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Revisão de literatura em enfermagem sobre hipertensão arterial na gravidez

Revision de la literatura en enfermería sobre la hipertensión arterial en el embarazo

Nursing literature review on pregnancy induced hypertension

Resumos

Revisão de literatura em enfermagem relativa à hipertensão arterial na gravidez, entre 1980 a 1999, com o objetivo de identificar as tendências dessas publicações. Foram encontradas 58 publicações nos idiomas inglês, português e espanhol, sendo 52 artigos de periódicos e 6 monografias, dissertações e teses. A maioria dos artigos foi publicada em periódicos de enfermagem (84,6%), predominando os de língua inglesa (73,1%), redigidos por docentes, com autoria única. Predominaram os enfoques assistência de enfermagem (25,9%) e tratamento medicamentoso (25,9%). A partir de 1985, observou-se um incremento nas publicações, no entanto, ainda são incipientes as publicações nacionais.

Gravidez; Eclâmpsia; Pré-eclâmpsia; Publicações


Revisión de la literatura en enfermería, relativa a la hipertensión arterial en el embarazo, entre 1980 y 1999, con el objetivo de identificar las tendencias de esas publicaciones. Fueron encontradas 58 publicaciones en los idiomas ingles, portugués y español, siendo 52 artículos de periódicos y 6 monografias y tesis. La mayoría de los artículos fue publicada en periódicos de enfermería (84,6%), predominando los de lengua inglesa (73,1%), redactados por docentes, con autoria única. Predominaron los enfoques de la atención en enfermería (25,9%) y tratamiento medicamentoso (25,9%). Se observó un incremento en las publicaciones a partir de 1985, más las publicaciones nacionales sobre la hipertensión arterial en el embarazo son aún incipientes.

Embarazo; Eclampsia; Pre-eclampsia; Publicaciones


Nursing literature review, related to pregnancy induced hypertension, from 1980 to 1999, with the objective of identifying the tendencies of those publications. 58 publications were found in the English, Portuguese and Spanish languages, being 52 articles from periodicals and 6 monographs, dissertations and thesis. Most of the articles was published in nursing periodicals (84,6%), prevailing the English ones (73,1%), written by academicians, with sole writing. The focuses nursing care (25,9%) and pharmacological treatment predominated (25,9%). An increment was observed in the publications starting from 1985. The national publications concerning the pregnancy induced hypertension are still incipient.

Pregnancy; Eclampsia; Pre-eclampsia; Publications


ARTIGOS ORIGINAIS

Revisão de literatura em enfermagem sobre hipertensão arterial na gravidez

Nursing literature review on pregnancy induced hypertension

Revision de la literatura en enfermería sobre la hipertensión arterial en el embarazo

Sonia Maria Junqueira V de OliveiraI; Márcia Oliveira dos Anjos PersinottoII

IProfª.Drª.do Depto. de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica daEEUSP

IIEnfermeita. Ex-aluna de Graduação em Enfermagem da EEUSP. Ex-bolsista PIBIC/CNPq

RESUMO

Revisão de literatura em enfermagem relativa à hipertensão arterial na gravidez, entre 1980 a 1999, com o objetivo de identificar as tendências dessas publicações. Foram encontradas 58 publicações nos idiomas inglês, português e espanhol, sendo 52 artigos de periódicos e 6 monografias, dissertações e teses. A maioria dos artigos foi publicada em periódicos de enfermagem (84,6%), predominando os de língua inglesa (73,1%), redigidos por docentes, com autoria única. Predominaram os enfoques assistência de enfermagem (25,9%) e tratamento medicamentoso (25,9%). A partir de 1985, observou-se um incremento nas publicações, no entanto, ainda são incipientes as publicações nacionais.

Palavras-chave: Gravidez. Eclâmpsia. Pré-eclâmpsia. Publicações.

ABSTRACT

Nursing literature review, related to pregnancy induced hypertension, from 1980 to 1999, with the objective of identifying the tendencies of those publications. 58 publications were found in the English, Portuguese and Spanish languages, being 52 articles from periodicals and 6 monographs, dissertations and thesis. Most of the articles was published in nursing periodicals (84,6%), prevailing the English ones (73,1%), written by academicians, with sole writing. The focuses nursing care (25,9%) and pharmacological treatment predominated (25,9%). An increment was observed in the publications starting from 1985. The national publications concerning the pregnancy induced hypertension are still incipient.

Keywords: Pregnancy. Eclampsia. Pre-eclampsia. Publications.

RESUMEN

Revisión de la literatura en enfermería, relativa a la hipertensión arterial en el embarazo, entre 1980 y 1999, con el objetivo de identificar las tendencias de esas publicaciones. Fueron encontradas 58 publicaciones en los idiomas ingles, portugués y español, siendo 52 artículos de periódicos y 6 monografias y tesis. La mayoría de los artículos fue publicada en periódicos de enfermería (84,6%), predominando los de lengua inglesa (73,1%), redactados por docentes, con autoria única. Predominaron los enfoques de la atención en enfermería (25,9%) y tratamiento medicamentoso (25,9%). Se observó un incremento en las publicaciones a partir de 1985, más las publicaciones nacionales sobre la hipertensión arterial en el embarazo son aún incipientes.

Palabras-clave: Embarazo. Eclampsia. Pre-eclampsia. Publicaciones.

INTRODUÇÃO

A doença hipertensiva da gravidez constitui-se em uma das mais importantes complicações do ciclo gravídico-puerperal por apresentar alto risco de morbidade e mortalidade para o binômio mãe-filho. Analisando dados de 22 estudos referentes às causas de morte materna no Brasil, Sass(1) identificou que até o início 1950 havia um predomínio de óbitos causados por infecção e, a partir de então, passaram a prevalecer as mortes decorrentes de complicações associadas à hipertensão arterial.

Segundo Kahhale, Neme, Zugaib(2), se por um lado as mortes maternas tornaram-se raras, quando ocorrem, freqüentemente, a hipertensão arterial está associada e representa a primeira ou a segunda causa de morte materna nas casuísticas de todos os centros obstétricos do mundo.

A incidência da hipertensão arterial na gravidez é muito variável entre os diferentes países. O Grupo Americano de Trabalho sobre Hipertensão na Gestação (3) relata que a prevalência da doença hipertensiva na gravidez está em torno de 6 a 8% e que esta patologia representa a segunda causa de mortalidade materna nos EUA.

Diante dessas considerações, vários aspectos fazem com que o estudo da hipertensão arterial na gestação seja de extrema importância. Um deles é sua elevada incidência, pois a hipertensão arterial é a intercorrência clínica mais comum durante a gestação. No entanto, tem-se observado pela literatura que a produção científica da área médica, nacional e internacional, a respeito da hipertensão arterial na gravidez é extensa, mas, o mesmo não ocorre na área da enfermagem.

Nesse sentido, (4)comentam que a produção científica da enfermagem no Brasil é matéria que vem preocupando os enfermeiros, sobretudo na última década, quando surgiu a necessidade de estruturar o corpo de conhecimento da profissão, melhorar a qualificação dos profissionais, torná-los mais atuantes na sociedade, aumentar seu campo de ação e estabelecer vínculos com outros profissionais em equipes de trabalho.

No período de 1980, Secaf(5) em seu artigo "Vamos escrever para publicar " cita que no Brasil,uma análise superficial permite constatar que os trabalhos publicados por enfermeiras são numericamente pouco significativos. O autor afirma que a atualização de conhecimentos e a divulgação de fatos e vivências nas áreas específicas são consideradas fundamentais. Nesse sentido, incentiva alunos do curso de licenciatura em enfermagem a escreverem para publicar. No entanto, dados mais recentes do Anuário Estatístico da Universidade de São Paulo demonstram que a publicação de trabalhos, no Brasil e no exterior, dos docentes das duas Escolas de Enfermagem da USE no ano de 1994 foi 357 e, em 1998, 689, evidenciando um aumento considerável(6).

Para Lopes(7), o trabalho de investigação ou um novo conhecimento não termina com sua elaboração, mas com a divulgação de seus resultados à comunidade científica para que possa ser criticado e, sobretudo, incorporado à prática. A avaliação realizada por Burlamaque, Becker, Luz (8) sobre a produção científica dos enfermeiros do Rio Grande do Sul no período de 1981 a 1985, constatou que embora tenha aumentado o número de produções, a proporção existente entre estas e a publicação apresentou discreta diminuição ao longo dos anos, comprovando que o aumento de produções não se reverte em acréscimo de publicações. Comentam que dois fatos poderiam estar associados a este contexto, não envio dos trabalhos para publicação e, também, a falta de espaço em revistas especializadas.

No período de 1980, analisando o número de periódicos disponíveis no Brasil, (4) encontraram apenas oito - "Revista Brasileira de Enfermagem", "Revista da Escola de Enfermagem da USP", "Revista Gaúcha de Enfermagem", "Enfermagem em Novas Dimensões" (interrompida em 1979), "Enfoque", "Enfermagem Atual", "Revista Paulista de Enfermagem" e "Enfermagem: O Jornal Brasileiro de Enfermagem". Acrescentam os autores citados que, em razão do reduzido número de periódicos, se pode afirmar que há pouca divulgação dos conhecimentos desenvolvidos pelos enfermeiros. Mesmo considerando que tal afirmativa seja de 1983, a situação atual não é muito diferente. Dentre as revistas com início de publicação no ano de 1997, existem "Revista Alternativa de Enfermagem", "REME "Revista Mineira de Enfermagem", "HC + Enfermagem", "Escola Anna Neri Revista de Enfermagem" e "Revista Campineira de Enfermagem". Há ainda disponíveis: "Enfermagem Revista", "Revista Baiana de Enfermagem", "Acta Paulista de Enfermagem", "Revista Latino-Americana de Enfermagem", "Texto e Contexto- Enfermagem", "Revista Enfermagem UERJ" e "Enfermagem Científica"(interrompida em 1992).

Na área materno-infantil, a análise da produção literária em enfermagem, tem sido objeto de publicações nos veículos de comunicação como periódicos, anais de eventos e teses. Em tese de doutorado, Oliveira (9) estudou a produção de enfermagem obstétrica nos periódicos de enfermagem. Mais recentemente, Kakehashi(10) por intermédio de estudo documental analisou a produção científica da enfermagem pediátrica brasileira publicada em 16 periódicos, de 1932 a 1995. Neira Huerta(11), em artigo "A pesquisa em enfermagem materno-infantil", analisando três fontes bibliográficas entre 1960 e 1981, observaram que 77,7% dos trabalhos publicados correspondiam à área de assistência, com predomínio da assistência hospitalar (42,2%) sobre a ambulatorial (28,9%) e comunitária (28,9%).

Em 1990, no I Seminário Sul-Americano de Pesquisa de Enfermagem nas Áreas em Enfermagem nas áreas da Saúde da Mulher e da Criança foram apresentados 13 estudos sobre a produção científica da referida área(12). Discorrendo sobre as necessidades de investigação relacionadas à saúde da mãe e da criança, o Comitê de Especialistas da Organização Mundial da Saúde aponta alguns aspectos que devem ser abordados nas pesquisas, entre eles o significado da doença hipertensiva na gravidez, formas práticas de prevenção e tratamento durante a prestação de assistência primária de saúde, entre outros(13)

Com base nestas considerações, questionam-se: as pesquisas em enfermagem sobre hipertensão arterial estão voltadas para estas diretrizes? Os resultados obtidos nas investigações estão sendo aplicados na prática?

Assim, diante da importância de se estudar a hipertensão arterial na gestação e da escassez de investigações sobre esta doença na área de enfermagem, pretende-se realizar este estudo com a finalidade de contribuir para a expansão do conhecimento científico em enfermagem e conhecer o estado da arte, com os seguintes objetivos:

• Realizar um levantamento sistematizado das publicações de enfermagem a respeito da hipertensão arterial na gravidez;

• Verificar as tendências dessas publicações.

MATERIAL E MÉTODO

A presente pesquisa é do tipo exploratório-descritiva e os trabalhos resultantes ou não de pesquisas foram definidos como produção científica. Para obtenção dos dados, utilizou-se o levantamento bibliográfico realizado nas bases de dados MEDLINE, LILACS, CINAHL, BIBLIOGRAFIA BRASILEIRA DE ENFERMAGEM, UNIVERSIDADE DE SÃO EAULO — USE - Evolução Intelectual e CENTRO de ESTUDOS e PESQUISA em ENFERMAGEM/ ASSOCIAÇÃO BRASILERIA de ENFERMAGEM (CEPEn/ABEn). Foram identificadas as produções científicas de enfermagem sobre hipertensão arterial na gravidez a partir de 1980. A opção de trabalhar com produções da década de 80 deveu-se ao fato de quatro das bases de dados estarem disponíveis a partir desse período. De todas as referências listadas, foram selecionadas somente as publicadas em periódicos de língua portuguesa, inglesa e espanhola, totalizando 103 referências bibliográficas. Merece comentar o fato de terem sido encontradas 11 referências, com títulos pertinentes ao assunto pesquisado, em periódicos de enfermagem em língua chinesa(5), africana(2), polonesa(1), japonesa (1), francesa(1) e russa(1).

A busca das referências foi realizada no Sistema de Bibliotecas da USE (SIBI-USP) e na Biblioteca Regional de Medicina (BIREME). Os dados obtidos foram analisados, tendo-se em vista sua freqüência absoluta e índices porcentuais. Para a categorização das áreas temáticas, foram analisados além dos títulos, o conteúdo, uma vez que o título nem sempre é indicativo da abrangência do trabalho. Quanto à especialidade dos periódicos, foram consultados o International Nursing Index e o Index Medicus para a classificação dos mesmos. Em relação à categoria profissional e área de atuação dos autores, foram consideradas as informações constantes abaixo do título, em notas de rodapé ou no final de cada publicação, onde são citados os dados do autor.

Os artigos foram classificados em pesquisa e não pesquisa, sendo o critério adotado para artigo de pesquisa aquele que divulga os resultados de uma atividade de investigação, organizado conforme metodologia científica e não pesquisa aquele que divulga conhecimentos, independente da realização de investigação, como relatos de experiência e de casos, reflexões e outros(9).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após uma pré análise do total de 103 referências obtidas, foram excluídas 45 publicações sendo 17 redigidas por outros profissionais que não enfermeiros, 2 referências com dados incorretos que impossibi-litaram sua localização e 26 referências publicadas em periódicos que não fazem parte do acervo das bibliotecas nacionais. Como resultado final desta busca, foram obtidas 58 publicações de enfermagem sobre hipertensão arterial na gravidez entre cópias xerográficas de artigos de periódicos e resumos de monografias, dissertações e teses, apresentadas nos dados da Tabela 1.

Conforme pode ser visualizado nos dados da Tabela 1, foram produzidos 58 trabalhos em um período de 20 anos, sendo a maioria 52 (89,7%) artigos de periódicos e 6 (10,3%) resumos de monografias, dissertações e teses. Em relação aos artigos verificou-se um significativo incremento das publicações a partir de 1985. Quanto às monografias, dissertações e teses, praticamente, concentraram-se no qüinqüênio 1995-99, destacando-se lacunas nos períodos de 1980-89. Nesse sentido, apesardos cursos de pós-graduação em enfermagem em nívelde mestrado terem-se iniciado em 1972, no Rio de Janeiro e, em 1973, em São Paulo(14), a hipertensão arterial nagravidez tem despertado pouco interesse de pesquisa.

Quadro 1


Foram identificadas duas monografias de conclusão de curso de graduação, sendo uma no qüinqüênio 1990-94 e a outra no qüinqüênio 1995-99. Cumpre salientar que uma dessas monografias foi de uma aluna do Colégio Oficial de Enfermeira de Valencia que mantinha convênio com a Universidade de São Paulo. Verificou-se, também, a existência de uma tese de doutorado em língua inglesa no qüinqüênio 1995-99. As demais publicações foram três dissertações de mestrado nacionais no período 1995-99. A justificativa para o número pequeno desse tipo de trabalho pode ser em razão do levantamento da produção científica elaborada nos cursos de graduação e pós-graduação, ter sido realizado apenas por meio de consulta ao Catálogo de Pesquisa e Pesquisadores em Enfermagem do CEEEn e nas bases de dados já referidas anteriormente. Este fato pode ter gerado uma menor precisão nos achados.

Ao se analisar o Quadro 2, percebe-se que, as publicações concentraram-se a partir de 1990. Assim, constata-se ainda, no Quadro 2, que os trabalhos publicados por enfermeiras no Brasil a respeito de hipertensão arterial na gravidez, numericamente, são pouco significativos. Entretanto, a preocupação com a produção científica da enfermagem, no período de 1960-80, já foi objeto de outros estudos, cujos resultados indicaram um aumento considerável do número de trabalhos realizados no final de 1970 e início de 1980 (11,14)


Da mesma forma, a produção de enfermagem,em língua espanhola, também é numericamente poucosignificativa, concentrando-se no período de 1990-94

No Quadro 3, nota-se um equilíbrio das publicações no período de 1980 e 1990, com 22 e 23 artigos, respectivamente, também, observa-se um grande número de artigos sobre hipertensão arterial na gravidez publicados em diversos periódicos de língua inglesa, incluindo duas revistas de medicina (British Journal Obstetrics Ginaecologi e Journal of the American Medical Association).


Segundo Oliveira (9) no Brasil os enfermeiros também divulgam seus trabalhos em periódicos de outras áreas, porém tal fato leva à dispersão e ao mesmo tempo dificulta sua recuperação, uma vez que o enfoque da área de enfermagem não é evidenciado na classificação dos assuntos determinados pelos indexadores dos índices gerais. Nota-se que as revistas com maior concentração de artigos foram o Journal Obstetric Ginecologi and Neonatal Nursing (JOGNN) com sete publicações, seguidas pelo American Journal of Maternal Child Nursing (MCN) e American Journal of Nursing com cinco publicações cada. Quanto à evolução quantitativa dos artigos de língua inglesa, nota-se que no intervalo de tempo de 1985 a 1989 houve um aumento considerável e nos períodos seguintes, uma diminuição das publicações.

Se por um lado a divulgação do trabalho científico se faz necessário, por outro lado, existem dificuldades, tornando o processo de publicação um verdadeiro desafio. Nesse sentido, os enfermeiros brasileiros dispõem de menor número de revistas específicas de enfermagem comparado ao número de periódicos existentes nos EUA. Em levantamento realizado no International Index Nursing (INI) de 1999 foram identificados 157 periódicos americanos indexados e só três revistas brasileiras. Na biblioteca da Escola de Enfermagem da USP, maior acervo de enfermagem da América Latina, estão catalogados 32 periódicos até agosto de 2000, e destes, sete estão com a publicação interrompida, restando, portanto, 25 revistas disponíveis para encaminhamento dos artigos.

Nossos resultados demostram que do total (26) de periódicos, 22 (84,6%) são revistas de enfermagem e 4 (15,4%) revistas de outras especialidades, sendo 2 da área de medicina e 2 da área de saúde em geral. Em relação ao idioma de publicação, constatou-se predomínio dos periódicos de língua inglesa (19-73,1%) sobre os de língua portuguesa (5-19,2%) e espanhola (2-7,7%), o que demonstra uma maior preocupação com esta temática por parte dos enfermeiros de países, cujo idioma é o inglês.

De forma geral, analisando a produção científica do enfermeiro do Estado de São Paulo, Freitas, Ruffino, Saeki(15)verificaram que as formas de divulgação dos trabalhos utilizadas pelos enfermeiros foram apresentação em eventos científicos (66,8%), seguidas por publicação em revis-ta nacional (56,4%).

Dados da região nordeste pesquisados por Assis (16) também confirmam que a enfermagem ainda utiliza como principal veículo de divulgação de suas investigações a comunicação em eventos (65,7%). Do total de 825 investigações produzidas no período de 1988 a 1992, esses autores constataram que 68 (8,2%) trabalhos não foram divulgados e apenas 160 (19,4%) foram publicados. No início da década de 80, Angerami, Almeida(17)referem que no país não há falta de produção científica, mas falta de apoio na divulgação dos trabalhos acadêmicos.

Nota-se nos dados da Tabela 2 que, dos artigos publicados, 42 (80,8%) foram redigidos apenas por enfermeiros, 9 (17,3%) por enfermeiros em co-autoria com outros profissionais, tais como médico, nutricionista, psicólogo, assistente social e em um artigo está citado também, o auxiliar de enfermagem. A categoria profissional do autor não foi especificada em apenas um (1,9%) artigo.

Em relação ao número de autores de cada artigo, foram encontrados 27 (51,9%) trabalhos realizados individualmente, 15 (28,8%) por dois autores, 3 (5,8%) por três autores e 7 (13,5%) por mais de três autores. Observou-se que todos os artigos com mais de três autores foram escritos em co-autoria com outros profissionais que não enfermeiros. Os dados de Oliveira (9) também apontam que 65,5% dos artigos de enfermagem obstétrica, no período de 1956 a 1986, foram de autoria única.

Resultados diferentes foram observados por Burlamaque,Becker,Luz (8), a respeito da produção científica dos enfermeiros do Rio Grande do Sul que constataram maior número de trabalhos realizados em grupo (61,1%). Os autores afirmam que a realização de trabalhos em grupo é um fato importante para o desenvolvimento da produção de enfermagem.

Os dados deste estudo revelam que o maior porcentual dos enfermeiros que publicam são os que atuam na área da docência (17 - 32,7%) seguidos pelos enfermeiros de campo (16 - 30,8%). Os trabalhos em conjunto do docente e do enfermeiro assistencial somam 12 (23,1%) dos artigos.

Dados encontrados por Neira Huerta (11), Stefanelli(14), Oliveira(9)e Kakehashi(10) obser-varam maior predomínio da docência sobre as demais áreas de atuação, sendo de 79%, 88,6%, 72,4% e 56,8%, respectivamente.

Vale a pena destacar que analisando a titulação dos 17 enfermeiros que atuavam como assistenciais ou consultores, nos artigos redigidos em língua inglesa, constatou-se que a maioria 11 (64,7%) possuía mestrado e, daqueles que realizaram o artigo em conjunto com professores (8), também a maioria (5) possuía mestrado. Das enfermeiras que atuavam na área de pesquisa (4), duas eram pesquisadoras em hospitais ("Mount Sinai" - Toronto e "Stobhil General" - Glasgow), uma pertencia a um grupo de pesquisa perinatal da Universidade de Cambridge e a outra era pesquisadora associada do Departamento de Ginecologia, Obstetrícia e Ciências Reprodutivas da Escola de Medicina da Universidade de Eittsburgh.

Quanto aos enfermeiros brasileiros verificou-se que, dos cinco artigos publicados, a maioria (4) foi escrito por professores, e desses, dois foram em co-autorias vinculadas aos enfermeiros de campo. Em parte esses resultados podem estar retratando a influência dos cursos de pós-graduação. Além disso, segundo Souza, Alencastre(18)a falta de estímulo das instituições de saúde, associada às rígidas normas para publicação em periódicos e, de outro lado, a pressão da universidade para a produção de seus docentes contribuem para que o maior contigente de autores pertença à academia.

Por outro lado, Freitas, Ruffino, Saeki(15)verificaram que, para 63,5% dos enfermeiros, a função exercida na instituição foi o fator que mais contribuiu para a elaboração da pesquisa, seguido pela participação em curso de pós-graduação com 51,6% e participação em grupos de estudo - 39,6%.

Analisando-se a distribuição das publicações, conforme o tipo do trabalho desenvolvido, constatou-se predomínio dos artigos considerados como não pesquisa - 39 (75%) sobre os considerados como pesquisa - 13 (25%). Os artigos classificados como não pesquisa foram identificados com base nos conteúdos apresentados como: revisão da literatura (21), estudo de casos (7), revisão da literatura incluindo estudo de caso (7), relato de experiência (3) e observações assistenciais (1). Convém destacar que, nesta categoria de artigos não pesquisa está incluído um único artigo de publicação nacional, os restantes (38) são publicações em inglês. Os demais artigos classificados comopesquisa (13) ficaram assim distribuídos: (2) em espanhol, (4) em português e (7) em inglês.

Nos estudos de Oliveira(9)e Kakehashi(10), também foi constatado maior contingente de artigos classificados como não pesquisa, sendo 66,66% e 60,9%, respectivamente.

A análise dos dados da Tabela 3 possibilita visualizar a predominância do enfoque principal das publicações para assistência de enfermagem e tratamento medicamentoso com 15 (25,9%) ocorrências cada, seguido de sinais e sintomas da hipertensão arterial na gravidez, síndrome HELLP e assistência domiciliária com freqüências iguais de 5 (8,6%). No que se refere ao tipo de assistência abordada predominou, conforme o esperado a assistência em nível hospitalar (16) sobre a ambulatorial (4) e domiciliária (4).

A literatura de enfermagem mostra a prevalência de trabalhos na área assistencial, semelhantes aos resultados desta investigação(8,10,11,14,16).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo demonstrou que as publicações nacionais a respeito da hipertensão arterial na gravidez ainda são incipientes. Os trabalhos publicados embora sejam em número restrito, são resultados de pesquisas realizadas por autores vinculados a Programas de Pós-Graduação em enfermagem. Nota-se que os cursos de pós-graduação no Brasil são recentes e concentram-se na região sudeste, enquanto nos EUA, com início anterior, encontram-se já consolidados. Isto pode ser constatado pelo quantitativo de produção científica encontrada em língua inglesa, verificada nos periódicos norte-americanos.

Artigo recebido em 24/11/00

Artigo aprovado em 17/12/01

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    16 Dez 2008
  • Data do Fascículo
    Set 2001

Histórico

  • Aceito
    17 Dez 2001
  • Recebido
    24 Nov 2000
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