Pinheiro de Freitas; Campioni, Camila Canuto; Wirth, Flávia Gatto de Almeida; Barbosa, Livia Maria Goncalves; Souza, Daniela Carla de; Santos, Silvia Regina Cavani Jorge

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: Avaliar a probabilidade de atingir o alvo pela razão entre a área sob a curva e a concentração inibitória mínima de vancomicina em pacientes pediátricos após o esquema de dose empírica e demonstrar a aplicabilidade desse método para o monitoramento da vancomicina. Metódos: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo que incluiu pacientes pediátricos com função renal normal internados entre janeiro e dezembro de 2020. O modelo de um compartimento com cinética de primeira ordem foi utilizado para estimar os parâmetros farmacocinéticos, e a área sob a curva foi calculada pela regra do trapézio. O alvo terapêutico foi definido como a razão entre a área sob a curva e a concentração inibitória mínima ≥ 400 e < 600. O teste do qui-quadrado foi aplicado para comparar a probabilidade de atingir o alvo nos grupos etários, enquanto os parâmetros farmacocinéticos foram comparados pelo teste de Kruskal-Wallis com o teste de Dunn para análises post hoc. Consideraram-se significativos os valores de p < 0,05. Resultados: Foram analisados, no total, 42 pares de níveis de vancomicina de 17 pacientes inscritos neste estudo. Após a dose diária empírica de vancomicina, o alvo terapêutico foi atingido em cinco (29%) pacientes; quatro pacientes (24%) apresentavam razão entre a área sob a curva inicial supraterapêutica e o valor de concentração inibitória mínima (> 600mg.h/L) e oito (47%) tinham valores subterapêuticos (< 400mg.h/L). Os patógenos mais identificados foram Staphylococcus spp. (n = 7). Os níveis de vale e as áreas sob a curva mostraram valores moderados de correlação (R2 = 0,73). Um (6%) paciente apresentou lesão renal aguda. Conclusão: A maioria dos pacientes não atingiu o alvo terapêutico com esquema de dose empírica de vancomicina, e a implementação de dosagem baseada na área sob a curva usando duas medições de amostra permitiu ajustes de dose em tempo real com base nos parâmetros farmacocinéticos dos indivíduos.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: To assess the percentage of vancomycin area under the curve/minimum inhibitory concentration target attainment in pediatric patients after the empirical dose regimen and to demonstrate the applicability of this method for vancomycin monitoring. Methods: A retrospective cohort study was performed including pediatric patients with normal renal function admitted between January 2020 and December 2020. The one-compartment model with first-order kinetics was used to estimate the pharmacokinetic parameters, and the area under the curve was calculated by the trapezoidal rule. The therapeutic target was defined as area under the curve/minimum inhibitory concentration ≥ 400 and < 600. The Chi-squared test was applied to compare the percentage of target attainment over age groups, while the pharmacokinetic parameters were compared by the Kruskal-Wallis test with Dunn’s test for post hoc analyses. We considered significant p-values < 0.05. Results: In total, 42 pairs of vancomycin levels were analyzed from 17 patients enrolled in this study. After empirical vancomycin daily dosing, the therapeutic target was achieved in five (29%) patients; four patients (24%) had a supratherapeutic initial area under the curve/minimum inhibitory concentration value (> 600mg.h/L), and eight (47%) patients had subtherapeutic values (< 400mg.h/L). The most identified pathogens were Staphylococcus spp. (n = 7). Trough levels and areas under the curve showed moderate correlation values (R2 = 0.73). Acute kidney injury occurred in one (6%) patient. Conclusion: Most patients did not reach the therapeutic target with a vancomycin empirical dose regimen, and the implementation of area under the curve-based dosing using two sample measurements allowed for real-time dose adjustments based on individuals’ pharmacokinetic parameters.
  • Prognostic value of hyperlactatemia in infected patients admitted to intensive care units: a multicenter study Original Article

    Silva, Catarina Mendes; Baptista, João Pedro; Mergulhão, Paulo; Froes, Filipe; Gonçalves-Pereira, João; Pereira, José Manuel; Dias, Claudia Camila; Paiva, José Artur

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: Avaliar a influência das características dos pacientes na hiperlactatemia em uma população admitida com infecção em unidades de terapia intensiva, bem como a influência da gravidade da hiperlactatemia na mortalidade hospitalar. Metódos: Foi realizada uma análise post hoc da hiperlactatemia no INFAUCI, um estudo nacional prospectivo, observacional e multicêntrico, que incluiu 14 unidades de terapia intensiva portuguesas. Foram selecionados pacientes admitidos com infecção em unidades de terapia intensiva com dosagem de lactato nas primeiras 12 horas de admissão. A sepse foi identificada de acordo com a definição Sepsis-2 aceita no momento da coleta de dados. A gravidade da hiperlactatemia foi classificada como leve (2 - 3,9mmol/L), moderada (4,0 - 9,9mmol/L) ou grave (> 10mmol/L). Resultados: De 1.640 pacientes admitidos com infecção, a hiperlactatemia ocorreu em 934 (57%) e foi classificada como leve, moderada e grave em 57,0%, 34,4% e 8,7% dos pacientes, respectivamente. A presença de hiperlactatemia e um maior grau de hiperlactatemia se associaram a um maior Simplified Acute Physiology Score II, a maior Índice de Comorbidade de Charlson e à presença de choque séptico. Em relação à curva Receiver Operating Characteristic do lactato para mortalidade hospitalar, foi encontrada área sob a curva de 0,64 (IC95% 0,61 - 0,72), que aumentou para 0,71 (IC95% 0,68 - 0,74) quando se combinou o Sequential Organ Failure Assessment. A mortalidade intra-hospitalar com outras covariáveis ajustadas pelo Simplified Acute Physiology Score II se associou à hiperlactatemia moderada e grave, com razão de chances de 1,95 (IC95% 1,4 - 2,7; p < 0,001) e 4,54 (IC95% 2,4 - 8,5; p < 0,001), respectivamente. Conclusão: Os níveis de lactato sanguíneo correlacionam-se independentemente com a mortalidade intra-hospitalar para graus moderados e graves de hiperlactatemia.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: To evaluate the influence of patient characteristics on hyperlactatemia in an infected population admitted to intensive care units and the influence of hyperlactatemia severity on hospital mortality. Methods: A post hoc analysis of hyperlactatemia in the INFAUCI study, a national prospective, observational, multicenter study, was conducted in 14 Portuguese intensive care units. Infected patients admitted to intensive care units with a lactate measurement in the first 12 hours of admission were selected. Sepsis was identified according to the Sepsis-2 definition accepted at the time of data collection. The severity of hyperlactatemia was classified as mild (2 - 3.9mmol/L), moderate (4.0 - 9.9mmol/L) or severe (> 10mmol/L). Results: In a total of 1,640 patients infected on admission, hyperlactatemia occurred in 934 patients (57%), classified as mild, moderate and severe in 57.0%, 34.4% and 8.7% of patients, respectively. The presence of hyperlactatemia and a higher degree of hyperlactatemia were both associated with a higher Simplified Acute Physiology Score II, a higher Charlson Comorbidity Index and the presence of septic shock. The lactate Receiver Operating Characteristic curve for hospital mortality had an area under the curve of 0.64 (95%CI 0.61 - 0.72), which increased to 0.71 (95%CI 0.68 - 0.74) when combined with Sequential Organ Failure Assessment score. In-hospital mortality with other covariates adjusted by Simplified Acute Physiology Score II was associated with moderate and severe hyperlactatemia, with odds ratio of 1.95 (95%CI 1.4 - 2.7; p < 0.001) and 4.54 (95%CI 2.4 - 8.5; p < 0.001), respectively. Conclusion: Blood lactate levels correlate independently with in-hospital mortality for moderate and severe degrees of hyperlactatemia.
  • Reduced physical functional performance before hospitalization predicts life support limitations and mortality in nonsurgical intensive care unit patients Original Article

    Silva, Jamile Caroline Garbuglio Araujo da; Giraldi, Tiago; Coutinho, Carolina Matida Gontijo; Carvalho Filho, Marco Antonio; Fernandes, Dario Cecílio; Santos, Thiago Martins

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: Avaliar se as escalas de desempenho físico funcional e a pergunta surpresa (“Eu ficaria surpreso se esse paciente morresse em 6 meses?”) predizem limitações de suporte de vida e mortalidade em pacientes críticos não cirúrgicos. Metódos: Participaram desta coorte prospectiva 114 pacientes admitidos do serviço de emergência em uma unidade de terapia intensiva. O desempenho físico funcional foi avaliado pelo Palliative Prognostic Score, pela Escala de Desempenho de Karnofsky e pela escala de Atividades de Vida Diária de Katz. Dois intensivistas responderam à pergunta surpresa. Resultados: Os escores de desempenho físico funcional propostos foram significativamente menores em pacientes com limitações de suporte de vida e naqueles que vieram a óbito durante a hospitalização. A resposta negativa à pergunta surpresa foi mais frequente no mesmo subgrupo de pacientes. A análise univariada ajustada mostrou aumento da razão de chances para limitações de suporte de vida e morte em relação à escala de Atividades de Vida Diária (1,35 [1,01 - 1,78] e 1,34 [1,0 - 1,79], respectivamente) e uma resposta negativa para a pergunta surpresa (42,35 [11,62 - 154,43] e 47,79 [11,41 - 200,25], respectivamente), com p < 0,05 para todos os resultados. Conclusão: Todas as escalas de desempenho físico funcional apresentaram escores mais baixos em não sobreviventes e em pacientes com limitações de suporte de vida. A redução da capacidade funcional prévia à internação e a resposta negativa à pergunta surpresa aumentaram as chances de limitações de suporte de vida e mortalidade em nossa coorte de pacientes não cirúrgicos da unidade de terapia intensiva com entrada no serviço de emergência.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: To assess whether scales of physical functional performance and the surprise question (“Would I be surprised if this patient died in 6 months?”) predict life support limitations and mortality in critically ill nonsurgical patients. Methods: We included 114 patients admitted from the Emergency Department to an intensive care unit in this prospective cohort. Physical functional performance was assessed by the Palliative Prognostic Score, Karnofsky Performance Status, and the Katz Activities of Daily Living scale. Two intensivists responded to the surprise question. Results: The proposed physical functional performance scores were significantly lower in patients with life support limitations and those who died during the hospital stay. A negative response to the surprise question was more frequent in the same subset of patients. Adjusted univariable analysis showed an increased odds ratio for life support limitations and death regarding the activities of daily living scale (1.35 [1.01 - 1.78] and 1.34 [1.0 - 1.79], respectively) and a negative response for the surprise question (42.35 [11.62 - 154.43] and 47.79 [11.41 - 200.25], respectively); with a p < 0.05 for all results. Conclusion: All physical functional performance scales showed lower scores in nonsurvivors and patients with life support limitations. The activities of daily living score and the surprise question increased the odds of life support limitations and mortality in our cohort of nonsurgical intensive care unit patients admitted from the Emergency Department.
  • A deep look into the rib cage compression technique in mechanically ventilated patients: a narrative review Review Article

    Jalil, Yorschua; Damiani, L. Felipe; Basoalto, Roque; Bachmman, María Consuelo; Bruhn, Alejandro

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO O manejo deficiente das secreções é uma das complicações mais frequentes em pacientes em ventilação mecânica invasiva. A depuração das secreções por meio da fisioterapia respiratória é um aspecto crítico do tratamento desses pacientes. A compressão torácica manual é uma das técnicas de fisioterapia respiratória mais praticadas em pacientes ventilados, mas seu impacto nos desfechos clínicos permanece controverso devido a questões metodológicas e ao pouco conhecimento sobre sua ação. Nesta revisão, apresenta-se uma análise detalhada dos princípios físicos envolvidos na execução da técnica de compressão torácica. Também investigam-se os efeitos fisiológicos observados em estudos experimentais e clínicos, que mostram que o uso de compressão torácica curta e vigorosa, baseada no aumento de fluxos expiratórios (diferença de fluxo aéreo inspiratório-expiratório > 33L/minuto), pode melhorar o movimento do muco em direção à glote. Por outro lado, o uso de compressão torácica suave e gradual ao longo de toda a fase expiratória não afeta os fluxos expiratórios, resultando em efeitos ineficazes ou indesejados em alguns casos. Mais estudos fisiológicos são necessários para entender os princípios da técnica de compressão torácica em pacientes ventilados. No entanto, de acordo com as evidências, a compressão torácica tem mais benefícios potenciais do que riscos, o que incentiva sua implementação.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Defective management of secretions is one of the most frequent complications in invasive mechanically ventilated patients. Clearance of secretions through chest physiotherapy is a critical aspect of the treatment of these patients. Manual rib cage compression is one of the most practiced chest physiotherapy techniques in ventilated patients; however, its impact on clinical outcomes remains controversial due to methodological issues and poor understanding of its action. In this review, we present a detailed analysis of the physical principles involved in rib cage compression technique performance, as well as the physiological effects observed in experimental and clinical studies, which show that the use of brief and vigorous rib cage compression, based on increased expiratory flows (expiratory-inspiratory airflow difference of > 33L/minute), can improve mucus movement toward the glottis. On the other hand, the use of soft and gradual rib cage compression throughout the whole expiratory phase does not impact the expiratory flows, resulting in ineffective or undesired effects in some cases. More physiological studies are needed to understand the principles of the rib cage compression technique in ventilated humans. However, according to the evidence, rib cage compression has more potential benefits than risks, so its implementation should be promoted.
  • Rationale and limitations of the SpO2/FiO2 as a possible substitute for PaO2/FiO2 in different preclinical and clinical scenarios Review Article

    Carvalho, Eduardo Butturini de; Leite, Thiago Ravache Sobreira; Sacramento, Raquel Ferreira de Magalhães; Nascimento, Paulo Roberto Loureiro do; Samary, Cynthia dos Santos; Rocco, Patrícia Rieken Macedo; Silva, Pedro Leme

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Embora a PaO2/FiO2 derivada da gasometria arterial continue sendo o padrão-ouro do diagnóstico de insuficiência respiratória aguda, a SpO2/FiO2 tem sido investigada como potencial substituta. Esta revisão narrativa apresenta o estado da literatura pré-clínica e clínica sobre a SpO2/FiO2 como possível substituta da PaO2/FiO2 e para uso como marcador diagnóstico e prognóstico; ainda, é fornecida uma visão geral da oximetria de pulso e suas limitações, além da avaliação da utilidade da SpO2/ FiO2 como substituta da PaO2/FiO2 em pacientes com COVID-19. Ao todo, foram encontrados 49 estudos comparando SpO2/FiO2 e PaO2/ FiO2 com base em uma estratégia de pesquisa mínima. A maioria dos estudos foi realizada em recémnascidos, alguns foram realizados em adultos com síndrome do desconforto respiratório agudo, e outros foram realizados em outros cenários clínicos (incluindo poucos em pacientes com COVID-19). Há certa evidência de que os critérios de SpO2/FiO2 podem substituir a PaO2/FiO2 em diferentes cenários clínicos. Isso é reforçado pelo fato de que devem ser evitados procedimentos invasivos desnecessários em pacientes com insuficiência respiratória aguda. É inegável que os oxímetros de pulso estão cada vez mais difundidos e podem proporcionar um monitoramento sem custos. Portanto, substituir a PaO2/FiO2 pela SpO2/FiO2 pode permitir que instalações com recursos limitados diagnostiquem a insuficiência respiratória aguda de maneira objetiva.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Although the PaO 2/FiO 2 derived from arterial blood gas analysis remains the gold standard for the diagnosis of acute respiratory failure, the SpO2/FiO2 has been investigated as a potential substitute. The current narrative review presents the state of the preclinical and clinical literature on the SpO2/FiO2 as a possible substitute for PaO2/FiO2 and for use as a diagnostic and prognostic marker; provides an overview of pulse oximetry and its limitations, and assesses the utility of SpO2/ FiO2 as a surrogate for PaO2/FiO2 in COVID-19 patients. Overall, 49 studies comparing SpO2/FiO2 and PaO2/FiO2 were found according to a minimal search strategy. Most were conducted on neonates, some were conducted on adults with acute respiratory distress syndrome, and a few were conducted in other clinical scenarios (including a very few on COVID-19 patients). There is some evidence that the SpO2/ FiO2 criteria can be a surrogate for PaO2/FiO2 in different clinical scenarios. This is reinforced by the fact that unnecessary invasive procedures should be avoided in patients with acute respiratory failure. It is undeniable that pulse oximeters are becoming increasingly widespread and can provide costless monitoring. Hence, replacing PaO2/FiO2 with SpO2/FiO2may allow resourcelimited facilities to objectively diagnose acute respiratory failure.
  • Valproate-associated hyperammonemic encephalopathy in subarachnoid hemorrhage: a diagnosis to consider Case Report

    Fuellis, Vivian; Grille, Pedro; Verga, Federico; Alfaro, Luis Urbán; Grasiuso, Lucciano; Barbato, Marcelo

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Objetivo: A hemorragia subaracnóidea é uma doença prevalente com alta morbidade e mortalidade. Inúmeras complicações contribuem para a lesão cerebral e desafiam o médico no diagnóstico e tratamento. A encefalopatia hiperamonêmica associada ao valproato é uma entidade rara, subdiagnosticada, grave e importante a ser considerada. Apresentamos o caso de um paciente com hemorragia subaracnóidea que recebeu profilaxia anticonvulsivante com valproato e evoluiu com piora neurológica associada a níveis plasmáticos elevados de amônia e descargas periódicas no eletroencefalograma, sem outras causas identificáveis. A interrupção do tratamento com ácido valproico e a normalização dos níveis plasmáticos de amônia resultaram em melhora do quadro neurológico e eletroencefalográfico.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Objective: Subarachnoid hemorrhage is a prevalent disease with high morbidity and mortality. Numerous complications contribute to brain injury and defy the clinical practitioner on diagnosis and management. Valproate-associated hyperammonemic encephalopathy is a rare, underdiagnosed, serious and important entity to consider. We present a case of a patient with subarachnoid hemorrhage who received anticonvulsant prophylaxis with valproate and developed neuroworsening associated with high levels of ammoniemia and periodic discharge electroencephalographic patterns without other identifiable causes. Discontinuing valproic acid treatment and normalization of ammoniemia resulted in improvement in clinical and electroencephalographic neurological status.
  • Endotracheal intubation in COVID-19 patients in Brazil: a nationwide survey Letter To The Editor

    Mendes, Pedro Vitale; Besen, Bruno Adler Maccagnan Pinheiro; Lacerda, Fábio Holanda; Ramos, João Gabriel Rosa; Taniguchi, Leandro Utino
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