Educação para a morte a docentes e discentes de enfermagem: revisão documental da literatura científica

Educación para la muerte a docentes y alumnos de enfermería: revisión documental de la literatura científica

Resumos

Nas culturas Ocidentais, a Morte não se apresenta como tema preferido. Contudo, como os profissionais que convivem e enfrentam a Morte cotidianamente devem proceder? Qual o significado que esta assume? Este estudo se constitui de um levantamento da literatura científica sobre o tema na formação acadêmica de Enfermagem. A metodologia é qualitativa, através de um estudo exploratório documental, caracterizado pela pesquisa bibliográfica, num recorte temporal de cinco anos. As palavras-chave são: Docente e Discente de Enfermagem, Morte e Morrer. Foram localizados 12 artigos em periódicos, que compuseram três categorias: Os discentes de enfermagem e o convívio com a morte; O docente em enfermagem convivendo com a morte e as habilidades para ensinar; A formação acadêmica dando suporte para visão crítico-reflexiva sobre a temática morte-morrer. Concluiu-se que não há preparo dos discentes de enfermagem sobre o tema. Somente maiores investimentos e estudos trarão mudanças para a realidade atual.

Morte; Educação em enfermagem; Estudantes de enfermagem; Docentes de enfermagem; Atitude frente a morte


La muerte, en las culturas occidentales no se presenta como tema de preferencia. Así y todo, ¿cómo deben proceder los profesionales que conviven y se enfrentan con la muerte cotidianamente? ¿Cuál es el significado que ella asume? Este estudio parte de una investigación de la literatura científica sobre este tema en la formación académica de Enfermería. La metodología fue cuantitativa, a través de un estudio exploratorio documental, caracterizado por la pesquisa bibliográfica en un lapso temporal de cinco años. Las palabras llave fueron: Docente y alumno de enfermería, Muerte y Agonía. Fueron localizados 12 artículos en periódicos, los cuales compusieron tres categorías: Los alumnos de enfermería y la convivencia con la muerte; El docente en enfermería conviviendo con la muerte y las habilidades para enseñar; La formación académica brindando soporte para una visión crítico-reflexiva sobre la temática muerte-agonía. Se concluyó en que no hay preparación de los alumnos de enfermería sobre el tema. Solamente mayores inversiones y estudios provocarán cambios en la actual realidad.

Muerte; Educación en enfermería; Estudiantes de enfermería; Docentes de enfermería; Actitud frente a la muerte


In Western cultures, Death is not among the favorite topics. Nevertheless, how should professionals who deal with Death on a daily basis behave? What meaning does Death have to them? This study consists of a survey on scientific literature about the referred subject in nursing education. Using a qualitative method, a documentary exploratory study was performed, characterized by a survey over a five-year period. The following keywords were used: Nursing Professor and Student, Death and Dying. Twelve articles were located and comprised three categories: Nursing students and dealing with death every day; The nursing professor dealing with death every day and the teaching skills; Academic education providing support for a critical-reflexive view about death-dying. In conclusion, there is o preparation for nursing students on the referred theme. Changing the current situation is only possible with greater investments and if further studies are performed.

Death; Education, nursing; Students, nursing; Faculty, nursing; Attitude to death


ARTIGO DE REVISÃO

Educação para a morte a docentes e discentes de enfermagem: revisão documental da literatura científica* * Extraído da dissertação "Revisão documental da literatura científica sobre educação para a morte a docentes e discentes de Enfermagem", Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, 2009.

Educación para la muerte a docentes y alumnos de enfermería: revisión documental de la literatura científica

Janaina Luiza dos SantosI; Sonia Maria Villela BuenoII

IEnfermeira. Mestranda do Programa de Pós-Graduação da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade da São Paulo Membro Efetivo do Grupo de Cuidados Paliativos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Brasil. Membro Efetivo do Grupo de Pesquisa CAESOS. janaina-luiza@usp.br

IIPsicopedagoga. Professora Associada do Departamento de Psiquiatria e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Presidente do Grupo de Pesquisa CAESOS-DPCH-EERP/USP. Ribeirão Preto, SP, Brasil. smvbueno@eerp.usp.br.

Correspondência

RESUMO

Nas culturas Ocidentais, a Morte não se apresenta como tema preferido. Contudo, como os profissionais que convivem e enfrentam a Morte cotidianamente devem proceder? Qual o significado que esta assume? Este estudo se constitui de um levantamento da literatura científica sobre o tema na formação acadêmica de Enfermagem. A metodologia é qualitativa, através de um estudo exploratório documental, caracterizado pela pesquisa bibliográfica, num recorte temporal de cinco anos. As palavras-chave são: Docente e Discente de Enfermagem, Morte e Morrer. Foram localizados 12 artigos em periódicos, que compuseram três categorias: Os discentes de enfermagem e o convívio com a morte; O docente em enfermagem convivendo com a morte e as habilidades para ensinar; A formação acadêmica dando suporte para visão crítico-reflexiva sobre a temática morte-morrer. Concluiu-se que não há preparo dos discentes de enfermagem sobre o tema. Somente maiores investimentos e estudos trarão mudanças para a realidade atual.

Descritores: Morte. Educação em enfermagem. Estudantes de enfermagem. Docentes de enfermagem. Atitude frente a morte.

RESUMEN

La muerte, en las culturas occidentales no se presenta como tema de preferencia. Así y todo, ¿cómo deben proceder los profesionales que conviven y se enfrentan con la muerte cotidianamente? ¿Cuál es el significado que ella asume? Este estudio parte de una investigación de la literatura científica sobre este tema en la formación académica de Enfermería. La metodología fue cuantitativa, a través de un estudio exploratorio documental, caracterizado por la pesquisa bibliográfica en un lapso temporal de cinco años. Las palabras llave fueron: Docente y alumno de enfermería, Muerte y Agonía. Fueron localizados 12 artículos en periódicos, los cuales compusieron tres categorías: Los alumnos de enfermería y la convivencia con la muerte; El docente en enfermería conviviendo con la muerte y las habilidades para enseñar; La formación académica brindando soporte para una visión crítico-reflexiva sobre la temática muerte-agonía. Se concluyó en que no hay preparación de los alumnos de enfermería sobre el tema. Solamente mayores inversiones y estudios provocarán cambios en la actual realidad.

Descriptores: Muerte. Educación en enfermería. Estudiantes de enfermería. Docentes de enfermería. Actitud frente a la muerte.

INTRODUÇÃO

A Morte, especialmente no Ocidente, não tem sido um tema de fácil abordagem, uma vez que o sentido construído para o desfecho do que convencionamos chamar de vida, remete, quase sempre, ao medo, à angústia ou à rejeição. Desta forma, assistimos com freqüência, a vinculação da Morte com o sobrenatural, o terror, o castigo, a dor, entre tantos outros significados considerados negativos pelas nações ocidentais.

Então, como aqueles que, por força do seu ofício, convivem e enfrentam diariamente a questão da Morte? E qual o significado que esta assume a estes profissionais? Nesse sentido, profissionais como os de enfermagem, tem a morte presente, de maneira quase que ostensiva à sua rotina de trabalho obrigando-os a convivência, nem sempre pacífica. De acordo com alguns estudos(1-2) a Morte tem despertado nesses profissionais, sentimentos de frustração, medo e insegurança, que, ao menos em tese, não poderiam acompanhar sua vida profissional.

Historicamente, no início da Idade Média, a Morte não passava de um evento considerado natural. O doente cumpria uma espécie de ritual; ele pedia perdão por suas faltas, legava seus bens e em seguida, esperava que a morte o levasse. Não havia drama ou gestualidade excessivas.

Atualmente a Morte é tratada como tabu, tendo sido, no decorrer dos séculos, deslocada da casa para o hospital. Deixando assim de constituir um fenômeno natural, para transformar-se numa morte fria, escondida e profundamente indesejada(3). E essa dificuldade em se lidar com a Morte tem ocasionado uma gama de problemas que atinge diretamente o sistema de saúde público e privado do país, especialmente em virtude do adoecimento de seus profissionais(4). Adoecimento este, decorrente do desgaste emocional, que favorece o desenvolvimento da síndrome de Burnout, descrita como a reação final do indivíduo face às experiências estressantes acumuladas ao longo do tempo de determinada atividade laboral, obtendo uma modificação do cuidar, produzindo na saúde, enfermeiros frios e indiferentes(5).

A Morte, tratada com indiferença, é conseqüência de um mecanismo de defesa dos enfermeiros a fim de se manterem mentalmente sãos, pois, além da falta de preparo para lidarem com a Morte, muitos destes profissionais ainda enfrentam longas jornadas de trabalho, enfermarias superlotadas e sucateadas, o que agrava ainda mais o estresse ao qual estão submetidos.

Assim, nota-se a necessidade de uma educação efetiva para lidar com a Morte, pois, no que se refere à questão da Morte, apesar dos inúmeros fatores responsáveis pelo adoecimento dos enfermeiros, como deveria ser o preparo destes profissionais? O que estes profissionais sabem deste processo? Quais as condições para enfrentá-lo? Quais as dificuldades relatadas mais comuns? Quais contribuições a literatura da área têm oferecido? As pesquisas produzidas são capazes de amparar a prática e/ou a formação desses enfermeiros sobre a Morte? Qual paradigma pedagógico tem sido utilizado na formação dos profissionais?

Assim, se faz necessária uma abordagem educativa progressista(6). Apesar do objetivo deste trabalho fundamentar-se no levantamento da produção da literatura científica dos últimos 5 anos relativa à temática da Morte na formação acadêmica de Enfermagem.

MÉTODO

A metodologia mais adequada a presente investigação é a Qualitativa(7); fundamentada no universo de significados, crenças, aspirações, valores e atitudes. O estudo proposto foi o exploratório documental e a técnica utilizada, a da documentação indireta.

A pesquisa fundamentou-se em periódicos com conceito Qualis A1, A2 e B1, B2, uma vez que estes representam os periódicos com melhor avaliação. Foram, para tanto, acessados os conteúdos das bases de dados: MEDLINE, LILACS, BIREME, SCIELO, BDENF, respeitando o período de produção dos últimos 5 anos (2005 - 2009). Utilizou-se para a busca nessas bases de dados as seguintes palavras-chave combinadas: Morte, docente, discente, Enfermagem.

As buscas foram feitas de julho a outubro de 2009, respeitando-se os critérios de seleção acima definidos, o que resultou em 12 artigos. Em seguida, foi empreendida a análise dos dados(8);

[...] a palavra categoria, em geral, se refere a um conceito que abrange elementos ou aspectos com características comuns ou que se relacionam entre si. Essa palavra está ligada à idéia de classe ou série. As categorias são empregadas para se estabelecer classificações. Nesse sentido, trabalhar com elas significa agrupar elementos, idéias ou expressões em torno de um conceito capaz de abranger tudo isso. Esse tipo de procedimento, de um modo geral, pode ser utilizado em qualquer tipo de análise em pesquisa qualitativa [...].

Desta forma, através da proximidade e identificação do tema, a Morte, tendo em vista as convergências e divergências do mesmo, construiu-se três categorias, onde a definição do conceito de categoria refere-se à abrangência de elementos ou aspectos com características comuns ou que se relacionam entre si: 1-Os discentes de Enfermagem e o convívio com a Morte; 2-O docente em Enfermagem convivendo com a Morte e as habilidades para ensinar; 3-A formação acadêmica dando suporte para visão crítico-reflexiva sobre a temática Morte-morrer.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Assim, após as etapas de seleção, identificação, hierarquização, síntese dos artigos e leitura interpretativa, procedeu-se a análise dos achados resultando no estabelecimento de três categorias.

A primeira categoria: Os discentes de enfermagem e o convívio com a morte:

O conteúdo dos artigos referia-se a pesquisas como: estudo realizado com alunos do 1º ano do curso de graduação em Enfermagem, os quais ainda não haviam feito estágio e/ou entrado em contato com pacientes, mas, que possuíam pré-conceitos firmados pelo convívio sociocultural e familiar, em relação à Morte. Estes recém-ingressos viam a Morte como inimiga, acreditavam que deviam lutar contra ela, para preservar a vida. Verificou-se também a crença de que a progressão no curso de enfermagem levaria estes alunos à aquisição de conteúdos científicos, e uma vez concluído curso, seriam capazes de ajudar a proporcionar a cura aos pacientes. Para esses discentes, a Morte é sinônimo de fracasso(9).

Nos artigos(10-12); são descritos, praticamente, os mesmos resultados, no que diz respeito à percepção dos discentes em relação aos sentimentos frente à Morte. Estes alunos descreveram sentimentos de angústia, medo, tristeza, ansiedade, frustração, culpa e alguns tomavam para si também, o luto da família. Os autores defendem ainda o estímulo às habilidades dos alunos responsáveis pelo cuidado a pacientes terminais, bem como, a abertura de espaços para reflexão, pois, há um importante fator sociocultural que os influencia, fator este, pré-existente.

Apesar de expressarem o desejo de prestar uma assistência humanizada aos pacientes terminais, bem como, aos seus familiares, em sua maioria relataram a dificuldade em lidar com tal situação, não sabendo como lidar com os familiares e tampouco, com seus próprios sentimentos(13).

Outro artigo(14) descreve uma pesquisa realizada com alunos do último período de estágio do curso de graduação em Enfermagem, verificou-se também junto a estes alunos, que a Morte ainda é um acontecimento que choca e traz muito sofrimento. Importante ressaltar que, estas respostas formam obtidas de futuros profissionais de Enfermagem, e que logo estarão desempenhando suas funções no mercado de trabalho.

Em outro artigo, este realizado com alunos do 1º ao 4º ano do curso de graduação em Enfermagem, foram relatadas muitas dificuldades, a respeito do cuidar do paciente terminal. Os alunos demonstraram sentimentos de ansiedade, estresse e insegurança. E um fato realmente preocupante são os relatos de afastamento destes futuros profissionais dos pacientes terminais(15).

Já o artigo (16) descreve um estudo realizado com alunos matriculados na disciplina de Relacionamento Enfermeiro/paciente, disciplina esta que trata da compreensão de como os alunos percebiam a si mesmos, cuidando de pacientes terminais. Esses alunos referiram uma experiência dolorosa, justificando que suas dificuldades poderiam ser em decorrência de sua própria incapacidade de aceitar a Morte e do despreparo emocional e inexperiência, ressaltando a falta de apoio dos profissionais com os quais compartilham os cuidados.

Finalizando essa categoria, destacamos o relato de uma especialidade da Enfermagem, relacionada à temática da Morte, a doação de órgãos. Esse estudo foi realizado em um evento de estudantes de Enfermagem oriundos de várias universidades e estados brasileiros. A aplicação de um questionário revelou que 92% dos entrevistados desconheciam a existência da Organização de Procura de Órgãos - a OPO. Outras questões deste estudo, revelam ainda o despreparo dos profissionais quanto à compreensão da morte encefálica, e o preparo para a doação de órgãos através da abordagem dos familiares(17).

Desta forma, verificou-se que, atualmente, os cursos de graduação em Enfermagem têm preparado muito pouco seus alunos para o processo de Morte, quiçá, para um tema tão específico quanto à doação de órgãos(17).

A segunda categoria: O docente em Enfermagem convivendo com a Morte e as habilidades para ensinar:

Verificou-se ainda que, alguns artigos enquadram-se em ambas as categorias, ou seja, tanto na segunda, quanto na primeira(9,13).

Nessa segunda categoria, todos os artigos foram taxativos em aferir que os docentes são impelidos a desenvolver uma abordagem pedagógica técnico-científica, regida por normas, regras e rotinas numa atitude sem reflexão, ou seja, mecanizada. Estes educadores se voltam assim, para a cobrança de postura, mantendo-os distantes dos discentes, especialmente, em relação aos sentimentos oriundos do vivenciar o paciente terminal(9,13,18-20).

Os docentes justificam-se afirmando que as disciplinas apresentam um curto espaço de tempo acerca dessa temática tão complexa, temática que, segundo eles, envolve diversas dimensões tais como: existencial, cultural e religiosa, cuja percepção é diversa para cada ser humano(20).

Apesar das dificuldades, estes educadores, tentam demonstrar equilíbrio ao vivenciar a Morte, em campo de estágio com seus alunos, contudo, muitas vezes, sentem-se despreparados sentindo-se, tais quais seus alunos, angustiados e temerosos, pois, também não foram formados para aceitar ou vivenciar o que é tão presente no seu próprio dia-a-dia profissional, ou seja, a Morte(18).

Finalizando essa categoria trazemos o artigo(19); este artigo expõe a construção do perfil de 34 docentes enfermeiros, sua maioria do sexo feminino, dentro da faixa etária entre 40 e 50 anos. Infelizmente, estes experientes profissionais demonstraram os mesmos sentimentos de todo e qualquer profissional de Enfermagem, independentemente do tempo de atuação. E com o intuito de se justificarem defenderam que a abordagem desta temática demanda uma profunda mobilização interna, disponibilidade para resgatar sentimentos e principalmente, despir-se de pré-conceitos arraigados advindos da sociedade.

A terceira e última categoria: A formação acadêmica dando suporte para visão crítico-reflexiva sobre a temática morte-morrer:

Verificou-se a unanimidade dos artigos em referir que as universidades ainda não foram capazes de introduzir na sua grade curricular, de forma crítico-reflexiva, a Tanatologia, ciência que estuda os mais diversos aspectos da Morte.

E que apesar de algumas universidades oferecerem disciplinas que abordam a temática da Morte, todos os estudos demonstraram que os alunos carecem de reflexão e discussão, a fim de se desnudarem dos pré-conceitos socioculturais ocidentais vivenciados desde a infância.

Desta forma, de acordo com os estudos analisados, esses sujeitos, apenas reproduzem ad aeternum, as experiências vivenciadas na sociedade e na família, sendo incapazes de ver, ouvir ou falar a respeito da Morte como mais uma, apesar de muitas vezes dolorosa, das etapas da trajetória de qualquer ser vivo, inclusive do ser humano(9-20).

CONCLUSÃO

Esse estudo propôs o levantamento e análise da literatura científica sobre a temática Morte, o morrer e a identificação dessa abordagem na formação acadêmica de Enfermagem.

Respeitando o recorte temporal de 5 anos, foram localizadas sobre o tema doze publicações em diferentes periódicos. Verificou-se que a abordagem da Morte, no que diz respeito à formação acadêmica de Enfermagem, pode ser considerada ínfima, apresentando parcos investimentos.

Verificou-se ainda, a necessidade da produção e publicação de mais estudos sobre a temática da Morte. Ressaltando ainda a urgência na introdução de uma visão crítico-reflexiva para o processo de morte e morrer na formação acadêmica, a fim de estes profissionais sejam capazes de aceitar a Morte, quando inevitável, de uma forma mais natural, desvinculando - a assim, da denotação de fracasso e frustração pessoais.

Constatou-se que, também os docentes vivenciam sentimentos de desamparo, temor e insegurança sobre como expressarão o sentimento de Morte aos alunos bem como aos familiares do paciente. Pois, como já foi aqui abordado, sua própria formação também foi deficiente a este respeito. Como ensinar então aquilo que nunca foi aprendido?

Especialmente através da implementação de projetos que abordem a temática morte/morrer/luto, principalmente, nas universidades, através, por exemplo, da promoção de encontros, palestras, vivências, grupos de discussão, e/ou outros meios alternativos a fim de unir forças, incentivando assim, a divulgação de trabalhos. Bem como, através da socialização do conhecimento produzido sobre a Morte nos espaços fora do meio profissional/acadêmico, uma vez que, esse tema não se relaciona apenas aos pesquisadores e profissionais da saúde, mas, também a sociedade como um todo, proporcionando possíveis e desejadas mudanças de crença, atitude e comportamento.

É importante destacar ainda, a necessidade de novas pesquisas junto aos docentes das áreas da Saúde e Educação, no intuito de se definir quais as carências e quais os melhores métodos de capacitação para estes profissionais, por que não, com a incorporação da percepção pessoal de cada um a fim de se compor um panorama, o mais completo possível, sobre essa temática unanimemente descrita, como tão complexa.

Há ainda, a necessidade de se construir um programa de educação específico para a temática da Morte e morrer, tendo em vista a ação-reflexão-ação, dentro da abordagem crítico-social, para a efetiva transformação da realidade vigente, programa este que seria aplicado, de maneira geral, aos docentes possibilitando assim, a construção de planos educativos voltados, não só para o processo de cura, mas, também, para o processo de Morte e morrer, dignamente.

Recebido: 18/11/2009

Aprovado: 27/05/2010

  • 1. Kovács MJ. Educação para a morte: desafio na formação de profissionais de saúde e educação. São Paulo: Casa do Psicólogo; 2004.
  • 2. Costa JC, Lima RAG. Luto da equipe: revelações dos profissionais de enfermagem sobre o cuidado à criança/adolescente no processo de morte e morrer. Rev Lat Am Enferm. 2005; 13(2):151-7.
  • 3. Ariès P. História da morte no ocidente: da Idade Média aos nossos dias. Rio de Janeiro: Ediouro; 2003.
  • 4. Popim RC, Boemer MR. O cuidar em oncologia. São Paulo: Ed. UNESP; 2006.
  • 5. Palú LA, Labronici LM, Albini L. A morte no cotidiano dos profissionais de enfermagem de uma unidade de terapia intensiva. Cogitare Enferm. 2004;9(1):56-79.
  • 6. Guedes GF, Ohara CVS, Silva GTR. Processo de ensinar e aprender em UTI: um estudo fenomenológico. Rev Bras Enferm [Internet]. 2008 [citado 2009 out. 14];61(6):828-34. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v61n6/a06v61n6.pdf
  • 7. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 7Ş ed. São Paulo: Hucitec; 2001.
  • 8. Minayo MCS. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 19Ş ed. Petrópolis: Vozes; 1994.
  • 9. Bretas JRS, Oliveira JR, Yamaguti L. Reflexões de estudantes de enfermagem sobre morte e o morrer. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2006 [citado 2009 out. 6];40(4):477-83. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v40n4/v40n4a04.pdf
  • 10. Carvalho LS, Silva CA, Santos ACPO, Oliveira MA, Portela SC, Regebe CMC. Perception of the death and dying of the nursing students: a qualitative study. Online Braz J Nurs [Internet]. 2006 [cited 2009 Oct 6];5(3). Available from: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/507
  • 11. Carvalho LS, Oliveira MAS, Portela SC, Silva CA, Oliveira ACP, Camargo CL. A morte e o morrer no cotidiano de estudantes de enfermagem. Rev Enferm UERJ. 2006;14(4):551-7.
  • 12. Oliveira JR, Bretas JRS, Yamaguti L. A morte e o morrer segundo representações de estudantes de enfermagem. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2007 [citado 2009 out. 10];41(3):386-94. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n3/07.pdf
  • 13. Bernieri J, Hirdes A. O preparo dos acadêmicos de enfermagem brasileiros para vivenciarem o processo morte-morrer. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2007 [citado 2009 out. 10];16(1):89-96. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v16n1/a11v16n1.pdf
  • 14. Oliveira WIA, Amorim RC. A morte e o morrer no processo de formação do enfermeiro. Rev Gaúcha Enferm. 2008;29(2): 191-8.
  • 15. Takahashi CB, Contrin LM, Beccaria LM, Goudinho MV, et.al. Morte: percepção e sentimentos de acadêmicos de enfermagem. Arq Ciênc Saúde. 2008;15(3):132-8.
  • 16. Sadala MLA, Silva FM. Cuidando de pacientes em fase terminal: a perspectiva de alunos de enfermagem. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2009 [citado 2009 out. 10];43(2):287-94. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n2/a05v43n2.pdf
  • 17. Silva AM, Silva MJP. A preparação do graduando de enfermagem para abordar o tema morte e doação de órgãos.Rev Enferm UERJ. 2007;15(4):549-54.
  • 18. Carvalho MDB, Valle ERM. Vivência da morte com o aluno na prática educativa. Ciênc Cuidado Saúde. 2006;5 Supl:26-32.
  • 19. Bellato R, Araújo AP, Ferreira HF, Rodrigues PF. A abordagem do processo do morrer e da morte feita por docentes em um curso de graduação em enfermagem. Acta Paul Enferm. 2007;20(3):255-63.
  • 20. Pinho LMO, Barbosa MA. A morte e o morrer no cotidiano de docentes de enfermagem. Rev Enferm UERJ. 2008;16(2):243-8.

  • Correspondência:
    Janaína Luiz dos Santos
    Av. Paris 707 - Bloco B 13 - Apto. 23 - Jd. Independência
    CEP 14076-110 - Ribeirão Preto, SP, Brasil
  • *
    Extraído da dissertação "Revisão documental da literatura científica sobre educação para a morte a docentes e discentes de Enfermagem", Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, 2009.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    22 Mar 2011
  • Data do Fascículo
    Mar 2011

Histórico

  • Aceito
    27 Maio 2010
  • Recebido
    18 Nov 2009
Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 , 05403-000 São Paulo - SP/ Brasil, Tel./Fax: (55 11) 3061-7553, - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: reeusp@usp.br