Aspectos de proteção e vulnerabilidade social de adolescentes de escola pública integral

Laurena Moreira Pires Márcia Maria de Souza Marcelo Medeiros Sobre os autores

ABSTRACT

Objective:

identify and analyze aspects related to social vulnerability of a group of teenagers of a public all-day school with regard to harmful and abusive use of psychoactive drugs.

Methods:

a strategic social study, with a qualitative approach, was carried out with 49 teenagers of a public all-day secondary school. Focus groups were carried out between 2016 and 2017, and the resulting material was transcribed and analyzed by means of thematic content analysis, resulting in the following categories: The family I come from; Birds of a feather; If I’m studying, how can I work?; Drugs: a non-parallel universe.

Results:

social vulnerability was associated with unequal income distribution, fragile social relations affected by the harmful use of drugs and vulnerability of public all-day schools.

Final considerations:

all-day schools did not appear as an effective tool to break away with the context of social vulnerability regarding the use of drugs.

Descriptors:
Social Vulnerability; Adolescent; School; Illicit Drugs; Adolescent Behavior

RESUMEN

Objetivo:

Identificar y analizar aspectos relativos a la vulnerabilidad social de un grupo de alumnos adolescentes de escolaridad pública a tiempo completo respecto del consumo abusivo y perjudicial de drogas psicoactivas.

Métodos:

Investigación social estratégica de abordaje cualitativo, desarrollada con 49 alumnos adolescentes de enseñanza secundaria pública a tiempo completo. Grupos focales realizados entre 2016 y 2017, el material fue transcripto y analizado por análisis de contenido temático, surgiendo las categorías: La familia a la que pertenezco; Con quién andas; Si estudias, ¿cómo trabajas?; Drogas: universo no paralelo.

Resultados:

La vulnerabilidad social estuvo asociada a la mala distribución de ingresos, debilidad de las relaciones sociales teñidas y respaldadas por el consumo nocivo de drogas y debilidad de la escuela pública a tiempo completo.

Consideraciones finales:

La escuela a tiempo completo no constituye una herramienta significativa para romper el contexto de vulnerabilidad social frente al consumo de drogas.

Descriptores:
Vulnerabilidad Social; Adolescente; Escuela; Drogas Ilícitas; Conducta del Adolescente

RESUMO

Objetivo:

identificar e analisar aspectos relacionados à vulnerabilidade social de um grupo de adolescentes do ensino público em tempo integral ao uso abusivo e prejudicial de drogas psicoativas.

Métodos:

pesquisa social estratégica de abordagem qualitativa, desenvolvida com 49 adolescentes de uma escola pública de ensino médio em tempo integral. Os grupos focais foram realizados entre 2016 e 2017 e o material obtido transcrito e analisado por meio da análise de conteúdo modalidade temática, tendo originado as seguintes categorias: a família de onde venho; com quem tu andas; se estudar, como trabalhar?; drogas: universo não paralelo.

Resultados:

a vulnerabilidade social foi relacionada à má distribuição de renda, à fragilidade das relações sociais permeadas e subsidiadas pelo uso nocivo de drogas e à fragilidade da escola pública em período integral.

Considerações finais:

a escola em tempo integral não se apresentou como ferramenta significativa para romper com o contexto de vulnerabilidade social ao uso de drogas.

Descritores:
Vulnerabilidade Social; Adolescente; Escola; Drogas Ilícitas; Comportamento do Adolescente

INTRODUÇÃO

A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano marcada por transformações biológicas, psicológicas e sociais, sendo um produto do contexto histórico, social, cultural e econômico em que os sujeitos estão inseridos(11 Bittencourt ALP, França LG, Goldim JR. Vulnerable adolescence: bio-psychosocial factors related to drug use. Revista Bioética. 2015;23(2):311-9. doi: 10.1590/1983-80422015232070
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-22 Silva MAI, Mello FCM, Mello DF, et al. Vulnerabilidade na saúde do adolescente: questões contemporâneas. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(2):619-27. doi: 10.1590/1413-81232014192.22312012
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). É um período de constante busca da identidade, de curiosidade, experimentação, sentimento de onipotência e contestação, trazendo em si uma condição intrínseca de vulnerabilidade e necessidade de proteção física, psíquica e moral, com atenção integral(11 Bittencourt ALP, França LG, Goldim JR. Vulnerable adolescence: bio-psychosocial factors related to drug use. Revista Bioética. 2015;23(2):311-9. doi: 10.1590/1983-80422015232070
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).

Das diversas situações de vulnerabilidade a que o adolescente pode ser exposto, o uso de drogas psicoativas tem sido caracterizado como integrado e presente em faixas etárias cada vez mais precoces no Brasil. Além disso, as características inerentes dessa fase do desenvolvimento potencializam a condição de vulnerabilidade desses sujeitos(22 Silva MAI, Mello FCM, Mello DF, et al. Vulnerabilidade na saúde do adolescente: questões contemporâneas. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(2):619-27. doi: 10.1590/1413-81232014192.22312012
https://doi.org/10.1590/1413-81232014192...
-33 Reis AAC, Malta DC, Furtado LAC. Challenges for public policies aimed at adolescence and youth based on the National Scholar Health Survey (PeNSE). Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(9):2879-90. doi: 10.1590/1413-81232018239.14432018
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).

A vulnerabilidade às drogas psicoativas na adolescência pode ser potencializada sobretudo para sujeitos de baixa renda e baixa escolaridade, com relações familiares disfuncionais marcadas pela permissividade e pelo convívio em ambientes nos quais é disseminado e normalizado o uso de drogas(33 Reis AAC, Malta DC, Furtado LAC. Challenges for public policies aimed at adolescence and youth based on the National Scholar Health Survey (PeNSE). Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(9):2879-90. doi: 10.1590/1413-81232018239.14432018
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-44 Lazari AH, Hungaro AA, Okamoto ARC, Suguayama P, Marcon SS, Oliveira MLF. Famílias em território vulnerável e motivos para o não uso de drogas. Rev Eletrôn Enferm. 2017;19:a11. doi: 10.5216/ree.v19.38380
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).

Estudos têm apontado a criação de laços sociais (família, escola ou amigos) como efeito protetor para o uso abusivo de drogas psicoativas e outras situações de vulnerabilidade na adolescência, com destaque para a interlocução da família e da escola na prontidão para a escuta qualificada, para o acolhimento das situações de sofrimento, reconhecimento das mudanças e das situações de risco na constituição de uma rede de cuidados singulares a esses sujeitos(33 Reis AAC, Malta DC, Furtado LAC. Challenges for public policies aimed at adolescence and youth based on the National Scholar Health Survey (PeNSE). Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(9):2879-90. doi: 10.1590/1413-81232018239.14432018
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4 Lazari AH, Hungaro AA, Okamoto ARC, Suguayama P, Marcon SS, Oliveira MLF. Famílias em território vulnerável e motivos para o não uso de drogas. Rev Eletrôn Enferm. 2017;19:a11. doi: 10.5216/ree.v19.38380
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-55 Henriques BD, Reinaldo AMS, Ayres LFA, Lucca MS, Rocha RL. The use of crack and other drugs: the perception of family members in relation to the support network in a reference Center. Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(10):3453-62. doi: 10.1590/1413-812320182310.13462016
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).

Neste estudo parte-se do entendimento de vulnerabilidade social proposto por Robert Castel, que analisa a existência do sujeito com base em sua inserção em dois eixos distintos: a inserção no mundo do trabalho e a densidade da inserção relacional em redes familiares e de sociabilidade (66 Castel R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. 11a. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.). A inserção relacional é caracterizada pelos vínculos estabelecidos com o grupo familiar e social mais próximos e assume importância na forma de existência social dos sujeitos, por permitir a percepção de pertencer a uma determinada comunidade(66 Castel R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. 11a. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.). O trabalho, por sua vez, configura-se como referência econômica, psicológica e identitária, cultural e simbólica na estruturação de sua existência, sendo considerado como um suporte privilegiado de inscrição na estrutura social(66 Castel R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. 11a. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.).

Sob esta perspectiva, a existência social é caracterizada pela densidade das relações sociais que o indivíduo mantém e suas conexões com o mundo do trabalho, possibilitando-lhe a diferenciação em quatro diferentes zonas de coesão social: integração, vulnerabilidade social, assistência e desfiliação(66 Castel R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. 11a. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.).

A 1) zona de integração é caracterizada pela associação entre trabalho estável e inserção relacional sólida; 2) zona de assistência, considerada uma zona na qual estão os indivíduos que não estão inseridos no mercado de trabalho por incapacidade, mas que, por outro lado, possuem forte inserção social, obtida por meio de mecanismos assistenciais; 3) a vulnerabilidade social caracteriza-se pela participação inconstante e aleatória no mundo de trabalho associada a relações sociais frágeis e pouco significativas. Essa situação, quando agravada, pode gerar a desfiliação; e 4), desfiliação, que é a ausência de participação em qualquer atividade produtiva e o isolamento relacional(66 Castel R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. 11a. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.).

O uso e abuso drogas psicotrópicas na adolescência cria situações individuais e coletivas capazes de comprometer a saúde física e psíquica do sujeito, com risco de degradar relações familiares e comunitárias e interferir sobremaneira no seu desenvolvimento e futuro(11 Bittencourt ALP, França LG, Goldim JR. Vulnerable adolescence: bio-psychosocial factors related to drug use. Revista Bioética. 2015;23(2):311-9. doi: 10.1590/1983-80422015232070
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,55 Henriques BD, Reinaldo AMS, Ayres LFA, Lucca MS, Rocha RL. The use of crack and other drugs: the perception of family members in relation to the support network in a reference Center. Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(10):3453-62. doi: 10.1590/1413-812320182310.13462016
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).

Por outro lado, a superação da condição de vulnerabilidade está associada às potencialidades e habilidades adquiridas pelos próprios adolescentes, bem como por suas famílias e comunidades onde vivem, para trilhar caminhos que permitam extrapolar essas dificuldades(77 Filgueiras CAC, Souki LG. Individualização da incerteza: direito condicionado e ativação da proteção social. Rev Soc Estado. 2017;32(1):89-114. doi: 10.1590/s0102-69922017.3201005
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).

Robert Castel discute a necessidade de fortalecer os indivíduos e suas famílias que se encontram em situação de fragilidade social para promover sua reabilitação a outras zonas de coesão social. O conceito de proteção social, para este autor, está relacionado ao indivíduo dispor de direitos e de condições mínimas de independência(77 Filgueiras CAC, Souki LG. Individualização da incerteza: direito condicionado e ativação da proteção social. Rev Soc Estado. 2017;32(1):89-114. doi: 10.1590/s0102-69922017.3201005
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). Na sociedade moderna, com a fragilização das relações de trabalho, a proteção social passa a configurar como condição para formar uma sociedade de semelhantes e de fato democrática(77 Filgueiras CAC, Souki LG. Individualização da incerteza: direito condicionado e ativação da proteção social. Rev Soc Estado. 2017;32(1):89-114. doi: 10.1590/s0102-69922017.3201005
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).

Assim, na última década, programas relacionados à proteção social do adolescente têm sido fomentados na área da educação, dentre eles a escola pública em tempo integral(88 Zucchetti TD, Moura EPG. Educação integral. Uma questão de direitos humanos? Ensaio: Aval Pol Públ Educ. 2017;25(94):257-76. doi: 10.1590/s0104-403620170001000010
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). Em sua concepção, a escola pública em tempo integral deve possibilitar, para além do cumprimento do currículo básico em um Núcleo Comum estabelecido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, comum a todas as escolas brasileiras, a participação dos estudantes em atividades que compõem o denominado Núcleo Diversificado. São disciplinas do Núcleo Diversificado aquelas caracterizadas pelo desenvolvimento de atividades ou oficinas para acompanhamento pedagógico, experimentação e pesquisa científica; relacionadas à cultura, ao esporte e lazer, às tecnologias da comunicação e informação, aos direitos humanos, à preservação do meio ambiente e à promoção da saúde e da qualidade de vida. Assim, seus currículos são baseados na alternância de aulas e atividades extracurriculares, com o propósito de integrar aspectos ditos científicos com o desenvolvimento social dos estudantes, incorporando à instituição escolar a missão de educar, proteger e empoderar crianças e adolescentes socialmente vulneráreis(88 Zucchetti TD, Moura EPG. Educação integral. Uma questão de direitos humanos? Ensaio: Aval Pol Públ Educ. 2017;25(94):257-76. doi: 10.1590/s0104-403620170001000010
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-99 Coelho LMCC, Maurício LV. Sobre tempo e conhecimentos praticados na escola de tempo integral. Educ Realidade. 2016;41(4):1095-112. doi: 10.1590/2175-623660673
https://doi.org/10.1590/2175-623660673...
).

A inserção no uso de drogas psicoativas pode, por sua vez, fragilizar a inserção relacional e também o ingresso no mundo do trabalho do adolescente, levando-o a transitar pela zona de vulnerabilidade social. Sob a perspectiva do conceito de vulnerabilidade social e proteção discutidos por Robert Castel, o consumo de drogas psicoativas entre adolescentes já pertencentes à zona de vulnerabilidade social pode representar uma possibilidade de organização da vida social, trazendo a sensação de inserção relacional ou mesmo de relação com o mundo do trabalho(22 Silva MAI, Mello FCM, Mello DF, et al. Vulnerabilidade na saúde do adolescente: questões contemporâneas. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(2):619-27. doi: 10.1590/1413-81232014192.22312012
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-33 Reis AAC, Malta DC, Furtado LAC. Challenges for public policies aimed at adolescence and youth based on the National Scholar Health Survey (PeNSE). Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(9):2879-90. doi: 10.1590/1413-81232018239.14432018
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,55 Henriques BD, Reinaldo AMS, Ayres LFA, Lucca MS, Rocha RL. The use of crack and other drugs: the perception of family members in relation to the support network in a reference Center. Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(10):3453-62. doi: 10.1590/1413-812320182310.13462016
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).

Por se tratar de uma perspectiva recente para a educação básica pública no Brasil, a escola pública em tempo integral tem sido amplamente discutida no meio científico quanto à sua qualidade como política pública educacional(88 Zucchetti TD, Moura EPG. Educação integral. Uma questão de direitos humanos? Ensaio: Aval Pol Públ Educ. 2017;25(94):257-76. doi: 10.1590/s0104-403620170001000010
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-99 Coelho LMCC, Maurício LV. Sobre tempo e conhecimentos praticados na escola de tempo integral. Educ Realidade. 2016;41(4):1095-112. doi: 10.1590/2175-623660673
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). Por outro lado, a discussão acerca do seu potencial como instrumento de garantia da proteção e desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes que vivem em um ambiente marcado por intensa vulnerabilidade ainda é pouco explorada(88 Zucchetti TD, Moura EPG. Educação integral. Uma questão de direitos humanos? Ensaio: Aval Pol Públ Educ. 2017;25(94):257-76. doi: 10.1590/s0104-403620170001000010
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9 Coelho LMCC, Maurício LV. Sobre tempo e conhecimentos praticados na escola de tempo integral. Educ Realidade. 2016;41(4):1095-112. doi: 10.1590/2175-623660673
https://doi.org/10.1590/2175-623660673...
-1010 Silva MCG. A educação integral: a escola como direito na perspectiva da humanização e da cidadania. Filosof Educ. 2018;10(1):136-53. doi: 10.20396/rfe.v10i1.8652002
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).

Em situações em que as ações programáticas relacionadas à proteção não respondem às verdadeiras necessidades e expectativas desse adolescente, tais como a escola em tempo integral, ou ainda, se os grupos de inserção relacional não são um espaço de convívio seguro, ajuda e cuidado, esse sujeito tem dificuldade em transitar para outras zonas de coesão social (assistência e integração), restando-lhe o processo de desfiliação(33 Reis AAC, Malta DC, Furtado LAC. Challenges for public policies aimed at adolescence and youth based on the National Scholar Health Survey (PeNSE). Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(9):2879-90. doi: 10.1590/1413-81232018239.14432018
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,55 Henriques BD, Reinaldo AMS, Ayres LFA, Lucca MS, Rocha RL. The use of crack and other drugs: the perception of family members in relation to the support network in a reference Center. Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(10):3453-62. doi: 10.1590/1413-812320182310.13462016
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).

Enquanto fenômenos sociais, o uso de drogas e a vulnerabilidade social não devem ser entendidos isoladamente, mas sob uma ótica que permita refletir sobre a dinâmica social, política, econômica e cultural em que a adolescência se concretiza, bem como a respeito da validade das políticas protetivas a que têm acesso(11 Bittencourt ALP, França LG, Goldim JR. Vulnerable adolescence: bio-psychosocial factors related to drug use. Revista Bioética. 2015;23(2):311-9. doi: 10.1590/1983-80422015232070
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2 Silva MAI, Mello FCM, Mello DF, et al. Vulnerabilidade na saúde do adolescente: questões contemporâneas. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(2):619-27. doi: 10.1590/1413-81232014192.22312012
https://doi.org/10.1590/1413-81232014192...
-33 Reis AAC, Malta DC, Furtado LAC. Challenges for public policies aimed at adolescence and youth based on the National Scholar Health Survey (PeNSE). Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(9):2879-90. doi: 10.1590/1413-81232018239.14432018
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).

Assim, verificar as situações de vulnerabilidade social a que estão expostos adolescentes em contextos intrinsecamente marcados pelo uso recreativo e prejudicial de drogas psicotrópicas, ainda que sejam frequentadores de escolas em tempo integral, poderá indicar caminhos que orientem a implementação de medidas programáticas de proteção à população adolescente, em busca de fortalecer o protagonismo desses sujeitos e de suas famílias diante das iniquidades sociais vivenciadas.

OBJETIVO

Identificar e analisar aspectos relacionados à vulnerabilidade social de um grupo de adolescentes do ensino público em período integral ao uso abusivo e prejudicial de drogas psicoativas.

MÉTODOS

Aspectos éticos

Projeto original do artigo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, norteado pela Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Aos participantes, foram explicitados os objetivos, a justificativa, bem como os riscos e benefícios da pesquisa. Houve assinatura do TCLE pelos responsáveis por adolescentes com idade inferior a 18 anos, bem como do Termo de Assentimento pelos próprios participantes. Aqueles com 18 anos ou mais assinaram somente o TCLE. Com vistas a preservar o anonimato, foram utilizadas as letras M para designar os participantes do sexo masculino e F em referência àqueles do sexo feminino, seguidas de um número entre 1 e 49, que traduz a ordem de participação dos adolescentes no contexto geral dos grupos focais.

Referencial teórico-metodológico

Trata-se de uma pesquisa social de modalidade estratégica. A pesquisa social aprofunda-se no mundo dos significados a partir de experiências verdadeiras do sujeito, das ações e relações humanas que são um objeto com consciência histórica, complexo e em permanente transformação e que envolve tanto a visão de mundo dos atores sociais quanto do próprio pesquisador, também considerado parte do processo de observação(1010 Silva MCG. A educação integral: a escola como direito na perspectiva da humanização e da cidadania. Filosof Educ. 2018;10(1):136-53. doi: 10.20396/rfe.v10i1.8652002
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).

Na modalidade estratégica, os sentidos de um fenômeno (problema) são contextualizados e explorados à luz do processo histórico sem que, necessariamente, tragam soluções práticas para saná-lo, mas que subsidiem reflexões futuras que objetivem sua resolução. Assim, pautados em teorias das ciências sociais, é possível clarificar determinados problemas ainda não solucionados no âmbito da sociedade por meio da visão de mundo dos próprios sujeitos participantes deste sistema social(1010 Silva MCG. A educação integral: a escola como direito na perspectiva da humanização e da cidadania. Filosof Educ. 2018;10(1):136-53. doi: 10.20396/rfe.v10i1.8652002
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).

Tipo de estudo

Trata-se de uma pesquisa social estratégica de abordagem qualitativa. Para elaboração deste artigo foi utilizado o check list Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ) com vistas ao relatório explícito e abrangente do estudo(1111 Minayo MCS. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 30a. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2011. 114p.).

Procedimentos metodológicos

Os dados foram coletados por meio de grupos focais, de modalidade clínica, realizados no período de janeiro de 2016 a dezembro de 2017. O grupo focal é uma técnica de coleta de dados que, por meio da interação grupal, promove uma ampla problematização e reflexão sobre determinado fenômeno social investigado que, na modalidade clínica, se dirige para compreensão das crenças, sentimentos e comportamentos(1212 Tong A, Sainsbury P, Craig J. Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): a 32-item checklist for interviews and focus groups. International J Qual Health Care [Internet]. 2007 [cited 2019 Jun 10];19(6):349 -357. Available from: https://academic.oup.com/intqhc/article/19/6/349/1791966
https://academic.oup.com/intqhc/article/...
).

Todos os grupos focais foram realizados utilizando o mesmo roteiro de debate composto de um diagrama adaptado de estudo anterior(1313 Kinalski DDF, Paula CC, Padoin SMM, Neves ET, Kleinubing RE, Cortes LF. Focus group on qualitative research: experience report. Rev Bras Enferm. 2017;70(2):424-9. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0091
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), dividido em quatro quadrantes: família, trabalho, comunidade e grupo de amigos, sendo que o quadrante trabalho foi ainda subdividido em outros dois temas: trabalho e escola. Ainda, foi construído um roteiro semiestruturado com tópicos que direcionaram as discussões em grupo: 1) olhando para o mapa que foi construído, quem são as pessoas inseridas?; 2) o que altera/poderia alterar a distribuição das pessoas no mapa?; 3) as drogas existem dentro do seu mapa de relações?; 4) onde as drogas podem ser encontradas dentro do mapa?; 5) como é a vida de quem as drogas entram dentro do mapa?; 6) como as outras pessoas do meu mapa reagem quando a droga entra nele?

Foram realizados seis grupos focais, com número variável de seis a 12 participantes. Cada encontro teve duração aproximada de 65 minutos, sendo que a cada estudante só era permitido participar de um único encontro. O número de grupos focais foi limitado pela saturação dos dados.

A pesquisadora responsável foi moderadora dos grupos focais com a ajuda de uma auxiliar de pesquisa previamente orientada para as funções de observação dos processos e dinâmicas do grupo, colaborando no registro das falas e movimentos não verbais, bem como no manuseio dos gravadores de áudio digitais utilizados.

Cenário do estudo

O cenário de realização deste estudo foi uma instituição de ensino da rede estadual de educação localizada no Leste de Goiânia-GO, região administrativa que se destaca pelas carências em termos de renda familiar, escassez de equipamentos e serviços públicos e de infraestrutura, além do destaque entre os maiores índices de violência e desemprego do município. Desde 2013, a instituição funciona na modalidade de Ensino Médio em Tempo Integral, atendendo às prerrogativas do Pacto pela Educação da Secretaria Estadual de Educação do estado de Goiás.

A escolha desta instituição de ensino foi favorecida por reunir condições adequadas nos aspectos estruturais e de funcionamento e também em virtude de seu interesse, envolvimento e disposição para realização do estudo, bem como por ter implantado o Programa Saúde na Escola (PSE) em seu Projeto Político Pedagógico.

Fonte de dados

Participaram do estudo 49 adolescentes de 15 a 19 anos frequentadores de um Centro de Ensino em Período Integral (CEPI).

Coleta de dados

A operacionalização do projeto “Avaliação das ações desenvolvidas na rede básica de ensino quanto ao uso de drogas lícitas e ilícitas por escolares - um estudo de coorte prospectiva” permitiu a aproximação desta pesquisadora com o CEPI cenário deste estudo na condição de professora na disciplina eletiva “Saúde e Prevenção na Escola” por três semestres, entre janeiro de 2016 e dezembro de 2017. As experiências, vivências e observações realizadas nesse período foram registradas em um diário de campo, o que permitiu melhor apropriação do cenário escolhido, das dinâmicas estabelecidas no ambiente, além de ampla observação do objeto de estudo. Assim, concomitante ao último semestre aproximação com o campo (entre agosto e dezembro de 2017), foi iniciada a etapa de coleta de dados.

O convite para participação dos estudantes no estudo foi feito pela pesquisadora responsável a todos os adolescentes frequentadores do CEPI durante o período de aulas, após explicação dos objetivos da pesquisa e breve exposição do método a ser utilizado. Aqueles que se interessavam em participar seguiram os procedimentos éticos mencionados anteriormente.

Nos dias agendados para realização dos grupos focais os estudantes eram encaminhados para uma sala de aula separada das demais em uso no momento, para evitar interferência durante a realização das atividades e garantir a privacidade necessária para que todos pudessem falar livremente, sem constrangimentos.

Seguindo o roteiro preestabelecido, a primeira atividade do grupo focal consistia em solicitar aos adolescentes que preenchessem o diagrama “Mapa das Relações”(1313 Kinalski DDF, Paula CC, Padoin SMM, Neves ET, Kleinubing RE, Cortes LF. Focus group on qualitative research: experience report. Rev Bras Enferm. 2017;70(2):424-9. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0091
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-1414 Sluzki C. A rede social na prática sistêmica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997. 145p.). As pessoas por eles consideradas significativas naquele momento eram posicionadas em cada um dos quadrantes. Quanto mais próximo ao centro fosse colocada, mais significativa seria e, do contrário, quanto mais distante, menor seria a sua representatividade na vida do adolescente.

No segundo momento, a pesquisadora passava a coordenar a discussão em grupo norteada por um roteiro de debate com questões disparadoras, citadas anteriormente.

Organização e análise dos dados

Todos os grupos focais realizados foram gravados em voz e as observações realizadas no decorrer dos encontros registradas em diário de campo. Para a análise dos dados, utilizou-se a técnica de Análise de Conteúdo - Modalidade Temática, organizada em torno de três polos cronológicos e segundo etapas articuladas entre si entre si: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, inferências e interpretação(1515 Pereira SEFN. Crianças e adolescentes em contexto de vulnerabilidade social: articulação de redes em situação de abandono ou afastamento do convívio familiar. Aconchego-DF. 2013;1(1):1-21. Available from: http://acolhimentoemrede.org.br/site/wp-content/uploads/2016/08/Artigo-sobre-a-REDE.pdf
http://acolhimentoemrede.org.br/site/wp-...
).

A pré-análise constituiu-se da transcrição integral das falas dos sujeitos obtidas durante os grupos focais. O processo de análise de dados ocorreu inicialmente pela leitura exaustiva do material resultante da transcrição das falas associada a informações registradas no “Mapa das relações” produzido e dados registrados em diário de campo. O debruçar sobre o material produzido e o auxílio dos juízes nesta etapa permitiram a identificação e análise das ideias centrais contidas nas falas dos participantes da pesquisa. Assim, foi realizado o agrupamento das ideias centrais em núcleos de sentido relacionados à densidade da inserção relacional e à inserção do mundo do trabalho, formando as categorias temáticas finais que subsidiaram a análise do material com base em inferências sustentadas pela literatura e interpretações apoiadas no referencial teórico adotado.

RESULTADOS

Participaram do estudo 30 adolescentes do sexo feminino e 19 do masculino, em um total de 49 participantes. Quatro deles referiram estarem inseridos em alguma atividade que caracterizavam como trabalho nos horários em que não estavam na escola.

Partindo das categorias identificadas no processo de análise do material qualitativo proveniente dos depoimentos e das observações registradas em diário de campo, serão apresentados os resultados com base em quatro categorias: “A família de onde venho”; “Com quem tu andas”; “Se estudar, como trabalhar?”; “Drogas: universo não paralelo”.

A família de onde venho

No grupo pesquisado, a construção familiar deu-se em diferentes formatos. A configuração monoparental, com predomínio de famílias chefiadas pelas mães, e aquelas constituídas mediante recasamentos foram comuns.

Minha família é pai, mãe, irmã... (F16, 16 anos)

Meu pai foi ali comprar um cigarro! [justificando a ausência do pai] (M41, 18 anos)

Porque assim, meu padrasto eu chamo de pai porque me criou desde criancinha. (F17, 16 anos)

Que nem minha mãe que eu falo é minha madrasta, sabe. (F1, 17 anos)

É, convivo com meu padrasto e com meu pai também. (M31, 16 anos)

A importância da figura materna foi amplamente representada quando os sujeitos referiram que ela ocupava o primeiro nível de proximidade no grupo familiar do “mapa das relações” por eles construído.

Em relação ao convívio com os pais, o comportamento de emancipação familiar foi uma constante busca para esses adolescentes. Por outro lado, a alusão ao papel de controle, proteção e autoridade familiar nessa etapa da vida esteve presente nos discursos apresentados.

Meu pai não deixa eu ir. [...] Porque não é um lugar bom para mim. (F38, 16 anos)

Eu não sou sócia [torcida organizada de time de futebol], minha mãe não autorizou porque sou de menor. (F9, 17 anos)

E tem pai também que é muito permissivo. (F18, 16 anos)

Minha mãe não me proíbe de nada. (M11, 17 anos)

Com quem tu andas

O ambiente escolar se apresentou como cenário importante para inserção relacional. Embora pertencessem a outros grupos de pares com os quais também se identificavam, as falas evidenciaram a escola em tempo integral como ambiente que favorece a inserção relacional desses indivíduos.

Porque você passa 10 horas aqui e tipo, você se acostuma com as pessoas e com a rotina da escola. (M32, 17 anos)

É a convivência. A gente [aponta para F1] era muito diferente, mas aí aprende a conviver. (M45, 16 anos)

Mesmo que não seja tão próximo, a gente acaba virando uma família. (F22, 16 anos)

Outros grupos de inserção relacional, como os amigos do bairro, as torcidas organizadas de futebol e os grupos de práticas esportivas também foram referenciados pelos adolescentes participantes, porém os amigos da escola ocuparam o primeiro nível de proximidade no grupo familiar do “mapa das relações” por eles construído, representando o quão significativo é esse grupo social.

Em se tratando do contexto social em que estão inseridos, os adolescentes deste estudo referiram buscar o grupo de amigos subsidiados por dois por dois propósitos principais: busca por proteção e busca por identificação de existência social.

Dependendo, se ele conhecer a pessoa. Se não conhecer, eles roubam mesmo! Mas assim, que nem eu e o A3 que ‘já é conhecido aqui’, eles nem ‘bera’ muito! (M4, 17 anos)

Porque se não fosse amigo meu ia deixar os moleques me matar. (M3, 15 anos)

E olha que eu já conversei muito com A4, já dei muito conselho. (F2, 16 anos)

Ainda que reconhecessem os comportamentos transgressores relacionados ao uso e abuso de drogas psicotrópicas dos grupos de amigos com os quais se relacionavam, as relações de amizade com essas pessoas eram preservadas, independentemente dos atos por elas praticados.

Mesmo sabendo que ele mexe com coisa errada é difícil! [se afastar de um primo que faz uso prejudicial de drogas] (F30, 19 anos)

O A4 é assim, ele é de boa, entendeu? Mas ele... se ele começa a andar com uns meninos aí, aí ele se envolve em furada. (M5, 16 anos)

Eu sabia que ele usava maconha [...] e também porque sabia que ele vendia. Mas assim, eu gostava dele porque ele era um bom vizinho. (F30, 19 anos)

Se estudar, como trabalhar?

Os adolescentes expressaram o desejo de estarem inseridos o mais rápido possível no mercado de trabalho, o que se justifica pela busca de emancipação e vontade de adquirir bens de consumo que seus progenitores ou responsáveis não conseguiam subsidiar. Destaca-se que esse desejo não emergiu relacionado à necessidade de auxiliar no sustento familiar.

Chega no final de semana os moleques falam assim: bora comer uma pizza, bora no Mc Donald´s, você vai ter seu dinheirinho... só vai lá no banco, tira o dinheiro e tchau! Se você pede para sua mãe ela te dá R$10,00 para você gastar e ainda fala: ‘quero o troco!’ (M11, 17 anos)

Eu tenho tudo, mas eu quero mais! Não tenho falta de nada em casa, mas... (F36, 17 anos)

Eu quero sair de dentro da casa dela [da mãe], ter as minhas coisas. (F9, 17 anos)

No entanto, para esses adolescentes, a escola em tempo integral representava um obstáculo para a almejada inserção no mercado de trabalho.

Eu vou sair, quero estudar só meio período. [...] que eu quero arrumar um trabalho. (F44, 17 anos)

A gente não vai ter tempo para fazer as atividades e a pessoa vai mais querer saber do trabalho do que dos estudos. Vai atrapalhar e a pessoa vai parar de estudar. (F1, 17 anos)

Uai, estudar para entrar em uma faculdade e arrumar um emprego, e estudar à noite e ganhar dinheiro. (F16, 16 anos)

Drogas: universo não paralelo

Para o grupo estudado, o cotidiano dos cenários a que pertenciam era marcado pela influência do uso prejudicial de drogas, tanto na rua e nos ambientes de lazer quanto nas fronteiras das instituições sociais de maior referência: a família e a escola.

Em frente à minha casa tem uma biqueira [boca de fumo]. (M28, 17 anos)

Demais, na praça é o lugar mais fácil [praça ao lado da escola]. (M40, 16 anos)

O que mais tem na minha família é traficante. (M3, 15 anos)

Eu mesmo já saí do colégio e estava cheio de ‘Nóia’ aqui no cantinho [aponta para o muro do colégio], até cheirando tiner. (M31, 16 anos)

O álcool, cigarro e maconha foram as drogas referenciadas pelos adolescentes como de uso mais difundido em seu cotidiano. Assim, por se tratar de uma visão de mundo compartilhada por todos ao seu redor, o acesso a drogas psicotrópicas era, para eles, uma questão de apenas estar no mundo.

É tanta história assim que vai indo você acostuma! (M32, 17 anos)

São pessoas normais que usam droga, né? (M11, 17 anos)

É igual maconha, às vezes tem gente que olha o outro fumando maconha e fala: ‘meu Deus, fumando...’ e agora é tipo assim, é normal! Aí vai acontecer com cocaína, o crack, o ecstasy... vai ser normal... (F29, 18 anos)

Ah, o álcool é cotidiano! (M28, 17 anos)

Em geral, os adolescentes referiram que uma trajetória de vida permeada pelo uso prejudicial de drogas psicotrópicas está relacionada à possibilidade de estarem agregados a um grupo, mas, por outro lado, impõe o risco de rompimento de laços afetivos, levando ao isolamento social e familiar, o que pode conduzi-los a uma trajetória de desfiliação.

Depende da pessoa, se as pessoas gostam, ela chega mais perto, senão, ela vai afastar. (F30, 19 anos)

Meu pai usava droga, por ele ter usado droga, hoje os meus pais não estão mais juntos. (F17, 16 anos)

Assim, eu sabia que ele fumava, eu pedia para ele parar, mas ele nunca tinha fumado perto de mim, sabe? Mas aí ele começou a se envolver demais com uns amigos estranhos, daí a gente foi e terminou [o namoro]! (F29, 18 anos)

DISCUSSÃO

A atenção integral à saúde do adolescente requer medidas que não podem estar desvinculadas das ações globais, devendo ainda ser considerados os aspectos políticos, sociais e econômicos que envolvem a saúde(1616 Bardin L. Análise de Conteúdo. 70a. ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 2011. 280p.). Os adolescentes neste estudo estão percorrendo caminhos que os levam constantemente à zona de vulnerabilidade social, caracterizada para além das relações sociais mantidas em seu contexto de inserção relacional e agravada pela própria característica desta fase do desenvolvimento(66 Castel R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. 11a. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.,1717 Luz RT, Coelho EAC, Teixeira MA, Barros AR, Carvalho MFAA, Almeida MS. Mental health as a dimension for the care of teenagers. Rev Bras Enferm. 2018;71(suppl 5):2212-9. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0192
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). Soma-se a isso a inserção em um contexto macro marcado pela dificuldade de acesso a bens de consumo e pelo uso prejudicial de drogas psicotrópicas e violência em todas suas expressões, que ressoam seus efeitos nessa população adolescente(1515 Pereira SEFN. Crianças e adolescentes em contexto de vulnerabilidade social: articulação de redes em situação de abandono ou afastamento do convívio familiar. Aconchego-DF. 2013;1(1):1-21. Available from: http://acolhimentoemrede.org.br/site/wp-content/uploads/2016/08/Artigo-sobre-a-REDE.pdf
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).

De um modo geral, os dados obtidos apontam para a questão das drogas, ainda que não de modo central. Trazem, em sua essência, a relação entre a realidade social dos adolescentes, na qual as drogas psicoativas estão presentes de algum modo, e as condições que circundam o uso prejudicial dessas substâncias, como a violência e a criminalidade. Com isso, pode-se perceber que essas questões, segundo os participantes, repercutem diretamente no que se denomina inserção relacional. Nesse sentido, as falas e as observações obtidas durante o processo de coleta de dados reforçam que a inserção relacional dos adolescentes acontece principalmente na família, no grupo de amigos e no contexto escolar.

Segundo os participantes, a primeira e segunda categorias se inter-relacionam no sentido de que a família, independentemente de sua configuração, é o primeiro grupo de convívio do adolescente, desempenhando papel decisivo na sua formação e desenvolvimento. Nesse sentido, o ambiente da família fomenta a inserção relacional e, por conseguinte, o desenvolvimento social do adolescente(22 Silva MAI, Mello FCM, Mello DF, et al. Vulnerabilidade na saúde do adolescente: questões contemporâneas. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(2):619-27. doi: 10.1590/1413-81232014192.22312012
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,44 Lazari AH, Hungaro AA, Okamoto ARC, Suguayama P, Marcon SS, Oliveira MLF. Famílias em território vulnerável e motivos para o não uso de drogas. Rev Eletrôn Enferm. 2017;19:a11. doi: 10.5216/ree.v19.38380
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,1717 Luz RT, Coelho EAC, Teixeira MA, Barros AR, Carvalho MFAA, Almeida MS. Mental health as a dimension for the care of teenagers. Rev Bras Enferm. 2018;71(suppl 5):2212-9. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0192
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).

Ainda que a estrutura familiar seja importante, o estilo parental assumido está intimamente relacionado à densidade da inserção relacional do adolescente na família e ao significado a ela atribuído(22 Silva MAI, Mello FCM, Mello DF, et al. Vulnerabilidade na saúde do adolescente: questões contemporâneas. Ciênc Saúde Coletiva. 2014;19(2):619-27. doi: 10.1590/1413-81232014192.22312012
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,1818 Castel R. A dinâmica dos processos de marginalização: da vulnerabilidade a “desfiliação”. Caderno CRH [Internet]. 1997 [cited 2019 Jun 10];(26/27):19-40. . Available from: https://portalseer.ufba.br/index.php/crh/article/view/18664/12038
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-1919 Morello P, Pérez A, Peña L, Braun SN, Kollath-Cattano C, Thrasher JF, et al. Risk factors associated with tobacco, alcohol and drug use among adolescents attending secondary school in three cities from Argentina. Arch Argent Pediatr. 2017;115(2):155-8. doi: 10.5546/aap.2017.eng.155
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). As falas apresentadas anteriormente demonstram que quando os responsáveis impõem esse papel hierárquico de responsabilidade pelo adolescente eles são acatados, demonstrando não haver comportamentos de rebeldia e desobediência.

Uma família acolhedora, com limites definidos, comunicação adequada, promotora de afeto e proteção se apresenta como fator de proteção e estímulo para o amadurecimento esperado do sujeito nessa etapa da vida. Ao contrário, uma família com distanciamento afetivo, dificuldade na comunicação e fronteiras pouco definidas pode favorecer tanto a exposição a situações que coloquem o adolescente em risco quanto perturbar o desenvolvimento de sua autoconfiança e segurança de si.

A partir do referencial adotado é possível observar, na trajetória desses adolescentes, influência do contexto social e econômico em que estão inseridos, no qual as opções de caminhos disponíveis a serem trilhados pelos adolescentes são determinados. Assim, a formação de redes de relações, ainda que permeadas pelo uso abusivo e prejudicial de drogas psicotrópicas, proporciona promoção social e possibilita uma trajetória de inserção social(1515 Pereira SEFN. Crianças e adolescentes em contexto de vulnerabilidade social: articulação de redes em situação de abandono ou afastamento do convívio familiar. Aconchego-DF. 2013;1(1):1-21. Available from: http://acolhimentoemrede.org.br/site/wp-content/uploads/2016/08/Artigo-sobre-a-REDE.pdf
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,2020 Becker KL. O efeito da interação social entre os jovens nas decisões de consumo de álcool, cigarros e outras drogas ilícitas. Estud Econôm. 2017;47(1):65-92. doi: 10.1590/0101-416147136klb
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).

Em se tratando das relações mantidas no grupo de amigos, foi possível verificar que estas caracterizavam a forma como esses adolescentes se inserem em um contexto social de violência, dificuldade de acesso a bens de consumo, fragilidade familiar e disseminação de drogas psicotrópicas, tornando esta última cotidiana e naturalizada.

Em contextos nos quais o uso de drogas psicotrópicas é disseminado, os estereótipos e concepções negativas que a sociedade constrói a respeito dos dependentes dessas substâncias, como envolvimento em situações de violência, evasão e abandono escolar, são apropriados e reconstruídos por esses sujeitos como forma de possibilitar a sua existência social(2121 Castel R. As armadilhas da exclusão. In: Castel R, Wanderley LEW, Wanderley LEW. Desigualdade e Questão social. 3a. ed. São Paulo: EDUC; 2010. 21-54p.). Na quarta categoria de análise, os adolescentes expressaram que o sujeito, ao assumir comportamentos considerados socialmente desviantes, como o uso de drogas psicotrópicas, afasta-se de suas relações sociais significativas, bem como se torna uma força de trabalho não produtiva, passando a existir socialmente apenas na condição de um supranumerário, um desviante(55 Henriques BD, Reinaldo AMS, Ayres LFA, Lucca MS, Rocha RL. The use of crack and other drugs: the perception of family members in relation to the support network in a reference Center. Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(10):3453-62. doi: 10.1590/1413-812320182310.13462016
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).

A realidade brasileira aponta para uma certa fragilidade das instituições escolares em assumir seu papel enquanto cenário de empoderamento dos sujeitos para enfrentamento das situações de vulnerabilidade social(55 Henriques BD, Reinaldo AMS, Ayres LFA, Lucca MS, Rocha RL. The use of crack and other drugs: the perception of family members in relation to the support network in a reference Center. Ciênc Saúde Coletiva. 2018;23(10):3453-62. doi: 10.1590/1413-812320182310.13462016
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,2222 Oliveira E, Soares CB, Batista LL. Everyday representations of young people about peripheral areas. Rev Bras Enferm. 2016;69(6):1147-53. doi: 10.1590/0034-7167-2016-0387
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-2323 Pereira APD, Paes ÂT, Sanchez ZM. Factors associated with the implementation of programs for drug abuse prevention in schools. Rev Saude Publica. 2016;50:44. doi: 10.1590/S1518-8787.2016050005819
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). Nas instituições de ensino público em tempo integral, já foram pontuadas fragilidades que colocam em cheque o modelo proposto, dentre elas o pouco desenvolvimento do protagonismo dos adolescentes, com a aprendizagem restrita apenas ao que o professor ensina, a estrutura física em grande parte inadequada das instituições e a ausência de recursos humanos, financeiros e materiais suficientes para sustentar a concepção filosófica de educação integral(1010 Silva MCG. A educação integral: a escola como direito na perspectiva da humanização e da cidadania. Filosof Educ. 2018;10(1):136-53. doi: 10.20396/rfe.v10i1.8652002
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,2323 Pereira APD, Paes ÂT, Sanchez ZM. Factors associated with the implementation of programs for drug abuse prevention in schools. Rev Saude Publica. 2016;50:44. doi: 10.1590/S1518-8787.2016050005819
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-2424 Campeiz AF, Oliveira WA, Fonseca LMM, Andrade LS, Silva MAI. A escola na perspectiva de adolescentes da Geração Z. Rev Eletron Enferm. 2017;19:a58. doi: 10.5216/ree.v19.45666
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).

A escola em tempo integral deve ser mais do que a permanência prolongada do estudante na escola; necessita ser um ambiente de proteção e formação de atributos individuais para resiliência diante do ciclo de vulnerabilidade social a que estão expostos esses adolescentes e suas famílias. No entanto, para os adolescentes, a escola não responde às verdadeiras necessidades e expectativas e ainda representa mais um obstáculo do que um local de aprendizado para que possam enfrentar, em um futuro breve, a inserção no mercado de trabalho. Além disso, se a família não estiver atuando como espaço de proteção, ajuda e cuidado, as vulnerabilidades certamente se potencializarão.

Em se tratando da importância do trabalho para estruturar a existência social dos indivíduos, os adolescentes deste estudo vislumbravam sua inserção precoce no mercado de trabalho por valorizarem o poder de consumo tão enaltecido na sociedade. Assim, por não possuírem meios próprios e suas famílias não disporem de poder aquisitivo compatível com os apelos de consumo a que são expostos, percorrer um caminho que associasse estudos e trabalho em dupla jornada foi um relato frequente no grupo.

O ingresso precoce de adolescentes no mercado de trabalho pode acarretar diversas consequências. O trabalho adequado pode oportunizar o desenvolvimento e aprimoramento de habilidades, responsabilidades e recursos que lhes serão úteis ao longo da vida. Por outro lado, também pode cercear etapas importantes do desenvolvimento do sujeito, relacionadas com a adultização precoce, em virtude das responsabilidades exigidas no mundo do trabalho, comprometer o desenvolvimento acadêmico em decorrência da dupla jornada (trabalhar e estudar) ou até mesmo ocasionar a evasão escolar(2525 Dutra-Thomé L, Pereira AS, Koller SH. O desafio de conciliar trabalho e escola: características sociodemográficas de jovens trabalhadores e não-trabalhadores. Psic: Teor Pesq. 2016;32(1):101-9. doi: 10.1590/0102-37722016011944101109
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).

No contexto de escola em tempo integral, a inserção desse adolescente no mercado de trabalho traz seu afastamento do cenário escolar, conforme evidenciaram as falas. Embora seja possível conciliar uma dupla jornada (trabalhar e estudar) em escolas de período regular, os próprios adolescentes participantes referiram as dificuldades relacionadas e alertaram para a possibilidade de baixo desempenho e evasão escolar.

Assim, para os participantes deste estudo, o fato de estarem em uma escola em tempo integral não se apresentou como ferramenta significativa para romper com o contexto de vulnerabilidade social a que estavam expostos, uma vez que não os assegurava uma relação laboral satisfatória futuramente.

Limitações do estudo

Embora a temática do uso de drogas possa ser considerada, ainda, de difícil abordagem no cenário escolar, a aproximação com o campo por 18 meses permitiu uma estreita relação entre os sujeitos envolvidos no cenário escolar (pesquisadora, adolescentes, corpo docente e direção). Acredita-se que este vínculo estabelecido favoreceu a aceitação da pesquisadora e, por conseguinte, a participação dos estudantes, tendo em vista que, de um universo de 138 alunos que finalizavam o ano letivo matriculados no CEPI, 49 participaram dos grupos focais.

O estudo apresenta limitações, como a dificuldade em solicitar a autorização do pais para a participação dos adolescentes no estudo, dada a baixa participação dos mesmos na vida escolar de seus filhos. Em relação aos dados, o período em que foram realizados os grupos focais (final de semestre letivo) pode ter influenciado nos relatos sobre a vontade de deixar a escola em período integral, tendo em vista o cansaço dos adolescentes e a divulgação das notas finais, com alguns estudantes já cientes de que participariam do processo de recuperação.

Contribuições para área da enfermagem

Durante o processo de imersão, foi possível verificar a frágil participação das famílias na vida escolar desses adolescentes, bem como a ausência de participação da Equipe de Saúde da Família (ESF) enquanto instituição de suporte ou referência, mesmo na concretização do Programa Saúde da Escola (PSE) preconizado na escola de período integral.

Embora o PSE não reconheça o enfermeiro como único ator responsável pelo desenvolvimento das ações de saúde no âmbito escolar, a presença deste profissional na escola torna possível e é determinante para a atenção aos processos de promoção em saúde. O desafio está na efetivação da aproximação da ESF, em especial do enfermeiro, como um importante elo de interligação entre família e escola na atenção e cuidado com o adolescente. O fortalecimento desses agrupamentos sociais em um trabalho conjunto possibilitaria o reconhecimento e estabelecimento de ações protetivas e fortalecedoras para o enfrentamento das adversidades relacionadas à inserção relacional e ao ingresso desses adolescentes no mercado de trabalho que fragilizam o contexto social em que estão inseridos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O período de imersão na realidade do Centro de Ensino em Período Integral, bem como o processo de coleta e análise dos dados dele provenientes, satisfez aos objetivos previamente propostos. A realização de grupos focais com adolescentes mostrou-se uma ferramenta efetiva para identificar nesses sujeitos os significados por eles atribuídos às situações que lhes são comuns.

A vulnerabilidade social referida no discurso dos adolescentes participantes está relacionada aos efeitos da má distribuição de renda, que em suas famílias se transforma em precariedade e insegurança para inserção no trabalho, bem como se evidencia na fragilidade de relações sociais permeadas e subsidiadas pelo uso nocivo de substâncias psicotrópicas. Em se tratando da escola em tempo integral, os adolescentes creditaram sua inserção naquele cenário como algo que perturba e prejudica sua inserção no mundo do trabalho.

Enquanto política de proteção recentemente instituída e amplamente difundida no contexto brasileiro, a escola de período integral não se apresentou como instituição significativa para os participantes, nem se revelou uma ferramenta capaz de romper com o contexto de vulnerabilidade social a que estavam expostos. Assim, embora não estejam somente relacionados aos adolescentes, mas também às suas famílias, os pressupostos à vulnerabilidade social, segundo Robert Castel, se fazem fortemente presentes no grupo de sujeitos que frequentam a escola pública de tempo integral, ainda que o potencial transformador da realidade social seja utilizado para justificá-la.

Ao intervir em populações em situação de vulnerabilidade social, a luta contra a desfiliação, nesta investigação, aponta para a necessidade de tornar efetivas as medidas programáticas de proteção à população adolescente, no sentido de promover o fortalecimento desses sujeitos e de suas famílias diante das iniquidades do mercado de trabalho. Dessa forma, será possível reduzir as desigualdades injustas e a pobreza, ampliar oportunidades para todos e agir sobre determinantes e condicionantes para a saúde de adolescentes e suas famílias.

Enquanto política de proteção, para além de escolarizar os sujeitos, a educação deve ser referenciada com a função transformadora da realidade vivenciada. Assim, a escola em tempo integral, conforme evidenciado neste estudo, deve ser repensada em seus moldes de forma que se torne fortalecida enquanto política de proteção, consolidando-se como caminho ao empoderamento necessário para que o adolescente possa romper com esse contexto que tão negativamente o cerca.

  • FOMENTO
    Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

Referências bibliográficas

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    » https://doi.org/10.1590/1983-80422015232070
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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Jul 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    14 Jun 2019
  • Aceito
    08 Out 2019
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