Neste artigo, analisamos o movimento #elenão e suas reverberações em contexto francês. Num movimento que ganhou repercussão transnacional, mulheres brasileiras organizadas por diferentes lógicas de opressão mostram agência política pelo uso das redes sociais digitais e, especificamente, de hashtags. De inspiração etnográfica, partiu-se de observações participantes da autora e autor nas manifestações que aconteceram na cidade de Paris, na França, no período das eleições de 2018, no Brasil, mas também de entrevistas com as organizadoras locais dos eventos. Mobilizando como operador analítico o conceito de political agency, ou capacidade de agir politicamente, segundo Judith Butler, argumentamos que este movimento, iniciado pelas mulheres, foi um elemento unificador de outras minorias políticas, como negros e LGBT+, contra o avanço do “neofascismo” e retrocessos no campo dos direitos humanos.
Palavras-chave:
#elenão Paris; eleições 2018; capacidade de agir politicamente; feminismos
Thumbnail
Fonte: https://www.facebook.com/events/240718269876460/.#PraTodoMundoVer A imagem representa a imagem de capa do evento no Facebook “Mulheres no exterior contra Bolsonaro”, tem formato retangular, e carrega as cores lilás, cor oficial da luta feminista, em duas tonalidades, o vermelho, preto e branco. Do lado esquerdo do panfleto digital está o mapa-múndi em lilás mais forte e sobre ele linhas brancas formam fios que conectam rostos femininos circundados em branco. No centro, o continente africano, e sobre ele, o símbolo que se universalizou nos anos de 1960, do movimento feminista. As teias conectam, ao mesmo tempo, o passado recente em que “o pessoal” se mostrou “político”, ao presente, quando, por meios digitais, mulheres de diferentes classes, cores de pele, idades, origem regional e religiosa se uniam em torno de uma palavra de ordem. Abaixo do mapa, com recuo à esquerda, aparece o número 29 em vermelho e, ao lado, em duas linhas, com fontes menores, a palavra setembro, escrita em lilás, em quatro idiomas. À direita do mapa, há cinco linhas. Na primeira linha, aparece a palavra Mulheres em destaque preto. Na segunda linha, no exterior, também em preto. Na terceira linha, em vermelho, a primeira sílaba da palavra contra, con, com o preenchido em vermelho e um xis branco em cima. Na quarta linha, aparece a sílaba final da palavra contra, tra, também em vermelho. Na última linha, aparece a palavra Bolsonaro em fonte preta e em letras maiúsculas