A constituição histórica do campo psicológico em sua dispersão

Aline Gabriela Simon Ana Luiza de Britto Silva Felipe Alves Fonseca Paula Rego-Monteiro Marques Vieira Sara Costa Cabral Mululo Paulo Cardoso Ferreira Pontes Arthur Arruda Leal Ferreira Sobre os autores

EVENTOS

A constituição histórica do campo psicológico em sua dispersão* * Este trabalho foi apresentado no IV CONPSI (Congresso Norte-Nordeste) em maio de 2005 – Salvador-Bahia.

Aline Gabriela SimonI; Ana Luiza de Britto SilvaI; Felipe Alves FonsecaI; Paula Rego-Monteiro Marques VieiraI; Sara Costa Cabral MululoI; Paulo Cardoso Ferreira PontesI; Arthur Arruda Leal FerreiraII

IGraduandos do Instituto de Psicologia da UFRJ

IIProfessor do Instituto de Psicologia da UFRJ, Doutor em Psicologia Clínica pela PUC-SP, pesquisador financiado pela FAPERJ e FUJB (UFRJ), orientador do trabalho. Residente na Rua do Riachuelo 169/405. Centro - Rio de Janeiro - RJ. CEP: 20.230-014. E-mail: arleal@superig.com.br

INTRODUÇÃO: Duas questões podem ser colocadas quando se busca demarcar a história da Psicologia: Qual seria sua origem histórica? Em que período ela se constituiria como saber? Historiadores clássicos, vão privilegiar uma constituição remota da Psicologia, no século XIX, onde sua história se confundiria com a própria história do pensamento ocidental. Uma outra perspectiva pensa a Psicologia, irrompendo desde o século XVI, a partir de múltiplas raízes entrelaçadas de experiências, que levariam à busca de uma natureza na interioridade e na individualidade humanas.

OBJETIVOS: O objetivo deste trabalho é tentar compreender a dispersão presente no campo psicológico, explicando porque orientações e práticas tão diversas se sustentam, seja através de um conjunto de práticas sociais, seja através das transformações no campo dos saberes modernos.

METODOLOGIA: Utilizamos para isto a análise de fontes primárias (textos clássicos da psicologia) e secundárias (autores que entendem a psicologia a partir de um conjunto de experiências e práticas sociais).

RESULTADOS: Entendemos, portanto, que a psicologia teria surgido de várias orientações e experiências diversificadas, que, reordenadas, formariam o mosaico que constitui o campo psicológico. Estas experiências foram tomadas aqui a partir de dois eixos principais: 1) A experiência que constitui uma região de interioridade nos indivíduos, existente desde as práticas de confissão cristãs, e que a partir do século XIXpassa a ser fundamentada por um transcendental incognoscível. A psicologia passaria a estabelecer uma relação entre o sujeito empírico (nossas experiências conscientes) e um sujeito transcendental (conceitos emprestados de outros saberes). Ora partindo das experiências à uma explicação transcendental, ora chegando à experiência consciente através de um conceito de outro saber; 2) A experiência de individualização, que constrói, no século XVI, um indivíduo autônomo, sendo fonte contratual dos Estados modernos; e um indivíduo enquanto objeto disciplinado, sendo alvo do cuidado dos Estados contemporâneos. Esta experiência marcaria toda a prática psicológica, oscilando entre a busca da autonomia e do controle de seus sujeitos. Outras experiências modernas, estariam articuladas à construção de um espaço de interioridade e de uma individualidade nos sujeitos. Seriam experiências variadas, como a que se opera entre corpo e mente (sugerida por Descartes e discutida pela psicologia do século XVIII), Razão e Loucura (descrita por Foucault em A História da Loucura), idade adulta e infância (desenvolvida por Philippe Áries, na História Social da Criança e da Família), e domínio público e privado (Norbert Elias, O processo civilizador). Uma última questão merece ser colocada: como se dá a cientifização destas experiências? Para Foucault em As Palavras e as Coisas, foram necessárias para isto, uma série de transformações no conhecimento que possibilitaram o surgimento de uma ciência do homem no século XIX. O homem como ser empírico é descortinado como objeto natural pelas ciências empíricas e reduplicado em sujeito como fundamento pelas filosofias antropológicas, e a psicologia surgiria do cruzamento destes movimentos.

CONCLUSÃO: Seriam, então, estas hibridações entre os conceitos científicos, os conceitos filosóficos e as práticas sociais descritas, que possibilitaram a constituição do campo fragmentado da psicologia.

Palavras-chave: História da Psicologia, Práticas Sociais, Filosofia da Psicologia.

Agências Financiadoras: FAPERJ e FUJB.

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    Este trabalho foi apresentado no IV CONPSI (Congresso Norte-Nordeste) em maio de 2005 – Salvador-Bahia.
  • * Este trabalho foi apresentado no IV CONPSI (Congresso Norte-Nordeste) em maio de 2005 – Salvador-Bahia.

    Datas de Publicação

    • Publicação nesta coleção
      02 Jan 2008
    • Data do Fascículo
      2007
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