Rastreio da sarcopenia em idosos na atenção primária à saúde: saberes e práticas do enfermeiro

Rutielle Ferreira Silva Maria do Livramento Fortes Figueiredo Juan José Tirado Darder Ana Maria Ribeiro dos Santos Maria Antonieta Rubio Tyrrell Sobre os autores

ABSTRACT

Objective:

Describe the knowledge and practices of the Primary Health Care nurse on sarcopenia screening in the elderly.

Methods:

Qualitative study conducted with 24 Primary Health Care nurses. The data was collected through semi-structured interviews, recorded and later transcribed. The speeches were grouped in thematic categories, later analyzed, supported by Paulo Freire’s reference.

Results:

The findings showed that the primary care nurses’ knowledge of sarcopenia screening in the elderly was incipient and fragile. This reality is reflected in a gap in practice, although some instruments already require the registration of characteristics indicative of sarcopenia, such as the evaluation of the calf circumference.

Final Considerations:

The need to train nurses to perform sarcopenia screening and to implement a promotional and preventive care plan, which will result in improving the quality of life of the elderly assisted in Primary Care, was highlighted.

Descriptors:
Sarcopenia; Elderly; Geriatric Nursing; Primary Health Care; Mass Screening

RESUMEN

Objetivo:

Describir saberes y prácticas del enfermero en la Atención Primaria de Salud sobre la detección de sarcopenia en ancianos.

Métodos:

Estudio cualitativo realizado con 24 enfermeros en la Atención Primaria de Salud. Los datos cogidos mediante entrevistas semiestructuradas, grabadas y posteriormente transcritas. Deposiciones agrupadas en categorías temáticas, posteriormente analizadas, apoyadas en Paulo Freire.

Resultados:

Hallados evidenciaron que saberes de enfermeros en la Atención Primaria referentes a la detección de sarcopenia en ancianos mostraron incipientes y débiles. Esa realidad refleja una laguna en la práctica, aunque algunos instrumentos ya habían el registro de características indicativas de sarcopenia, como la evaluación de la circunferencia de las pantorrillas.

Consideraciones finales:

Evidenció la necesidad de capacitación de los enfermeros para la efectuación de la detección de sarcopenia e implementación de un plan de cuidados promocionales y preventivos, que resultará en mejoría de calidad de vida a los ancianos asistidos en la Atención Primaria.

Descriptores:
Sarcopenia; Anciano; Enfermería Geriátrica; Atención Primaria de Salud; Tamizaje Masivo

RESUMO

Objetivo:

Descrever os saberes e as práticas do enfermeiro da Atenção Primária à Saúde sobre o rastreio da sarcopenia em idosos.

Métodos:

Estudo qualitativo realizado com 24 enfermeiros da Atenção Primária à Saúde. Os dados foram coletados mediante entrevistas semiestruturadas, gravadas e posteriormente transcritas. As falas foram agrupadas em categorias temáticas, posteriormente analisadas, apoiadas no referencial de Paulo Freire.

Resultados:

Os achados evidenciaram que os saberes dos enfermeiros da Atenção Primária referentes ao rastreio da sarcopenia em idosos mostraram-se incipientes e frágeis. Essa realidade reflete-se em uma lacuna na prática, embora alguns instrumentos já exijam o registro de características indicativas da sarcopenia, como a avaliação da circunferência da panturrilha.

Considerações Finais:

Evidenciou-se a necessidade de capacitação dos enfermeiros para a efetivação do rastreio da sarcopenia e implementação de um plano de cuidados promocionais e preventivos, que resultará na melhoria da qualidade de vida dos idosos assistidos na Atenção Primária.

Descritores:
Sarcopenia; Idoso; Enfermagem Geriátrica; Atenção Primária à Saúde; Programas de Rastreio

INTRODUÇÃO

No Brasil, a transição da pirâmide etária tem ocorrido de forma acelerada em comparação a países desenvolvidos. Observa-se, no país, crescimento da participação relativa da população acima de 60 anos, que, em 2005, era de 9,8%, passou a ser de 14,3% em 2015 e chegará a 23,5% em 2039(11 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Coordenação de População e Indicadores Sociais. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira [Internet]. Rio de Janeiro: IBGE, 2016[2018 May 10]. Available from: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101629.pdf
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza...
). Estima-se que, em 2030, a expectativa de vida média do brasileiro seja de 79 anos(22 United Nations. World population aging 2017: highlights [Internet]. New York: United Nations, 2017[2018 May 10]. Available from: https://www.un.org/en/development/desa/population/publications/pdf/ageing/WPA2017_Highlights.pdf
https://www.un.org/en/development/desa/p...
).

O aumento da expectativa de vida vem acompanhado de mudanças no perfil de saúde da população, em que as doenças crônico-degenerativas e as incapacidades funcionais sobressaem-se. Dentre as doenças que se instalam em decorrência do processo de envelhecimento e que são responsáveis por incapacidade e dependência, destaca-se a sarcopenia, uma doença musculoesquelética, progressiva e generalizada, que repercute nas habilidades funcionais do idoso, ou seja, na capacidade dele de desempenhar suas Atividades de Vida Diária (AVD)(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
).

A população idosa é a mais susceptível às alterações resultantes da doença, uma vez que, com o envelhecimento, há um declínio gradual da força e da massa muscular, que implicará a elevação do risco de quedas e fraturas, redução da qualidade de vida e aumento da mortalidade. A presença da sarcopenia aumenta o tempo de internação, e os custos dos cuidados de saúde são significativamente mais elevados para as pessoas com sarcopenia em comparação com os indivíduos sem a doença(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...

4 Bruyère O, Beaudart C, Ethgen O, Reginster JY, Locquet M. The health economics burden of sarcopenia: a systematic review. Maturitas. 2019;119:61-69. doi: 10.1016/j.maturitas.2018.11.003
https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2018...

5 Cawthon PM, Lui LY, McCulloch CE, Cauley JA, Paudel ML, Taylor B, et al. Sarcopenia and Health Care Utilization in Older Women. J Gerontol. 2017;72(1):95-101. doi: 10.1093/gerona/glw118
https://doi.org/10.1093/gerona/glw118...
-66 Larsson L, Degens H, Li M, Salviati L, Lee YI, Thompson W, Kirkland JL, et al. Sarcopenia: Aging-Related Loss of Muscle Mass and Function. Physiologic Rev. 2019;99(1):427-511. doi: 10.1152/physrev.00061.2017
https://doi.org/10.1152/physrev.00061.20...
).

Ela é considerada uma doença geriátrica de alta prevalência e de difícil diagnóstico, tendo relação com o envelhecimento, presença de doenças crônicas, déficits nutricionais e estilo de vida(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
). Demonstrase que, na população brasileira, a prevalência da doença é de 17% no sexo feminino e 28,8% no masculino(77 Confortin SC, Ono LM, Barbosa AR, D’Orsi E. Sarcopenia e sua associação com mudanças nos fatores socioeconômicos, comportamentais e de saúde: Estudo EpiFloripa Idoso. Cad Saúde Pública. 2018;34(12):e00164917. doi: 10.1590/0102-311x00164917
https://doi.org/10.1590/0102-311x0016491...
). Em pesquisa realizada com 219 idosos institucionalizados, a prevalência da sarcopenia foi de 32% para aqueles com boas condições físicas e cognitivas e de 63,2% para os idosos independentemente de sua capacidade física e/ou cognitiva(88 Oliveira Neto L, Agrícola PMD, Andrade FLJP, Oliveira LP, Lima KC. Qual o impacto do Consenso Europeu no diagnóstico e prevalência de sarcopenia em idosos institucionalizados? Rev Bras Geriatr Gerontol [Internet]. 2017 [2018 May 20];20(6):755-64. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v20n6/pt_1809-9823-rbgg-20-06-00754.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v20n6/pt_1...
).

A sarcopenia atinge aproximadamente 14% dos indivíduos com 60 anos ou mais; cerca de 1 em cada 10 idosos encontram-se em risco para desenvolvê-la, no chamado estágio pré-clínico(99 Barbosa-Silva TG, Menezes AMB, Bielemann RM, Malmstrom TK, Gonzalez MC. Enhancing Sarc-f: improving sarcopenia screening in the clinical practice. JAMDA. 2016;17(12):1136-1141. doi: 10.1016/j.jamda.2016.08.004
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2016.08....
). Enfatiza-se que a prevalência da doença continuará a crescer à medida que a proporção de idosos eleva-se; e, por ser uma condição clínica silenciosa, é crucial que seu desenvolvimento seja prevenido(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
,1010 Ethgen O, Beaudart C, Buckinx F, Bruyère O, Reginster JY. The Future Prevalence of Sarcopenia in Europe: A Claim for Public Health Action. Calcif tissue int. 2017;100(3):229-234. doi: https://doi.org/10.1007/s00223-016-0220-9
https://doi.org/10.1007/s00223-016-0220-...
-1111 Zanker J, Scott D, Reijnierse EM, Brennan-Olsen SL, Daly RM, Girgis CM, et al. Establishing an operational definition of sarcopenia in Australia and New Zealand: Delphi Method based consensus statement. J Nutr Health Aging. 2018;23(1):105-10. doi: 10.1007/s12603-018-1113-6
https://doi.org/10.1007/s12603-018-1113-...
). Nessa perspectiva, os enfermeiros que atuam na Atenção Primária têm um papel fundamental na implementação de ações promocionais, preventivas e de rastreio da doença.

Recomenda-se a utilização do questionário SARC-F como método de triagem da sarcopenia, quando relatado pelo usuário sinais e sintomas de queda, sensação de fraqueza, velocidade da marcha lenta, dificuldade de levantar-se de uma cadeira, perda de peso ou de massa muscular(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
,99 Barbosa-Silva TG, Menezes AMB, Bielemann RM, Malmstrom TK, Gonzalez MC. Enhancing Sarc-f: improving sarcopenia screening in the clinical practice. JAMDA. 2016;17(12):1136-1141. doi: 10.1016/j.jamda.2016.08.004
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2016.08....
,1212 Dent E, Morley JE, Vellas B. International clinical practie gidelines for sarcopenia (ICFSR):screening, diagnosis and menagement. J Nutr Health Aging. 2018;22(10):1148-61. doi: 10.1007/s12603-018-1139-9
https://doi.org/10.1007/s12603-018-1139-...
). Outro método disponível para tal proposito é a avaliação da Circunferência da Panturrilha (CP), uma ferramenta que, de acordo com o protocolo da European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP), deverá ser utilizada apenas em situações em que não esteja disponível o instrumento de rastreio padrão(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
).

O rastreio adequado da sarcopenia possibilitará a esse profissional planejar as intervenções de forma a minimizar os resultados adversos à saúde da pessoa idosa e, consequentemente, propiciará a redução dos custos aos serviços de saúde, promovendo sobretudo um envelhecimento bem-sucedido(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
,1212 Dent E, Morley JE, Vellas B. International clinical practie gidelines for sarcopenia (ICFSR):screening, diagnosis and menagement. J Nutr Health Aging. 2018;22(10):1148-61. doi: 10.1007/s12603-018-1139-9
https://doi.org/10.1007/s12603-018-1139-...

13 Filippin LI. Rastreamento de sarcopenia na Atenção Primária em saúde: será uma utopia? Rev Inspirar - Mov Saúde [Internet]. 2015 [2019 Aug 15];35(7):3-5. Available from: https://www.inspirar.com.br/wp-content/uploads/2015/10/rastreamento-artigo1_enviar_ed35_jul-ago-set-2015.pdf
https://www.inspirar.com.br/wp-content/u...

14 Rubio J, Gracia MS. Ejercicios de resistencia en el tratamiento y prevención de la sarcopenia en ancianos: revisión sistemática. Gerokomos [Internet]. 2018 [2019 Nov 8];29(3):133-7. Available from: http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3/1134-928X-geroko-29-03-00133.pdf
http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3...

15 Rendón R, Osuna IA. El papel de la nutrición en la prevención y manejo de la sarcopenia en el adulto mayor. Nutr Clin Med [Internet]. 2018 [2018 Jul 28];12(1):23-36. Available from: http://www.nutricionclinicaenmedicina.com/index.php/19-revista/149-5060
http://www.nutricionclinicaenmedicina.co...

16 Yoshimura Y, Wakabayashi H, Yamada M, Kim H, Harada A, Arai H. Interventions for Treating Sarcopenia: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Studies. JAMDA. 2017;18(6):1-16. doi: 10.1016/j.jamda.2017.03.019
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2017.03....
-1717 Salvà A, Serra-Rexach JA, Artaz I, Formiga F, Luque XR, Cuesta F et al. La prevalencia de sarcopenia en residencias de Espana: comparación de los resultados del estudio multicéntrico ELLI con otras poblaciones. Rev Esp Geriatr Gerontol. 2016;51(5):260-264. doi: 10.1016/j.regg.2016.02.004
https://doi.org/10.1016/j.regg.2016.02.0...
).

Apesar de ser uma doença geriátrica descrita há mais de duas décadas, ainda existem lacunas em relação a ela, principalmente, no tocante à prática desenvolvida pelo enfermeiro quanto ao rastreio. Torna-se imperativa a sensibilização desses profissionais e dos gestores sobre a importância da prevenção, do rastreio e da vigilância constante no que se refere à doença, como pré-requisitos para a melhoria da qualidade de vida do idoso.

OBJETIVO

Descrever os saberes e as práticas do enfermeiro da Atenção Primária à Saúde sobre o rastreio da sarcopenia em idosos.

MÉTODOS

Aspectos éticos

A pesquisa teve início após aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, conforme princípios descritos na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional em Saúde(1818 Ministério da Saúde (BR). Resolução Nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2012[2018 Jul 28]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html.
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegi...
). A participação na pesquisa foi consentida pelos participantes mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Referencial teórico-metodológico

O estudo fundamenta-se na Teoria Dialética de Paulo Freire(1919 Freire P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz & Terra; 2011. 144 p.-2020 Freire P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz & Terra ; 2013. 256 p.), a qual se baseia no caráter dialógico e problematizador das relações e da conscientização do homem, que se encontra em permanente processo de aprendizagem. Com base no diálogo libertador de Freire, foi possível estabelecer uma comunicação, uma relação de reciprocidade e respeito com os participantes do estudo, permitindo, assim, buscar no universo de trabalho dos enfermeiros os saberes e as práticas dispensadas no rastreio da sarcopenia na perspectiva de transformação da realidade em que estão inseridos.

Tipo de estudo

Estudo descritivo de abordagem qualitativa. Optou-se por esse método por apresentar o universo dos significados, trabalhando com uma realidade que não pode ser quantificada. Isso coaduna com a proposta metodológica utilizada no estudo, que visa tanto conhecer os saberes e as práticas das pessoas inseridos em um contexto social, histórico e cultural quanto os efeitos de sentido produzidos(2121 Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec; 2014. 408 p.). Utilizou-se o checklist Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ) para orientar no desenvolvimento da pesquisa.

Procedimentos metodológicos

Cenário da pesquisa

O estudo foi realizado na área de abrangência das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da Secretária Municipal de Saúde da cidade de Timon, Município do estado do Maranhão, localizado na Região Nordeste, Brasil. O município conta com 38 UBSs na zona urbana, onde estão inseridas 47 equipes da Estratégia Saúde da Família.

Fonte de dados

Participaram do estudo enfermeiros atuantes nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) da zona urbana do município-cenário do estudo. O quantitativo de enfermeiros no referido município é de 57 profissionais, sendo 47 lotados na zona urbana. Os participantes foram selecionados de acordo com o interesse e disponibilidade em participar da pesquisa. Não houve delimitação temporal do vínculo de trabalho dos enfermeiros, tendo em vista que, no período da coleta de dados, 50% do quantitativo de profissionais haviam sido substituídos.

Foram excluídos aqueles que atuavam exclusivamente em atividades administrativas, bem como os que se encontravam de férias ou em licença no período da produção de dados. Portanto, dos 47 enfermeiros da zona urbana, 3 estavam de licença, 17 não aceitaram participar, e três equipes estavam sem enfermeiros. Assim, compuseram a amostra do estudo 24 enfermeiros.

Coleta e organização dos dados

O processo de coleta dos dados ocorreu nos meses de maio a julho de 2019. O roteiro semiestruturado, utilizado nas entrevistas, foi elaborado pelos pesquisadores e apresentou as seguintes perguntas abertas para nortear as entrevistas: O que você entende por sarcopenia? Quais práticas você desenvolve na ESF em relação ao rastreio da sarcopenia em idosos? Você utiliza algum algoritmo/protocolo/fluxograma para avaliação da massa muscular, força muscular ou resistência da pessoa idosa? Com que frequência é realizada a aferição da panturrilha do idoso? E quando aferida, é anotada na caderneta do idoso? Com a finalidade de aperfeiçoar o roteiro, foi realizado um pré-teste com cinco enfermeiros — o pré-teste na pesquisa qualitativa consiste na realização de entrevistas com alguns participantes. Isso contribuiu para tornar mais clara e precisa a lista de temas e aspectos a serem abordados durante o trabalho em campo(2121 Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec; 2014. 408 p.).

No primeiro momento, os participantes receberam o convite, que explicava a finalidade da pesquisa, os benefícios esperados e o destino dos depoimentos fornecidos. Após o convite ter sido confirmado, o investigador principal agendou o dia e o horário da entrevista, conforme a disponibilidade de cada profissional. As entrevistas foram realizadas individualmente, no local de atuação dos participantes, e tiveram duração aproximada de 20 a 30 minutos. Os depoimentos foram registrados em gravador digital e posteriormente transcritos no programa Microsoft Word 2016. O anonimato dos profissionais foi preservado pelo uso da letra “E”, seguida do numeral cardinal referente à sequência das entrevistas.

Análise dos dados

A sistematização e a análise dos dados foram realizadas com base na operacionalização da análise temática(2020 Freire P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz & Terra ; 2013. 256 p.). Inicialmente, realizou-se uma leitura criteriosa dos depoimentos transcritos, de modo a identificar os núcleos de sentido das falas dos participantes que compõem a comunicação cuja frequência ou presença tenha significado para o objeto analítico visado. Em seguida, os dados foram tratados de maneira a serem significativos e válidos, sendo realizada a interação e interpretação à luz do referencial atual pertinente ao tema, com o intuito de levantar discussões e de retirar a veracidade dos dados obtidos na pesquisa.

RESULTADOS

Os participantes foram, em sua maioria, do sexo feminino (n = 21), com idade entre 23 e 44 anos, enquanto o tempo de formação variou de 5 meses a 15 anos. Evidencia-se que 23 entrevistados nunca participaram de capacitação na área de gerontologia.

Os depoimentos dos participantes do estudo mostraram duas tendências sobre a problemática: alguns desconhecem conceitualmente a sarcopenia em idosos, inclusive na sua atuação na prática profissional; e outros conhecem a sarcopenia embora de forma frágil e incipiente.

Na primeira tendência, é possível constatar que os entrevistados justificam de diversas formas não ter conhecimento acerca da definição da sarcopenia: afirmam não saber, não ter visto na graduação — e outro participante tratou de significá-la por meio da análise morfológica da palavra “sarcopenia”, como demonstram as falas a seguir:

Na verdade, não tenho conhecimento sobre. (E4)

[...] eu ainda não conhecia, na minha graduação foi pouco falado na saúde do idoso. (E1)

[...] quando a gente tem a terminação “-penia” geralmente quer dizer a diminuição, e “sarco-” tem a ver com as células musculares, então deve ser alguma perda, diminuição algo do tipo. (E2)

Nessa mesma tendência, percebe-se que os participantes detinham algumas formas de conhecimento em relação à sarcopenia, embora se constate que os saberes são frágeis, empíricos, incompletos e efêmeros, o que acarreta falhas no processo de rastreio da doença, como se registra nas falas abaixo:

Eu entendo assim, que quando a pessoa já tá na terceira idade ela vai diminuindo as forças, tudo nela vai ficando mais frágil. E a sarcopenia significa uma fraqueza na musculatura do idoso e muitas vezes a gente não percebe. (E16)

É só uma questão de fraqueza muscular nos idosos, por conta da sarcopenia os idosos podem ter bastante quedas [...]. (E18)

É alguma coisa em relação ao desgaste muscular do idoso. (E13)

Sarcopenia é só a perda da força muscular no idoso. (E9)

Os profissionais demonstram divergências de saberes referentes a sarcopenia. Tal conceito foi concebido tanto de maneira deturpada como de modo ausente. Porém, alguns saberes mostraram-se congruentes com sua real definição e aplicabilidade à condição humana do idoso, conforme demonstrado nas falas:

É a perda da força muscular. O idoso ele perde a massa muscular e com isso vai perder a força. (E8)

Sarcopenia é a perda de força ou massa muscular nos idosos, aí isso acarreta a questão da dependência [...]. (E14)

Demonstra-se, pela análise dos depoimentos, que as fragilidades nos saberes dos enfermeiros, acerca da definição da sarcopenia, refletem-se no desconhecimento das práticas, algoritmos e protocolos destinados ao rastreio da doença, como mostram os discursos a seguir:

[...] essa prática a gente não desenvolve [...] por falta realmente de conhecimento. (E1٩)

Não, pois não sei como fazer essa prática. (E5)

Não sei te dizer nenhuma forma de rastreio. (E21)

Que eu conheça aqui, não tem nenhum, nenhuma escala assim pra avaliar. (E11)

Em relação especificamente à prática da aferição da CP como método de rastreio da sarcopenia, os discursos dos enfermeiros evidenciam a não utilização dessa avaliação, ainda que ela conste na Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa (CSPI). Os motivos são diversos: desde o desconhecimento de tal medida, por não saberem como realizá-la, até a priorização de outros problemas crônicos de que padecem os idosos. Dessa forma, também se registra que as práticas voltadas ao idoso são assistemáticas e fragmentadas, desvinculando-se dos protocolos e políticas direcionadas à pessoa idosa e ao rastreio da sarcopenia, como constatado nas falas:

Não verifico, como é uma questão pouco abrangente e na Atenção Básica a gente cuida mais voltado pra prevenção da diabetes e hipertensão. (E24)

Eu não faço esse tipo de avaliação, normalmente eu faço o acompanhamento do idoso, do hipertenso, do diabético [...]. (E3)

Nunca, nem aqui e nem na academia. Eu só conheço a cadernetinha do HIPERDIA [...]. (E7).

Na verdade, a gente só tem mesmo o acompanhamento do HIPERDIA [...]. (E23)

[...] aqui é bem complicado, porque muito deles [idosos] só vem aqui pra pegar a medicação do hipertenso, da diabetes, pedir alguma requisição, trocar receita [...]. (E17)

[...] Ainda não, a maioria vem só vem pra ver com o médico a atualização de receita, então eu ainda não consegui [...]. (E10)

Não realizo com nenhuma frequência, porque realmente não é a rotina aqui, [...] nunca cheguei a fazer não. (E12)

Porém, evidencia-se que alguns enfermeiros mencionaram preencher a CSPI, aferindo a CP, porém sem reavaliá-la.

Tem a caderneta do idoso que eu costumo preencher na primeira consulta deles, mas também não fico reavaliando. [...] (E15)

[...] na carteirinha do idoso [...] traz lá um campo, que tem lá a medida da circunferência da panturrilha esquerda, se for menor do que valor, que se não me engano é de 35 ou é 33, o risco de queda é maior. (E20)

Pelos depoimentos, descritos e analisados, observa-se que a maioria dos enfermeiros não teve acesso a informações, conceitos e práticas assistenciais acerca da sarcopenia desde a graduação; e, após a inserção no campo profissional da APS, a situação agrava-se, pois relatam que não receberam treinamentos e atualizações sobre essa problemática, como pode ser verificado a seguir:

[...] o meu conhecimento é pouco. [...] A gente nunca recebeu nenhuma orientação da gestão pra ter uma espécie de treinamento pra rastrear isso aí, então de certa forma fica um pouco difícil. (E6)

Assim, como eu não tinha conhecimento dessa doença, desse problema que afetava o idoso, eu não trabalhava, [...] já tinha ouvido falar a palavra, mas não tinha nenhum tipo de técnica e nem nada voltado pra sarcopenia, então assim, a minha dificuldade mesmo era de realização da atividade por desconhecimento. (E8)

Eu acho que é questão mesmo de conhecimento porque antes… então, isso aí não era um tema que a gente trabalha tanto [...]. (E19)

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo desvelam que, em parte, o desconhecimento ou o conhecimento fragmentado, frágil, incompleto e efêmero apresentado pelos entrevistados acerca da sarcopenia advém da ausência da temática desde o processo de formação e posteriormente na educação continuada do enfermeiro, fato que se reflete no desconhecimento das práticas de rastreio.

Ficou claro que os diferentes tempos de formação retratam uma variedade de experiências e vivências nas práticas assistenciais desses enfermeiros, pois os que se profissionalizaram há anos não tiveram informações sobre a problemática do rastreio da sarcopenia, que passou a ser incluída mais recentemente entre as doenças que acometem os idosos, sendo um dos itens registrados na CSPI, atualizada em 2017. Vale ressaltar que, dentre os participantes, a maioria nunca participou de capacitação na área de gerontologia. Essa realidade constatada no perfil desses enfermeiros poderá justificar o desconhecimento deles em relação à problemática da investigação, inviabilizando a implantação da prática de rastreio da sarcopenia em idosos.

Verifica-se que, apesar de a maior parte dos entrevistados desconhecer a problemática em estudo, alguns saberes mostraram-se congruentes com a real definição da sarcopenia, caracterizada pelo declínio da força muscular em associação à redução da massa muscular(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
). Haja vista as diversas funções exercidas pelo tecido muscular, é evidente que a sarcopenia repercutirá negativamente sobre as habilidades funcionais do idoso, elevando o risco de fragilidade e queda(2222 Bischoff-Ferrari HA, Orav JE, Kanis JA, Rizzoli R, Schlögl M, Staehelin HB, et al. Comparative performance of current definitions of sarcopenia against the prospective incidence off alls among community-dwelling seniors age 65 and older. Osteoporos Int. 2015;26:2793-802. doi: 10.1007/s00198-015-3194-y
https://doi.org/10.1007/s00198-015-3194-...
-2323 Scott D, Johansson J, McMillan LB, Ebeling PR, Nordstrom P, Nordstrom A. Associations of Sarcopenia and Its Components with Bone Structure and Incident Falls in Swedish Older Adults. Calcif Tissue Int. 2019;105(1):26-30. doi: 10.1007/s00223-019-00540-1
https://doi.org/10.1007/s00223-019-00540...
). Estudos demonstram que o declínio na massa muscular e na função muscular eleva em até 3,7 vezes a mortalidade(2424 Cheung C- L, Lam KSL, Cheung BMY. Evaluation of cutpoints for low lean massand slow gait speed in predicting death in the national health and nutrition examination survey 1999-2004. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2016;71:90-5. doi: 10.1093/gerona/glv112
https://doi.org/10.1093/gerona/glv112...
) e aumenta em 2 vezes o risco de queda(2626 Freire P. Educação como prática libertadora. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2013. 192 p.), assim como amplia o risco de dependência em idosos(2525 Malmstrom TK, Miller DK, Simonsick EM, Ferrucci L, Morley JE. SARC-F: a symptom score to predict persons with sarcopenia at risk for poor functional outcomes. J Cachexia, Sarcop Muscle. 2016;7:28-36. doi: 10.1002/jcsm.12048
https://doi.org/10.1002/jcsm.12048...
).

Nesse contexto, é primordial a implementação, na prática clínica, de instrumentos de avaliação e testes de triagem para a detecção precoce de agravos que interferem diretamente na situação de saúde do idoso, como a sarcopenia(1414 Rubio J, Gracia MS. Ejercicios de resistencia en el tratamiento y prevención de la sarcopenia en ancianos: revisión sistemática. Gerokomos [Internet]. 2018 [2019 Nov 8];29(3):133-7. Available from: http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3/1134-928X-geroko-29-03-00133.pdf
http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3...
). Diante disso, percebe-se a importância de se conscientizar sobre o quanto se conhece acerca da sarcopenia. É por meio desse processo que as pessoas lançamse na busca de novos saberes, os quais, quando superados, são substituídos por outros, num processo constante de se fazer e refazer o próprio conhecimento(2626 Freire P. Educação como prática libertadora. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2013. 192 p.).

Salienta-se que as fragilidades nos saberes dos enfermeiros refletem-se no desconhecimento dos protocolos, algoritmos e práticas voltadas ao rastreio da sarcopenia. Tendo em vista que o diagnóstico da doença ainda é difícil de se obter e os métodos padrão-ouro são caros e indisponíveis na prática clínica, em especial, na APS, testes com boa sensibilidade tornam-se indispensáveis, pois permitem a seleção daqueles que possam se beneficiar com o diagnóstico confirmatório(1414 Rubio J, Gracia MS. Ejercicios de resistencia en el tratamiento y prevención de la sarcopenia en ancianos: revisión sistemática. Gerokomos [Internet]. 2018 [2019 Nov 8];29(3):133-7. Available from: http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3/1134-928X-geroko-29-03-00133.pdf
http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3...
).

Diante da ascensão da sarcopenia, o EWGSOP, na perspectiva de padronizar o rastreio, o diagnóstico e a determinação da gravidade da doença, disponibilizou, em 2019, um algoritmo baseado na sequencia mnemônica F-A-C-S (Find-Acess-Confirm-Severity) para guiar esse processo. Como primeira etapa da investigação da sarcopenia, de acordo com o algoritmo, recomenda-se a utilização do questionário SARC-F(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
).

O SARC-F é o principal instrumento de rastreio da sarcopenia e poderá ser utilizado na APS(1111 Zanker J, Scott D, Reijnierse EM, Brennan-Olsen SL, Daly RM, Girgis CM, et al. Establishing an operational definition of sarcopenia in Australia and New Zealand: Delphi Method based consensus statement. J Nutr Health Aging. 2018;23(1):105-10. doi: 10.1007/s12603-018-1113-6
https://doi.org/10.1007/s12603-018-1113-...
). Uma ferramenta prática, de rápido e fácil manuseio, que permite identificar o declínio da força muscular, além de ser um preditor robusto de resultados adversos à saúde. O questionário é baseado em cinco perguntas autorreferidas sobre força, deambulação, levantar-se de uma cadeira, subir um lance de escadas e queda(2727 Malmstrom TK, Morley JE. SARC-F: a simple questionnaire to rapidly diagnose sarcopenia. JAMDA. 2013;14:531-532. doi: 10.1016/j.jamda.2013.05.018
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.05....
). Porém, na tentativa de aprimorar o questionário, melhorando sua sensibilidade, propôs-se uma nova versão da ferramenta, ao adicionar ao SARC-F a avaliação da CP (SARC-CalF)(99 Barbosa-Silva TG, Menezes AMB, Bielemann RM, Malmstrom TK, Gonzalez MC. Enhancing Sarc-f: improving sarcopenia screening in the clinical practice. JAMDA. 2016;17(12):1136-1141. doi: 10.1016/j.jamda.2016.08.004
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2016.08....
,2828 Yang M, Hu X, Xie L, Zhang L, Zhou J, Lin J et al. Screening Sarcopenia in Community-Dwelling Older Adults: SARC-F vs SARC-F Combined With Calf Circumference (SARC-CalF). JAMDA. 2018;19(3):277. doi: 10.1016/j.jamda.2017.12.016
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2017.12....
).

No Brasil, ao considerar a APS, ainda não dispomos de instrumentos ou protocolos específicos para rastrear a sarcopenia. Diante disso, o enfermeiro poderá utilizar em sua prática clínica a avaliação da CP, presente na CSPI, tanto para identificar quanto para monitorar o declínio da massa muscular, além de ser uma avaliação útil no acompanhamento de perdas corporais e na identificação precoce da sarcopenia(2929 Ministério da Saúde (BR). Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2017[2018 Jul 28]. Available from: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/27/CADERNETA-PESSOA-IDOSA-2017-Capa-miolo.pdf.
http://portalarquivos2.saude.gov.br/imag...
-3030 Pagotto V, Santos KF, Malaquias SG, Bachion MM, Silveira EA. Calf circumference: clinical validation for evaluation of muscle mass in the elderly. Rev Bras Enferm. 2018;71(2):322-328. doi: 10.1590/0034-7167-2017-0121
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0...
).

Porém, apesar de ser uma ferramenta relevante, observa-se que os profissionais de saúde, em especial, o enfermeiro, negligenciam seu preenchimento, tendo em vista o conhecimento insatisfatório sobre a ferramenta. Tal fato pode estar relacionado à pouca qualificação profissional para reconhecer as necessidades da população idosa(3131 Rigon E, Dalazen JVC, Busnello GF, Kolhs M, Olschowsky A, Kempfer SS. Experiências dos idosos e profissionais da saúde relacionadas ao cuidado pela estratégia saúde da família. Rev Enferm UERJ [Internet]. 2016 [2018 Apr 27];24(5):e17030. Available from: http://www.facenf.uerj.br/v24n5/v24n5a18.pdf
http://www.facenf.uerj.br/v24n5/v24n5a18...
), principalmente no que diz respeito à sarcopenia — afinal, trata-se de um agravo relativamente pouco divulgado no meio científico nacional, sobretudo na área da enfermagem.

Em adição, uma pesquisa realizada com enfermeiros atuantes na APS constatou que a caderneta tem sido utilizada de maneira inadequada pelos profissionais. O estudo observou que a ferramenta foi distribuída à população, porém não houve a capacitação necessária para sua utilização(3232 Costa RRO, Bosco Filho J, Medeiros SM, Silva MBM. As rodas de conversa como espaço de cuidado e promoção da saúde mental. Rev Atenção Saúde. 2015;13(43):30-36. doi: 10.13037/rbcs.vol13n43.2675
https://doi.org/10.13037/rbcs.vol13n43.2...
). Aliado a isso, ainda é possível inferir que, à falta de capacitação, somam-se a resistência dos profissionais e dos idosos em utilizá-la, a escassez de evidências cientificas sobre a utilização desse instrumento e a dificuldade de preenchimento pelos profissionais(3232 Costa RRO, Bosco Filho J, Medeiros SM, Silva MBM. As rodas de conversa como espaço de cuidado e promoção da saúde mental. Rev Atenção Saúde. 2015;13(43):30-36. doi: 10.13037/rbcs.vol13n43.2675
https://doi.org/10.13037/rbcs.vol13n43.2...
-3333 Sá CMCP. Caderneta de saúde da pessoa idosa no olhar dos profissionais da estratégia de saúde da família[Dissertação]. Paraíba. Universidade Federal da Paraíba; 2016[2019 Nov 10]. Available from: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/tede/8732/2/arquivototal.pdf
https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstr...
).

No entanto, o que se percebe, mediante a análise da rotina de trabalho dos profissionais que atuam nesse ambiente, é a escassez de ações voltadas à população idosa. Em pesquisa realizada com membros do Conselho de Saúde da Região Metropolitana de São Paulo, fica evidente a fragilidade das ações orientadas a esse grupo populacional, uma vez que 27% dos representantes mostraram a inexistência de ações/serviços específicos ao atendimento desse segmento, e 21% categorizaram as iniciativas existentes como incipientes para atender de forma integral a população idosa(3434 Côrte B, Kimura C, Ximenes MA, Nóbrega OT. Determinantes da atenção aos idosos pela rede pública de saúde, hoje e em 2030: o caso da Região Metropolitana de São Paulo. Saúde Soc [Internet]. 2017 [2019 Nov 10];26(3):690-701. Available from: https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2017.v26n3/701/pt
https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2017...
).

Na atenção a esse grupo etário, no contexto da APS, alguns desafios devem ser superados, como a necessidade de capacitação dos enfermeiros, no sentido de propor estratégias para modificação dessa realidade, de modo a ampliar suas práticas, direcionando-as às necessidades do idoso(3535 Dias FA, Gama ZAS, Tavares DMS. Atenção primária à saúde do idoso: modelo conceitual de enfermagem. Cogitare Enferm [Internet]. 2017 [2019 Nov 10];3(22):e53224. Available from: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/53224/pdf
https://revistas.ufpr.br/cogitare/articl...
-3636 Ferreira L, Barbosa JSA, Esposti CDD, Cruz MM. Permanent Health Education in primary care: an integrative review of literature. Saúde Debate. 2019;43(120):223-39. doi: 10.1590/0103-1104201912017
https://doi.org/10.1590/0103-11042019120...
). Além disso, torna-se substancial que o enfermeiro supere o olhar centrado nas queixas e nos agravos apresentados, ampliando sua visão a fim de reconhecer que a saúde é resultante de diversos fatores(3737 Tavares RE, Camacho ACLF, Mota CP. Ações de enfermagem ao idoso na estratégia saúde da família: revisão integrativa. Rev Enferm UFPE. 2017;11(2):1052-61. doi: 10.5205/reuol.10263-91568-1-RV.1102sup201722
https://doi.org/10.5205/reuol.10263-9156...
).

Viu-se que, embora exista uma aproximação entre a atuação do enfermeiro e o rastreio da sarcopenia, o déficit de informações, conceitos e práticas assistenciais advindos da graduação se mantém após a inserção no campo profissional da APS, uma vez que os enfermeiros não receberam treinamentos nem atualizações sobre essa problemática. Diante do exposto, mostra-se como grande desafio para esses profissionais, a necessidade de ampliar seus saberes e suas práticas no tocante ao processo de envelhecimento e da sarcopenia, o que torna imprescindível a construção de uma cultura de capacitação dos enfermeiros e demais membros da equipe de saúde.

Nesse contexto, a Educação Permanente em Saúde (EPS) constitui-se uma estratégia de mudança que auxilia na qualificação da assistência. Ela deve se apoiar na aprendizagem e na perspectiva de transformação das práticas profissionais, por meio de reflexão crítica dos problemas enfrentados, além de ser alicerçada nos conhecimentos e nas experiências de cada indivíduo(1919 Freire P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz & Terra; 2011. 144 p.-2020 Freire P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz & Terra ; 2013. 256 p.,3838 Draper J, Clark L, Rogers J. Managers’ role in maximizing investment in continuing professional education. Nurs Manag [Internet]. 2016 [2019 Oct 18];22(9):30-36. Available from: http://journals.rcni.com/doi/abs/10.7748/nm.22.9.30.s29
http://journals.rcni.com/doi/abs/10.7748...
). Assim, infere-se que, para transformar suas práticas, faz-se mister que o enfermeiro esteja num constante movimento de aprendizagem, diálogo e questionamento e que se conscientize da importância da prática reflexiva, com vistas a poder, insatisfeito com sua realidade, transformá-la. Quanto mais o indivíduo refletir sobre sua realidade, mais ele se tornará consciente, comprometido e apto a intervir nos problemas vivenciados em seu contexto de trabalho(1919 Freire P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz & Terra; 2011. 144 p.-2020 Freire P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz & Terra ; 2013. 256 p.,2626 Freire P. Educação como prática libertadora. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2013. 192 p.,3939 Mendonça FTNF, Santos AS, Buso ALZ, Malaquias BSS. Health education with older adults: action research with primary care professionals. Rev Bras Enferm. 2017;70(4):792-9. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0349
https://doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0...
).

No entanto, demonstra-se que a demanda por atividades de EPS, na maioria das vezes, parte da necessidade dos gestores, que optam por ações educativas imediatistas, com conteúdo padronizado e via de regra dissociado das demandas dos trabalhadores e dos usuários. Em recente revisão da literatura, constataram-se como pontos frágeis e dificultadores para a realização das iniciativas de EPS na APS: a sobrecarga de trabalho, oriunda do quadro de profissionais insuficiente, da falta de iniciativas e de planejamento para realização de práticas de educação permanente; e a não valorização dessa prática pelos gestores e pelos profissionais(3636 Ferreira L, Barbosa JSA, Esposti CDD, Cruz MM. Permanent Health Education in primary care: an integrative review of literature. Saúde Debate. 2019;43(120):223-39. doi: 10.1590/0103-1104201912017
https://doi.org/10.1590/0103-11042019120...
).

Reitera-se a importância da qualificação dos enfermeiros para atuarem no rastreio da sarcopenia na população idosa, tendo em vista que a implantação de instrumentos de rastreio dessa doença, no âmbito da APS, torna-se imprescindível, pois contribui para a identificação precoce dos idosos mais vulneráveis a desenvolverem a doença. Reafirma-se que os profissionais da saúde, em especial o enfermeiro, têm possibilidades cada vez maiores de prevenir, retardar, tratar e até mesmo reverter a sarcopenia, por meio de intervenções precoces e eficazes(33 Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
https://doi.org/10.1093/ageing/afy169...
,1616 Yoshimura Y, Wakabayashi H, Yamada M, Kim H, Harada A, Arai H. Interventions for Treating Sarcopenia: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Studies. JAMDA. 2017;18(6):1-16. doi: 10.1016/j.jamda.2017.03.019
https://doi.org/10.1016/j.jamda.2017.03....
).

Limitações do estudo

Uma limitação do estudo foi o elevado índice de recusas em participar da pesquisa, o que impossibilitou a realização de generalizações acerca do objeto analisado. Acredita-se que um dos motivos da não aceitação deve-se ao desconhecimento da temática por parte dos participantes.

Contribuições do estudo para a área da enfermagem

A proposta de descrever os saberes e as práticas do enfermeiro sobre o rastreio da sarcopenia em idosos na APS fornecerá bases para futuras investigações, considerando a incipiente produção cientifica sobre o objeto em estudo. Aliado a isso, espera-se sensibilizar os gestores para a necessidade de qualificação dos enfermeiros a respeito dos aspectos referentes à sarcopenia, a fim de que as limitações e as lacunas identificadas sejam sanadas. Pretende-se, por meio deste estudo, mostrar a emergência em capacitar os profissionais e definir protocolos para apoiar a implementação de ferramentas que possibilitem o rastreio da doença no âmbito da APS, de modo a permitir o desenvolvimento de ações de prevenção, rastreio e diagnóstico precoce.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A descrição dos achados revela que os saberes dos enfermeiros da APS no que tange à sarcopenia em idosos são incipientes, frágeis e incompletos, refletindo o desconhecimento das práticas, algoritmos e protocolos voltados ao rastreio da doença. Percebe-se que, mesmo a CSPI sendo um instrumento facilitador na prestação de uma assistência de qualidade ao idoso, ainda está sendo subutilizada ou inutilizada pelos enfermeiros, por desconhecerem o instrumento.

Constatou-se que os participantes do estudo sentem-se limitados pela deficiência em sua formação e capacitação profissional no tocante a uma abordagem especifica sobre a sarcopenia e suas formas de rastreio. Diante disso, aponta-se a imperativa necessidade de programas de educação permanente direcionados a esses profissionais, para que, assim, possam prestar ao idoso uma assistência holística, integral e multidimensional capaz de prevenir e rastrear a sarcopenia, bem como, em integração com outros profissionais, instituir intervenções.

Assim, os enfermeiros poderão adotar novas posturas, mais conscientes e capazes de transformar suas realidades, por meio de práticas efetivas que possibilitem alcançar, dessa forma, um maior número de idosos ainda na fase pré-clínica da doença, quando poderão prevenir, minimizar e/ou reverter os impactos da sarcopenia na saúde da população idosa. Na perspectiva de operacionalizar o rastreio da sarcopenia na APS, enfatiza-se a necessidade de novos estudos sobre as práticas desenvolvidas para rastrear a sarcopenia em idosos em diferentes cenários e participantes.

Referências bibliográficas

  • 1
    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Coordenação de População e Indicadores Sociais. Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira [Internet]. Rio de Janeiro: IBGE, 2016[2018 May 10]. Available from: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101629.pdf
    » https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101629.pdf
  • 2
    United Nations. World population aging 2017: highlights [Internet]. New York: United Nations, 2017[2018 May 10]. Available from: https://www.un.org/en/development/desa/population/publications/pdf/ageing/WPA2017_Highlights.pdf
    » https://www.un.org/en/development/desa/population/publications/pdf/ageing/WPA2017_Highlights.pdf
  • 3
    Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, Boirie Y, Bruyère O, Cederholm T, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age Ageing. 2019;48(1):16-31. doi: 10.1093/ageing/afy169
    » https://doi.org/10.1093/ageing/afy169
  • 4
    Bruyère O, Beaudart C, Ethgen O, Reginster JY, Locquet M. The health economics burden of sarcopenia: a systematic review. Maturitas. 2019;119:61-69. doi: 10.1016/j.maturitas.2018.11.003
    » https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2018.11.003
  • 5
    Cawthon PM, Lui LY, McCulloch CE, Cauley JA, Paudel ML, Taylor B, et al. Sarcopenia and Health Care Utilization in Older Women. J Gerontol. 2017;72(1):95-101. doi: 10.1093/gerona/glw118
    » https://doi.org/10.1093/gerona/glw118
  • 6
    Larsson L, Degens H, Li M, Salviati L, Lee YI, Thompson W, Kirkland JL, et al. Sarcopenia: Aging-Related Loss of Muscle Mass and Function. Physiologic Rev. 2019;99(1):427-511. doi: 10.1152/physrev.00061.2017
    » https://doi.org/10.1152/physrev.00061.2017
  • 7
    Confortin SC, Ono LM, Barbosa AR, D’Orsi E. Sarcopenia e sua associação com mudanças nos fatores socioeconômicos, comportamentais e de saúde: Estudo EpiFloripa Idoso. Cad Saúde Pública. 2018;34(12):e00164917. doi: 10.1590/0102-311x00164917
    » https://doi.org/10.1590/0102-311x00164917
  • 8
    Oliveira Neto L, Agrícola PMD, Andrade FLJP, Oliveira LP, Lima KC. Qual o impacto do Consenso Europeu no diagnóstico e prevalência de sarcopenia em idosos institucionalizados? Rev Bras Geriatr Gerontol [Internet]. 2017 [2018 May 20];20(6):755-64. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v20n6/pt_1809-9823-rbgg-20-06-00754.pdf
    » http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v20n6/pt_1809-9823-rbgg-20-06-00754.pdf
  • 9
    Barbosa-Silva TG, Menezes AMB, Bielemann RM, Malmstrom TK, Gonzalez MC. Enhancing Sarc-f: improving sarcopenia screening in the clinical practice. JAMDA. 2016;17(12):1136-1141. doi: 10.1016/j.jamda.2016.08.004
    » https://doi.org/10.1016/j.jamda.2016.08.004
  • 10
    Ethgen O, Beaudart C, Buckinx F, Bruyère O, Reginster JY. The Future Prevalence of Sarcopenia in Europe: A Claim for Public Health Action. Calcif tissue int. 2017;100(3):229-234. doi: https://doi.org/10.1007/s00223-016-0220-9
    » https://doi.org/10.1007/s00223-016-0220-9
  • 11
    Zanker J, Scott D, Reijnierse EM, Brennan-Olsen SL, Daly RM, Girgis CM, et al. Establishing an operational definition of sarcopenia in Australia and New Zealand: Delphi Method based consensus statement. J Nutr Health Aging. 2018;23(1):105-10. doi: 10.1007/s12603-018-1113-6
    » https://doi.org/10.1007/s12603-018-1113-6
  • 12
    Dent E, Morley JE, Vellas B. International clinical practie gidelines for sarcopenia (ICFSR):screening, diagnosis and menagement. J Nutr Health Aging. 2018;22(10):1148-61. doi: 10.1007/s12603-018-1139-9
    » https://doi.org/10.1007/s12603-018-1139-9
  • 13
    Filippin LI. Rastreamento de sarcopenia na Atenção Primária em saúde: será uma utopia? Rev Inspirar - Mov Saúde [Internet]. 2015 [2019 Aug 15];35(7):3-5. Available from: https://www.inspirar.com.br/wp-content/uploads/2015/10/rastreamento-artigo1_enviar_ed35_jul-ago-set-2015.pdf
    » https://www.inspirar.com.br/wp-content/uploads/2015/10/rastreamento-artigo1_enviar_ed35_jul-ago-set-2015.pdf
  • 14
    Rubio J, Gracia MS. Ejercicios de resistencia en el tratamiento y prevención de la sarcopenia en ancianos: revisión sistemática. Gerokomos [Internet]. 2018 [2019 Nov 8];29(3):133-7. Available from: http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3/1134-928X-geroko-29-03-00133.pdf
    » http://scielo.isciii.es/pdf/geroko/v29n3/1134-928X-geroko-29-03-00133.pdf
  • 15
    Rendón R, Osuna IA. El papel de la nutrición en la prevención y manejo de la sarcopenia en el adulto mayor. Nutr Clin Med [Internet]. 2018 [2018 Jul 28];12(1):23-36. Available from: http://www.nutricionclinicaenmedicina.com/index.php/19-revista/149-5060
    » http://www.nutricionclinicaenmedicina.com/index.php/19-revista/149-5060
  • 16
    Yoshimura Y, Wakabayashi H, Yamada M, Kim H, Harada A, Arai H. Interventions for Treating Sarcopenia: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Studies. JAMDA. 2017;18(6):1-16. doi: 10.1016/j.jamda.2017.03.019
    » https://doi.org/10.1016/j.jamda.2017.03.019
  • 17
    Salvà A, Serra-Rexach JA, Artaz I, Formiga F, Luque XR, Cuesta F et al. La prevalencia de sarcopenia en residencias de Espana: comparación de los resultados del estudio multicéntrico ELLI con otras poblaciones. Rev Esp Geriatr Gerontol. 2016;51(5):260-264. doi: 10.1016/j.regg.2016.02.004
    » https://doi.org/10.1016/j.regg.2016.02.004
  • 18
    Ministério da Saúde (BR). Resolução Nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2012[2018 Jul 28]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html.
    » https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/2013/res0466_12_12_2012.html.
  • 19
    Freire P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz & Terra; 2011. 144 p.
  • 20
    Freire P. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz & Terra ; 2013. 256 p.
  • 21
    Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec; 2014. 408 p.
  • 22
    Bischoff-Ferrari HA, Orav JE, Kanis JA, Rizzoli R, Schlögl M, Staehelin HB, et al. Comparative performance of current definitions of sarcopenia against the prospective incidence off alls among community-dwelling seniors age 65 and older. Osteoporos Int. 2015;26:2793-802. doi: 10.1007/s00198-015-3194-y
    » https://doi.org/10.1007/s00198-015-3194-y
  • 23
    Scott D, Johansson J, McMillan LB, Ebeling PR, Nordstrom P, Nordstrom A. Associations of Sarcopenia and Its Components with Bone Structure and Incident Falls in Swedish Older Adults. Calcif Tissue Int. 2019;105(1):26-30. doi: 10.1007/s00223-019-00540-1
    » https://doi.org/10.1007/s00223-019-00540-1
  • 24
    Cheung C- L, Lam KSL, Cheung BMY. Evaluation of cutpoints for low lean massand slow gait speed in predicting death in the national health and nutrition examination survey 1999-2004. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2016;71:90-5. doi: 10.1093/gerona/glv112
    » https://doi.org/10.1093/gerona/glv112
  • 25
    Malmstrom TK, Miller DK, Simonsick EM, Ferrucci L, Morley JE. SARC-F: a symptom score to predict persons with sarcopenia at risk for poor functional outcomes. J Cachexia, Sarcop Muscle. 2016;7:28-36. doi: 10.1002/jcsm.12048
    » https://doi.org/10.1002/jcsm.12048
  • 26
    Freire P. Educação como prática libertadora. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2013. 192 p.
  • 27
    Malmstrom TK, Morley JE. SARC-F: a simple questionnaire to rapidly diagnose sarcopenia. JAMDA. 2013;14:531-532. doi: 10.1016/j.jamda.2013.05.018
    » https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.05.018
  • 28
    Yang M, Hu X, Xie L, Zhang L, Zhou J, Lin J et al. Screening Sarcopenia in Community-Dwelling Older Adults: SARC-F vs SARC-F Combined With Calf Circumference (SARC-CalF). JAMDA. 2018;19(3):277. doi: 10.1016/j.jamda.2017.12.016
    » https://doi.org/10.1016/j.jamda.2017.12.016
  • 29
    Ministério da Saúde (BR). Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2017[2018 Jul 28]. Available from: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/27/CADERNETA-PESSOA-IDOSA-2017-Capa-miolo.pdf.
    » http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/27/CADERNETA-PESSOA-IDOSA-2017-Capa-miolo.pdf.
  • 30
    Pagotto V, Santos KF, Malaquias SG, Bachion MM, Silveira EA. Calf circumference: clinical validation for evaluation of muscle mass in the elderly. Rev Bras Enferm. 2018;71(2):322-328. doi: 10.1590/0034-7167-2017-0121
    » https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0121
  • 31
    Rigon E, Dalazen JVC, Busnello GF, Kolhs M, Olschowsky A, Kempfer SS. Experiências dos idosos e profissionais da saúde relacionadas ao cuidado pela estratégia saúde da família. Rev Enferm UERJ [Internet]. 2016 [2018 Apr 27];24(5):e17030. Available from: http://www.facenf.uerj.br/v24n5/v24n5a18.pdf
    » http://www.facenf.uerj.br/v24n5/v24n5a18.pdf
  • 32
    Costa RRO, Bosco Filho J, Medeiros SM, Silva MBM. As rodas de conversa como espaço de cuidado e promoção da saúde mental. Rev Atenção Saúde. 2015;13(43):30-36. doi: 10.13037/rbcs.vol13n43.2675
    » https://doi.org/10.13037/rbcs.vol13n43.2675
  • 33
    Sá CMCP. Caderneta de saúde da pessoa idosa no olhar dos profissionais da estratégia de saúde da família[Dissertação]. Paraíba. Universidade Federal da Paraíba; 2016[2019 Nov 10]. Available from: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/tede/8732/2/arquivototal.pdf
    » https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/tede/8732/2/arquivototal.pdf
  • 34
    Côrte B, Kimura C, Ximenes MA, Nóbrega OT. Determinantes da atenção aos idosos pela rede pública de saúde, hoje e em 2030: o caso da Região Metropolitana de São Paulo. Saúde Soc [Internet]. 2017 [2019 Nov 10];26(3):690-701. Available from: https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2017.v26n3/701/pt
    » https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2017.v26n3/701/pt
  • 35
    Dias FA, Gama ZAS, Tavares DMS. Atenção primária à saúde do idoso: modelo conceitual de enfermagem. Cogitare Enferm [Internet]. 2017 [2019 Nov 10];3(22):e53224. Available from: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/53224/pdf
    » https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/53224/pdf
  • 36
    Ferreira L, Barbosa JSA, Esposti CDD, Cruz MM. Permanent Health Education in primary care: an integrative review of literature. Saúde Debate. 2019;43(120):223-39. doi: 10.1590/0103-1104201912017
    » https://doi.org/10.1590/0103-1104201912017
  • 37
    Tavares RE, Camacho ACLF, Mota CP. Ações de enfermagem ao idoso na estratégia saúde da família: revisão integrativa. Rev Enferm UFPE. 2017;11(2):1052-61. doi: 10.5205/reuol.10263-91568-1-RV.1102sup201722
    » https://doi.org/10.5205/reuol.10263-91568-1-RV.1102sup201722
  • 38
    Draper J, Clark L, Rogers J. Managers’ role in maximizing investment in continuing professional education. Nurs Manag [Internet]. 2016 [2019 Oct 18];22(9):30-36. Available from: http://journals.rcni.com/doi/abs/10.7748/nm.22.9.30.s29
    » http://journals.rcni.com/doi/abs/10.7748/nm.22.9.30.s29
  • 39
    Mendonça FTNF, Santos AS, Buso ALZ, Malaquias BSS. Health education with older adults: action research with primary care professionals. Rev Bras Enferm. 2017;70(4):792-9. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0349
    » https://doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0349

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    07 Dez 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    30 Jun 2020
  • Aceito
    11 Set 2020
Associação Brasileira de Enfermagem SGA Norte Quadra 603 Conj. "B" - Av. L2 Norte 70830-102 Brasília, DF, Brasil, Tel.: (55 61) 3226-0653, Fax: (55 61) 3225-4473 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: reben@abennacional.org.br