Virtualização da Semana Brasileira de Enfermagem na pandemia de COVID-19: o ineditismo e o tangível

Luiza Mara Correia Ricardo de Mattos Russo Rafael Mercedes Neto Juliana Amaral Prata Magda Guimarães de Araujo Faria Sobre os autores

ABSTRACT

Objective:

to report the virtualization experience of the 81st Brazilian Nursing Week of a public university in the state of Rio de Janeiro.

Methods:

an experience report with descriptive approach on the planning and virtual operationalization of a traditional nursing event, which took place in May 2020.

Results:

the event had 543 entries and 39 activities were offered, 3 panels with the presence of international guests, 1 national conference, 3 thematic roundtable discussions, 9 roundtable discussions involving projects and extension leagues, 5 cultural activities and 17 activities in social networks (lives and videos). Final considerations: the virtualization of the 81st Brazilian Nursing Week brought the learning and appropriation of new ways of debating nursing in times of physical isolation, which will contribute to an immediate future in social and work relations as well as to the collaborative construction of knowledge.

Descriptors:
Educational Technology; Online Social Networking; Nursing; Pandemics; Coronavirus Infections

RESUMEN

Objetivo:

reportar la experiencia de virtualización de la 81ª Semana Brasileña de Enfermería en una universidad pública del estado de Río de Janeiro.

Métodos:

relato de experiencia con enfoque descriptivo sobre la planificación y operación virtual de un evento de enfermería tradicional, que se llevó a cabo en mayo de 2020.

Resultados:

el evento contó con 543 inscripciones y se ofrecieron 39 actividades, incluyendo 3 paneles con presencia de invitados internacionales, 1 conferencia nacional, 3 círculos de conversación temáticos, 9 círculos de conversación que involucran proyectos de extensión y ligas, 5 actividades culturales, 17 actividades en redes sociales (lives y videos).

Consideraciones finales:

la virtualización de la 81a Semana Brasileña de Enfermería trajo el aprendizaje y la apropiación de nuevas formas de debatir la enfermería en tiempos de aislamiento físico, que contribuirá en un futuro inmediato en las relaciones sociales y laborales, así como a la construcción colaborativa del conocimiento.

Descriptores:
Tecnología Educacional; Redes Sociales en Línea; Enfermería; Pandemias; Infecciones por Coronavirus

RESUMO

Objetivo:

relatar a experiência de virtualização da 81º Semana Brasileira de Enfermagem de uma universidade pública do estado do Rio de Janeiro.

Métodos:

relato de experiência com abordagem descritiva sobre o planejamento e a operacionalização virtual de um evento tradicional da enfermagem, que aconteceu em maio de 2020.

Resultados:

o evento contabilizou 543 inscrições e foram oferecidas 39 atividades, sendo 3 painéis com a presença de convidados internacionais, 1 conferência nacional, 3 rodas de conversa temáticas, 9 rodas de conversa envolvendo projetos e ligas de extensão, 5 atividades culturais e 17 atividades em redes sociais (lives e vídeos).

Considerações finais:

a virtualização da 81ª Semana Brasileira de Enfermagem trouxe o aprendizado e a apropriação de novas formas de debater enfermagem em tempos de isolamento físico, que contribuirão em um futuro imediato nas relações sociais e de trabalho, assim como para a construção colaborativa de conhecimentos.

Descritores:
Tecnologia Educacional; Redes Sociais Online; Enfermagem; Pandemias; Infecções por Coronavirus

INTRODUÇÃO

Desde a declaração da pandemia pela doença do novo coronavírus (COVID-19) em março de 2019, o distanciamento físico social, a adoção universal de práticas de higiene e a utilização de equipamentos de proteção individual têm se configurado como os métodos mais eficazes de controle da COVID-19 até o momento(11 Rafael RMR, Neto M, Carvalho MMB, David HMSL, Acioli S, Faria MGA. Epidemiology, public policies and Covid-19 pandemics in Brazil: what can we expect? Rev Enferm UERJ. 2020;28:e49570. https://doi.org/10.12957/reuerj.2020.49570
https://doi.org/10.12957/reuerj.2020.495...
). No entanto, essas ações exigem a construção de uma nova cultura de atenção à saúde, de práticas educativas e de interações na sociedade. Ao mesmo tempo, cresce o quantitativo de pessoas adoecidas e com potencial de gravidade, implicando em sobrecarga dos serviços assistenciais e colapso dos sistemas de saúde, com mortes que poderiam ser evitáveis(22 Guan WJ, Ni ZY, Hu Y, Liang WH, Ou CQ, He JX, et al. Clinical Characteristics of Coronavirus Disease 2019 in China. N Engl J Med. 2020;82:1708-20. https://doi.org/10.1056/NEJMoa2002032
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).

Diante da complexidade deste novo padrão de normalidade da vida, que tem provocado reflexões sociais e acadêmicas, foi necessário reinventar as comemorações do bicentenário de Florence Nightingale no ano de 2020 que, originalmente, objetivavam a visibilidade do trabalho de enfermeiras, auxiliares e técnicas de enfermagem, obstetrizes e parteiras no mundo. Para além da impossibilidade de eventos presenciais, a incontestável atuação das equipes de enfermagem na prevenção e controle da COVID-19 agregou novos sentidos à campanha identitária e de valorização intitulada Nursing Now, a qual incorporou a essencialidade da prática qualificada da enfermagem em defesa da vida no contexto pandêmico.

Os relatórios Triple Impact of Nursing e Expanding the role of nurses in Primary Health Care, respectivamente publicados em 2016 e 2018, já apontavam o papel fundamental da enfermagem na agenda global e a necessidade de expandi-lo para os diversos níveis de atenção dos sistemas de saúde(33 All-Party Parliamentary Group on Global Health. Triple Impact: how developing nursing will improve health, promote gender equality and support economic growth [Internet]. 2016 [cited 2020 Jun 07]. Available from: http://www.who.int/hrh/com-heeg/digital-APPG_triple-impact.pdf?ua=1
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-44 Pan American Health Organization. Expanding the role of nurses in Primary Health Care [Internet]. 2018 [cited 2020 Jun 07]. Available from: http://iris.paho.org/xmlui/bitstream/handle/123456789/34958/9789275120033_eng.pdf?sequence=6&isAllowed=y
http://iris.paho.org/xmlui/bitstream/han...
). Em 2020, sob a nova dinâmica imposta pela pandemia, verifica-se um grande volume de produções científicas que relatam as experiências exitosas desta atuação(55 Fernandez R, Lord H, Halcomb E, Moxham L, Middleton R, Alananzeh I, et al. Implications for COVID-19: a systematic review of nurses’ experiences of working in acute care hospital settings during a respiratory pandemic. Int J Nurs Stud. 2020;103637. https://doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2020
https://doi.org/10.1016/j.ijnurstu.2020...
).

Especificamente no Brasil, esse contexto trouxe um desafio adicional, sobretudo pela tradição das instituições de ensino, pesquisa e atenção à saúde nas comemorações da Semana Brasileira de Enfermagem (SBEn), iniciada nos anos de 1940, com a finalidade de promover a troca de saberes, formais e não formais; congregar a categoria; discutir problemas do cotidiano profissional de enfermeiras nos diferentes espaços de atuação; e refletir sobre estratégias para a melhoria da assistência à saúde da população(66 Rizzotto MLF. Resgate histórico das primeiras Semanas de Enfermagem no Brasil e a conjuntura nacional. Rev Bras Enferm. 2006;59(spe):423-27. https://doi.org/10.1590/S0034-71672006000700007
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).

Com a suspensão de parte expressiva das atividades acadêmicas, este evento anual da enfermagem se transformou em objeto de ineditismo e práticas tangíveis. As questões que se estabeleceram foram: como comemorar sem produzir alienação frente à crise sanitária experimentada? Como atingir os diversos grupos da enfermagem que, na linha de frente da atenção à saúde, precisam congregar e acumular saberes, experiências e afetos? A fim de sedimentar as características identitárias e valorizar a enfermagem, como vencer um certo encastelamento acadêmico e romper as barreiras entre a academia, os profissionais e a sociedade de um modo geral, especialmente em meio ao contexto pandêmico?

Tendo como eixos norteadores as demandas sociais e profissionais emergentes no campo da enfermagem durante o curso pandêmico da COVID-19, a virtualização emergiu como estratégia inovadora para concretizar a tradição da SBEn, pois tudo que existe em vários lugares sem estar fisicamente presente em um local determinado, é virtual(77 Lévy P. Cibercultura. 3° ed. São Paulo: Editora 34; 2010. 270 p.). Desse modo, o mundo virtual aberto, ou seja, online, é o meio tangível de comunicação e interação que permite a sociabilidade, a difusão e a construção colaborativa de conhecimentos entre os indivíduos que não compartilham do mesmo espaço geográfico(77 Lévy P. Cibercultura. 3° ed. São Paulo: Editora 34; 2010. 270 p.), como o que vem acontecendo neste momento histórico do ano de 2020.

OBJETIVO

Relatar a experiência de virtualização da 81º Semana Brasileira de Enfermagem de uma universidade pública do estado do Rio de Janeiro.

MÉTODOS

Trata-se de um relato de experiência com abordagem descritiva sobre a virtualização da 81ª SBEn de uma universidade pública do estado do Rio de Janeiro, que aconteceu entre os dias 13 e 15 de maio de 2020, com duração total de 24 horas. A ideia do evento virtual surgiu em uma reunião do colegiado docente, compreendendo a importância de manter as festividades tradicionais da enfermagem já previstas, potencializar a visibilidade da categoria profissional e impulsionar um paradigma solidário, sobretudo diante do advento da pandemia.

Com o objetivo de planejar e operacionalizar um evento comemorativo por meio digital, sem qualquer vivência prévia deste tipo ou suporte técnico especializado, optou-se pela constituição de duas comissões, compostas por membros da direção, da coordenação de extensão, graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu, das chefias de departamento e de representantes dos funcionários técnico-administrativos, dos discentes e da enfermagem dos serviços assistenciais da universidade.

A Comissão Científica envolveu 9 membros, sendo a responsável pela proposição de temáticas e pela organização das atividades, em alinhamento com o tema emergente da COVID-19 e o objeto central da Semana para o ano de 2020, Qualidade em enfermagem e saúde na defesa do SUS, proposto pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) Nacional.

Já a Comissão Técnica e Digital abarcou 16 membros que ficaram imbuídos de operacionalizar a programação científica e cultural do evento, envolvendo a oferta de atividades diversificadas, como painéis, conferência, rodas de conversa, atividades culturais e interações em redes sociais (lives e vídeos), divulgadas através de postagens nas redes sociais da faculdade.

Utilizando-se acesso federado nas salas da plataforma Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) da Conferência Web, com transmissão via streaming para o canal de YouTube institucional, a 81ª SBEn alcançou um total de 543 inscritos, como pesquisadores, professores e alunos de enfermagem pertencentes a escolas, faculdades, institutos e universidades públicas e privadas do estado do Rio de Janeiro.

Ressalta-se que o presente artigo dispensou a apreciação de um Comitê de Ética em Pesquisa, visto que se trata de um relato de experiência, o qual não abrangeu participantes de uma investigação ou intervenção.

RESULTADOS

Planejamento e operacionalização da 81ª Semana Brasileira de Enfermagem em ambiente virtual: o ineditismo

O ineditismo desta experiência reside no planejamento e na operacionalização da 81ª SBEn totalmente virtual, sem perder de vista a diversidade e a qualidade características deste evento tradicional da enfermagem. Neste sentido, recorreu-se à solidariedade, sensibilidade e criatividade de todos os envolvidos em sua concepção, tendo como base o conceito de conferência eletrônica, compreendida como sistemas digitais que permitem o compartilhamento de um espaço virtual de comunicação, no mesmo momento, por indivíduos geograficamente distantes, mas conectados a partir de objetos de interesse comum, conformando lugares de encontros virtuais(77 Lévy P. Cibercultura. 3° ed. São Paulo: Editora 34; 2010. 270 p.).

Sob essa ótica, o trabalho da Comissão Científica perpassou pela proposição das atividades do evento, tendo como finalidade a criação de espaços de discussão, reflexão e valorização da enfermagem no contexto da COVID-19, trazendo profissionais que vivenciaram, e ainda vivenciam, esta situação de calamidade sanitária.

Os painéis e a conferência tiveram um formato tradicional, com a presença de palestrantes e um mediador para as discussões. Assim, para o primeiro painel, foram convidadas três enfermeiras, uma de Portugal e duas do Brasil, a fim de discutir as diferentes realidades da prática profissional. O segundo contou com a participação de enfermeiras de países com indicadores de COVID-19 em franco crescimento em sua incidência, com o intuito de relatar as experiências exitosas da enfermagem no enfrentamento da pandemia no Brasil, na Itália, na Espanha e no Chile. O terceiro objetivou refletir os significados e ressignificados das práticas avançadas e suas interfaces com a Campanha Nursing Now por meio das falas de representantes do Conselho Federal de Enfermagem e da ABEn Nacional. Para a conferência, a proposta foi apresentar as diferentes formas de atuação da enfermagem brasileira no contexto da pandemia, com base nas políticas públicas de saúde.

As rodas de conversa temáticas intentaram a troca de experiências e a construção compartilhada de conhecimentos, com a participação de convidados e inscritos na referida atividade. Já as rodas de conversa na modalidade Experiências e conexões: ligas e projetos convidam se configuraram como momentos de integração entre projetos de extensão, ligas acadêmicas e grupos de pesquisa, que foram organizados e conduzidos pelos coordenadores que inscreveram a atividade.

Por outro lado, as atividades culturais se basearam na socialização do potencial artístico de nosso corpo docente e discente, expresso na leitura de poemas e cordéis. Em relação às lives, essas transmissões online e ao vivo em perfis das redes sociais aconteceram em horários diversificados, agendados previamente e, na maioria das vezes, com a participação de convidados para a discussão da temática proposta.

Paralelamente à elaboração da programação científica, a Comissão Técnica e Digital fez um levantamento dos graduandos da faculdade com interesse em atuar como monitores no evento, o que resultou na captação de 22 educandos. Em seguida, o grupo organizou treinamentos na plataforma RNP e no YouTube, abordando a apropriação dos recursos disponíveis e a realização de simulações sobre as dinâmicas das atividades diárias e da transmissão ao vivo do evento. Após essas etapas, os membros da Comissão se dividiram em duas equipes, com responsabilidades distintas considerando as especificidades dos ambientes virtuais nos quais o evento aconteceu.

Assim, o grupo responsável pelas salas de Conferência Web conformou o seguinte arranjo: um anfitrião, representado por docentes da faculdade que criaram sua sala própria com acesso federado, gerenciaram as ferramentas da plataforma e viabilizaram sua transmissão; um docente, que recepcionou convidados e moderadores; e dois monitores, incumbidos de aceitar a entrada dos inscritos nas atividades das referidas salas, organizar as comentários do bate papo e do chat, bem como ordenar as falas para os debates. Não obstante, a segunda equipe estava no YouTube institucional para gerar o streaming, registar as interações do chat e as representações de instituições no evento, manejar situações de postagens não apropriadas e preparar o arquivo da atividade para posterior disponibilização no canal.

Ressalta-se que o processo de planejamento e operacionalização da 81ª SBEn aconteceu em um período de três semanas, envolvendo, sobretudo, a rápida apropriação de tecnologias digitais de comunicação e informação por docentes que, até então, não possuíam maiores aproximações com o uso desses recursos no ensino formal e não formal(88 Santana CLS, Borges Sales KM. Aulas em casa: educação, tecnologia e pandemia Covid-19. Interfaces Cient Educ. 2020;10(1):75-92. https://doi.org/10.17564/2316-3828.2020v10n1p75-92
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), sobretudo para a realização de eventos online.

No entanto, esse desafio não se sobrepôs à importância da criação de encontros em pleno avanço da pandemia, a fim de promover a socialização de saberes e práticas, o acolhimento das vivências de sofrimento e o compartilhamento de experiências da enfermagem no âmbito da educação, gestão e assistência. Assim, vislumbrou-se que a virtualização da SBEn agregaria significados simbólicos à atuação da enfermagem no enfrentamento da COVID-19 e, especialmente em tempos de distanciamento, seria estratégico para fortalecer os referentes identitários da profissão.

Realização da 81ª Semana Brasileira de Enfermagem em ambiente virtual: o tangível e seu alcance

O evento contabilizou 543 inscrições, divididas em 322 alunos (59,30%), 78 docentes (14,36%) e 143 enfermeiros (26,34%), distribuídos em 62 instituições, sendo 48 de origem da cidade do Rio de Janeiro (77,42%) e 14 de outras localidades (22,58%).

Ao todo, foram oferecidas 39 atividades, sendo: 5 atividades culturais; 17 atividades em redes sociais (lives e vídeos); 3 painéis, com a presença de convidados internacionais; 1 conferência nacional; 3 rodas de conversa temáticas; e 9 rodas de conversa envolvendo projetos e ligas de extensão.

Dentre as atividades programadas sem streaming, foram realizadas 17 lives em redes sociais, as quais foram coordenadas pelos propositores no período de 12 a 15 de maio, sendo três no primeiro dia, quatro no segundo, seis no terceiro e quatro no último dia do evento. No tocante às temáticas abordadas, primou-se pelo diálogo entre o escopo dos projetos de extensão, os objetos dos grupos de pesquisa da instituição e o contexto sanitário da pandemia de COVID-19, em articulação com saberes e práticas de enfrentamento desta nova doença emergente.

As atividades culturais foram gravadas previamente, no formato de mídia audiovisual, transmitidas ao final de cada dia do evento, como “estreia” no canal institucional do YouTube, alcançando a média de 122 visualizações. Como atividades com transmissão via streaming em tempo real, destacam-se os painéis, a conferência e as rodas de conversa, apresentadas no Quadro 1.

Quadro 1
Atividades da 81ª Semana Brasileira de Enfermagem com transmissão ao vivo, Rio de Janeiro, Brasil, 2020

Por ser público e de acesso aberto, outros participantes, além dos inscritos, tiveram a oportunidade de acompanhar o evento e interagir por meio do chat do canal institucional do YouTube. Nos dias do evento, a média de acesso das atividades foi de 326 visualizações e o painel Experiências exitosas da enfermagem na pandemia de COVID-19 alcançou o maior número de visualizações (N= 687).

Com vistas à socialização dos debates e reflexões do evento, optou-se pela gravação dos painéis, da conferência e das rodas de conversa, com disponibilização no YouTube. Essa estratégia aumentou o alcance da 81ª SBEn, tendo em vista que, após cinco meses de seu término, verificou-se um incremento nas visualizações de todas as atividades.

É válido ressaltar que a estratégia de virtualização adotada no evento apresentado vai ao encontro do fenômeno mundial de socialização da ciência em ambiente digital. A situação de isolamento não foi suficiente para paralisar o avanço do compartilhamento de saberes científicos, ao contrário, suscitou a construção de meios que pudessem contornar as limitações impostas pelo período pandêmico(99 Bottanelli F, Cardot B, Campelo F, Curran S, Davidson PM, Dey G, et.al. Science during lockdown - from virtual seminars to sustainable online communities. J Cell Sci. 2020;133(15):jcs249607. https://doi.org/10.1242/jcs.249607
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-1010 Korbel JO, Stegle O. Effects of the COVID-19 pandemic on life scientists. Genome Biol. 2020;21(113). https://doi.org/10.1186/s13059-020-02031-1
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).

Limitações do estudo

A experiência de refletir e agregar saberes utilizando tecnologias digitais de informação e comunicação impõe desafios, pelas limitações tecnológicas e habilidades pessoais, bem como pelas desigualdades de acesso à internet no país.

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou política

A virtualização da 81ª SBEn trouxe o aprendizado e a apropriação de novas formas de debater enfermagem em tempos de isolamento físico que contribuirão em um futuro imediato para as relações sociais e de trabalho, assim como para a construção colaborativa de conhecimentos.

Esta nova realidade promove o movimento de ruptura do encastelamento da ciência nas academias, aproximando a sociedade de suas manifestações e produções científicas. Ainda, no ano da enfermagem promovido pela Campanha Nursing Now, esta pode ser uma via de (re)construção de novas identidades com caminhos plurais da profissão da enfermeira.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considera-se a presente experiência exitosa, visto o grande alcance das atividades oferecidas, mesmo com todas as barreiras temporais e geográficas dos participantes, o que se traduz na compreensão subjetiva do impacto positivo deste evento científico e cultural, sobretudo no contexto de isolamento social decorrente da pandemia. Além disso, a virtualização da 81ª SBEn propiciou aos docentes a agregação de habilidades e saberes tecnológicos que vêm se mostrando apropriados ao contexto de ensino remoto.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    29 Nov 2021
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    17 Nov 2020
  • Aceito
    02 Set 2021
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