Accessibility / Report Error

Estudo da qualidade de vida em indivíduos com paralisia facial periférica crônica adquirida

Study on quality of life in subjects with acquired chronic peripheral facial palsy

Rayné Moreira Melo Santos Zelita Caldeira Ferreira Guedes Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO: analisar a qualidade de vida em indivíduos com paralisia facial periférica crônica adquirida. MÉTODO: foram selecionados, por meio de triagem, 12 indivíduos com paralisia facial periférica adquirida na fase de sequela, com etiologias de paralisia facial de Bell e Schwannoma após exérese. Foi verificado o grau da paralisia facial periférica adquirida de acordo com House & Brackmann9, além de ter sido realizada entrevista com perguntas fechadas, para verificar se havia interferência da paralisia facial na convivência social de cada indivíduo. O tipo de estudo foi transversal e, os testes utilizados foram o não-paramétrico de Mann-Whitney e o teste exato de Fisher, com o nível de significância de 5%. RESULTADOS: os graus da paralisia facial foram divididos da seguinte forma: I-II (Normal a Disfunção leve), III-IV (Disfunção moderada a moderadamente severa) e V-VI (Disfunção severa a paralisia total). Nas respostas quanto ao prejuízo nas atividades profissionais e pessoais, indivíduos com face normal a disfunção leve por paralisia facial de Bell responderam não ter prejuízo para suas atividades; na disfunção moderada a moderadamente severa todos responderam muito prejuízo e na disfunção severa a paralisia total, um indivíduo respondeu muito prejuízo. Na paralisia facial por Schwannoma no grupo classificado como disfunção leve, todos responderam nenhum prejuízo e na disfunção severa à paralisia total, um indivíduo respondeu muito prejuízo para tais atividades. CONCLUSÃO: a paralisia facial periférica crônica adquirida interferiu na qualidade de vida dos indivíduos com graus considerados mais graves.

Qualidade de Vida; Paralisia Facial; Paralisia de Bell; Expressão Facial; Impacto Psicossocial


PURPOSE: to analyze quality of life in subjects with acquired chronic peripheral facial palsy. METHOD: 12 subjects with acquired facial palsy were selected through screening during the sequel, with etiologies of Bell and acoustic schwannoma after resection. The degree of acquired facial palsy was verified, as well as a closed questions interview about complaints with the facial movement was carried out, in order to check if there was interference from facial palsy in the social life of each subject. This was a cross-sectional study. Non-parametric Mann-Whitney and Fisher’s exact test, with significance level of 5%, were used in order to analyze the data. RESULTS: the degree of facial palsy were divided as it follows: I-II (Normal to mild dysfunction), III-IV (moderate to moderately severe dysfunction) and V-VI (complete palsy severe dysfunction), according to House & Brackmann. In the answers about difficulties in professional and personal activities, Bell’s palsy individuals with normal to mild dysfunction have no complaints, in moderate to moderately severe dysfunction all answered very severe complaints and in an individual with complete palsy reported a lot of complaints. In the acoustic Schwannoma individuals, in the group classified as mild dysfunction, all answered no damage complaints, while among those with severe to complete palsy, one individual reported a lot of complaints in professional and personal activities. CONCLUSION: the acquired chronic peripheral facial palsy interfered with quality of life in subjects with more severe degrees of palsy.

Quality of Life; Facial Palsy; Bell Palsy; Facial Expression; Psychosocial Impact


  • 1
    Brach JS, VanSwearingen JM, Lenert J, Johnson PC. Facial neuromuscular retraining for oral synkinesis. Plast Reconstr Surg. 1997;99(7):1922-31; discussion 1932-3. Comment in: Plast Reconstr Surg. 1998;101(2):554-5. Plast Reconstr Surg. 2003;111(7):2370-5.
  • 2
    Coulson SE, O’dwyer NJ, Adams RD, Croxson GR. Expression of emotion and quality of life after facial nerve paralysis. Otol Neurotol. 2004;25(6):1014-9.
  • 3
    Organización Mundial de la Salud. Promoción de la salud. Glosario. Genebra: OMS; 1998. p. 1-35.
  • 4
    Lazarini PR, Fernandes AMF. Anatomia do nervo facial. In: Lazarini PR, Fouquet ML. Paralisia facial: Avaliação, tratamento e reabilitação. São Paulo: Lovise; 2006. p. 1-10.
  • 5
    Guedes ZCF. Reabilitação fonoaudiológica nas paralisias faciais congênitas. In: Lazarini PR, Fouquet ML. Paralisia facial: Avaliação, tratamento e reabilitação. São Paulo: Lovise; 2006. p. 169-72.
  • 6
    Lazarini PR, Fernandes AMF, Brasileiro VSB, Custódio SEV. Paralisia facial periférica por comprometimento do tronco cerebral – A propósito de um caso clínico. Rev Bras Otorrinolaringol. 2002 Mai; 68 (1): 140-4.
  • 7
    Calais LL, Gomez MVSG, Bento RF, Comerlatti LR. Avaliação funcional da mímica na paralisia facial central por acidente cerebrovascular. Pró-Fono R. Atual. Cient. 2005 Mai/ Ago; 17 (2): 213-22.
  • 8
    Veronezi RJB. Análise tardia do grau de paralisia facial em pacientes operados de schwannoma vestibular [disserta¬ção]. São Paulo: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas; 2006.
  • 9
    House JW, Brackmann DE. Facial nerve grading system. Otolaryngol Head Neck Surg. 1985; 93(2):146-7.
  • 10
    Freitas KCS, Goffi Gómez MV. Grau de percepção e incômodo quanto à condição facial em indivíduos com paralisia facial periférica na fase de sequelas. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2008 Jun; 13 (2): 113-8.
  • 11
    Bauso D. Parálisis facial idiopática o parálisis de Bell. Evid Act Pract Ambul. 2006 Febr; 9(1): 22-5.
  • 12
    Tessitore A, Pfeilsticker LN, Paschoal JR. Aspectos neurofisiológicos da musculatura facial visando a reabilitação na paralisia facial. Rev Cefac. 2008 Jan/ Mar; 10 (1): 68-75.
  • 13
    Beursken CH, Heymans PG. Physiotherapy in patients with facial nerve paresis: Description of outcomes. American Journal of Otolaryngology. 2004. Nov/ Dec; 25 (6): 394-400.
  • 14
    Garanhani MR, Cardos JR, Capelli AMG, Ribeiro MC. Fisioterapia na paralisia facial periférica: estudo retrospectivo. Rev Bras Otorrinolaringol. 2007 Jan/ Fev; 73 (1): 112-5.
  • 15
    Niv D, Kreitler S. Pain and quality of life. Pain. 2001; 1(3): 150-61.
  • 16
    Skevington S. Advancing cross-cultural research on quality of life: Observations drawn from the WHOQOL development. 2002; 11: 135-44.
  • 17
    Duarte PS, Miyazaki MCOS, Ciconelli RM, Sesso R. Tradução e adaptação cultural do instrumento de avaliação de qualidade de vida para pacientes renais crônicos (KDQOL-SF TM). Rev Assoc Med Bras. 2003;49(4):375-81.
  • 18
    Cruz KCT. Avaliação da capacidade funcional e da qualidade de vida em indivíduos com acidente vascular encefálico com igual maior ou igual a 55 anos [disserta¬ção].São Paulo: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas; 2004.
  • 19
    Castro M, Caiuby AVS, Draibe AS, Canziani MEF. Qualidade de vida de pacientes com insuficiência renal crônica em hemodiálise avaliada através do instrumento genérico SF-36. Rev Assoc Med Bras. 2003 Jul/ Set; 49 (3): 245-9.
  • 20
    Aguiar CCT, Vieira APGF, Carvalho AF, Montenegro RMJ. Instrumentos de avaliação de qualidade de vida relacionada à saúde no diabetes melito. Arq Bras Endocrinol Metab. 2008 Ago 52 (6): 931-9.
  • 21
    Silva ECCF, Testa JRG, Fukuda Y. Achados fonoaudiológicos em pacientes submetidos a anastomose hipoglosso facial. Rev Bras Otorrinolaringol. 2003 Mai/ Jun; 69 (3): 377-84.
  • 22
    Kanzaki J, Tos M, Sanna M, Moffat DA. New and modified reporting systems from the consensus meeting on systems for reporting results in vestibular schwannoma. Otol Neurotol. 2003;24:642-8.
  • 23
    Quintal M, Tessitore A, Paschoal Jr, Pfeilsticker lN. Quantificação da paralisia facial com paquímetro digital. Rev CEFAC. 2004 Abr/ Jun; 6 (2): 170-6.
  • 24
    VanSwearingen JM, Brach JS. The facial disability index: reliability and validity of a disability assessment instrument for disorders of the facial neuromuscular system Physical Therapy. 1996 Dec; 76 (12):1288-313.
  • 25
    Bento RF, Neto RVB. Tratamento das paralisias faciais – presente e futuro. In: Lavinski L (Org.). Tratamento em Otologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. p. 709-15.
  • 26
    Bernardes DFF, Goffi Gomez MVS, Bento RF. Eletromiografia de superfície em pacientes portadores de paralisia facial periférica. Rev Cefac. 2010 Jan/Fev; 12 (1): 91-6.
  • 27
    Latorre EIP, Pérez OGR, Undargaraím LO, Pasin NA. Parálisis facial periférica a frígori. Terapia acupuntural. Archivo Médico De Camaguey. 2004; 8(2): 25-32.
  • 28
    Kasse CA, Cruz OLM, Leonhardt FD, Testa JRG, Ferri R, Viertler EY. Valor prognóstico de dados clínicos em paralisia de Bell. Rev Bras Otorrinolaringol. 2005 Jul/ Ago; 71 (4): 454-8.
  • 29
    Valença MM, Valença LPA, Lima MCM. Paralisia facial periférica idiopática de Bell: a propósito de 180 pacientes. Arq Neuro-Psiquiatr. 2001 set; 59 (3): 778-83.
  • 30
    Rondon H. Parálisis Facial Periférica. Rev Med Clin Condes. 2009; 20(4): 528-35.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Mar 2012
  • Data do Fascículo
    Ago 2012

Histórico

  • Recebido
    24 Maio 2001
  • Aceito
    17 Set 2011
ABRAMO Associação Brasileira de Motricidade Orofacial Rua Uruguaiana, 516, Cep 13026-001 Campinas SP Brasil, Tel.: +55 19 3254-0342 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revistacefac@cefac.br