Empreendedorismo na Enfermagem: panorama das empresas no Estado de São Paulo

Emprendimiento en Enfermería: panorama de las empresas en el Estado de São Paulo

Andréia de Carvalho Andrade Luiza Watanabe Dal Ben Maria Cristina Sanna Sobre os autores

Resumos

Objetivo:

o presente estudo teve como objetivo identificar e caracterizar as empresas de enfermagem dirigidas por enfermeiros empresários, registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo até 2011.

Método:

trata-se de um estudo exploratório, descritivo, cuja coleta de dados, realizada durante o mês de janeiro de 2012, foi efetuada no site da Junta Comercial do Estado de São Paulo, órgão para-governamental que tem a função de registrar a abertura de empresas e fiscalizar sua situação comercial.

Resultados e conclusão:

o estudo permitiu identificar que o enfermeiro empreendedor é uma realidade em ascensão a partir da identificação de 196 empresas abertas por esse profissional, posteriormente analisou-se o tempo de existência, a atividade econômica principal da empresa, valor de capital, porcentagem de sócios enfermeiros e a distribuição das empresas por região do Estado de São Paulo.

Mercado de Trabalho; Contrato de Risco; Enfermagem


Objetivo:

este estudio tuvo como objetivo identificar las empresas de enfermería dirigidas por enfermeros empresarios, inscritos en la Junta Comercial del Estado de São Paulo para el ano 2011.

Método:

se trata de un estudio exploratorio, descriptivo, cuya recolección de datos, se efectuó durante el mes de enero de 2012 en el sitio web de la Junta Comercial del Estado de São Paulo, órgano gubernamental que tiene la función de registrar la apertura de empresas y supervisar su situación comercial.

Resultados y conclusión:

el estudio reveló que el enfermero emprendedor es una realidad creciente a partir de 196 empresas abiertas por estos profesionales, posteriormente se analizo el tiempo de existencia, la actividad económica principal de la empresa, la cantidad de capital, el porcentaje de socios enfermeros y la distribución de las empresas por región del estado de São Paulo.

Mercado de Trabajo; Contrato de Riesgo; Enfermería


Objective:

the present study aimed to identify and characterize nursing companies managed by entrepreneur nurses registered at the Commercial Registry of São Paulo by 2011.

Method:

it's a descriptive, exploratory study, whose data collection, made throughout January 2012, was carried out on the Commercial Registry of Sao Paulo website. This non-governmental body has the function of registering the opening of companies and supervising their trade situation.

Results and conclusion:

this study allowed us to identify that the entrepreneur nurse is a growing reality through the identification of 196 companies opened by these professionals. Afterwards, it was analyzed their time of functioning, the main economic activity of the company, capital value, percentage of nurse partners and the distribution of companies by region of Sao Paulo State.

Job Market; Entrepreneurship; Nursing


INTRODUÇÃO

Empreendedorismo é definido como a criação ou aperfeiçoamento de algo, com a finalidade de gerar benefícios aos indivíduos e a sociedade. Esse fenômeno avançou nas últimas décadas devido as transformações econômicas, inovações tecnológicas e a globalização(1). Para acompanhar esse novo cenário, o enfermeiro deverá reconhecer, que mesmo com múltiplas competências, precisa crescentemente ousar, no sentido de explorar as oportunidades e visualizar novos espaços. Entende-se que ser empreendedor é ser capaz de protagonizar novos campos e práticas de atuação profissional.

Para o alcance de seus objetivos, o empreendedor cria processos inovadores à sua capacidade de formação de redes de contato e à sua utilização, planejam; sabem fixar metas e alcançá-las. Portanto, devem ser organizados, conhecer a utilização de recursos e conhecimentos, procuram feedback para se aprimorarem e assumem riscos calculados, além de agregar valor para a sociedade(2Araújo MH, Lago RM, Oliveira LCA, Cabral PRM, Lin CC, Fillori LJ. O estímulo ao empreendedorismo nos cursos de química: formando químicos empreendedores. Quim Nova. 2005;28(Suppl):2:S18-25.).

O Brasil direcionou sua atenção para o assunto empreendedorismo a partir da década de 1990, período em que se percebeu a intensificação de práticas e políticas para estimular a abertura de micros e pequenas empresas, que se multiplicaram principalmente para atender um aumento da demanda de mercado nacional e internacional associada ao trabalho e avanço tecnológico(3).

As micro, pequenas e médias empresas são responsáveis pela geração de grande parte dos empregos formais e informais e de uma fração importante das exportações e do Produto Interno Bruto (PIB) de um país; por isso, é inegável sua importância. No Brasil, as micro e pequenas empresas são responsáveis por 57,3% dos empregos formais e respondem por 20% do PIB(2Araújo MH, Lago RM, Oliveira LCA, Cabral PRM, Lin CC, Fillori LJ. O estímulo ao empreendedorismo nos cursos de química: formando químicos empreendedores. Quim Nova. 2005;28(Suppl):2:S18-25.).

O Estado de São Paulo tem grande importância econômica para o país e tem, como capital, a quinta cidade mais populosa do mundo, com expectativa de se tornar a sexta cidade mais rica do mundo até 2025, sendo a décima cidade mais rica atualmente e com maior PIB no Brasil(4Ibge.gov.br/home [Internet]. Produto Interno Bruto 2005-2009. Brasília: IBGE; [s.d] [acesso em 03 de janeiro de 2012]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/.
http://www.ibge.gov.br/home/...
).

De acordo com estudos sobre a dificuldade de se conseguir emprego, diante da instabilidade do mercado profissional de todas as áreas e inclusive na saúde, pesquisadores alertam para a necessidade de redesenhar a carreira, abrir um negócio próprio, ou mesmo, continuar como assalariado, mas agir e pensar como um empreendedor, ou seja, definir metas, ser obstinado e propor ideias inovadoras. As vagas de emprego para enfermeiros nos hospitais e serviços de saúde estarão cada vez mais escassas no Brasil, devido à conformação do mercado e da força de trabalho(5Roncon PF, Munhoz S. Estudantes de enfermagem têm perfil empreendedor? Rev Bras Enferm. 2009;62(5):695-700.).

Dede 1946 o enfermeiro é reconhecido como profissional liberal, por meio de parecer ministerial de 3 de setembro de 1946, em que ficou definida a liberação também para o exercício autônomo(6Santos EF, Santos EB, Santana GO, Assis MF, Meneses RO. Legislação em enfermagem. São Paulo (SP): Atheneu; 2006.). Consultando recenseamento realizado em nível nacional, pode-se inferir que essa prática teve seu impulso inicial em 1980, sendo contabilizadas 28 unidades de clínicas de enfermagem independentes funcionantes no país, até 1983, onde trabalhavam, à época, 0,05% do total da força de trabalho em enfermagem(7Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). O exercício da enfermagem nas instituições de saúde do Brasil: 1982/1983. Rio de Janeiro (RJ): COFEN/ABEn; 1985.). Não se sabe o que ocorreu desde então, uma vez que não há estudos publicados sobre o tema. Diante desse cenário, indaga-se: existem atualmente empresas de enfermagem no Estado de São Paulo? Quais as características dessas empresas?

OBJETIVO

Identificar e caracterizar as empresas de enfermagem dirigidas por enfermeiros empresários, registradas na Junta Comercial do Estado de São Paulo.

MÉTODO

Estudo exploratório, descritivo, cuja coleta de dados, realizada durante o mês de janeiro de 2012, efetuada no site da Junta Comercial do Estado de São Paulo, com enfermeiros empreendedores registrados até 2011. Essa instituição é um órgão para-governamental que tem a função de registrar a abertura de empresas e fiscalizar sua situação comercial, sendo necessário obter-se junto a ela um protocolo de registro, dentre outras autorizações legais, para a criação de qualquer empreendimento comercial(8Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP). Registro e abertura de empresas [Internet]. São Paulo; 2012 [acesso em 03 de janeiro de 2012]. Disponível em: https://www.jucesponline.sp.gov.br/Default.aspx
https://www.jucesponline.sp.gov.br/Defau...
). Cada Estado da federação possui a sua Junta Comercial, e a de São Paulo, por ser o mais produtivo estado do ponto de vista econômico, concentra grande parte dos registros no país.

Para a obtenção dos dados, uma das pesquisadoras e um auxiliar de pesquisa efetuaram seu cadastro junto à JUCESP, como cidadão comum, sem infração das regras do órgão e das leis brasileiras. Com a palavra chave "enfermagem", foram selecionadas todas as fichas cadastrais simplificadas das empresas correspondentes e, de cada uma delas, obtiveram-se os dados referentes às variáveis selecionadas para o estudo, a saber: objeto social da empresa, que indica qual o tipo de atividade que a mesma desenvolve, capital investido, período de constituição da empresa, enquadramento societário, nome e formação dos empresários e cidades de origem dessas empresas.

O nome e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) dos empresários identificados com formação na Enfermagem foram relacionados e, no site do órgão fiscalizador do exercício profissional, o Conselho Regional de Enfermagem(9Coren-sp.gov.br [Internet] Consulta de profissionais. São Paulo; 2012 [acesso em 15 de fevereiro de 2012]. Disponível em: http://www.coren-sp.gov.br/busca-profissional
http://www.coren-sp.gov.br/busca-profiss...
), foi efetuada consulta de cada nome, para a identificação da categoria profissional a que pertenciam -enfermeiros, técnicos de enfermagem ou auxiliares de enfermagem. Classificou-se como "outros", os empresários cujos nomes não correspondiam aos registros no COREN-SP.

Os dados coletados foram lançados e organizados em banco de dados criado com os recursos do programa Microsoft® Excel, para o cálculo da distribuição da frequência simples e relativa das variáveis. As variáveis contínuas foram o tipo de empresa ativa, tempo de existência por anos, atividade econômica principal, valor do capital, porcentagem de sócios enfermeiros, distribuição das empresas por região do Estado de São Paulo.

RESULTADOS

Ao analisar os dados encontrou-se um total de 196 empresas ativas dirigidas por enfermeiros empresários, sendo que na década de 1990 a 2000, foram constituídas 26 (13,3%) empresas e, na década seguinte, 170 (86,7%), conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1
Referente ao ano de constituição da empresa, São Paulo, 2012

Para abertura das empresas identificadas houve a necessidade de investimento de capital que variou de R$ 1.0000, 00 até investimentos acima de R$ 100.000,00, apresentadas na Figura 2.

Figura 2
Referente ao capital investido para abertura de empresa, São Paulo, 2012

Das 196 empresas identificadas, 31 (16%) investiram capital entre R$ 500,00 a R$ 1.000,00; 83 (42%) investiram entre R$ 1.001,00 a R$ 5.000,00; 40 (20%) entre R$ 5.001,00 a R$ 10.000,00; 34 (17%) entre R$ 10.001,00 a R$ 50.000,00; três (2%) investiram entre R$ 50.001,00 a R$ 100.000,00 e cinco tiveram investimento de capital acima de R$100.001,00.

O estudo identificou que as 196 empresas foram abertas por proprietários sócios, nas diferentes modalidades de sociedade, a partir dessa identificação todos os nomes presentes nas fichas cadastrais passaram por identificação no site do COREN-SP, sendo possível identificar que, dentre os proprietários das empresas, 290 eram profissionais de enfermagem distribuídos nas três categorias: enfermeiros 203 (75,5%), auxiliares de enfermagem 44 (16,3%) e técnicos de enfermagem 22 (8,2%). Desses, 269 eram profissionais inscritos e ativos no COREN-SP e 21 estavam inativos. Em 62% das empresas localizadas na Grande São Paulo, havia pelo menos um enfermeiro em sua constituição.

Quanto à distribuição dessas empresas no Estado de São Paulo (Figura 3), identificou- se que a maior parte dessas empresas estão localizadas nos grandes centros, o estudo mostrou que 70 dessas empresas, ou seja, (36%) estão localizadas na cidade de São Paulo, seguido de cidades da grande São Paulo e interior, sendo os números mais representativos nas cidades de São Bernardo, registrado 14 (7%), Sorocaba com 12 (6%), Campinas com 11 (6%), também Taubaté com 9 (4%) empresas registradas, seguido de outras cidades como São Caetano do Sul, Araraquara, Poá, Barretos, Guarujá, Piracicaba e Santos que somaram 26 (13%) empresas registradas. A figura 3 destaca também 54 (28%) empresas registradas em outras cidades, esse número se refere ao registro de uma a duas empresas por diferentes cidades.

Figura 3
Referente à distribuição de empresas no Estado de São Paulo, São Paulo, 2012

O estudo também possibilitou a identificação quanto à identificação do porte da empresa (Figura 4), em que 16 (8%) empresas estão registradas como empresa de pequeno porte, 76 (39%) são micro empresas e 104 (53%) não especificam o porte da empresa.

Figura 4
Referente à identificação do porte das empresas, São Paulo, 2012

Como objeto social, isto é, o tipo de serviço prestado pela empresa 110 (55%) empresas registraram como atividade de enfermagem, 25 (13%) comércio varejista, 25 (13%) atividades de educação, relacionado ao ensino técnico, 16 (8%) empresas declararam outras atividades, sem relação com atividades de enfermagem, 7 (4%) atividades de treinamento, 5 (3%) prestação de serviços, 4 (2%) aluguel de equipamentos, 2 (1%) comércio atacadista e 2 (1%) empresa de consultoria, conforme Figura 5.

Figura 5
Referente ao objeto social das empresas, São Paulo, 2012

DISCUSSÃO

A Enfermagem tem várias razões e oportunidades para ter o seu próprio empreendimento. Primeiro, por ser uma profissão que tem uma compreensão das necessidades do ser humano de forma integral e contextualizada. Segundo, porque a enfermagem tem potencial e oportunidades para explorar novos espaços sociais, não necessitando submeter-se aos espaços tradicionais de cuidados, em que prevalece a noção de doença. E ainda, o estímulo ao empreendedorismo é de inevitável relevância por possibilitar a conquista de novos campos e impulsionar o crescimento econômico do país1Morais JA, Haddad MCL, Rossaneis MA, Silva LGC. Práticas de enfermagem empreendedoras e autônomas. Cogitare Enferm. 2013;18(04):695-701..

Para Backes, Erdmann e Buscher(1010 Backes DS, Erdmann AL, Buscher A. O cuidado de enfermagem como prática empreendedora: oportunidades e possibilidades. Acta Paul Enferm [Internet]. 2010 [acesso em 15 de fevereiro de 2012];23(3):341-7. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002010000300005
http://www.scielo.br/scielo.php?script=s...
) estudos de âmbito internacional evidenciaram que vários enfermeiros buscaram novas alternativas de trabalho para se libertarem da burocracia e limites impostos pelas instituições tradicionais de cuidado em saúde.

No Estado de São Paulo, também tem-se o cenário de abertura de empresas por enfermeiros, cerca de 196 na última década. Essa demanda pode ser justificada pelo mercado requerendo profissionais autônomos para atuar em consultorias, com vínculo de trabalho como pessoa jurídica e também para atuar em desenvolvimento de pessoal e em assistência domiciliar, mas também por incompatibilidade na administração dos serviços de saúde.

Esse fenômeno, aliado à redução de impostos para pessoas jurídicas, ocorrida na última década, pode ter contribuído para o empreendedorismo na Enfermagem. Deve-se lembrar, no entanto, que 35% das novas empresas fracassam no primeiro ano de vida e 71% não conseguem chegar a cinco anos7Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). O exercício da enfermagem nas instituições de saúde do Brasil: 1982/1983. Rio de Janeiro (RJ): COFEN/ABEn; 1985..

Acredita-se que uma das formas de evitar esse cenário e estimular o desenvolvimento do enfermeiro empreendedor é por meio da inserção dessa discussão na formação do profissional, pois "ser empreendedor" envolve fatores psicológicos, comportamentos e atitudes que podem ser estimulados nos estudantes, resultando na formação de um profissional diferenciado, porém, atualmente, no ensino de enfermagem, as escolas encontram dificuldades na incorporação das propostas para incrementar as mudanças na formação dos profissionais, principalmente aquelas relativas à aquisição, desenvolvimento, avaliação das competências e das habilidades. Observa-se que não existe clara definição sobre as competências para a formação do enfermeiro, principalmente as competências responsáveis para a necessidade do mercado de trabalho atual(1111 Andrade AC, Cagnacci CV, Sanna MC. Conteúdo de empreendedorismo nos cursos de graduação em enfermagem: panorama da cidade de São Paulo - Brasil. In: XI Conferência Ibero-americano e de países de língua portuguesa e III Encontro Latinoamérica-Europa de Educação em Enfermagem: Anais da XI Conferência de Educação em Enfermagem da ALADEFE; 18 a 24 de set. 2011; Coimbra (Pt): Actas e comunicações; 2011.-1212 Colenci R, Berti HW. Formação profissional e inserção no mercado de trabalho: percepções de egressos de graduação em enfermagem. Rev Esc Enferm USP [Internet] 2012 [acesso em 05 de dezembro de 2012];46(1):153-61. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n1/a22.pdf
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n1/a2...
).

O estudo mostrou que 36% das empresas registradas por enfermeiros estão localizadas na cidade de São Paulo, fato que pode estar relacionada há uma grande concentração de enfermeiros, mas também ao mercado atual de saúde, cerca de 80% da população consome mensalmente produtos e serviços de saúde. No Brasil, ser empreendedor é um fator importante para a economia, possibilita a geração de emprego e renda, gera crescimento econômico e melhora as condições de vida da população, porém o empreendedor deve identificar as reais necessidades do negócio idealizado, mesmo na área da saúde e, somente após essa medida, tornar-se um empresário a partir da criação de uma micro, pequena e média empresa(1313 Arribas CM, Backes DS, Souza Júnior JGC, Piva MG. As multifaces do empreendedorismo na enfermagem brasileira. Santa Maria (RS): Centro Universitário Franciscano; 2011.).

O maior contingente das empresas abertas por enfermeiros ainda são micro empresas (39%), seguido de pequenas empresas (8%), mas um maior contingente não apresentava especificação nas fichas cadastrais. É possível argumentar nessa direção que a maior parte das empresas identificadas tem um faturamento, no máximo de R$ 240.000,00 por ano, no caso das pequenas empresas, o faturamento passa para R$ 240.000,00 até R$ 2.400.000,00 por ano(1414 Pereira HJ. Criando o seu próprio negócio: como desenvolver o potencial empreendedor. Brasília (DF): SEBRAE; 1995.).

Também há que se discutir sobre o objeto social das 196 empresas identificadas, pois dentre os objetos identificados nesse estudo, poucos realmente estão relacionados às atividades do enfermeiro, o empreendedorismo do enfermeiro está voltado para a criação, gestão e busca de alternativas de mercado que visam o cuidado humano, alicerçado na criatividade e inovação, em uma relação de ganho para ambas as partes(1313 Arribas CM, Backes DS, Souza Júnior JGC, Piva MG. As multifaces do empreendedorismo na enfermagem brasileira. Santa Maria (RS): Centro Universitário Franciscano; 2011.).

O enfermeiro como profissional liberal pode exercer suas atividades em suas clínicas ou consultórios de enfermagem fazendo consulta de enfermagem, administração de medicamentos e tratamentos prescritos, orientação para auto aplicação de medicamentos, orientação e controle de pacientes crônicos, gestantes, curativos, entre outras atividades. O enfermeiro empreendedor também deve garantir para que a assistência chegue até o cliente de forma competente, responsável, tecnicamente correta e ética(1515 Oguisso T, Schmidt MJ. O exercício da enfermagem: uma abordagem ético-legal. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 2010.).

CONCLUSÃO

No período de 1990 a 2011 intensificaram-se as políticas para abertura de empresas no Brasil, estimulando o empreendedorismo no profissional informal, e também nas profissões reconhecidas como liberais.

Na Enfermagem esse cenário foi identificado no estado de São Paulo, onde houve predomínio de empresas registradas com objeto social de atividade de enfermagem, iniciadas com capital até R$ 5.000,00, cuja maioria dos proprietários eram enfermeiros inscritos e ativos no COREN-SP. Essas empresas registradas no JUCESP foram constituídas como micro empresas, sendo a maior parte, constituídas na Grande São Paulo e litoral, regiões de grande concentração populacional e também maior concentração de polos comerciais, industriais, de prestação de serviços do estado e com grandes demandas de saúde; possibilitando a viabilidade e sustentabilidade de um negócio em enfermagem.

Os resultados do estudo revelaram que a atividade empresarial em enfermagem é uma realidade mais presente na atualidade, destaca-se o registro de 170 (86,7%) empresas na última década para atividade de enfermagem. Esse aumento pode estar associado à insatisfação no trabalho, necessidade de melhores ganhos ou mesmo a busca de novas perspectivas associada ao desenvolvimento de um perfil empreendedor.

Trata-se de uma profissão em ascensão na prática do empreendedorismo no estado de São Paulo, com potencial e oportunidades para explorar novos campos, não necessitando se submeter somente aos espaços tradicionais do cuidado, em que, na maioria dos casos, prevalece o foco na doença. É preciso considerar que a formação, e a preparação adequada é uma importante forma de estimular o empreendedorismo no enfermeiro, provocando mudanças efetivas na visão desse profissional, possibilitando no futuro, abertura de novas empresas com atividades de enfermagem condizentes com as demandas sociais, mas também com as necessidades do mercado de trabalho.

REFERÊNCIAS

  • 1
    Morais JA, Haddad MCL, Rossaneis MA, Silva LGC. Práticas de enfermagem empreendedoras e autônomas. Cogitare Enferm. 2013;18(04):695-701.
  • 2
    Araújo MH, Lago RM, Oliveira LCA, Cabral PRM, Lin CC, Fillori LJ. O estímulo ao empreendedorismo nos cursos de química: formando químicos empreendedores. Quim Nova. 2005;28(Suppl):2:S18-25.
  • 3
    Zouain DM, Barone FM. Empreendedorismo feminino no Brasil: políticas públicas sob análise. Rev Adm Pública. 2009;43(1):231-56.
  • 4
    Ibge.gov.br/home [Internet]. Produto Interno Bruto 2005-2009. Brasília: IBGE; [s.d] [acesso em 03 de janeiro de 2012]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/.
    » http://www.ibge.gov.br/home/
  • 5
    Roncon PF, Munhoz S. Estudantes de enfermagem têm perfil empreendedor? Rev Bras Enferm. 2009;62(5):695-700.
  • 6
    Santos EF, Santos EB, Santana GO, Assis MF, Meneses RO. Legislação em enfermagem. São Paulo (SP): Atheneu; 2006.
  • 7
    Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). O exercício da enfermagem nas instituições de saúde do Brasil: 1982/1983. Rio de Janeiro (RJ): COFEN/ABEn; 1985.
  • 8
    Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP). Registro e abertura de empresas [Internet]. São Paulo; 2012 [acesso em 03 de janeiro de 2012]. Disponível em: https://www.jucesponline.sp.gov.br/Default.aspx
    » https://www.jucesponline.sp.gov.br/Default.aspx
  • 9
    Coren-sp.gov.br [Internet] Consulta de profissionais. São Paulo; 2012 [acesso em 15 de fevereiro de 2012]. Disponível em: http://www.coren-sp.gov.br/busca-profissional
    » http://www.coren-sp.gov.br/busca-profissional
  • 10
    Backes DS, Erdmann AL, Buscher A. O cuidado de enfermagem como prática empreendedora: oportunidades e possibilidades. Acta Paul Enferm [Internet]. 2010 [acesso em 15 de fevereiro de 2012];23(3):341-7. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002010000300005
    » http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002010000300005
  • 11
    Andrade AC, Cagnacci CV, Sanna MC. Conteúdo de empreendedorismo nos cursos de graduação em enfermagem: panorama da cidade de São Paulo - Brasil. In: XI Conferência Ibero-americano e de países de língua portuguesa e III Encontro Latinoamérica-Europa de Educação em Enfermagem: Anais da XI Conferência de Educação em Enfermagem da ALADEFE; 18 a 24 de set. 2011; Coimbra (Pt): Actas e comunicações; 2011.
  • 12
    Colenci R, Berti HW. Formação profissional e inserção no mercado de trabalho: percepções de egressos de graduação em enfermagem. Rev Esc Enferm USP [Internet] 2012 [acesso em 05 de dezembro de 2012];46(1):153-61. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n1/a22.pdf
    » http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n1/a22.pdf
  • 13
    Arribas CM, Backes DS, Souza Júnior JGC, Piva MG. As multifaces do empreendedorismo na enfermagem brasileira. Santa Maria (RS): Centro Universitário Franciscano; 2011.
  • 14
    Pereira HJ. Criando o seu próprio negócio: como desenvolver o potencial empreendedor. Brasília (DF): SEBRAE; 1995.
  • 15
    Oguisso T, Schmidt MJ. O exercício da enfermagem: uma abordagem ético-legal. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 2010.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jan-Feb 2015

Histórico

  • Recebido
    04 Nov 2014
  • Aceito
    07 Jan 2015
Associação Brasileira de Enfermagem SGA Norte Quadra 603 Conj. "B" - Av. L2 Norte 70830-102 Brasília, DF, Brasil, Tel.: (55 61) 3226-0653, Fax: (55 61) 3225-4473 - Brasília - DF - Brazil
E-mail: reben@abennacional.org.br