Exigência de metionina + cistina digestíveis para suínos machos castrados mantidos em ambiente termoneutro dos 30 aos 60 kg

Digestible methionine + cystine requirement for barrows maintained in thermoneutral environment from 30 to 60 kg

Resumos

Foram utilizados 50 suínos dos 29,97 ± 0,36 kg aos 60,38 ± 0,49 kg, para determinar a exigência de metionina + cistina digestíveis. Utilizou-se o delineamento experimental de blocos ao acaso, composto por cinco níveis de metionina + cistina digestíveis (0,448; 0,490; 0,531; 0,573 e 0,614%), cinco repetições e dois animais por unidade experimental. Os tratamentos influenciaram o ganho de peso diário e a conversão alimentar, que variaram de forma quadrática, sendo o nível de metionina + cistina digestíveis estimado em 0,549% para máximo ganho de peso e melhor conversão alimentar. Não se observou efeito dos tratamentos sobre o consumo de ração. O consumo de metionina + cistina digestíveis elevou de forma linear com o aumento dos níveis de metionina + cistina digestíveis na dieta. Verificou-se efeito quadrático dos tratamentos sobre as deposições diárias de proteína e de gordura na carcaça, que aumentaram até os níveis de metionina + cistina digestíveis estimados de 0,548 e 0,547%, respectivamente. Concluiu-se que a exigência de metionina + cistina digestíveis para suínos machos castrados, mantidos em ambiente termoneutro dos 30 aos 60 kg, é de 0,549%, correspondente à relação metionina + cistina digestíveis:lisina digestível de 66%.

aminoácidos sulfurados; carcaça; fase de crescimento; temperatura ambiente


Fifty barrows from 29.97 ± 0.36 kg to 60.38 ± 0.49 kg were used to evaluate the requirement of digestible methionine + cystine. A completely randomized blocks design, with five digestible methionine + cystine levels (0.448; 0.490; 0.531; 0.573 and 0.614%), with five replicates and two animals per experimental unity, was used. The digestible methionine + cystine levels of the diet influenced in a quadratic way the average daily gain and the feed:gain being the level of digestible methionine + cystine estimated in 0.549% for the maximum weight gain and better feed:gain. No effect of the treatments on the feed intake was observed. The digestible methionine + cystine intake increased linearly as the digestible methionine + cystine levels in the diet increased. Quadratic effect of the treatments was verified on the fat and protein depositions in the carcass that increased until the levels of digestible methionine + cystine estimated in 0.548 and 0.547%, respectively. It was concluded that digestible methionine + cystine requirements for barrows maintained in thermoneutral environment from 30 to 60 kg is 0.549%, correspondent to digestible methionine + cystine:digestible lysine ratio of 66%.

carcass; environment temperature; growing phase; sulphurous amino acids


MONOGÁSTRICOS

Exigência de metionina + cistina digestíveis para suínos machos castrados mantidos em ambiente termoneutro dos 30 aos 60 kg

Digestible methionine + cystine requirement for barrows maintained in thermoneutral environment from 30 to 60 kg

Charles KieferI; Aloízio Soares FerreiraII; Juarez Lopes DonzeleII; Rita Flávia Miranda de OliveiraII; Francisco Carlos de Oliveira SilvaIII; Paulo César BrustoliniII

IZootecnista, M.Sc., DZO/UFV, bolsista do CNPq (charles@zootecnista.zzn.com)

IIProfessor DZO/UFV (alosofe@ufv.br)

IIID.Sc., EPAMIG/MG (fcosilva@epamig.ufv.br)

RESUMO

Foram utilizados 50 suínos dos 29,97 ± 0,36 kg aos 60,38 ± 0,49 kg, para determinar a exigência de metionina + cistina digestíveis. Utilizou-se o delineamento experimental de blocos ao acaso, composto por cinco níveis de metionina + cistina digestíveis (0,448; 0,490; 0,531; 0,573 e 0,614%), cinco repetições e dois animais por unidade experimental. Os tratamentos influenciaram o ganho de peso diário e a conversão alimentar, que variaram de forma quadrática, sendo o nível de metionina + cistina digestíveis estimado em 0,549% para máximo ganho de peso e melhor conversão alimentar. Não se observou efeito dos tratamentos sobre o consumo de ração. O consumo de metionina + cistina digestíveis elevou de forma linear com o aumento dos níveis de metionina + cistina digestíveis na dieta. Verificou-se efeito quadrático dos tratamentos sobre as deposições diárias de proteína e de gordura na carcaça, que aumentaram até os níveis de metionina + cistina digestíveis estimados de 0,548 e 0,547%, respectivamente. Concluiu-se que a exigência de metionina + cistina digestíveis para suínos machos castrados, mantidos em ambiente termoneutro dos 30 aos 60 kg, é de 0,549%, correspondente à relação metionina + cistina digestíveis:lisina digestível de 66%.

Palavras-chave: aminoácidos sulfurados, carcaça, fase de crescimento, temperatura ambiente

ABSTRACT

Fifty barrows from 29.97 ± 0.36 kg to 60.38 ± 0.49 kg were used to evaluate the requirement of digestible methionine + cystine. A completely randomized blocks design, with five digestible methionine + cystine levels (0.448; 0.490; 0.531; 0.573 and 0.614%), with five replicates and two animals per experimental unity, was used. The digestible methionine + cystine levels of the diet influenced in a quadratic way the average daily gain and the feed:gain being the level of digestible methionine + cystine estimated in 0.549% for the maximum weight gain and better feed:gain. No effect of the treatments on the feed intake was observed. The digestible methionine + cystine intake increased linearly as the digestible methionine + cystine levels in the diet increased. Quadratic effect of the treatments was verified on the fat and protein depositions in the carcass that increased until the levels of digestible methionine + cystine estimated in 0.548 and 0.547%, respectively. It was concluded that digestible methionine + cystine requirements for barrows maintained in thermoneutral environment from 30 to 60 kg is 0.549%, correspondent to digestible methionine + cystine:digestible lysine ratio of 66%.

Key Words: carcass, environment temperature, growing phase, sulphurous amino acids

Introdução

A sucessiva seleção para maior deposição de proteína em detrimento da deposição de gordura tem demandado a reavaliação constante das exigências nutricionais dos suínos, uma vez que mudanças nas taxas de deposição de tecidos corporais geram diferença na exigência diária de nutrientes, sobretudo de aminoácidos. Consumos de aminoácidos abaixo (Dourmad et al., 1996) ou acima (Edmonds & Baker, 1987) das demandas biológicas do animal podem restringir a taxa e a eficiência de crescimento. Por outro lado, o nível adequado de aminoácidos da dieta pode possibilitar melhora da eficiência alimentar, da taxa de crescimento e, conseqüentemente, pode aumentar o rendimento econômico da atividade suinícola.

O adequado balanço de aminoácidos das dietas tem contribuído para o aumento da retenção corporal de nitrogênio e possibilitado a redução da quantidade total de dejetos produzidos, por meio da redução do consumo de água e da melhora da eficiência alimentar (Relandeau et al., 2000), minimizando a poluição ambiental causada pela atividade suinícola.

Entre os aminoácidos, a metionina foi considerada essencial para o crescimento dos suínos, em 1950, por Bell e tem sido doadora de radicais metil quando estes são necessários para a biossíntese de creatina, carnitina, poliaminas, epinefrina, colina e melatonina, que são componentes corporais fundamentais para o crescimento normal dos animais. Além disso, a metionina pode ser catabolisada à cistina pelo organismo, em um processo irreversível. Esse catabolismo, sob condições normais, tem as funções de remover o excesso de metionina e superar a deficiência de cistina (Graber et al., 1971). Os suínos são particularmente sensíveis ao excesso de metionina na dieta (Edmonds et al., 1987; Edmonds & Baker, 1987).

A cistina, por sua vez, tem função especial na estrutura de muitas proteínas, como a insulina, imunoglobulinas e penas, interligando cadeias polipeptídicas pela ponte dissulfeto (Baker, 1991).

A metionina tem sido estabelecida como o primeiro aminoácido limitante em rações à base de proteína de farinha de pena (Chung et al., 1989), em razão de sua baixa disponibilidade neste produto. Todavia, em rações à base de milho e de farelo de soja, que compõem as dietas tradicionais brasileiras, a metionina é o segundo aminoácido limitante para suínos em crescimento (Sharda et al., 1976).

Existem diversas informações acerca da exigência de lisina para suínos em crescimento, contudo pesquisas sobre a exigências de aminoácidos sulfurados são escassas. Neste contexto, verifica-se a necessidade de se estimar as exigências de metionina + cistina digestíveis para suínos machos castrados mantidos em condição de conforto térmico, dos 30 aos 60 kg.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Suinocultura, do Departamento de Zootecnia, do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal de Viçosa, em Viçosa, MG. Foram utilizados 50 suínos machos castrados, híbridos comerciais de médio potencial genético, com peso inicial de 29,97 ± 0,36 kg e idade de 87 ± 8,06 dias, em delineamento experimental de blocos ao acaso, composto por cinco tratamentos (0,448; 0,490; 0,531; 0,573 e 0,614% de metionina + cistina digestíveis, correspondendo a 0,54; 0,59; 0,64; 0,69 e 0,74% de metionina + cistina digestíveis para cada 1,0% de lisina digestível na dieta), cinco repetições e dois animais por unidade experimental. Na formação dos blocos, foram considerados o peso e o parentesco dos animais.

A temperatura interna da sala foi mantida constante utilizando-se dois aparelhos condicionadores de ar, posicionados um em cada lateral da sala a aproximadamente 1,50 m acima do nível do piso, ligados a um termostato regulado para temperatura de 21ºC.

A temperatura e a umidade relativa da sala foram monitoradas diariamente às 7, 12 e 17 horas durante todo período experimental, por meio de um conjunto de termômetros de bulbo seco, de bulbo úmido e de globo negro, mantidos em uma baia vazia no centro da sala, a uma altura correspondente à meia altura do corpo dos animais. Os valores registrados foram, posteriormente, convertidos no índice de temperatura de globo e umidade (ITGU), segundo Buffington et al. (1981), para caracterizar o ambiente térmico no qual os animais foram mantidos.

As rações experimentais, isoenergéticas e isoprotéicas foram formuladas de modo a atenderem as exigências nutricionais dos animais, de acordo com recomendações de Rostagno et al. (2000), com exceção dos níveis de metionina + cistina digestíveis (Tabela 1). Os diferentes níveis de metionina + cistina das dietas experimentais foram obtidos a partir da inclusão de DL-metionina 99%, em substituição ao ácido glutâmico em equivalente protéico.

As rações e a água foram fornecidas à vontade aos animais. Os resíduos de ração do chão foram coletados diariamente e somados às sobras do comedouro ao final do período experimental.

Os animais permaneceram no experimento até atingirem peso médio de 60,38 ± 0,49 kg, quando ficaram em jejum alimentar por 24 horas. Após o jejum, um animal de cada repetição, com o peso mais próximo de 60 kg, foi abatido por insensibilização e sangramento. Após o abate, procedeu-se à toalete e abertura da carcaça, para retirada dos órgãos.

Um grupo adicional de cinco leitões com peso de 30,0 ± 0,28 kg foi abatido segundo o mesmo procedimento utilizado para os animais do experimento, para determinação da composição inicial da carcaça. As carcaças foram divididas longitudinalmente e a metade esquerda (incluindo cabeça e pés), sem as vísceras e o sangue, foi triturada por 15 minutos em ";cutter"; comercial de 30 HP. Após a homogeneização do material triturado, foram retiradas amostras, que foram estocadas em congelador a -12°C.

As amostras foram submetidas à pré-secagem em estufa com ventilação forçada, a ± 60°C, por 72 horas. Em razão da alta concentração de gordura do material, foi realizado pré-desengorduramento pelo método a quente, em aparelho extrator do tipo ";Soxlet";, por quatro horas. As amostras pré-secas e pré-desengorduradas foram moídas e acondicionadas em vidros com tampa de polietileno devidamente identificados, para posteriores análises laboratoriais. Foram consideradas a água e a gordura retiradas no preparo das amostras para se fazer a correção dos valores das análises subseqüentes.

As análises bromatológicas de proteína e de extrato etéreo das amostras das carcaças foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da UFV, de acordo com técnicas descritas por Silva (1990). Os valores da composição das carcaças no início e no fim do período experimental foram utilizados para determinação das deposições de proteína e de gordura diárias na carcaça.

As análises estatísticas dos resultados de desempenho e de deposições diárias de proteína e de gordura na carcaça foram realizadas por intermédio do programa estatístico SAS (1996); a exigência de metionina + cistina digestíveis foi obtida com base nos resultados de ganho de peso diário, consumos diários de ração e de metionina + cistina digestíveis, conversão alimentar e deposições diárias de proteína e de gordura na carcaça, utilizando-se o modelo de regressão linear ou quadrática, conforme o melhor ajuste do modelo obtido para cada variável.

Resultados e Discussão

Durante o período experimental, a temperatura média do ar da sala manteve-se em 21,7 ± 0,98°C, a umidade relativa, em 75,3 ± 5,52%, a temperatura de globo negro, em 22,3 ± 0,99°C e o ITGU calculado, em 69,7 ± 1,32. A temperatura média do ar de 21,7ºC, obtida neste estudo, pode ser considerada como temperatura termoneutra por estar na faixa proposta como ideal para esta categoria animal, uma vez que a faixa de temperaturas ideais para suínos dos 30 aos 60 kg situa-se de 18 a 26°C (Perdomo, 1994). O valor do ITGU que caracterizou o ambiente termoneutro neste estudo está em conformidade com aqueles de 69,1, obtido por Tavares et al. (2000), e de 67,5, registrado por Oliveira et al. (2003), em suínos mantidos em ambiente de conforto térmico dos 30 aos 60 kg.

Os resultados de desempenho, consumo de metionina + cistina digestíveis e de deposições de proteína e gordura diárias na carcaça dos suínos encontram-se na Tabela 2.

Os níveis de metionina + cistina digestíveis da dieta influenciaram (P<0,05) o ganho de peso diário (GPD), que variou de forma quadrática, aumentando até o nível de 0,549% (Figura 1). Variação similar para o GPD relacionada ao aumento dos níveis de metionina + cistina digestíveis da dieta foi obtida por Vieira Vaz (2003), em suínos dos 15 aos 30 kg mantidos em ambiente de termoneutralidade.


Lennis et al. (1990) observaram melhoria linear no GPD, em função dos níveis de metionina + cistina digestíveis da dieta, em suínos machos e fêmeas dos 35 aos 65 kg, quando os níveis de metionina + cistina digestíveis elevaram de 0,35 para 0,46% e de 0,35 para 0,42%, respectivamente.

Por outro lado, os resultados obtidos neste estudo diferem daqueles observados por Loughmiller et al. (1996a), que, avaliando três relações de aminoácidos sulfurados (60, 65 e 70%) com dois níveis de lisina digestível (0,44 e 0,56%) em dietas para suínos dos 54 aos 107 kg, não verificaram melhoria no GPD com o aumento das relações em ambos os níveis de lisina.

Não houve efeito (P>0,10) dos níveis de metionina + cistina digestíveis da dieta sobre o consumo diária de ração (CRD), corroborando os resultados obtidos por Vieira Vaz (2003) e Loughmiller et al. (1998) com suínos em fases de crescimento e terminação, respectivamente, e diferindo daqueles descritos por Chung & Baker (1992) e Loughmiller et al. (1996b), que observaram, respectivamente, variações quadrática e linear do CRD, em razão do aumento dos níveis de metionina + cistina digestíveis na ração.

Segundo Edmonds et al. (1987), o desbalanço causado pelo excesso de aminoácidos na dieta se manifesta, principalmente, pela redução da ingestão alimentar, pois, entre os aminoácidos, o excesso de metionina é o que causa maior queda do consumo. Portanto, pode-se inferir que o possível desbalanço de aminoácidos sulfurados nos níveis extremos avaliados não foram suficientes para influenciar o CRD dos animais neste estudo.

Por não ter ocorrido variação no CRD dos animais entre os tratamentos, constatou-se aumento linear (P<0,01) no consumo diário de metionina + cistina digestíveis, em razão do aumento de seus níveis na dieta, conforme a equação = 0,3603 + 20,707MC (r2 = 0,99).

A eficiência com que os suínos utilizaram o alimento foi influenciada (P<0,05) pelos níveis de metionina + cistina digestíveis da ração, observando-se variação quadrática e melhoria na conversão alimentar (CA) até o nível de 0,549% (Figura 2). A melhoria observada na CA indica possível variação na composição do ganho dos animais. A variação quadrática da CA, em razão do aumento dos níveis de metionina + cistina digestíveis na dieta de suínos mantidos em ambiente termoneutro, também foi observada por Vieira Vaz (2003).


Entretanto, Loughmiller et al. (1996a) não verificaram efeito dos níveis de aminoácidos sulfurados das dietas sobre a CA de suínos dos 54 aos 107 kg. Provavelmente, esses pesquisadores não encontraram diferença em razão da proximidade das relações de aminoácidos sulfurados:lisina (60, 65 e 70%) utilizadas nas rações experimentais com a exigência dos suínos.

Os níveis de metionina + cistina digestíveis influenciaram (P<0,05), de forma quadrática, a deposição de proteína diária (DPD) na carcaça, que aumentou até o nível estimado de 0,548% (Figura 3). Variação similar de DPD, em função do aumento dos níveis de aminoácidos sulfurados na dieta, também foi verificada por Vieira Vaz (2003).


Em contrapartida, Loughmiller et al. (1996a,b) e Loughmiller et al. (1998) não constataram variação na deposição de proteína na carcaça com o aumento da concentração de metionina + cistina na ração, em suínos na fase de terminação.

Verificou-se efeito (P<0,05) dos níveis de metionina + cistina digestíveis sobre a deposição diaria de gordura (DGD) na carcaça, que variou de forma quadrática, aumentando até o nível estimado de 0,547% (Figura 4). Por outro lado, Lenis et al. (1990), Moita (1994), Loughmiller et al. (1996a,b) e Loughmiller et al. (1998) não verificaram variação na composição da carcaça de suínos em função do aumento dos níveis de metionina + cistina na ração.


Na avaliação da exigência de aminoácidos sulfurados em diferentes ambientes térmicos, Vieira Vaz (2003) observou variação quadrática na DGD nos suínos mantidos em ambiente de estresse por calor, porém, a DGD não foi afetada nos animais mantidos em ambiente de termoneutralidade.

De acordo com os resultados, observa-se que o nível que proporcionou máxima resposta para o desempenho (GPD e CA) é próximo aos níveis de máxima resposta para DGD e DPD, podendo-se inferir que a exigência de metionina + cistina digestíveis para suínos dos 30 aos 60 kg, mantidos em ambiente de termoneutralidade, é de 0,549% e que, para esta exigência, a relação metionina + cistina digestíveis:lisina digestível corresponde a 66%.

A exigência de metionina + cistina determinada neste estudo está de acordo com as recomendações de 0,54% (Rostagno et al., 2000), de 0,55% (ARC, 1981) e de 0,56% (Roth & Kirchgessner, 1987) para suínos na mesma faixa de peso. Por outro lado, este valor de exigência encontra-se acima daqueles de 0,44%, recomendado por NRC (1998), de 0,46%, estimado por Lennis et al. (1990) para suínos dos 35 aos 65 kg , e de 0,50%, proposto por Castell & Cliplef (1990), para suínos dos 25 aos 85 kg.

A relação estimada de metionina + cistina digestíveis:lisina digestível, de 66%, ficou acima daquelas de 63%, preconizada por Wang & Fuller (1989), e de 64%, proposta por Lennis et al. (1990) e Rostagno et al. (2000). Entretanto, relações inferiores às deste estudo foram recomendadas, como as de 54% (Laurie et al., 1996), de 57% (Roth & Kirchgessner, 1987), de 59% (Fuller et al., 1989) e de 61% (Castell & Cliplef, 1990).

Grande parte das variações entre as exigências de metionina + cistina digestíveis e de relações de metionina + cistina digestíveis:lisina digestível observadas na literatura deve-se, entre outros fatores, às diferenças genéticas (capacidade para deposição diária de proteína na carcaça), às diferentes faixas de peso dos animais, aos diferentes critérios de análise estatística adotados, às condições de temperatura e umidade do ar e aos níveis de aminoácidos utilizados nas dietas experimentais, sobretudo o nível de lisina, que é considerado o aminoácido referência. De acordo com Taylor et al. (1983), o uso de dietas experimentais com deficiência de um ou mais aminoácidos essenciais pode levar à subestimação da exigência do aminoácido que está sendo determinado.

Conclusões

A exigência de metionina + cistina digestíveis para suínos machos castrados, mantidos em ambiente termoneutro dos 30 aos 60 kg, é de 0,549%, correspondente à relação de metionina + cistina digestíveis:lisina digestível de 66%.

Literatura Citada

Recebido em: 12/02/04

Aceito em: 06/04/05

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    13 Set 2005
  • Data do Fascículo
    Jun 2005

Histórico

  • Aceito
    06 Abr 2005
  • Recebido
    12 Fev 2004
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