RESUMO
Objetivos: refletir sobre a trajetória e a produção técnica e tecnológica do Mestrado Profissional em Enfermagem.
Métodos: estudo teórico-reflexivo, desenvolvido a partir de levantamento bibliográfico e documental identificado no período de setembro a novembro de 2024, por meio de buscas nas bases Medical Literature Analysis and Retrievel System Online, Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde, Scientific Electronic Library Online, Web of Science, Excerpta Medica Database, e documental, a partir de levantamento de documentos oficiais do Ministério da Educação relacionados às avaliações dos Programas de Pós-graduação, de informações do website da CAPES e da Plataforma Sucupira.
Resultados: após a leitura reflexiva e organização do material selecionado, originou-se a categoria Trajetória histórica, produção técnica e tecnológica do Mestrado Profissional em Enfermagem.
Considerações Finais: os Mestrados Profissionais em Enfermagem ainda enfrentam desafios para seu fortalecimento quanto à sua identidade/objetivo, processo metodológico de construção de produtos, implantação e impacto aos serviços de saúde.
Descritores:
Educação de Pós-Graduação em Enfermagem; Desenvolvimento de Produtos Tecnológicos; Pesquisa Científica; Enfermagem; Inovação.
ABSTRACT
Objectives: to reflect on the trajectory and on the technical and technological production of the Professional Master’s Degree in Nursing.
Methods: a theoretical reflective study developed from a bibliographic and documentary survey conducted between September and November 2024, through searches in the Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, Latin American and Caribbean Health Sciences Literature, Scientific Electronic Library Online, Web of Science, Excerpta Medica Database, and through the collection of official documents from the Brazilian Ministry of Education related to the evaluation of Graduate Programs, as well as information from the CAPES website and the Sucupira Platform.
Results: after reflective reading and organization of the selected material, the category Historical trajectory, technical and technological production of the Professional Master’s Degree in Nursing emerged.
Final Considerations: Professional Master’s Degrees in Nursing still face challenges in strengthening their identity/objective, the methodological process of product development, implementation, and impact on health services.
Descriptors:
Postgraduate Education in Nursing; Development of Technological Products; Scientific Research; Nursing; Innovation.
RESUMEN
Objetivos: reflexionar sobre la trayectoria y la producción técnica y tecnológica del Máster Profesional en Enfermería.
Métodos: estudio teórico reflexivo desarrollado a partir de un levantamiento bibliográfico y documental identificado entre septiembre y noviembre de 2024, mediante búsquedas en las bases Medical Literature Analysis and Retrieval System Online, Literatura Latinoamericana y del Caribe en Ciencias de la Salud, Scientific Electronic Library Online, Web of Science, Excerpta Medica Database, y documentalmente a partir de la recopilación de documentos oficiales del Ministerio de Educación de Brasil, relacionados con las evaluaciones de los Programas de Posgrado, así como de informaciones del sitio web de CAPES y de la Plataforma Sucupira.
Resultados: tras la lectura reflexiva y la organización del material seleccionado, emergió la categoría Trayectoria histórica, producción técnica y tecnológica del Máster Profesional en Enfermería.
Consideraciones Ffinales: los Másteres Profesionales en Enfermería aún enfrentan desafíos para su fortalecimiento en cuanto a su identidad/objetivo, el proceso metodológico de construcción de productos, su implementación y el impacto en los servicios de salud.
Descriptores:
Educación de Postgrado en Enfermería; Desarrollo de Productos Tecnológicos; Investigación Científica; Enfermería; Innovación.
INTRODUÇÃO
O Mestrado Profissional em Enfermagem (MPE) foi introduzido no Brasil no final da década de 1990, com o objetivo de formar enfermeiros altamente qualificados, aptos para conduzir uma prática avançada e transformadora com vistas a atender demandas sociais, organizacionais e do mercado de trabalho contemporâneo(1).
A Pós-Graduação Stricto Sensu desde a sua idealização tem exercido uma influência vista como primordial em todos os campos de atuação do conhecimento, inclusive na enfermagem, contribuindo fortemente para a evolução da profissão como ciência, e consequentemente no aperfeiçoamento da prática assistencial dos enfermeiros. Este avanço e transformação na prática destes profissionais estão intrinsecamente relacionados ao processo educativo e à qualificação profissional. Nesse sentido, a formação em nível de mestrado e doutorado oferecida não apenas expande a base teórica dos enfermeiros, mas também desenvolve competências práticas e estratégicas essenciais para lidar com os desafios atuais da enfermagem(2).
O Plano Nacional de Pós-Graduação entre 2011 e 2020 registrou uma expansão expressiva dos cursos de Mestrado Profissional em Enfermagem, atingindo 24 programas em 2019, e aprovando dois cursos de doutorado profissional. No entanto, apesar desse progresso, o investimento em inovação tecnológica ainda permanece limitado, impactado por cortes orçamentários do setor público que afetam o financiamento dos programas de pós-graduação(3).
Outro ponto a ser discutido deve-se ao fato de os enfermeiros não terem conhecimentos técnicos e científicos adequados para realizar pesquisas sobre produtividade tecnológica, devido à formação deficiente nessa área e à dificuldade no desenvolvimento de pesquisas que resultem em produção tecnológica, por se tratar de um modelo novo de produção intelectual na enfermagem(4).
No cotidiano tanto pessoal quanto profissional, os enfermeiros estão constantemente em contato com novas tecnologias, e quanto mais rapidamente assimilam e dominam essas inovações para aplicá-las em benefício do ser humano, maiores serão os avanços em sua prática profissional. Nesse contexto, é essencial que os enfermeiros tenham acesso e utilizem pesquisas científicas e tecnológicas para contribuírem para a melhoria da qualidade do cuidado prestado(5).
O MPE não se limita à capacitação do mestrando, mas exige a realização de uma investigação científica relacionada à sua área de atuação. No entanto, não basta apenas analisar os desafios da prática profissional - é fundamental que esses estudos resultem em propostas de solução, concretizadas em diferentes formas de produção tecnológica(6).
A produção tecnológica ou técnica faz referência ao trabalho desenvolvido por docentes permanentes e discentes que não se enquadram como produção científica. Seu valor é reconhecido pela interação entre a academia e a comunidade, tendo como resultado as aplicações práticas e inovadoras para demandas/necessidades reais(7).
OBJETIVOS
Refletir sobre a trajetória e a produção técnica e tecnológica do MPE.
MÉTODOS
Estudo teórico-reflexivo sobre o percurso histórico dos MPE, desde a Portaria nº 80/16/12/1998, emitida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que estabelece as diretrizes para a criação e funcionamento(8).
O material bibliográfico foi identificado no período de setembro a novembro de 2024 por meio de buscas nas bases MEDLINE/PUBMED (Medical Literature Analysis and Retrievel System Online), LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SCIELO (Scientific Electronic Library Online), WoS (Web of Science) e EMBASE (Excerpta Medica Database), com os descritores: Educação de Pós-Graduação em Enfermagem, Desenvolvimento de Produtos Tecnológicos, Pesquisa científica, Enfermagem, e Inovação. O material documental foi identificado a partir de documentos oficiais do Ministério da Educação (ME) relacionados às avaliações dos Programas de Pós-Graduação, de informações do website da CAPES (https://www.gov.br/capes/pt-br) e da Plataforma Sucupira (https://sucupira.capes.gov.br/), no mesmo período.
As informações extraídas dos estudos foram organizadas pelos autores dessa reflexão durante todo o processo de seleção, leitura e análise dos textos, seguido de elaboração de notas teórico-reflexivas sobre os principais pontos para tomada de decisão e interpretação analítica.
As experiências dos autores sobre a temática, sustentadas no aporte teórico sobre os desafios encontrados para consolidação e caracterização dos produtos técnicos/tecnológicos do MPE, e a leitura atenta, em busca de informações sobre sua trajetória, permitiram a elaboração do estudo.
As reflexões apresentadas foram desenvolvidas com base nos aspectos teóricos e conceituais abordados pelos estudos, assim como nas impressões dos autores, derivadas de sua compreensão do tema e experiência empírica. Por não envolver coleta de dados com seres humanos, não houve necessidade de análise ética. Todavia, foram considerados procedimentos para garantir que os estudos primários aplicados fossem respeitados eticamente.
RESULTADOS
Trajetória histórica, produção técnica e tecnológica do Mestrado Profissional em Enfermagem
A CAPES classifica os MPE como uma modalidade de Pós-Graduação Stricto Sensu voltada à capacitação profissional em diversas áreas do conhecimento, por meio do estudo de técnicas, processos e temas alinhados às demandas do mercado de trabalho(9). A partir da Portaria nº 80 de 16/12/1998, foi criado no país, em 2001, o primeiro MPE com enfoque em obstetrícia, vinculado à Universidade Federal de São Paulo, que após formar quatro mestres encerrou suas atividades em 2004.
O Quadro 1 ilustra a linha do tempo do percurso dos MPE de 2003 até 2019, com o mapa de 24 cursos de acordo com o Relatório CAPES 2017-2020(10).
Linha do tempo dos Mestrados Profissionais em Enfermagem de 2003 a 2019, São Paulo, São Paulo, Brasil
Desde 2014, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) inclui nos planos trienais propostas de financiamento para MPE, voltados aos enfermeiros que atuam no Sistema Único de Saúde, para aprimorar a qualidade da assistência em saúde(9). Em meados de 2016 lançou o primeiro edital para o MPE, e destinou recursos para Instituições de Ensino Públicas e privadas interessadas em promover pesquisas na área de Sistematização da Assistência de Enfermagem.
No ano seguinte, CAPES e COFEN estabeleceram uma comissão avaliadora conjunta que selecionou 16 programas e distribuiu 140 vagas. Além disso, nos 20º, 21º e 22º Congressos Brasileiros dos Conselhos de Enfermagem, realizados entre 2017 e 2019, foram incluídas mesas redondas sobre o MPE na programação científica, para discutir aspectos do funcionamento(9).
A produção técnica/tecnológica dos MPE foi avaliada pela primeira vez na avaliação quadrienal dos programas (2013-2016) quanto a sua tipologia, e mostrou que ainda há desafios para sua classificação com vistas a garantir que de fato contribuam efetivamente para a qualidade dos serviços de saúde(10).
O MPE está em processo de consolidação, especialmente quanto à elaboração e aprimoramento da produção técnica e tecnológica, pois ainda apresentam dificuldade na classificação de seus produtos, sendo necessário, na maioria das vezes, avaliar o material na íntegra para entender a tipologia e categorizá-la corretamente. Outro ponto em relação à qualificação do MPE diz respeito a sua identidade, objetivo, processo metodológico de construção de produtos e de sua implantação, bem como ao impacto que trazem aos serviços de saúde(11).
Antes de 2012, não havia um Qualis tecnológico para avaliar a produção do MPE. A avaliação era feita com base nos critérios e métricas do Mestrado Acadêmico, focado na produção intelectual(6). Para dirimir essa problemática, a CAPES elaborou em 2012 um roteiro de orientação para a Comissão Assessora melhorar as informações na Plataforma Sucupira, abordando seis quesitos: proposta, corpo docente, corpo discente, teses e dissertações/trabalhos de conclusão, produção intelectual e inserção social(7).
Com o crescimento do MPE ao longo dos últimos anos, um número expressivo de produtos técnicos e tecnológicos foram desenvolvidos pelos enfermeiros, com a proposição de oferecer inovações para a prática, garantir segurança e qualidade no cuidado, e valorizar a expertise profissional(5).
Para lidar com esse complicador, e qualificar o MPE, a Diretoria de Avaliação da CAPES instituiu em 2016 o Grupo de Trabalho Qualis Técnico e Tecnológico (GT-PTT), que reuniu 64 produções técnicas disponíveis na Plataforma Sucupira (quadrienal 2013-2016), e analisou e definiu 21 tipos de Produção Técnica Tecnológica, aprovadas em 2019 pelo Conselho Técnico-Científico da Educação Superior(10), conforme Quadro 2.
Após essa definição, os PTT passaram a ser objetos com um grau elevado de novidade, fruto das pesquisas realizadas nas academias, e usados para resolução de problemas nas empresas e na comunidade em geral. Ademais, estabeleceram-se critérios como impacto, inovação, aplicabilidade e complexidade para distinguir um produto tecnológico de um produto técnico(10).
Estes critérios de diferenciação trouxeram respostas importantes para os MPE, uma vez que uma produção técnica corresponde ao desenvolvimento de habilidades e competências pessoais na prática profissional, e o produto tecnológico diz respeito à criação de um objeto aplicável, fruto do conhecimento científico, que permitirá transformar a realidade de um determinado grupo. Acredita-se que definições mais claras têm ajudado a definir melhor a produção e conduzir novas e mais aprofundadas avaliações, e certamente trazer novos direcionamentos para qualificação do MPE(10).
Outro ponto que merece reflexão diz respeito ao atual panorama das pesquisas em inovação tecnológica na Enfermagem no Brasil, em um cenário caracterizado pela falta de investimentos significativos na área da saúde nas últimas décadas, apesar da implementação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde desde 2008(12).
Portanto, é fundamental desenvolver estratégias e políticas públicas que estimulem a inovação tecnológica na Enfermagem, garantindo liberdade e autonomia para a pesquisa. É preciso criar abordagens que superem as barreiras que dificultam a aproximação dos profissionais de saúde, em ambientes como hospitais, clínicas, domiciliares ou comunitários, com a prática de inovação e produtividade tecnológica, permitindo que essas inovações sejam aplicadas e integradas à prática clínica diária e ao cuidado contínuo(12).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As reflexões apresentadas mostram que o MPE tem contribuído significativamente para a formação prática dos enfermeiros em todos os níveis da assistência e, além de colaborar para a qualidade dos serviços de saúde, fortalece a Enfermagem no campo profissional e como ciência. Nota-se que a trajetória é recente e desafiadora para o MPE, e que seu crescimento e fortalecimento implica em bons produtos gerados nas dissertações, no propósito de ampliar, formular e desenvolver novas tecnologias na área da saúde.
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FOMENTO
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.
DISPONIBILIDADE DE DADOS E MATERIAL
Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do artigo.
Referências bibliográficas
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1 Ministério da Educação (BR). Portaria normativa nº 389, de 23 de março de 2017. Dispõe sobre o mestrado e doutorado profissional no âmbito da pós-graduação stricto sensu [Internet]. Brasília, DF: CAPES; 2017 [cited 2025 Mar 30]. Available from: https://capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/24032017-PORTARIA-No-389-DE-23-DE-MARCO-DE-2017.pdf
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2 Scochi CGS, Munari DB, Gelbcke FL, Erdmann AL, Gutiérrez MGR, Rodrigues RAP. Pós-graduação Stricto Sensu em Enfermagem no Brasil: avanços e perspectivas. Rev Bras Enferm. 2013;66(spe):80-9. https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000700011
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3 Primo CC, Furieri LB. Desafios e contribuições do programa de pós-graduação profissional stricto sensu em enfermagem para a formação de enfermeiros pesquisadores. Rev Enferm Cent-Oeste Min. 2019;9:1-4. https://doi.org/10.19175/recom.v9i0.3603
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4 Regis LTC, Silva MR. Nursing contributions to the scenario of technological innovations in health. Res Soc Dev. 2022;11(6):e53511629291. https://doi.org/10.33448/rsd-v11i6.29291
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5 Koerich MHAL, Vieira RHG, Silva DE, Erdmann AL, Meirelles BHS. Produção tecnológica Brasileira na área de enfermagem: avanços e desafios. Rev Gaúcha Enferm. 2011;32(4):736-43. https://doi.org/10.1590/S1983-14472011000400014
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6 Ferreira RE, Tavares CMM. Análise da produção tecnológica de três programas de mestrado profissional na área da Enfermagem. Rev Latino-Am Enfermagem. 2020;28:e3276. https://doi.org/10.1590/1518-8345.3916.3276
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7 Ministério da Educação (BR). Documento de Área - Área 20 - Enfermagem 2016 [Internet]. Brasília, DF: CAPES; 2016 [cited 2025 Feb 23]. Available from: http://www.capes.gov.br/images/documentos/Documentos_de_area_2017/20_enfe_docarea_2016.pdf
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8 Neves AAB. Portaria nº 80, de 16 de dezembro de 1998. RBPG [Internet]. 2011 [cited 2025 Mar 05];2(4). Available from: https://rbpg.capes.gov.br/rbpg/article/view/88
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Editado por
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EDITOR-CHEFE:
Antonio José de Almeida Filho
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Dulce Barbosa
