Prevalência de lesão por fricção e fatores associados: revisão sistemática

Kelly Cristina Strazzieri-Pulido Giovana Ribau Picolo Peres Ticiane Carolina Gonçalves Faustino Campanili Vera Lúcia Conceição de Gouveia Santos Sobre os autores

Resumos

OBJECTIVE

To identify and analyse skin tear prevalence and factors associated with its occurrence.

METHOD

Systematic review of literature of studies published until June 2014 including studies published in full in English, Spanish or Portuguese. The studies were analysed according to the Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology and the Guidelines for Critically Appraising Studies of Prevalence or Incidence of a Health Problem.

RESULTS

The analysis of eight studies showed skin tear prevalence of 3.3% to 22% in the hospital setting and 5.5% to 19.5% in homecare. Advanced age, dependence on basic activities of daily life, frail elderly, level of mobility, agitated behavior, non-responsiveness, greater risk for concurrent development of pressure ulcers, cognitive impairment, spasticity and photoaging were cited as risk factors.

CONCLUSION

Skin tear prevalence ranged from 3.3% to 22% and is mainly associated with advanced age and dependence on basic activities of daily life.

Wounds and Injuries; Prevalence; Cross-Sectional Studies; Epidemiology; Review


OBJETIVO

Identificar y analizar la prevalencia de lesión por fricción y los factores asociados con su ocurrencia.

MÉTODO

Revisión sistemática de la literatura publicada hasta junio de 2014 con la inclusión de estudios publicados integralmente en inglés, español o portugués. Los estudios fueron analizados según el Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology y el Guidelines for Critically Appraising Studies of Prevalence or Incidence of a Health Problem.

RESULTADOS

Los análisis de ocho estudios mostraron prevalencia de lesión del 3,3% al 22% en el escenario hospitalario y del 5,5% al 19,5% en el domiciliario. Edad avanzada, dependencia para las actividades básicas de vida diarias, anciano frágil, nivel de movilidad, comportamiento agitado, falta de responsividad, mayor riesgo para el desarrollo concomitante de úlcera por presión, afectación cognitiva, espasticidad y fotoenvejecimiento fueron los factores de riesgo citados.

CONCLUSIÓN

La prevalencia de lesión varió del 3,3% al 22%, estando asociada principalmente con la edad avanzada y la dependencia para las actividades básicas de vida diarias.

Heridas y Traumatismos; Prevalencia; Estudios Transversales; Epidemiología; Revisión


OBJETIVO

Identificar e analisar a prevalência de lesão por fricção e os fatores associados à sua ocorrência.

MÉTODO

Revisão sistemática da literatura publicada até junho de 2014 com a inclusão de estudos publicados na íntegra em inglês, espanhol ou português. Os estudos foram analisados segundo o Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology e o Guidelines for Critically Appraising Studies of Prevalence or Incidence of a Health Problem.

RESULTADOS

As análises de oito estudos mostraram prevalência de lesão de 3,3% a 22% no cenário hospitalar e 5,5% a 19,5% no domiciliar. Idade avançada, dependência para as atividades básicas de vida diárias, idoso frágil, nível de mobilidade, comportamento agitado, arresponsividade, maior risco para o desenvolvimento concomitante de úlcera por pressão, comprometimento cognitivo, espasticidade e fotoenvelhecimento foram os fatores de risco citados.

CONCLUSÃO

A prevalência de lesão variou de 3,3% a 22%, estando associada principalmente à idade avançada e dependência para as atividades básicas de vida diárias.

Ferimentos e Lesões; Prevalência; Estudos Transversais; Epidemiologia; Revisão


Introdução

Cuidar de pessoas com a pele frágil é um desafio quando um pequeno trauma pode resultar em Lesão por Fricção (LF)(1Groom M, Shannon RJ, Chakravarthy D, Fleck CA. An evaluation of costs and effects of a nutrient-based skin care program as a component of prevention of skin tears in an extended convalescent center. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2010;37(1):46-51.).

Apesar de alguns pesquisadores sugerirem que elas são mais prevalentes do que as úlceras por pressão e as queimaduras(4Carville K, Lewin G, Newall N, Haslehurst P, Michael R, Santamaria N, et al. STAR: a consensus for skin tear classification. Primary Intention. 2007;15(1):8-25.), as LF passam despercebidas, visto que são feridas traumáticas rasas, que ocorrem principalmente nas extremidades de idosos, resultante de fricção ou de uma combinação de fricção e cisalhamento, levando à separação da epiderme da derme (ferida de espessura parcial) ou separando totalmente a epiderme e a derme das estruturas subjacentes (ferida de espessura total)(6Strazzieri-Pulido KC, Santos VLCG,. Carville K Cultural adaptation content validity and inter-rater reliability of the "STAR Skin Tear Classification System". Rev Latino Am Enfermagem [Internet]. 2015 [cited 2015 Mar 22];23(1):155-61. Available from: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v23n1/0104-1169-rlae-23-01-00155.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rlae/v23n1/0104...
). São encaradas como inerentes à idade, induzindo à sensação de uma condição irrelevante, porém acarretam dor e infectam facilmente(2Stephen-Haynes J, Callaghan R, Bethell E, Greenwood M. The assessment and management of skin tear in care homes. Br J Nurs. 2011;20(11):S12-6.

LeBlanc K, Baranoski S. Skin tears: state of the science: consensus statements for the prevention, prediction, assessment, and treatment of skin tears. Adv Skin Wound Care. 2011;24(9):2-15.
-4Carville K, Lewin G, Newall N, Haslehurst P, Michael R, Santamaria N, et al. STAR: a consensus for skin tear classification. Primary Intention. 2007;15(1):8-25.,7Meuleneire F. Using a soft silicone-coated net dressing to manage skin tears. J Wound Care. 2002;11(10):365-9.).

Por serem relegadas a meros incidentes casuais inevitáveis, despertam pouco interesse e, consequentemente, são subdiagnosticadas. A falta de precisão diagnóstica e de compreensão das causas envolvidas concorre para o aumento da dor e do sofrimento, do tempo de cicatrização e dos custos do tratamento, afetando negativamente a qualidade da assistência prestada(2Stephen-Haynes J, Callaghan R, Bethell E, Greenwood M. The assessment and management of skin tear in care homes. Br J Nurs. 2011;20(11):S12-6.

LeBlanc K, Baranoski S. Skin tears: state of the science: consensus statements for the prevention, prediction, assessment, and treatment of skin tears. Adv Skin Wound Care. 2011;24(9):2-15.
-4Carville K, Lewin G, Newall N, Haslehurst P, Michael R, Santamaria N, et al. STAR: a consensus for skin tear classification. Primary Intention. 2007;15(1):8-25.,7Meuleneire F. Using a soft silicone-coated net dressing to manage skin tears. J Wound Care. 2002;11(10):365-9.-8Payne RL, Martin ML. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage. 1993;39(5):16-20.).

Há menos de 25 anos, os pesquisadores começaram timidamente a monitorar a epidemiologia das LF, a fim de construir e aperfeiçoar nomenclatura apropriada e instrumentos de avaliação de risco e classificação(8Payne RL, Martin ML. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage. 1993;39(5):16-20.), ferramentas fundamentais para a avaliação da ferida e planejamento do seu cuidado, além de imprescindíveis para a sua prevenção(1010 Battersby L. Exploring best practice in the management of skin tears in older people. Nurs Times. 2009;105(16):22-6.).

Medidas simples, como a identificação dos pacientes em risco e a implementação de protocolos de prevenção estão se mostrando capazes de prevenir LF ou minimizar sua gravidade(1212 Lopez V, Dunk AM, Cubit K, Parke J, Larkin D, Trudinger M, et al. Skin tear prevention and management among patients in the acute aged care and rehabilitation units in the Australian Capital Territory: a best practice implementation project. Int J Evid Based Healthc. 2011;9(4):429-34.). Pesquisas(1Groom M, Shannon RJ, Chakravarthy D, Fleck CA. An evaluation of costs and effects of a nutrient-based skin care program as a component of prevention of skin tears in an extended convalescent center. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2010;37(1):46-51.)comprovam que a ocorrência de LF diminui tão logo um indivíduo seja identificado em risco e as medidas preventivas sejam implementadas.

A fim de conferir alicerces tangíveis a todo o conhecimento científico que ainda precisa ser construído acerca das LF, o International Skin Tear Panel (3LeBlanc K, Baranoski S. Skin tears: state of the science: consensus statements for the prevention, prediction, assessment, and treatment of skin tears. Adv Skin Wound Care. 2011;24(9):2-15.)recomenda e estimula o desenvolvimento de estudos para elucidar a epidemiologia das LF nos serviços de saúde e na comunidade.

A presente revisão objetivou identificar e analisar sistematicamente as informações disponíveis na literatura sobre a prevalência de LF, assim como os fatores associados à sua ocorrência, em crianças, adultos e idosos.

Método

Revisão sistemática da literatura segundo recomendações da Cochrane Collaboration (1414 Higgins JPT, Green S, editors. Cochrane handbook for systematic reviews of interventions. Version 5.1.0 updated March 2011 [Internet]. London: Cochrane Collaboration; 2011 [cited 2014. Available from: www.cochrane-handbook.org
http://www.cochrane-handbook.org...
).

A pergunta norteadora da presente revisão foi: Quais são as informações disponíveis naliteratura sobre a prevalência e os fatores associados à LF em crianças, adultos e idosos? Para esclarecê-la, as seguintes bases de dados eletrônicas foram consultadas: CINAHL, Cochrane, EBM Reviews, Embase, LILACS, PubMed, SciELO, Scopus e Web of Science até junho de 2014. Para a seleção dos estudos, utilizaram-se os seguintes critérios: ser publicado em inglês, espanhol ou português até junho de 2014, estar disponível na íntegra e ser do tipo epidemiológico, isto é, visar à investigação da prevalência de LF. Foram excluídos capítulos de livros, resumos de eventos, artigos de revisão, relatos de casos, consensos, editoriais, guias, correspondências, ensaios clínicos, estudos de coorte e caso-controle.

A estratégia de busca foi baseada não só nos descritores indexados pelo Medical Subject Headings Section e Descritores em Ciências da Saúde - em negrito no Quadro 1 -, mas também em palavras-chave utilizadas em revisões narrativas e artigos de atualização, uma vez que a terminologia acerca das LF não se encontra uniformizada. A localização dos artigos foi realizada por meio de operadores boleanos OR e AND, respeitando-se as peculiaridades de cada base de dados pesquisada. O Quadro 1 apresenta a estratégia de busca utilizada.

A busca pelos artigos foi realizada por uma das autoras em cada uma das bases eletrônicas de dados. Os resultados da busca foram exportados para o programa EndNote Web®, que armazenou os seguintes dados de cada estudo: título, autores, título do periódico, número, volume, páginas, seção, resumo e palavras-chave.

A seleção inicial dos estudos foi realizada a partir da análise de título e resumo. Os estudos foram distribuídos aleatoriamente entre as autoras, sendo cada um deles analisado obrigatoriamente por duas autoras. Estudos que geraram dúvidas quanto à pertinência de sua inclusão foram analisados por uma terceira autora.

Os estudos que tiveram seus resumos selecionados foram resgatados na íntegra e distribuídos aleatoriamente entre as autoras, sendo cada um deles analisado obrigatoriamente por duas autoras. Uma terceira autora atuou como juíza na validação das análises, avaliando e confrontando 30% dos estudos, escolhidos por meio de sorteio.

Os estudos foram analisados de forma descritiva e os resultados agrupados e apresentados com relação a: ano de publicação, país onde o estudo foi realizado, métodos (população/amostra; prevalência de LF; instrumentos utilizados para a classificação de LF; e estratégias estatísticas de análise) e os principais resultados encontrados pelos autores (prevalência de LF e fatores associados à LF, quando identificados).

Para avaliar a qualidade dos estudos incluídos nesta revisão, foram utilizados o Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE)(1515 Malta M, Cardoso LO, Bastos FI, Magnanini MMF, Silva CMFP. STROBE initiative: guidelines on reporting observational studies. Rev Saúde Pública. 2010;44(3):559-65.) e o Guidelines for Critically Appraising Studies of Prevalence or Incidence of a Health Problem (1616 Loney PL, Chambers LW, Bennett KJ, Roberts JG, Stratford PW. Critical appraisal of the health research literature: prevalence or incidence of a health problem. Chronic Dis Can. 1998;19(4):170-6.).

O STROBE, traduzido para o português por Malta et al.(1515 Malta M, Cardoso LO, Bastos FI, Magnanini MMF, Silva CMFP. STROBE initiative: guidelines on reporting observational studies. Rev Saúde Pública. 2010;44(3):559-65.), contém 22 itens com recomendações sobre o que deveria ser incluído em uma descrição mais precisa e completa de estudos observacionais. Cada um dos 22 critérios recebeu uma pontuação de 0 a 1. A pontuação total foi transformada em percentual para melhor avaliar a qualidade dos artigos. Foram considerados de boa qualidade os artigos que atingiram um percentual superior a 50%.

O Guidelines for Critically Appraising Studies of Prevalence or Incidence of a Health Problem desenvolvido por Loney et al.(1616 Loney PL, Chambers LW, Bennett KJ, Roberts JG, Stratford PW. Critical appraisal of the health research literature: prevalence or incidence of a health problem. Chronic Dis Can. 1998;19(4):170-6.)é composto de oito perguntas sobre adequação e acurácia do estudo, relacionadas à validade dos métodos, interpretação e aplicabilidade dos resultados. Cada item foi avaliado com um ponto, gerando escore máximo de 8 pontos. Loney et al.(1616 Loney PL, Chambers LW, Bennett KJ, Roberts JG, Stratford PW. Critical appraisal of the health research literature: prevalence or incidence of a health problem. Chronic Dis Can. 1998;19(4):170-6.) não estabeleceram categorias de qualidade conforme o escore obtido e nem escore de corte. Foram considerados de boa qualidade os artigos que atingiram mais do que 4 pontos. O sistema é apresentado no Quadro 2.

Resultados

A busca nas nove bases de dados totalizou 8.095 documentos. Descartadas as 2.426 repetições, foram submetidos à análise do título 5.669 documentos. Lendo os títulos, foram descartados 5.433 documentos, ficando 236 para análise do resumo. Destes, foram excluídos capítulos de livros, resumos de eventos, artigos de revisão, relatos de casos, consensos, editoriais, guias, correspondências, ensaios clínicos, estudos de coorte e caso-controle. Restaram nove estudos acerca da prevalência de LF, dos quais oito(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.)atenderam aos critérios de seleção e foram lidos na íntegra. O único estudo excluído(2525 Hsu M, Chang S. A study on skin tear prevalence and related risk factors among inpatients. Tzu Chi Nurs J. 2010;9(4):84-95.) não atendeu ao critério idioma, uma vez que foi publicado em chinês.

Embase (57,42%) e PubMed (34,48%) foram as bases de dados que trouxeram o maior número de publicações. As bases de dados menos representativas foram Cochrane (0,84%), CINAHL (0,21%), SciELO (0,10%), EBM Reviews (0,09%) e LILACS (0,01%), como apresentado na Tabela 1.

Tabela 1
Estudos identificados segundo as bases de dados - São Paulo, 2014.

O Quadro 3 apresenta a síntese dos seis artigos selecionados.

Os estudos são, em sua maioria, provenientes da Austrália (4)(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.

18 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.
-1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.,2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.), prevalecendo o cenário hospitalar (6)(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.)sobre o domiciliar (2)(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.). O exame físico foi a principal estratégia para a coleta de dados, sendo realizado em sete estudos(1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.). O Payne-Martin Classification System for Skin Tears foi utilizado por um dos estudos australianos(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.)e pelo canadense(2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.). O estudo brasileiro(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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), assim como o japonês(2424 Koyano Y, Nakagami G, Iizaka S, Minematsu T, Noguchi H, Tamai N, et al. Exploring the prevalence of skin tears and skin properties related to skin tears in elderly patients at a long-term medical facility in Japan. Int Wound J. 2014 Mar 28. [Epub ahead of print])utilizaram o Sistema de Classificação STAR - Lesão por Fricção. Contudo, a maior parte dos estudos (4)(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.-1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.,2020 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.-2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.)não cita qual instrumento para a classificação das LF utilizou.

A prevalência de LF variou de 3,3% a 22% no cenário hospitalar(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.) e 5,5% a 19,5% no domiciliar(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.). Com relação aos fatores de risco associados com LF, idade avançada (3)(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.-1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.,2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.)e dependência para as atividades básicas de vida diárias (3)(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.,2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/...
-2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.)foram os mais citados. Outros fatores mencionados foram idoso frágil(1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.), nível de mobilidade, comportamento agitado, arresponsividade, maior risco para o desenvolvimento concomitante de úlcera por pressão(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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), comprometimento cognitivo, espasticidade(2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.)e fotoenvelhecimento(2424 Koyano Y, Nakagami G, Iizaka S, Minematsu T, Noguchi H, Tamai N, et al. Exploring the prevalence of skin tears and skin properties related to skin tears in elderly patients at a long-term medical facility in Japan. Int Wound J. 2014 Mar 28. [Epub ahead of print]). Um dos estudos(2020 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.)não mencionou os fatores de risco associados às LF.

Apenas um estudo(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.)não foi considerado de boa qualidade, alcançando 48% do STROBE e 4 pontos do sistema desenvolvido por Loney et al.(1616 Loney PL, Chambers LW, Bennett KJ, Roberts JG, Stratford PW. Critical appraisal of the health research literature: prevalence or incidence of a health problem. Chronic Dis Can. 1998;19(4):170-6.). No entanto, o desempenho de todos os estudos(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.)foi prejudicado, uma vez que nenhum deles apresentou os intervalos de confiança nas estimativas de prevalência e a maioria (4)(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.,1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.

20 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.
-2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.)não descreveu os sujeitos do estudo.

Discussão

No cenário hospitalar, a prevalência de LF variou de 3,3%(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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)a 22%(2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.). Os menores índices (3,3%, 3,9% e 8%) foram identificados, respectivamente, nos estudos desenvolvidos no Brasil(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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), no Japão(2424 Koyano Y, Nakagami G, Iizaka S, Minematsu T, Noguchi H, Tamai N, et al. Exploring the prevalence of skin tears and skin properties related to skin tears in elderly patients at a long-term medical facility in Japan. Int Wound J. 2014 Mar 28. [Epub ahead of print]) e na Austrália(2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.). O brasileiro(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/...
)identificou a prevalência de LF em pacientes adultos hospitalizados com câncer, o japonês(2424 Koyano Y, Nakagami G, Iizaka S, Minematsu T, Noguchi H, Tamai N, et al. Exploring the prevalence of skin tears and skin properties related to skin tears in elderly patients at a long-term medical facility in Japan. Int Wound J. 2014 Mar 28. [Epub ahead of print])em um hospital de retaguarda geriátrico e o australiano(2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.)quantificou a epidemiologia das feridas, incluindo as LF, em todos os pacientes, independentemente da idade, internados em unidades hospitalares/ligadas a hospitais do sistema público de saúde da Austrália Ocidental.

Os estudos realizados na Austrália(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.), nos Estados Unidos da América(2020 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.) e no Canadá(2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.), identificaram os maiores índices (11%, 17% e 22%). O australiano(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.)identificou a prevalência de LF em pacientes adultos internados em um hospital terciário, o americano(2020 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.)documentou a prevalência de úlceras por pressão e outros tipos de feridas, incluindo as LF, em crianças hospitalizadas e o canadense(2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.)em internos de uma instituição de longa permanência.

No âmbito domiciliar, todos os estudos foram realizados na Austrália Ocidental e a prevalência de LF variou de 5,5%(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.)a 19,5%(1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.). O menor índice (5,5%) foi identificado no estudo em pacientes com feridas em atendimento domiciliário(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.). Na ocasião, os autores optaram por excluir as LF de membros inferiores. Em estudo posterior(1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.), realizado com pacientes do Department of Veterans' Affairs em atendimento domiciliário para o tratamento de feridas, as autoras encontraram uma prevalência expressivamente maior (19,5%). Ao optarem pela não exclusão das LF de membros inferiores, houve um acréscimo de 10% na prevalência desse tipo de ferida(1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.).

Quanto aos fatores associados às LF, a idade avançada foi apontada em três estudos analisados(1717 Carville K,. Lewin G Caring in the community: a wound prevalence survey. Primary Intention. 1998;6(2):54-62.-1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.,2121 Santamaria N, Carville K, Prentice J. Woundswest: identifying the prevalence of wounds within western Australia's public health system. EWMA J. 2009;9(3):13-8.), e idoso frágil em um estudo(1818 Carville K, Smith JA. A report on the effectiveness of comprehensive wound assessment and documentation in the community. Primary Intention. 2004;12(1):41-8.). As alterações fisiológicas inerentes ao envelhecimento expõem os idosos às LF mais do que qualquer outro grupo de risco. É consenso entre especialistas que isso aconteça por dois motivos: fragilização da pele e suscetibilidade a traumas(3LeBlanc K, Baranoski S. Skin tears: state of the science: consensus statements for the prevention, prediction, assessment, and treatment of skin tears. Adv Skin Wound Care. 2011;24(9):2-15.-4Carville K, Lewin G, Newall N, Haslehurst P, Michael R, Santamaria N, et al. STAR: a consensus for skin tear classification. Primary Intention. 2007;15(1):8-25.,7Meuleneire F. Using a soft silicone-coated net dressing to manage skin tears. J Wound Care. 2002;11(10):365-9.-8Payne RL, Martin ML. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage. 1993;39(5):16-20..

No primeiro caso, com a cronossenescência, ou seja, o envelhecimento intrínseco, aumenta a queratinização prematura da epiderme e observam-se o alargamento e aplainamento dos sulcos intrapapilares, juntamente com a perda do pregueamento da lâmina basal. Consequentemente, o sistema de ancoragem entre as camadas de epiderme e derme passa a não resistir tão bem à fricção e ao cisalhamento(2727 Naylor EC, Watson RE, Sherratt MJ. Molecular aspects of skin ageing. Maturitas. 2011;69(3):249-56.).

Na derme, por sua vez, os fibroblastos passam a produzir menos colágeno tipo I e mais tipo III. As fibras do colágeno tornam-se rarefeitas, fragmentadas e separadas por grandes áreas ocupadas por substância fundamental amorfa. Os mucopolissacarídeos perdem sua função estrutural e apresentam-se como um sedimento amorfo. A pele perde força tênsil, resistência, elasticidade e extensibilidade(2727 Naylor EC, Watson RE, Sherratt MJ. Molecular aspects of skin ageing. Maturitas. 2011;69(3):249-56.).

A produção das glândulas sudoríparas e sebáceas também se reduz com a idade, tornando a pele desidratada, ressecada e sem elasticidade. A camada subcutânea torna-se mais delgada e o coxim adiposo menos eficiente na absorção de impacto. A espessura da pele diminui progressivamente, chegando a uma perda de 20% de espessura(2727 Naylor EC, Watson RE, Sherratt MJ. Molecular aspects of skin ageing. Maturitas. 2011;69(3):249-56.).

Os achados obtidos em outra pesquisa(2424 Koyano Y, Nakagami G, Iizaka S, Minematsu T, Noguchi H, Tamai N, et al. Exploring the prevalence of skin tears and skin properties related to skin tears in elderly patients at a long-term medical facility in Japan. Int Wound J. 2014 Mar 28. [Epub ahead of print]), inferem que os fatores de risco para LF não estão relacionados apenas aos efeitos da cronossenescência, mas também ao fotoenvelhecimento, ou envelhecimento extrínseco. Na epiderme, a exposição à radiação ultravioleta leva ao adelgaçamento da camada espinhosa e ao achatamento da junção dermoepidérmica, enquanto na derme, está relacionada à diminuição da síntese de colágeno, assim como ao aumento de sua degradação(2828 Battie C, Jitsukawa S, Bernerd F, Del Bino S, Marionnet C, Verschoore M. New insights in photoaging, UVA induced damage and skin types. Exp Dermatol. 2014;23 Suppl 1:7-12.). O fotoenvelhecimento, portanto, ao intensificar o envelhecimento da pele, contribuiria ainda mais para sua fragilização, aumentando, desta forma, o risco para LF(2424 Koyano Y, Nakagami G, Iizaka S, Minematsu T, Noguchi H, Tamai N, et al. Exploring the prevalence of skin tears and skin properties related to skin tears in elderly patients at a long-term medical facility in Japan. Int Wound J. 2014 Mar 28. [Epub ahead of print]).

Somada à fragilidade da pele dos idosos, tem-se a susceptibilidade ao trauma. Isso porque com os anos aumentam a rigidez musculoesquelética e a espasticidade muscular, diminuem a sensibilidade sensorial, a acuidade visual e a capacidade cognitiva, acarretando prejuízo da mobilidade física e aumentando a dependência para as atividades básicas de vida diárias. Todas essas alterações contribuem para o aumento considerável do risco para traumas e fazem da idade avançada um dos principais fatores de risco para LF(3LeBlanc K, Baranoski S. Skin tears: state of the science: consensus statements for the prevention, prediction, assessment, and treatment of skin tears. Adv Skin Wound Care. 2011;24(9):2-15.-4Carville K, Lewin G, Newall N, Haslehurst P, Michael R, Santamaria N, et al. STAR: a consensus for skin tear classification. Primary Intention. 2007;15(1):8-25.,7Meuleneire F. Using a soft silicone-coated net dressing to manage skin tears. J Wound Care. 2002;11(10):365-9.-8Payne RL, Martin ML. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage. 1993;39(5):16-20..

Dependência para as atividades básicas de vida diárias(1919 McErlean B, Sandison S, Muir D, Hutchinson B, Humphreys W. Skin tear prevalence and management at one hospital. Primary Intention. 2004;12(2):83-6,8.,2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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-2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.), arresponsividade (que incorre em dependência total), nível de mobilidade(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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) e espasticidade(2323 LeBlanc K, Christensen D, Cook J, Culhane B, Gutierrez O. Prevalence of skin tears in a long-term care facility. Wound Ostomy Continence Nurs. 2013;40(6):580-4.) também foram apontados como fatores de risco associados à ocorrência das LF.

No estudo realizado com idosos totalmente dependentes, que necessitaram de auxílio para as atividades básicas de vida diárias apresentaram grande número de LF, principalmente nas extremidades superiores(1111 White M, Karam S, Cowell B. Skin tears in frail elders: a practical approach to prevention. Geriatric Nurs. 1994;15(2):95-9.). Elas ocorreram durante a rotina de prestação de cuidados, como vestir-se e tomar banho, e durante posicionamentos e transferências. Quase a metade das LF (48%) ocorreu em idosos acamados e 11% naqueles que requeriam auxílio para deambular. Em estudo descritivo, durante seis meses de observação, verificou-se que as chances de apresentar LF aumentaram na vigência de dificuldades de marcha(7Meuleneire F. Using a soft silicone-coated net dressing to manage skin tears. J Wound Care. 2002;11(10):365-9.). As cadeiras de rodas também foram associadas a 25% dos traumas ocorridos(9Malone ML, Rozario N, Gavinski M, Goodwin J. The epidemiology of skin tears in the institutionalized elderly. J Am Geriatri Soc. 1991:39(6):591-5.).

Comportamento agitado também figurou como fator de risco associado à ocorrência das LF(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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). Pesquisadores(1111 White M, Karam S, Cowell B. Skin tears in frail elders: a practical approach to prevention. Geriatric Nurs. 1994;15(2):95-9.) o consideraram como fator predisponente ao trauma e, por conseguinte, às LF e incluíram a agitação psicomotora como um dos itens de risco a ser investigado em seu instrumento de avaliação de risco para LF, o Skin Integrity Risk Assessment Tool.

O declínio da capacidade cognitiva decorre dos processos fisiológicos do envelhecimento normal ou de um estágio de transição para as demências, repercutindo em outros domínios cognitivos além da memória e interferindo na capacidade laborativa e na vida social(3LeBlanc K, Baranoski S. Skin tears: state of the science: consensus statements for the prevention, prediction, assessment, and treatment of skin tears. Adv Skin Wound Care. 2011;24(9):2-15.). Alguns autores(7Meuleneire F. Using a soft silicone-coated net dressing to manage skin tears. J Wound Care. 2002;11(10):365-9.)verificaram em seus estudos que as chances de apresentar LF aumentaram na vigência de comprometimento cognitivo.

Recém-nascidos e crianças também são suscetíveis às LF e constituem o segundo maior grupo de risco. Os autores de um estudo confirmaram que a prevalência de LF (17%) é maior do que a de úlcera por pressão (4%) na população pediátrica(2020 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.). A faixa etária até 3 meses de idade mostrou-se como a mais susceptível, isso porque, além de apresentar estrato córneo deficiente e junção dermo-epidérmica pouco desenvolvida ao nascimento, a derme é fina, contando com apenas 60% da espessura quando comparada à derme do adulto. Fitas e curativos adesivos são apontados como os principais responsáveis pelas LF nesta clientela(2020 McLane KM, Bookout K, McCord S, McCain J, Jefferson LS. The 2003 national pediatric pressure ulcer and skin breakdown prevalence survey: a multisite study. J Wound Ostomy Continence Nurs. 2004;31(4):168-78.).

A experiência clínica, porém, proporciona fortes indícios de que as LF não estão restritas aos extremos de idade(4Carville K, Lewin G, Newall N, Haslehurst P, Michael R, Santamaria N, et al. STAR: a consensus for skin tear classification. Primary Intention. 2007;15(1):8-25.,2928 Irving V, Bethell E, Burtin F. Neonatal wound care: minimizing trauma and pain. Wounds. 2006;2(1):33-41.-3030 Santos VLCG. SCALE: modificações da pele no final da vida [tradução]. Rev Estima. 2009;7(3):42-4.). Apesar de idosos e neonatos constituírem os maiores grupos de risco para LF, existem outros grupos sujeitos à fragilização da pele e que não devem ser ignorados, tais como indivíduos em estado crítico (em cuidados intensivos, ou que sofreram traumas importantes ou cirurgia de grande porte), no final da vida, ou que sofram de múltiplos fatores de risco intrínsecos e extrínsecos para LF, independentemente da idade(2928 Irving V, Bethell E, Burtin F. Neonatal wound care: minimizing trauma and pain. Wounds. 2006;2(1):33-41.).

Estudando pacientes hospitalizados com câncer, os autores depararam-se com indivíduos com menos de 50 anos de idade com LF(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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). A pele, como qualquer outro órgão, também pode entrar em falência. Uma condição clínica grave certamente compromete os mecanismos homeostáticos do corpo, que pode reagir desviando sangue da pele para órgãos vitais, resultando na diminuição da perfusão da pele e das partes moles e, consequentemente no comprometimento dos processos metabólicos cutâneos. Pequenos traumas seriam capazes de ocasionar complicações maiores, como hemorragia, gangrena, infecção, úlcera por pressão e LF. A tolerância à pressão e à fricção diminui de tal maneira nessas condições que pode tornar impossível prevenir a quebra da integridade da pele(3030 Santos VLCG. SCALE: modificações da pele no final da vida [tradução]. Rev Estima. 2009;7(3):42-4.).

Os pacientes hospitalizados com câncer e LF, também apresentaram maior risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão (60%) do que aqueles sem LF (12,5%)(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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). Similarmente a este estudo(2222 Amaral AFS, Strazzieri-Pulido KC,. Santos VLCG Prevalence of skin tears among hospitalized pacients with cancer. Rev Esc Enferm USP [Internet[. 2012 [cited 2014 Aug 22];46(n.spe):44-50. Available from: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46nspe/en_07.pdf
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), outros autores(8Payne RL, Martin ML. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage. 1993;39(5):16-20.) verificaram também, que a maioria dos idosos com LF (60%) apresentavam os menores escores de Braden e, consequentemente, maior risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão. Embora desenvolvido em outro tipo de clientela, os indivíduos do estudo apresentam características semelhantes àquelas dos pacientes hospitalizados com câncer, com destaque para algumas condições precárias de saúde global, especialmente quanto à atividade e à mobilidade e, portanto, com maior risco para o desenvolvimento de úlcera por pressão(8Payne RL, Martin ML. Defining and classifying skin tears: need for a common language. Ostomy Wound Manage. 1993;39(5):16-20.).

Muito ainda deve ser feito com o intuito de elucidar a epidemiologia das LF. A diversidade metodológica dos estudos, como as formas de coleta e tratamento estatístico dos dados e os diferentes critérios empregados na classificação das LF, além da multiplicidade de cenários e da população-alvo dificultam e, por vezes, impossibilitam a generalização dos resultados. Foi destacada também, a importância da apresentação dos resultados quantitativos dos estudos de prevalência com seus respectivos intervalos de confiança, o que estatisticamente estima o quão confiáveis são os valores encontrados(1616 Loney PL, Chambers LW, Bennett KJ, Roberts JG, Stratford PW. Critical appraisal of the health research literature: prevalence or incidence of a health problem. Chronic Dis Can. 1998;19(4):170-6.). Além disso, recomendam que tais índices sejam analisados nos subgrupos, como sexo e idade, dentre outras variáveis que possam ser consideradas relevantes. O que, infelizmente, não foi realizado em nenhum dos oito estudos analisados.

Restringir o idioma de publicação constituiu-se na limitação deste estudo, ocasionando a exclusão de um estudo, publicado em chinês(2525 Hsu M, Chang S. A study on skin tear prevalence and related risk factors among inpatients. Tzu Chi Nurs J. 2010;9(4):84-95.).

Apesar disso, considera-se que o presente estudo, ao sumarizar o conhecimento acerca da prevalência das LF e dos fatores associados à sua ocorrência, contribui para a elaboração de protocolos de prevenção, além de instrumentos de rastreamento de risco para essas feridas à luz da prática baseada em evidências.

Conclusão

A prevalência de LF variou de 3,3% a 22%, no cenário hospitalar, e de 5,5% a 19,5%, no domiciliar. Foi associada principalmente à idade avançada e dependência para as atividades básicas de vida diárias.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jul-Aug 2015

Histórico

  • Recebido
    02 Out 2014
  • Aceito
    03 Mar 2015
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