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Opinião dos médicos das Unidades de Terapia Intensiva do Complexo Hospital das Clínicas sobre a ortotanásia

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A medicina atual vive um momento de busca de sensato equilíbrio na relação médico-paciente. Contrariamente ao que se observava poucos anos atrás, onde o paciente era, na estrita concepção da palavra, um paciente, ou seja, aquele que só obedece sem questionar, hoje ele é considerado um agente autônomo, que participa ativamente decidindo sobre ele mesmo. Ao mesmo tempo, a medicina incorporou técnicas, medicamentos e procedimentos que podem, por si só, manter a vida do paciente quase que indefinidamente, mesmo que esta seja totalmente vegetativa. O objetivo deste estudo foi avaliar o impacto da resolução CFM 1.805/2006 na opinião dos médicos que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Complexo Hospital das Clínicas. MÉTODO: Após aprovação pela Comissão de Ética em Pesquisa da Instituição foram entrevistados 100 médicos que exercem atividade nas unidades de terapia intensiva do Complexo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo no ano de 2007, sendo 41 médicos assistentes e 59 residentes. RESULTADOS: Todos os entrevistados foram favoráveis à ortotanásia, 67% consideraram a resolução como ideal e 26% como adequada, tendo apenas uma minoria de 7% considerando-a inadequada. Dos médicos entrevistados, 93% já pensaram na possibilidade de colocar a ortotanásia em prática. CONCLUSÃO: A maioria dos médicos foi favorável à prática da ortotanásia, princípio que visa diminuir o sofrimento do paciente e de seus familiares, desde que respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal, devidamente fundamentada e registrada no prontuário e que o paciente continue a receber todos os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, sendo assegurada a assistência integral, o conforto físico, psíquico, social e espiritual, e o direito a alta hospitalar.

Eutanásia; Morte; Paciente terminal; Ortotanásia


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